{"id":3084,"date":"2012-08-17T05:10:11","date_gmt":"2012-08-17T08:10:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=3084"},"modified":"2012-08-17T05:10:11","modified_gmt":"2012-08-17T08:10:11","slug":"des-contos-a-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2012\/08\/des-contos-a-entrevista\/","title":{"rendered":"Des Contos: A entrevista."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3085\" title=\"desc_entrevista\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/desc_entrevista.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/desc_entrevista.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/desc_entrevista-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>As m\u00e3os se abrem e a luz volta a atingir seus olhos. O calor do meio-dia castigava Lauro. O ar parado e polu\u00eddo do centro tornava a sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica ainda mais desconfort\u00e1vel. A garganta seca em contraste com o inc\u00f4modo ac\u00famulo de suor por debaixo do terno, a face avermelhada, olhos cerrados para combater o gel liquefeito escorrendo de seus cabelos, tudo seria mais toler\u00e1vel se n\u00e3o fosse o sorriso condescendente da entrevistadora ao dizer que entraria em contato.<!--more--><\/p>\n<p>Quatro meses em busca de um novo emprego, pontuados por processos de recrutamento confusos e longas esperas. Ele esperava que seu curr\u00edculo fosse o suficiente para pular etapas e livr\u00e1-lo do exerc\u00edcio f\u00fatil de tentar impressionar os respons\u00e1veis pelo departamento de recursos humanos. A orat\u00f3ria nunca foi um de seus pontos fortes, quer dizer, em teoria. Na pr\u00e1tica os constantes acessos de p\u00e2nico minavam sequer a possibilidade de se comunicar feito um humano normal em situa\u00e7\u00f5es de muita ansiedade.<\/p>\n<p>Segundo sua terapeuta a condi\u00e7\u00e3o tinha ra\u00edzes na inf\u00e2ncia. Novamente em teoria, j\u00e1 que as sess\u00f5es foram abruptamente encerradas por falta de pagamento, isso quando ainda estava lidando com quest\u00f5es da adolesc\u00eancia. Mas n\u00e3o era hora de revirar o passado, afinal, o presente trazia uma quest\u00e3o muito mais urgente: Procurar uma sombra.<\/p>\n<p>A avenida, essencialmente comercial, n\u00e3o apresentava muitos locais para um descanso protegido do sol escaldante. V\u00e1rios bares e lanchonetes, mas uma bebida gelada estava fora de quest\u00e3o, o dinheiro em sua carteira j\u00e1 estava comprometido com a condu\u00e7\u00e3o de volta para casa. Lauro n\u00e3o estava realmente interessado em passar a vergonha de ser convidado a se retirar ap\u00f3s descobrirem que ele n\u00e3o consumiria nada, de novo. O ch\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o era uma alternativa: O terno era alugado.<\/p>\n<p>As portas abertas de um edif\u00edcio comercial movimentado pareceram um o\u00e1sis para seus olhos ardentes. O fluxo de homens t\u00e3o ou mais bem vestidos que Lauro o fizeram acreditar que poderia se misturar \u00e0 multid\u00e3o e quem sabe fingir estar esperando algu\u00e9m confortavelmente instalado numa das poltronas do sagu\u00e3o principal.<\/p>\n<p>Dito e feito: Ao passar pela entrada, n\u00e3o levantou sequer uma sobrancelha. Melhor ainda que outros homens vestidos formalmente ocupavam boa parte das in\u00fameras cadeiras e poltronas dispon\u00edveis. Ao avistar uma delas desocupada, ele acelera o passo discretamente e toma o lugar. Na poltrona ao lado, um rapaz de vinte e poucos anos, terno ajustado, cabelo meticulosamente alinhado e express\u00e3o irritantemente confiante. Lauro sorri e acena com a cabe\u00e7a, o rapaz imita o gesto.<\/p>\n<p>Mesmo esfor\u00e7ando-se para n\u00e3o revelar o imenso al\u00edvio de diminuir a carga sobre seus p\u00e9s cansados, Lauro deixa escapar um suspiro muito mais aud\u00edvel que o planejado.<\/p>\n<p><strong>RAPAZ:<\/strong> Nervoso?<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> H\u00e3? \u00c9&#8230; N\u00e3o.<br \/>\n<strong>RAPAZ:<\/strong> O mais dif\u00edcil \u00e9 ser pr\u00e9-selecionado. J\u00e1 considero estar aqui uma vit\u00f3ria. Pelo o que eu j\u00e1 vi, eu sou o mais novo aqui&#8230; Claro, \u00e9 dif\u00edcil mesmo achar algu\u00e9m com doutorado nessa \u00e1rea aos 24 anos de idade. Mas eu sempre fui muito maduro para minha idade&#8230;<\/p>\n<p>Lauro tenta acompanhar o verborr\u00e1gico prod\u00edgio de alguma \u00e1rea a qual ele nem desconfiava qual era, mas a falta de sono gerada pela ansiedade na noite anterior aliada ao conforto que aquela poltrona fornecia ao seu corpo exaurido tratam de reduzir seu foco de aten\u00e7\u00e3o e tornar aquela sequ\u00eancia de auto-promo\u00e7\u00e3o desavergonhada numa cantiga de ninar. Suas piscadas come\u00e7am a ficar cada vez mais pesadas e demoradas.<\/p>\n<p><strong>RAPAZ:<\/strong> E foi assim que eu me formei em primeiro lugar. N\u00e3o estou me gabando n\u00e3o, na minha fam\u00edlia as expectativas s\u00e3o sempre muito altas e&#8230;<\/p>\n<p>O tempo passa, Lauro acaba tirando pequenas pestanas entre uma hist\u00f3ria de sucesso e outra, mas nada que desanimasse o jovem falastr\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>RAPAZ:<\/strong> N\u00e3o \u00e9 mesmo?<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> H\u00e3? \u00c9&#8230; N\u00e3o.<br \/>\n<strong>RAPAZ:<\/strong> Bom, \u00e9 a minha vez. Deseje-me sorte! N\u00e3o que eu precise, \u00e9 claro.<\/p>\n<p>Finalmente liberado de fingir que est\u00e1 escutando outro ser humano, Lauro rende-se e decide fechar os olhos por alguns segundos.<\/p>\n<p><strong>VOZ:<\/strong> Sua vez!<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> H\u00e3? \u00c9&#8230; N\u00e3o!<\/p>\n<p>Um homem de tamanho, vestimentas e express\u00e3o s\u00e9ria t\u00edpicas de um seguran\u00e7a est\u00e1 parado em frente a Lauro.<\/p>\n<p><strong>LAURO:<\/strong> Eu j\u00e1 estou saindo. Desculpa&#8230;<br \/>\n<strong>SEGURAN\u00c7A:<\/strong> O elevador \u00e9 para o outro lado.<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> Elevador?<br \/>\n<strong>SEGURAN\u00c7A:<\/strong> *suspiro* O engomadinho que se sentou ao seu lado me disse que voc\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 aqui para a entrevista ao sair. A patroa est\u00e1 esperando&#8230; E voc\u00ea vai ficar me devendo uma por n\u00e3o contar que voc\u00ea estava dormindo.<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> Entrevista de emprego? Ah, claro! Claro. S\u00f3 para relembrar, \u00e9 vaga do qu\u00ea mesmo?<br \/>\n<strong>SEGURAN\u00c7A:<\/strong> Voc\u00ea realmente acha que eu vou cair nessa? Vamos logo!<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> *sorriso amarelo*<\/p>\n<p>Junta-se a Lauro e ao seguran\u00e7a no elevador mais um homem com bra\u00e7os que mal cabem sob o terno escuro. Lauro se sente oprimido durante toda a viagem pr\u00e9dio acima. Viagem longa, j\u00e1 que o destino era o \u00faltimo andar. Ao chegar, se depara com um lobby de apenas uma porta sem placa.<\/p>\n<p>Ao dar o primeiro passo para fora, ambos os seguran\u00e7as se voltam para Lauro. O dos bra\u00e7os desproporcionais come\u00e7a a fazer uma revista incomodamente minuciosa.<\/p>\n<p><strong>SEGURAN\u00c7A:<\/strong> Limpo. Pode me seguir.<\/p>\n<p>Enquanto um continua parado ao lado do elevador, o outro coloca um cart\u00e3o magn\u00e9tico na ranhura posicionada logo abaixo da ma\u00e7aneta. Depois de digitar um c\u00f3digo, a porta se abre para revelar uma enorme sala de espera, suntuosamente decorada. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma indica\u00e7\u00e3o de qual o nome da empresa.<\/p>\n<p>Ao fundo, perto de uma grande porta de madeira, Lauro percebe um jovem se levantar de sua escrivaninha. O rapaz, muito bem apessoado, desliga o que parece ser um celular de ouvido e olha fixamente para o seguran\u00e7a. Parece ser uma esp\u00e9cie de secret\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>SECRET\u00c1RIO:<\/strong> *sussurando* Ela est\u00e1 atacada.<br \/>\n<strong>SEGURAN\u00c7A:<\/strong> Voc\u00ea acha que eu n\u00e3o sei? Ela me demitiu e recontratou quatro vezes desde a manh\u00e3.<br \/>\n<strong>SECRET\u00c1RIO:<\/strong> *olhando para Lauro* Boa sorte! Voc\u00ea vai precisar&#8230;<\/p>\n<p>Lauro, confuso, resolve seguir em sil\u00eancio. O secret\u00e1rio abre a porta lentamente e anuncia que chegou o \u00faltimo candidato. Uma voz feminina e impaciente ocupa o ambiente:<\/p>\n<p><strong>MULHER:<\/strong> Est\u00e1 esperando o qu\u00ea? Manda entrar! Incompetentes&#8230;<\/p>\n<p>Assim que o rapaz termina de abrir a porta, Lauro pode enxergar uma bel\u00edssima mulher, do alto dos seus trinta anos de idade, cabelos negros, j\u00f3ias exuberantes e trajes elegantes. Ela est\u00e1 sentada atr\u00e1s de uma mesa de madeira maci\u00e7a, acenando para que eles entrem logo.<\/p>\n<p>Lauro fica paralisado. Se sua ansiedade j\u00e1 era um problema normalmente, defrontado com uma mulher t\u00e3o atraente como a que via diante de seus olhos as coisas ficariam muito piores. Com um n\u00e3o t\u00e3o gentil empurr\u00e3o do seguran\u00e7a, ele segue em dire\u00e7\u00e3o ao centro da sala, bem maior que a anterior.<\/p>\n<p><strong>MULHER:<\/strong> Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 aqui para desperdi\u00e7ar meu tempo, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>Lauro pensa em contar a verdade e sair correndo dali, mas sua voz fica represada sob o n\u00f3 que se forma na garganta. O m\u00e1ximo que consegue \u00e9 acenar a cabe\u00e7a em negativa, tal qual uma crian\u00e7a envergonhada.<\/p>\n<p><strong>MULHER:<\/strong> \u00d3timo. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 muito de falar, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> *fazendo n\u00e3o com a cabe\u00e7a de novo*<br \/>\n<strong>MULHER:<\/strong> Boa not\u00edcia. O \u00faltimo que subiu aqui n\u00e3o parava de falar. Cad\u00ea o seu curr\u00edculo?<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> *express\u00e3o de p\u00e2nico*<br \/>\n<strong>MULHER:<\/strong> Ali\u00e1s, deixa! Eu j\u00e1 li uns vinte hoje e n\u00e3o me adiantou pra nada. Todos falharam no teste&#8230; Eu j\u00e1 estou cansada, vamos economizar o meu tempo e te colocar para faz\u00ea-lo de uma vez.<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> \u00c9&#8230; N\u00e3o. Eu&#8230;<br \/>\n<strong>MULHER:<\/strong> O computador est\u00e1 ali, voc\u00ea tem cinco minutos.<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> O&#8230; Eu&#8230;<br \/>\n<strong>MULHER:<\/strong> Quatro minutos e cinquenta segundos!<\/p>\n<p>Ele olha ao seu redor e percebe uma escrivaninha com um computador ligado num dos cantos. Ele aponta para a m\u00e1quina enquanto olha para ela. A mulher responde com um olhar ir\u00f4nico. Lauro segue vacilante, atrapalha-se ao se sentar, derruba o mouse&#8230;<\/p>\n<p><strong>MULHER:<\/strong> Eu sa\u00ed da cama hoje de manh\u00e3 para isso? *bufando*<\/p>\n<p>Lauro finalmente se ajusta em frente ao monitor, e mesmo com alguma experi\u00eancia com computadores, o que encontra na tela n\u00e3o faz o menor sentido. V\u00e1rios n\u00fameros parecem correr da esquerda para a direita, enquanto v\u00e1rias formas geom\u00e9tricas curiosas aparecem e desaparecem na parte inferior. Palavras aparentemente compostas de caracteres aleat\u00f3rios descem do topo.<\/p>\n<p>Tomado pela inseguran\u00e7a, ele demora quase tr\u00eas minutos para tomar conta do mouse. Ao mexer o ponteiro pela tela, os padr\u00f5es ficam ainda mais ca\u00f3ticos, letras se misturando com formas, n\u00fameros mudando de cor e sons acompanhando cada uma das intera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>MULHER:<\/strong> N\u00e3o vai fazer nada? Seu tempo est\u00e1 acabando. Parece que eles ficam cada vez mais burros&#8230; Pelo menos os outros clicaram v\u00e1rias vezes. N\u00e3o \u00e9 vaga para deficiente n\u00e3o, viu?<\/p>\n<p>Sem conseguir entender o que deveria fazer, Lauro decide se arriscar a vencer a paralisia muscular tempor\u00e1ria e clicar para acabar logo com aquilo, voltar para casa e pensar nas respostas brilhantes que poderia ter usado para impressionar aquela beldade impaciente.<\/p>\n<p>*click*<\/p>\n<p><strong>COMPUTADOR:<\/strong> <em>PERFECT SCORE.<\/em><br \/>\n<strong>MULHER:<\/strong> H\u00e3?<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> &#8230; *sorriso incr\u00e9dulo*<\/p>\n<p>A mulher se levanta de sua cadeira e segue em dire\u00e7\u00e3o a Lauro. Ela se aproxima, curvando o corpo sobre seu ombro esquerdo e conferindo a tela.<\/p>\n<p><strong>MULHER:<\/strong> Voc\u00ea&#8230; acertou de primeira? Resultado perfeito?<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> \u00c9&#8230; N\u00e3o&#8230; Eu&#8230;<br \/>\n<strong>MULHER:<\/strong> Voc\u00ea estava escondendo o jogo, n\u00e9? *sorriso empolgado* Esse jeit\u00e3o estranho, vacilante&#8230; Uau! Resultado perfeito. Espera s\u00f3 at\u00e9 aqueles abutres do comit\u00ea de acionistas ficarem sabendo disso. Ha! Haha! Voc\u00ea nem imagina como isso resolve tudo! *abra\u00e7ando Lauro*<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> D-desculpa, suado&#8230;<br \/>\n<strong>MULHER:<\/strong> Voc\u00ea tem o cheiro do sucesso! Voc\u00ea come\u00e7a agora! O Beto vai te mostrar sua sala, seja bem vindo \u00e0 empresa!<br \/>\n<strong>LAURO:<\/strong> Obrigado!<\/p>\n<p>Os dias se passam, Lauro ainda n\u00e3o sabe o nome da empresa nem o que ela faz, mas aparentemente \u00e9 o funcion\u00e1rio mais importante dela. A cada dia ele tem que realizar uma tarefa diferente na frente do seu computador, todas t\u00e3o aleat\u00f3rias e inintelig\u00edveis como a que realizou na entrevista. Embora n\u00e3o consiga mais resultados perfeitos, mant\u00e9m sua m\u00e9dia na casa dos 90%. Lauro acaba entrando na dan\u00e7a e fingindo saber o que faz diariamente, por causa do obsceno sal\u00e1rio prometido, mas principalmente pela admira\u00e7\u00e3o gerada em sua bela patroa.<\/p>\n<p>Mas nada como o tempo&#8230;<\/p>\n<p>Lauro est\u00e1 sentado pregui\u00e7osamente em frente ao computador, esperando que algum daqueles testes malucos o obriguem a tirar os p\u00e9s de cima da mesa. Alguns minutos depois, o dever chama. Parece uma vers\u00e3o do primeiro teste que fez, o que o deixa mais seguro. Praticamente um escravo da aleatoriedade naquele ponto, resolve que n\u00e3o faz diferen\u00e7a esperar ou n\u00e3o. Quanto mais cedo clicar, mais cedo pode voltar a descansar.<\/p>\n<p>*click*<\/p>\n<p><strong>COMPUTADOR:<\/strong> <em>ERROR! ERROR! ERROR!<\/em><\/p>\n<p>Ele sente o ar ficando pesado, a vis\u00e3o fica turva, o corpo parece n\u00e3o responder mais ao pensamento. Suas p\u00e1lpebras desabam sobre os olhos, o som da voz rob\u00f3tica acusando erro vai se distanciando&#8230; Tudo fica escuro.<\/p>\n<p>As m\u00e3os se abrem e a luz volta a atingir seus olhos. O calor do meio-dia castigava Lauro. O ar parado e polu\u00eddo do centro tornava a sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica ainda mais desconfort\u00e1vel&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #808080;\"><em>FIM?<\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<h3>Para dizer que se identificou com Lauro mais do que gostaria, para reclamar que j\u00e1 leu este mesmo final em outro Des Contos (ou seria neste?), ou mesmo para perguntar se eu voltei a ver Lost: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As m\u00e3os se abrem e a luz volta a atingir seus olhos. O calor do meio-dia castigava Lauro. O ar parado e polu\u00eddo do centro tornava a sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica ainda mais desconfort\u00e1vel. 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