{"id":33559,"date":"2025-10-04T15:43:14","date_gmt":"2025-10-04T18:43:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=33559"},"modified":"2025-11-03T17:56:34","modified_gmt":"2025-11-03T20:56:34","slug":"pais-adulterado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2025\/10\/pais-adulterado\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds adulterado."},"content":{"rendered":"<div class=\"uk-card uk-card-body uk-card-default\">\n<p>O mercado de consumo brasileiro enfrenta um problema crescente com a falsifica\u00e7\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas. Segundo levantamento do N\u00facleo de Pesquisa e Estat\u00edstica da Federa\u00e7\u00e3o de Hot\u00e9is, Restaurantes e Bares do Estado de S\u00e3o Paulo (Fhoresp), divulgado em abril deste ano, 36% desse tipo de mercadoria vendida no pa\u00eds \u00e9 adulterado, falsificado ou contrabandeado. <a class=\"uk-button uk-button-text\" href=\"https:\/\/revistaoeste.com\/economia\/fhoresp-36-das-bebidas-alcoolicas-vendidas-no-brasil-sao-adulteradas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">LINK<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p>A crise do metanol nas bebidas n\u00e3o \u00e9 a doen\u00e7a, \u00e9 s\u00f3 um sintoma. <strong>Desfavor da Semana<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SALLY<\/span><\/h4>\n<p>Ao menos 36% das bebidas alco\u00f3licas vendidas no Brasil s\u00e3o adulteradas. Uma a cada cinco garrafas de vodca vendida no pa\u00eds \u00e9 falsificada. Vinhos e destilados s\u00e3o o alvo preferencial dos falsificadores. Uma f\u00e1brica de bebida ilegal \u00e9 interditada a cada cinco dias no pa\u00eds. <\/p>\n<p>Chocado com os dados? S\u00e3o do ano passado. E foram enviados \u00e0s autoridades que tinham compet\u00eancia para fiscalizar. Ou seja, o que aconteceu foi, s\u00f3 para variar, uma trag\u00e9dia anunciada.<\/p>\n<p>Tudo isso poderia ter sido evitado se quem fiscaliza fosse mais competente e\/ou menos corrupto. Mas n\u00e3o foi. Morreu gente e vai morrer mais gente ainda. E a incompet\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas na preven\u00e7\u00e3o, \u00e9 generalizada: quando os primeiros casos apareceram, as provid\u00eancias foram lentas, insuficientes e at\u00e9 mesmo erradas, piorando a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00f3 para citar um exemplo, o Disk-Intoxica\u00e7\u00e3o da ANVISA estava sem funcionar em diversas partes do pa\u00eds. Algo criado para dar assist\u00eancia e orienta\u00e7\u00e3o imediata em uma quest\u00e3o grave e urgente (uma pessoa envenenada n\u00e3o pode esperar) simplesmente estava desativado. Recebendo recursos p\u00fablicos, pagos com o seu dinheiro, para n\u00e3o funcionar.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es nos bares tamb\u00e9m foi lenta e ris\u00edvel. A gente sabe que no Brasil se compra qualquer fiscaliza\u00e7\u00e3o, mas dessa vez chegaram ao c\u00famulo de conseguir ocultar o nome de diversos estabelecimentos que venderam bebida adulterada que matou pessoas. Sim, tem bar vendendo veneno, matando, deixando cego, e eles tem direito a prote\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ter seus nomes divulgados. <\/p>\n<p>\u201cMas Sally, n\u00e3o tinha como imaginar que isso poderia acontecer\u201d. Tinha sim, se n\u00e3o pelos dados que eu acabo de te passar, pelo fato de j\u00e1 ter acontecido antes: S\u00f3 na Bahia, j\u00e1 ocorreram mais de 60 mortes e mais de 450 interna\u00e7\u00f5es por bebidas contaminadas com metanol em um passado n\u00e3o muito distante.<\/p>\n<p>O problema \u00e9: at\u00e9 aqui, acontecia com pobre, com fodido, com pessoas que, no sistema social de castas do Brasil, n\u00e3o importam. Agora foi no barzinho caro, agora morreu advogado. Agora vai gerar como\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>E, veja bem, n\u00e3o digo que n\u00e3o deva gerar como\u00e7\u00e3o. Digo que, em um pa\u00eds s\u00e9rio, qualquer morte por envenenamento desse tipo deveria ser um esc\u00e2ndalo, algo com provid\u00eancias e consequ\u00eancias muito s\u00e9rias, que garantam que nunca mais nada parecido aconte\u00e7a. Mas \u00e9 Brasil, n\u00e9? Aconteceu novamente e, pelo visto, vai acontecer outras vezes no futuro.<\/p>\n<p>N\u00e3o est\u00e3o fiscalizando de forma eficiente ou suficiente.  N\u00e3o est\u00e3o tomando provid\u00eancias para que n\u00e3o se repita. J\u00e1 apareceu meia d\u00fazia de oportunista querendo criar lei para aumentar a pena adultera\u00e7\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas, como se isso resolvesse. <\/p>\n<p>A pena de homic\u00eddio \u00e9 bem maior e o Brasil \u00e9, segundo a ONU, recordista mundial em casos de homic\u00eddios, ficando na frente, inclusive, de v\u00e1rios pa\u00edses em guerra. Aumentar a pena n\u00e3o resolve, lei n\u00e3o resolve, pois n\u00e3o h\u00e1 fiscaliza\u00e7\u00e3o efetiva para punir quem a descumpre, n\u00e3o h\u00e1 Judici\u00e1rio apto a condenar todo mundo e h\u00e1 um sistema de propinas fort\u00edssimo que mant\u00e9m tudo quanto \u00e9 tipo de filho da puta a salvo.<\/p>\n<p>T\u00e1 tudo errado. O sistema \u00e9 corrupto, criminoso, perigoso e a qualquer momento uma adultera\u00e7\u00e3o de qualquer coisa (rem\u00e9dio, chocolate, bebida) pode tirar a vida dos seus pais, dos seus filhos, dos seus entes queridos, e o brasileiro est\u00e1 preocupado se vai poder beber este final de semana. Nada nunca vai se resolver em um pa\u00eds com essa mentalidade. <\/p>\n<p>Aposto inclusive que tem gente pensando \u201cN\u00e3o \u00e9 problema meu, eu n\u00e3o bebo\u201d. \u00c9 problema de todos que um pa\u00eds seja t\u00e3o merda a ponto de que isso aconte\u00e7a de forma sistem\u00e1tica. E, por mais que a pessoa n\u00e3o beba, ela \u00e9 afetada, se n\u00e3o pelo risco de que isso aconte\u00e7a com algum produto que ela consome, pelo estresse de viver em um lugar assim, onde esse tipo de coisa pode acontecer.<\/p>\n<p>Quem est\u00e1 dentro costuma n\u00e3o perceber, mas quando voc\u00ea sai, se d\u00e1 conta do quanto esse ambiente de ter que desconfiar de tudo e de todos, de regras n\u00e3o cumpridas, de irresponsabilidade, envenena a alma. \u00c9 como um programa secund\u00e1rio que fica o tempo todo rodando, consumindo energia. \u00c9 insalubre. Certamente mina a sa\u00fade, mesmo de quem est\u00e1 determinado a entrar em nega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Viver em um pa\u00eds permeado por inseguran\u00e7a, impunidade, incompet\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o faz mal. O que as pessoas v\u00e3o beber neste final de semana \u00e9 o menor dos problemas. Prender o Z\u00e9 das Couves que adulterou a bebida, acreditem, tamb\u00e9m \u00e9, pois tem duzentos para tomar o lugar dele e continuar falsificando. Se querem dar um passo real para resolver isso, a pergunta \u00e9: quem \u00e9 que tinha que ter fiscalizado isso e n\u00e3o fiscalizou? \u00c9 para cima desses que tem que ir.<\/p>\n<p>Se quem fiscaliza tiver medo das consequ\u00eancias de n\u00e3o fazer seu trabalho direito, o pa\u00eds passa a ter uma boa fiscaliza\u00e7\u00e3o e, n\u00e3o importa o quanto se tente falsificar bebida, nenhum estabelecimento vai topar comprar, pois saber\u00e1 que pode ser multado e fechado. \u00c9 por a\u00ed que se resolve, e n\u00e3o aumentando a pena de quem falsifica. A falha maior, s\u00f3 para variar, \u00e9 do Estado.<\/p>\n<p>Mas, arrisco dizer que nem o pr\u00f3prio brasileiro, que sofre risco de contamina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o quer uma fiscaliza\u00e7\u00e3o eficiente. Ele quer continuar comprando bebida alco\u00f3lica do contatinho de Whatsapp, mais barato do que no supermercado. Ele quer o mercado paralelo para pagar menos. O brasileiro tamb\u00e9m \u00e9 parte do problema. O brasileiro \u00e9 med\u00edocre e aceita viver em uma sociedade insalubre para se dar bem e pagar uns trocados a menos. <\/p>\n<p>O fundo do po\u00e7o do Brasil tem um al\u00e7ap\u00e3o. Anotem essa frase, em v\u00e1rios momentos das suas vidas voc\u00eas v\u00e3o lembrar dela \u2013 e de mim.<\/p>\n<h4 class=\"uk-heading-line\"><span>SOMIR<\/span><\/h4>\n<p>Eu j\u00e1 vou partir do princ\u00edpio de que a contamina\u00e7\u00e3o por metanol foi causada por incompet\u00eancia do mercado \u201calternativo\u201d de bebidas. Os n\u00fameros s\u00e3o suficiente para defender essa hip\u00f3tese: sem matar pessoas, os contrabandistas e falsificadores j\u00e1 estavam ganhando muito dinheiro, gerando mais de um ter\u00e7o das vendas nacionais.<\/p>\n<p>Pode ser do interesse desse mercado ilegal aumentar as margens de lucro falsificando bebidas, mas \u00e9 suic\u00eddio comercial criar uma crise do tipo que mata pessoas, mesmo do ponto de vista mais amoral poss\u00edvel isso significa queda nas vendas e menos dinheiro. E considerando que envenenamento por metanol \u00e9 algo que acontece de tempos em tempos aqui e em diversas partes do mundo, \u00e9 \u00f3bvio que sempre estiveram flertando com esse desastre.<\/p>\n<p>Existem n\u00edveis de consumo de metanol que n\u00e3o viram crises de sa\u00fade p\u00fablica, mal viram not\u00edcia. E pode apostar que as pessoas falsificando bebidas achavam que tinham achado a medida certa de adultera\u00e7\u00e3o. O suficiente para aumentar seus lucros sem chamar aten\u00e7\u00e3o. Os casos recentes de envenenamento por metanol apenas sugerem que um ou mais desses produtores ilegais erraram a m\u00e3o.<\/p>\n<p>Risco Brasil: antes de continuar, eu gostaria de dizer que \u00e9 poss\u00edvel que uma empresa legalizada tenha errado por \u201cincompet\u00eancia honesta\u201d, se descobrirem isso nos pr\u00f3ximos dias, n\u00e3o vai ser uma grande surpresa.<\/p>\n<p>Num pa\u00eds onde as pessoas acham normal economizar dando a volta em regula\u00e7\u00f5es, o risco desses erros sempre vai ser grande. Se tem tanta gente comprando produto contrabandeado ou adulterado, quer dizer que existe muita demanda para levar vantagem na compra e venda de \u00e1lcool. E muito mais importante, tem muita demanda pelos lucros poss\u00edveis na ilegalidade.<\/p>\n<p>Pode ser simples como sonegar imposto num produto original, mas isso vai escalando: quem compra mais barato por ter comprado produto contrabandeado est\u00e1 aceitando mais riscos que o normal, porque \u00e9 o tipo da coisa que n\u00e3o d\u00e1 para resolver na pol\u00edcia depois, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Existem mil motivos para ficar irritado com impostos no Brasil, existem mil motivos para desconfiar da fiscaliza\u00e7\u00e3o oficial, mas no final das contas, quem aceita o mercado ilegal est\u00e1 aceitando junto os riscos que o sistema tenta mitigar. Riscos como bebidas alco\u00f3licas com doses letais de metanol.<\/p>\n<p>Estou indo por esse \u00e2ngulo n\u00e3o para aliviar a cr\u00edtica que a Sally fez, eu parto do ponto dela sobre os mecanismos oficiais terem falhado em prevenir algo totalmente preven\u00edvel e adiciono que al\u00e9m disso, existe um incentivo enorme no Brasil de fazer as coisas do jeito errado e arriscar a vida alheia para levar vantagem. E \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o doentia: o brasileiro faz errado porque n\u00e3o confia no sistema, e o sistema n\u00e3o melhora porque o brasileiro escolhe fazer coisas erradas.<\/p>\n<p>A minha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 se as pessoas que compram produtos contrabandeados e\/ou ilegais s\u00e3o capazes de entender o risco que est\u00e3o repassando para o consumidor final ou se \u00e9 simplesmente ignor\u00e2ncia severa ao ponto de achar que n\u00e3o tem problema nenhum. O dono de bar que se acha esperto por colocar bebida falsa no drink porque ningu\u00e9m percebe, s\u00f3 botar mais a\u00e7\u00facar na batida para as mo\u00e7as&#8230; ele entende que pode matar algu\u00e9m ou acha que \u00e9 o truque perfeito porque acha que d\u00e1 no mesmo?<\/p>\n<p>Essa sempre \u00e9 a parte mais desesperadora de imaginar o grau de ignor\u00e2ncia de um povo como o brasileiro: uma pessoa pode te matar por pura incapacidade de entender que aquilo pode te matar. Ela pode receber a informa\u00e7\u00e3o de que algo \u00e9 perigoso cem vezes, mas n\u00e3o transforma aquilo em reflex\u00e3o. \u00c9 que nem o terraplanista que diz que a Terra n\u00e3o pode ser redonda porque ele olha para o horizonte e acha que \u00e9 reto.<\/p>\n<p>E cada vez mais eu acho que o tipo de resposta que est\u00e3o dando &#8211; achando que tornar falsifica\u00e7\u00e3o de bebida crime hediondo \u00e9 uma resposta \u2013 \u00e9 reflexo de uma vis\u00e3o distorcida da realidade, uma tentativa de n\u00e3o lidar com o elefante na sala: o risco de pessoas terem morrido por contamina\u00e7\u00e3o de metanol por pura burrice de algumas pessoas \u00e9 dif\u00edcil de lidar.<\/p>\n<p>\u00c9 mais confort\u00e1vel achar que os bandidos sabiam o que estavam fazendo, mas fizeram porque a pena era leve. Porque isso cria a ilus\u00e3o de resolu\u00e7\u00e3o de um problema, n\u00e3o \u00e9 que empres\u00e1rios imbecis est\u00e3o comprando produtos falsos para levar vantagem, feitos por outros imbecis que mal entendem que metanol mata&#8230; n\u00e3o, no mundo de fantasia de controle, s\u00e3o pessoas ruins que podem ser presas ou mortas e tudo se resolve.<\/p>\n<p>Estamos numa sociedade onde voc\u00ea precisa regular mercados para evitar que pessoas tomem decis\u00f5es burras e perigosas. Antes de tentar controlar a maldade do ser humano, \u00e9 preciso dar um jeito dele entender que algumas escolhas que faz tem consequ\u00eancias que precisam ser previstas. E que quanto mais longe do ato s\u00e3o essas consequ\u00eancias, mais gente precisa estar envolvida no processo, porque n\u00e3o d\u00e1 para confiar nem que o dono de um bar num lugar chique v\u00e1 ter a capacidade cognitiva b\u00e1sica de prever que eventualmente vai ter contamina\u00e7\u00e3o nos produtos piratas que ele compra para economizar um dinheirinho.<\/p>\n<p>E que depois que pessoas come\u00e7arem a morrer, n\u00e3o tem mais volta. N\u00e3o d\u00e1 para ter ilus\u00f5es de liberalismo no Brasil atual, tem que ter ag\u00eancias regulat\u00f3rias e fiscais em tudo quanto \u00e9 lugar, n\u00e3o porque o brasileiro m\u00e9dio est\u00e1 mal-intencionado de matar os outros, mas porque ele n\u00e3o tem treino nem incentivo para pensar meia hora no futuro.<\/p>\n<p>Digo mais: nenhuma sociedade nesse mundo evoluiu al\u00e9m da necessidade de regula\u00e7\u00e3o s\u00e9ria. O que alguns pa\u00edses t\u00eam \u00e9 menos casos absurdos de incompet\u00eancia e neglig\u00eancia, reduzindo a carga de trabalho de fiscais e mantendo o sistema mais funcional. O governo pode fazer a parte dele, mas enquanto o povo estiver viciado em vantagens de curto prazo sem medo de ser punido (n\u00e3o tem a ver com ser 5 ou 50 anos de cadeia, \u00e9 sobre ser descoberto e punido), \u00e9 s\u00f3 quest\u00e3o de tempo at\u00e9 mais produtos falsificados matarem pessoas em grande escala de novo.<\/p>\n<p>O sistema continua o mesmo, n\u00e3o importa se a pena do crime muda. Se a mentalidade continuar sendo essa de ser esperto doa a quem doer e se continuarmos pegando uma pequena fra\u00e7\u00e3o de quem faz isso, n\u00e3o se cria nem a ideia de que deu errado na cabe\u00e7a das pessoas. Eu temo que vamos sair dessa crise com alguns culpados que v\u00e3o pagar pelos pecados de todos, mas que a ideia b\u00e1sica de levar vantagem com produto contrabandeado e\/ou falsificado vai continuar como se nada.<\/p>\n<p>O governo \u00e9 uma bagun\u00e7a, mas o povo n\u00e3o ajuda. Talvez nem entenda que precise ajudar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado de consumo brasileiro enfrenta um problema crescente com a falsifica\u00e7\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas. Segundo levantamento do N\u00facleo de Pesquisa e Estat\u00edstica da Federa\u00e7\u00e3o de Hot\u00e9is, Restaurantes e Bares do Estado de S\u00e3o Paulo (Fhoresp), divulgado em abril deste ano, 36% desse tipo de mercadoria vendida no pa\u00eds \u00e9 adulterado, falsificado ou contrabandeado. 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