{"id":3828,"date":"2012-12-28T13:40:38","date_gmt":"2012-12-28T15:40:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=3828"},"modified":"2012-12-28T13:40:38","modified_gmt":"2012-12-28T15:40:38","slug":"publiciotarios-2012-style","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2012\/12\/publiciotarios-2012-style\/","title":{"rendered":"Publiciot\u00e1rios: 2012 Style."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3829\" alt=\"pub_2012-style\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/pub_2012-style.jpg\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/pub_2012-style.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/pub_2012-style-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>No ano em que um m\u00fasico coreano alcan\u00e7ou um bilh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es no Youtube, espalhando seu hit grudento (em coreano) pelo mundo todo, com apari\u00e7\u00f5es de destaque at\u00e9 mesmo na m\u00eddia americana&#8230; ainda d\u00e1 para dizer que a internet n\u00e3o \u00e9 o ve\u00edculo de m\u00eddia principal do mundo?<!--more--><\/p>\n<p>A minha resposta para essa pergunta \u00e9&#8230; Bom, primeiro falemos do v\u00eddeo. Vejam bem, n\u00e3o pretendo discutir aqui se a m\u00fasica em quest\u00e3o \u00e9 boa ou n\u00e3o, \u00e9 um hit pop. Qualidade ou inova\u00e7\u00e3o nunca foram exatamente fatores decisivos para definir se algo faz sucesso ou n\u00e3o. Posso afirmar que desde a primeira vez que vi o v\u00eddeo de Gangnan Style, do coreano Psy, percebi o potencial. N\u00e3o apenas pela combina\u00e7\u00e3o de &#8220;grude&#8221; do refr\u00e3o com o estilo bem humorado, mas tamb\u00e9m pela forma como eu acabava encontrando o v\u00eddeo relacionado com basicamente qualquer outro v\u00eddeo que assistia no Youtube.<\/p>\n<p>E olha que eu sou nerd, me amarro em assistir document\u00e1rios (independentes ou n\u00e3o), palestras cient\u00edficas, biografias e coisas do g\u00eanero, raramente me aventurando para a parte de entretenimento do maior site de v\u00eddeos do mundo. Mesmo assim, nunca faltavam oportunidades para clicar no thumbnail do v\u00eddeo e adicionar mais uma visualiza\u00e7\u00e3o para a j\u00e1 inflacionada contagem oficial.<\/p>\n<p>Isso sim me chamou muita aten\u00e7\u00e3o. A estrat\u00e9gia de divulga\u00e7\u00e3o &#8220;tradicional&#8221; de empurrar uma m\u00fasica ouvido abaixo do m\u00e1ximo de pessoas poss\u00edveis adaptada para o mundo conectado na internet. Acho que hoje em dia nem precisa mais explicar isso, mas, para n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei: O mercado musical de &#8220;alta performance&#8221; depende demais de inser\u00e7\u00e3o paga nas grandes m\u00eddias. M\u00fasica que faz sucesso quase sempre depende mais da sa\u00fade financeira de quem a promove do que da m\u00fasica em si.<\/p>\n<p>Claro que int\u00e9rpretes sexualmente atraentes para sua faixa de p\u00fablico alvo, adequa\u00e7\u00e3o de letras e melodias para mant\u00ea-las familiares para a grande massa e v\u00e1rios outros truques comuns da \u00e1rea ainda tem seu efeito nessa equa\u00e7\u00e3o de divulga\u00e7\u00e3o, mas nada vale mais do que DISTRIBUI\u00c7\u00c3O no mercado musical. Tem que ser f\u00e1cil para qualquer um consumir o material divulgado. E quanto mais gente for exposta, melhor.<\/p>\n<p>H\u00e1 apenas dez anos atr\u00e1s, trabalhar com essa distribui\u00e7\u00e3o ainda significava gastar quantias assombrosas de dinheiro, e apenas com artistas que j\u00e1 demonstrassem capacidade de retorno desse investimento, ou com aqueles &#8220;criados em laborat\u00f3rio&#8221; para fazer sucesso. Tinha que pagar r\u00e1dios, televis\u00f5es, revistas, jornais e tudo o mais para que seu artista aparecesse o m\u00e1ximo poss\u00edvel, considerado o seu potencial de retorno financeiro.<\/p>\n<p>Mas nos dias atuais, a internet subverte essa ideia de gastos quase que desenfreados para tornar seu artista num ser midi\u00e1tico. O coreano em quest\u00e3o gozava de relativo sucesso em sua terra natal, tamb\u00e9m calcado no modelo mais tradicional de &#8220;pagar para aparecer&#8221;. Mas a explos\u00e3o de sucesso com seu hit Gangnan Style veio sem &#8220;subornar&#8221; quase ningu\u00e9m. Veio a partir de uma estrat\u00e9gia de emboscada numa m\u00eddia j\u00e1 muito bem estabelecida, mas ainda subutilizada (sim, em 2012!).<\/p>\n<p>O que eu vou come\u00e7ar a escrever a partir de agora vai soar como total heresia se voc\u00ea achar que eu estou comparando a m\u00fasica, ent\u00e3o lembre-se que estou falando apenas da parte de comunica\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o, ok?<\/p>\n<p>Os Beatles foram al\u00e7ados ao estrelato mundial de forma muito parecida, nos anos 60. Eles conseguiram aparecer demais numa m\u00eddia subutilizada para o mercado fonogr\u00e1fico: A TV. Artistas j\u00e1 apareciam, Elvis j\u00e1 fazia sucesso, mas a emboscada publicit\u00e1ria dos Beatles na TV americana foi um divisor de \u00e1guas na forma como o meio musical enxergava a caixinha bestificante instalada nas salas de estar da maioria das fam\u00edlias americanas (e mais tarde, as fam\u00edlias do mundo todo).<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o dos Beatles num famoso programa local foi o estopim de uma febre que acometeu milh\u00f5es de f\u00e3s e preparou o terreno para a monstruosidade midi\u00e1tica que a banda se tornou com o passar dos anos. O interesse em mostrar os Beatles era t\u00e3o grande que simplesmente n\u00e3o poderia ser mero resultado de investimento financeiro de sua gravadora. Ningu\u00e9m tinha dinheiro suficiente para &#8220;criar&#8221; os Beatles. A emboscada deu certo: A banda apareceu sem parar, come\u00e7ou a fazer filmes, clipes e a moldar todo o modelo de divulga\u00e7\u00e3o musical que durou at\u00e9 poucos anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, n\u00e3o tinha mais &#8220;bobo&#8221; na TV. Eles tinham no\u00e7\u00e3o do seu verdadeiro tamanho como m\u00e1quina de divulgar e vender m\u00fasica. Tanto que logo depois dos quatro rapazes de Liverpool, poucos artistas chegaram perto de se tornarem fen\u00f4menos t\u00e3o poderosos na m\u00eddia estabelecida. Quem &#8220;bateu na trave&#8221; foi Michael Jackson, que soube explorar uma m\u00eddia derivada da TV com a explos\u00e3o dos canais especializados, nominalmente a MTV.<\/p>\n<p>Mas j\u00e1 nessa era do videoclipe, come\u00e7a um processo de fracionamento da aten\u00e7\u00e3o que nunca mais parou de se expandir. Logo depois de MJ, a MTV ajuda a tornar o Nirvana uma banda mundial. Seria ridiculamente caro dar essa exposi\u00e7\u00e3o ao expoente do movimento grunge se valendo apenas da m\u00eddia mais estabelecida: A televis\u00e3o tradicional, generalista. Mas a TV espec\u00edfica, a TV a cabo, essa ainda estava suficientemente &#8220;barata&#8221;.<\/p>\n<p>Quando a internet come\u00e7a a fazer alguma diferen\u00e7a no quadro geral das coisas, mais e mais artistas tamb\u00e9m se aproveitam dessa &#8220;era da inoc\u00eancia comercial&#8221; para ganhar proje\u00e7\u00e3o global. S\u00f3 que a\u00ed o fracionamento da aten\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 um fator importante: Diversos estilos musicais ganham figuras de destaque, e mesmo assim elas v\u00e3o se alternando. O movimento pop do final dos anos 90, por exemplo, viu v\u00e1rios grupos de garotos afeminados ascender e desaparecer em um curto espa\u00e7o de tempo.<\/p>\n<p>Mas mesmo assim, mesmo desde os Beatles, ainda sim tinha dinheiro correndo solto para conseguir a exposi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria nas m\u00eddias mais bem estabelecidas. E \u00e9 isso que come\u00e7a a mudar com a atual &#8220;segunda era&#8221; da internet. A era das redes sociais. O fracionamento de aten\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande que temos um fen\u00f4meno mundial por m\u00eas, \u00e0s vezes at\u00e9 mais. E com tanta gente conectada, as m\u00eddias mais bem estabelecidas come\u00e7am a convergir para dentro da grande rede. Existem in\u00fameros atalhos e truques para conseguir grande exposi\u00e7\u00e3o sem gastar muito dinheiro, e as pessoas j\u00e1 perceberam isso.<\/p>\n<p>E num ritmo mais lento, o mercado tamb\u00e9m. Grandes empresas adoram dizer que est\u00e3o \u00e0 frente do grande p\u00fablico nas tend\u00eancias do gosto popular, mas um artista coreano basicamente desconhecido at\u00e9 seis meses atr\u00e1s enfiou uma trolha enorme na maioria dos artistas pop alimentados por milh\u00f5es de d\u00f3lares de suas gravadoras. Psy roubou um ano de protagonismo mundial da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, gastando n\u00e3o muito mais do que um artista regional faria.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o vai passar despercebido. E \u00e9 aqui que eu respondo a pergunta do primeiro par\u00e1grafo: N\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 mais para ignorar que a internet \u00e9 o meio de comunica\u00e7\u00e3o principal do mundo que gasta dinheiro com entretenimento. Um tapa de um bilh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es na cara de uma ind\u00fastria acostumada aos bilh\u00f5es em faturamento deve causar o mesmo efeito que &#8220;profissionalizou&#8221; a distribui\u00e7\u00e3o musical no r\u00e1dio, TV e TV fechada depois de seus grandes momentos.<\/p>\n<p>O &#8220;truque&#8221; de distribuir m\u00fasica por v\u00eddeos relacionados no Youtube est\u00e1 escancarado para quem entende de comunica\u00e7\u00e3o. Isso VAI ser monetizado nos pr\u00f3ximos anos (quem sabe at\u00e9 nos pr\u00f3ximos meses). Internet virou m\u00eddia principal para bilh\u00f5es de pessoas e j\u00e1 est\u00e1 claro para todo mundo que presta aten\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>Uma das piadas sobre o fim do mundo que deveria ter ocorrido h\u00e1 alguns dias atr\u00e1s \u00e9 que Nostradamus &#8220;previu&#8221; a visualiza\u00e7\u00e3o de n\u00famero um bilh\u00e3o do v\u00eddeo do Psy. E que isso seria sinal de uma grande mudan\u00e7a no mundo. Uma potencialmente negativa, porque Nostradamus era um pessimista do caralho&#8230; Talvez isso tenha um fundo de verdade&#8230;<\/p>\n<p>J\u00e1 faz algum tempo que os grandes conglomerados de m\u00eddia e comunica\u00e7\u00e3o em geral est\u00e3o ensaiando cobrar pelo conte\u00fado da internet, num modelo meio parecido com a da TV a cabo, separando os sites em pacotes e cobrando pelo acesso espec\u00edfico. Se minha vis\u00e3o futur\u00f3loga das consequ\u00eancias do v\u00eddeo mais famoso do ano de 2012 se confirmarem, estamos vivenciando a era da profissionaliza\u00e7\u00e3o da internet. Os l\u00edderes de acesso do Youtube j\u00e1 s\u00e3o milion\u00e1rios, normalmente se valendo de uma c\u00e2mera no trip\u00e9 e uma ideia copiada na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Bacana para eles, mas isso n\u00e3o deixa de ser um sintoma da era onde se &#8220;amarrava cachorro com lingui\u00e7a&#8221; na internet. As barreiras de entrada para se tornar um sucesso de p\u00fablico sempre foram alt\u00edssimas, com exce\u00e7\u00e3o dos breves momentos onde uma m\u00eddia est\u00e1 em crescimento. E esses momentos sempre acabam. Teve gente que esteve viva para ver o mundo antes e depois do r\u00e1dio, teve gente que esteve viva para ver o mundo antes e depois da TV, e n\u00f3s estamos aqui para testemunhar a ascens\u00e3o final da internet como m\u00eddia dominante.<\/p>\n<p>Os pioneiros da grande rede est\u00e3o chegando na terceira idade, a era do idealismo j\u00e1 acabou faz tempo. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, \u00e9 cada vez mais caro ficar famoso na grande rede, por mais que voc\u00ea enxergue &#8220;virais&#8221; por todos os lados. O fracionamento da aten\u00e7\u00e3o j\u00e1 chegou ao ponto onde \u00e9 NORMAL conseguir milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es num v\u00eddeo de Youtube, sendo inclusive modelo de neg\u00f3cio estabelecido para v\u00e1rios profissionais que ganham a vida assim. Quando se torna f\u00e1cil conseguir um determinado n\u00famero de pessoas para apreciar sua ideia, quer dizer que isso n\u00e3o vale mais muito dinheiro.<\/p>\n<p>J\u00e1 passou da hora de colocar em perspectiva essa coisa de v\u00eddeo viral e &#8220;sucesso de internet&#8221;, n\u00e3o estamos mais na mesma conjuntura do mercado de m\u00eddia. As apostas est\u00e3o bem maiores, o custo para fazer um novo Gangnam Style s\u00f3 v\u00e3o subir com o passar do tempo. N\u00e3o deveria surpreender mais, mas o funcionamento das m\u00eddias e a mec\u00e2nica para distribuir conte\u00fado s\u00e3o mais ou menos c\u00edclicos. E quem n\u00e3o perceber isso logo corre o risco de tentar entrar nesse mercado sem a no\u00e7\u00e3o do tamanho atual da internet.<\/p>\n<p>O dinheiro gasto em publicidade e divulga\u00e7\u00e3o em geral na TV hoje em dia j\u00e1 tem que come\u00e7ar a vazar para a internet. A TV <strong>J\u00c1<\/strong> \u00e9 o novo r\u00e1dio. Quem aproveitar a oportunidade mais r\u00e1pido vai ganhar mais.<\/p>\n<p>At\u00e9, \u00e9 claro, surgir o novo grande meio de comunica\u00e7\u00e3o de massa.<\/p>\n<h3>Para dizer que vai &#8220;fazer um viral&#8221; do meu texto e ficar milion\u00e1rio, para ficar puto por eu ter colocado os Beatles num texto que fala sobre o Psy, ou mesmo para perguntar o que voc\u00ea tem a ver com isso (ou voc\u00ea ganha com isso, ou voc\u00ea gasta com isso&#8230;): <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano em que um m\u00fasico coreano alcan\u00e7ou um bilh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es no Youtube, espalhando seu hit grudento (em coreano) pelo mundo todo, com apari\u00e7\u00f5es de destaque at\u00e9 mesmo na m\u00eddia americana&#8230; ainda d\u00e1 para dizer que a internet n\u00e3o \u00e9 o ve\u00edculo de m\u00eddia principal do mundo?<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-3828","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publiciotarios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3828"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3828\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}