{"id":409,"date":"2009-10-16T10:51:00","date_gmt":"2009-10-16T13:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=409"},"modified":"2009-10-16T10:51:00","modified_gmt":"2009-10-16T13:51:00","slug":"des-contos-clitorianos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2009\/10\/des-contos-clitorianos\/","title":{"rendered":"Des Contos: Clitorianos."},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i363.photobucket.com\/albums\/oo74\/desfavor\/img\/des_contos.jpg\" alt=\"Des Contos\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i363.photobucket.com\/albums\/oo74\/desfavor\/img\/des_abducao.jpg\" alt=\"wat?[2]\" \/><\/p>\n<p>Carlos dirigia por uma estrada vazia em plena madrugada de uma segunda-feira, fazendo o trajeto entre seu s\u00edtio isolado no interior e seu sufocante apartamento na capital. Para diminuir a sensa\u00e7\u00e3o de <span style=\"font-style: italic;\">\u201cfim de festa\u201d<\/span> trazida por essa viagem semanal, costumava ouvir uma sele\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas convenientemente chamada de<span style=\"font-style: italic;\"> \u201cprazeres proibidos\u201d<\/span>. A lista era composta apenas com as can\u00e7\u00f5es mais bregas e grudentas, as quais jamais admitiria ouvir se confrontado.<\/p>\n<p>Naquela noite, nada de diferente at\u00e9 ali. Carlos guiava tranq\u00fcilo enquanto cantarolava uma terr\u00edvel m\u00fasica sertaneja a plenos pulm\u00f5es, certo da impunidade. O caminho, j\u00e1 decorado em sua mente, n\u00e3o trazia dificuldades maiores do que alguns buracos e curvas fechadas. Tr\u00e2nsito com certeza n\u00e3o era uma preocupa\u00e7\u00e3o. Com exce\u00e7\u00e3o de um ou dois caminh\u00f5es no sentido oposto, nenhum sinal de vida na estrada ou nas imedia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas dessa vez, algo mudou a rotina da viagem. O trecho em que se encontrava, uma sinuosa e sufocante trilha de asfalto escavada por dentro das entranhas de uma regi\u00e3o montanhosa, estava completamente escuro por conta da lua minguante que dividia espa\u00e7o com algumas nuvens no c\u00e9u noturno. Escurid\u00e3o que facilitou a percep\u00e7\u00e3o de uma estrela mais brilhante do que as outras no horizonte. Com seus p\u00edfios conhecimentos astron\u00f4micos, pode concluir no m\u00e1ximo que era um planeta ou algum outro fen\u00f4meno comum para quem realmente sabe identificar pontos de interesse no c\u00e9u.<\/p>\n<p>Um movimento brusco da suposta estrela alertou-o sobre a possibilidade de n\u00e3o estar lidando com algo comum, ou mesmo explic\u00e1vel. Pela geografia da regi\u00e3o que atravessava, eventualmente perdia contato visual com o ponto luminoso por detr\u00e1s das copas das \u00e1rvores. Numa dessas oclus\u00f5es naturais, perdeu definitivamente o objeto de vista. Imaginando ter sido apenas alguma pe\u00e7a pregada pelo sono, voltou a dirigir como se nada tivesse acontecido. Mas a normalidade n\u00e3o estava no caminho de Carlos, n\u00e3o naquela noite.<\/p>\n<p>Um flash repentino na frente de seu ve\u00edculo foi o suficiente para que ele pisasse com for\u00e7a no pedal do freio e perdesse o controle. Num golpe de sorte, o carro girou sobre o pr\u00f3prio eixo e acabou parado dentro dos limites do asfalto, tudo isso acompanhado pela cantoria dos pneus e um sonoro palavr\u00e3o multissil\u00e1bico. Refeito do susto, presta mais aten\u00e7\u00e3o nos arredores.<\/p>\n<p>Um brilhante disco met\u00e1lico paira sobre a estrada, a pouco mais de dois metros do ch\u00e3o. Ainda sem rea\u00e7\u00e3o, Carlos observa est\u00e1tico um facho de luz esbranqui\u00e7ada descer graciosamente da parte inferior do disco at\u00e9 tocar o ch\u00e3o. Dentro do facho, duas figuras de formato human\u00f3ide. Seus contornos ficam mais definidos assim que se afastam da luz.<\/p>\n<p>Carlos observa a cena, fascinado. Conforme os seres se aproximam do carro, fica mais e mais claro que s\u00e3o dois humanos. Dois homens, um alto e forte; outro esguio, de fei\u00e7\u00f5es mais suaves. Pela familiaridade visual dos supostos visitantes intergal\u00e1cticos, o medo dele se transforma em curiosidade. Curiosidade que o move a se desvencilhar do cinto de seguran\u00e7a e sair de dentro de sua fortaleza motorizada.<\/p>\n<p>Agora Carlos est\u00e1 de frente com os dois homens, em plena estrada deserta, agora iluminada pelo disco voador que plana sobre eles. Ambos vestem uma esp\u00e9cie de traje prateado que cobre todo o corpo com exce\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a, v\u00e1rios s\u00edmbolos inintelig\u00edveis cobrem a vestimenta.<\/p>\n<p>\u2013 Sauda\u00e7\u00f5es, clitoriano. Viemos em paz. &#8211; Diz o homem mais alto.<\/p>\n<p>\u2013 B&#8230; boa noite&#8230; &#8211; Responde Carlos.<\/p>\n<p>\u2013 Pergunta se ele tem um. &#8211; O mais baixo cutuca o outro, ansioso.<\/p>\n<p>\u2013 Deixa que eu falo! Vai ficar me interrompendo aqui tamb\u00e9m? &#8211; A resposta do outro visitante demonstra um certo destempero.<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00eas&#8230; s\u00e3o alien\u00edgenas? \u2013 Carlos pergunta enquanto observa melhor a nave sobre sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2013 Depende do ponto de vista. Para n\u00f3s, voc\u00ea que \u00e9. &#8211; O menor responde sem pestanejar.<\/p>\n<p>\u2013 Pera\u00ed, o que a gente combinou, Barii? Eu que vou fazer contato com o clitoriano, n\u00e3o voc\u00ea! &#8211; O mais alto agora deixa de olhar para Carlos e come\u00e7a a discutir em voz baixa com seu companheiro.<\/p>\n<p>\u2013 Meu nome \u00e9 Carlos.<\/p>\n<p>Os dois param sua discuss\u00e3o r\u00e1pida e se voltam novamente para o terr\u00e1queo.<\/p>\n<p>\u2013 Barii, mas o segundo i \u00e9 mudo.<\/p>\n<p>\u2013 Como se ele soubesse que tem um segundo i no seu nome&#8230; E n\u00e3o tem jeito mesmo, n\u00e9? Pedir para uma mulher ficar quieta \u00e9 que nem pedir para um gafarium n\u00e3o trazoidar! Bom, meu nome \u00e9 Tamaes.<\/p>\n<p>\u2013 Prazer, Barii e Tamaes. Voc\u00eas vieram de onde?<\/p>\n<p>\u2013 Sabe, eu realmente preferiria se eu, como esp\u00e9cie que j\u00e1 dominou a viagem intergal\u00e1ctica, tomasse a dianteira da conversa! \u2013 Diz Tamaes.<\/p>\n<p>\u2013 Como quiser.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o liga n\u00e3o, Carlos, ele est\u00e1 irritado porque errou o caminho. &#8211; Barii<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00eas n\u00e3o pretendiam parar aqui na Terra?<\/p>\n<p>\u2013 \u201cEu sei o que estou fazendo, eu j\u00e1 passei por aqui antes&#8230;\u201d &#8211; Barii imita uma voz mais grossa de forma ir\u00f4nica.<\/p>\n<p>\u2013 Sil\u00eancio, voc\u00eas dois! &#8211; Tamaes perde a calma.<\/p>\n<p>\u2013 Desculpa. &#8211; Carlos diz visivelmente assustado.<\/p>\n<p>\u2013 Viu o que voc\u00ea fez, seu grosso? Homens s\u00e3o iguais em tudo quanto \u00e9 planeta&#8230; N\u00f3s n\u00e3o vamos te fazer mal, terr\u00e1queo, n\u00e3o precisa se preocupar, viu?<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea&#8230; \u00e9 uma mulher? &#8211; Carlos pergunta olhando para Barii.<\/p>\n<p>\u2013 Ah sim, sempre esque\u00e7o que na sua esp\u00e9cie a diferencia\u00e7\u00e3o entre os sexos \u00e9 bem mais acentuada. Sim, eu sou uma mulher. E esse mau-humorado aqui \u00e9 o meu marido.<\/p>\n<p>Carlos olha para baixo e deixa escapar um sorriso ir\u00f4nico.<\/p>\n<p>\u2013 Eu sei o que voc\u00ea est\u00e1 pensando, terr\u00e1queo! Mas de onde eu venho, todas as mulheres s\u00e3o assim&#8230; Tire esse sorrisinho da cara! &#8211; Tamaes aponta o dedo para Carlos, que se for\u00e7a a manter uma express\u00e3o mais s\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u2013 Todas as mulheres s\u00e3o como eu, Tamaes?<\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea me entendeu, Barii.<\/p>\n<p>\u2013 Entendi sim! Voc\u00ea n\u00e3o me acha especial! &#8211; A express\u00e3o de Barii come\u00e7a a mudar, denotando um come\u00e7o de choro.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o exagera, querida. Voc\u00ea sabe que eu&#8230; &#8211; Enquanto Tamaes tenta consertar o erro, Barii corre at\u00e9 o facho de luz e volta para dentro da nave.<\/p>\n<p>\u2013 Desculpa a\u00ed, cara. &#8211; Carlos sente uma esp\u00e9cie de empatia intergal\u00e1ctica.<\/p>\n<p>\u2013 Deixa pra l\u00e1, ela est\u00e1 naqueles dias. Chorando e reclamando de tudo.<\/p>\n<p>\u2013 Sei como \u00e9&#8230; Mulheres, hein?<\/p>\n<p>\u2013 Pelo menos as suas tem aqueles dep\u00f3sitos de gordura nas gl\u00e2ndulas mam\u00e1rias. Voc\u00eas clitorianos tem sorte.<\/p>\n<p>\u2013 Pois \u00e9&#8230; clitorianos&#8230; N\u00e3o entendi bem porque voc\u00eas ficam chamando os humanos disso.<\/p>\n<p>\u2013 A sua esp\u00e9cie, mais precisamente as f\u00eameas da sua esp\u00e9cie, tem o \u00f3rg\u00e3o mais fascinante de todos os povos inteligentes conhecidos. O clit\u00f3ris.<\/p>\n<p>\u2013 E isso \u00e9 t\u00e3o importante assim? Digo, a ponto de nomear nossa esp\u00e9cie?<\/p>\n<p>\u2013 Bem que me disseram que os homens desse planeta n\u00e3o entendem muito bem do assunto. Para come\u00e7o de conversa, voc\u00eas clitorianos s\u00e3o a esp\u00e9cie que evoluiu mais r\u00e1pido em todo o universo. N\u00f3s, os salenkianos, demoramos trezentos mil anos para inventar o primeiro motor, por exemplo.<\/p>\n<p>\u2013 E onde o clit\u00f3ris entra nisso?<\/p>\n<p>\u2013 As suas mulheres podem sentir tanto prazer numa rela\u00e7\u00e3o sexual que evolu\u00edram de forma a condicionar os homens a passar sua exist\u00eancia inteira se esfor\u00e7ando para conseguir sexo. Nenhuma outra f\u00eamea \u00e9 t\u00e3o atraente no universo.<\/p>\n<p>\u2013 E isso n\u00e3o deveria atrasar tudo? N\u00e3o me entenda mal, mas se as mulheres daqui fossem t\u00e3o parecidas com os homens quanto s\u00e3o no seu planeta, eu dedicaria todo meu tempo para pesquisar e trabalhar.<\/p>\n<p>\u2013 Com que motiva\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2013 U\u00e9, motiva\u00e7\u00e3o de fazer algo de destaque.<\/p>\n<p>\u2013 Para conseguir o qu\u00ea?<\/p>\n<p>\u2013 Fama, poder, dinheiro&#8230;<\/p>\n<p>\u2013 Com que objetivo?<\/p>\n<p>\u2013 Pegar mais mu&#8230; Nossa!<\/p>\n<p>\u2013 Pois \u00e9, clitoriano. E como as nossas mulheres tamb\u00e9m geram filhos, tem todas as caracter\u00edsticas hormonais comuns \u00e0s suas mulheres tamb\u00e9m. Voc\u00ea viu o que aconteceu com a Barii agora de pouco.<\/p>\n<p>\u2013 Uau. Eu n\u00e3o imaginava o poder do clit\u00f3ris para acelerar a evolu\u00e7\u00e3o. S\u00f3 as mulheres humanas tem isso, no universo todo?<\/p>\n<p>\u2013 Temos registro de uma esp\u00e9cie que desenvolveu clit\u00f3ris em ambos os sexos, num planeta bem distante daqui.<\/p>\n<p>\u2013 Eles evolu\u00edram mais r\u00e1pido ainda?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, eles morreram de fome. Um trilh\u00e3o de pessoas num planeta n\u00e3o muito maior do que esse se mostrou bastante insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u2013 Imagino&#8230; Mas, Tamaes, o que voc\u00eas vieram fazer aqui? V\u00e3o se revelar para os humanos?<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, n\u00e3o. A sua esp\u00e9cie \u00e9 agressiva demais para ser contatada em larga escala pelos pr\u00f3ximos dez mil anos. O clit\u00f3ris n\u00e3o traz apenas benesses, sabe? Mas eu entendo, eu tamb\u00e9m ficaria raivoso e competitivo se tivesse que competir por essas f\u00eameas deliciosas&#8230; Eu pretendia vir sozinho para c\u00e1, at\u00e9 dei uma desculpa sobre pesquisar uns aster\u00f3ides aqui por perto. Mas Barii&#8230; ela cismou que viria junto. Saco! Eu pretendia passar os pr\u00f3ximos dias numa dessas suas institui\u00e7\u00f5es que oferecem prazer sexual em troca de moeda terr\u00e1quea.<\/p>\n<p>\u2013 Puteiro? Hahahaha!<\/p>\n<p>\u2013 Shhh! Se ela descobre isso, me mata.<\/p>\n<p>\u2013 Relaxa, eu n\u00e3o vou entregar um colega de g\u00eanero. Mas, com a sua tecnologia avan\u00e7ada e tal&#8230; N\u00e3o era mais f\u00e1cil tentar colocar clit\u00f3ris nas suas mulheres?<\/p>\n<p>\u2013 Elas jamais aceitariam. Dizem que \u00e9 degradante que os homens queiram que elas mudem seus corpos para agrad\u00e1-los, dizem que devemos aceit\u00e1-las do jeito que elas s\u00e3o&#8230; bl\u00e1, bl\u00e1, bl\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>\u2013 Que frescura!<\/p>\n<p>\u2013 Pois \u00e9, mas o que se pode esperar de um bando de fr\u00edgidas?<\/p>\n<p>O comunicador no pulso de Tamaes come\u00e7a a piscar.<\/p>\n<p>\u2013 Agora eu tenho que ir, Carlos. Foi uma conversa interessante. Bem mais interessante do que o drama que eu vou ag\u00fcentar assim que entrar na nave&#8230; <span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">*suspiro*<\/span><\/p>\n<p>\u2013 Ah, por que eu?<\/p>\n<p>\u2013 Por que entramos em contato com voc\u00ea? Ela insistiu que eu perguntasse o caminho. E voc\u00ea estava convenientemente sozinho. Sem testemunhas, ningu\u00e9m vai acreditar na sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u2013 Faz sentido. Meio broxante, mas faz sentido.<\/p>\n<p>\u2013 Hist\u00f3ria da minha vida&#8230; Tenha uma boa vida, clitoriano. E n\u00e3o se esque\u00e7a da sorte que voc\u00ea tem.<\/p>\n<p>Carlos acena para o alien\u00edgena, que adentra o feixe de luz embaixo da nave fazendo um sinal de <span style=\"font-style: italic;\">\u201csaco cheio\u201d<\/span>. Uma risada conjunta termina o contato entre as duas esp\u00e9cies. O disco voador sobe numa velocidade impressionante rumo ao c\u00e9u, desaparecendo da vista em quest\u00e3o de segundos. De forma bem mais lenta, Carlos adentra seu ve\u00edculo e segue seu caminho.<\/p>\n<p><span style=\"font-size:130%;\"><span style=\"font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);\">Coito interrompido.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos dirigia por uma estrada vazia em plena madrugada de uma segunda-feira, fazendo o trajeto entre seu s\u00edtio isolado no interior e seu sufocante apartamento na capital. Para diminuir a sensa\u00e7\u00e3o de \u201cfim de festa\u201d trazida por essa viagem semanal, costumava ouvir uma sele\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas convenientemente chamada de \u201cprazeres proibidos\u201d. 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