{"id":4406,"date":"2013-04-12T05:22:41","date_gmt":"2013-04-12T08:22:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=4406"},"modified":"2013-04-12T05:24:07","modified_gmt":"2013-04-12T08:24:07","slug":"des-contos-in-nomine-domini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2013\/04\/des-contos-in-nomine-domini\/","title":{"rendered":"Des Contos: In nomine domini&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4407\" alt=\"desc_nomine\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/desc_nomine.jpg\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/desc_nomine.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/desc_nomine-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Jequitib\u00e1 da Serra era a t\u00edpica cidade interiorana criada apenas para abrigar cargos p\u00fablicos: Composta de s\u00edtios, ch\u00e1caras e pequenas fazendas; a \u00fanica coisa que lembrava um ambiente urbano era a rua central, dotada de uma desabastecida mercearia, uma modesta igreja e um casar\u00e3o caindo aos peda\u00e7os batizado como pa\u00e7o municipal. Quem quer que ficasse doente deveria enfrentar duas horas de estrada de terra em busca de tratamento na Santa Casa da cidade vizinha.<!--more--><\/p>\n<p>O jipe velho que desbravava essa estrada estava voltando justamente com uma paciente que recebera alta naquela manh\u00e3.<\/p>\n<p>&#8220;Tem certeza que t\u00e1 bem, fia?&#8221; &#8211; Dona Leonor, cuja idade estimava-se entre a quarta e a quinta d\u00e9cada de vida, segura a m\u00e3o de sua filha tentando compensar os constantes solavancos do terreno acidentado.<\/p>\n<p>&#8220;T\u00f4 sim, m\u00e3ezinha&#8230;&#8221; &#8211; A jovem Matilde refor\u00e7a a mensagem com um sorriso acentuado pelo retorno da cor \u00e0s suas bochechas.<\/p>\n<p>&#8220;Eita porra!&#8221; &#8211; Vantuir, o dono da mercearia e normalmente o \u00fanico motorista dispon\u00edvel no munic\u00edpio, digladia-se com uma dire\u00e7\u00e3o pouco responsiva enquanto tenta desviar de mais um buraco.<\/p>\n<p>&#8220;\u00d3ia a boca, Vantu\u00ed! Tem crian\u00e7a aqui, \u00f4!&#8221; &#8211; Dona Leonor imprime um tom reprovador.<\/p>\n<p>&#8220;Descurpa!&#8221; &#8211; Vantuir se volta para tr\u00e1s e sorri para as duas.<\/p>\n<p>&#8220;M\u00e3e, eu j\u00e1 t\u00f4 grandinha&#8230;&#8221; &#8211; Matilde retruca.<\/p>\n<p>&#8220;C\u00ea nunca vai t\u00e1 grandinha dimais pra num s\u00ea minha minina!&#8221; &#8211; Dona Leonor abra\u00e7a a cria, n\u00e3o sem antes tascar um beijo carinhoso em sua testa.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 espero que voc\u00ea n\u00e3o ignore meu \u00f3bvio desenvolvimento f\u00edsico e intelectual.&#8221; &#8211; Matilde diz enquanto se aninha nos bra\u00e7os da m\u00e3e e fecha os olhos.<\/p>\n<p>Vantuir se vira novamente e olha de forma de forma preocupada para Dona Leonor. Com um leve aceno de cabe\u00e7a, parece perguntar se ela quer voltar. Dona Leonor pensa por alguns segundos e responde que n\u00e3o, tamb\u00e9m de forma gestual. Ningu\u00e9m mais diz uma palavra durante a viagem.<\/p>\n<p>Depois de v\u00e1rios minutos, os longos campos d\u00e3o lugar a uma clareira de tijolos e telhas. Eles estavam de volta \u00e0 sua cidade. Vantuir estaciona em frente \u00e0 mercearia e pede alguns minutos para pegar uma entrega que faria nas proximidades do s\u00edtio onde as duas moravam. Matilde continuava dormindo.<\/p>\n<p>O jipe, sem cobertura, deixava ambas \u00e0 plena vista do homem de batina que se aproximava.<\/p>\n<p>&#8220;Boa tarde!&#8221; &#8211; O padre Percival, rec\u00e9m-chegado para cuidar da igreja local, reclina-se na porta do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>&#8220;Ben\u00e7a, padre!&#8221; &#8211; Dona Leonor estica as m\u00e3os em dire\u00e7\u00e3o ao padre Percival, que gentilmente as acolhe entre as suas.<\/p>\n<p>&#8220;E como est\u00e1 a menina? Fiquei sabendo agora de pouco que voc\u00ea saiu correndo pela manh\u00e3 junto com o Vantuir.&#8221; &#8211; Continuou.<\/p>\n<p>&#8220;O dot\u00f4 disse que ela num tem nada dimais e devia de s\u00ea s\u00f3 cansa\u00e7o&#8230; Gra\u00e7as a Deus!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Mas o que foi que aconteceu? Ela passou mal, desmaiou?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ela come\u00e7o a fal\u00e1 umas coisa estranha, padre&#8230; Nem parecia minha fia&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Coisas estranhas&#8230; coisas estranhas como?&#8221; &#8211; O padre solta as m\u00e3os de Dona Leonor.<\/p>\n<p>&#8220;Ah num sei diz\u00ea direito&#8230; Mais falava dif\u00edcil, umas palavra enorme que eu nunca tinha ovido antes!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Parecia que estava falando uma l\u00edngua diferente?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9! C\u00ea sabe que doen\u00e7a \u00e9 essa?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tenho certeza ainda&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Nisso, Vantuir sai de dentro da mercearia com um pacote. Ao se aproximar, cumprimenta padre Percival com uma leve rever\u00eancia. O sacerdote abre espa\u00e7o enquanto o homem adentra o ve\u00edculo. Ao sentar-se no banco da frente, o jipe balan\u00e7a o suficiente para interromper o sono da jovem Matilde.<\/p>\n<p>&#8220;Hnn&#8230; J\u00e1 chegamos? Quero o conforto de minha pr\u00f3pria cama.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Indan\u00e3o, minina&#8230; discansa, discansa&#8230;&#8221; &#8211; Dona Leonor novamente a acolhe entre os bra\u00e7os, ninando sua filha. Ao certificar-se que Matilde havia fechado os olhos novamente, volta o olhar preocupado para o padre.<\/p>\n<p>&#8220;V\u00e3o indo, eu preciso pesquisar em alguns livros que eu trouxe comigo da capital&#8230; Se for o que eu estou pensando, eu acho que posso ajud\u00e1-la.&#8221; &#8211; Padre Percival tenta manter um semblante confiante, mas n\u00e3o \u00e9 o suficiente para retirar a express\u00e3o tensa dos outros dois ocupantes do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>Pouco depois, Vantuir d\u00e1 a partida e deixa para tr\u00e1s a cidade, deixando para tr\u00e1s uma nuvem de poeira e um padre aparentemente perdido em seus pensamentos. Ao finalmente chegarem ao destino, Matilde parece mais disposta, desembarcando sem dificuldades. Ap\u00f3s uma breve despedida, Vantuir segue seu caminho.<\/p>\n<p>Na frente da casa:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o mi assusta mais anssim!&#8221; &#8211; Dona Leonor diz num misto de imperatividade e ternura.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se preocupe, m\u00e3e. O que est\u00e1 acontecendo comigo n\u00e3o \u00e9 de forma alguma perigoso, creio que possa contribuir com a eleva\u00e7\u00e3o de nosso padr\u00e3o de vida nos anos vindouros.&#8221; &#8211; Matilde sorri antes de entrar.<\/p>\n<p>Dona Leonor fica parada ali por mais alguns segundos, tentando fazer algum sentido do que acabara de ouvir. Reconhecendo a derrota, suspira e segue o caminho da filha.<\/p>\n<p>Algumas horas mais tarde, o jipe de Vantuir chega apressado. Com uma freada brusca, levanta a terra batida e anuncia sua aproxima\u00e7\u00e3o de forma inequ\u00edvoca. O padre Percival salta do banco do carona de forma atabalhoada, claramente nervoso. Mas nem mesmo o desequil\u00edbrio moment\u00e2neo \u00e9 capaz de atrasar sua entrada na casa.<\/p>\n<p>&#8220;Vai logo, Vantuir!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 to ino, padre, j\u00e1 to ino&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>O casebre n\u00e3o deixa d\u00favidas sobre a pobreza vivenciada pelas duas. Ao atravessar a porta aberta, padre Percival come\u00e7a a chamar por Dona Leonor. Nenhuma resposta.<\/p>\n<p>&#8220;A gente chegamo tarde dimais?&#8221; &#8211; Vantuir coloca as m\u00e3os na cabe\u00e7a ap\u00f3s voltar de uma r\u00e1pida inspe\u00e7\u00e3o nos poucos c\u00f4modos dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>&#8220;O poder de cura de Deus nunca chega tarde demais! Eu desconfio onde elas podem estar&#8230; Vamos!&#8221; &#8211; Padre Percival apressa Vantuir a voltar para o carro. Os dois seguem a estrada de terra em alta velocidade.<\/p>\n<p>Alguns minutos depois, deparam-se com a mans\u00e3o do Coronel Felizardo, de longe a constru\u00e7\u00e3o mais luxuosa da regi\u00e3o. O largo port\u00e3o na entrada da fazenda estava aberto, sem ningu\u00e9m para checar visitantes como seria de costume. O padre salta novamente do jipe, seguindo um passo apressado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 entrada da mans\u00e3o. Vantuir, incentivado pela sangria desatada do emiss\u00e1rio divino, acelera para acompanhar.<\/p>\n<p>As grandes portas de madeira nobre est\u00e3o entreabertas. Os \u00faltimos raios de sol do dia invadem o hall de entrada, as luzes da casa est\u00e3o apagadas. O padre abre uma das portas cautelosamente, pedindo sil\u00eancio para seu acompanhante. L\u00e1 dentro pode-se ouvir o som de algumas vozes vindas do andar superior. Padre Percival e Vantuir sobem as escadas de forma vacilante.<\/p>\n<p>Ao chegar ao segundo andar, percebem pela luz escapando pelas frestas de uma porta que apenas uma das salas est\u00e1 iluminada. As vozes vem de l\u00e1. N\u00e3o se pode depreender muito do conte\u00fado das frases, parecem incoerentes. O padre segura a cruz que adorna seu peito, respira fundo e abre a porta com um movimento brusco.<\/p>\n<p>&#8220;Em nome de Deus, o que est\u00e1 acontecendo aqui?&#8221;<\/p>\n<p>Dentro da sala, na verdade uma espa\u00e7osa biblioteca, est\u00e3o oito pessoas. Dona Leonor, Matilde, Coronel Felizardo, seus dois filhos e mais tr\u00eas trabalhadores locais, incluindo o vigia que n\u00e3o estava onde deveria h\u00e1 alguns minutos atr\u00e1s. Todos mudos, im\u00f3veis, encarando o padre de volta.<\/p>\n<p>Padre Percival come\u00e7a a prestar mais aten\u00e7\u00e3o na cena. Todos est\u00e3o segurando livros&#8230; Vantuir, que acabara de entrar, n\u00e3o resiste a quebrar o sil\u00eancio:<\/p>\n<p>&#8220;O qui qui c\u00eas t\u00e3o tudo parado a\u00ed?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00eas todos, n\u00e3o voc\u00eas tudo. Concord\u00e2ncia \u00e9 muito importante, meu caro Vantuir!&#8221; &#8211; Genislene, empregada dom\u00e9stica da casa e eventual caso do dono da mercearia, diz com uma seguran\u00e7a professoral.<\/p>\n<p>&#8220;Ai meu Jesuis amado! \u00c9 verdadi mesmo, s\u00eao padre!&#8221; &#8211; Vantuir se esconde por detr\u00e1s de padre Percival, que demonstra mais coragem diante da situa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;Eu deveria ter percebido antes. Foi a garota que enfeiti\u00e7ou voc\u00eas, n\u00e3o?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Oras, padre Percival, feiti\u00e7os s\u00e3o mera fabrica\u00e7\u00e3o da mente humana. Posso garantir que nenhum dos presentes encontra-se em tal condi\u00e7\u00e3o.&#8221; &#8211; Coronel Felizardo diz enquanto folheia um pesado volume de Guerra e Paz.<\/p>\n<p>&#8220;E pensar que esta obra-prima sentou-se aqui juntando poeira por tantos anos. Arrependo-me de n\u00e3o ter cedido aos prazeres da leitura mais cedo.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00eas precisam ser exorcizados antes que isso se espalhe mais ainda! Isso n\u00e3o \u00e9 natural!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Defina natural.&#8221; &#8211; Dona Leonor interrompe sua leitura de Assim Falou Zaratustra para interceder.<\/p>\n<p>&#8220;Natural \u00e9 a vontade de Deus! Saiam desses corpos, o poder de Cristo os compele!&#8221; &#8211; Padre Percival estica o bra\u00e7o direito e espalma a m\u00e3o de forma teatral.<\/p>\n<p>&#8220;Oras, com todo o respeito pela sua opini\u00e3o, devo ressaltar que seu ponto de vista apresenta uma s\u00e9rie de contradi\u00e7\u00f5es&#8230; Podemos come\u00e7ar com a incoer\u00eancia entre o conceito de naturalidade e&#8230; e&#8230;&#8221; &#8211; A argumenta\u00e7\u00e3o de Matilde n\u00e3o se completa devido a uma s\u00fabita tonteira.<\/p>\n<p>&#8220;O coisa ruim t\u00e1 saino dela! Gra\u00e7as a Deus! Padre, t\u00e1 funcionando! Creio eu&#8230; N\u00e3o, espera&#8230; N\u00e3o foi exatamente isso que aconteceu. Aparentemente eu fui acometido da mesma condi\u00e7\u00e3o que os outros presentes.&#8221; &#8211; Vantuir at\u00e9 muda de postura enquanto fala, ombros mais eretos e queixo erguido.<\/p>\n<p>Padre Percival fica p\u00e1lido. Instintivamente recua um passo enquanto sussura algumas palavras estranhas para a cruz que segura firmemente entre os dedos.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o, padre, n\u00e3o tenha medo. Agora eu entendo perfeitamente&#8230; N\u00e3o desejamos o mal de ningu\u00e9m. E muito menos estamos possu\u00eddos. Na verdade&#8230;&#8221; &#8211; Vantuir olha para tr\u00e1s, como se pedisse confirma\u00e7\u00e3o dos outros. Matilde sorri e acena positivamente com a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma grande explos\u00e3o destr\u00f3i a casa imediatamente, levando consigo as vidas de todos os presentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>FIM<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #c0c0c0;\">(\u00f4 diacho!)<\/span><\/p>\n<h3>Para dizer que vai sugerir uma puni\u00e7\u00e3o ainda maior depois deste texto, para reclamar que minhas hist\u00f3rias nunca terminam direito, ou mesmo para falar que o diabo est\u00e1 nos detalhes: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jequitib\u00e1 da Serra era a t\u00edpica cidade interiorana criada apenas para abrigar cargos p\u00fablicos: Composta de s\u00edtios, ch\u00e1caras e pequenas fazendas; a \u00fanica coisa que lembrava um ambiente urbano era a rua central, dotada de uma desabastecida mercearia, uma modesta igreja e um casar\u00e3o caindo aos peda\u00e7os batizado como pa\u00e7o municipal. 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