{"id":4636,"date":"2013-05-22T06:00:16","date_gmt":"2013-05-22T09:00:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=4636"},"modified":"2013-05-22T03:26:30","modified_gmt":"2013-05-22T06:26:30","slug":"somir-surtado-learn-english","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2013\/05\/somir-surtado-learn-english\/","title":{"rendered":"Somir Surtado: Learn english."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4637\" alt=\"sosur-learneglish\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sosur-learneglish.jpg\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sosur-learneglish.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sosur-learneglish-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Hoje acordei colonizado. Muito se fala sobre as benesses do aprendizado da l\u00edngua inglesa para sua vida profissional, como se a l\u00edngua de Shakespeare fosse mera ferramenta num mercado de trabalho cada vez mais exigente. Cidad\u00e3o ou cidad\u00e3 aprende mais ou menos, o suficiente para entender um eventual e-mail da matriz&#8230; e acha que j\u00e1 cobriu todas as vantagens de ter aprendido uma nova l\u00edngua. Hoje em dia isso \u00e9 se contentar com pouco&#8230; muito pouco.<!--more--><\/p>\n<p>O que eu vou escrever aqui vai formar espuma nas bocas dos comunistas de boutique que assolam esta terra, mas&#8230; Ingl\u00eas fluente \u00e9 a melhor base que existe para aumentar sua cultura. Nenhuma outra l\u00edngua neste mundo te d\u00e1 tantas oportunidades de aprendizado e entretenimento quanto a inglesa. Est\u00e1 mais do que na hora dessa nojentinha elite cultural tupiniquim aceitar que ingl\u00eas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 l\u00edngua de futilidades e consumismo.<\/p>\n<p>H\u00e1 produ\u00e7\u00e3o cultural de qualidade em virtualmente todas as l\u00ednguas deste mundo, mas praticamente todas elas se traduzem muito bem em ingl\u00eas. Evidente que existe uma vantagem de ler Machado de Assis em portugu\u00eas e Nietzsche em alem\u00e3o, muitas das sutilezas de l\u00ednguas complexas como essas duas n\u00e3o funcionam perfeitamente em uma t\u00e3o &#8220;pr\u00e1tica&#8221; como a inglesa, mas por isso mesmo o material traduzido para ingl\u00eas acaba tendo um ponto forte: N\u00e3o d\u00e1 para trocar uma sacada liter\u00e1ria por outra t\u00e3o f\u00e1cil, tem que explicar &#8220;desenhando&#8221; muitas vezes.<\/p>\n<p>Em l\u00ednguas mais rebuscadas, os tradutores tem muita licen\u00e7a po\u00e9tica. Se isso por vezes consegue compensar o brilhantismo do original, tamb\u00e9m cria uma substitui\u00e7\u00e3o que altera um pouco o conte\u00fado e os significados das palavras, frases e ideias da vers\u00e3o original. N\u00e3o sei se chega a ser exatamente um elemento decisivo em prol do ingl\u00eas, mas acho importante defender logo de cara que n\u00e3o existe um &#8220;emburrecimento obrigat\u00f3rio&#8221; de conte\u00fado original de outras l\u00ednguas s\u00f3 porque a l\u00edngua inglesa \u00e9 um pouco mais literal. Compensa-se de outras formas.<\/p>\n<p>Tem muita cultura de qualidade aguardando quem estiver disposto a domar o ingl\u00eas na maioria de suas nuances e peculiaridades. A internet \u00e9 respons\u00e1vel direta por essa explos\u00e3o de relev\u00e2ncia da l\u00edngua, como as pessoas que falam ingl\u00eas injetaram na rede boa parte do seu conte\u00fado atual, \u00e9 de se esperar que o fil\u00e9 dessa produ\u00e7\u00e3o intelectual humana dispon\u00edvel a um clique de dist\u00e2ncia esteja primariamente em ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Honestamente: Voc\u00ea ainda n\u00e3o tem NO\u00c7\u00c3O do tamanho da internet se n\u00e3o conseguir ler ingl\u00eas com naturalidade parecida com a que o faz na sua l\u00edngua natal. Num exemplo simples, basta comparar o tamanho dos artigos da Wikipedia em portugu\u00eas e ingl\u00eas, a profundidade das informa\u00e7\u00f5es e a tonelada de links a mais (exce\u00e7\u00e3o, \u00e9 claro, para o conte\u00fado relevante apenas para um pa\u00eds ou l\u00edngua).<\/p>\n<p>Depender de tradu\u00e7\u00e3o, legendas ou dublagem limita demais a quantidade de informa\u00e7\u00f5es que voc\u00ea consegue absorver numa navegada qualquer. E eu n\u00e3o estou atirando no p\u00e9: Tem sim muita coisa interessante e bem feita em portugu\u00eas, espanhol, franc\u00eas e tantas outras l\u00ednguas na rede, mas se for para comparar&#8230; Muito por isso eu fico incomodado quando tratam essa transforma\u00e7\u00e3o do ingl\u00eas em l\u00edngua padr\u00e3o da web como uma forma de coloniza\u00e7\u00e3o moderna. N\u00e3o se trata apenas da l\u00edngua natal de quem acessa, e sim da l\u00edngua na qual a maior parte do conte\u00fado &#8220;substancioso&#8221; est\u00e1.<\/p>\n<p>Perdoem-me os puristas, mas tem mais hist\u00f3ria, cultura e conhecimento humano na internet do que fora dela atualmente. Recentemente um site independente chamado Internet Archive (que&#8230; pasmem, arquiva a internet) alcan\u00e7ou a marca de 10 petabytes de dados armazenados em seus servidores. Mais ou menos metade de toda a produ\u00e7\u00e3o intelectual humana dispon\u00edvel&#8230; Para quem quiser acessar. Em apenas UM site. N\u00e3o estou falando de postagens de Facebook, estou falando de manuais, livros e produ\u00e7\u00e3o cultural com um padr\u00e3o de qualidade m\u00ednimo em geral.<\/p>\n<p>Qual voc\u00eas acham que a l\u00edngua prim\u00e1ria desse conte\u00fado? N\u00e3o seria um problema se tudo estivesse em portugu\u00eas, \u00e9 uma l\u00edngua t\u00e3o boa (e em v\u00e1rios casos at\u00e9 melhor) quanto as outras. Mas o ingl\u00eas chegou primeiro. N\u00e3o \u00e9 nem que a internet n\u00e3o gosta de outras l\u00ednguas, \u00e9 que boa parte do material est\u00e1 sendo divulgado e arquivado em ingl\u00eas. Daria trabalho demais traduzir tudo para acomodar outras.<\/p>\n<p>E olha que eu nem estou focando apenas em cl\u00e1ssicos e conhecimento universal, estou falando tamb\u00e9m da grande produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado espec\u00edfico e recente em l\u00edngua inglesa. Desde manuais sobre linguagens de programa\u00e7\u00e3o at\u00e9 shows de stand-up, tem MUITA coisa interessante pipocando diariamente na rede em ingl\u00eas. E principalmente no caso de material original de pa\u00edses que falam essa l\u00edngua, faz muita diferen\u00e7a entender significados, express\u00f5es e contextos.<\/p>\n<p>O ideal seria aprender umas vinte l\u00ednguas diferentes para mergulhar nessa orgia de informa\u00e7\u00e3o que \u00e9 o mundo moderno, mas se voc\u00ea tiver que concentrar esfor\u00e7os em apenas uma (al\u00e9m da sua natal), com certeza a mais recompensadora \u00e9 a inglesa. Esse preconceito latino-americano contra o que vem do Tio Sam at\u00e9 tem suas ra\u00edzes em escrotices que eles fizeram e fazem na sua sanha imperialista, mas \u00e9 um exerc\u00edcio f\u00fatil de auto limita\u00e7\u00e3o intelectual.<\/p>\n<p>Limita\u00e7\u00e3o que aumenta exponencialmente com o passar dos anos. Quanto mais tempo passa, mais material de qualidade \u00e9 perdido por quem trata a l\u00edngua inglesa como enfeite de curr\u00edculo ou mesmo se recusa a aprend\u00ea-la. N\u00e3o basta saber traduzir muitas palavras, tem que ficar fluente no M\u00cdNIMO para ler. Flu\u00eancia \u00e9 ler em ingl\u00eas direto, sem precisar ficar traduzindo mentalmente no meio do caminho. Se voc\u00ea ainda est\u00e1 preso nessa etapa, esforce-se para passar dela o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, porque voc\u00ea \u00e9 um analfabeto funcional em ingl\u00eas e vai aproveitar muito pouco desse imenso potencial de aprendizado.<\/p>\n<p>Como muitos brasileiros parecem n\u00e3o dar a m\u00ednima para essa &#8220;qualifica\u00e7\u00e3o intelectual da vida moderna&#8221;, n\u00e3o \u00e9 incomum que estrangeiros (e n\u00e3o s\u00f3 os que nasceram onde se fala ingl\u00eas) tenham grande preconceito contra quem se diz brasileiro na internet. J\u00e1 bati nesse ponto in\u00fameras vezes, nem vou estender demais, mas o cerne da quest\u00e3o \u00e9 que do ponto de vista deles, brasileiros parecem retardados. Normalmente n\u00e3o se comunicam de forma intelig\u00edvel, e quando o fazem est\u00e3o limitados por esse analfabetismo funcional do pouco dom\u00ednio da l\u00edngua inglesa. Refor\u00e7a-se o estere\u00f3tipo de macaquito.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o fosse tanta gente razoavelmente mais bem estudada perpetuando essa arrog\u00e2ncia de que o brasileiro pode se virar muito bem apenas com a produ\u00e7\u00e3o intelectual em portugu\u00eas (do Brasil, porque quero ver ler &#8220;um par\u00e1grafo&#8221; do Saramago), talvez levasse-se mais a s\u00e9rio a NECESSIDADE de adicionar o ingl\u00eas como l\u00edngua fluente para as novas gera\u00e7\u00f5es. Esse protecionismo cultural s\u00f3 fere a liberdade de aprendizado das pessoas.<\/p>\n<p>Esque\u00e7a a ideia de que ind\u00fastria cultural &#8220;em ingl\u00eas&#8221; \u00e9 s\u00f3 hit musical de r\u00e1dio e s\u00e9rie de TV, \u00e9 basicamente todo o conte\u00fado produzido no mundo, do mais chucro ao mais erudito, com tons e sensos de humor muito diferentes dos que se recebe apenas esperando material dublado. Vai depender de algu\u00e9m achar um material lucrativo para o mercado brasileiro para consumir cultura? Evidente que vai vir muito mais porcaria do que qualidade, pov\u00e3o \u00e9 pov\u00e3o em todos os cantos do mundo. O que vende mais por l\u00e1 vem pra c\u00e1. N\u00e3o \u00e9 motivo para desdenhar da l\u00edngua inglesa em geral.<\/p>\n<p>Seria mais ou menos como um estrangeiro dizer que n\u00e3o vai aprender portugu\u00eas porque n\u00e3o se interessa pelo o que est\u00e3o dizendo num v\u00eddeo de funk qualquer. Nenhuma pessoa com mais de dois neur\u00f4nios se interessa! Conte\u00fado fuleiro tem em todas as l\u00ednguas. Jamais se paute por ele.<\/p>\n<p>Deixemos os babacas do departamento pessoal das empresas se preocupar com a relev\u00e2ncia da l\u00edngua inglesa nas profiss\u00f5es. Aprender ingl\u00eas vem com um ganho cultural imenso se voc\u00ea n\u00e3o resolver &#8220;enfiar dobrado&#8221; e s\u00f3 entender o b\u00e1sico. Aproveite essa oportunidade incr\u00edvel da sociedade moderna&#8230; A era da informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a\u00ed, talvez no seu auge, dando oportunidades de aperfei\u00e7oamento intelectual e divers\u00e3o (por que n\u00e3o?) para quem estiver disposto a correr atr\u00e1s dela.<\/p>\n<p>NADA vai te abrir tantas portas culturais quanto o dom\u00ednio da l\u00edngua inglesa. Manda um &#8220;<em>fuck off!<\/em>&#8221; para o pr\u00f3ximo intelectualzinho que te disser que isso \u00e9 coisa de colonizado e que a l\u00edngua portuguesa \u00e9 muito melhor. Est\u00e3o usando verdades para contar uma mentira. \u00c9 sim aceitar a coloniza\u00e7\u00e3o cultural, a l\u00edngua portuguesa \u00e9 sim bel\u00edssima, mas voc\u00ea n\u00e3o ganha porra nenhuma espezinhando o idioma mais \u00fatil nesses dias de internet.<\/p>\n<p>E quando voc\u00ea finalmente entender o que pessoas brilhantes est\u00e3o dizendo em ingl\u00eas, vai perceber que h\u00e1 sim muita vida inteligente se comunicando dessa forma. E n\u00e3o adianta ficar s\u00f3 estudando gram\u00e1tica, te ajuda a parecer menos retardado falando e escrevendo, mas TEM que ler e ouvir muita coisa para descobrir como consumir esse monte de conte\u00fado faz diferen\u00e7a na vida sim. Desligue a legenda, escute o \u00e1udio original. Pesquise em ingl\u00eas, leia sem tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica. Demora um pouco, mas funciona.<\/p>\n<p>N\u00e3o feche essa porta, ou voc\u00ea nunca vai entender porque fechar essa porta vai te limitar.<\/p>\n<h3>Para dizer que eu estou sendo pago pelos imperialistas, para dizer que ot\u00e1rio sou eu que n\u00e3o sei baixar s\u00e9rie dublada ou legendada, ou mesmo para dizer que a l\u00edngua mais falada do mundo n\u00e3o \u00e9 ingl\u00eas (pense nisso com calma e perceba por que n\u00e3o \u00e9 um argumento contra o ponto do meu texto): <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje acordei colonizado. Muito se fala sobre as benesses do aprendizado da l\u00edngua inglesa para sua vida profissional, como se a l\u00edngua de Shakespeare fosse mera ferramenta num mercado de trabalho cada vez mais exigente. 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