{"id":4991,"date":"2013-07-17T06:00:08","date_gmt":"2013-07-17T09:00:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=4991"},"modified":"2013-07-17T05:15:04","modified_gmt":"2013-07-17T08:15:04","slug":"somir-surtado-abundancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2013\/07\/somir-surtado-abundancia\/","title":{"rendered":"Somir Surtado: Abund\u00e2ncia."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4992\" alt=\"sosur-abundancia\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/sosur-abundancia.jpg\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/sosur-abundancia.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/sosur-abundancia-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Ainda estou de ressaca da terr\u00edvel Semana Sim Senhora: Vou escrever um texto curto, confuso e pretensioso que provavelmente n\u00e3o interessar\u00e1 a maioria de voc\u00eas. Cada um lida da sua forma&#8230; A humanidade est\u00e1 caminhando para uma era de abund\u00e2ncia de recursos, e que provavelmente vai chegar cedo demais.<!--more--><\/p>\n<p>J\u00e1 escrevi sobre impressoras 3D e o que elas ainda v\u00e3o fazer pela economia global. O &#8220;efeito MP3&#8221; (distribui\u00e7\u00e3o digital) que virou de ponta cabe\u00e7a a ind\u00fastria da m\u00fasica e mais recentemente a de filmes e programas de TV vai chegar no resto do mercado de consumo, nas suas mais diversas formas. Quanto mais baratas e vers\u00e1teis, mais v\u00e3o cair no gosto popular. Quanto mais populares, menor a depend\u00eancia de terceiros para produzir e distribuir produtos de consumo di\u00e1rio. Economia &#8220;normal&#8221; de ponta cabe\u00e7a. Se ainda acham que eu estou exagerando na futurologia, sem problemas: Tecnologia avan\u00e7a apesar de opini\u00f5es. Vai acontecer.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o falo apenas de equipamentos e pe\u00e7as pl\u00e1sticas. Embora BEM mais distante no horizonte, coisas como roupas, produtos de higiene, rem\u00e9dios e at\u00e9 comida poder\u00e3o ser sintetizadas no conforto do seu lar. Claro, fala-se disso h\u00e1 muito tempo, por exemplo: Winston Churchill escreveu sobre criar-se apenas peitos e coxas de galinha ao inv\u00e9s do desperd\u00edcio de criar todo o animal. Isso em 1932! A diferen\u00e7a \u00e9 que naquela \u00e9poca ainda n\u00e3o conseguiam nem pensar em como colocar isso em pr\u00e1tica. Cientistas atuais j\u00e1 conseguem, evidente que n\u00e3o em larga escala e n\u00e3o de uma impressora 3D, mas j\u00e1 existe um elemento menos &#8220;ficcional&#8221; nessa ci\u00eancia predita.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea souber prestar aten\u00e7\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica atual est\u00e1 dando grandes passos para essa nem t\u00e3o mais ut\u00f3pica sociedade onde escassez n\u00e3o vai ser mais o problema. Onde n\u00e3o seria um problema &#8220;imprimir&#8221; um jantar gourmet de alt\u00edssimo padr\u00e3o para um mendigo qualquer&#8230; Rearranjando \u00e1tomos at\u00e9 mesmo de lixo! Usar uma pasta base de algo parecido com c\u00e9lulas tronco &#8211; por\u00e9m sint\u00e9ticas &#8211; para crescer de volta aquele bra\u00e7o perdido num acidente de carro. Sintetizar p\u00edlulas de nano-rob\u00f4s biol\u00f3gicos para tratar aquele c\u00e2ncer chato que amea\u00e7a estragar suas f\u00e9rias&#8230;<\/p>\n<p>E quando escrevo esses &#8220;sonhos&#8221;, favor entend\u00ea-los mais ou menos como uma pessoa sonhando com as aplica\u00e7\u00f5es do rec\u00e9m-inventado r\u00e1dio na comunica\u00e7\u00e3o mundial. Algum maluco j\u00e1 estava pensando em enviar imagem junto com o som muito antes da TV. E esse pensamento estava fortemente baseado nas tecnologias em desenvolvimento naquela \u00e9poca. Essa ideia de sociedade &#8220;abundante&#8221; n\u00e3o \u00e9 pura fantasia, parece mais um desdobramento natural do que se descobre, pesquisa e revisa nos dias atuais.<\/p>\n<p>At\u00e9 diria que podem me cobrar, mas provavelmente nem veremos algo assim em nossas vidas. Ningu\u00e9m pode garantir, mas parecem coisas para mais algumas d\u00e9cadas (e n\u00e3o s\u00e9culos, pessimistas). Ah, e se voc\u00ea acha que por isso n\u00e3o tem a menor utilidade pensar no assunto&#8230; direito seu. Mas voc\u00ea est\u00e1 lendo o texto errado, caso ainda n\u00e3o tenha percebido. De qualquer forma&#8230; Essa \u00e9 a sociedade que est\u00e1 se desenhando para n\u00f3s no futuro.<\/p>\n<p>E n\u00e3o consigo deixar de achar que n\u00e3o importa o quanto ela demore para se realizar, ainda vai ser cedo demais. A humanidade gira ao redor do conceito de escassez: As pessoas querem mais, e querem seguran\u00e7a na manuten\u00e7\u00e3o desses recursos. Vende-se produtos, servi\u00e7os e ideias baseadas nessa inseguran\u00e7a instintiva sobre o dia de amanh\u00e3. Na verdade, a maioria absoluta das pessoas nesse mundo se valoriza de acordo com sua capacidade de enfrentar a escassez. Provedores no sentido estrito da palavra e provedores de conforto sobre a incerteza de se ter o necess\u00e1rio s\u00e3o elevados ao status de l\u00edderes entre o resto do povo. Far\u00f3is de realiza\u00e7\u00e3o pessoal num escuro mar de inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p>E como tudo o que se valoriza nessa vida, essas pessoas especiais tamb\u00e9m s\u00e3o escassas. Se todos fossem ricos, ser rico perderia muito da gra\u00e7a. Se n\u00e3o te faltasse nada, o que voc\u00ea valorizaria? Amor? Bom, a\u00ed a tecnologia tamb\u00e9m parece que vai pregar uma pe\u00e7a no &#8220;modus operandi&#8221; das aspira\u00e7\u00f5es humanas: A quantidade de pessoas que J\u00c1 debandaram de rela\u00e7\u00f5es humanas para ficcionais assustaria muitos de voc\u00eas. Claro, como sempre, os apressados comem cru&#8230; Intelig\u00eancia artificial e companhia sensorial sint\u00e9tica ainda est\u00e3o engatinhando. Pesquisas recentes j\u00e1 compararam uma das mais avan\u00e7adas intelig\u00eancias artificiais do mundo com uma crian\u00e7a de quatro anos.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 como se f\u00f4ssemos fechar o escrit\u00f3rio de patentes. Computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica est\u00e1 chegando, ainda mais com transistores que reconhecem f\u00f3tons \u00fanicos e nanotecnologia baseada em grafeno J\u00c1 em produ\u00e7\u00e3o. Vai chegar. E quando chegar no ponto onde um computador conseguir emular a intelig\u00eancia e maturidade adolescente m\u00e9dia de grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial em idade reprodutiva, come\u00e7a a abund\u00e2ncia de op\u00e7\u00f5es para os exclu\u00eddos do jogo da conquista. Humanos v\u00e3o dar mais trabalho e oferecer menos recompensas.<\/p>\n<p>Amor poder\u00e1 ser comprado na loja. Lembrem-se que essa \u00e9 uma experi\u00eancia muito rasa e idealizada para grande parte das pessoas; falar sobre amor &#8220;de verdade&#8221; incorre numa das fal\u00e1cias cl\u00e1ssicas (escoc\u00eas de verdade), na pr\u00e1tica as pessoas escolhem mais ou menos o que acham que \u00e9 o sentimento e vivenciam-no de acordo com essas expectativas. A escassez de bons partidos vai acabar: Bastaria criar uma personalidade compat\u00edvel (spoiler: 99% v\u00e3o ser servis) e coloc\u00e1-la num corpo atraente (que inclusive poder\u00e1 ser trocado quando se quiser) e pronto! O resto a imagina\u00e7\u00e3o humana \u00e9 capaz de produzir.<\/p>\n<p>Ok, essa an\u00e1lise rob\u00f3tica sobre sentimentos ainda pode ser uma rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica \u00e0s babaquices que tive que escrever recentemente. Mas h\u00e1 um fundo de verdade aqui que me leva \u00e0 an\u00e1lise central deste texto: Quando a escassez de recursos se tornar passado e a escassez de rela\u00e7\u00f5es emocionais e f\u00edsicas compat\u00edveis idem, vai valorizar o qu\u00ea? Esse \u00e9 um problema s\u00e9rio para a humanidade, e nem precisamos viajar tanto para o futuro.<\/p>\n<p>Os ricos e famosos dos dias atuais s\u00e3o exemplos claros de que qualquer desconex\u00e3o com o instinto de sobreviv\u00eancia e reprodu\u00e7\u00e3o mais b\u00e1sicos bagun\u00e7a a cabe\u00e7a de uma pessoa. N\u00e3o que eu esteja dando chancela para aquela estupidez de &#8220;rico n\u00e3o \u00e9 feliz&#8221;, mas \u00e9 neles que podemos enxergar casos claros de como \u00e9 um problema n\u00e3o ter um plano para a abund\u00e2ncia. Se ela chega, seja por riqueza ou por provid\u00eancia alheia, a pessoa precisa conseguir se enxergar al\u00e9m do processo de ac\u00famulo e manuten\u00e7\u00e3o de riquezas e rela\u00e7\u00f5es interpessoais.<\/p>\n<p>Ela precisa saber o que fazer al\u00e9m da escassez. Pior: Ela precisa saber quem \u00c9 al\u00e9m da escassez. Quantos babacas ricos e famosos j\u00e1 n\u00e3o se mataram (consciente ou inconscientemente) por falta de capacidade de lidar com sua situa\u00e7\u00e3o vantajosa? Elas provavelmente n\u00e3o eram nada al\u00e9m do rato correndo atr\u00e1s do queijo em um labirinto. A conquista assusta porque exige novos planos, a maioria deles dif\u00edceis de se imaginar quando tudo o que se v\u00ea na frente \u00e9 a aspira\u00e7\u00e3o pela abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Um dia a subsist\u00eancia vai ficar obsoleta. E isso \u00e9 assustador. Talvez sejamos liberados pela express\u00e3o art\u00edstica e pela curiosidade cient\u00edfica, talvez sejamos protegidos pela ignor\u00e2ncia e pela ostenta\u00e7\u00e3o. Muito embora j\u00e1 tenhamos v\u00e1rios exemplos de qual \u00e9 o caminho predileto da humanidade&#8230;<\/p>\n<h3>Para dizer que n\u00e3o entendeu nada, para dizer que entendeu mas concordou com a primeira frase do texto, ou mesmo para dizer que o problema da abund\u00e2ncia \u00e9 um com o qual voc\u00ea lidaria com prazer: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda estou de ressaca da terr\u00edvel Semana Sim Senhora: Vou escrever um texto curto, confuso e pretensioso que provavelmente n\u00e3o interessar\u00e1 a maioria de voc\u00eas. 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