{"id":50,"date":"2011-10-26T06:50:00","date_gmt":"2011-10-26T08:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=50"},"modified":"2011-11-22T11:14:57","modified_gmt":"2011-11-22T13:14:57","slug":"somir-surtado-deblur","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2011\/10\/somir-surtado-deblur\/","title":{"rendered":"Somir Surtado: Deblur."},"content":{"rendered":"<p><object height=\"335\" width=\"600\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Q10kwKm77RY?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0\"><\/param><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Q10kwKm77RY?version=3&amp;hl=pt_BR&amp;rel=0\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"600\" height=\"335\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\"><\/embed><\/object><\/p>\n<div style=\"background-color: #cc0000; color: white;\"><span style=\"color: #cc0000;\">_<\/span>Escala de nerdice: Absurda, sua vida sexual futura corre risco.<\/div>\n<p>Para quem n\u00e3o entende nada de ingl\u00eas, ou de softwares, ou de fotos em geral, o v\u00eddeo apresentava uma poss\u00edvel fun\u00e7\u00e3o da nova edi\u00e7\u00e3o do Photoshop: Corrigir fotos tremidas\/borradas.<\/p>\n<p>Para quem nunca se interessou por edi\u00e7\u00e3o de imagens, \u00e9 necess\u00e1rio definir que um usu\u00e1rio experiente de Photoshop pode corrigir basicamente qualquer besteira do fot\u00f3grafo original no programa, mas essa de pegar uma foto que alguma anta qualquer tirou enquanto fazia sua melhor imita\u00e7\u00e3o de Michael J. Fox e transform\u00e1-la em algo aproveit\u00e1vel era o calcanhar de Aquiles de praticamente todos os profissionais da \u00e1rea.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa quanto te pagassem para resolver uma foto com esse problema, n\u00e3o era nem razo\u00e1vel imaginar que poderia ser feito. Tinha que mandar tirar a foto de novo ou desistir de utiliz\u00e1-la. Mas o que esse adendo futuro do programa faz \u00e9 impressionante: Ele tenta descobrir o &#8220;caminho&#8221; que as m\u00e3os vacilantes do fot\u00f3grafo fizeram durante a captura da imagem, e for\u00e7a cada um dos pontos de luz fotografados voltarem para o lugar certo.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 edi\u00e7\u00e3o pixel a pixel, refazer toda a imagem a partir praticamente do zero&#8230; Algo que foge, e muito, do escopo de talento humano (pr\u00e1tico). Aparentemente (e obviamente n\u00e3o dariam a receita do bolo completo) \u00e9 um algoritmo complexo, algo cada vez mais comum em nossa sociedade.<\/p>\n<p>E n\u00e3o, do ponto de vista profissional, eu n\u00e3o acho nada de mais nessa nova fun\u00e7\u00e3o. Quem trabalha com isso n\u00e3o costuma precisar consertar foto tirada por algu\u00e9m que balan\u00e7a a c\u00e2mera (ou que tem uma c\u00e2mera que estraga foto se balan\u00e7ar um pouco&#8230;). Os profissionais v\u00e3o continuar diminuindo cinturas e aumentando peitos para fazer mulheres se sentirem mal com seus corpos, como habitual. Vai ser o Z\u00e9 Ruela das fotos das f\u00e9rias que vai deitar e rolar com isso.<\/p>\n<p>Mas do ponto de vista de entusiasta dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, \u00e9 fascinante como cada vez mais parece que estamos chegando perto de uma singularidade. J\u00e1 fiz um <a href=\"http:\/\/blog.desfavor.com\/2010\/11\/somir-surtado-singularidade-tecnologica.html\">texto falando sobre singularidades<\/a>, mas numa explica\u00e7\u00e3o simplificada: A singularidade (nesse caso tecnol\u00f3gica) \u00e9 um ponto no tempo onde nosso conhecimento cresce exponencialmente. N\u00e3o d\u00e1 para prever de verdade o que vai acontecer depois desse ponto.<\/p>\n<p>Um dos cen\u00e1rios cl\u00e1ssicos para essa singularidade \u00e9 a intelig\u00eancia artificial capaz de criar intelig\u00eancia artificial. Sabemos como programamos um rob\u00f4, mas \u00e9 muito dif\u00edcil saber como esse rob\u00f4 vai programar o rob\u00f4 que criar. E antes de ter tempo de entender como isso ocorreu, surge a terceira gera\u00e7\u00e3o, ainda mais avan\u00e7ada e distante de nossas ideias originais. \u00c9 roteiro de muito filme de futuro apocal\u00edptico, mas \u00e9 duro de prever se isso realmente ocorreria. Se eu fosse um rob\u00f4, eu cagaria baldes (de porcas e parafusos) para a humanidade e iria colonizar o resto do Sistema Solar&#8230;<\/p>\n<p>Ahem&#8230; De qualquer forma: Estou com esse papo de singularidade num texto que come\u00e7ou com um plugin do Photoshop n\u00e3o porque acho que a capacidade de &#8220;desborrar&#8221; fotos nos leve a algum lugar por si s\u00f3, mas a explica\u00e7\u00e3o &#8220;padr\u00e3o&#8221; dos engenheiros que o criaram d\u00e1 sim algumas pistas sobre o que est\u00e1 ocorrendo debaixo de nossos narizes no mundo da tecnologia: Algoritmos.<\/p>\n<p>Algoritmo nada mais \u00e9 do que um conjunto de instru\u00e7\u00f5es que podem ser realizadas (e repetidas se necess\u00e1rio). Quando voc\u00ea clica no bot\u00e3o de pesquisa do Google, ele liga um algoritmo que procura &#8220;Jos\u00e9 Mayer de Sunga&#8221; (voc\u00eas acham que eu n\u00e3o sei o que voc\u00eas iriam procurar?) nas p\u00e1ginas da internet. Se achar (provavelmente s\u00f3 no Desfavor), escreve na sua tela o link para que voc\u00ea possa ficar horrorizado tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Simpl\u00e3o: Pegue uma informa\u00e7\u00e3o, compare com uma lista e escreva na tela do computador o que for parecido. S\u00e9rie de ordens com come\u00e7o, meio e fim.<\/p>\n<p>Todos os programas de computador s\u00e3o algoritmos, portanto n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar como eles s\u00e3o presentes na nossa vida. Mas a coisa vai bem mais fundo do que achar baixaria na internet. Dos servi\u00e7os mais b\u00e1sicos e estruturais da nossa sociedade at\u00e9 as maiores futilidades, existem computadores tomando decis\u00f5es baseadas nesses algoritmos a cada microssegundo de nossas atribuladas vidas.<\/p>\n<p>O interessante aqui (interessante e n\u00e3o assustador, por favor) \u00e9 que j\u00e1 estamos caminhando para que a maioria dessas decis\u00f5es feitas por m\u00e1quinas sejam complexas demais para qualquer mente humana. N\u00e3o \u00e9 complicado substituir por uma pessoa o computador que decide se uma comporta de uma represa est\u00e1 aberta ou fechada, mas quero s\u00f3 ver substituir um que teste a qualidade da \u00e1gua a cada 5 segundos&#8230;<\/p>\n<p>Um algoritmo pode comportar uma quantidade absurda de informa\u00e7\u00e3o, numa frequ\u00eancia imposs\u00edvel para qualquer pessoa. Quando precisamos da combina\u00e7\u00e3o desses dois fatores, rendemos as decis\u00f5es (pr\u00e9-definidas por quem o criou em primeiro lugar) aos algoritmos. O avan\u00e7o da sociedade depende disso, criamos muitas necessidades modernas (a internet como exemplo perfeito) baseadas nessa ferramenta. Sem m\u00e1quinas e algoritmos, n\u00e3o existiria m\u00e3o-de-obra capaz de repetir essa maluquice de enviar zeros e uns pelo mundo todo quase que em tempo real.<\/p>\n<p>Mas essa \u00e9 a parte simples da coisa: De uma certa forma, sabemos o que esses algoritmos est\u00e3o fazendo. N\u00e3o conseguimos acompanhar a complexidade e a velocidade, mas n\u00e3o \u00e9 como se eles estivessem fazendo algo pelas nossas costas, certo? Bom&#8230; alguns deles meio que j\u00e1 tomaram vida pr\u00f3pria. E eles calham de ser algoritmos que influenciam demais a vida das pessoas do mundo.<\/p>\n<p>No mercado de commodities (gr\u00e3os, carne, minerais, petr\u00f3leo e essas coisas que se vende em grande quantidade para o mundo todo), n\u00e3o \u00e9 exatamente a proced\u00eancia e a marca dos produtos que define a compra. \u00c9 a quantidade e o pre\u00e7o. Soja \u00e9 soja, min\u00e9rio de ferro \u00e9 min\u00e9rio de ferro&#8230; A pessoa precisa de uma quantidade e est\u00e1 disposta a pagar um pre\u00e7o por isso.<\/p>\n<p>P.S.: Sim, eu comecei falando de Photoshop e estou falando de mercado de commodities para explicar algoritmos, j\u00e1 disse que adoro escrever esse tipo de texto?<\/p>\n<p>As empresas que trabalham nesses mercados (e pode botar no mesmo barco as que trabalham com a\u00e7\u00f5es) n\u00e3o contratam milhares de corretores alucinados para ficar ca\u00e7ando diferen\u00e7as de pre\u00e7o da ordem de casas decimais de centavo, elas botam computadores parrudos com um programinha que procura oportunidades lucrativas na maior velocidade poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Esses programas (algoritmos) compram e vendem SOZINHOS. Se eles esperassem algum Z\u00e9 Ruela apertar &#8220;OK&#8221;, n\u00e3o teria um mil\u00e9simo da efici\u00eancia que tem. Os algoritmos conseguem analisar m\u00faltiplas possibilidades, decidir qual vale mais a pena e colocar a ordem de compra ou venda milhares de vezes no tempo de resposta m\u00e9dio de uma pessoa. \u00c9 mais lucrativo deixar a m\u00e1quina fazer o trabalho. Mas ao mesmo tempo, \u00e9 como se as pessoas que colocaram o dinheiro ao dispor do programa s\u00f3 pudessem cruzar os dedos e torcer pelo melhor.<\/p>\n<p>Algoritmos decidem o funcionamento do mercado que regula disponibilidade e pre\u00e7os dos blocos b\u00e1sicos que fundamentam a nossa sociedade: Comida, combust\u00edvel e materiais de constru\u00e7\u00e3o. E isso j\u00e1 est\u00e3o t\u00e3o &#8220;entregue&#8221; que a guerra entre as grandes empresas trabalhando no mercado \u00e9 para ter a internet mais r\u00e1pida. E eu n\u00e3o estou falando de &#8220;tamanho&#8221; de conex\u00e3o, todas tem a melhor que o dinheiro pode comprar.<\/p>\n<p>Estou mencionando o tempo que demora para a informa\u00e7\u00e3o passar pelo cabo da internet at\u00e9 o computador. Em Nova Iorque, um dos pr\u00e9dios mais caros (metro quadrado) da cidade \u00e9 justamente o que &#8220;recebe&#8221; a internet. Os cabos vindos do mundo todo se concentram num lugar, que redistribui o sinal para a cidade. Estar fisicamente perto desse lugar n\u00e3o faz tanta diferen\u00e7a assim para um humano usando a rede, mas os microssegundos a menos para receber a informa\u00e7\u00e3o podem significar milh\u00f5es e milh\u00f5es de d\u00f3lares para um algoritmo. As empresas donas dos algoritmos est\u00e3o comprando o pr\u00e9dio todo, s\u00f3 para poder colocar suas m\u00e1quinas l\u00e1 dentro.<\/p>\n<p>Serve como curiosidade, mas \u00e9 tamb\u00e9m um sinal de como j\u00e1 estamos adaptando nossa filosofia de vida e neg\u00f3cios para a melhor utiliza\u00e7\u00e3o desses algoritmos. Necessidades absolutamente malucas h\u00e1 algumas d\u00e9cadas (ganhar fra\u00e7\u00f5es de segundo num programa de computador que toma decis\u00f5es sozinho sob o risco de fal\u00eancia) s\u00e3o s\u00e9rias nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Fica mais e mais claro com o passar do tempo que delegar o racioc\u00ednio e o armazenamento de informa\u00e7\u00f5es para as m\u00e1quinas \u00e9 uma medida de evolu\u00e7\u00e3o humana. O processador n\u00e3o fica remoendo o fora que levou na noite passada&#8230; Ele que se vire com trabalho repetitivo e micro-decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas numa humanidade que parece cada vez mais especializada em imitar o funcionamento de uma m\u00e1quina, simplificando demais a comunica\u00e7\u00e3o (td e vc?), homogeneizando a criatividade (minha empresa \u00e9 mais sustent\u00e1vel) e sobrecarregando a percep\u00e7\u00e3o (informa\u00e7\u00e3o em tempo real sobre qualquer futilidade imagin\u00e1vel); parece um belo de um tiro no p\u00e9 correr na MESMA dire\u00e7\u00e3o que os algoritmos. Eles v\u00e3o ser melhores no que estamos tentando ser do que n\u00f3s jamais conseguiremos.<\/p>\n<p>Os algoritmos ainda n\u00e3o conseguem &#8220;criar&#8221; da mesma forma que n\u00f3s, mas pode ter certeza que metade dos estudiosos do assunto est\u00e3o doidos para faz\u00ea-los chegar a esse ponto. Parece que as coisas est\u00e3o invertidas. Mais e mais pessoas deveriam ser treinadas para criar e aperfei\u00e7oar algoritmos, e n\u00e3o para ficar pentelhando no meio do caminho tentando fazer as mesmas coisas.<\/p>\n<p>Vi em alguns f\u00f3runs e em alguns coment\u00e1rios do v\u00eddeo, designers e fot\u00f3grafos reclamando que a partir de agora qualquer um pode tirar fotos decentes, e que isso vai diluir mais ainda a qualidade do material disponibilizado na internet. O que mais me impressiona nessa turma (e em cada avan\u00e7o no mercado, sempre aparece essa turma) \u00e9 que ningu\u00e9m parece entender que o trabalho do filtro que tira o tremido de uma foto \u00e9 uma MERDA de um trabalho que nenhum ser humano que se respeite teria vontade de fazer.<\/p>\n<p>Fotografar bem e editar direito depende de talento e criatividade, corrigir borrado depende de esfor\u00e7o repetitivo numa tarefa praticamente imposs\u00edvel de entender para uma mente humana. Porra, \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil assim entender em que lado \u00e9 melhor estar? N\u00e3o seja um algoritmo, voc\u00ea vai ser p\u00e9ssimo nisso.<\/p>\n<h3>Para dizer que leu o texto, buscou na sua lista de opini\u00f5es pr\u00e9-definidas alguma rela\u00e7\u00e3o ou conflito, e depois exibiu na tela de coment\u00e1rios o resultado da pesquisa, apenas para repetir tudo de novo no dia seguinte: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>_Escala de nerdice: Absurda, sua vida sexual futura corre risco. Para quem n\u00e3o entende nada de ingl\u00eas, ou de softwares, ou de fotos em geral, o v\u00eddeo apresentava uma poss\u00edvel fun\u00e7\u00e3o da nova edi\u00e7\u00e3o do Photoshop: Corrigir fotos tremidas\/borradas. 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