{"id":5191,"date":"2013-08-15T06:00:00","date_gmt":"2013-08-15T09:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=5191"},"modified":"2013-08-15T05:26:57","modified_gmt":"2013-08-15T08:26:57","slug":"somir-surtado-relativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2013\/08\/somir-surtado-relativo\/","title":{"rendered":"Somir Surtado: Relativo."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5192\" alt=\"sosur-relativo\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/sosur-relativo.jpg\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/sosur-relativo.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/sosur-relativo-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Tudo \u00e9 relativo. Ou n\u00e3o. Independentemente disso, eu tenho uma teoria: Quase todos os mist\u00e9rios e desaven\u00e7as dessa vida est\u00e3o diretamente relacionados \u00e0 pouca compreens\u00e3o desse conceito de relativo. N\u00e3o existem certezas absolutas ou provas irrefut\u00e1veis, s\u00e3o todas constru\u00e7\u00f5es da mente humana e sempre v\u00e3o ser. Ou n\u00e3o. E sim, o texto vai continuar assim por mais algumas p\u00e1ginas&#8230; Boa sorte para quem clicar em<!--more--> continuar lendo.<\/p>\n<p>O primeiro par\u00e1grafo foi intencionalmente confuso, para definir o tom &#8220;epif\u00e2nia de maconheiro&#8221; que normalmente acompanha ideias desse tipo. Mesmo me esfor\u00e7ando para n\u00e3o soar como um pretensioso fil\u00f3sofo de internet, \u00e9 meio que inevit\u00e1vel quando se trata de conceitos t\u00e3o abstratos. Ent\u00e3o, permitam-me essa indulg\u00eancia intelectual\u00f3ide.<\/p>\n<p>Este texto se presta a falar sobre a seguinte ideia: N\u00e3o \u00e9 nem um pouco surpreendente que de tempos em tempos cheguemos a conclus\u00e3o que \u00e9 imposs\u00edvel saber se algo \u00e9 verdadeiro ou correto. Se nos aprofundarmos em qualquer assunto, eventualmente chegaremos numa d\u00favida sem resposta. Isso vale desde a exist\u00eancia de um ser m\u00e1gico que nos vigia dos c\u00e9us at\u00e9 mesmo se voc\u00ea realmente est\u00e1 encostando na cadeira onde est\u00e1 sentado.<\/p>\n<p>Como cada ser humano \u00e9 basicamente um universo paralelo, com seus pr\u00f3prios sentidos e interpreta\u00e7\u00f5es deles, estamos todos &#8220;presos&#8221; em realidades pr\u00f3prias, dependendo de alguns elementos comuns para conseguir alguma forma de comunica\u00e7\u00e3o. Ao nosso redor, uma infinidade de acontecimentos e possibilidades aparentemente aleat\u00f3rios.<\/p>\n<p>O c\u00e9rebro humano n\u00e3o \u00e9 equipado para lidar com essa torrente absurda de informa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o ele usa diversos truques para tornar toda essa experi\u00eancia de exist\u00eancia consciente mais toler\u00e1vel. Para piorar, uma pessoa ao seu lado tem a sua disposi\u00e7\u00e3o um ponto de vista diferente disso tudo, e boa parte do que se entende por intera\u00e7\u00e3o social depende do seu c\u00e9rebro tentar simular esses outros pontos de vista. \u00c9 muita coisa.<\/p>\n<p>Gastar algum tempo de sua vida pensando em coisas desse tipo n\u00e3o \u00e9 o desperd\u00edcio que tanta gente costuma acreditar, todo o pensamento humano pode ser regredido de volta para d\u00favidas primordiais do tipo &#8220;o que \u00e9 real?&#8221;. Encravada em qualquer linha de argumenta\u00e7\u00e3o ou estudo do que nossos sentidos e imagina\u00e7\u00f5es conseguem conceber, est\u00e1 a incerteza. Papinho brabo, n\u00e9? Mas tem algo de muito pr\u00e1tico aqui:<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mesmo para voc\u00ea ter certeza absoluta sobre nada. Chegar num ponto onde respostas n\u00e3o s\u00e3o mais poss\u00edveis n\u00e3o \u00e9 a porta de entrada para um estado de consci\u00eancia elevado ou mesmo uma indica\u00e7\u00e3o de algo sobrenatural: \u00c9 o esgotamento de suas possibilidades atuais. E cada pessoa pode bater nessa barreira de sua pr\u00f3pria forma, de acordo com seu conhecimento. A mente humana tem essa habilidade de tirar respostas do chap\u00e9u sem nenhuma obriga\u00e7\u00e3o formal de obedecer leis f\u00edsicas ou mesmo imagin\u00e1rias.<\/p>\n<p>Entender que a certeza n\u00e3o existe n\u00e3o equivale a n\u00e3o poder ter uma opini\u00e3o. Diante dessa maluquice de realidade relativa, s\u00f3 nos resta criar alguns par\u00e2metros b\u00e1sicos para n\u00e3o desperdi\u00e7armos o nosso potencial e nossa curiosidade diante de um desafio aparentemente imposs\u00edvel de entender o universo que nos cerca.<\/p>\n<p>Como muita gente n\u00e3o est\u00e1 preparada para lidar com essa relatividade, ou a evita desesperadamente, ou se rende subserviente. Nem tanto ao mar, nem tanto \u00e0 terra: Sem definir algumas premissas b\u00e1sicas sobre o que \u00e9 real e o que \u00e9 correto (n\u00e3o num conceito moralista, mais num 2+2=4, se \u00e9 que voc\u00eas me entendem&#8230;), n\u00e3o h\u00e1 a possibilidade de aprimoramento. \u00c9 aquela merda que eu sempre critico em quem diz que &#8220;n\u00e3o se pode saber nada&#8221; quando acuado numa discuss\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o da d\u00favida fundamental, isso \u00e9 medo de lidar com as pr\u00f3prias escolhas ou inseguran\u00e7a sobre sua vis\u00e3o das coisas.<\/p>\n<p>Assim tamb\u00e9m como \u00e9 limitante ignorar essa relatividade e passar a lidar apenas com conceitos absolutos, renegando vis\u00f5es diferentes apenas por n\u00e3o partirem das mesmas premissas. Nessa categoria se encontram religiosos fan\u00e1ticos e c\u00e9ticos exagerados da mesma forma. At\u00e9 mesmo boa parte das pessoas teimosas que todos n\u00f3s acabamos conhecendo em nossas vidas.<\/p>\n<p>Neste exato momento estou lutando contra a ideia de que este texto nada mais \u00e9 do que perfumar uma merda pra l\u00e1 de \u00f3bvia, que todo mundo j\u00e1 entendeu isso faz tempo e s\u00f3 eu acho que \u00e9 alguma novidade mencionar. Essa \u00e9 a minha premissa em rela\u00e7\u00e3o a pensar sobre esses conceitos mais abstratos: Pouca gente se interessa porque no final das contas \u00e9 tudo muito banal. E que quando eu falo sobre isso e tratam como algo complexo, na verdade as pessoas est\u00e3o apenas sendo educadas com algu\u00e9m falando de algo n\u00e3o muito mais profundo do que como est\u00e1 o clima&#8230; Pessoas menos polidas n\u00e3o fazem a menor men\u00e7\u00e3o de entreter essa linha de pensamento.<\/p>\n<p>Mas pode ser que essa seja apenas uma vis\u00e3o &#8220;umbiguista&#8221; de quem acha que esse assunto \u00e9 realmente banal. Banal no bom sentido, de uma forma relativista. Por isso o risco de colocar o texto no mundo. Vai que eu estou errado&#8230; vai que tem mais alguma alma nesse mundo que precisa apenas de um incentivo para &#8220;encaixar&#8221; essa ideia e se livrar desse conceito enlouquecedor de que porque tudo \u00e9 relativo nada faz sentido?<\/p>\n<p>Sinto muita falta dessa &#8220;segunda voz&#8221; nas mentes alheias, n\u00e3o uma que te diga para queimar coisas, mas uma que consiga te lembrar de outros pontos de vista para balancear sua concep\u00e7\u00e3o do que \u00e9 existir em paralelo com tantas outras mentes. N\u00e3o uma voz de repreens\u00e3o ou inseguran\u00e7a, uma voz de relatividade. Tem tanta gente nesse mundo confundindo discuss\u00e3o de premissas com discuss\u00e3o de realidade&#8230; Realidade \u00e9 um conceito terr\u00edvel para lidar, ele s\u00f3 concebe uma resposta poss\u00edvel, e como todas as pessoas tem sua pr\u00f3pria vis\u00e3o do que \u00e9 a realidade, o mundo se torna efetivamente uma conversa de maluco em larga escala.<\/p>\n<p>Suas ideias, opini\u00f5es e cren\u00e7as est\u00e3o fundamentadas em premissas criadas para te livrar de d\u00favidas insol\u00faveis, n\u00e3o na realidade. A realidade \u00e9 relativa. Quando duas pessoas comparam e\/ou disputam baseadas nas premissas, \u00e9 muito mais f\u00e1cil conseguir um consenso, premissas mais bem fundamentadas ou mais bem adaptadas ao conv\u00edvio humano tendem a ganhar mais destaque. Quando o mesmo acontece baseado em realidades, costuma sair intoler\u00e2ncia, abusos e guerras. S\u00f3 as premissas podem coexistir, s\u00f3 elas podem construir algo maior.<\/p>\n<p>Tudo o que eu escrevo agora n\u00e3o \u00e9 realidade. Estou expondo a opini\u00e3o e a premissa na qual ela se apoia. A minha segunda voz ainda est\u00e1 em d\u00favida se o que eu percebi como uma exposi\u00e7\u00e3o relativamente clara foi minimamente eficiente como forma de comunica\u00e7\u00e3o. E para complementar o experimento, vou pedir algo para quem aguentou o texto at\u00e9 agora na forma de um coment\u00e1rio respondendo uma pergunta:<\/p>\n<p><em><strong>Te parece que eu abordei algum assunto em espec\u00edfico hoje?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Se quiser responder em uma palavra ou em vinte par\u00e1grafos, \u00e0 vontade.<\/p>\n<h3>Para ser educado e n\u00e3o comentar que o texto foi banal, para dizer que eu s\u00f3 fiquei com pregui\u00e7a de escrever mais, ou mesmo para dizer que a partir de agora nenhuma opini\u00e3o minha vale: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo \u00e9 relativo. Ou n\u00e3o. Independentemente disso, eu tenho uma teoria: Quase todos os mist\u00e9rios e desaven\u00e7as dessa vida est\u00e3o diretamente relacionados \u00e0 pouca compreens\u00e3o desse conceito de relativo. N\u00e3o existem certezas absolutas ou provas irrefut\u00e1veis, s\u00e3o todas constru\u00e7\u00f5es da mente humana e sempre v\u00e3o ser. Ou n\u00e3o. E sim, o texto vai continuar assim [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-5191","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-somir-surtado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5191","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5191"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5191\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5191"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5191"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5191"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}