{"id":527,"date":"2010-03-10T06:00:00","date_gmt":"2010-03-10T09:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=527"},"modified":"2010-03-10T06:00:00","modified_gmt":"2010-03-10T09:00:00","slug":"somir-surtado-criatividade-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2010\/03\/somir-surtado-criatividade-artificial\/","title":{"rendered":"Somir Surtado: Criatividade Artificial."},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i363.photobucket.com\/albums\/oo74\/desfavor\/img\/somir_surtado.jpg\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i363.photobucket.com\/albums\/oo74\/desfavor\/img\/sosur_ai.jpg\" alt=\"Whoa, dude...\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\"><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\">Escala de nerdice:<\/span> 5.8928388109032984293299991001000009212<\/span><\/p>\n<p>Como normalmente fa\u00e7o, decidi o tema desta coluna alguns minutos ap\u00f3s abrir o editor de texto e come\u00e7ar a escrever. Uma das minhas t\u00e1ticas \u00e9 escrever um t\u00edtulo praticamente aleat\u00f3rio e ver se consigo desenvolver. Desta vez escrevi \u201cintelig\u00eancia artificial\u201d, mesmo sem saber muito bem de onde saiu isso. N\u00e3o tinha visto nada sobre o assunto recentemente e uma p\u00e1gina em branco n\u00e3o \u00e9 algo l\u00e1 muito inspirador para o tema.<\/p>\n<p>Mas, de alguma forma, surgiu uma id\u00e9ia para seguir em frente com uma varia\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo inicial. E a id\u00e9ia tem a ver com a forma como ela surgiu. Sim&#8230; wat.<\/p>\n<p>E mesmo nesse momento, onde j\u00e1 estou escrevendo a abertura da coluna, ainda n\u00e3o tenho muita id\u00e9ia sobre como vou desenvolver a id\u00e9ia sobre a qual vou me basear. Mas, que seja, \u00e9 uma forma bem humana de se expressar.<\/p>\n<p>Vamos ent\u00e3o \u00e0 intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>Nos v\u00e1rios e v\u00e1rios filmes, s\u00e9ries, gibis e jogos de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica (livros s\u00e3o para perdedores) que j\u00e1 vi, sempre me pareceu \u201cestranho\u201d que os rob\u00f4s nunca fossem capazes de produzir arte da mesma forma que um ser humano.<\/p>\n<p>Claro, eu entendia a analogia com a \u201calma\u201d humana e a impossibilidade de um ser sem emo\u00e7\u00f5es produzir algo t\u00e3o cheio de significados emocionais como a boa arte. Mas apesar de entender qual o objetivo conceitual das cenas, achava aquilo meio mal contado.<\/p>\n<p>Como se fosse uma esp\u00e9cie de preconceito contra algo que ainda nem existia. Uma forma de diminuir as supostas m\u00e1quinas dotadas de consci\u00eancia para n\u00e3o nos sentirmos t\u00e3o obsoletos.<\/p>\n<p>Afinal, uma intelig\u00eancia artificial teria praticamente todas as vantagens de um ser vivo, sem as desvantagens. Um rob\u00f4 n\u00e3o precisa comer, respirar, cagar&#8230; (morra de inveja, Sally) Um rob\u00f4 inteligente ainda pode se aproveitar da fragilidade da vida biol\u00f3gica para se tornar o dono da humanidade (roteiro batido).<\/p>\n<p>Tremei, m\u00e1quinas, pois se voc\u00eas s\u00e3o imortais, n\u00f3s somos mais art\u00edsticos! H\u00e1! Acabamos com eles, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Claro que na vida real ainda estamos terrivelmente longe de uma verdadeira intelig\u00eancia artificial, daquelas que sabem que existem e que podem aprender e evoluir sem interven\u00e7\u00e3o humana. E por terrivelmente longe nesse tempo de evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica exponencial pode ser 20 ou 200 anos&#8230; Mas de uma coisa eu n\u00e3o duvido: Uma intelig\u00eancia artificial imitando a humana n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel e eventualmente estar\u00e1 dispon\u00edvel numa loja pertinho de voc\u00ea. (Por \u201cvoc\u00ea\u201d eu quero dizer algum descendente seu&#8230;)<\/p>\n<p>Mas, voltemos ao assunto da arte humana e a sua suposta irreprodutibilidade rob\u00f3tica. Um dos maiores clich\u00eas ao se retratar uma intelig\u00eancia artificial nessa \u00e1rea \u00e9 o caso da pintura de um quadro&#8230; O rob\u00f4 observa uma paisagem e come\u00e7a a pintar numa velocidade impressionante. O resultado \u00e9 quase sempre uma reprodu\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica da cena.<\/p>\n<p>O rob\u00f4 \u00e9 incapaz de enxergar algo al\u00e9m da cena, ele \u00e9 incapaz de representar algo diferente do que consegue captar. Mas a\u00ed que sempre surgiu a minha impress\u00e3o de que algo estava errado&#8230;<\/p>\n<p>As brilhantes mentes que programaram essa intelig\u00eancia artificial que n\u00e3o tinham a menor no\u00e7\u00e3o do que seria essa \u201calma\u201d da arte humana. O rob\u00f4 foi programado para tomar as melhores decis\u00f5es poss\u00edveis dentre uma quantidade de vari\u00e1veis que simplesmente n\u00e3o cabem nas nossas cabe\u00e7as.<\/p>\n<p>Um rob\u00f4 com a capacidade de pintar um quadro perfeito, programado para tomar as melhores decis\u00f5es&#8230; N\u00e3o tinha como ser diferente. O que n\u00e3o quer dizer que o rob\u00f4 jamais conseguiria pintar como Picasso, por exemplo&#8230;<\/p>\n<p>Basta o rob\u00f4 ser programado para tomar decis\u00f5es aleat\u00f3rias, limitar sua percep\u00e7\u00e3o e esperar at\u00e9 que um dos quadros seja cubista. Infinitos macacos em infinitas m\u00e1quinas de escrever reproduziriam sim a obra de Shakespeare. Tanto que foi exatamente o que aconteceu na vida real.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m poderia dizer sobre uma intelig\u00eancia artificial: \u201cQueria s\u00f3 ver esse rob\u00f4 pegar um pincel e fazer o que Salvador Dal\u00ed fazia!\u201d, bom, eu queria s\u00f3 ver OUTRA pessoa pegar um pincel e fazer isso. Reproduzir \u00e9 uma coisa, criar \u00e9 que s\u00e3o elas. A quantidade de fatores que precisam estar reunidos para criar a mente \u00fanica de uma pessoa \u00e9 t\u00e3o avassaladora que mesmo sendo virtualmente id\u00eanticos em nossos c\u00f3digos gen\u00e9ticos, alguns humanos conseguem seguir por caminhos criativos t\u00e3o \u00fanicos ao ponto de jamais serem repetidos.<\/p>\n<p>Considerando que j\u00e1 nasceram mais de 100 bilh\u00f5es de seres humanos nesse planeta, estamos muito pr\u00f3ximos mesmo da analogia dos macacos e as m\u00e1quinas de escrever. A diferen\u00e7a \u00e9 que existe um bom grau de consci\u00eancia nesses macacos pelados e isso nos direciona a seguir pelos caminhos mais corretos desde o come\u00e7o.<\/p>\n<p>QUANTAS PESSOAS n\u00e3o compuseram m\u00fasicas antes de Beethoven? A probabilidade de um de n\u00f3s chegar nesse n\u00edvel de criatividade e excel\u00eancia \u00e9 t\u00e3o baixa que esse compositor ainda \u00e9 relevante s\u00e9culos depois de sua morte. 20 bilh\u00f5es de macacos tentaram, e s\u00f3 um escreveu a p\u00e1gina certa.<\/p>\n<p>N\u00e3o tiro o m\u00e9rito de nenhum grande artista por causa desse fator de probabilidade, afinal, \u201cQueria s\u00f3 ver eu fazer isso&#8230;\u201d. Mas isso corrobora com a id\u00e9ia de que boa parte dessas decis\u00f5es art\u00edsticas humanas prov\u00e9m da aleatoriedade. Quando um artista resolve tomar um caminho improv\u00e1vel, pode ser por falta de outras op\u00e7\u00f5es em mente, alguma limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou mental, ou mesmo por incapacidade de fazer o que estava imaginando em primeiro lugar.<\/p>\n<p>Que, adivinhem s\u00f3, s\u00e3o constantes na vida de todo mundo que n\u00e3o \u00e9 rob\u00f4. Quantas vezes n\u00e3o deixamos de tomar a decis\u00e3o mais simples\/racional\/\u00f3bvia em nossas vidas? Existe sim uma limita\u00e7\u00e3o na capacidade humana que torna nossas a\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis. Que gera resultados absolutamente an\u00f4malos em rela\u00e7\u00e3o ao padr\u00e3o, seguidas vezes.<\/p>\n<p>Esse te\u00f3rico rob\u00f4 que s\u00f3 pinta quadros \u201cfotogr\u00e1ficos\u201d \u00e9 muito mais avan\u00e7ado que qualquer g\u00eanio das artes pl\u00e1sticas. Ele toma as melhores decis\u00f5es para representar uma cena, cada mancha de tinta corresponderia exatamente ao local onde deveria estar de acordo com a imagem captada.<\/p>\n<p>Se quisermos emular essa criatividade t\u00edpica nossa numa m\u00e1quina, ela vai ter que ser limitada propositalmente, e ainda por cima tomar decis\u00f5es equivocadas com freq\u00fc\u00eancia. Posso at\u00e9 imaginar como se programaria isso, mas at\u00e9 mesmo para um texto com aviso de nerdice no come\u00e7o seria um abuso.<\/p>\n<p>Com um bom planejamento uma m\u00e1quina pode criar obras de arte ainda mais inovadoras e brilhantes do todos os \u201cinfinitos macacos\u201d juntos. A aleatoriedade e a limita\u00e7\u00e3o s\u00e3o partes integrantes da evolu\u00e7\u00e3o do nosso pensamento, e da vida como um todo.<\/p>\n<p>Quem repete a melhor escolha seguidas vezes est\u00e1 sempre fazendo a mesma coisa. Se por um lado a melhor escolha tem seus ganhos, por outro quer dizer que apenas uma linha de possibilidades est\u00e1 sendo explorada. Grandes inven\u00e7\u00f5es (e CERTEZA que a maioria das grandes obras de arte) surgiram de distra\u00e7\u00f5es e erros que afastaram seus criadores do caminho planejado inicialmente.<\/p>\n<p>Uma intelig\u00eancia artificial teria que ser for\u00e7ada a errar, sabendo que est\u00e1 errando, para conseguir esse fator surpresa. Mas como \u00e9 tudo aleat\u00f3rio, uma espetacular obra de arte pode ser perdida para sempre na mem\u00f3ria de uma dessas m\u00e1quinas, pelo simples fato de outra forma de representa\u00e7\u00e3o ter sido escolhida.<\/p>\n<p>Quantas espetaculares obras de arte j\u00e1 se perderam at\u00e9 hoje antes mesmo de sa\u00edrem da mente de seus autores? Ou mesmo na sua mente, caro(o) leitor(a)? Numa fra\u00e7\u00e3o de segundo pessoas tomam decis\u00f5es pela simples necessidade de um resultado.<\/p>\n<p>Sim, uma intelig\u00eancia artificial poderia ser uma grande artista. Desde que seja feita para isso. Mais ou menos como g\u00eanios art\u00edsticos s\u00e3o gerados: Numa sequ\u00eancia t\u00e3o \u00fanica que \u00e9 como se a pessoa n\u00e3o pudesse evitar de se expressar da forma como a faz.<\/p>\n<p>Talvez goste-se mais da id\u00e9ia do andr\u00f3ide como sendo o ser limitado pela pr\u00f3pria vontade de ser superior. De ter algo \u00fanico intimamente ligado ao que se \u00e9, algo que n\u00e3o pode ser copiado, imitado ou tornado obsoleto.<\/p>\n<p>Bobagem. N\u00e3o tem nada na exist\u00eancia humana que n\u00e3o possa ser copiado, imitado ou tornado obsoleto por um ser\/objeto imortal e program\u00e1vel, claro, dado o tempo certo para a tecnologia dos infinitos macacos chegar nesse ponto.<\/p>\n<p>Se eu tivesse pensado nesse texto com muita anteced\u00eancia, teria tomado melhores decis\u00f5es e escrito de forma mais acess\u00edvel, mas dificilmente teria paci\u00eancia para escrev\u00ea-lo.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold;\"><span style=\"color: rgb(102, 102, 102);\">Para dizer que isso foi&#8230; foi&#8230; foi&#8230; sabe-se l\u00e1 o que, para dizer que eu n\u00e3o devo postar b\u00eabado, ou mesmo para dizer que a escala de nerdice te enganou hoje: <\/span><a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escala de nerdice: 5.8928388109032984293299991001000009212 Como normalmente fa\u00e7o, decidi o tema desta coluna alguns minutos ap\u00f3s abrir o editor de texto e come\u00e7ar a escrever. 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