{"id":5535,"date":"2013-10-27T14:00:34","date_gmt":"2013-10-27T16:00:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=5535"},"modified":"2013-10-27T06:36:39","modified_gmt":"2013-10-27T08:36:39","slug":"desfavor-convidado-agora-e-na-hora-de-nossa-hora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2013\/10\/desfavor-convidado-agora-e-na-hora-de-nossa-hora\/","title":{"rendered":"Desfavor Convidado: Agora e na hora de nossa hora."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5536\" alt=\"descon-agoranossa\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/descon-agoranossa.jpg\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/descon-agoranossa.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/descon-agoranossa-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<blockquote><p><em><strong>Desfavor Convidado<\/strong> \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>.<\/em><br \/>\n<em>O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>S\u00e9rie Jornalismo Liter\u00e1rio: Agora e na hora de nossa hora.<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de telejornais e programas especiais, o jornalismo se faz presente tamb\u00e9m nos cinemas atrav\u00e9s dos document\u00e1rios. Por ser autoral, o document\u00e1rio \u00e9 considerado uma forma de linguagem do cinema e a figura do diretor nesse tipo de filme \u00e9 essencial para a sua exist\u00eancia, j\u00e1 que \u00e9 o ponto de vista dele que ser\u00e1 expressado ao longo da pel\u00edcula.<!--more--><\/p>\n<p>Existem diversas maneiras do diretor se expressar na obra, inclusive aparecendo em algumas cenas ou entrevistas. Apesar de ter sua ess\u00eancia no cinema, \u00e9 poss\u00edvel adaptar o document\u00e1rio para a linguagem de TV. Por\u00e9m, como o diretor fica limitado por quest\u00f5es t\u00e9cnicas e editoriais da rede em que estiver trabalhando, nesse caso \u00e9 mais comum o diretor demonstrar sua autoralidade na forma de narra\u00e7\u00e3o, o que tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como &#8220;A voz de Deus&#8221;.<\/p>\n<p>Existem duas linhas de pesquisas sobre a voz de Deus, sendo que uma delas defende que essa voz \u00e9 totalmente Onipresente, Onipotente e Onisciente. A defesa dessa linha \u00e9 que o jornalista ou o diretor teve o poder de escolher as imagens que seriam exibidas durante a edi\u00e7\u00e3o do material e com isso criar o roteiro que guiaria o espectador naquela hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A outra linha admite a Onisci\u00eancia, Onipresen\u00e7a e Onipot\u00eancia, mas defende que elas s\u00e3o limitadas pela mesma tecnologia de edi\u00e7\u00e3o. Afinal de contas, as c\u00e2meras n\u00e3o captaram 360 graus da cena durante todo o tempo, limitando a dire\u00e7\u00e3o a apenas um \u00fanico foco de grava\u00e7\u00e3o. Na literatura, a limita\u00e7\u00e3o da voz de Deus vai depender da criatividade e empenho do escritor.<\/p>\n<p>Para assistir a document\u00e1rios com a voz de Deus, basta ligar no Discovery Channel em qualquer hor\u00e1rio de qualquer dia da semana, j\u00e1 que todos os v\u00eddeos do canal s\u00e3o narrados por um misterioso narrador que nunca aparece.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">IV<\/h2>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos moradores no Brasil \u00e9 um mist\u00e9rio, j\u00e1 que n\u00e3o existem pol\u00edticas p\u00fablicas eficientes para dar assist\u00eancia a essas pessoas. Tanto que em 2004 o Estado fez um censo nacional para levantar o n\u00famero de brasileiros que vivem nessa situa\u00e7\u00e3o, mas muitas cidades n\u00e3o possu\u00edam dados suficientes que colaborassem nesse levantamento. Fez-se ent\u00e3o um question\u00e1rio que foi enviado para 76 munic\u00edpios com mais de 300 mil habitantes, sendo que 20 munic\u00edpios responderam n\u00e3o ter dados sobre o assunto. A cidade do Rio de Janeiro estava entre esses munic\u00edpios.<\/p>\n<p>Em abril de 2008, o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e combate \u00e0 Fome fez uma nova pesquisa nacional sobre a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, desta vez com dados mais esclarecedores. Na pesquisa, foram entrevistadas 27.647 pessoas, n\u00famero aproximado ao conhecido pelo censo de 2004, que foi de 26.615 pessoas. Na pesquisa foram abordadas quest\u00f5es como: motivos para viver na rua, a utiliza\u00e7\u00e3o de drogas e \u00e1lcool, rela\u00e7\u00f5es familiares, preconceito, etc. No total, 71 munic\u00edpios participaram da pesquisa, desta vez incluindo a cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que o descaso com moradores de rua vem \u00e0 tona, j\u00e1 que em diversas situa\u00e7\u00f5es as viol\u00eancias que essas pessoas sofrem s\u00e3o relatadas nas m\u00eddias nacionais. Por\u00e9m, o ano de 2013 marcou o vig\u00e9simo anivers\u00e1rio de uma hist\u00f3ria que rendeu muito sofrimento ao povo Fluminense: a Chacina da Candel\u00e1ria.<\/p>\n<p>A chacina ocorreu no dia 23 de julho de 1993 pr\u00f3ximo \u00e0 Igreja da Candel\u00e1ria, regi\u00e3o que recebe moradores de rua diariamente. Ainda n\u00e3o se sabe o motivo, mas na madrugada do dia 23 alguns homens pararam ali e come\u00e7aram a matar indiscriminadamente crian\u00e7as e adolescentes que estavam dormindo na Pra\u00e7a Pio X.<\/p>\n<p>No total foram oito mortos, entre eles:<\/p>\n<ul>\n<li>Paulo Roberto de Oliveira, 11 anos<\/li>\n<li>Anderson de Oliveira Pereira, 13 anos<\/li>\n<li>Marcelo C\u00e2ndido de Jesus, 14 anos<\/li>\n<li>Valdevino Miguel de Almeida, 14 anos<\/li>\n<li>&#8220;Gambazinho&#8221;, 17 anos<\/li>\n<li>Leandro Santos da Concei\u00e7\u00e3o, 17 anos<\/li>\n<li>Paulo Jos\u00e9 da Silva, 18 anos<\/li>\n<li>Marcos Ant\u00f4nio Alves da Silva, 19 anos<\/li>\n<\/ul>\n<p>J\u00e1 os suspeitos foram:<\/p>\n<ul>\n<li>Marcus Vinicius Borges Emmanuel, ex Policial Militar \u2013 foi condenado a pris\u00e3o, mas j\u00e1 est\u00e1 livre<\/li>\n<li>N\u00e9lson Oliveira dos Santos \u2013 foi condenado a pris\u00e3o, mas j\u00e1 est\u00e1 livre<\/li>\n<li>Marcos Aur\u00e9lio Dias Alc\u00e2ntara \u2013 foi condenado a pris\u00e3o, mas j\u00e1 est\u00e1 livre<\/li>\n<li>Arlindo Lisboa Afonso J\u00fanior \u2013 condenado a dois anos por ter em seu poder uma das armas usadas no crime<\/li>\n<li>Carlos Jorge Liaffa \u2013 n\u00e3o foi indiciado, mesmo tendo sido reconhecido por um sobrevivente e a per\u00edcia ter comprovado que uma das c\u00e1psulas que atingiu uma das v\u00edtimas foi disparada pela arma de seu padrasto.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Dos jovens que escaparam da chacina, muitos se mudaram para um Viaduto em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o e outros voltaram aos holofotes da m\u00eddia. Um deles foi Wagner dos Santos, um rapaz que foi elemento chave para a investiga\u00e7\u00e3o dos suspeitos. Durante a investiga\u00e7\u00e3o ele sofreu outro atentado de morte e teve que ser colocado no Programa de Prote\u00e7\u00e3o a V\u00edtimas e Testemunhas. Hoje ele mora na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>Outro jovem que ganhou notoriedade foi Sandro Rosa do Nascimento que, em 2000, acabou sendo morto ap\u00f3s sequestrar o famoso \u00f4nibus 174. Por\u00e9m, dos outros sobreviventes n\u00e3o se teve maiores not\u00edcias a n\u00e3o ser pequenos relatos sobre o dia da chacina.<\/p>\n<p>Um desses relatos acabou sendo o ponto de partida para a pe\u00e7a teatral &#8220;Agora e na hora de nossa hora&#8221;, com o ator Eduardo Okamoto. Na pe\u00e7a ele representa um menino de rua que sobreviveu ao massacre e \u00e9 conhecido como Pedrinha, por ser viciado em crack (uma liberdade que ele tomou, j\u00e1 que em 1993 o crack ainda n\u00e3o estava t\u00e3o difundido no Brasil).<\/p>\n<p>Na pe\u00e7a, o sobrevivente escapa da chacina por preferir dormir em cima de uma banca de jornais ao inv\u00e9s do ch\u00e3o. Alucinado pelas drogas, o menino ent\u00e3o coloca a culpa das mortes nos ratos que fazem barulho ao passar pelos bueiros da Candel\u00e1ria, o que teria incomodado o sono e chamado a aten\u00e7\u00e3o dos autores do crime.<\/p>\n<p>Okamoto diz que v\u00e1rios fatores levaram-no a pesquisar sobre a chacina da Candel\u00e1ria, desde trabalhos anteriores com moradores de rua quando ainda fazia parte do Grupo Matula Teatro at\u00e9 a indiferen\u00e7a dos brasileiros para com os mais pobres. Durante a pesquisa para a pe\u00e7a, chegou a morar na rua e quase enlouqueceu, mas com a ajuda da diretora Ver\u00f4nica Fabrini, conseguiu transformar a ess\u00eancia da pesquisa em texto c\u00eanico.<\/p>\n<p>No entanto, o ator n\u00e3o possui a pretens\u00e3o de passar uma mensagem revolucion\u00e1ria, apenas quer relatar um fato hist\u00f3rico tr\u00e1gico. Por\u00e9m, \u00e9 firme ao dizer que em vinte anos n\u00e3o viu nenhuma mudan\u00e7a sobre a rela\u00e7\u00e3o do povo ou do governo brasileiro para com os mais humildes. Para ele, a popula\u00e7\u00e3o prefere se fechar e transferir seus medos sociais para os mais pobres do que simplesmente entend\u00ea-los e ajud\u00e1-los da melhor maneira poss\u00edvel.<\/p>\n<p><em>Nota: Para conhecer melhor o trabalho de Eduardo Okamoto ou at\u00e9 mesmo entrar em contato com o rapaz, recomendo <a href=\"http:\/\/www.eduardookamoto.com\/\" target=\"_blank\">o site do ator<\/a>. J\u00e1 a pesquisa do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social e combate \u00e0 Fome <a href=\"http:\/\/www.mds.gov.br\/backup\/arquivos\/sumario_executivo_pop_rua.pdf\" target=\"_blank\">pode ser encontrado aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Chester Chenson<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfavor Convidado \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>. O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas. 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