{"id":5593,"date":"2013-11-10T14:00:44","date_gmt":"2013-11-10T16:00:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=5593"},"modified":"2013-11-10T07:28:19","modified_gmt":"2013-11-10T09:28:19","slug":"desfavor-convidado-godzila","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2013\/11\/desfavor-convidado-godzila\/","title":{"rendered":"Desfavor Convidado: Godzila"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5594\" alt=\"descon-godzilla\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/descon-godzilla.jpg\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/descon-godzilla.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/descon-godzilla-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<blockquote><p><em><strong>Desfavor Convidado<\/strong> \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>.<\/em><br \/>\n<em>O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>S\u00e9rie Jornalismo Liter\u00e1rio: Godzila.<\/strong><\/p>\n<p>Ainda falando em document\u00e1rios, quando o diretor possui liberdade autoral para dirigir o filme, ele pode escolher entre duas grandes vertentes de linguagem documental. Uma delas \u00e9 fazer parte do filme, aparecendo em entrevistas, dando depoimentos pessoais ou at\u00e9 mesmo sendo personagem na obra. \u00c9 comum ter nesse tipo de obra a Voz de Deus, que pode ser a narra\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio diretor. O jarg\u00e3o para esse tipo de document\u00e1rio \u00e9 &#8220;A mosca na sopa&#8221; e pode ser visto nos filmes do Michael Moore (Tiros em Columbine, Sicko, etc).<\/p>\n<p>J\u00e1 a outra vertente se chama &#8220;A mosca na parede&#8221;, onde o diretor ou a equipe de filmagem at\u00e9 chegam a aparecer em cena, mas n\u00e3o se envolvem com a narrativa ou se envolvem de maneira muito discreta. \u00c9 comum nesse tipo de document\u00e1rio os pr\u00f3prios entrevistados guiarem a narrativa do filme e pode ser visto em filmes como &#8220;Garapa&#8221; de Jos\u00e9 Padilha. O diretor tem a liberdade de ousar e criar linguagens inovadoras a partir dessas duas vertentes, mas \u00e9 preciso ter muita experi\u00eancia para sair algo de bom.<!--more--><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">V<\/h2>\n<p>O Somir foi a primeira pessoa que conheci quando me mudei para Campinas, no ano de 1999. Depois conheci o Alicate, o J\u00e3o, o Beto e outros personagens que voc\u00eas costumam ler aqui no Blog. Esse era um grupo de amigos dele que n\u00e3o mantive muito contato, j\u00e1 que as ideias n\u00e3o batiam e me mantive em um outro circulo de amigos, um que nunca apareceu aqui no blog.<\/p>\n<p>Neste circulo acabei conhecendo o Godzila, um rapaz que na \u00e9poca jogava basquete e era um man\u00e9 de marca maior. Claro que nos odiamos \u00e0 primeira vista, mas \u00e9ramos obrigados a conviver, j\u00e1 que t\u00ednhamos um amigo em comum. Por\u00e9m, ao longo do tempo, esse \u00f3dio foi virando uma grande amizade que perdura at\u00e9 hoje. Tanto que sou seu padrinho de casamento.<\/p>\n<p>Ao longo desse tempo, vi muitas mudan\u00e7as no Godzila, algumas boas e outras ruins. A primeira mudan\u00e7a ocorreu na adolesc\u00eancia, j\u00e1 que ele deixou de ser um man\u00e9 para virar &#8220;aquele cara que pega mulher pra caramba&#8221;. Ele tamb\u00e9m gostava de tirar vantagem sobre tudo e sobre todos. A cada semana ele contava uma nova hist\u00f3ria sobre algu\u00e9m que tinha conseguido enganar, claro que o Somir e eu o repreend\u00edamos por isso, mas era como falar com uma porta.<\/p>\n<p>Essa fase continuou at\u00e9 um fat\u00eddico dia, quando ele resolveu descer para a praia de moto com um amigo. Quando estavam quase chegando l\u00e1, sofreram um grave acidente com outra moto. Godzila e seu amigo ficaram muito feridos. O cara da outra moto faleceu.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o Godzila era um cara cheio de marra, malandr\u00e3o e coisa e p\u00e1, mas o acidente mexeu com ele. Durante a recupera\u00e7\u00e3o, aos poucos ele foi percebendo que n\u00e3o conseguia mais fazer tudo sozinho e que precisava de ajuda. Seu orgulho foi se lapidando em for\u00e7a de vontade e aquele antigo rapaz marrento foi dando lugar a um homem convicto e dedicado.<\/p>\n<p>Como voc\u00eas j\u00e1 devem saber, quando um homem muda assim \u00e9 porque tem uma mulher na hist\u00f3ria. Dito e feito, j\u00e1 que ele come\u00e7ou a flertar com uma das enfermeiras durante suas sess\u00f5es de fisioterapia. Como golpe do destino, eles se lembraram que j\u00e1 haviam se conhecido quando eram crian\u00e7as e que suas m\u00e3es eram grandes amigas, mas que haviam se separado por motivos diversos.<\/p>\n<p>Relembrando a inf\u00e2ncia e superando o presente, essa rela\u00e7\u00e3o virou namoro, noivado e casamento. Como um anjo a enfermeira cuidou de Godzila e o fez se livrar de uma vez por todas de um passado obscuro. Cuidou de seu corpo e de seu cora\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de aceitar os velhos amigos nerds no pacote. Ap\u00f3s um tempo ela engravidou e estava radiante diante da ideia de segurar seu beb\u00ea nos bra\u00e7os.<\/p>\n<p>Antes de engravidar, ela praticava esportes, tinha uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, n\u00e3o fumava e s\u00f3 bebia socialmente. Por\u00e9m, nada disso impediu que ela tivesse um AVC durante a gravidez. Os m\u00e9dicos n\u00e3o souberam responder de imediato o que causou o AVC, apenas trabalharam com a hip\u00f3tese de que poderia ser o rompimento de uma veia com m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu estava tomando banho quando recebi a not\u00edcia e n\u00e3o processei bem a informa\u00e7\u00e3o. Sai do banho e coloquei em pr\u00e1tica a busca por mais not\u00edcias, j\u00e1 que boa parte da fam\u00edlia deles estava incomunic\u00e1vel. At\u00e9 ent\u00e3o continuei despreocupado, afinal de contas j\u00e1 tinha visto muitos AVCs quando trabalhei como assessor de imprensa de um hospital municipal aqui de Campinas. Por isso sabia que apesar de ser um diagn\u00f3stico grave, boa parte das pessoas escapava sem sequelas.<\/p>\n<p>Comecei a me preocupar quando fui informado de que era um AVC hemorr\u00e1gico, o que torna a situa\u00e7\u00e3o extremamente delicada para o paciente. A sorte \u00e9 que ela era enfermeira e estava trabalhando no hospital quando sofreu o acidente. Foi salva por suas amigas que a encaminharam de imediato para a interna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando cheguei ao hospital em que ela estava internada, avisei o Somir sobre o que tinha acontecido e ele chegou minutos depois. Esperamos a tarde inteira e o Godzila s\u00f3 saiu do hospital quando j\u00e1 estava anoitecendo. Ele nos conto que sua esposa havia feito uma cirurgia de emerg\u00eancia para aliviar a hemorragia e estava viva, o que j\u00e1 era uma vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o admitia, mas estava assustado com aquela situa\u00e7\u00e3o. Com medo de morrer ou perder minha filha. O improv\u00e1vel estava acontecendo com meu amigo e podia acabar acontecendo comigo tamb\u00e9m. Isso me impulsionou a procurar por ajuda, foi quando sem querer encontrei o Terreiro da V\u00f3 Benedita enquanto pesquisava sobre espiritismo na internet.<\/p>\n<p>Ir ao terreiro foi minha forma de homenagear a esposa de meu amigo, j\u00e1 que ela era esp\u00edrita. Achei que indo na religi\u00e3o dela daria uma for\u00e7a a mais na sua recupera\u00e7\u00e3o e cheguei inclusive a convidar o Godzila. Esse contato com a Umbanda foi relatado no primeiro cap\u00edtulo dessa s\u00e9rie e estou l\u00e1 at\u00e9 hoje, agora colaborando como auxiliar das entidades.<\/p>\n<p>Nesse primeiro dia o Godzila n\u00e3o pode ir ao terreiro, mas na semana seguinte ele foi. Depois de passarmos pela consulta, achei melhor dormir na casa dele, j\u00e1 que ele estava sozinho naquele ambiente com muitas lembran\u00e7as. Naquela noite conversamos e choramos juntos diante da injusti\u00e7a do que tinha acontecido. Ele me perguntava os motivos de Deus para tamanha trag\u00e9dia e eu n\u00e3o tinha respostas para isso.<\/p>\n<p>Em determinado momento ele foi dormir e eu fiquei na sala. Liguei o computador e vi uma cena que me deixou deprimido. Haviam v\u00e1rias p\u00e1ginas de internet abertas, umas com jogos do Facebook que a esposa dele gostava, outras com pesquisas de m\u00f3veis para o quartinho do beb\u00ea. Percebi que aquele computador havia sido usado por ela no dia em que sofreu o AVC e n\u00e3o era tocado desde ent\u00e3o. De certa maneira, eu estava profanando as \u00faltimas p\u00e1ginas abertas de uma m\u00e3e que estava preparando o futuro do filho enquanto distraia a mente em jogos virtuais.<\/p>\n<p>Fechei as p\u00e1ginas, desliguei o computador e me deitei no sof\u00e1. Pensando que pouco mais de uma ano antes, era a Kitsune quem ficava no computador procurando m\u00f3veis para o beb\u00ea enquanto se divertia com joguinhos. Hist\u00f3rias t\u00e3o iguais, com finais t\u00e3o diferentes&#8230; A vida \u00e9 assim.<\/p>\n<p>Atualmente o filho deles nasceu e \u00e9 forte como um touro, mas ela continua sem acordar. N\u00e3o chega a ser um coma, j\u00e1 que ela abre os olhos, mas tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 nenhum sinal vis\u00edvel de consci\u00eancia. Mesmo assim ela \u00e9 uma batalhadora e conseguiu sobreviver em uma situa\u00e7\u00e3o onde 90% das pessoas acabaria falecendo.<\/p>\n<p>Essa for\u00e7a dela me fez voltar a ter f\u00e9 na vida e tentar me reencontrar com Deus. Tamb\u00e9m me inspirou a criar essa nova s\u00e9rie de textos e a ter uma ideia: eles ser\u00e3o publicados em um livro. Toda a arrecada\u00e7\u00e3o do livro ser\u00e1 doada para ajudar o Godzila no tratamento de sua esposa ou nas despesas que tiver em casa. Por isso, at\u00e9 o final dessa s\u00e9rie revelarei como voc\u00eas podem entrar em contato para colaborar no livro, que ser\u00e1 revelado ao mundo at\u00e9 o come\u00e7o do ano que vem.<\/p>\n<p>Paz Profunda a todos.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Chester Chenson<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfavor Convidado \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>. O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas. S\u00e9rie Jornalismo Liter\u00e1rio: Godzila. 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