{"id":5631,"date":"2013-11-17T14:00:38","date_gmt":"2013-11-17T16:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=5631"},"modified":"2013-11-17T03:23:19","modified_gmt":"2013-11-17T05:23:19","slug":"desfavor-convidado-umbanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2013\/11\/desfavor-convidado-umbanda\/","title":{"rendered":"Desfavor Convidado: Umbanda"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5632\" alt=\"descon-umbanda\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/descon-umbanda.jpg\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/descon-umbanda.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/descon-umbanda-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<blockquote><p><em><strong>Desfavor Convidado<\/strong> \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>.<\/em><br \/>\n<em>O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>S\u00e9rie Jornalismo Liter\u00e1rio: Umbanda.<\/strong><\/p>\n<p>Na faculdade aprendemos que verdadeiro jornalista \u00e9 aquele que vai atr\u00e1s da not\u00edcia, que busca o novo e que sempre tenta surpreender seus leitores. Alguns at\u00e9 conseguem fazer isso, mas esses s\u00e3o privilegiados e geralmente trabalham em reda\u00e7\u00f5es onde a criatividade \u00e9 levada em considera\u00e7\u00e3o. No jornalismo do dia a dia a verdade \u00e9 que a not\u00edcia tem que sair de qualquer maneira, j\u00e1 que a periodicidade di\u00e1ria mata qualquer resqu\u00edcio de criatividade.<!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 por isso que os jornais ficam limitados e acabam recorrendo aos mesmos assuntos de acordo com sua import\u00e2ncia ou conforme a \u00e9poca do ano. Isso \u00e9 tecnicamente chamado de Agenda Setting e \u00e9 considerado um dos maiores vil\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica. A agenda determina o assunto do dia, como por exemplo no Natal, data que sempre esperamos reportagens comparando pre\u00e7os de brinquedos, de ONG&#8217;s que levaram presentes para comunidades carentes, de Papais No\u00e9is irreverentes encontrados pela cidade, etc.<\/p>\n<p>A agenda nasceu inocente, apenas para cobrir buracos e assim manter a periodicidade, mas foi um dos grandes motivos para o sensacionalismo midi\u00e1tico. Quando algum desastre acontece, a agenda entra em a\u00e7\u00e3o e pauta todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o para divulgarem aquela not\u00edcia. Por isso n\u00e3o se enganem, quando voc\u00eas encontram reportagens similares em v\u00e1rios jornais, \u00e9 porque a Agenda Setting est\u00e1 entrando em a\u00e7\u00e3o e por tr\u00e1s dela com certeza estar\u00e1 um jornalista infeliz e estressado por aquele trabalho enfadonho que qualquer estagi\u00e1rio faria.<\/p>\n<p>A agenda tamb\u00e9m favoreceu o crescimento das assessorias de imprensa, que divulgam os produtos de suas empresas livremente como forma de not\u00edcia e assim influenciam nos gostos dos leitores. Permitiu tamb\u00e9m que pol\u00edticos manipulassem a opini\u00e3o popular ao seu favor ou contra seus inimigos (TV Globo manda lembran\u00e7as). Por isso meus caros, sempre sejam cr\u00edticos sobre qualquer tipo de m\u00eddia que acompanhem e n\u00e3o se deixem ser levados pelos interesses dos outros.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">VI<\/h2>\n<p>A Umbanda \u00e9 a primeira religi\u00e3o 100% brasileira e assim como o pa\u00eds, surgiu a partir da mistura de ra\u00e7as, credos e valores sociais. Vindo do interior da \u00c1frica, a cren\u00e7a nos Orix\u00e1s \u00e9 antiga e remete aos prim\u00f3rdios da exist\u00eancia humana na Terra (isso se levarmos em considera\u00e7\u00e3o que o homo sapiens surgiu na \u00c1frica, como afirmam alguns pesquisadores).<\/p>\n<p>Quando os europeus chegaram ao Brasil e perceberam que os \u00edndios n\u00e3o iam se render \u00e0 escravid\u00e3o, eles resolveram buscar m\u00e3o de obra escrava l\u00e1 na \u00c1frica, onde essa pr\u00e1tica j\u00e1 acontecia entre as tribos africanas. Por\u00e9m, a escravid\u00e3o africana era comum e muitas tribos cuidavam de seus escravos como se fizessem parte da fam\u00edlia. A serventia do escravo era apenas para pagar alguma d\u00edvida para com o senhor e quando essa era paga, o escravo era liberto.<\/p>\n<p>No in\u00edcio essas tribos vendiam os escravos para os portugueses na base da inoc\u00eancia, mas quando perceberam o lucro que isso dava, come\u00e7aram a vender na maldade e as guerras tribais foram aumentando e esse \u00e9 um dos motivos pra o continente negro viver na pinda\u00edba at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Os europeus, espertos que eram, pegavam escravos de diversas tribos e os misturavam na senzala. Assim as rixas tribais continuavam em solo brasileiro, j\u00e1 que nem a mesma l\u00edngua eles falavam. Por\u00e9m, uma tribo se destacava das demais: a dos Mandingas. Os Mandingas eram mu\u00e7ulmanos e versados nas artes da escrita e da matem\u00e1tica. Por isso, muitos senhores os colocavam em posi\u00e7\u00e3o de destaque, geralmente como capatazes que tinham a fun\u00e7\u00e3o de punir os outros escravos. Com o \u00f3dio e rancor dos outros escravos, a palavra mandinga virou sin\u00f4nimo de coisa ruim, de coisa mal\u00e9vola.<\/p>\n<p>Tirando os mandingas, as outras tribos se viravam como podiam para se entender e logo perceberam que, como estavam todos no mesmo barco, eles iam precisam encontrar algo em comum ou acabariam se matando. Aqui entra em pr\u00e1tica o velho ditado: o inimigo do meu inimigo \u00e9 meu amigo, ent\u00e3o logo os escravos se uniram para lutar contra as imposi\u00e7\u00f5es do homem branco. Essa uni\u00e3o se deveu principalmente pela cren\u00e7a nos Orix\u00e1s, algo que todas as tribos possu\u00edam em comum, apenas com leves diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>Dessa primeira uni\u00e3o surgiu o Candombl\u00e9, cujo nome significa barrac\u00e3o (que era onde os negros se reuniam para realizar eventos diversos). Por\u00e9m havia uma grande dificuldade para manter a regularidade dessas reuni\u00f5es, j\u00e1 que o homem branco obrigava os negros a seguirem o catolicismo. Os negros flertaram com o desastre ao mascarar sua f\u00e9 nos santos cat\u00f3licos, aos quais eles faziam refer\u00eancias aos Orix\u00e1s africanos. Somente assim eles conseguiam enganar o homem branco, que achava que eles rezavam fervorosamente para Nossa Senhora quando, na verdade, eles oravam para Iemanj\u00e1.<\/p>\n<p>A aud\u00e1cia chegou ao ponto deles pegarem esses santos e em seu interior colocarem pedras coloridas referentes ao Orix\u00e1 daquela imagem. Quando o homem branco descobriu essa ideia, al\u00e9m de dar uma sova nos escravos, adotou a ideia para colocar ouro dentro das imagens e assim evitar o pagamento que a coroa portuguesa pedia. Assim nascia o santo do pau oco.<\/p>\n<p>Muitas vezes as obriga\u00e7\u00f5es dos Orix\u00e1s precisavam ser feitas na natureza selvagem e foi a\u00ed que entrou a m\u00e3ozinha do \u00edndio nessa hist\u00f3ria. Senhores nativos das florestas, os \u00edndios simpatizavam com os negros, que um dia haviam sido senhores nativos nas florestas africanas. Eles tamb\u00e9m tinham em comum a cren\u00e7a no poder dos esp\u00edritos das florestas, al\u00e9m do \u00f3dio m\u00fatuo pelo homem branco. Por isso, quando os negros precisavam fazer suas obriga\u00e7\u00f5es na mata, o \u00edndio se prontificava para servir de guia.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria passou, a escravid\u00e3o acabou, os \u00edndios morreram a rodo por causa das doen\u00e7as trazidas pelos estrangeiros e uma nova religi\u00e3o passou a ser a vedete dos brasileiros: o Espiritismo. Como o brasileiro \u00e9 um povo sem identidade desde o in\u00edcio, ele precisou buscar na Fran\u00e7a o que se tornaria um verdadeiro v\u00edcio entre os brancos: a consulta de esp\u00edritos na mesa branca.<\/p>\n<p>As reuni\u00f5es de mesa branca eram feitas secretamente e n\u00e3o se permitia a entrada de negros, \u00edndios ou qualquer tipo de gentalha. Voc\u00ea pode impedir a carne, mas impedir o esp\u00edrito fica mais dif\u00edcil j\u00e1 que diversas dessas sess\u00f5es recebiam entidades que se identificavam como um Preto Velho ou um Caboclo. Essas entidades eram expulsas do trabalho e se teimassem em voltar, quem acabava expulso era o m\u00e9dium que as recebia.<\/p>\n<p>Esse tipo de pr\u00e1tica continuou at\u00e9 que surgiu um homem chamado Z\u00e9lio de Moraes, que recebia como entidade o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Juntos eles enfrentaram o preconceito e fundaram a primeira tenda umbandista na cidade de S\u00e3o Gon\u00e7alo no Rio de Janeiro. A essa tenda deram o nome de Nossa Senhora da Piedade, sendo que seu primeiro trabalho ocorreu no dia 16 de Novembro de 1908.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o dia 15 de Novembro \u00e9 considerado como a data de origem da Umbanda, pois foi nesse dia que Z\u00e9lio e seu caboclo anunciaram que no dia seguinte iriam se iniciar os trabalhos na tenda. A filosofia da nova religi\u00e3o seria que todas as pessoas e entidades seriam aceitas, independente de ra\u00e7a, cor, f\u00e9 ou evolu\u00e7\u00e3o espiritual. Ali a nota de ordem era praticar a caridade, trabalhar na cura da carne e da alma, al\u00e9m de auxiliar esp\u00edritos pouco evolu\u00eddos na busca pelo progresso.<\/p>\n<p>O sucesso foi imediato e a Umbanda come\u00e7ou a se expandir para todo o Brasil e hoje ela possui mais adeptos que o judaismo, que \u00e9 uma religi\u00e3o bem mais antiga.<\/p>\n<p><em>Notas: Como puderam notar, o preconceito contra as religi\u00f5es afro n\u00e3o \u00e9 de hoje. Tanto que muito se fala em Macumba, mas macumba nada mais \u00e9 que um instrumento musical parecido com o reco-reco. J\u00e1 o fato da Umbanda ser mais popular que o juda\u00edsmo \u00e9 meio \u00f3bvio: ela aceita qualquer um a qualquer momento, enquanto que o juda\u00edsmo \u00e9 fechado e n\u00e3o tem muito interesse em converter fi\u00e9is fora das fam\u00edlias judaicas (coisa que vem mudando atualmente).<\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Chester Chenson<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfavor Convidado \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>. O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas. S\u00e9rie Jornalismo Liter\u00e1rio: Umbanda. 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