{"id":5924,"date":"2014-01-06T07:29:17","date_gmt":"2014-01-06T09:29:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=5924"},"modified":"2025-11-28T11:27:39","modified_gmt":"2025-11-28T14:27:39","slug":"ele-disse-ela-disse-qual-a-graca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/01\/ele-disse-ela-disse-qual-a-graca\/","title":{"rendered":"Ele disse, ela disse: Qual a gra\u00e7a?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5925\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/eded-humor.jpg\" alt=\"eded-humor\" width=\"600\" height=\"301\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/eded-humor.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/eded-humor-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Apesar das cr\u00edticas e pol\u00eamicas t\u00e3o constantes no desfavor, o humor \u00e9 talvez o tom mais recorrente nas postagens at\u00e9 hoje. Exatamente como tanto Sally quanto Somir querem. Mas&#8230; quando o estilo do humor ideal para a Rep\u00fablica Impopular entra em quest\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 sorrisos na discuss\u00e3o. Os impopulares definem qual lado acham mais gra\u00e7a.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc0000;\">Tema de hoje:<\/span> Qual o melhor humor, o mais elitizado ou o mais ecl\u00e9tico?<!--more--><\/strong><\/p>\n<h1>SOMIR<\/h1>\n<p>Para come\u00e7o de conversa, j\u00e1 defino meu desgosto por qualquer coisa &#8220;ecl\u00e9tica&#8221;. J\u00e1 at\u00e9 escrevi um texto inteiro sobre isso: Ecl\u00e9tico \u00e9 o gosto de quem n\u00e3o tem gostos, assim como humildade \u00e9 a qualidade de quem n\u00e3o tem qualidades. Essa coisa vegetal de &#8220;gostar de tudo&#8221; \u00e9 a principal motivadora do material de baix\u00edssima qualidade que temos que ver, ouvir e ler todos os dias. Se as pessoas desse mundo realmente tivessem gosto por m\u00fasica, o funk carioca jamais teria aparecido na face da Terra. Voc\u00eas financiam esse tr\u00e1fico, playboyzinhos!<\/p>\n<p>Pois bem&#8230; c\u00e1 estou eu de novo do lado elitista da argumenta\u00e7\u00e3o. E aposto que muitos de voc\u00eas v\u00e3o se render \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o &#8220;agn\u00f3stica&#8221; de versar uma opini\u00e3o confusa e mal fundamentada como se fosse algo realmente inteligente. N\u00e3o \u00e9. Isso se chama covardia intelectual! Medo de exprimir uma ideia que realmente possa ser derrubada numa argumenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e9rio que v\u00e3o tentar me convencer que humor dependente de pensar um pouco antes de rir n\u00e3o \u00e9 muito superior a peidos, quedas e tortas na cara? N\u00e3o estou nem dizendo que o humor mais rasteiro n\u00e3o rende risadas, porque eu mesmo me pego rolando de rir com as maiores bobagens; meu argumento aqui \u00e9 que se \u00e9 para ter alguma linha guia de humor no desfavor, que ela n\u00e3o seja a mera busca por risadas.<\/p>\n<p>Risada \u00e9 um reflexo praticamente incontrol\u00e1vel, surge at\u00e9 quando n\u00e3o h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o alguma de fazer uma piada. Praticamente qualquer pessoa nesse mundo consegue fazer outra pessoa rir, nem que seja em ocasi\u00f5es bem espec\u00edficas. N\u00e3o tem gente que ri assistindo Zorra Total? Focar a busca pelo humor apenas nesse produto final barateia o processo todo e gera flacidez mental. Pra qu\u00ea buscar uma ironia surpreendente num tema se basta gritar e fazer uma careta ao falar dele?<\/p>\n<p>As melhores risadas vem num pacote bem mais completo. Elas s\u00e3o fruto n\u00e3o s\u00f3 de uma situa\u00e7\u00e3o inusitada que seus sentidos captam, elas s\u00e3o o resultado do seu c\u00e9rebro fazendo uma conex\u00e3o surpreendente entre ideias. O comediante de stand-up que s\u00f3 faz macaquice e conta piadas consegue fazer muitas gente rir, mas um George Carlin, Bill Hicks ou Doug Stanhope da vida consegue te tirar da zona de conforto e te fazer rir do que voc\u00ea n\u00e3o costuma rir normalmente. \u00c9 engra\u00e7ado, mas te surpreende. E por um pequeno instante parece que o mundo ficou maior&#8230;<\/p>\n<p>Mesmo que eles estejam falando algo com o que voc\u00ea n\u00e3o concorda. N\u00e3o \u00e9 sobre aquela coisa pregui\u00e7osa de s\u00f3 querer que confirmem suas vis\u00f5es pr\u00e9vias de mundo. Humor inteligente \u00e9 capaz de entrar na sua cabe\u00e7a e te provocar, sem a &#8220;obriga\u00e7\u00e3o social&#8221; de te convencer de alguma coisa, como numa argumenta\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o d\u00e1 para fazer isso o tempo todo, nem os melhores conseguem&#8230; Mas, cacete, se voc\u00ea n\u00e3o quiser algo maior do que um reflexo da plateia&#8230; voltamos \u00e0 analogia da masturba\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea faz humor porque voc\u00ea quer se sentir engra\u00e7ado, e n\u00e3o para se comunicar. E isso reflete em todos os envolvidos no processo. Se n\u00e3o tiver a vontade de elitizar o humor, voc\u00ea acaba engolido pelas expectativas da plateia.<\/p>\n<p>Muito engra\u00e7ado pegar um clipe de funk carioca e analisar cena por cena. Mas se voc\u00ea n\u00e3o tomar cuidado para manter o n\u00edvel das piadas o mais alto poss\u00edvel, o objeto da piada fica no lugar errado. Acabaremos todos rindo de pobres por serem pobres. Ponto. S\u00f3 isso. E por mais que eu n\u00e3o seja nenhum defensor do politicamente correto, \u00e9 de uma mediocridade horr\u00edvel resumir seu senso cr\u00edtico \u00e0 sua habilidade de apontar para o que \u00e9 diferente. Humor bom tem contexto, tem sutileza, tem refer\u00eancias e motiva\u00e7\u00f5es para existir.<\/p>\n<p>Vamos rir do banal quando ocorrer, mas vamos rir do sublime como escolha! Do que n\u00e3o se diz por a\u00ed. Uma semana hist\u00f3rica cheia de piadas que exigem conhecimento pr\u00e9vio para serem entendidas n\u00e3o pode ser s\u00f3 um tiro n&#8217;\u00e1gua. Muito triste que t\u00e3o pouca gente consiga reconhecer o tipo de piada&#8230; Mais triste ainda se n\u00f3s nos rebaixarmos a pregui\u00e7a alheia de pesquisar no Google por 3 segundos e come\u00e7armos a fazer piadas e refer\u00eancias que qualquer um com um batimento card\u00edaco consiga entender.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 se rebaixar. Isso \u00e9 rebaixar quem est\u00e1 lendo tamb\u00e9m. Se tem que ter uma linha aqui, que ela seja a do complexo. Um enorme pau no cu de todos que ficarem reclamando que n\u00e3o conseguem acompanhar&#8230; Sele\u00e7\u00e3o natural! V\u00e3o rir de gente gritando e se contorcendo histericamente, porque eu n\u00e3o quero nem dividir os mesmos bits e bytes com voc\u00ea.<\/p>\n<p>Desfavor n\u00e3o \u00e9 inclus\u00e3o. Nunca foi. N\u00e3o consegue entender as piadas? Corre atr\u00e1s. N\u00e3o quer correr atr\u00e1s? Divirta-se com as figurinhas. Entendam o seguinte: Em tempos de Google e Wikip\u00e9dia, ignor\u00e2ncia (pelo menos da classe m\u00e9dia para cima) \u00e9 escolha. Em outros tempos v\u00e1 l\u00e1&#8230; mas hoje em dia \u00e9 DEVER c\u00edvico n\u00e3o aliviar para quem tem pregui\u00e7a de aprender.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel evitar humor mais chulo e \u00f3bvio, eu sei. Mas isso n\u00e3o significa que devemos achar normal que ele seja um dos nossos objetivos. N\u00e3o pode se contentar com esse pouco. Uma piada sutil bem colocada num Desfavor Explica tem muito mais import\u00e2ncia do que um texto inteiro feito para ser engra\u00e7ado. A piada que comunica \u00e9 sempre mais valiosa.<\/p>\n<p>Esse tem que ser o nosso norte. Humor elitizado para n\u00e3o cairmos na vala comum. Quem quer falar para todo mundo acaba n\u00e3o falando com ningu\u00e9m&#8230; Sejamos tudo, menos ecl\u00e9ticos (ha).<\/p>\n<h3>Para dizer que n\u00e3o achou a menor gra\u00e7a, para perguntar se meu texto foi uma piada, ou mesmo para dizer que \u00e9 contra tudo que aliene gente burra daqui (ha): <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n<h1>SALLY<\/h1>\n<p>Quem conhece a figura j\u00e1 deve saber que era de se esperar&#8230; Somir tirou f\u00e9rias, mas est\u00e1 com um olho no peixe o outro no gato. J\u00e1 me mandou um e-mail advertindo sobre a import\u00e2ncia de manter um certo \u201cn\u00edvel\u201d no nosso humor, para &#8220;filtrar o tipo de leitor que teremos&#8221;. Algumas postagens mais populares fizeram soar o sinal de alerta dele. Ele me perguntou se &#8220;\u00e9 assim que vai ser&#8221; na aus\u00eancia dele, se eu pretendo &#8220;transformar o Desfavor em um galinheiro\u201d e outras coisas um pouco menos delicadas. Somir acha que o humor que tem valor \u00e9 o humor inteligente, coberto por refer\u00eancias que s\u00f3 quem tem muita cultura consegue perceber e entender. Somir est\u00e1 contrariado.<\/p>\n<p>Para fazer de um lim\u00e3o uma limonada, resolvemos trazer a discuss\u00e3o para c\u00e1: Qual \u00e9 o melhor tipo de humor, aquele mais sofisticado, composto exclusivamente por piadas com refer\u00eancias elitizadas ou um humor mais ecl\u00e9tico? Bom, quem acompanha a gente desde 2009 vai saber claramente como eu vou me posicionar: o dif\u00edcil n\u00e3o \u00e9 fazer o dif\u00edcil, o dif\u00edcil \u00e9 fazer o vers\u00e1til. Nada supera um humor ecl\u00e9tico.<\/p>\n<p>A Madame aqui de cima acha que um humor mais elitizado, composto por refer\u00eancias de complexa compreens\u00e3o sempre ser\u00e1 melhor. Muitas vezes o vejo usando esse humor para \u201cfiltrar\u201d pessoas, como se pessoas inteligentes sempre quisessem um humor igualmente inteligente. Quem disse? E se a pessoa estiver em um dia exaustivo e quiser rir f\u00e1cil de algo r\u00e1pido e imediato? O humor bem-feito \u00e9 aquele que vem em camadas, como uma cebola, onde em um mesmo contexto se encontram as camadas mais superficiais que n\u00e3o demandam esfor\u00e7o algum de compreens\u00e3o por parte do interlocutor e as \u00faltimas s\u00e3o compreendidas por poucos, muito poucos. Reunir isso em um \u00fanico lugar \u00e9 uma arte que poucos dominam.<\/p>\n<p>Essa setoriza\u00e7\u00e3o do humor sempre me chateou. De uns tempos para c\u00e1 ela vem se tornando ainda mais ostensiva: s\u00f3 se faz programa de humor pensando burro, na base da repeti\u00e7\u00e3o de bord\u00e3o. Acabou, \u00e9 o mercado que domina o que vai ser apresentado. N\u00e3o precisa ser assim, \u00e9 poss\u00edvel reunir v\u00e1rias camadas de compreens\u00e3o de modo a agradar os mais diversos p\u00fablicos e at\u00e9, quem sabe, ao introduzir esse humor novo, um pouco mais rebuscado, incentivar quem n\u00e3o est\u00e1 acostumado a pensar a refletir. Sim, eu sou rom\u00e2ntica, eu acredito que muito da \u201cburrice\u201d seja consequ\u00eancia da falta de est\u00edmulo intelectual, dessa zorratotaliza\u00e7\u00e3o do humor. Vamos apresentar, al\u00e9m do tradicional, um plus? Pega quem quer!<\/p>\n<p>Outra coisa: porque algu\u00e9m iria querer \u201cfiltrar\u201d um p\u00fablico de humor? Qual \u00e9 o dem\u00e9rito de fazer uma pessoa mais popularesca rir? Acho at\u00e9 mais m\u00e9rito, pois se a pessoa leva uma vida mais dif\u00edcil, tamb\u00e9m \u00e9 mais dif\u00edcil arrancar um sorriso dela. Para conseguir isso \u00e9 preciso descer o n\u00edvel a ponto de que cabecinhas mais pensantes n\u00e3o tolerem o grau de dem\u00eancia daquele humor? N\u00c3O, PORRA! D\u00e1 para fazer tudo.<\/p>\n<p>D\u00e1 para criar algo onde, em um primeiro momento, TODOS riam: um analfabeto do Acre, uma vendedora de Acaraj\u00e9 de Salvador, um executivo paulista e um traficante carioca. Tem coisas que s\u00e3o universais, inerentes a todos n\u00f3s, seres humanos. D\u00e1 para fazer humor com coisas b\u00e1sicas, universais e ele n\u00e3o ser\u00e1 med\u00edocre&#8230; desde que n\u00e3o se limite s\u00f3 a isso. Desde que depois, o humor continue se aprofundando, de uma forma simp\u00e1tica e sem soar como exclus\u00e3o, de modo a que a vendedora de Acaraj\u00e9, o analfabeto do Acre e o traficante carioca possam n\u00e3o entender muito bem a piada, enquanto que o executivo de S\u00e3o Paulo rola de rir. N\u00e3o importa, os outros tr\u00eas j\u00e1 riram o bastante para retornar mais vezes em busca de mais. E o executivo de S\u00e3o Paulo n\u00e3o teve sua intelig\u00eancia insultada por uma piada rasa que mal o satisfaz. Humor, Meus Queridos Leitores, tem que ser um buf\u00ea self-service, onde se disponibiliza de tudo e cada um pega para si o que tiver vontade naquele dia.<\/p>\n<p>Reparem que eu disse \u201ctiver vontade\u201d. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 uma regra r\u00edgida que pessoas intelectualizadas, inteligentes, ou sofisticadas sempre querer\u00e3o um humor assim. Quem j\u00e1 fez uma tese de doutorado sabe que tem dias que o c\u00e9rebro est\u00e1 dormente, fadigado e n\u00e3o se quer nada al\u00e9m de um bom humor f\u00e1cil. Por mais que voc\u00ea adore salm\u00e3o, trufas, caviar ou lagosta, quem te garante que um dia n\u00e3o vai bater aquele desejo por fast-food? O papel do restaurante \u00e9 servir tudo, para que voc\u00ea, Querido Leitor, escolha o que te atende melhor naquele dia e, sendo o caso, coma de tudo se quiser! \u00c9 assim, fiel a esta premissa, eu escolho meus temas desde 2009. Sirvam-se daquilo que melhor os aprouver naquele momento. Texto do Desfavor ensina primeiros socorros com a mesma facilidade que fala sobre o que os idiotas andam enfiando no cu.<\/p>\n<p>O fato de escrever um humor popularesco me desmerece? N\u00e3o. O que desmerece \u00e9 o fato de S\u00d3 saber escrever humor popularesco. Por\u00e9m, creio eu, todos os extremos s\u00e3o ruins. Da mesma forma que s\u00f3 popularesco \u00e9 med\u00edocre, s\u00f3 elitizado tamb\u00e9m o \u00e9. A grandeza consiste em saber fazer se tudo, saber transitar entre v\u00e1rias nuances. O preto e o branco s\u00e3o t\u00e3o empobrecedores&#8230; saber transitar entre as zonas cinzentas \u00e9 o grande diferencial.<\/p>\n<p>O que impede que em um mesmo texto (ou piada, ou hist\u00f3ria ou seja l\u00e1 o que for) se mescle uma refer\u00eancia envolvendo pol\u00edtica internacional, f\u00edsica qu\u00e2ntica ou um feito hist\u00f3rico com uma situa\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica, um palavr\u00e3o bem contextualizado ou uma ridiculariza\u00e7\u00e3o \u00f3bvia? Sabendo onde e quando colocar estes elementos de modo a que eles estejam em harmonia ou de forma complementar, teremos um resultado engra\u00e7ado e vers\u00e1til. Cada qual aproveita o que pode e o que quer no meio de tantos recursos. Mesmo que voc\u00ea n\u00e3o coma a cereja do sundae, vai usufruir do sorvete, da calda e do granulado.<\/p>\n<p>O humor tem mais valor quando \u00e9 democr\u00e1tico, quando alcan\u00e7a a todos, ainda que nem tudo seja de compreens\u00e3o universal. Eu vou al\u00e9m: mesmo quando a diferen\u00e7a \u00e9 maior do que um simples grau de instru\u00e7\u00e3o ela pode ser superada. Se voc\u00ea pegar bons humoristas de Stand Up de outro pa\u00eds, eles te fazem rir, mesmo com todas as diferen\u00e7as culturais, porque no fundo, somos todos seres humanos. E nem me refiro ao humor brasileiro, isso \u00e9 mundial. Veja um v\u00eddeo de bons humoristas de outros pa\u00edses (recomendo o argentino Fernando Sanjiao), por exemplo. Apesar de toda a diferen\u00e7a cultural (e entre Brasil e Argentina, ela \u00e9 enorme, mesmo que n\u00e3o pare\u00e7a), se o humorista for bom, voc\u00ea vai rir. Se um argentino pode fazer um brasileiro rir, um brasileiro pode fazer brasileiros de v\u00e1rias camadas sociais e graus de instru\u00e7\u00e3o rirem tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>At\u00e9 segunda ordem eu continuo achando que a melhor receita \u00e9 ir de ponta a ponta, desde aquela piada f\u00e1cil e boba que at\u00e9 crian\u00e7a entende at\u00e9 aquela piada que de t\u00e3o rebuscada \u00e9 quase um easter egg. Por mim, boto tudo na bandeja e cada um pega o que quiser.<\/p>\n<h3>Para dizer que depois de tantas met\u00e1foras gastron\u00f4micas tem certeza de que eu sou uma gordinha gulosa, para me perguntar porque eu ainda dou bola para os faniquitos do Somir envolvendo \u201cn\u00edvel\u201d ou ainda para dizer que muito pelo contr\u00e1rio, em vez de elitizar tem que ser cada vez mais trash: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar das cr\u00edticas e pol\u00eamicas t\u00e3o constantes no desfavor, o humor \u00e9 talvez o tom mais recorrente nas postagens at\u00e9 hoje. Exatamente como tanto Sally quanto Somir querem. Mas&#8230; quando o estilo do humor ideal para a Rep\u00fablica Impopular entra em quest\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 sorrisos na discuss\u00e3o. Os impopulares definem qual lado acham mais gra\u00e7a. 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