{"id":6008,"date":"2014-01-27T07:18:17","date_gmt":"2014-01-27T09:18:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=6008"},"modified":"2025-11-27T19:56:59","modified_gmt":"2025-11-27T22:56:59","slug":"ele-disse-ela-disse-estava-escrito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/01\/ele-disse-ela-disse-estava-escrito\/","title":{"rendered":"Ele disse, ela disse: Estava escrito."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6009\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/eded-escritores.jpg\" alt=\"eded-escritores\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/eded-escritores.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/eded-escritores-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Talvez pela ressaca anti-intelectual de falar sobre o que se falou no \u00faltimo s\u00e1bado, Sally e Somir escolhem os escritores que mais os fascinam. Al\u00e9m, \u00e9 claro, de colocar em disputa quem escolheu melhor&#8230; Os impopulares ficam livres para escrever suas entradas na discuss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc0000;\">Tema de hoje:<\/span> Qual o(a) melhor escritor(a) que voc\u00ea j\u00e1 leu?<!--more--><\/strong><\/p>\n<h1>SOMIR<\/h1>\n<p>Lars Silmoy. N\u00e3o deve ser nenhuma surpresa para quem j\u00e1 leu meus Des Contos que sou f\u00e3 de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, da extrapola\u00e7\u00e3o de narrativas, contextos e personagens atuais para realidades alternativas. Sejam elas futuras ou long\u00ednquas. Claro, sem esquecer de uma fundamenta\u00e7\u00e3o na nossa realidade e no que conhecemos sobre o universo. E favor n\u00e3o confundir coisas como Guerra nas Estrelas com fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, fantasia \u00e9 bacana, mas \u00e9 outro g\u00eanero (muito embora Duna seja praticamente inclassific\u00e1vel dessa forma).<\/p>\n<p>De qualquer forma, sempre gostei do g\u00eanero, passando por livros de autores famosos como Aasimov, Clark e Niven at\u00e9 mesmo pelos de ilustres desconhecidos como o que menciono hoje. Silmoy calhou de nascer na Finl\u00e2ndia, o que com certeza \u00e9 melhor do que nascer no Brasil, mas tamb\u00e9m quer dizer que se n\u00e3o traduzirem a obra dele, foi-se a chance de apreciar sua imagina\u00e7\u00e3o incr\u00edvel. S\u00e9rio, finland\u00eas n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 uma l\u00edngua complicada quanto com pouca gente disposta a ensin\u00e1-la (at\u00e9 porque \u00e9 virtualmente imposs\u00edvel achar um finland\u00eas s\u00f3brio&#8230; Ei, se voc\u00ea morasse na Escandin\u00e1via, acharia gra\u00e7a da piada!).<\/p>\n<p>Lars escreveu sete livros durante seus 81 anos de vida, e como nos deixou em 2007, essa \u00e9 a extens\u00e3o de sua obra. E n\u00e3o \u00e9 que ele come\u00e7ou tarde, \u00e9 que uma das suas principais qualidades sempre foi a preocupa\u00e7\u00e3o com a qualidade do material. O primeiro livro, &#8220;Yksin\u00e4isin Planeetta&#8221; (entenderam o drama do finland\u00eas? Traduz-se como &#8220;Planeta Solit\u00e1rio&#8221;) foi publicado em 1961, depois de DEZ anos em produ\u00e7\u00e3o. O \u00faltimo, &#8220;Unohdettu Vallankumous&#8221; (A Revolu\u00e7\u00e3o Esquecida), em 1999, agora sim com pregui\u00e7osos quatros anos at\u00e9 ser completado.<\/p>\n<p>E foi s\u00f3 em 1996 que um dos livros dele foi traduzido pela primeira vez para o ingl\u00eas: &#8220;White Hole&#8221; (e talvez por acharem ser um livro er\u00f3tico&#8230;). Sendo um sucesso de cr\u00edtica, mas n\u00e3o de p\u00fablico, temos atualmente cinco dos sete pelo menos em ingl\u00eas. Estou pensando seriamente em aprender finland\u00eas para finalmente ler DIREITO os dois primeiros livros dele (tradu\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica ningu\u00e9m merece).<\/p>\n<p>Como j\u00e1 disse, a aten\u00e7\u00e3o aos detalhes e \u00e0 ci\u00eancia \u00e9 impressionante. Lars segue a linha de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dura (tradu\u00e7\u00e3o fanfarrona), com uma grande dose de respeito pelas leis regentes do universo. Nada de som no espa\u00e7o ou viagem no tempo para o passado. Uma das coisas mais bacanas na obra dele \u00e9 como ele se adapta \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do conhecimento humano e vai revendo seus conceitos com o passar dos livros. N\u00e3o h\u00e1 vaidade que se compare com o m\u00e9todo cient\u00edfico!<\/p>\n<p>Mas \u00e9 claro que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso que me faz escolh\u00ea-lo como o melhor que j\u00e1 li. Nunca vi algu\u00e9m que respeitasse tanto a hist\u00f3ria contada como Silmoy. Tem gente que se amarra em estilo, no uso da escrita em si como ferramenta para transmitir emo\u00e7\u00f5es; entendo o apelo, mas nada como se deparar com um escritor t\u00e3o apaixonado pelo conte\u00fado da sua narrativa que tudo vem naturalmente para o leitor. Voc\u00ea tem tantos subs\u00eddios da cena e tanta coer\u00eancia no desenvolvimento da hist\u00f3ria que \u00e9 como se o livro fosse uma mem\u00f3ria sua. Que j\u00e1 vem cheia de significados atrelados aos elementos e n\u00e3o \u00e0 forma de represent\u00e1-los.<\/p>\n<p>E apesar dos detalhes e da coer\u00eancia, tem outro fator preponderante nessa representa\u00e7\u00e3o n\u00edtida do universo ficcional dele: N\u00e3o espere que algu\u00e9m segure sua m\u00e3o e te lembre do que \u00e9 importante lembrar durante a leitura de uma das obras de Lars Silmoy. Ele manda um turbilh\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es por p\u00e1gina, e \u00e9 sua responsabilidade notar como elas se entrela\u00e7am e desenvolvem. \u00c9 mais do que ler, \u00e9 testemunhar.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero entregar a hist\u00f3ria de um dos livros, mas ao ler &#8220;Shield&#8221; (o quarto livro dele, e porra, n\u00e3o vou traduzir do ingl\u00eas!) pela primeira vez eu entendi o final da hist\u00f3ria de uma forma, afinal, eu leio de forma meio compulsiva por natureza e queria saber logo o que ia acontecer. Depois de ler um coment\u00e1rio (traduzido do finland\u00eas) num f\u00f3rum perdido sobre o livro em quest\u00e3o e n\u00e3o entender o que a pessoa tinha compreendido do final, li de novo, agora com calma&#8230; Estava l\u00e1 o tempo todo, dicas sutis como a descri\u00e7\u00e3o de um olhar de desaprova\u00e7\u00e3o e uma porra de uma pedra ca\u00edda no canto de uma sala (s\u00e9rio, Lars era um g\u00eanio, mas era doente com essa coisa de detalhes) davam a entender que a MINHA impress\u00e3o do final fazia parte de um plano! A hist\u00f3ria verdadeira era outra!<\/p>\n<p>Depois disso eu n\u00e3o consegui me concentrar em nada enquanto n\u00e3o conseguisse c\u00f3pias digitais (spoiler: eu GOSTO de ler no monitor) do resto dos livros traduzidos dele, e at\u00e9 mesmo os n\u00e3o traduzidos. Realidades paralelas, mundos alien\u00edgenas, futuro-nem-t\u00e3o-distante&#8230; Lars consegue ir para cada um desses lugares e pin\u00e7ar deles uma hist\u00f3ria humana e surpreendente. Para imaginar o tipo de hist\u00f3ria que ele conta, \u00e9 s\u00f3 lembrar das que eu conto por aqui. Mas adicionar talento, dedica\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o da natureza humana&#8230; Se ME deixa humilde, pouca coisa n\u00e3o \u00e9 (contradi\u00e7\u00e3o-\u00e7\u00e3o-\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>\u00c9 sobre natureza humana, mas n\u00e3o se rende ao lugar comum de colocar uma roupa de ET ou de rob\u00f4 num estere\u00f3tipo de n\u00f3s, macacos pelados. Em &#8220;Forty Tribes&#8221; (o pen\u00faltimo), Lars passa o tempo todo descrevendo uma civiliza\u00e7\u00e3o alien\u00edgena que REALMENTE parece alien\u00edgena; diferen\u00e7as fisiol\u00f3gicas baseadas em condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia muito diferentes das nossas geram uma ra\u00e7a inteligente que trata dist\u00e2ncia f\u00edsica como tratamos dinheiro. \u00c9 uma das coisas mais dif\u00edceis de se explicar para quem n\u00e3o leu, mas quando o estranhamento passa e as personagens ficam conhecidas e dissoci\u00e1veis, tudo faz sentido. Voc\u00ea est\u00e1 em outra realidade e acaba de se adaptar a ela (eu fiquei meio claustrof\u00f3bico por mais ou menos uma semana depois de ler&#8230;). Pelo menos para mim esse \u00e9 o objetivo final de qualquer obra de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: Te levar para longe e te fazer se sentir pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>No final das contas n\u00e3o \u00e9 sobre escapismo, \u00e9 sobre empatia. E, claro, sobre uma boa hist\u00f3ria.<\/p>\n<h3>Para dizer que os livros devem ser a coisa mais chata do mundo para eu gostar tanto, para dizer que indicar autor em finland\u00eas \u00e9 muito hipster, ou mesmo para arriscar um pedido de casamento meu ao dizer que tamb\u00e9m \u00e9 f\u00e3: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n<h1>SALLY<\/h1>\n<p>Confesso que fiquei na d\u00favida para escolher o melhor escritor de todos os tempos. Na verdade, eu sempre soube a resposta, mas justamente por ele n\u00e3o ser muito popular no Brasil (e talvez no mundo) eu titubei. Para ser bem sincera, acho que ele apenas \u00e9 conhecido na Argentina, e ainda assim, mais pela elite intelectual: Gatoi Moris ou, se preferirem, algum dos diversos pseud\u00f4nimos que ele usa. S\u00f3 fato de algu\u00e9m conhec\u00ea-lo faz a pessoa subir de forma estratosf\u00e9rica no meu conceito, se apreciar sua obra ent\u00e3o, fa\u00e7o uma rever\u00eancia.<\/p>\n<p>O que mais me fascina nas obras de Moris \u00e9 que ele, assim como o Desfavor, n\u00e3o tem a menor pretens\u00e3o em ser popular ou famoso. Ele apenas quer escrever, e o faz por voca\u00e7\u00e3o, por amor. Nunca se esfor\u00e7ou para divulgar seus livros, eles se sobressa\u00edram \u00fanica e exclusivamente por sua excel\u00eancia, apreciado por poucos, quase que em um clube secreto elitista que n\u00e3o faz a menor quest\u00e3o de ostentar o que est\u00e1 lendo em rede social. Discreto, genial e blas\u00e9. Tem como n\u00e3o amar? Ele n\u00e3o se importa com a fama nem com a n\u00e3o fama, ele simplesmente escreve independente disso.<\/p>\n<p>O primeiro livro que li dele, \u201cHoy es el dia mas importante de mi vida\u201d, me marcou profundamente. Parecia que eu estava vivendo a experi\u00eancia da protagonista, me angustiei, fiquei nervosa, chorei e torci, emo\u00e7\u00f5es que n\u00e3o sinto comumente lendo um livro. Sua narrativa envolvente me fez virar uma noite lendo, eu n\u00e3o consegui largar aquele livro enquanto n\u00e3o o terminei, porque n\u00e3o conseguia dormir sem saber como a hist\u00f3ria da protagonista ia acabar. E acaba de uma forma surpreendente, ao menos para mim. Mas chega de falar de detalhes, n\u00e3o quero dar spoilers, apesar de ter quase certeza de que dificilmente se tenha acesso \u00e0s obras dele traduzidas para o portugu\u00eas. N\u00e3o \u00e9 o tipo de autor que se ache no eMule.<\/p>\n<p>Confesso que muito da minha forma de escrever vem inspirada nas obras de Moris, apesar de saber que nunca vou alcan\u00e7ar seu n\u00edvel, procuro ao menos seguir uma linha similar: escrita simples, informal, que fa\u00e7a com que o leitor sinta que est\u00e1 conversando com o autor, que fa\u00e7a o leitor visualizar n\u00e3o apenas o que est\u00e1 sendo narrado, como tamb\u00e9m o sentimento do narrador. Nenhum outro escritor que eu tenha lido consegue capturar o leitor e envolv\u00ea-lo dessa forma e isso para mim \u00e9 o maior dos dons. Alu\u00edsio Azevedo meu ovo inexistente! O dif\u00edcil \u00e9 fazer o simples, o rebuscado muita gente faz. Erudi\u00e7\u00e3o se aprende, empatia e carisma s\u00e3o dons.<\/p>\n<p>O livro dele que mais gostei foi \u201cSolo necesito de una oportunidad\u201d, apesar de ser um dos mais controversos. Ou as pessoas amam, ou odeiam. N\u00e3o vou me aprofundar para n\u00e3o estragar a surpresa, que consiste mais na trama em si do que no desfecho, mas confesso que senti um tipo brando de inveja. Eu queria ter escrito aquilo. Pena que n\u00e3o fui eu, mas que bom que existe algu\u00e9m no mundo que o escreveu! \u00c9 o tipo de livro que quando voc\u00ea acaba de ler pensa \u201cEu sou uma pessoa melhor depois de ter lido isso\u201d.<\/p>\n<p>Acho que a melhor forma de definir os livros de Moris \u00e9: alimento para a alma. Algo que te diverte, te deixa leve, mas, ao mesmo tempo, acrescenta, instiga o questionamento, a reflex\u00e3o. Um mix de coragem e do\u00e7ura propositadamente camuflada, uma genialidade propositadamente disfar\u00e7ada na tentativa de ser acess\u00edvel. A generosidade quase que inconsciente de se rebaixar ao n\u00edvel de \u201creles mortais\u201d para compartilhar conosco sua escrita. Fico me perguntando se ele sabe do alcance do seu potencial. Provavelmente n\u00e3o, genialidade costuma trazer consigo algumas mazelas, conflitos internos e cobran\u00e7as.<\/p>\n<p>Confesso que chego a ser tomada por um sentimento que beira ao ego\u00edsmo. Me sinto t\u00e3o privilegiada por ter descoberto sua obra e vejo como ela \u00e9 exclusiva, no sentido de ser para poucos, que muitas vezes me privei de compartilh\u00e1-la com pessoas que talvez a pudessem apreciar. Uma sensa\u00e7\u00e3o boba de que se aquilo se popularizasse eu n\u00e3o seria mas t\u00e3o especial, n\u00e3o seria da elite de pessoas que o descobriram e leram seus livros. Enquanto sua obra fosse um reduto para poucos, ela me ajudaria a filtrar pessoas. Ser apreciador ou leitor de Moris seria um passaporte para ganhar a minha admira\u00e7\u00e3o. Besteira, hoje estou aqui desapegando dessa ideia mesquinha e compartilhando com quem quiser ler: Moris \u00e9 um g\u00eanio, daquele tipo mais atraente, aquele que n\u00e3o se sente g\u00eanio.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode estar se perguntando o que ele tem que tantos outros escritores geniais n\u00e3o tem. N\u00e3o sei. Juro que n\u00e3o sei. Por algum motivo o que ele escreve me causa uma identifica\u00e7\u00e3o profunda. Talvez um mix da sua postura, da sua escolha de vida com a genialidade da sua obra, n\u00e3o sei. Fato \u00e9 que seus livros me causam um impacto que mais ningu\u00e9m causa. Aquela coisa de voc\u00ea ler e, linha ap\u00f3s linha, fazer que \u201csim\u201d com a cabe\u00e7a, concordar com tudo e pensar \u201cessa pessoa estava lendo a minha mente quando escreveu isso!\u201d. Mais do que ler mente, ele desvenda coisas que eu sentia e n\u00e3o conseguia organizar na minha cabe\u00e7a de forma racional para perceber que as sentia. N\u00e3o sei se algu\u00e9m aqui j\u00e1 se sentiu assim durante uma leitura qualquer, mas para mim isso \u00e9 o elo mais forte que liga um autor a um leitor.<\/p>\n<p>A capa dos livros \u00e9, sem trocadilhos, um cap\u00edtulo \u00e0 parte. Eu sei que n\u00e3o se deve julgar um livro pela capa, mas, como se n\u00e3o bastasse o conte\u00fado excepcional, as capas s\u00e3o lindas! Por exemplo, a capa do livro \u201cNo te vas a arrepentir\u201d virou estampa de um vestido meu, de t\u00e3o fascinada que fiquei por ela. Mandei estamp\u00e1-la em um vestido branco que eu gostava muito, mais precisamente por todo o vestido. At\u00e9 hoje me param na rua para perguntar onde comprei esse vestido, isso quando n\u00e3o ficam olhando fascinados para o desenho. Poucas pessoas sabem, mas \u00e9 o pr\u00f3prio Moris quem faz as capas de seus livros. Ali\u00e1s, ele \u00e9 multifuncional, ele participa de praticamente todos os momentos, do processo criativo, at\u00e9 o livro pronto.<\/p>\n<p>Moris s\u00f3 refor\u00e7a minha teoria de que tem muita coisa boa \u201cescondida\u201d por a\u00ed, que s\u00f3 pode ser encontrada garimpando muito ou por uma daquelas sortes absurdas que acontecem com a gente de vez em quando na vida. Eu tive essa grande sorte e tentei agarr\u00e1-la com unhas e dentes. O popular, o consenso, o massificado cada vez me atraem menos. Os verdadeiros tesouros est\u00e3o no anonimato ou ent\u00e3o esmagados por aqueles pretensamente populares, justamente porque n\u00e3o h\u00e1 quantidade suficiente de seres humanos geniais para apreci\u00e1-los a ponto de populariz\u00e1-los.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, independente de quem seja seu escritor favorito, tenha sempre em mente que assim como h\u00e1 muita coisa ruim, tamb\u00e9m h\u00e1 muita coisa boa por a\u00ed, no anonimato, esperando para ser descoberta ou mesmo em evid\u00eancia, mas sem muito destaque. Seja curioso, d\u00ea uma chance aos desconhecidos, aposte. N\u00e3o se deixe desanimar pela premissa que a maioria \u00e9 porcaria, \u00e0s vezes nasce uma flor no meio do estrume.<\/p>\n<h3>Para discutir a obra de Moris comigo e me dar uma grande felicidade, para critic\u00e1-lo sem nunca ter lido, apenas pelo fato de ser argentino ou ainda para falar comigo nas entrelinhas: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez pela ressaca anti-intelectual de falar sobre o que se falou no \u00faltimo s\u00e1bado, Sally e Somir escolhem os escritores que mais os fascinam. Al\u00e9m, \u00e9 claro, de colocar em disputa quem escolheu melhor&#8230; Os impopulares ficam livres para escrever suas entradas na discuss\u00e3o. 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