{"id":6060,"date":"2014-02-07T07:35:18","date_gmt":"2014-02-07T09:35:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=6060"},"modified":"2014-02-07T07:35:18","modified_gmt":"2014-02-07T09:35:18","slug":"des-contos-meu-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/02\/des-contos-meu-bem\/","title":{"rendered":"Des Contos: Meu bem."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6061\" alt=\"desc-bemdequem\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/desc-bemdequem.jpg\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/desc-bemdequem.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/desc-bemdequem-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>O despertador do celular come\u00e7a a tocar. Tamara deixa escapar um longo suspiro, o corpo ainda anestesiado pelo sono. Por mais que disposi\u00e7\u00e3o matinal nunca tenha sido seu forte, sente uma dificuldade maior que a habitual em se desvencilhar dos len\u00e7\u00f3is. O banho, o caf\u00e9 da manh\u00e3 e seus outros rituais do come\u00e7o do dia tamb\u00e9m vem acompanhados dessa letargia incomum. A conta vem em forma de atraso, e por consequ\u00eancia a perda da carona di\u00e1ria at\u00e9 o trabalho.<!--more--><\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o mais do que cinco quarteir\u00f5es at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 mais pr\u00f3xima, trajeto consideravelmente mais complicado com as roupas e os sapatos de trabalho. Enquanto Tamara negocia sua passagem pelas irregulares cal\u00e7adas de sua vizinhan\u00e7a, o celular come\u00e7a a tocar.<\/p>\n<p><b>TAMARA:<\/b> Bom dia, Paula!<br \/>\n<b>PAULA:<\/b>Bom dia nada! Por que voc\u00ea n\u00e3o veio para a reuni\u00e3o?<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> Com o pessoal da matriz? N\u00e3o \u00e9 hoje?<br \/>\n<b>PAULA:<\/b>Foi ontem! Voc\u00ea me deixou na m\u00e3o, tive que apresentar tudo sozinha&#8230;<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> Desculpa! Eu jurava que era hoje&#8230; Ontem eu fiquei atualizando os relat\u00f3rios de vendas justamente para apresentar!<br \/>\n<b>PAULA:<\/b>On&#8230;<\/p>\n<p>O salto de Tamara enrosca numa pedra solta, tirando o apoio de sua perna direita e lan\u00e7ando-a de forma atabalhoada em dire\u00e7\u00e3o a um poste. No esfor\u00e7o para se manter em p\u00e9, o telefone paga o pre\u00e7o. Arremessado ao ch\u00e3o, tela apagada e rachada pelo impacto. Tamara recobra o equil\u00edbrio e recupera o aparelho, n\u00e3o sem antes confirmar rapidamente se haviam testemunhas presentes. Para sua sorte, n\u00e3o era o caso: Seu pr\u00e9dio ficava numa rua acanhada no centro da cidade onde nem mesmo o com\u00e9rcio tinha interesse de se manter. No lugar, dezenas de pr\u00e9dios habitacionais que eclipsavam qualquer tentativa do Sol de encontrar o asfalto. Rua deserta e escura como de costume.<\/p>\n<p>Atrasada e quatro quadras restantes com um celular quebrado e um tornozelo dolorido pareciam problema o suficiente. O homem estranho que acabara de sair de uma viela pr\u00f3xima comprovava que suficiente ainda n\u00e3o era o bastante. Impossibilitada de acelerar o passo e melindrosa sobre manter contato visual por mais que algumas fra\u00e7\u00f5es de segundo, Tamara prestava mais aten\u00e7\u00e3o nos sons dos passos que a seguiam do que em qualquer outra coisa. Tamara enxerga a esquina: outra rua deserta. A cad\u00eancia do homem parecia um pouco maior do que a dela, mas nada alarmante.<\/p>\n<p>At\u00e9 que o som torna-se alarmante. Os passos que a acompanhavam ficam mais pesados e r\u00e1pidos. Ela se volta para a dire\u00e7\u00e3o do homem, ele tem pele clara e complei\u00e7\u00e3o avantajada. Vestido com roupas discretas e casuais, olhos escondidos por \u00f3culos escuros e n\u00edtida inten\u00e7\u00e3o de abord\u00e1-la. Tamara tenta correr, a dor do tornozelo anestesiada pela adrenalina. N\u00e3o \u00e9 o suficiente.<\/p>\n<p>Ela sente o tranco em suas costas. Antes mesmo que o ar consiga escapar de seus pulm\u00f5es em forma de grito desesperado, a m\u00e3o do homem recobre sua boca. O outro bra\u00e7o a envolve &#8211; bra\u00e7os inclusos &#8211; suas tentativas de escapar inutilizadas pela consider\u00e1vel for\u00e7a de seu agressor. Tamara sente o p\u00e2nico percorrendo o corpo assim que se percebe indefesa contra a tentativa dele de arrast\u00e1-la no sentido oposto de seu destino. Ele a arrasta por alguns metros at\u00e9 uma van estacionada na pr\u00f3pria rua. Ela pode sentir a respira\u00e7\u00e3o dele pr\u00f3xima de seus ouvidos:<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Se quiser ficar viva, n\u00e3o grite.<\/p>\n<p>Tamara mal consegue raciocinar sobre os pr\u00f3s e os contras de pedir socorro naquela situa\u00e7\u00e3o e j\u00e1 est\u00e1 com uma fita adesiva colada por sobre a boca. Ela se sente fraca, grogue e confusa antes mesmo de ser vendada. Tanto que os minutos seguintes parecem apenas um borr\u00e3o em sua mente. Sente os bra\u00e7os e pernas imobilizados, sente o movimento do carro, mas j\u00e1 n\u00e3o consegue mais fazer sentido de sua situa\u00e7\u00e3o. Sua consci\u00eancia finalmente cede.<\/p>\n<p><b>VOZ:<\/b> Oi?<\/p>\n<p>Com alguma dificuldade, Tamara abre os olhos. A vista ainda borrada n\u00e3o a permite compreender a cena. Ela volta a sentir seus membros, apenas para perceber que continuava presa.<\/p>\n<p><b>VOZ:<\/b> Se estiver com vontade de vomitar, avisa!<\/p>\n<p>A voz reaviva seus sentidos. O homem que a raptara estava a sua frente, corpo inclinado e dedo indicador tocando seu rosto. Com um movimento brusco, Tamara n\u00e3o s\u00f3 demonstra seu protesto contra o toque do estranho como tamb\u00e9m visualiza melhor o lugar onde est\u00e1. Uma sala mal iluminada por uma l\u00e2mpada pendurada do teto por fios, paredes de concreto aparente e nenhuma janela. Com exce\u00e7\u00e3o da poltrona onde se v\u00ea presa por amarras de couro, nenhum outro m\u00f3vel ou elemento decorativo. H\u00e1 um balde pr\u00f3ximo aos p\u00e9s do homem \u00e0 sua frente.<\/p>\n<p><b>TAMARA:<\/b> Por favor, me solta&#8230; Eu n\u00e3o conto pra ningu\u00e9m&#8230;<\/p>\n<p>As l\u00e1grimas que acompanham a fala s\u00e3o t\u00e3o reais quanto o enj\u00f4o que se segue. A tosse seca e o movimento brusco do pesco\u00e7o s\u00e3o o gatilho para a rea\u00e7\u00e3o do homem, que rapidamente coloca o balde no colo de Tamara com uma m\u00e3o e segura seus cabelos com a outra. Tudo a tempo de conter o retorno do caf\u00e9 da manh\u00e3 de Tamara. Ela vomita algumas vezes, respirando com dificuldade. Quando finalmente parece retomar um pouco do f\u00f4lego e da cor, o homem coloca o balde no ch\u00e3o e tira um len\u00e7o do bolso com o qual limpa cuidadosamente a boca dela.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Efeito colateral do rem\u00e9dio, mas n\u00e3o se preocupe que voc\u00ea vai ficar bem. Vou pegar uma \u00e1gua, espera&#8230;<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> O que que voc\u00ea me deu?<\/p>\n<p>O homem ignora a pergunta e sai pela \u00fanica porta do recinto. Tamara come\u00e7a a gritar por socorro na aus\u00eancia de seu captor. Pouco menos de um minuto se passa at\u00e9 que ele retorne com um copo d&#8217;\u00e1gua em m\u00e3os.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> N\u00e3o adianta gritar, \u00e9 tudo isolado por aqui. E vai fazer mal para sua garganta. Toma um pouco d&#8217;\u00e1gua para tirar o gosto ruim da boca&#8230;<\/p>\n<p>Ele tenta virar o copo na boca de Tamara, que se recusa a engolir. O que n\u00e3o escorre pelos cantos da boca acaba cuspido de forma violenta de volta no corpo dele. Depois de um suspiro frustrado, ele come\u00e7a a tentar se secar.<\/p>\n<p><b>TAMARA:<\/b> O que voc\u00ea vai fazer comigo?<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Te fazer esperar aqui nessa sala por 24 horas&#8230; bom, agora 21 horas.<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> H\u00e3?<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Nem vale a pena explicar. Voc\u00ea vai acabar me achando ainda mais maluco e vai ficar assustada \u00e0 toa. A \u00fanica coisa que vai acontecer aqui \u00e9 voc\u00ea ficar sentada at\u00e9 o sol nascer de novo.<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> Voc\u00ea \u00e9 maluco?<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Olha, no meu ramo n\u00e3o existe isso de a\u00e7\u00e3o sem rea\u00e7\u00e3o. E acredite, voc\u00ea \u00e9 uma das sortudas. Antigamente voc\u00eas morriam!<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> Me solta, por favor. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 uma pessoa ruim, n\u00e3o precisa fazer isso&#8230;<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Se eu te soltar, voc\u00ea morre. Vai soar estranho, mas eu estou te salvando.<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> Voc\u00ea acha que me conhece, mas n\u00e3o conhece&#8230; Seja l\u00e1 o que voc\u00ea acha que est\u00e1 fazendo, n\u00e3o est\u00e1 me ajudando. Me solta, por favor.<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Eu nem tenho liberdade para te soltar. O que aconteceu com voc\u00ea \u00e9 culpa minha e eu sou obrigado por lei a garantir que voc\u00ea n\u00e3o saia do fluxo.<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> Fluxo?<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Essa \u00e9 a parte onde voc\u00ea vai me chamar de maluco&#8230; mas vamos ficar aqui por mais v\u00e1rias horas, conversar n\u00e3o vai ser t\u00e3o ruim.<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> &#8230;<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Ok&#8230; o fluxo \u00e9 um apelido que damos na minha \u00e1rea para a rela\u00e7\u00e3o de causalidade entre os multiversos. Mais f\u00e1cil de falar. De forma resumida&#8230; Existem v\u00e1rias realidade paralelas e todas elas dependem de um certo equil\u00edbrio para coexistir. Pessoas como eu trabalham mantendo esse equil\u00edbrio.<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> E o que isso tem a ver comigo?<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Pois bem&#8230; digamos que algo ou algu\u00e9m cruze a multimembrana para se aproveitar de uma condi\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel em outra realidade. Algumas est\u00e3o bilh\u00f5es de anos mais avan\u00e7adas que esta, por exemplo.<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> *olhar choroso e desesperan\u00e7ado*<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Eu te juro que n\u00e3o sou maluco. Toda vez que eu ou um dos meus tem que entrar num universo paralelo para expulsar um invasor, criamos um desequil\u00edbrio no fluxo. Um desequil\u00edbrio pelo qual infelizmente um dos habitantes originais acaba pagando a conta! Eu entrei neste aqui e voc\u00ea acabou sendo deslocada vinte e quatro horas para o futuro.<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> N\u00e3o estou entendendo nada. Eu juro que n\u00e3o vou contar para ningu\u00e9m o que aconteceu&#8230;<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Pode contar \u00e0 vontade, al\u00e9m de ningu\u00e9m acreditar, ainda v\u00e3o ter que cruzar a multimembrana e me procurar num dos virtualmente infinitos universos paralelos. E pelo o que eu j\u00e1 vi dessa realidade aqui, ainda tem uns bons dois ou tr\u00eas milh\u00f5es de anos at\u00e9 voc\u00eas ou um dos outros povos inteligentes daqui desenvolverem a tecnologia.<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> Que rem\u00e9dio voc\u00ea me deu? Eu ainda estou enjoada.<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Ah, \u00e9 para evitar que sua consci\u00eancia desligue antes de voc\u00ea voltar a ficar sincronizada com o fluxo. Efeito colateral&#8230; mas melhor do que a outra op\u00e7\u00e3o. Grandes coisas colocar voc\u00ea de volta morta! Quer dizer, pro universo em si d\u00e1 no mesmo, mas eu n\u00e3o quero ter isso na minha consci\u00eancia.<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> Se voc\u00ea n\u00e3o quer me fazer mal, por que eu estou presa?<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Porque voc\u00ea n\u00e3o acreditou em uma palavra do eu disse e tentaria fugir. Voc\u00ea ficando presa evita que eu tenha que te amea\u00e7ar de qualquer forma. Desnecess\u00e1rio, n\u00e3o? Juro que tentei explicar para o primeiro que salvei, mas ainda mais nessas realidades atrasadas \u00e9 quase imposs\u00edvel que acreditem.<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> Eu estou&#8230; cansada&#8230; sono.<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> &#8230; Olha&#8230; se voc\u00ea prometer ficar quieta, eu trago um colch\u00e3o para c\u00e1 e voc\u00ea descansa um pouco.<br \/>\n<b>TAMARA:<\/b> Eu prometo.<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> T\u00e1 bom. Espera um pouco.<\/p>\n<p>O homem sai pela porta novamente e dessa vez retorna empurrando um colch\u00e3o. Pega ainda um travesseiro e um len\u00e7ol, dispondo-os de forma cuidadosa num dos cantos da sala. Segue at\u00e9 Tamara e solta as amarras. Ela n\u00e3o faz men\u00e7\u00e3o de reagir. Escorada nos bra\u00e7os do homem, ela se move at\u00e9 o colch\u00e3o, onde deita e pega no sono em quest\u00e3o de segundos.<\/p>\n<p>O despertador do celular come\u00e7a a tocar. Tamara deixa escapar um longo suspiro, o corpo ainda anestesiado pelo sono&#8230;<\/p>\n<h3>Para dizer que eu j\u00e1 fiz esse final antes, para dizer que n\u00e3o foi bem esse o final que eu fiz antes, ou mesmo para dizer que ainda sim se sente sujo(a) por ler o texto: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O despertador do celular come\u00e7a a tocar. Tamara deixa escapar um longo suspiro, o corpo ainda anestesiado pelo sono. Por mais que disposi\u00e7\u00e3o matinal nunca tenha sido seu forte, sente uma dificuldade maior que a habitual em se desvencilhar dos len\u00e7\u00f3is. 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