{"id":6073,"date":"2014-02-09T14:00:38","date_gmt":"2014-02-09T16:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=6073"},"modified":"2014-02-09T07:33:01","modified_gmt":"2014-02-09T09:33:01","slug":"desfavor-convidado-o-dia-em-que-a-terra-nao-tremeu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/02\/desfavor-convidado-o-dia-em-que-a-terra-nao-tremeu\/","title":{"rendered":"Desfavor Convidado: O dia em que a terra n\u00e3o tremeu."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6074\" alt=\"descon-terratremeu\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/descon-terratremeu.jpg\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/descon-terratremeu.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/descon-terratremeu-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<blockquote><p><em><strong>Desfavor Convidado<\/strong> \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>.<\/em><br \/>\n<em>O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Desfavor Convidado: O dia em que a terra n\u00e3o tremeu.<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 havia passado um ano desde a sua ida ao altar, mas o seu desconforto ao partilhar a cama com o esposo ainda era evidente. Casar-se sempre fora o seu sonho. Afinal, fora criada para isso. Mas nunca imaginara que o casamento iria exigir mais do que estava apta a oferecer.<!--more--><\/p>\n<p>Sendo a \u00fanica garota e a mais nova de tr\u00eas filhos, n\u00e3o era de se estranhar que a educa\u00e7\u00e3o recebida fosse oposta a dos seus irm\u00e3os. Seu primeiro beijo fora aos dezenove anos e ap\u00f3s cinco anos de namoro vigiado, ela, finalmente, p\u00f4de usar o t\u00e3o sonhado vestido branco.<\/p>\n<p>A primeira noite de casada n\u00e3o foi como imaginara. Os esclarecimentos oferecidos por sua m\u00e3e n\u00e3o a prepararam o suficiente para o que a aguardava dentro do quarto. Aquela deve ter sido a pior noite de n\u00fapcias que alguma garota algum dia j\u00e1 teve.<\/p>\n<p>Naquela manh\u00e3, enquanto dobrava a roupa que acabara de retirar do varal, lembrou-se de como ruborizou ao receber um leve toque dos l\u00e1bios do esposo em sua testa. Um beijo fraterno antes que ele seguisse para o trabalho. Imaginou como seria ver seu esposo ao natural em plena luz do dia. Sim, porque todas as vezes em que cumpriu com a sua obriga\u00e7\u00e3o como esposa fora na escurid\u00e3o da noite. Esse pensamento fez com que as suas bochechas tornassem-se quentes e rosadas.<\/p>\n<p>Recordou de como sua melhor amiga ria extasiada ao relatar suas perip\u00e9cias no leito matrimonial, parecia estar realizada. Ao contr\u00e1rio de sua amiga, ela s\u00f3 havia tido rela\u00e7\u00f5es sexuais em completa escurid\u00e3o e sempre esperava que o seu amado iniciasse o jogo de sedu\u00e7\u00e3o. Ela n\u00e3o fazia por maldade ou por ser adepta de joguinhos, era apenas o reflexo da educa\u00e7\u00e3o rigorosa que outrora recebera.<\/p>\n<p>O seu cora\u00e7\u00e3o batia acelerado sempre que encontrava sobre a cama a camisola de renda que ganhara do marido. Assim que sentia o peso marital sobre si, sua mente vagava para lugares mais costumeiros, como lembrar-se das coisas em que deveria se ocupar no dia seguinte. E, enquanto ouvia a respira\u00e7\u00e3o acelerada ao p\u00e9 do ouvido, pedia ao Criador que acabasse logo com algo t\u00e3o inc\u00f4modo. Nunca chegou a sentir o estremecimento que a amiga sempre relatava. T\u00e3o logo se encerrava o ato, seu arfante esposo depositava-lhe um singelo beijo nos l\u00e1bios e virava-se para o outro lado. N\u00e3o era necess\u00e1rio esperar mais que cinco minutos e logo o seu ronco poderia ser ouvido.<\/p>\n<p>Preocupada com o andamento do seu casamento deixou com que algumas l\u00e1grimas rolassem por seu rosto ao imaginar tal des\u00e2nimo pelo resto da sua vida. Enquanto secava as l\u00e1grimas fujonas, resolveu que naquele mesmo dia iria mudar o rumo da sua vida conjugal. Iria encontrar algum artif\u00edcio que fizesse com que seu esposo lhe beijasse como no passado. Queria ficar de pernas bambas e, quem sabe, encontrar o tal do estremecimento.<\/p>\n<p>Evocou mem\u00f3rias de seu primeiro m\u00eas de casada onde encontrara, entre os pertences de seu amado, fotografias de mulheres praticamente desnudas. Imaginou que as poses e express\u00f5es mostradas, pelas senhoras de car\u00e1ter duvidosos, deveriam ser admiradas pelos homens. Com tal pensamento correu ao quarto a fim de procurar algo que remetesse a um devaneio menos apropriado ao seu marido. Quase a desistir, por n\u00e3o ter encontrado nada menos pudico em seu guarda-roupa, encontrou apenas um par de meias de seda que chegavam at\u00e9 o meio de suas coxas.<\/p>\n<p>Ansiosa com o novo rumo que seu leito matrimonial iria seguir, nossa pequena hero\u00edna, resolveu colocar seus pudores de lado e decidiu esperar pelo retorno de seu esposo vestindo apenas as meias de seda e sapatos de salto alto. Caprichou no banho e perfume, maquiou e penteou-se como se fosse a uma festa e esperou na entrada da sala de jantar, em um \u00e2ngulo onde o seu derri\u00e8re poderia ser visto por ele, atrav\u00e9s do espelho, assim que passasse pela porta da frente. Logo que ouviu o barulho no port\u00e3o, colocou-se a postos e tentou ser o mais provocante poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Ela ficou exultante ao v\u00ea-lo boquiaberto. Ele n\u00e3o conseguia tirar os olhos de seu corpo, percebeu o exato momento em que ele viu o que o espelho estava a refletir, pois ele, imediatamente, tirou o terno, aproximando-se dela com os olhos em chamas e tocou-a levemente no queixo. Ela mal conseguia respirar, pois j\u00e1 podia sentir o beijo ardente que iria receber e sentiu-se animada, pela primeira vez, para ser levada \u00e0 cama.<\/p>\n<p>Mas as palavras que ela ouviu, fizeram com que l\u00e1grimas chegassem aos seus olhos. Imaginando que o seu c\u00e9rebro estivesse pregando uma pe\u00e7a em seus ouvidos, continuou a olh\u00e1-lo a espera de seu merecido beijo. O seu amado esposo falava, fria e educadamente, que ela deveria colocar uma roupa, enquanto colocava sobre os seus ombros o terno que ele havia retirado.<\/p>\n<p>Arrasada, com tamanha humilha\u00e7\u00e3o, correu para o quarto a chorar e, enquanto vestia sua roupa, pensou no quanto fora est\u00fapida. Afinal, ela n\u00e3o deveria ter remexido em algo que n\u00e3o lhe pertencia.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>An\u00f4nima<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfavor Convidado \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>. O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas. 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