{"id":6153,"date":"2014-02-23T14:00:07","date_gmt":"2014-02-23T17:00:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=6153"},"modified":"2014-02-23T07:04:41","modified_gmt":"2014-02-23T10:04:41","slug":"desfavor-convidado-chester-chenson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/02\/desfavor-convidado-chester-chenson\/","title":{"rendered":"Desfavor Convidado: Chester Chenson"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6154\" alt=\"descon-jorlit10\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/descon-jorlit10.jpg\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/descon-jorlit10.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/descon-jorlit10-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<blockquote><p><em><strong>Desfavor Convidado<\/strong> \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>.<\/em><br \/>\n<em>O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>S\u00e9rie Jornalismo Liter\u00e1rio: Chester Chenson<\/strong><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">X<\/h2>\n<p>Este \u00e9 o \u00faltimo texto do livro que ser\u00e1 publicado na internet, para saber o restante do conte\u00fado, s\u00f3 adquirindo o material impresso (marketing \u00e9 tudo n\u00e9). Achei necess\u00e1rio fazer uma breve biografia sobre a minha pessoa, assim mostro um pouco a minha hist\u00f3ria e deixo uma pr\u00e9via para os pr\u00f3ximos textos publicados aqui pelo blog, que ser\u00e3o puramente ficcionais e contar\u00e3o com a poss\u00edvel ajuda de voc\u00eas leitores (ou n\u00e3o).<!--more--><\/p>\n<p>Eu nasci em uma cidade do interior de S\u00e3o Paulo e toda minha fam\u00edlia morava l\u00e1, mas como meu pai era funcion\u00e1rio p\u00fablico, a gente teve que se mudar para outras cidades do interior. Esse comportamento n\u00f4made me fez conhecer muitas pessoas e tive a oportunidade de crescer brincando na rua com os amigos do bairro. Naquela \u00e9poca a internet estava engatinhando, ent\u00e3o a gente tinha que viver na pr\u00e1tica para conhecer as coisas do mundo.<\/p>\n<p>Em uma das cidades que morei fui v\u00edtima de bullying, bem no estilo desses filmes americanos, com direito a cuec\u00e3o, banhos de privada e porradas no final da aula. O meu maior inimigo era um cara que tinha vindo expulso de outra escola e no in\u00edcio ele at\u00e9 simpatizava comigo e me protegia doa valent\u00f5es. Por\u00e9m, ele tinha um apelido do qual odiava e um dia ca\u00ed na besteira de cham\u00e1-lo por esse apelido sem querer. Desse dia em diante, ele se tornou o maior incentivador das agress\u00f5es contra a minha pessoa.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca o bullying n\u00e3o era como hoje, onde todo mundo processa por qualquer coisa e a gente tinha que aguentar as porradas, ir embora pra casa e rezar para que no dia seguinte os valent\u00f5es encontrassem outro alvo. Por\u00e9m , eu era t\u00e3o perdedor que at\u00e9 os alunos da sala especial me zoavam (e olha que eles estavam bem abaixo na hierarquia da pancadaria escolar). Me lembro at\u00e9 hoje quando um rapaz com s\u00edndrome de down, que morava perto da minha casa e eu como bom samaritano o acompanhava para ir embora, pegou minha cabe\u00e7a e fingiu que eu estava fazendo sexo oral nele na frente de toda a escola. Mais perdedor que isso, imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>Nessa mesma cidade meu pai sofreu um processo administrativo interno no \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico onde trabalhava e precisamos nos mudar novamente. Fomos para outra cidade interiorana onda j\u00e1 hav\u00edamos morado, ent\u00e3o acabei reencontrando muitos amigos e n\u00e3o precisei servir como saco de pancadas para conquistar meu lugar ao sol.<\/p>\n<p>Passei minha adolesc\u00eancia nessa cidade e descobri os prazer das bebidas alco\u00f3licas. Comecei a beber com certa frequ\u00eancia, principalmente aos finais de semana. Sem ningu\u00e9m me informar, percebi que estava virando um alco\u00f3latra com 14 anos e cheguei ao \u00e1pice de virar uma garrafa inteira de Amarula antes de uma partida de futebol marcada para as duas da tarde. Como na minha fam\u00edlia havia casos de problemas com bebidas, percebi que eu estava indo num caminho sem volta e dei uma maneirada.<\/p>\n<p>Meu primeiro contato com computador foi mais ou menos nessa \u00e9poca, foi quando comprei tamb\u00e9m meu primeiro CD de Rock. Antes disso eu s\u00f3 ouvia o que meus pais gostavam ou o que tocava nas festas que a gente ia, ou seja, pagode, ax\u00e9 e outras merdas. O Rock pra mim foi uma liberta\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, o grito de um jovem que havia sido abusado e que tinha reprimido muitas emo\u00e7\u00f5es por causa da viol\u00eancia escolar. Observa\u00e7\u00e3o: Como n\u00e3o tinha muita op\u00e7\u00e3o de escolha, claro que o primeiro CD que comprei foi do Iron Maiden.<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m gostava muito de ler hist\u00f3rias em quadrinhos e vivia fazendo desenhos e roteiros para os X-Men, que eram meus her\u00f3is favoritos. Eu colecionava tantas revistas que nem sempre tinha dinheiro para compr\u00e1-las, ent\u00e3o cometia pequenos delitos furtando-as (algo que havia aprendido com o meu maior inimigo da cidade anterior). Continuei furtando revistas at\u00e9 o dia em que fui pego e passei por uma grande vergonha. Prometi a mim mesmo que nunca mais faria aquilo, promessa que acabei descumprindo algumas vezes.<\/p>\n<p>Em determinado momento minha irm\u00e3 precisou mudar para Campinas e pouco tempo depois o resto da fam\u00edlia tamb\u00e9m se mudou. Essa mudan\u00e7a foi uma reviravolta na minha vida, pois estava acostumado com a tranquilidade das cidades pequenas e de repente me vi no meio da confus\u00e3o que \u00e9 a cidade grande. Meu primeiro contato com a internet, com as drogas, com sexo, com homossexuais e com todo tipo de maluco foi aqui, ent\u00e3o tive que me adaptar em muitas coisas e rever alguns conceitos.<\/p>\n<p>Foi quando percebi que o bullying do passado serviria pra alguma coisa, pois me possibilitou ter uma vis\u00e3o distanciada e fria das coisas novas que eu ia aprendendo. Gra\u00e7as a isso n\u00e3o tive preconceitos e sempre consegui me encaixar aonde quer que fosse, mesmo que internamente eu me sentisse um peixe fora d&#8217;\u00e1gua. Nesse processo experimentei algumas drogas e at\u00e9 tive uma experi\u00eancia homossexual. N\u00e3o gostei nem das drogas nem da experi\u00eancia, mas isso fez parte do meu aprendizado pessoal, ent\u00e3o n\u00e3o me arrependo de nenhuma das decis\u00f5es que tomei.<\/p>\n<p>No final da adolesc\u00eancia conheci minha primeira namorada, uma menina mais jovem que estudava com meu irm\u00e3o. N\u00f3s \u00e9ramos feito unha e carne e faz\u00edamos tudo juntos, t\u00ednhamos os mesmos amigos e meu relacionamento com ela era muito forte, pois perdi minha virgindade com ela. Ela era uma grande amiga e conselheira e me viu passar por diversas roubadas, como quando tive que servir o Ex\u00e9rcito. Por\u00e9m, \u00e9 dif\u00edcil uma paix\u00e3o assim durar muito e acabamos nos separando pouco depois de eu entrar na faculdade de jornalismo.<\/p>\n<p>A faculdade \u00e9 uma esp\u00e9cie de fronteira final na vida de zuera para a maior parte das pessoas e comigo n\u00e3o foi diferente. Aproveitei muito, conheci pessoas e trabalhei em lugares onde nunca imaginaria. Entre esses lugares est\u00e3o a Unicamp e o Hospital Municipal M\u00e1rio Gatti. Na Unicamp trabalhei na edi\u00e7\u00e3o de um programa jornal\u00edstico semanal e no hospital servi como estagi\u00e1rio na assessoria de imprensa.<\/p>\n<p>Trabalhar nesses lugares, principalmente no hospital, foi de um aprendizado imenso. Se voc\u00ea quer ver como \u00e9 o sofrimento de perto, passe um dia inteiro em um hospital p\u00fablico. Por um lado voc\u00ea v\u00ea pacientes sofrendo, por outro m\u00e9dicos tendo que se drogar para dar conta de trabalhar mais de 30 horas seguidas, \u00e9 algo impressionante. L\u00e1 eu vi tr\u00eas pessoas morrerem na minha frente e l\u00e1 eu senti que havia alguma energia que deixava nossos corpos quando pass\u00e1vamos para &#8220;o lado de l\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 importante frisar que minha fam\u00edlia \u00e9 cat\u00f3lica e que fui encaminhado para ser cat\u00f3lico. Por\u00e9m, foi s\u00f3 terminar a primeira comunh\u00e3o que naturalmente me tornei c\u00e9tico e um quase ateu. S\u00f3 que o que presenciei naquele hospital me deixou com a pulga atr\u00e1s da orelha e aos poucos fui procurando respostas para minhas d\u00favidas espirituais.<\/p>\n<p>Essa minha busca me levou a diferentes religi\u00f5es, diferentes pontos de vista sobre Deus, Diabo, C\u00e9u e Inferno, mas nenhuma delas me fazia acreditar plenamente. No fim das contas acabei entrando na Rosa Cruz, me envolvi com a Ma\u00e7onaria e foi mais ou menos nessa \u00e9poca que conheci a Kitsune. Minha hist\u00f3ria com ela j\u00e1 contei anteriormente, mas vale sempre relembrar que minhas decis\u00f5es me levaram a caminhos inesperados, pois nunca pensei que um dia iria me casar com uma pessoa cadeirante.<\/p>\n<p>Meu primeiro emprego efetivo na \u00e1rea de jornalismo tamb\u00e9m foi uma s\u00e9rie de ocorr\u00eancias inesperadas, pois tudo come\u00e7ou com um restaurante. Eu estava desempregado e no desespero resolvi levar meu curr\u00edculo em um restaurante. S\u00f3 que esse restaurante era parceiro de um apresentador que na \u00e9poca era muito famoso aqui em Campinas, deu que ele acabou me chamando para trabalhar. Como na \u00e9poca eu era novato, ele me levou para uma produtora de TV e l\u00e1 eu iria aprender todos os fundamentos da fun\u00e7\u00e3o de editor.<\/p>\n<p>Aprendi e fiz tudo o que hav\u00edamos combinado, s\u00f3 que ele n\u00e3o me pagou um puto por isso. Ent\u00e3o me mantive na produtora at\u00e9 que fui chamado para trabalhar na Unicamp, de l\u00e1 fui pro hospital e do hospital pro Mato Grosso. Trabalhar no Mato Grosso foi um caso interessante, pois desde o dia em que entrei na faculdade eu tinha a convic\u00e7\u00e3o de que quando me formasse iria trabalhar em um lugar ermo do pa\u00eds. No livro haver\u00e1 um cap\u00edtulo exclusivo sobre esta experi\u00eancia, ent\u00e3o aguardem.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo em que trabalhei l\u00e1 fiquei separado da Kitsune, n\u00e3o s\u00f3 fisicamente como no relacionamento. Depois que voltei para Campinas reatamos e estamos juntos at\u00e9 hoje. Ap\u00f3s essa volta, consegui trabalho em uma conhecida produtora de cinema daqui, mas eles n\u00e3o pagavam bem. Fiquei l\u00e1 at\u00e9 que um dos outros editores me indicou para trabalhar no Canal Rural, onde estou at\u00e9 hoje ajudando na edi\u00e7\u00e3o de dois programas semanais.<\/p>\n<p>Bem, chegamos ao fim do texto e faltou explicar uma coisa, a origem do nome Chester Chenson. Esse n\u00e3o \u00e9 meu nome real e para n\u00e3o comprometer os autores do blog, manterei minha verdadeira identidade em segredo. O apelido Chester foi criado pelo Somir, pois na \u00e9poca havia um comercial muito famoso que perguntava se algu\u00e9m j\u00e1 havia visto um Chester vivo antes. Como eu sou barrigudo e ando de forma desengon\u00e7ada, n\u00e3o demorou muito pra ele me associar como o Chester vivo que o comercial tanto procurava.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Chenson foi uma adi\u00e7\u00e3o minha que tirei de uma mochila que eu tinha dessa marca, fiz isso por que na \u00e9poca faz\u00edamos um pasquim na faculdade e considerei que Chester poderia se tornar um bom personagem humor\u00edstico, mas que precisava de um sobrenome. Achei que Chester Chenson era um nome bem sonoro e combinava com esse personagem que eu estava criando. Bom, \u00e9 isso, essa \u00e9 a minha hist\u00f3ria resumida, se algu\u00e9m a\u00ed tiver real interesse em colaborar com o livro ou com algum projeto futuro, deixe seu e-mail nas mensagens que entro em contato.<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Chester Chenson<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfavor Convidado \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>. O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas. 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