{"id":6479,"date":"2014-04-30T06:15:04","date_gmt":"2014-04-30T09:15:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=6479"},"modified":"2014-04-30T06:15:04","modified_gmt":"2014-04-30T09:15:04","slug":"somir-surtado-compartilhando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/04\/somir-surtado-compartilhando\/","title":{"rendered":"Somir Surtado: Compartilhando."},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6480\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/sosur-compartilhar.jpg\" alt=\"sosur-compartilhar\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/sosur-compartilhar.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/sosur-compartilhar-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Voc\u00ea est\u00e1 sozinho, na sua frente uma escrivaninha. Amassa uma folha de papel numa bola, mira na lixeira mais pr\u00f3xima&#8230; arremessa! Sabe-se l\u00e1 como a bolinha de papel rebate na parede, pega num vaso, cai rolando por sobre a borda da lixeira e entra! Precisa ser um rob\u00f4 para pelo menos n\u00e3o expressar um sorriso depois disso. Ah, como voc\u00ea queria que algu\u00e9m tivesse presenciado isso&#8230;<!--more--><\/p>\n<p>N\u00e3o importa a banalidade do acontecido, \u00e9 natural para n\u00f3s querer compartilhar com outras pessoas coisas que nos divertem e distraem. Seja como c\u00famplice ou como testemunha, o olhar do outro parece validar as nossas experi\u00eancias. Curiosidades de um c\u00e9rebro programado para a sociabilidade.<\/p>\n<p>Com a internet e as redes sociais, essa caracter\u00edstica muito humana ganhou uma vaz\u00e3o sem precedentes. Compartilhar virou quase que sin\u00f4nimo de uso da rede mundial de computadores. Qualquer site com inten\u00e7\u00e3o de se popularizar oferece v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es para que seu conte\u00fado acabe exposto nas telas dos amigos e conhecidos de seus visitantes. A produ\u00e7\u00e3o de material exclusivo para web atual \u00e9 extremamente dependente desse clique de compartilhamento.<\/p>\n<p>Viver de popularidade \u00e9 op\u00e7\u00e3o real para as pessoas desta era da comunica\u00e7\u00e3o; e como j\u00e1 mencionamos diversas vezes por aqui, com ou sem m\u00e9ritos pelo o que produzem. Conte\u00fado subordinado pela quantidade de pessoas que pode alcan\u00e7ar \u00e9 motivo direto pela enxurrada de porcarias que entopem os &#8220;canos virtuais&#8221;. Surge mais coisa boa hoje em dia do que antigamente (pelo menos dos anos nos quais vivi), mas \u00e9 mais quest\u00e3o de populariza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o de sites, imagens, v\u00eddeos e jogos do que exatamente bom gosto.<\/p>\n<p>Tem mais o que escolher, simples quest\u00e3o de universo de possibilidades maior. &#8220;Coisa boa&#8221; neste contexto depende da escolha da pessoa sobre o que cai nessa categoria. E como gosto \u00e9 gosto, dif\u00edcil criar padr\u00f5es claros sobre o que uma pessoa vai achar digno de compartilhar ou n\u00e3o. Tem muita gente sem filtro algum, que s\u00f3 passa para a frente tudo o que recebe, tem gente focada num tipo espec\u00edfico de conte\u00fado. Tem at\u00e9 os consumidores silenciosos, que por desinteresse ou retraimento n\u00e3o partilham da febre.<\/p>\n<p>Pois bem&#8230; compartilhar \u00e9 preciso. Melhor ainda: necess\u00e1rio. A humanidade tem muito a ganhar com a informa\u00e7\u00e3o correndo livre por a\u00ed. Nossos grandes momentos quase sempre passaram por pessoas inteligentes e antenadas mantendo contato pr\u00f3ximos umas com as outras. Considere a\u00ed desde o &#8220;iluminismo iraquiano&#8221; at\u00e9 mesmo a constante correspond\u00eancia entre f\u00edsicos no come\u00e7o do s\u00e9culo passado&#8230; Costuma sair coisa boa quando a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 compartilhada.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s&#8230; costumava. Voc\u00eas realmente acharam que eu escreveria um texto para chover no molhado? Ok, escreveria. Mas n\u00e3o \u00e9 o caso&#8230; H\u00e1 algo de podre na cultura do compartilhamento. E \u00e9 a bolinha de papel do come\u00e7o deste texto. Talvez seja mais um dos males do crescimento da humanidade, mas a quantidade avassaladora de conte\u00fado sendo produzido e distribu\u00eddo pela internet est\u00e1 silenciando a informa\u00e7\u00e3o sob uma cacofonia de banalidades e &#8220;macaquices&#8221;, tudo em nome desse (nem t\u00e3o) admir\u00e1vel mercado novo da popularidade.<\/p>\n<p>Querer que algu\u00e9m tivesse visto o destino surpreendente daquela bolinha de papel n\u00e3o significa exatamente que algu\u00e9m tenha que ver. Sei que j\u00e1 entrei em assuntos pr\u00f3ximos em diversas outras colunas, mas a &#8220;junk info&#8221; est\u00e1 soterrando alguns de nossos principais avan\u00e7os na \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas sob seu estrondoso peso. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que tem mais gente se juntando ao coro de que as redes sociais est\u00e3o \u00e0s margens de uma mudan\u00e7a dram\u00e1tica. Sites como o Facebook s\u00e3o reflexo da era atual da internet: parecem presos numa &#8220;adolesc\u00eancia obesa&#8221;, crescendo para os lados ao inv\u00e9s de atingir a maturidade.<\/p>\n<p>Culpa da turma das hashtags? Claro! Mas n\u00e3o s\u00f3 deles. Mesmo as pessoas mais limitadas que enchem as redes sociais n\u00e3o seriam capazes de implodir sua resid\u00eancia virtual dessa forma. H\u00e1 algo de &#8220;org\u00e2nico&#8221; nisso. Ricos e pobres de intelecto dan\u00e7ando sob a mesma m\u00fasica: Satura\u00e7\u00e3o &#8211; autor desconhecido. Se ainda h\u00e1 muita capacidade de movimentar todo esse conte\u00fado de um lado para o outro do globo, o impacto dele esvai-se na capacidade da pe\u00e7a atr\u00e1s do monitor lidar com ele.<\/p>\n<p>H\u00e1 de se considerar um limite onde os est\u00edmulos recebidos pelas informa\u00e7\u00f5es na internet tornam-se ru\u00eddo de fundo. Sabe-se disso na publicidade h\u00e1 tempos, por isso todas as campanhas tem data de expira\u00e7\u00e3o e controle na exposi\u00e7\u00e3o. Pessoas s\u00e3o capazes de receber uma quantidade incr\u00edvel de imagens, sons e ideias no seu dia-a-dia, mas a mem\u00f3ria humana vem com prote\u00e7\u00e3o de f\u00e1brica para os excessos. Exagerou na exposi\u00e7\u00e3o, virou m\u00fasica de elevador!<\/p>\n<p>O que nos leva de volta ao assunto central: \u00f3timo que estejamos compartilhando tanto, mas p\u00e9ssimo o tanto que se compartilha. Da bolinha de papel \u00e0s not\u00edcias mais impactantes, tudo acaba unido num grande turbilh\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es fadado \u00e0 irrelev\u00e2ncia por pura incapacidade humana de absorver cada uma delas com sua devida import\u00e2ncia. E n\u00e3o estou falando disso de cima de um pedestal: acontece comigo tamb\u00e9m. \u00c0s vezes d\u00e1 pregui\u00e7a de prestar aten\u00e7\u00e3o em algo que eu sei que \u00e9 importante. Sinais de obesidade mental&#8230;<\/p>\n<p>Compartilhar est\u00e1 virando uma praga. J\u00e1 defendi um ponto de vista (mal recebido) sobre o excesso de fotos e v\u00eddeos que as pessoas capturam no dia a dia e como isso n\u00e3o s\u00f3 esvazia o momento como ainda entulha o mundo com conte\u00fado in\u00fatil (Spoiler: nem voc\u00ea vai ver de novo). N\u00e3o bastasse o excesso de conte\u00fado, ainda estamos lidando com excesso de exposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 no sentido de evas\u00e3o de publicidade, mas na imposi\u00e7\u00e3o desse material para cima dos outros.<\/p>\n<p>Mesmo que voc\u00ea goste das bobagens que v\u00ea por a\u00ed. Eu mesmo adoro ver um v\u00eddeo in\u00fatil de algu\u00e9m fazendo algo curioso, mas \u00e9 &#8220;fast food&#8221; para a cabe\u00e7a. Ensinam as pessoas a evitar comer porcaria demais, mas incentiva-se essas mesmas pessoas a consumir informa\u00e7\u00e3o porcaria. Como se n\u00e3o fosse algo perigoso na dose errada! Quem absorve essa quantidade absurda de &#8220;junk info&#8221; passa por antenado. Uma dessas pessoas vai acabar pegando a vaga que voc\u00ea queria&#8230; gra\u00e7as aos departamentos de RH deslumbrados com essa &#8220;coisa nova&#8221; de internet. Grandes merdas comer a cada tr\u00eas horas se for no McDonald&#8217;s! (Temo que s\u00f3 a Sally e alguns v\u00e3o entender essa analogia completamente)<\/p>\n<p>Compartilhar e consumir informa\u00e7\u00e3o deve ser incentivado, mas com ressalvas sobre a qualidade do que se consome. N\u00e3o seja um obeso mental!<\/p>\n<h3>Para compartilhar o texto j\u00e1 que foi mais curto, para dizer que j\u00e1 entendeu das \u00faltimas mil vezes, ou mesmo para falar que #somostodosobesos: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea est\u00e1 sozinho, na sua frente uma escrivaninha. 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