{"id":6673,"date":"2014-06-13T06:00:53","date_gmt":"2014-06-13T09:00:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=6673"},"modified":"2014-06-13T01:53:37","modified_gmt":"2014-06-13T04:53:37","slug":"des-contos-ozon-parte-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/06\/des-contos-ozon-parte-7\/","title":{"rendered":"Des Contos: Ozon \u2013 Parte 7"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6674\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/desc-ozonc07.jpg\" alt=\"desc-ozonc07\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/desc-ozonc07.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/desc-ozonc07-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>Numa sala alongada, paredes met\u00e1licas lisas escurecidas pela ilumina\u00e7\u00e3o deficiente, um homem sorri sentado \u00e0 mesa. A face esquel\u00e9tica s\u00f3 evidencia seus grandes olhos negros, rugas evidentes em harmonia com os poucos cabelos grisalhos restantes. O sorriso, sereno, d\u00e1 lugar a um breve suspiro.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Dalila, meu amor&#8230; Sou eu, o papai! Estou morrendo de saudades de voc\u00ea, minha pequena. Hoje eu estou aqui com uns amigos&#8230;<!--more--><\/p>\n<p>Ao lado dele, tr\u00eas andr\u00f3ides, tamb\u00e9m sentados. Dois deles militares, um m\u00e9dico. Sem express\u00f5es, como caracter\u00edstico deles, parecem deslocados \u00e0 frente de tr\u00eas pratos com a mesma ra\u00e7\u00e3o disposta frente ao humano.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom como jantar em casa com voc\u00ea e a mam\u00e3e, mas pelo menos eu n\u00e3o estou mais sozinho. Esse aqui \u00e9 o Doze, esse \u00e9 o Cicatriz&#8230; est\u00e1 vendo a marca na testa dele? E esse aqui com a luz vermelha na testa \u00e9 o Doutor. O Doutor parece s\u00e9rio, mas \u00e9 o mais engra\u00e7ado&#8230; n\u00e3o \u00e9 mesmo, Doutor?<\/p>\n<p>O andr\u00f3ide m\u00e9dico vira apenas a cabe\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o ao homem.<\/p>\n<p><b>ANDR\u00d3IDE M\u00c9DICO:<\/b> Comando n\u00e3o compreendido. Favor repetir.<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Hahaha&#8230; est\u00e1 desconversando! Esse Doutor&#8230; Dalila, papai queria muito estar com voc\u00ea agora. Mas papai est\u00e1 fazendo algo muito importante aqui no trabalho. Tenho que mandar em mais de mil rob\u00f4s! Se eu n\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o, eles ficam o dia todo parad\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 mesmo, rapazes?<\/p>\n<p>O homem ri procurando os olhares de seus companheiros. Nenhum dos andr\u00f3ides esbo\u00e7a rea\u00e7\u00e3o. Ele perde-se num olhar contemplativo por v\u00e1rios segundos, sorriso arrefecido. Como se lembrasse repentinamente do que est\u00e1 fazendo, levanta a cabe\u00e7a e recupera a express\u00e3o alegre.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Pelo Cosmo&#8230; Dalila&#8230; Dalila meu amor&#8230; estou falando com voc\u00ea como se voc\u00ea fosse uma crian\u00e7a. Deve ter o qu\u00ea? Dezesseis anos? Eu sou um velho gag\u00e1&#8230; voc\u00ea me perdoa? Sua m\u00e3e n\u00e3o me perdoou. Antes mesmo de eu sair, ela n\u00e3o me perdoou. Ela era muito jovem para ficar longe do marido por&#8230; vinte anos. N\u00e3o \u00e9 culpa dela, n\u00e3o&#8230; eu n\u00e3o a culpo. Voc\u00ea deve ter outro pai agora, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>O homem reclina-se, cotovelos sustentando os bra\u00e7os que agora cobrem seu rosto. Um lamento abafado agora \u00e9 o \u00fanico som local. Ambos os andr\u00f3ides militares levantam, deixando o recinto. O andr\u00f3ide m\u00e9dico permanece em sua posi\u00e7\u00e3o. Seu bra\u00e7o esquerdo ergue-se lentamente, tocando levemente o ombro do homem choroso.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Est\u00e1 tudo bem, Doutor&#8230; Est\u00e1 tudo bem. Encerrar lumino&#8230;<\/p>\n<p>Um estrondo abafado faz os pratos e talheres da mesa vibrarem.<\/p>\n<p><b>VOZ ROB\u00d3TICA:<\/b> ATEN\u00c7\u00c3O! ATEN\u00c7\u00c3O! ATEN\u00c7\u00c3O!<\/p>\n<p>Ele descobre o rosto, olhos ainda marejados.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Status?<br \/>\n<b>VOZ ROB\u00d3TICA:<\/b> Desabamento no setor H-20HU3, po\u00e7o D. Falha estrutural detectada. Deseja conhecer suas op\u00e7\u00f5es?<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Sim!<br \/>\n<b>VOZ ROB\u00d3TICA:<\/b> Primeira op\u00e7\u00e3o &#8211; Ignorar: Risco de colapso do po\u00e7o D em 95%. Risco de colapso do po\u00e7o C em 81%. Risco de colapso do po\u00e7o B e A em 59%. Segunda op\u00e7\u00e3o &#8211; Demoli\u00e7\u00e3o controlada do po\u00e7o D: Risco de colapso do po\u00e7o D em 100%. Risco de colapso dos po\u00e7os C, B e A em 1%.<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> N\u00e3o! Se o po\u00e7o D desaparecer vai acabar com toda a produ\u00e7\u00e3o da mina! N\u00e3o v\u00e3o me pagar! Tem que ter outra op\u00e7\u00e3o&#8230; Estou indo para l\u00e1. Preparar traje. Doutor&#8230; voc\u00ea vem comigo.<\/p>\n<p>Ele segue com o passo acelerado at\u00e9 um dos arm\u00e1rios pressurizados. O andr\u00f3ide m\u00e9dico o acompanha. Com alguma dificuldade, veste o pesado traje e pega um grande canh\u00e3o de luz. Os dois seguem pelos corredores locais at\u00e9 um dos elevadores de carga no setor de manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Doutor, eu n\u00e3o posso falir esta mina. Eu tenho que arriscar&#8230; A Dalila precisa do dinheiro. N\u00e3o \u00e9 por mim, entende?<br \/>\n<b>ANDR\u00d3IDE M\u00c9DICO:<\/b> Voc\u00ea precisa de suporte psicol\u00f3gico, senhor?<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> N\u00e3o&#8230; n\u00e3o, eu estou bem.<\/p>\n<p>Assim que o elevador finalmente chega ao seu destino, no andar inferior da F\u00e1brica, o homem e o andr\u00f3ide s\u00e3o recebidos por um movimento fren\u00e9tico de m\u00e1quinas mineradoras, seguindo todas em dire\u00e7\u00e3o aos colossais port\u00f5es que d\u00e3o diretamente para a \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Sistema geral!<br \/>\n<b>VOZ ROB\u00d3TICA:<\/b> Aguardando instru\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Pare a opera\u00e7\u00e3o de minera\u00e7\u00e3o imediatamente!<br \/>\n<b>VOZ ROB\u00d3TICA:<\/b> Imposs\u00edvel. Opera\u00e7\u00e3o de minera\u00e7\u00e3o j\u00e1 interrompida.<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> E o que essas coisas todas est\u00e3o fazendo?<br \/>\n<b>VOZ ROB\u00d3TICA:<\/b> Pergunta n\u00e3o compreendida.<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Pare todas as m\u00e1quinas de minera\u00e7\u00e3o agora!<br \/>\n<b>VOZ ROB\u00d3TICA:<\/b> Imposs\u00edvel. Todos os equipamentos de minera\u00e7\u00e3o j\u00e1 interrompidos.<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Doutor, fa\u00e7a um chamado para o Doze e o Cicatriz. Preciso deles para me proteger com essas m\u00e1quinas sem controle.<br \/>\n<b>ANDR\u00d3IDE M\u00c9DICO:<\/b> Codinomes compreendidos. Fazendo o chamado.<\/p>\n<p>Passados algo em torno de tr\u00eas minutos, os dois andr\u00f3ides militares chegam pelo mesmo elevador.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Ok! Agora toda a gangue est\u00e1 reunida. Doze e Cicatriz, v\u00e3o na frente. Eu e o Doutor tomamos conta da retaguarda. N\u00f3s vamos para o posto de observa\u00e7\u00e3o&#8230; DH-20.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas andr\u00f3ides come\u00e7am a andar.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Ei&#8230; n\u00e3o! Esperem&#8230; modo escolta! Isso!<\/p>\n<p>Ao reconhecer a presen\u00e7a do humano, os rob\u00f4s mineradores come\u00e7am a desacelerar e mudar seus trajetos para liberar o caminho. Passando pelos grossos port\u00f5es que separam a F\u00e1brica das entranhas de Ozon-C, o quarteto dirige-se at\u00e9 a distante plataforma elevat\u00f3ria do po\u00e7o D, o mais distante. Al\u00e9m da completa falta de oxig\u00eanio e aquecimento, os interiores da mina est\u00e3o saturados com a radioatividade do produto principal extra\u00eddo: Plut\u00f4nio. Apesar de todas as prote\u00e7\u00f5es embutidas em seu traje, o homem come\u00e7a a respirar com certa dificuldade, seu passo cada vez mais lento.<\/p>\n<p><b>ANDR\u00d3IDE M\u00c9DICO:<\/b> N\u00edveis de estresse e radia\u00e7\u00e3o acima do permitido, solicitando retorno imediato.<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Estou bem, Doutor. Mas ao contr\u00e1rio de voc\u00eas, eu n\u00e3o sou de ferro! Haha&#8230; Cof&#8230; N\u00e3o \u00e9 mesmo, Doze?<\/p>\n<p>O andr\u00f3ide militar sequer faz men\u00e7\u00e3o de reconhecer o contato.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> J\u00e1 estou vendo a plataforma. Vamos!<\/p>\n<p>Minutos depois, os quatro j\u00e1 est\u00e3o sobre a plataforma m\u00f3vel. O humano insere um c\u00f3digo no painel de controle do equipamento, que reage iniciando uma descida lenta e inst\u00e1vel. O homem busca apoio num dos andr\u00f3ides militares, respira\u00e7\u00e3o mais ofegante a cada quil\u00f4metro da descida. Depois de quase vinte deles, o destino: o posto de observa\u00e7\u00e3o do \u00faltimo n\u00edvel do po\u00e7o D, disposto quase como que um capricho dos projetistas da mina na rar\u00edssima ocasi\u00e3o de uma visita org\u00e2nica. Desajeitado e claustrof\u00f3bico, o cub\u00edculo contava com apenas um painel simples e uma grossa janela de observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De l\u00e1, ele liga alguns interruptores, iluminando boa parte da imensa \u00e1rea aberta \u00e0 sua frente. Nem sinal de desabamento. Ali\u00e1s, tudo parece ocorrer com naturalidade, escavadoras e rob\u00f4s mineradores trabalhando freneticamente nas paredes da superlativa caverna artificial.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Nunca tinha vindo aqui embaixo, Doutor. Aquelas m\u00e1quinas gigantes parecem formiguinhas, n\u00e3o? Correndo de um lado para o outro, formando filas&#8230; Cof&#8230; Era alarme falso! O Sistema Geral est\u00e1 cada vez mais estranho de uns tempos pra c\u00e1. Primeiro aquele tal de po\u00e7o E, depois mandando rob\u00f4s militares escavarem&#8230; Acho que ela est\u00e1 precisando de um remedinho para a cabe\u00e7a, n\u00e3o?<br \/>\n<b>ANDR\u00d3IDE M\u00c9DICO:<\/b> N\u00edveis de radia\u00e7\u00e3o elevados. A\u00e7\u00e3o protetora D1 requerida em 10 minutos.<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Trabalho, trabalho&#8230; \u00e9 s\u00f3 nisso que voc\u00ea pensa, Doutor. Estou \u00f3timo&#8230; Cof cof&#8230;<\/p>\n<p>Ele encosta o capacete do traje na janela \u00e0 sua frente. Alguns momentos depois, recua a cabe\u00e7a, aparentemente impressionado.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Olha! Um dos andr\u00f3ides militares! Cicatriz e Doze?<br \/>\n<b>ANDR\u00d3IDES MILITARES:<\/b> Sim, senhor?<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Se n\u00e3o s\u00e3o voc\u00eas&#8230;<\/p>\n<p>O homem vai se retirando do posto de observa\u00e7\u00e3o, desviando de seus colegas rob\u00f3ticos rumo \u00e0 uma escotilha pr\u00f3xima \u00e0 sa\u00edda da plataforma. De l\u00e1, desce por uma longa escada vertical at\u00e9 o ch\u00e3o do po\u00e7o D. Os andr\u00f3ides acompanham. Algumas centenas de metros \u00e0 sua frente, mais andr\u00f3ides militares come\u00e7am a sair de um t\u00fanel lateral previamente imposs\u00edvel de notar. Uma d\u00e9bil ilumina\u00e7\u00e3o &#8211; ora azulada, ora esverdeada &#8211; pulsa de seu interior.<\/p>\n<p>Com uma corrida r\u00e1pida que logo o deixa esbaforido, ele chega at\u00e9 a boca do t\u00fanel. Nenhum dos aut\u00f4matos ao seu redor esbo\u00e7a rea\u00e7\u00e3o. Nem os que pareciam trabalhar retirando pedras de dentro do t\u00fanel, nem os que vieram consigo dos n\u00edveis superiores.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Soldado! Status!<\/p>\n<p>O andr\u00f3ide estranho para o qual se dirigira n\u00e3o responde. O humano repete a ordem seguidas vezes com v\u00e1rios dos outros trabalhadores locais, todas com resultado igual. Resignado, resolve entrar ele mesmo no t\u00fanel. Nem mesmo os protestos de Doutor sobre sua sa\u00fade parecem enfraquecer seu \u00edmpeto.<\/p>\n<p>O t\u00fanel segue por alguns metros apenas com a rocha escura comum ao subsolo ozone, iluminada apenas pelos pulsos coloridos sem fonte aparente. Mas logo ap\u00f3s ele \u00e9 surpreendido com algo que n\u00e3o parece uma forma\u00e7\u00e3o natural: numa imensa expans\u00e3o do t\u00fanel algo parecido com uma parede met\u00e1lica negra visivelmente curvada, como se fosse a parte vis\u00edvel de uma ainda mais imensa esfera.<\/p>\n<p>De tempos em tempos o metal negro troca de colora\u00e7\u00e3o, banhando em luzes azuladas e esverdeadas toda a galeria. A galeria est\u00e1 apinhada de andr\u00f3ides militares, trabalhando feito arque\u00f3logos num delicado processo de exposi\u00e7\u00e3o da esfera.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Dalila? Cof&#8230; DALILA?<\/p>\n<p>Cicatriz e Doze continuam impass\u00edveis. Doutor parece focado no humano.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Desculpa&#8230; desculpa&#8230; n\u00e3o! N\u00c3O! N\u00e3o vai embora&#8230;<\/p>\n<p>Ele segue at\u00e9 a esfera. Com um r\u00e1pido movimento, retira a luva de seu traje e a toca. O andr\u00f3ide m\u00e9dico come\u00e7a a tocar sua sirene enquanto corre pelo ch\u00e3o acidentado. Antes mesmo do r\u00e1pido rob\u00f4 alcan\u00e7ar o homem, ele j\u00e1 est\u00e1 ca\u00eddo no ch\u00e3o. Aparentemente im\u00f3vel.<\/p>\n<p>A imagem come\u00e7a a ficar escura. O som \u00e9 substitu\u00eddo por est\u00e1tica. Alguns pulsos de luz azulada misturam-se com os flashes dos rifles de pulso disparados nos minutos seguintes. Ent\u00e3o, escurid\u00e3o por quase uma hora. S\u00f3 a\u00ed que a luz vermelha intermitente vem seguida do agudo som da sirene do andr\u00f3ide m\u00e9dico. As luzes come\u00e7am a retornar, mostrando o aut\u00f4mato segurando o homem nos bra\u00e7os, ambos subindo pela plataforma m\u00f3vel que os rebaixara anteriormente.<\/p>\n<p>O andr\u00f3ide m\u00e9dico faz todo o caminho at\u00e9 o setor MB-1. Ele retira o traje de um corpo j\u00e1 inerte e o coloca no que parece ser um freezer vertical. Logo ap\u00f3s, volta-se para uma das paredes da \u00e1rea, pr\u00f3ximo a outros andr\u00f3ides m\u00e9dicos desativados, e finalmente posiciona-se de forma parecida. As luzes de seus olhos se apagam.<\/p>\n<p>Nada acontece por semanas. A imagem est\u00e1tica do freezer fechado e os andr\u00f3ides est\u00e1ticos na parede s\u00f3 \u00e9 invadida por sinais de pouca bateria.<\/p>\n<p>Eventualmente, a imagem some.<\/p>\n<p>Heitor retira seu visor luminogr\u00e1fico e olha espantado para o Piloto.<\/p>\n<p><span style=\"color: #999999;\"><em>Continua na Parte 8.<\/em><\/span><\/p>\n<h3>Para dizer que n\u00e3o acredita que esperou por isso, para reclamar que n\u00e3o entendeu porra nenhuma, ou mesmo para perguntar o que \u00e9 uma luminografia: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa sala alongada, paredes met\u00e1licas lisas escurecidas pela ilumina\u00e7\u00e3o deficiente, um homem sorri sentado \u00e0 mesa. A face esquel\u00e9tica s\u00f3 evidencia seus grandes olhos negros, rugas evidentes em harmonia com os poucos cabelos grisalhos restantes. O sorriso, sereno, d\u00e1 lugar a um breve suspiro. 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