{"id":6708,"date":"2014-06-20T06:00:45","date_gmt":"2014-06-20T09:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=6708"},"modified":"2014-06-20T03:51:40","modified_gmt":"2014-06-20T06:51:40","slug":"des-contos-ozon-parte-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/06\/des-contos-ozon-parte-8\/","title":{"rendered":"Des Contos: Ozon &#8211; Parte 8"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-6709\" src=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/desc-ozonc08.jpg\" alt=\"desc-ozonc08\" width=\"600\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/desc-ozonc08.jpg 600w, https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/desc-ozonc08-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>O Piloto segura um garfo na m\u00e3o direita, erguido diante de seu nariz. Sobre o talher, uma massa acinzentada que cheira algumas vezes antes de finalmente juntar coragem para levar \u00e0 boca. A express\u00e3o confusa mant\u00e9m-se inalterada do olfato ao paladar.<\/p>\n<p><b>PILOTO:<\/b> Isso deveria ter o gosto do qu\u00ea?<!--more--><br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> De algo que n\u00e3o estraga depois de dois s\u00e9culos&#8230;<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Voc\u00ea pretendia passar vinte anos comendo isso?<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Eu n\u00e3o sei mais o que eu pretendia vindo pra c\u00e1&#8230; Mas, comida sem gosto \u00e9 o menor dos nossos problemas.<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Encontrou o elevador de manuten\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Heitor, do lado oposto da mesa, analisa tr\u00eas plantas locais ao mesmo tempo. Parece sobrep\u00f4-los erraticamente, rabiscando s\u00edmbolos sobre tudo remotamente parecido com um fosso de elevador. Uma das plantas come\u00e7a a chamar mais e mais sua aten\u00e7\u00e3o, eventualmente ficando por cima das outras.<\/p>\n<p><b>PILOTO:<\/b> Ent\u00e3o?<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Essa planta aqui&#8230; essa n\u00e3o bate com as outras. Em duas parece que o elevador est\u00e1 logo ap\u00f3s o setor de comunica\u00e7\u00e3o, mas nessa tem um dep\u00f3sito no mesmo lugar.<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Ent\u00e3o parece que a maioria decidiu. Vamos?<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> N\u00e3o gosto de fazer as coisas assim&#8230; temos que entender os mapas antes de sair daqui. E muito mais que isso&#8230; voc\u00ea ainda n\u00e3o me convenceu dessa hist\u00f3ria de desligar o sistema.<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Voc\u00ea n\u00e3o viu? Quer que o que aconteceu com o pobre coitado do Ibarra aconte\u00e7a com a gente?<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> At\u00e9 onde eu sei ele encontrou um estoque de plut\u00f4nio e morreu contaminado. Voc\u00ea tamb\u00e9m viu como ele n\u00e3o estava bem da cabe\u00e7a!<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Naquele formato, Heitor? Tem alguma coisa mexendo com o Sistema Geral e n\u00e3o parece ser nossa amiga!<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Eu n\u00e3o sei e voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o tem como saber!<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> ELA ME DISSE! A YARA N\u00c3O MENTIRIA PARA MIM!<\/p>\n<p>O Piloto bate com os dois punhos na mesa. Est\u00e1 visivelmente alterado, olhos e veias da testa saltados. Heitor recua instintivamente, express\u00e3o surpresa. O Piloto bufa mais algumas vezes, olhos travados nos de Heitor. Lentamente vai cedendo em sua raiva aparente at\u00e9 um estado de desconforto. Esfrega uma das m\u00e3os por sobre o rosto, for\u00e7ando as p\u00e1lpebras fechadas. A mesma m\u00e3o se levanta, espalmada, como se pedisse tr\u00e9gua. Ao finalmente levantar a cabe\u00e7a para retomar contato visual com Heitor, percebe que seu rosto n\u00e3o \u00e9 o ponto focal de seu companheiro.<\/p>\n<p><b>HEITOR:<\/b> Est\u00e1&#8230; est\u00e1 piscando.<\/p>\n<p>No peito do piloto, mesmo por debaixo do tecido de sua roupa, uma luz azulada pulsa gentilmente. Ele puxa o colarinho de sua camiseta, que estica at\u00e9 expor a parte superior de seu peito. No local, o mesmo metal escuro visto dentro de sua caixa tor\u00e1cica parecia brotar por baixo da pele atrav\u00e9s de fios parecidos com veias. Das pontas dessas forma\u00e7\u00f5es surgia a ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b>HEITOR:<\/b> Voc\u00ea est\u00e1 bem?<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Estou \u00f3timo&#8230; na verdade, eu nunca me senti t\u00e3o bem fisicamente.<\/p>\n<p>Heitor cutuca a pr\u00f3pria t\u00eampora duas vezes, olhar inquisidor.<\/p>\n<p><b>PILOTO:<\/b> N\u00e3o sei de onde veio essa raiva. Mas j\u00e1 passou&#8230; estou pensando de forma muito clara, para dizer a verdade.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Ent\u00e3o me responda: como vamos sobreviver aqui sem o Sistema Geral funcionando?<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Aquela foi uma pane total, s\u00f3 precisamos desligar a Dalila. O resto vai funcionar.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Dalila?<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> H\u00e3?<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Voc\u00ea disse Dalila. S\u00f3 precisamos desligar a Dalila.<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> N\u00e3o, eu quis dizer o Sistema Geral.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Mas disse Dalila. Como em Dalila, filha do Ibarra.<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Eu sei o que eu disse! Voc\u00ea vai me ajudar ou n\u00e3o?<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Com uma condi\u00e7\u00e3o: Se o suporte a vida parar de funcionar, n\u00f3s religamos.<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Feito.<\/p>\n<p>Os dois se preparam. Vestem os trajes mesmo com o sistema de suporte ligado; Heitor pega uma lanterna de alta pot\u00eancia e duas baterias reservas, j\u00e1 o Piloto parece mais interessado em se armar, pegando um rifle de pulso e uma barra de ferro cristalizado. Os dois saem do Cofre, o andr\u00f3ide militar recrutado mais cedo ainda estava de prontid\u00e3o do outro lado da porta.<\/p>\n<p><b>HEITOR:<\/b> Modo escol&#8230;<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> N\u00e3o! Dispensado!<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Por qu\u00ea?<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Ele vai chamar aten\u00e7\u00e3o indesejada. Vamos&#8230;<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Mas&#8230;<\/p>\n<p>O Piloto acelera o passo, Heitor segue. O caminho at\u00e9 o elevador de manuten\u00e7\u00e3o desejado n\u00e3o dura mais do que dez minutos, mesmo com os passos desajeitados dos trajes. O Piloto entra rapidamente na cabine, e apressa Heitor para fazer o mesmo. O bot\u00e3o apertado \u00e9 o do setor C-9.<\/p>\n<p><b>HEITOR:<\/b> Yara&#8230; Yara n\u00e3o era a sua namorada em Eeva?<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Era?<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Modo de dizer.<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Sim.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> E quando ela falou com voc\u00ea sobre o que aconteceu aqui?<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> \u00c9 complicado.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Ahaz&#8230; n\u00e3o me leve a mal&#8230; mas voc\u00ea n\u00e3o pode estar tendo alucina\u00e7\u00f5es? Voc\u00ea ainda n\u00e3o explicou o que disse sobre a Tempestade. N\u00e3o est\u00e1 fazendo muito sentido&#8230;<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Chega de tatear! Voc\u00ea acha que estou maluco?<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> N\u00e3o! N\u00e3o&#8230; longe disso&#8230; Mas voc\u00ea tem que entender o meu lado. Voc\u00ea parece saber de algo que eu n\u00e3o sei. E n\u00e3o est\u00e1 falando.<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Como eu disse, \u00e9 complicado. Eu SEI que estou fazendo algo para o bem de todos, mas n\u00e3o sei explicar exatamente o porqu\u00ea.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> O Cosmo falou com voc\u00ea?<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> Pode-se colocar assim.<\/p>\n<p>Heitor tenta esconder a d\u00favida que se manifesta em seu rosto afundando a cabe\u00e7a dentro do capacete. O sil\u00eancio dos dois faz os sons dos freios magn\u00e9ticos do elevador ficarem cada vez mais definidos. Um tranco sinaliza a chegada ao destino. No visor acima das portas, o sinal da pressuriza\u00e7\u00e3o da sala \u00e0 frente finalmente se acende. O Piloto parece digitar alguma coisa em seu painel frontal do traje.<\/p>\n<p>As portas se abrem. Do outro lado, um andr\u00f3ide militar parecido com os que protegeram Heitor durante sua visita \u00e0 F\u00e1brica. V\u00e1rios peda\u00e7os do metal escuro remendando o que pareciam ser avarias de batalha. A primeira coisa que Heitor nota \u00e9 uma marca na placa frontal da cabe\u00e7a do andr\u00f3ide, um arranhado peculiar que tamb\u00e9m lhe \u00e9 familiar.<\/p>\n<p><b>HEITOR:<\/b> Cicatriz?<\/p>\n<p>O Piloto ergue a cabe\u00e7a, surpreso. O andr\u00f3ide militar emite os mesmos pontos de luz azulada que agora fazem parte de seu corpo. Contanto, n\u00e3o h\u00e1 tempo de considerar nada ap\u00f3s o aut\u00f4mato exibir um pesado rifle de pulso diferencial, apontando-o diretamente para Heitor.<\/p>\n<p><b>PILOTO:<\/b> O que est\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Um flash de luz distrai o Piloto. S\u00f3 consegue ouvir o som de pol\u00edmeros estilha\u00e7ando. Assim que abre os olhos, v\u00ea fuma\u00e7a saindo da altura do peito de Heitor, que logo come\u00e7a a gritar desesperadamente. O Piloto ergue seu rifle e dispara imediatamente na dire\u00e7\u00e3o do andr\u00f3ide agressor. O disparo desarma o militar, que recua para fora da vis\u00e3o do Piloto. Heitor desaba no ch\u00e3o do elevador. O Piloto aperta o bot\u00e3o de fechar as portas e ajoelha-se em frente ao seu colega ferido.<\/p>\n<p>Heitor tem um furo na altura do cora\u00e7\u00e3o. O traje, derretido no local, permite apenas vis\u00e3o parcial da extens\u00e3o dos danos. Heitor parece desacordado. O Piloto vai at\u00e9 o painel do elevador desesperadamente, direcionando-o at\u00e9 a \u00e1rea de habita\u00e7\u00e3o, onde fica a equipe m\u00e9dica. O bot\u00e3o se acende, mas nada de movimento.<\/p>\n<p>No visor do Piloto, a leitura dos sinais vitais de Heitor decai rapidamente. O Piloto se desespera, batendo no painel e berrando palavras desconexas. Os sinais de vida cessam. Ele se volta at\u00e9 o companheiro desfalecido. Heitor estava morto.<\/p>\n<p><b>PILOTO:<\/b> O QUE VOC\u00ca FEZ COM ELE? VOC\u00ca IA NOS PROTEGER! Voc\u00ea&#8230; prometeu&#8230;<\/p>\n<p>O Piloto come\u00e7a a arrancar seu traje. Terminado o processo, pega o rifle que derrubara no ch\u00e3o e mira nas portas. Tr\u00eas tiros s\u00e3o suficientes para derreter \u00e1rea suficiente para seu corpo passar. E \u00e9 isso que ele faz. Com a arma apontada e a barra de ferro cristalizado presa no cinto, posiciona-se no corredor \u00e0 frente do elevador, express\u00e3o furiosa e luzes pulsando do peito.<\/p>\n<p>O andr\u00f3ide militar ainda est\u00e1 \u00e0 vista, corpo parcialmente coberto por um grande container met\u00e1lico. Fa\u00edscas podem ser vistas escapando por tr\u00e1s de sua silhueta, como se estivesse consertando o dano sofrido. O Piloto dispara mais um salvo de tr\u00eas pulsos, explodindo o container e arremessando o andr\u00f3ide alguns metros para frente. Com passos duros e determinados, ele se aproxima do rob\u00f4 ca\u00eddo, que por sua vez tenta se arrastar para longe, pernas extremamente avariadas.<\/p>\n<p>O Piloto chega a menos de um metro de seu alvo. O som do rifle carregando-se de energia sobrep\u00f5e o craquelar de circuitos e cabos entrando em curto no andr\u00f3ide militar.<\/p>\n<p><b>PILOTO:<\/b> Por qu\u00ea?<br \/>\n<b>ANDR\u00d3IDE MILITAR:<\/b> O huuu&#8230; mano&#8230; zzznap&#8230; instinto&#8230; rrrr&#8230;<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> TRAIDOR! Ela vai nos salvar! N\u00e3o era para isso acontecer!<br \/>\n<b>ANDR\u00d3IDE MILITAR:<\/b> Zzzz&#8230; ooooordens&#8230; rrr&#8230; dela&#8230;<br \/>\n<b>PILOTO:<\/b> MENTIRA!<\/p>\n<p>O Piloto mira bem na cabe\u00e7a do andr\u00f3ide. Mas antes de apertar o gatilho, outro flash o distrai. Seguido por uma dor paralisante. H\u00e1 agora um vazio fumegante onde era seu ombro direito. O p\u00e2nico causado pela dor borra sua vis\u00e3o e enfraquece suas pernas. Ca\u00eddo no ch\u00e3o, ao lado do andr\u00f3ide que pretendia eliminar, consegue ver apenas vultos de seres met\u00e1licos travando uma batalha. \u00c1geis, saltam e correm velozmente por cima de seu corpo.<\/p>\n<p>Com o corpo praticamente im\u00f3vel pelo choque da dor lancinante, consegue ver apenas um deles em detalhe: o que para ao seu lado e olha para o ch\u00e3o. Seu corpo tamb\u00e9m est\u00e1 coberto de placas met\u00e1licas escuras, mas com algo diferente&#8230; as luzes que emanam por sua estrutura s\u00e3o verdes. E pela forma como ele aponta o rifle em sua dire\u00e7\u00e3o, n\u00e3o parece ser amig\u00e1vel. O andr\u00f3ide das luzes esverdeadas hesita por um tempo, o suficiente para ser abatido pelo fogo cruzado.<\/p>\n<p>O Piloto s\u00f3 consegue ver a pilha de metal inutilizado desabando sobre seu corpo antes de finalmente perder a consci\u00eancia.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>Continua na parte 9<\/em><\/span><\/p>\n<h3>Para dizer que est\u00e1 feliz por todo mundo morrer e a hist\u00f3ria finalmente acabar, para come\u00e7ar a admitir que eu tinha um plano desde o come\u00e7o, ou mesmo para falar que &#8220;nem leu, parte 8&#8221;: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Piloto segura um garfo na m\u00e3o direita, erguido diante de seu nariz. Sobre o talher, uma massa acinzentada que cheira algumas vezes antes de finalmente juntar coragem para levar \u00e0 boca. A express\u00e3o confusa mant\u00e9m-se inalterada do olfato ao paladar. 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