{"id":6828,"date":"2014-07-06T14:00:56","date_gmt":"2014-07-06T17:00:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=6828"},"modified":"2014-07-06T07:53:21","modified_gmt":"2014-07-06T10:53:21","slug":"um-mago-sem-destino-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/07\/um-mago-sem-destino-8\/","title":{"rendered":"Um mago sem destino. (8)"},"content":{"rendered":"<h3><em><strong>Desfavor Convidado<\/strong> \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>.<\/em><br \/>\n<em>O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas.<\/em><\/h3>\n<h6>Desfavor Convidado: Um mago sem destino<\/h6>\n<h2>Cap\u00edtulo 3 &#8211; Flecha do tempo Parte 2<\/h2>\n<p>Raul abriu a porta e entrou na casa, sendo seguido pelos homens de preto que estavam na rua. Mesmo sabendo que sua vers\u00e3o mais jovem estava no quarto, ele comandou que os homens fossem procurar em outros lugares da casa. Quando todos os lugares foram revistados, s\u00f3 ent\u00e3o ele permitiu que os homens de preto entrassem no quarto, mas ele e sua irm\u00e3 j\u00e1 haviam fugido.<\/p>\n<p>_O que fazemos agora? &#8211; perguntou um dos homens de preto<\/p>\n<p>_Vamos atr\u00e1s deles.<!--more--><\/p>\n<p>Nas ruas Raul tentou despistar os homens de preto mais uma vez, enviando-os em buscas sem resultados, mas ele logo percebeu que uma lembran\u00e7a n\u00e3o pode ser modificada e os homens encontraram rastros dos dois adolescentes em fuga.<\/p>\n<p>_Eles foram naquela dire\u00e7\u00e3o. &#8211; gritou um dos homens.<\/p>\n<p>Todos correram na dire\u00e7\u00e3o apontada e logo chegaram no descampado \u00e0 beira do precip\u00edcio. Os homens estavam sacando armas, mesmo sabendo que os jovens n\u00e3o iriam oferecer grande perigo e atiraram.<\/p>\n<p>_N\u00e3o! N\u00e3o!! N\u00e3o!!! &#8211; gritava Raul. _O que voc\u00eas fizeram?<\/p>\n<p>_Calma senhor, s\u00e3o apenas tranquilizantes. Sabemos que precisamos dela viva, no m\u00e1ximo eles est\u00e3o atordoados.<\/p>\n<p>Raul se adiantou e abra\u00e7ou os dois corpos. Os homens de preto ficaram intrigados com a cena e j\u00e1 se aproximavam prevendo algum tipo de trai\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>_Senhor, por favor, nos entregue a menina.<\/p>\n<p>_Por que ela \u00e9 t\u00e3o importante, afinal de contas? &#8211; perguntou Raul.<\/p>\n<p>Nesse momento o tempo parou, como se a lembran\u00e7a estivesse congelada no tempo. Do meio dos homens de preto, saiu Mister Crowley:<\/p>\n<p>_Como pode perceber, naquele dia n\u00e3o houve nenhuma interven\u00e7\u00e3o alien\u00edgena e esses homens de preto definitivamente raptaram sua irm\u00e3, que foi entregue pelo seu pai.<\/p>\n<p>_Isso \u00e9 mentira!<\/p>\n<p>_Ela possui um dom raro, que \u00e9 o de poder abrir portas definitivas entre as infinitas realidades. Com o poder dela, eu poderia ter um corpo f\u00edsico novamente e me tornar imortal sem ficar preso no plano ps\u00edquico. Por isso preciso que voc\u00ea me entregue ela e se torne meu bra\u00e7o direito.<\/p>\n<p>_Nunca!<\/p>\n<p>_Bem, ent\u00e3o terei que peg\u00e1-la \u00e0 for\u00e7a.<\/p>\n<p>Mister Crowley bateu a bengala no ch\u00e3o e a lembran\u00e7a de Raul come\u00e7ou a desmoronar. Peda\u00e7os de ch\u00e3o, casas, \u00e1rvores, tudo ia sumindo aos poucos e Raul come\u00e7ou a sentir uma imensa dor de cabe\u00e7a. Sua vontade era largar os dois corpos ali mesmo, mas n\u00e3o largou e a dor de cabe\u00e7a foi se intensificando. Raul estava quase no limite, sentindo que ia desmaiar, quando sentiu uma m\u00e3o em seu ombro. Com esfor\u00e7o ele abriu os olhos e viu que Paulo estava ali, com metade do corpo dentro da lembran\u00e7a e a outra metade para fora, dividido por uma esp\u00e9cie de fenda.<\/p>\n<p>_Segure minha m\u00e3o. &#8211; falou Paulo.<\/p>\n<p>Apesar de surpresa, Mister Crowley continuou destruindo as lembran\u00e7as de Raul, que conseguiu segurar a m\u00e3o de Paulo sem soltar os dois corpos que segurava. Paulo puxou os tr\u00eas pela fenda e no instante seguinte eles estavam de volta ao bar, local do primeiro encontro entre Paulo e Raul. Raul olhou ao redor e n\u00e3o encontrou os corpos de sua irm\u00e3 e de sua vers\u00e3o mais jovem:<\/p>\n<p>_Calma, eles est\u00e3o bem agora. &#8211; disse Paulo. _Pelo menos em uma realidade o Mister Crowley n\u00e3o ganhou, o que j\u00e1 \u00e9 um grande feito.<\/p>\n<p>Raul ainda sentia muita dor de cabe\u00e7a quando finalmente conseguiu se levantar e a primeira coisa que fez foi olhar para um espelho, vendo seu antigo reflexo:<\/p>\n<p>_Meu corpo ficou na caverna. &#8211; comentou.<\/p>\n<p>_Isso agora n\u00e3o importa mais, voc\u00ea passou pela prova\u00e7\u00e3o do ego.<\/p>\n<p>_Prova\u00e7\u00e3o do ego?<\/p>\n<p>_Sim, quando voc\u00ea olhou para as sombras na caverna, na verdade estava olhando para dentro de si mesmo, \u00e0 procura de sua mem\u00f3ria mais negra. Se voc\u00ea tivesse entregado os corpos de sua irm\u00e3 e de sua vers\u00e3o mais jovem, voc\u00ea voltaria de l\u00e1 como escravo de Mister Crowley, mas como resistiu, voc\u00ea venceu a si mesmo e n\u00e3o cedeu aos encantos do lado negro da for\u00e7a.<\/p>\n<p>_Ele disse que meu pai entregou minha irm\u00e3.<\/p>\n<p>_Essa parte infelizmente \u00e9 verdade, mas seu pai n\u00e3o sabia aonde estava se metendo. Por\u00e9m sua irm\u00e3 conseguiu se libertar da domina\u00e7\u00e3o da Fraternidade Negra.<\/p>\n<p>_Como?<\/p>\n<p>_Ela abre portais, n\u00e3o foi t\u00e3o dif\u00edcil assim.<\/p>\n<p>_Ent\u00e3o tudo o que acontecia na minha lembran\u00e7a n\u00e3o era real? Eu n\u00e3o fui realmente para o passado?<\/p>\n<p>_Sim e n\u00e3o. As lembran\u00e7as s\u00e3o fragmentos do passado, mas n\u00e3o podem modific\u00e1-lo. Por\u00e9m, o seu ego poderia ter mudado de acordo com sua decis\u00e3o final. Isso, de certa forma, modificaria o seu futuro.<\/p>\n<p>_E como voc\u00ea abriu a fenda?<\/p>\n<p>_Mister Crowley n\u00e3o foi o \u00fanico presente no dia que o roqueiro tentou abrir o portal, eu tamb\u00e9m estava l\u00e1.<\/p>\n<p>_Ent\u00e3o voc\u00ea conheceu o roqueiro?<\/p>\n<p>_Claro que sim e ele era um dos meus melhores amigos naquela realidade. Juntos fizemos muito sucesso e ao mesmo tempo vimos nossa decad\u00eancia por causa da magia.<\/p>\n<p>_Afinal de contas, quem era esse roqueiro?<\/p>\n<p>_Ele era voc\u00ea, oras.<\/p>\n<h2>Cap\u00edtulo 4 \u2013 Cafa Samaghi Parte 1<\/h2>\n<p>Raul dormiu profundamente e quando finalmente acordou, sentia que n\u00e3o era mais aquela mesma pessoa de antes, aquela pessoa assustada diante de lembran\u00e7as de pessoas que haviam morrido. Raul agora sabia que aquela n\u00e9voa misteriosa na verdade eram falhas no tempo chamadas de d\u00e9j\u00e0 vu, sabia tamb\u00e9m que diferentes realidades trocavam informa\u00e7\u00f5es entre si e que sua irm\u00e3 estava desaparecida em algum local entre essas diversas realidades. Enquanto refletia sobre tudo o que havia acontecido, Paulo entrou no quarto aonde ele estava, trazendo uma grande jarra de \u00e1gua e um peda\u00e7o de p\u00e3o:<\/p>\n<p>_Ah, finalmente voc\u00ea acordou! &#8211; disse Paulo.<\/p>\n<p>_Por quanto tempo eu dormi?<\/p>\n<p>_Por umas 36 horas, mais ou menos. <\/p>\n<p>Mesmo sem vontade, Raul mordeu um peda\u00e7o do p\u00e3o e tomou um gole de \u00e1gua:<\/p>\n<p>_E o que faremos agora? &#8211; perguntou<\/p>\n<p>_N\u00e3o sei, mas tenho a impress\u00e3o que uma hora ou outra teremos que enfrentar Mister Crowley frente a frente.<\/p>\n<p>_Sim&#8230;<\/p>\n<p>_Ent\u00e3o a melhor coisa a fazermos \u00e9 consultar os or\u00e1culos anci\u00f5es.<\/p>\n<p>_Or\u00e1culos anci\u00f5es?<\/p>\n<p>_Sim, s\u00e3o os tr\u00eas magos mais antigos e rabugentos deste mundo. Seus nomes s\u00e3o Somir, Chester e Velho MacFadden.<\/p>\n<p>_N\u00e3o me parece muito animador.<\/p>\n<p>_E realmente n\u00e3o \u00e9. Acredite, se tiv\u00e9ssemos outra op\u00e7\u00e3o, com certeza n\u00e3o ir\u00edamos ver esse tr\u00eas velhos caducos.<\/p>\n<p>_Eles s\u00e3o da Fraternidade Branca?<\/p>\n<p>_N\u00e3o, eles s\u00e3o antigos demais para aceitarem participar de um grupinho de engravatados. Esses tr\u00eas fazem parte da velha escola e praticam a magia pura merm\u00e3o.<\/p>\n<p>_Bem, se n\u00e3o temos mesmo mais op\u00e7\u00e3o, vamos encontr\u00e1-los ent\u00e3o.<\/p>\n<p>_\u00c9 assim que se fala jovem, me acompanhe.<\/p>\n<p>Raul se levantou e seguiu Paulo at\u00e9 um banheiro pr\u00f3ximo que tinha apenas uma privada, uma pia e um espelho que tamb\u00e9m servia de arm\u00e1rio. Paulo abriu o espelho e tirou de l\u00e1 uma vela e uma caixa de f\u00f3sforos:<\/p>\n<p>_Preste bem aten\u00e7\u00e3o, quando eu acender esta vela, quero que voc\u00ea tire sua roupa e olhe para esse espelho piscando o m\u00ednimo poss\u00edvel. Tamb\u00e9m n\u00e3o desvie o olhar e se concentre o m\u00e1ximo poss\u00edvel no seu pr\u00f3prio reflexo. &#8211; disse Paulo.<\/p>\n<p>_Entendi, \u00e9 s\u00f3 isso? <\/p>\n<p>_Sim, se fizer tudo der certo voc\u00ea abrir\u00e1 um portal para o mundo dos espelhos, que \u00e9 aonde moram os or\u00e1culos anci\u00f5es. Boa sorte.<\/p>\n<p>_Voc\u00ea n\u00e3o vai comigo?<\/p>\n<p>_Claro que vou, mas n\u00e3o pelo espelho. Prometi para mim mesmo que nunca mais abriria este tipo de portal.<\/p>\n<p>_Porqu\u00ea?<\/p>\n<p>_N\u00e3o vamos estragar a surpresa, voc\u00ea ver\u00e1 por si mesmo. &#8211; dizendo isso, Paulo acendeu a vela e saiu do banheiro, deixando Raul sozinho.<\/p>\n<p>Raul olhou demoradamente o banheiro, que era iluminado apenas pela vela, fedia urina e n\u00e3o devia ser limpo h\u00e1 muito tempo. Apesar do nojo que sentia, ele tirou a roupa do corpo e a colocou de qualquer maneira dentro do arm\u00e1rio do espelho. Ap\u00f3s isso, ele fechou o arm\u00e1rio e se posicionou em frente ao espelho, fazendo conforme Paulo havia ensinado. <\/p>\n<p>Raul se sentia estranho parado ali no meio do banheiro, olhando para um espelho sem piscar. Ele tamb\u00e9m sentia muito frio e a luz da vela, al\u00e9m de n\u00e3o aquec\u00ea-lo, deixava aquele ambiente muito sinistro. Apesar de v\u00e1rias tentativas, ele sempre acabava piscando e n\u00e3o via resultado algum naquele exerc\u00edcio. Estava quase desistindo quando viu que algo estava mudando na imagem do espelho, mas acabou piscando e tudo voltou ao normal. Por\u00e9m, a cada nova tentativa, as mudan\u00e7as iam ficando mais bruscas e macabras. Seu rosto ia se deformando no espelho e o que ele via agora mais parecia um dem\u00f4nio do que ele mesmo, al\u00e9m disso, o espelho n\u00e3o refletia mais o banheiro ao fundo e o cen\u00e1rio refletido era pura escurid\u00e3o. <\/p>\n<p>Mesmo com medo, ele encarava o rosto demon\u00edaco do outro lado, que j\u00e1 n\u00e3o era mais um reflexo e parecia ter vontade pr\u00f3pria. De repente, aquela vers\u00e3o demon\u00edaca come\u00e7ou a tocar o espelho, deformando sua superf\u00edcie e come\u00e7ou a sair. Primeiro as m\u00e3os, depois os bra\u00e7os, a cabe\u00e7a e finalmente o tronco. Ele agitava os bra\u00e7os e tentava agarrar Raul, que se desvencilhava como podia, mas acabou sendo pego e puxado para dentro do espelho. Ao cruzar o espelho, Raul sentiu um calafrio e teve a sensa\u00e7\u00e3o de estar se afogando. Desesperado, ele come\u00e7ou a se debater, percebendo que estava mesmo se afogando em algum tipo de l\u00edquido viscoso. Ele estava quase desmaiando quando sentiu uma m\u00e3o agarr\u00e1-lo e tir\u00e1-lo daquele l\u00edquido. J\u00e1 na superf\u00edcie, ele vomitou e se deitou no ch\u00e3o, que era frio e liso:<\/p>\n<p>_Maldito, voc\u00ea espantou o meu reflexo. &#8211; disse a voz de seu misterioso her\u00f3i, que estava agachado olhando para o l\u00edquido.<\/p>\n<p>Raul se levantou e viu que o l\u00edquido estava contido em um formato retangular, como se fosse um lago. Ele se aproximou e olhou na dire\u00e7\u00e3o do lago, mas ao inv\u00e9s do fundo, ele viu o sujo banheiro em que havia estado. Com sua vis\u00e3o perif\u00e9rica, ele percebeu que o outro homem havia se levantado e pulado naquela \u00e1gua.<\/p>\n<p>_N\u00e3o! &#8211; ele gritou, mas j\u00e1 era tarde demais e o outro afundava na dire\u00e7\u00e3o do banheiro, saindo do outro lado. Raul continuou olhando e esperou o outro se levantar. <\/p>\n<p>Apesar de parecer atordoado, o outro come\u00e7ou a encar\u00e1-lo do fundo do lago e finalmente Raul percebeu que aquele homem na verdade era sua vers\u00e3o demon\u00edaca do mundo dos espelhos. Para sua surpresa, ap\u00f3s olhar para o espelho do banheiro o dem\u00f4nio virou uma est\u00e1tua de pedra.<\/p>\n<p>_Bem, agora entendo porque Paulo n\u00e3o quer mais abrir esse tipo de portal &#8211; disse Raul para si mesmo.<\/p>\n<p>Tentando se orientar Raul olhou para os lados, mas n\u00e3o havia nada al\u00e9m do lago e daquela superf\u00edcie fria e lisa em que pisava. Mesmo assim, ele saiu sem dire\u00e7\u00e3o, tentando manter aquele lago como ponto de refer\u00eancia para n\u00e3o se perder. Ap\u00f3s andar alguns metros, ele finalmente viu uma luz iluminando o que parecia ser uma pequena casa e foi naquela dire\u00e7\u00e3o. Quanto mais andava, mais ele tinha a sensa\u00e7\u00e3o de que a casa estava se distanciando.<\/p>\n<p><em>Continua&#8230;<\/em><\/p>\n<h4>Chester Chenson<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfavor Convidado \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>. O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas. 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