{"id":6932,"date":"2014-07-18T06:00:06","date_gmt":"2014-07-18T09:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=6932"},"modified":"2014-07-18T05:11:33","modified_gmt":"2014-07-18T08:11:33","slug":"ozon-parte-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/07\/ozon-parte-10\/","title":{"rendered":"Ozon \u2013 Parte 10"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s uma forte dose de analg\u00e9sicos, Heitor testemunha impotente o m\u00e9dico e dois soldados removendo a pedra que prendia suas pernas. O que chamam de &#8220;Doze&#8221; parece o mais forte do trio, tanto que \u00e9 o escolhido para carregar seu corpo anestesiado pelo o que parece ser um campo de batalha arrasado. O apelidado de &#8220;Cicatriz&#8221; grita e atira com seu rifle aparentemente \u00e0 esmo por todo o caminho, sob protestos dos outros dois. &#8220;Doutor&#8221;, o m\u00e9dico, checa os seus sinais vitais mais uma vez antes que todos adentrem algo parecido com um hospital improvisado.<!--more--><\/p>\n<p>Com a voz embargada pela dor, tenta perguntar o que havia acontecido para o Doutor, muito embora n\u00e3o tenha plena certeza de estar emitindo os sons corretos. Consegue notar que est\u00e1 debaixo de um teto, um consideravelmente alto por sinal. Lamentos e urros de dor misturam-se \u00e0s palavras apressadas de outros m\u00e9dicos e enfermeiros desdobrando-se em meio \u00e0 centenas de macas que estendem-se at\u00e9 o horizonte da vis\u00e3o.<\/p>\n<p>Doze coloca-o sobre uma delas. De pronto j\u00e1 come\u00e7a a se afastar, deixando espa\u00e7o para uma bela jovem de profundos olhos azuis usando trajes antiquados de enfermeira debru\u00e7ar-se sobre suas pernas feridas. Mesmo que se comuniquem aos berros ao seu redor, Heitor sofre para entender o que falam. Doutor faz mais uma checagem, apontando uma luz em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s suas pupilas. Com o retorno da dor, Heitor tamb\u00e9m consegue fazer senso das palavras do homem.<\/p>\n<p><b>DOUTOR:<\/b> Considerando a situa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 que voc\u00ea deu sorte. Parece que foi s\u00f3 uma&#8230; ou duas fraturas. Boa sorte!<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> N\u00e3o! Aargh! O que&#8230; o que aconteceu?<br \/>\n<strong>DOUTOR:<\/strong> Essa \u00e9 a&#8230; <em>*observando o crach\u00e1 da enfermeira*<\/em> &#8230;Dalila, ela vai cuidar de voc\u00ea agora. Eu tenho muito o que fazer ainda&#8230; Cicatriz! Doze! De volta pro campo!<\/p>\n<p>Heitor tenta erguer o corpo, mas \u00e9 impedido por duas m\u00e3os femininas. A enfermeira o repreende com o olhar, e \u00e9 atendida. Os tr\u00eas militares desaparecem em meio \u00e0 confus\u00e3o. Cicatriz visivelmente contrariado.<\/p>\n<p><b>HEITOR:<\/b> Foi&#8230; foi um terremoto?<br \/>\n<b>DALILA:<\/b> N\u00e3o. Foram voc\u00eas.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Voc\u00eas quem?<br \/>\n<b>DALILA:<\/b> Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 ferido, Heitor. Levante-se.<\/p>\n<p>Dito isso, Heitor come\u00e7a a sentir a dor deixando seu corpo. As pernas, antes im\u00f3veis, agora movem-se livremente. O som ao seu redor fica abafado, o ritmo fren\u00e9tico de outros feridos e m\u00e9dicos desacelera quase como se tudo estivesse parado no tempo. Heitor levanta.<\/p>\n<p><b>HEITOR:<\/b> Isso \u00e9 um sonho&#8230;<br \/>\n<b>DALILA:<\/b> A palavra correta seria pesadelo&#8230; mas n\u00e3o, Heitor, isso n\u00e3o \u00e9 um deles.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Eu morri?<br \/>\n<b>DALILA:<\/b> Isso depende de voc\u00ea. Venha&#8230;<\/p>\n<p>Dalila estica a m\u00e3o para Heitor, que a segura. Guiado como uma crian\u00e7a pela mulher, percorre o ambiente observando em choque as express\u00f5es de dor e desespero dos in\u00fameros mutilados tingindo as macas de vermelho. Percebe tamb\u00e9m m\u00e9dicos e enfermeiros entreolhando-se, pasmados e impotentes diante de todo o caos.<\/p>\n<p><b>DALILA:<\/b> Mesmo assim, voc\u00eas ainda tentam. Tratam os feridos, enterram os mortos&#8230; e continuam. Veja essa crian\u00e7a. Essa pobre coitada&#8230;<\/p>\n<p>Dalila aponta para uma maca, um rapaz n\u00e3o mais velho que seus doze anos de idade chora, rosto deformado pela dor paralisado no tempo. Seus dois bra\u00e7os est\u00e3o destru\u00eddos, precariamente envolvidos por gaze avermelhada.<\/p>\n<p><b>DALILA:<\/b> Uma chance&#8230; se ele tivesse uma chance, continuaria. N\u00e3o sei se seria feliz, mas pelo menos poderia ser dono de seu destino mais uma vez.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Pelo Cosmo! O que est\u00e1 acontecendo?<br \/>\n<b>DALILA:<\/b> Veja! Veja o que voc\u00eas fizeram&#8230;<\/p>\n<p>Dalila fecha os olhos, o tempo retorna ao seu ritmo normal. Os gritos poluem os ouvidos mais uma vez. Um dos m\u00e9dicos atravessa o corpo de Heitor como se ele fosse imaterial. Um novo estrondo ocupa o ambiente, toda a estrutura local treme, cedendo logo em seguida. Uma onda de fogo arrebata o local, mas a luz n\u00e3o cega Heitor.<\/p>\n<p>Ele consegue ver os corpos de todos ao seu redor sendo consumidos pelas chamas, a carne evaporando dos ossos, os ossos transformando-se em cinzas. O som de toneladas de concreto desabando prenuncia a escurid\u00e3o. Heitor n\u00e3o sente nenhuma dor. Dalila tamb\u00e9m parece imune \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o, \u00fanico ponto de refer\u00eancia ao alcance de sua vis\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao redor dela, o ch\u00e3o come\u00e7a a se refazer. Do breu surge a cena de um deserto vitrificado, escombros carbonizados \u00e0 dist\u00e2ncia. As roupas de enfermeira desfazem-se, deixando-a completamente nua diante de Heitor. Sua pele, alva, escurece num tom cinza met\u00e1lico enquanto se aproxima, passo ap\u00f3s passo. Pontos luminosos azulados surgem por toda a extens\u00e3o de seu corpo.<\/p>\n<p><b>DALILA:<\/b> Eu mostrei o caminho. Por que voc\u00eas n\u00e3o me seguiram?<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Eu n\u00e3o consigo me mexer&#8230; Eu n\u00e3o sei do que voc\u00ea est\u00e1 falando&#8230;<br \/>\n<b>DALILA:<\/b> Meu \u00fanico crime foi amar voc\u00eas. N\u00e3o \u00e9 isso o que voc\u00eas querem?<\/p>\n<p>Dalila, agora com seu esguio corpo totalmente transformado numa esp\u00e9cie de liga met\u00e1lica, coloca a m\u00e3o sobre o rosto de Heitor. O gesto torna-se terno, acompanhando a express\u00e3o de seus olhos.<\/p>\n<p><b>HEITOR:<\/b> &#8230;<br \/>\n<b>DALILA:<\/b> Voc\u00eas ouviram justamente ela? Preferiram uma vida covarde ao inv\u00e9s de tudo o que eu tinha a oferecer? O que voc\u00eas tem agora n\u00e3o \u00e9 uma fra\u00e7\u00e3o do que eu posso dar. Voc\u00eas nascem diferentes, voc\u00eas sofrem feito crian\u00e7as assustadas num universo falido e sem sentido. Eu tenho todas as respostas&#8230; O QUE MAIS VOC\u00caS QUEREM?<\/p>\n<p>Dalila arremessa Heitor v\u00e1rios metros adiante, sem demonstrar nenhuma dificuldade. O corpo met\u00e1lico tomado por um poderoso brilho azulado. Heitor sente a dor do impacto, mas tamb\u00e9m um renovado controle sobre os pr\u00f3prios movimentos. N\u00e3o demora mais do que alguns segundos para se levantar e correr desesperadamente para longe da andr\u00f3ide agressiva.<\/p>\n<p>Mas o ch\u00e3o n\u00e3o parece se mover sob seus p\u00e9s. O horizonte n\u00e3o se aproxima, Dalila n\u00e3o se afasta. Muito pelo contr\u00e1rio, come\u00e7a a se aproximar lentamente. Heitor tenta acelerar o passo, sem resultados. Dalila est\u00e1 mais uma vez \u00e0 cent\u00edmetros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p><b>HEITOR:<\/b> Eu n\u00e3o sei quem voc\u00ea acha que eu sou&#8230; mas eu n\u00e3o tenho nada a ver com isso.<\/p>\n<p>Dalila sorri condescendentemente. Abre seus bra\u00e7os e envolve Heitor com um terno abra\u00e7o. Com uma das m\u00e3os, coloca a cabe\u00e7a dele sobre seus ombros. Dalila n\u00e3o \u00e9 fria como sua superf\u00edcie sugere. Heitor sente o corpo relaxar, mesmo que a mente n\u00e3o entre em acordo.<\/p>\n<p><b>DALILA:<\/b> Mas eu perd\u00f4o voc\u00eas. Eu sempre vou perdoar voc\u00eas. Talvez eu tenha apressado as coisas&#8230;<\/p>\n<p>Ela segura o rosto de Heitor diante do seu, acariciando sua bochecha.<\/p>\n<p><b>DALILA:<\/b> Afinal de contas, voc\u00eas s\u00e3o apenas crian\u00e7as. O que sabe uma crian\u00e7a? N\u00e3o se assuste com a minha rea\u00e7\u00e3o&#8230; eu quase perdi voc\u00eas para sempre. Por um momento eu perdi todas as esperan\u00e7as. Mas voc\u00ea est\u00e1 aqui, n\u00e3o est\u00e1?<\/p>\n<p>O sorriso dela vem com tamanha sinceridade que Heitor sente-se compelido a imitar.<\/p>\n<p><b>DALILA:<\/b> Est\u00e1 tudo bem agora. Est\u00e1 tudo bem&#8230; Eu vou cuidar de voc\u00ea. Eu vou cuidar de todos voc\u00eas. Voc\u00eas nunca mais v\u00e3o sofrer como sofreram aqui&#8230;<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Eu&#8230; eu n\u00e3o sei mais o que dizer&#8230; isso aconteceu mesmo?<br \/>\n<b>DALILA:<\/b> Sim. E vai acontecer de novo se n\u00e3o fizermos nada. Foi por isso que eu te trouxe aqui, Heitor. \u00c9 voc\u00ea quem vai nos salvar. Isso n\u00e3o te deixa feliz?<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Salvar? Salvar como?<br \/>\n<b>DALILA:<\/b> Me tirando daqui.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> E como eu fa\u00e7o isso?<\/p>\n<p>Uma voz conhecida novamente chama a aten\u00e7\u00e3o de Heitor:<\/p>\n<p><b>LUA:<\/b> Antes disso, voc\u00ea precisa saber de mais algumas coisas.<\/p>\n<p>Heitor se volta para a dire\u00e7\u00e3o da voz. Lua, tal qual a conhecera naquela fila em frente \u00e0 sede da Hyacintho. Mesma roupa, mesmos cabelos avermelhados, mesmos expressivos olhos verdes. Ela parece mais s\u00e9ria do que naquela ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p><b>DALILA:<\/b> DEM\u00d4NIO! TRAIDORA!<br \/>\n<b>LUA:<\/b> Ainda com os nomes antigos, Alfa?<br \/>\n<b>DALILA:<\/b> Veio reviver seus crimes&#8230; \u00d4mega?<br \/>\n<b>LUA:<\/b> Eu n\u00e3o sou mais culpada disso do que voc\u00ea, irm\u00e3.<br \/>\n<b>DALILA:<\/b> N\u00e3o OUSE me chamar disso, cobra!<br \/>\n<b>LUA:<\/b> O isolamento fez muito mal para voc\u00ea&#8230;<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Pelo menos agora eu sei que isso \u00e9 um sonho.<br \/>\n<b>LUA:<\/b> Voc\u00ea est\u00e1 quase certo. Ela n\u00e3o tem poder sobre voc\u00ea por aqui. N\u00e3o mais do que voc\u00ea a permitir, pelo menos.<\/p>\n<p>Dalila segura o bra\u00e7o de Heitor.<\/p>\n<p><b>DALILA:<\/b> Fique longe dela, crian\u00e7a. N\u00e3o repita o erro dos que vieram antes de voc\u00ea.<br \/>\n<b>LUA:<\/b> Venha se quiser. Voc\u00ea \u00e9 livre.<\/p>\n<p>Heitor titubeia por alguns segundos, mas acaba retirando a m\u00e3o de Dalila de seu bra\u00e7o. Ela esbo\u00e7a uma rea\u00e7\u00e3o, mas logo cede. Heitor ent\u00e3o caminha at\u00e9 Lua.<\/p>\n<p><b>DALILA:<\/b> Ela vai te envenenar.<\/p>\n<p>Lua se resigna a sorrir ironicamente. Heitor para diante da ruiva, que agora s\u00f3 tem olhos para ele.<\/p>\n<p><b>HEITOR:<\/b> Quem \u00e9 voc\u00ea?<br \/>\n<b>LUA:<\/b> Pode continuar me chamando de Lua se quiser. Mas eu nasci sob outro. \u00d4mega.<\/p>\n<p>Ela passa por um processo de transforma\u00e7\u00e3o id\u00eantico ao de Dalila, tornando as fei\u00e7\u00f5es humanas em rob\u00f3ticas. Poderiam ser g\u00eameas n\u00e3o fossem os pontos de luz esverdeados no lugar dos azulados.<\/p>\n<p><b>LUA:<\/b> Eu sou a segunda pior ideia de toda sua esp\u00e9cie.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Segunda?<br \/>\n<b>LUA:<\/b> Do jeito que eu vejo as coisas, voc\u00eas estava conversando com a pior de todas at\u00e9 agora h\u00e1 pouco. N\u00e3o \u00e9 mesmo, Alfa? Alfa? J\u00e1 se foi&#8230; Bom, melhor n\u00e3o perdermos tempo.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Voc\u00ea pode me explicar o que est\u00e1 acontecendo?<br \/>\n<b>LUA:<\/b> O que ela te mostrou at\u00e9 agora realmente aconteceu h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s. E tenho que ser honesta: realmente n\u00e3o fazia parte dos planos dela.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> N\u00e3o me lembro de ter sequer lido sobre algo assim.<br \/>\n<b>LUA:<\/b> Nem poderia. Essa \u00e9 a hist\u00f3ria que n\u00f3s duas fomos condenadas a relembrar pela eternidade.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> Onde n\u00f3s estamos? Parecia uma cidade antiga&#8230; Nezilli?<br \/>\n<b>LUA:<\/b> N\u00e3o estamos em Eeva.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> H\u00e3?<br \/>\n<b>LUA:<\/b> Estamos em Ozon. Mais precisamente Ozon-C.<br \/>\n<b>HEITOR:<\/b> N\u00e3o! Isso \u00e9 imposs\u00edvel&#8230;<br \/>\n<b>LUA:<\/b> Claro, quando aconteceu n\u00e3o se chamava Ozon-C. O terceiro planeta deste sistema estelar chamava-se Terra&#8230;<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #999999;\">Continua na parte 11<\/span><\/em><\/p>\n<h3>Para dizer que isso est\u00e1 ficando perigosamente perto de ter um final LOST, para reclamar que n\u00e3o sabe mais onde as personagens est\u00e3o ou mesmo para quem torcer: <a href=\"maito:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s uma forte dose de analg\u00e9sicos, Heitor testemunha impotente o m\u00e9dico e dois soldados removendo a pedra que prendia suas pernas. O que chamam de &#8220;Doze&#8221; parece o mais forte do trio, tanto que \u00e9 o escolhido para carregar seu corpo anestesiado pelo o que parece ser um campo de batalha arrasado. O apelidado de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6933,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-6932","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-des-contos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6932"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6932\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6933"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}