{"id":7030,"date":"2014-08-03T14:00:30","date_gmt":"2014-08-03T17:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=7030"},"modified":"2014-08-03T06:39:30","modified_gmt":"2014-08-03T09:39:30","slug":"um-mago-sem-destino-9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/08\/um-mago-sem-destino-9\/","title":{"rendered":"Um mago sem destino. (9)"},"content":{"rendered":"<h3><em><strong>Desfavor Convidado<\/strong> \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>.<\/em><br \/>\n<em>O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas.<\/em><\/h3>\n<h6>Desfavor Convidado: Um mago sem destino<\/h6>\n<h2>Cap\u00edtulo 4 &#8211; Cafa Samaghi Parte 2<\/h2>\n<p>J\u00e1 perdido, Raul continuou andando naquele ambiente in\u00f3spito, sem nunca chegar ao seu destino. Naquele mundo n\u00e3o havia animais, vegeta\u00e7\u00e3o e nenhum outro ser humano que ele pudesse ver. Havia apenas um pequeno caminho prateado no meio de diversos lagos e uma simples casa ao longe que, aparentemente, sempre se distanciava por mais que Raul andasse.<!--more--> Ele tentou beber da \u00e1gua de um dos lagos, mas al\u00e9m de n\u00e3o matar a sede, ela era gelada e muito dif\u00edcil de engolir. Ao fundo dos lagos, imagens apareciam mostrando cen\u00e1rios e pessoas, provavelmente reflexos de diversos locais do mundo origin\u00e1rio de Raul. Algumas dessas imagens prendiam a aten\u00e7\u00e3o do rapaz, outras eram motivo de afli\u00e7\u00e3o e horror. Em duas ocasi\u00f5es distintas ele viu dem\u00f4nios sendo gerados espontaneamente diante dos lagos, mas nenhuma pessoa efetivamente conseguia ultrapassar a barreira do espelho, j\u00e1 que eram sempre distra\u00eddas por algum motivo e os dem\u00f4nios se desfaziam em cinzas.<\/p>\n<p>Mesmo faminto e sedento, Raul continuou andando e perdeu a no\u00e7\u00e3o de tempo. Estava perdendo as esperan\u00e7as, quando finalmente percebeu que a casa ao fim do caminho se aproximava. Passo a passo a casa foi crescendo e j\u00e1 ocupava boa parte da vis\u00e3o dele:<\/p>\n<p>_\u00c9 maior do que parecia l\u00e1 de longe! &#8211; disse para si mesmo, surpreso pela imensid\u00e3o da casa, que agora mais parecia um muro divisor de fronteiras com uma porta no meio.<\/p>\n<p>Quando chegou na porta, Raul se apoiou no batente e recuperou o f\u00f4lego. Sem sequer cogitar na possibilidade de voltar pelo mesmo caminho de onde veio, ele bateu. Sem obter resposta, ele bateu de novo. Na terceira tentativa a porta se abriu, mas o outro lado estava escuro demais para ele ver. Por\u00e9m, uma voz veio l\u00e1 de dentro:<\/p>\n<p>&#8220;Jovem ne\u00f3fito, eis que chegaste ao Umbral da Porta. \u00c9 hora de uma importante decis\u00e3o, se passar deste ponto n\u00e3o ter\u00e1 mais volta e se voltar, nunca mais poder\u00e1 voltar aqui novamente. Esse que vos fala \u00e9 o Guardi\u00e3o do Umbral, aquele que te tentou tantas vezes antes e que ir\u00e1 te tentar tantas vezes mais. A porta est\u00e1 aberta, venha me encarar se tiver coragem&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo assustado, Raul ultrapassou o Umbral da porta e do outro lado viu apenas uma escadaria. Em cada degrau havia uma pequena placa dourada com um n\u00famero e um nome, sendo que a primeira placa estava escrito &#8220;1 &#8211; aprendiz&#8221;. Conforme ia subindo os degraus, ele foi lendo o que estava escrito em cada uma: &#8220;2 &#8211; companheiro, 3 &#8211; mestre, 4 &#8211; mestre secreto, 5 &#8211; mestre perfeito, 6 &#8211; secret\u00e1rio \u00edntimo, 7 &#8211; mestre irland\u00eas, 8 &#8211; mestre em Israel, 9 &#8211; mestre eleito dos nove, 10 &#8211; mestre eleito dos quinze, 11 &#8211; sublime cavaleiro eleito, 12 &#8211; gr\u00e3o-mestre arquiteto, 13 &#8211; cavaleiro real arco, 14 &#8211; grande eleito, 15 &#8211; cavaleiro do oriente, 16 &#8211; pr\u00edncipe de Jerusal\u00e9m, 17 &#8211; cavaleiro do ocidenete e do oriente, 18 &#8211; cavaleiro rosa-cruz, 19 &#8211; grande pont\u00edfice, 20 &#8211; mestre ad vitam, 21 &#8211; cavaleiro prussiano, 22 &#8211; pr\u00edncipe do L\u00edbano, 23 &#8211; chefe do tabern\u00e1culo, 24 &#8211; pr\u00edncipe do tabern\u00e1culo, 25 &#8211; cavaleiro da serpente de bronze, 26 &#8211; escoc\u00eas trinit\u00e1rio, 27 &#8211; grande comendador do templo, 28 &#8211; cavaleiro do sol, 29 &#8211; grande escoc\u00eas de Santo Andr\u00e9, 30 &#8211; cavaleiro kadosh, 31 &#8211; grande juiz comendador, 32 &#8211; sublime cavaleiro do real segredo e 33 &#8211; soberano grande inspetor geral&#8221;. <\/p>\n<p>A escadaria terminava em seu trig\u00e9simo terceiro degrau, mas olhando para baixo, Raul tinha a impress\u00e3o de ver milhares de degraus.<\/p>\n<p>_A perspectiva \u00e9 algo impressionante, n\u00e3o \u00e9 mesmo. &#8211; veio uma voz \u00e0s costas de Raul, que pulou de susto. _ Desculpe-me. &#8211; disse o dono da voz, ap\u00f3s Raul se virar e ver que havia se assustado por causa de um velho. _Siga-me, vamos tomar um ch\u00e1. &#8211; convidou o anci\u00e3o.<\/p>\n<p>Raul acompanhou o velho at\u00e9 a um grande sal\u00e3o, onde outros dois senhores estavam jogando xadrez:<\/p>\n<p>_Viram, eu disse que ele n\u00e3o ia se assustar com a voz pat\u00e9tica que voc\u00ea faz. &#8220;Eu sou o Guardi\u00e3o do Umbral, oooohhh&#8221; &#8211; disse um dos jogadores.<\/p>\n<p>_Somir, eu fa\u00e7o isso para manter as apar\u00eancias, n\u00e3o podemos abandonar as velhas simbologias. &#8211; respondeu o outro jogador.<\/p>\n<p>_Ei voc\u00eas dois, parem de ficar reclamando e venham recepcionar nosso convidado. &#8211; disse o terceiro, que acompanhava Raul.<\/p>\n<p>Claramente contrariados, os outros dois se levantaram e vieram cumprimentar Raul:<\/p>\n<p>_Estes s\u00e3o Somir e Chester, eu sou mais conhecido como Velho MacFadden. &#8211; apresentou o velho que havia acompanhado Raul. _Creio que deve ter muitos perguntas, rapaz.<\/p>\n<p>_Sim.<\/p>\n<p>_Pois veio ao lugar errado. &#8211; disse o velho que foi apresentado como Somir.<\/p>\n<p>_Somir, seja mais educado. &#8211; disse o que foi apresentado como Chester.<\/p>\n<p>_Esses jovens chegam aqui sem serem convidados e querem recep\u00e7\u00e3o de gala, fa\u00e7am-me o favor.<\/p>\n<p>_N\u00e3o ligue para ele meu rapaz, o Somir anda meio esclerosado.<\/p>\n<p>_Esclerosado \u00e9 voc\u00ea, seu velho bab\u00e3o.<\/p>\n<p>_Eu n\u00e3o sou esclerosado, bate na madeira. &#8211; disse Chester, batendo tr\u00eas vezes em uma mesa de madeira. _E v\u00e1 l\u00e1 atender que est\u00e3o batendo na porta.<\/p>\n<p>_Mas foi voc\u00ea que acabou de&#8230;.<\/p>\n<p>_N\u00e3o discuta comigo e v\u00e1 atender essa maldita porta.<\/p>\n<p>Irritado, Somir foi abrir uma porta que havia ao fundo do sal\u00e3o e l\u00e1 estava Paulo, de punho erguido, pronto para bater.<\/p>\n<p>_Dessa vez voc\u00ea deu sorte Chester, tem outro insolente aqui querendo entrar.<\/p>\n<p>_Pode deixar.<\/p>\n<p>_Voc\u00eas acham que isso aqui \u00e9 o qu\u00ea? Um hotel? <\/p>\n<p>_Somir, porque voc\u00ea n\u00e3o vai cuidar daquele seu di\u00e1rio virtual&#8230; &#8211; interveio MacFadden.<\/p>\n<p>_\u00c9 um blog, eu j\u00e1 falei isso mil vezes.<\/p>\n<p>_Que seja, vai l\u00e1 postar alguma bobagem que ningu\u00e9m vai ler mesmo.<\/p>\n<p>_S\u00e3o informa\u00e7\u00f5es valiosas, de extrema import\u00e2ncia e eu tenho leitores no mundo inteiro se querem saber.<\/p>\n<p>_Claro, claro, agora vai.<\/p>\n<p>Mesmo reclamando, Somir seguiu o conselho e se sentou na frente de um computador que estava pr\u00f3ximo \u00e0 mesa de xadrez.<\/p>\n<p>_Pronto, agora podemos conversar e n\u00e3o se preocupe com o vaso, rapaz. &#8211; disse Chester.<\/p>\n<p>_Que vaso? &#8211; respondeu Raul.<\/p>\n<p>_Ele est\u00e1 confundindo de novo, o Chester n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo desde o dia em que teve que se vestir de mulher para aquele maldito Hacker. &#8211; gritou Somir, sem parar de teclar.<\/p>\n<p>_Aquilo sim que era mago de verdade, parava proj\u00e9teis no ar e se contorcia como ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>_Mesmo assim morreu por causa de uma m\u00e1quina, pat\u00e9tico.<\/p>\n<p>_Pela \u00faltima vez, parem com isso. &#8211; disse MacFadden, ficando vermelho de raiva.<\/p>\n<p>Nesse momento Paulo j\u00e1 estava ao lado de Raul e disse:<\/p>\n<p>_Eu avisei que esse caras eram pirados.<\/p>\n<p>_Como chegou at\u00e9 aqui?<\/p>\n<p>_Existem duas maneiras de se chegar ao mundo dos espelhos, uma delas \u00e9 fazendo \u00e9 fazendo o experimento que te ensinei&#8230;.<\/p>\n<p>_E a outra?<\/p>\n<p>_Bem, destruindo um dem\u00f4nio do espelho. No meu caso foi f\u00e1cil, j\u00e1 que ele estava em sua forma de est\u00e1tua.<\/p>\n<p>Sabendo dessa informa\u00e7\u00e3o, Raul agarrou o pesco\u00e7o de Paulo:<\/p>\n<p>_Voc\u00ea me fez passar por tudo aquilo e ainda destruiu o meu dem\u00f4nio?<\/p>\n<p>_Calma, se tentar fazer o experimento de novo, garanto que ele estar\u00e1 l\u00e1. Dem\u00f4nios nunca morrem&#8230;<\/p>\n<p>_Seu desgra\u00e7ado.<\/p>\n<p>Raul teve que ser contido pelos tr\u00eas velhos para que n\u00e3o continuasse estrangulando Paulo e com muito custo acabou se acalmando.<\/p>\n<p>_Ah esses jovens e seus horm\u00f4nios \u00e0 flor da pele. Agora pe\u00e7a desculpas ao seu amiguinho. &#8211; disse Chester para Raul.<\/p>\n<p>_Mas&#8230; &#8211; retrucou Raul.<\/p>\n<p>_Pe\u00e7a desculpas ou vou at\u00e9 a\u00ed te dar uma bengalada.<\/p>\n<p>_Ok, ok. Paulo, me desculpa.<\/p>\n<p>_Desculpas aceitas.<\/p>\n<p>_Tudo fica bem quando acaba bem. &#8211; Sorriu Chester.<\/p>\n<p>_Muito bem seus moleques, agora meu n\u00edvel de adrenalina est\u00e1 alto o suficiente para me causar um infarto.<\/p>\n<p>_Somir, a \u00fanica coisa que pode te matar atualmente \u00e9 a quantidade de cigarros que voc\u00ea fuma por dia.<\/p>\n<p>_Falando nisso, aonde est\u00e3o meus cigarros?<\/p>\n<p>_Outro dia desses passou por aqui um bruxo ingl\u00eas pedindo cigarros e eu dei os seus para ele.<\/p>\n<p>_Desgra\u00e7ado&#8230;<\/p>\n<p>Dessa vez foi Somir quem tentou estrangular Chester.<\/p>\n<p>_Ele parecia realmente estar precisando de um cigarro. &#8211; justificou Chester.<\/p>\n<p>_Acho melhor nos sentarmos, isso vai levar a noite inteira.<\/p>\n<p><em>Continua&#8230;<\/em><\/p>\n<h4>Chester Chenson<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfavor Convidado \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. 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