{"id":7071,"date":"2014-08-08T06:00:10","date_gmt":"2014-08-08T09:00:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=7071"},"modified":"2014-08-08T03:08:37","modified_gmt":"2014-08-08T06:08:37","slug":"escrever-feito-gente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/08\/escrever-feito-gente\/","title":{"rendered":"Escrever feito gente."},"content":{"rendered":"<p>Apesar de n\u00e3o ter atendido \u00e0s expectativas de nossos sempre exigentes e eruditos impopulares, a coluna &#8220;Fragmentos&#8221; n\u00e3o morre sem deixar pelo menos um legado: a continua\u00e7\u00e3o de pelo menos um texto que eu n\u00e3o acreditei que os interessaria. Hoje eu quero falar sobre escrita. Mais precisamente sobre como n\u00e3o deixar as palavras te tra\u00edrem.<!--more--><\/p>\n<p>S\u00f3 mais uma coisa: passaram-se quase cinco anos desde o fragmento em quest\u00e3o. Tenho algumas adi\u00e7\u00f5es e modifica\u00e7\u00f5es em mente.<\/p>\n<h2>Manual Desfavor: Escrever feito gente.<\/h2>\n<p>Voc\u00ea acha que as pessoas n\u00e3o te levam a s\u00e9rio na internet? Tem a sensa\u00e7\u00e3o de que o que escreve frequentemente te leva a virar motivo de piada? Morre de vergonha de expressar suas id\u00e9ias? Acha que suas opini\u00f5es n\u00e3o v\u00e3o ser entendidas?<\/p>\n<p>O motivo pode ser a sua dificuldade de se expressar pela escrita, caro desfavor! Se voc\u00ea percebe que escreve muito mal e isso est\u00e1 te atrasando nessa era de comunica\u00e7\u00e3o visual, voc\u00ea j\u00e1 fez a parte mais importante: Reconheceu o problema.<\/p>\n<p>Ru\u00eddo. A internet virou um grande e intermin\u00e1vel ru\u00eddo. Com tanto da comunica\u00e7\u00e3o humana passando pelo meio da escrita, come\u00e7aram a ficar cada vez mais claras as dificuldades que a maioria das pessoas tem com a palavra no papel ou na tela. Pudera: n\u00e3o \u00e9 mesmo algo simples. Mas com algumas dicas que eu adoraria ter lido ou ouvido bem antes em minha vida, o processo fica menos complexo.<\/p>\n<p>A curva de aprendizado da escrita \u00e9 trai\u00e7oeira: quanto mais voc\u00ea a percorre, mais \u00edngreme se torna. Por isso n\u00e3o espere que eu v\u00e1 te guiar pelo processo de desenvolver sua prosa ao ponto de rivalizar com grandes escritores: eu s\u00f3 posso ensinar o que j\u00e1 aprendi. O texto de hoje n\u00e3o \u00e9 sobre a arte da escrita, \u00e9 sobre o m\u00ednimo necess\u00e1rio para traduzir o que pensa em palavras.<\/p>\n<p>Vamos seguir uma lista de passos necess\u00e1rios:<\/p>\n<p><strong>1 &#8211; Entenda o que l\u00ea.<\/strong><\/p>\n<p>Modifiquei essa parte em rela\u00e7\u00e3o ao texto original. Havia uma etapa important\u00edssima antes de tudo: ler. S\u00f3 escreve bem quem l\u00ea muito. N\u00e3o existem atalhos&#8230; o que com certeza n\u00e3o quer dizer que precisa devorar uma biblioteca de cl\u00e1ssicos para escrever um e-mail, mas expressa uma important\u00edssima ideia que eu demorei demais para entender: pensamento, fala e escrita s\u00e3o tr\u00eas l\u00ednguas diferentes. Pouca gente diz isso, e \u00e9 um desservi\u00e7o \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>O pensamento \u00e9 o campo dos atalhos. O c\u00e9rebro se baseia em rela\u00e7\u00f5es entre significados para armazenar e expressar informa\u00e7\u00f5es. Um pensamento simples pode exigir uma cole\u00e7\u00e3o de livros para ser expresso (e olhe l\u00e1&#8230;), mas pode ficar cristalino apenas com uma frase bem colocada. Falar e escrever s\u00e3o tradu\u00e7\u00f5es &#8220;livres&#8221; do que se pensa. Acabamos nos especializando bem mais na fala, desde a mais tenra inf\u00e2ncia; mas quando o assunto \u00e9 escrita, a l\u00edngua tende a ficar morta por falta de manuten\u00e7\u00e3o. A \u00faltima vez que boa parte das pessoas se preocupa com escrita \u00e9 na reda\u00e7\u00e3o do vestibular.<\/p>\n<p>Assim como ouvir \u00e9 essencial para saber o que falar, ler define o que voc\u00ea \u00e9 capaz de escrever. Sem saber a l\u00edngua a comunica\u00e7\u00e3o fica muito prejudicada. Mas aqui eu difiro um pouco dos conselhos tradicionais: ler grandes obras da literatura faz bem, mas nem de longe \u00e9 o \u00fanico caminho. O importante \u00e9 ler&#8230; e entender o que leu. Pode ser Dostoi\u00e9vski, pode ser mat\u00e9ria de revista fuleira, o essencial \u00e9 n\u00e3o desistir de nada que est\u00e1 lendo por dificuldade de entendimento.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que pode ser dif\u00edcil, \u00e9 outra l\u00edngua. Pior: uma na qual voc\u00ea talvez esteja muito enferrujado. Mas se voc\u00ea n\u00e3o ficar imerso na l\u00edngua &#8220;estrangeira&#8221;, quais as chances de voc\u00ea aprend\u00ea-la? Antes de traduzir ideias em palavras, voc\u00ea deve desenvolver a capacidade de fazer o caminho inverso. Se palavras n\u00e3o viram ideias na sua cabe\u00e7a, se vira at\u00e9 conseguir.<\/p>\n<p>At\u00e9 por isso eu me afasto um pouco de quem defende demais livros e n\u00e3o leitura em geral (inclusive de porcarias): muitas mais famosas obras da literatura concentram-se em descrever experi\u00eancias sensoriais e gerar empatia com personagens. Textos argumentativos e not\u00edcias em geral s\u00e3o excelentes para demonstrar na pr\u00e1tica como fazer a tradu\u00e7\u00e3o cotidiana entre ideias e palavras. Voc\u00ea n\u00e3o precisa da prosa de Shakespeare para aprender ingl\u00eas, por exemplo.<\/p>\n<p>Entender o que est\u00e1 lendo \u00e9 o primeiro passo. E ele tem tudo a ver com o pr\u00f3ximo:<\/p>\n<p><strong>2. Escreva ideias, n\u00e3o palavras.<\/strong><\/p>\n<p>Releia at\u00e9 entender o significado. Posso te garantir que \u00e9 justamente esse o problema da maioria das pessoas que n\u00e3o s\u00e3o analfabetas, mas soam como tal. Comunica\u00e7\u00e3o humana, em qualquer meio, \u00e9 a simples transmiss\u00e3o de id\u00e9ias entre um c\u00e9rebro e outro. Isso parece uma bobagem \u00f3bvia, mas n\u00e3o \u00e9 o que se percebe na pr\u00e1tica. Palavras, desenhos, sons e tudo mais que usamos s\u00e3o formas de compensar o problema de que ningu\u00e9m consegue ler mentes.<\/p>\n<p>\u00c9 uma tradu\u00e7\u00e3o! Como j\u00e1 dito, ideias s\u00e3o formadas de in\u00fameras rela\u00e7\u00f5es entre significados. Qualquer uma delas &#8220;flutuando&#8221; na sua cabe\u00e7a foi baseada em alguma coisa. Elas n\u00e3o surgem em forma de l\u00e2mpada por sobre a cabe\u00e7a, o momento &#8220;Eureka!&#8221; \u00e9 uma mentira deslavada. Se voc\u00ea escreve algo que est\u00e1 pensando sem levar em considera\u00e7\u00e3o todo o pacote no qual ele vem, grandes chances de ningu\u00e9m te entender.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea tem uma ideia, ela foi constru\u00edda em algum ponto anterior no tempo por uma s\u00e9rie de outras. Quanto mais voc\u00ea consegue demonstrar todo o processo, mais clara \u00e9 a sua tradu\u00e7\u00e3o para a escrita. Apesar de criticar excesso de sucintez, tamb\u00e9m n\u00e3o estou advogando a prolixidade. O importante n\u00e3o \u00e9 quanto se escreve, mas o quanto se traduz. Agora eu quero apresentar para voc\u00eas todo o processo, mas se quisesse deixar todo o trabalho para voc\u00eas, resumiria todo o texto em &#8220;escreva ideias, n\u00e3o palavras&#8221;. A ideia \u00e9 justamente essa. Agora, al\u00e9m de gerar mais uma tempestade por aqui, publicar um texto s\u00f3 com essa frase alienaria muita gente sem capacidade ou interesse de destrinchar todas as suas implica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>3. Fa\u00e7a sentido.<\/strong><\/p>\n<p>Escrever a ideia n\u00e3o \u00e9 uma medida de palavras, frases ou par\u00e1grafos; mas sim de conseguir comunicar o que se quer para quem se quer. Cada p\u00fablico funciona de um jeito. At\u00e9 por isso existem algumas regras b\u00e1sicas que as &#8220;tias&#8221; ensinam na escola logo que come\u00e7amos a aprender a colocar no papel nossas primeiras reda\u00e7\u00f5es. Come\u00e7o, meio e fim. Premissa e conclus\u00e3o. Coer\u00eancia. N\u00e3o ignore o poder dessas primeiras li\u00e7\u00f5es na escrita que vai desenvolver ao longo da vida.<\/p>\n<p>A mente \u00e9 uma bagun\u00e7a para voc\u00ea e para todo mundo! Se voc\u00ea n\u00e3o conseguir colocar o que escreve numa ordem l\u00f3gica, quem l\u00ea vai ter que lidar com a sua confus\u00e3o e a dela. Ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a te entender, e francamente, pouca gente vai se importar de verdade com isso. Escrever ideias que fazem sentido \u00e9 facilitar o trabalho alheio. Quem te l\u00ea tem que saber onde sua ideia se encaixa na mente DELA.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes voc\u00ea tem que dar um passo para tr\u00e1s para poder dar dois \u00e0 frente. Uma frase que seja demonstrando o porqu\u00ea de voc\u00ea ter uma ideia j\u00e1 facilita imensamente para quem te l\u00ea conseguir transformar as palavras em ideias, e s\u00f3 a\u00ed gerar a identifica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para se comunicar. Sempre releia o que escreveu pensando se algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea conseguiria entender.<\/p>\n<p>Importante: sentido n\u00e3o \u00e9 gosto ou opini\u00e3o. H\u00e1 sentido at\u00e9 nos pontos de vista que voc\u00ea mais abomina. Pense em sentido como uma seta que vai do come\u00e7o da ideia at\u00e9 o final. A ideia segue um caminho, mesmo que voc\u00ea n\u00e3o goste do destino. E \u00e9 pensando na seta que voc\u00ea consegue perceber melhor se mudou de assunto no meio da escrita. Grandes coisas se voc\u00ea acha que est\u00e1 certo, n\u00e3o \u00e9 isso que conta para escrever feito gente.<\/p>\n<p><strong>4. Escreva direito.<\/strong><\/p>\n<p>Pouca gente escreve de forma perfeita. Ainda mais numa l\u00edngua t\u00e3o cheia de min\u00facias feito o portugu\u00eas. E claro, h\u00e1 espa\u00e7o para neologismos e extens\u00f5es de significado&#8230; Escrever direito n\u00e3o \u00e9 tirar nota 10 na prova de l\u00edngua portuguesa, \u00e9 garantir que sua escrita n\u00e3o venha com um &#8220;sotaque&#8221; carregado.<\/p>\n<p>Muito se engana quem acha que todo mundo entende mesmo se voc\u00ea escrever com in\u00fameros erros de portugu\u00eas, abrevia\u00e7\u00f5es pregui\u00e7osas e descaso para organiza\u00e7\u00e3o. Texto porco \u00e9 o equivalente a algu\u00e9m falando uma l\u00edngua que mal domina ao seu lado. Voc\u00ea pin\u00e7a algumas palavras e completa na sua mente o resto. Receita de mal entendido.<\/p>\n<p>Acertar a forma como se escreve as palavras \u00e9 importante, mas aqui eu estou muito mais preocupado com a montagem de frases e par\u00e1grafos. O uso minimamente correto de v\u00edrgulas \u00e9 o que garante que suas ideias sejam lidas na ordem correta e consequentemente traduzidas para a mente alheia como algo coerente. Muitas v\u00edrgulas MATAM o seu texto. S\u00e9rio&#8230; cada vez que vemos uma delas, o c\u00e9rebro j\u00e1 quer armazenar o conte\u00fado. Chega uma hora onde nada mais faz sentido!<\/p>\n<p>Estamos condicionados dessa forma. Para acertar mais, use a &#8220;regra das coisas&#8221;: se voc\u00ea falou uma coisa, coloque uma v\u00edrgula. Se voc\u00ea n\u00e3o terminou de falar uma coisa, n\u00e3o faz sentido coloc\u00e1-la. Um pouco de bom senso j\u00e1 resolve a defini\u00e7\u00e3o de coisa. D\u00e1 para se inspirar na fala para considerar isso, mas com ressalvas.<\/p>\n<p>A forma como se fala \u00e9 um guia \u00fatil, mas perigoso para a utiliza\u00e7\u00e3o das v\u00edrgulas. Fala \u00e9 outra l\u00edngua! Voc\u00ea precisa respirar enquanto fala, e suas pausas costumam bater com as etapas de inspira\u00e7\u00e3o e expira\u00e7\u00e3o. N\u00e3o funciona assim na escrita. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque acabou o f\u00f4lego que tem que entrar uma v\u00edrgula. E falando em f\u00f4lego: se voc\u00ea ler o seu texto e parecer uma pessoa com asma, exagerou na v\u00edrgula.<\/p>\n<p>Falta de v\u00edrgula seja onde for \u00e9 um problema t\u00e3o \u00f3bvio que acredito nem valer a pena explicar aqui pelo menos eu espero.<\/p>\n<p>Ah sim: par\u00e1grafos, os assassinos silenciosos. Nem todo mundo nasceu para Saramago! Par\u00e1grafos s\u00e3o muito \u00fateis para deixar quem l\u00ea absorver a ideia que acabou de ler. Isso n\u00e3o tem muito a ver com a forma correta de escrever, mas com a forma como a vis\u00e3o lida com o texto. Par\u00e1grafos enormes cansam e exigem o processamento de muita informa\u00e7\u00e3o numa tacada s\u00f3. Seu c\u00e9rebro n\u00e3o vai sossegar enquanto aquela maldita linha em branco n\u00e3o aparecer.<\/p>\n<p>Mudar de assunto exige novo par\u00e1grafo, e isso quase todo mundo sabe. Mas que assunto tem etapas parece que pouca gente entende. Voc\u00ea pode, mas n\u00e3o precisa enfiar tudo num bloco s\u00f3. D\u00e1 para separar em peda\u00e7os e desenvolver cada um com calma em seus par\u00e1grafos. Quando voc\u00ea est\u00e1 no meio de um par\u00e1grafo monstruoso, existe uma tend\u00eancia inconsciente de acabar logo com ele; seja em quem l\u00ea, seja em quem escreve.<\/p>\n<p>Come\u00e7ar outro desanuvia os pensamentos. Essa dica vale MUITO para quem tem menos experi\u00eancia com escrita, n\u00e3o fa\u00e7am pouco dela.<\/p>\n<p><strong>5. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 falando!<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e9rio&#8230; n\u00e3o fa\u00e7a piadas e ria delas na sequ\u00eancia. Utilize express\u00f5es que exigem gestos e contor\u00e7\u00f5es faciais com muita parcim\u00f4nia. Sarcasmo visual em texto escrito te faz parecer um completo imbecil. Termine a porra das frases com ALGUM ponto! N\u00e3o espalhe seu texto em mil par\u00e1grafos de uma linha&#8230; Escrita \u00e9 OUTRA L\u00cdNGUA! Precisa adaptar basicamente tudo o que funciona na fala para ser minimamente aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>6. Entenda o que l\u00ea.<\/strong><\/p>\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o entendeu da primeira vez&#8230;<\/p>\n<h3>Para dizer que ler e escrever \u00e9 coisa de nerd, para dizer que foi muito texto s\u00f3 para reclamar das v\u00edrgulas, ou mesmo para perguntar quando usar ponto-e-v\u00edrgula (s\u00f3 ensino o que sei&#8230;): <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de n\u00e3o ter atendido \u00e0s expectativas de nossos sempre exigentes e eruditos impopulares, a coluna &#8220;Fragmentos&#8221; n\u00e3o morre sem deixar pelo menos um legado: a continua\u00e7\u00e3o de pelo menos um texto que eu n\u00e3o acreditei que os interessaria. Hoje eu quero falar sobre escrita. 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