{"id":7176,"date":"2014-08-26T06:00:15","date_gmt":"2014-08-26T09:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=7176"},"modified":"2014-08-25T22:45:58","modified_gmt":"2014-08-26T01:45:58","slug":"medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/08\/medo\/","title":{"rendered":"Medo."},"content":{"rendered":"<p>Medo \u00e9 o resultado evolutivo de um mecanismo de sobreviv\u00eancia. A fun\u00e7\u00e3o do medo \u00e9 nos proteger, nos manter vivos. E vem dando certo.Se estamos aqui hoje \u00e9 porque o antepassado de cada um de n\u00f3s sentiu medo no momento certo, evitando perigos que pudessem causar sua morte.<!--more--><\/p>\n<p>Para falar de medo, tem que falar do c\u00e9rebro humano, pois \u00e9 ali que ele nasce e \u00e9 processado. Em uma simplifica\u00e7\u00e3o bem bem BEM grosseira, o c\u00e9rebro humano tem uma parte externa (papo t\u00e9cnico: neoc\u00f3rtex) respons\u00e1vel por fun\u00e7\u00f5es racionais como linguagem e pensamentos e, mais para dentro, um miolinho (papo t\u00e9cnico: sistema l\u00edmbico), que comanda as rea\u00e7\u00f5es mais instintivas. Nesse miolinho existem dois carocinhos no formato de am\u00eandoas (papo t\u00e9cnico: am\u00edgdala, que \u00e9 \u201cam\u00eandoa\u201d em grego) que ser\u00e3o as estrelas do texto de hoje. <\/p>\n<p>O lado racional e o lado instintivo do seu c\u00e9rebro est\u00e3o sempre interagindo, mesmo que voc\u00ea n\u00e3o perceba. Trocam informa\u00e7\u00f5es, e muitas vezes o lado instintivo contribui de forma determinante para nossas tomadas de decis\u00e3o, mesmo que n\u00e3o nos demos conta disso. Mas quando o bicho pega, quem fala mais alto \u00e9 o lado irracional. Se ele disparar um alarme, o corpo todo o obedece e s\u00f3 depois confirma com o lado racional se aquilo procede.<\/p>\n<p>A Amigdala (n\u00e3o confundir com aquelas da garganta) \u00e9 a respons\u00e1vel por identificar o perigo e avisar que voc\u00ea deve ter medo. Qualquer animal um pouquinho desenvolvido tem am\u00edgdalas, mas quanto mais complexo for o c\u00e9rebro, mais desenvolvidas elas ser\u00e3o. Enquanto animais com c\u00e9rebro mais rudimentares sentem apenas medo ao avistar seus predadores, o ser humano tem a extraordin\u00e1ria capacidade de antever o perigo e sentir medo antes que ele se personifique, apenas por ind\u00edcios que, de alguma forma, fa\u00e7am crer que o perigo pode se apresentar.<\/p>\n<p>O funcionamento da am\u00edgdala ainda n\u00e3o \u00e9 totalmente compreendido. At\u00e9 onde se sabe, ela seria uma esp\u00e9cie de \u201ccaixa-preta\u201d do perrengue. Quando vivemos uma situa\u00e7\u00e3o de risco, ela grava informa\u00e7\u00f5es importantes sobre aquele evento: local, odores, sons ou o que mais lhe parecer importante, por crit\u00e9rios ainda n\u00e3o totalmente explicados. Caso algum dia esses fatores volte a aparecer, a am\u00edgdala dispara um alerta para o c\u00e9rebro: hora de ter medo!<\/p>\n<p>E a sensa\u00e7\u00e3o de medo nasce r\u00e1pido, mais r\u00e1pido do que o c\u00e9rebro consegue processar. Quando o c\u00e9rebro percebe o que est\u00e1 acontecendo de forma racional, a am\u00edgdala j\u00e1 se encarregou de promover uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o no seu corpo, te preparando para o pior.<\/p>\n<p>E quando a am\u00edgdala decreta que \u00e9 hora de ter medo, envia ordens para o corpo todo, que a obedece. Suas pupilas se dilatam, o que significa que sua vista n\u00e3o est\u00e1 mais propensa a reparar em detalhes, por\u00e9m ganha um campo de vis\u00e3o maior. O corpo faz isso pensando em uma forma de te ajudar a encontrar uma rota de fuga ou identificar de onde est\u00e1 vindo o predador, na hora do medo o importante \u00e9 ver o cen\u00e1rio que te cerca da forma mais ampla poss\u00edvel. Por isso testemunhas de crimes e eventos traum\u00e1ticos nem sempre lembram de detalhes ou erram no reconhecimento de rostos. <\/p>\n<p>Com o alerta da am\u00edgdala o corpo come\u00e7a imediatamente a consumir gordura, que \u00e9 um dos combust\u00edveis mais eficientes. Isso ocorre para te preparar para uma bela corrida ou algum esfor\u00e7o f\u00edsico necess\u00e1rio para salvar a sua vida, como por exemplo um embate corporal com um inimigo ou um predador. S\u00f3 n\u00e3o vale sacanear o seu corpo e ficar tomando susto para emagrecer, n\u00e3o vai funcionar. \u00c9 preciso efetivamente se movimentar.<\/p>\n<p>O sangue vai prioritariamente para o c\u00e9rebro e para o cora\u00e7\u00e3o, locais onde \u00e9 mais necess\u00e1rio. O c\u00e9rebro precisa estar na sua melhor forma para tomar decis\u00f5es r\u00e1pidas e o cora\u00e7\u00e3o tem que bater na velocidade m\u00e1xima para levar sangue e nutrientes para o corpo agir com rapidez. Estima-se que por causa desse mecanismo o corpo deixe o sistema digestivo e o sistema imunol\u00f3gico meio&#8230; desamparados. Eles s\u00e3o \u201cdesativados\u201d para n\u00e3o gastar energia, pois no momento s\u00e3o considerados secund\u00e1rios. Isso causa um desarranjo que culminar\u00e1 naquela \u201cdiarreia de nervoso\u201d que vem depois que passamos pelo susto.<\/p>\n<p>O pulm\u00e3o se dilata (papo t\u00e9cnico: bronqu\u00edolos) para permitir uma maior capta\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio, pois quanto mais oxig\u00eanio maior ser\u00e1 sua capacidade muscular, seja para fugir, seja para lutar. O f\u00edgado come\u00e7a a quebrar a\u00e7\u00facar para obter energia imediata. Os rins produzem adrenalina, que faz com que os vasos sangu\u00edneos se contraiam, de modo que o sangue circule mais r\u00e1pido. As art\u00e9rias da pele se contraem, para mandar todo o sangue poss\u00edvel para os m\u00fasculos, gerando a sensa\u00e7\u00e3o de calafrios. A adrenalina faz com que o c\u00e9rebro ignore fun\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias e foque naquilo que \u00e9 indispens\u00e1vel \u00e0 sobreviv\u00eancia. O corpo come\u00e7a a suar com a inten\u00e7\u00e3o de j\u00e1 promover um resfriamento, antevendo o aquecimento que ser\u00e1 gerado pela fuga ou pela luta.<\/p>\n<p>Em resumo, o corpo otimiza seu funcionamento piorando seu desempenho onde entende ser secund\u00e1rio e melhorando seu desempenho onde entende ser necess\u00e1rio para sobreviv\u00eancia.  Gra\u00e7as a esse maravilhoso mecanismo vemos pessoas fazendo milagres na hora do susto e do medo: velocidade, for\u00e7a e tantos outros atributos ganham um upgrade.<\/p>\n<p>Evidentemente isso causa um grande estresse ao organismo, um desgaste que a longo prazo faz mal. Sim, sentir medo com muita frequ\u00eancia faz mal ao seu corpo e \u00e0 sua sa\u00fade, nunca deixe ningu\u00e9m te dizer que seu medo \u00e9 uma \u201cbesteira\u201d ou \u201cfrescura\u201d, pois independente do qu\u00e3o incompreens\u00edvel seja o estopim, o medo \u00e9 real e causa um estresse real ao corpo. Eu, por exemplo, quando vejo uma lagartixa, tenho um Mini-AVC, do qual demoro horas para me recuperar.<\/p>\n<p>A Am\u00edgdala tem boa mem\u00f3ria, mas infelizmente n\u00e3o \u00e9 muito espertinha. No meio de um evento traum\u00e1tico, ela pode registrar como perigosos diversos fatores que n\u00e3o colocam a vida da pessoa em risco mas que estavam presentes no momento. Por exemplo, soldados que lutaram na guerra e viram companheiros sendo mortos por tiros, granadas e minas: muitas vezes o trauma do barulho fica, mesmo sabendo racionalmente que n\u00e3o foi o barulho que matou os colegas. Como o barulho estava presente nos eventos traum\u00e1ticos, na d\u00favida, ele entra no pacote de \u201ccoisas que devemos ter medo\u201d e ali fica, fazendo com que ex-combatentes tenham pavor de trovoada, motor de moto e outros ru\u00eddos inofensivos.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem afirme que a am\u00edgdala vem com alguns medos de f\u00e1brica. Medos gravados no nosso DNA por muitos anos de evolu\u00e7\u00e3o. O ser humano, por exemplo, parece vir com medo de cobras \u201cde f\u00e1brica\u201d. Beb\u00eas expostos a cobras pela primeira vez na vida se assustam. O mesmo acontece com ratos expostos a gatos. <\/p>\n<p>Ratos nascidos e crescidos em laborat\u00f3rio que foram expostos a c\u00e3es e gatos se mostraram apavorados com os gatos e tranquilos em rela\u00e7\u00e3o aos c\u00e3es. Experimentos com dois grupos de macacos de laborat\u00f3rio mostraram que mesmo sem nunca terem visto uma cobra, eles se assustam ao entrar em contato com elas, entretanto, macacos que tiveram a am\u00edgdala removida cirurgicamente n\u00e3o se abalam quando colocados em contato com cobras. Sem am\u00edgdala, sem medo.<\/p>\n<p>Existe ainda uma teoria que, longe de ser comprovada, especula que as fobias mais comuns s\u00e3o uma esp\u00e9cie de vers\u00e3o moderna de medos ancestrais que estariam gravados na nossa am\u00edgdala e por algum motivo comportamental acabam vindo \u00e0 tona de forma exacerbada. Sem excluir as armadilhas da mente, os traumas e todos os fatores estudados pela psicologia, esta teoria apenas acresce como potencializador do medo uma informa\u00e7\u00e3o que estaria gravada desde o nascimento.<\/p>\n<p>Pela natureza da sua fun\u00e7\u00e3o, que se traduz basicamente em impedir que voc\u00ea morra, a am\u00edgdala n\u00e3o pode se dar ao luxo de fazer grandes elabora\u00e7\u00f5es ou questionamentos. O alarme tem que disparar r\u00e1pido, para dar tempo de se proteger ou reagir. Uma \u201ctransmiss\u00e3o normal\u201d no c\u00e9rebro, n\u00e3o priorit\u00e1ria, costuma demorar em m\u00e9dia 0,3 segundos para acontecer. Mas quando a mensagem \u00e9 emergencial e vem da nossa amiga Am\u00edgdala, ela toma um atalho e chega em 12 mil\u00e9simos de segundo.<\/p>\n<p>Eventualmente, por causa dessa discrep\u00e2ncia de tempo, podem ocorrer mal entendidos. Explico: o c\u00e9rebro \u00e9 complexo e analisa uma informa\u00e7\u00e3o de forma mais complexa. Quando olhamos para um objeto, ele puxa nos arquivos o que \u00e9, para que serve, qual o seu tamanho, se j\u00e1 foi visto antes, etc. A am\u00edgdala, coitada, n\u00e3o pode fazer tudo isso, ela tem que ser r\u00e1pida e certeira.<\/p>\n<p>Por isso frequentemente somos tra\u00eddos pelas nossas am\u00edgdalas. Voc\u00ea est\u00e1 em um cinema, sabe que est\u00e1 tudo bem, mas leva um baita susto durante o filme. A am\u00edgdala detectou UM fator de risco, mas n\u00e3o analisou o conjunto, porque n\u00e3o teve tempo, 0,3 segundos X 12 mil\u00e9simos, lembra? Na d\u00favida, ela dispara o alarme. E voc\u00ea, mesmo sabendo racionalmente que est\u00e1 seguro e protegido em um ambiente controlado, pula na cadeira. Porque a Am\u00edgdala mandou, est\u00e1 mandando, que se dane o racional, ela \u00e9 capaz de te fazer sentir medo independente dele.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o tem problema, porque pouqu\u00edssimo tempo depois o lado racional do seu c\u00e9rebro vai acalmar o organismo dizendo \u201cshhh, j\u00e1 passou, n\u00e3o era nada, estou vendo que estamos seguros\u201d. O resultado \u00e9 um mini-susto, suficiente apenas para liberar uma descarga de adrenalina e dopamina (neurotransmissor que causa sensa\u00e7\u00e3o de prazer). Por isso insistimos nos sustos controlados, eles trazem uma sensa\u00e7\u00e3o tardia de prazer: filmes de terror, montanha-russa, etc. Bem diferente de uma situa\u00e7\u00e3o de risco real. Ali a am\u00edgdala grita e o lado racional faz coro, desencadeando aquela poderosa rea\u00e7\u00e3o em cadeia da qual falei alguns par\u00e1grafos acima.<\/p>\n<p>A am\u00edgdala n\u00e3o te avisa apenas dos perigos externos, ela tamb\u00e9m \u00e9 capaz de detectar perigos internos que voc\u00ea nem suspeita. Ela sabe quando algo vai mal no seu organismo e disparam um alerta. Uma pessoa atenta a seu corpo pode detectar que algo vai mal, o corpo \u201cfala\u201d com ela. N\u00e3o s\u00e3o raros os casos de pessoas que ouviram o pedido de socorro do seu corpo e identificaram antes dos m\u00e9dicos que algo de muito errado estava acontecendo. L\u00e1 no fundo, voc\u00ea sabe que tem algo errado. N\u00e3o ignore o aviso.<\/p>\n<p>A Am\u00edgdala \u00e9 influenci\u00e1vel: o medo de outras pessoas \u00e9 capaz de disparar o nosso medo. Se est\u00e1 todo mundo correndo e gritando, \u00e9 prov\u00e1vel que sua Am\u00edgdala te impulsione a fazer o mesmo. Existem v\u00e1rios relatos de surto de pavor coletivos cujo estopim era falso, onde pessoas correram, se pisotearam e at\u00e9 mesmo se mataram. <\/p>\n<p>Ainda dentro deste racioc\u00ednio, not\u00edcias que nos causam medo nos chamam a aten\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 um aprendizado que nos deixar\u00e1 mais espertos, mais preparados e mais aptos a sobreviver, ou seja, rende cliques e ibope. Por isso a m\u00eddia exaure eventos que provocam medo, como cat\u00e1strofes, acidentes a\u00e9reos, programas policiais, viol\u00eancia e similares. N\u00f3s assistimos, pois isso chama a aten\u00e7\u00e3o do nosso c\u00e9rebro: parece ser informa\u00e7\u00e3o valiosa para nos manter vivos. \u201cAi, como Fulana \u00e9 s\u00e1dica, fica vendo essas mat\u00e9rias sobre o acidente a\u00e9reo\u201d. O c\u00e9rebro gosta, ele te recompensa por isso.<\/p>\n<p>Essa hiperfoco no medo \u00e9 devidamente explorado pela publicidade tamb\u00e9m, afinal, como diria o comercial \u201cvai que&#8230;\u201d. N\u00e3o raro comerciais colocam situa\u00e7\u00f5es de medo, ainda que n\u00e3o seja um medo catastr\u00f3fico. E se o seu absorvente vazar? Melhor usar o desodorante tal, porque o medo de ficar fedido \u00e9 enorme. Use Corega ou perca os dentes na ma\u00e7\u00e3. O medo est\u00e1, de forma expl\u00edcita ou impl\u00edcita, muito presente na publicidade, n\u00e3o por sadismo, mas como recurso, porque ele chama a aten\u00e7\u00e3o do nosso c\u00e9rebro e ajuda a fixar uma informa\u00e7\u00e3o que parece importante.<\/p>\n<p>O medo funciona como isca para pescar aten\u00e7\u00e3o em outros setores. Pol\u00edticos dizem que desgra\u00e7as econ\u00f4micas v\u00e3o acontecer se seu advers\u00e1rio ganhar. At\u00e9 mesmo em uma roda de amigos \u00e9 poss\u00edvel ganhar a aten\u00e7\u00e3o dos presentes contando uma \u201cdesgra\u00e7a\u201d. O interesse n\u00e3o \u00e9 mero sadismo, \u00e9 seu c\u00e9rebro te empurrando para saber mais, afinal, durante s\u00e9culos o aprendizado indispens\u00e1vel para a sobreviv\u00eancia humana foi feito no boca a boca.<\/p>\n<p>Quando algo falha no funcionamento das am\u00edgdalas, o ser humano pode ficar imune ao medo. Um exemplo \u00e9 a doen\u00e7a de Urbach-Wiethe, que gera um dep\u00f3sito de c\u00e1lcio anormal na regi\u00e3o, paralisando seu funcionamento. O resultado s\u00e3o pessoas que n\u00e3o sentem medo de nada e n\u00e3o s\u00e3o capazes de antever o perigo. Em casos extremos, a pessoa sequer identifica o medo nos outros e n\u00e3o consegue nem mesmo desenhar uma express\u00e3o de medo em uma folha de papel. Parece bom, mas pessoas sem medo levam uma vida altamente disfuncional, como eu disse, o medo nos protege.<\/p>\n<p>Assim como erra para menos, a am\u00edgdala pode errar para mais. Especula-se que fobias tenham tamb\u00e9m um componente de hiperatividade da am\u00edgdala. Sabe quando voc\u00ea chama o elevador, aperta o bot\u00e3o e ele trava, fica apertado? Mais ou menos isso. A S\u00edndrome do P\u00e2nico, um dos medos mais recorrentes na sociedade moderna, conta com a participa\u00e7\u00e3o mais do que especial da nossa amiga, a am\u00edgdala trava e fica mandando sinais de perigo sem parar.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe muito bem como, quando, onde e porque h\u00e1 o start, mas quando a pessoa tem uma crise de p\u00e2nico, a am\u00edgdala recolhe todas as informa\u00e7\u00f5es que lhe parecem importantes no momento da crise e as armazena. Vamos supor que a pessoa tenha uma primeira crise de p\u00e2nico enquanto est\u00e1 dirigindo, no carro. Grandes chances daquilo ser registrado na am\u00edgdala e, mesmo n\u00e3o sendo o carro a causa, ele vira dano colateral. Pode ser que na pr\u00f3xima vez que a pessoa entre no carro a am\u00edgdala dispare um \u201cAqui n\u00e3o, aqui d\u00e1 merda!\u201d, porque ficou erroneamente registrado no \u00faltimo evento. Isso faz com que a pessoa n\u00e3o queira mais andar de carro. Como o carro n\u00e3o \u00e9 a causa, e sim mero dano colateral, a crise vai se repetir em outro lugar e o mesmo vai acontecer. Se n\u00e3o for devidamente tratada, a pessoa acaba nem saindo mais de casa, pois associa tudo \u00e0s crises de p\u00e2nico.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, pessoas com S\u00edndrome do P\u00e2nico tomavam rem\u00e9dios com efeito global, em todo o c\u00e9rebro, que de uma forma ou de outra terminavam por reduzir sua ansiedade. Mas estudos j\u00e1 cogitam utilizar rem\u00e9dios que atuem diretamente na am\u00edgdala, para controlar seus excessos. H\u00e1 estudos em andamento que comprovam a diminui\u00e7\u00e3o de sentimentos negativos relacionados a traumas com a exposi\u00e7\u00e3o a altas doses de cortisol. N\u00e3o apaga a lembran\u00e7a, apenas o sentimento de medo ligado a ela. Estima-se que em menos de dez anos esses medicamentos estejam come\u00e7ando a ser inseridos no mercado. Ser\u00e1 que isso vai ser bom? <\/p>\n<p>Complicado colocar no mercado um rem\u00e9dio que reduz seu medo. Grandes chances de acabar mal, principalmente nessa sociedade viadinha, intolerante a qualquer sentimento negativo, que se medica compulsivamente para n\u00e3o vivenci\u00e1-los. Seu sofrimento, seus medos e suas dores fazem de voc\u00ea o que voc\u00ea \u00e9 hoje. Passar pelo sofrimento \u00e9 necess\u00e1rio, o medicamento \u00e9 apenas para quem estaciona nele. Mas eu sou voto vencido, grandes empresas farmac\u00eauticas ignorar\u00e3o isso e uma massa \u00e1vida por se livrar de sentimentos inc\u00f4modos consumir\u00e3o a \u201cp\u00edlula contra o medo\u201d como TicTac. <\/p>\n<p>A li\u00e7\u00e3o que fica \u00e9: escute seus medos, escute seu corpo e n\u00e3o silencie seus medos, a menos que eles sejam patol\u00f3gicos. Seu corpo fala com voc\u00ea, voc\u00ea \u00e9 que est\u00e1 muito ocupado ou desatento para escutar.<\/p>\n<h3>Para dizer que se medo d\u00e1 ibope eu fui muito esperta em escrever este texto, para contar sobre seus medos ou ainda para tripudiar do medo dos outros: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Medo \u00e9 o resultado evolutivo de um mecanismo de sobreviv\u00eancia. A fun\u00e7\u00e3o do medo \u00e9 nos proteger, nos manter vivos. 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