{"id":7660,"date":"2014-12-21T14:00:51","date_gmt":"2014-12-21T16:00:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=7660"},"modified":"2014-12-21T06:08:51","modified_gmt":"2014-12-21T08:08:51","slug":"um-mago-sem-destino-11","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2014\/12\/um-mago-sem-destino-11\/","title":{"rendered":"Um mago sem destino. (11)"},"content":{"rendered":"<h3><em><strong>Desfavor Convidado<\/strong> \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. Se voc\u00ea quiser tamb\u00e9m ter seu texto publicado por aqui, basta enviar para <a href=\"mailto:desfavor@desfavor.com\">desfavor@desfavor.com<\/a>.<\/em><br \/>\n<em>O Somir se reserva ao direito de implicar com os textos e n\u00e3o public\u00e1-los. Sally promete interceder por voc\u00eas.<\/em><\/h3>\n<h6>Desfavor Convidado: Um mago sem destino<\/h6>\n<h2>Cap\u00edtulo 5 &#8211; Os cavaleiros do sol<\/h2>\n<p>Papaco soltou o rapaz da cela e descobriu que ele se chamava Arthur e seu apelido era Cabe\u00e7a de Ovo, devido \u00e0 brilhante careca. Juntos eles arrastaram o corpo de Roland e o colocaram em um caix\u00e3o comprado com o dinheiro que estava guardado nos bolsos do \u201cfalecido\u201d homem.<!--more--> No total haviam dez moedas de ouro, uma verdadeira fortuna para aqueles tempos dif\u00edceis, ainda mais sabendo que ouro vale mais do que dinheiro. Deixaram a cidade ao entardecer e para facilitar o transporte, Papaco puxava o caix\u00e3o por uma corda. Feliz da vida, o coveiro ficou apenas observando aqueles dois estranhos indo embora, deixando atr\u00e1s de si um sulco na areia por onde passava o caix\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma hora da sa\u00edda dos dois, ele ainda brincava com a moeda, jogando-a pro ar, quando viu quatro silhuetas se aproximando pela dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria a que Papaco seguiu. Eram quatro cavaleiros, que vinham em trote vagaroso, por\u00e9m ininterrupto. Ap\u00f3s alguns minutos eles estavam parados na frente do coveiro, com olhares afiados feito \u00e1guias. Um homem loiro de chap\u00e9u vermelho, colete e cal\u00e7as amarelas disse para os outros:<\/p>\n<p>_Com certeza eles passaram por aqui.<\/p>\n<p>Outros dois homens loiros se adiantaram e pareciam irm\u00e3os g\u00eameos de t\u00e3o parecidos que eram, um estava com chap\u00e9u e roupas azuis, enquanto o outro vestia uma camisa branca e cal\u00e7a amarela. O segundo apontou para a moeda que estava na m\u00e3o do coveiro:<\/p>\n<p>_Aquele homem porta uma das moedas de Hugo, O Grande.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas sacaram suas armas, deixando o coveiro tremendo de medo. O quarto homem, um mexicano que vestia chapel\u00e3o e poncho rosados, come\u00e7ou a fungar o ar feito um cachorro:<\/p>\n<p>_Sinto um cheiro adocicado no ar, algu\u00e9m morreu aqui.<\/p>\n<p>Ao ouvirem aquilo, os outros tr\u00eas engatilharam as armas. Mesmo acostumado com a morte, o coveiro nunca havia sido amea\u00e7ado antes e seu nervosismo era vis\u00edvel. Tanto que acabou urinando nas cal\u00e7as, o que fez com que o homem de poncho desse uma gargalhada:<\/p>\n<p>_El hombre \u00e9s um cobard\u00f3n, n\u00e3o seria p\u00e1reo para Roland. Vamos pendejo, conte o que aconteceu aqui.<\/p>\n<p>Mesmo humilhado, o homem respondeu:<\/p>\n<p>_Eles vieram e foram embora como fantasmas no deserto. Ficaram apenas por uma noite e duelaram entre si, o que resultou na morte de um deles. Isso \u00e9 tudo o que sei, mas voc\u00eas podem procurar mais informa\u00e7\u00f5es no Saloon. Um deles com certeza teve uma noite inesquec\u00edvel l\u00e1, perguntem pela Michelle e ela dir\u00e1 tudo.<\/p>\n<p>Os quatro forasteiros continuaram parados e ap\u00f3s um sinal do mexicano, os outros tr\u00eas seguiram para o Saloon. O mexicano se virou para o coveiro e disse:<\/p>\n<p>_Vou deixar que fique com essa moeda, em agradecimento a essas informa\u00e7\u00f5es, mas sugiro que a gaste r\u00e1pido.<\/p>\n<p>_Por qu\u00ea? &#8211; perguntou o coveiro.<\/p>\n<p>_As moedas de Hugo perdem valor com o tempo e quanto menos valor possuem, mais enganam o seu portador. Muitos homens morreram por causa dessas moedas achando que portavam verdadeiros tesouros, quando na verdade n\u00e3o passavam de moedas de lat\u00e3o. Por isso, aproveite enquanto a sua \u00e9 de ouro e suma desse fim de mundo.<\/p>\n<p>Com um sorriso no rosto, o mexicano se virou e seguiu os outros tr\u00eas homens. Apesar de parecer meio maluco para quem o olhasse rindo daquela maneira, havia uma explica\u00e7\u00e3o oculta na informa\u00e7\u00e3o que havia acabado de dar ao coveiro. Todo portador de uma moeda de Hugo, quando avisado da maldi\u00e7\u00e3o, imediatamente se tornava obcecado por ela at\u00e9 a morte.<\/p>\n<p>&#8220;Esses idiotas de Gilead podem estar perdidos, mas ainda n\u00e3o d\u00e3o ponto sem n\u00f3&#8221;, pensou o mexicano, ainda rindo, enquanto amarrava seu cavalo na frente do Saloon. L\u00e1 dentro, os outros tr\u00eas j\u00e1 haviam se sentado em uma mesa, a mesma em que alguns homens haviam morrido devido a um jogo de p\u00f4quer na noite anterior. O mexicano se sentou em uma das cadeiras livres, tocou com os dedos e disse:<\/p>\n<p>_Estou sentado na mesma cadeira de Roland, sinto isso. Ele estava nervoso, procurando a aten\u00e7\u00e3o de alguma outra pessoa. Ele sabia que essa pessoa tinha instintos naturais e queria provar isso tentando envenen\u00e1-la. Se estivesse certo, o acaso resolveria dessa pessoa perceber ou ser impedida de ser envenenada. Se estivesse errado, bem, teria que tentar novamente em outra cidade, n\u00e3o \u00e9 mesmo? &#8211; perguntou para si mesmo e ficou em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>O loiro de roupas azuis, incomodado com o longo sil\u00eancio do mexicano, perguntou:<\/p>\n<p>_E ent\u00e3o Cormano, ele estava certo?<\/p>\n<p>_\u00c9 claro meu caro Billy, sen\u00e3o n\u00f3s n\u00e3o estar\u00edamos aqui.<\/p>\n<p>_E o que faremos ent\u00e3o?<\/p>\n<p>_Precisaremos passar a noite aqui. Voc\u00ea e Bob far\u00e3o o primeiro turno de vig\u00edlia. Stevie cuidar\u00e1 do resto e eu interrogarei a mulher.<\/p>\n<p>Juntos, os quatro homens se levantaram e tomaram postos. Instintivamente, Cormano j\u00e1 sabia onde encontrar Michelle e seguiu para o segundo andar, entrando no quarto da mulher, que ainda dormia. Cormano se sentou na cama, ao lado da mulher e apenas pensou:<\/p>\n<p>&#8220;Vamos pregui\u00e7osa, acorde\u201d.<\/p>\n<p>Michelle ainda sonhava com sua inf\u00e2ncia, talvez o \u00fanico dia feliz que ela tivera em seus vinte e poucos anos. At\u00e9 ent\u00e3o ela havia sido abusada sexualmente pelo seu pai, enquanto sua m\u00e3e estava presa a uma cadeira, em estado catat\u00f4nico. No seu &#8220;dia feliz de verdade&#8221;, como ela costumava chamar aquela data, ela decidiu se revoltar e pegou uma faca escondida da cozinha. Quando seu pai veio fazer a visita noturna, ela esperou que ele a montasse e retirou a faca que estava debaixo do travesseiro, esfaqueando-o cinco vezes na garganta. Ainda se banhava no sangue do imbecil quando ouviu a voz chamando-a, dentro de sua pr\u00f3pria mente. Ela sabia que estava dormindo e queria curtir mais aquele sonho, mas foi imposs\u00edvel resistir \u00e0 voz e aos poucos foi acordando.<\/p>\n<p>Ao abrir os olhos, ela viu um homem sentado ao seu lado e por puro reflexo, ou achando que seu pai havia ressuscitado, ela cobriu a nudez. O homem, afinal, n\u00e3o era seu pai e sim apenas um cliente que havia entrado em seu quarto. Por algum motivo que ela n\u00e3o soube explicar, continuou cobrindo os seios com as m\u00e3os, o que fez com que o homem desse um sorriso:<\/p>\n<p>_Es la primera vez que vejo una puta con verguenza.<\/p>\n<p>Michelle ia tirar as m\u00e3os dos seios e convidar o intruso para uma noite de sexo, bebidas e dinheiro f\u00e1cil, mas come\u00e7ou a ouvir tiros e gritos nas ruas da cidade. O homem olhou pela janela e disse:<\/p>\n<p>_Ah sim, ou\u00e7a a maldi\u00e7\u00e3o das moedas de Hugo fazendo seu efeito, j\u00e1 que uma vez ativada ela come\u00e7a a atrair todas as pessoas ao seu redor que s\u00e3o movidas pela gan\u00e2ncia. Por\u00e9m, n\u00e3o tema crian\u00e7a, a maldi\u00e7\u00e3o costuma afetar mais os homens do que as mulheres. Deve ser porque elas sabem como ganhar dinheiro de outras maneiras&#8230; \u2013 Ent\u00e3o ele colocou a m\u00e3o entre as pernas dela e penetrou o dedo m\u00e9dio em sua vagina que, para surpresa dela, ficou lubrificada.<\/p>\n<p>Entre tiros, gritos e sangue, eles fizeram sexo naquela noite. No dia seguinte, Michelle acordou incomodada com um sacolejar mon\u00f3tono e compassado. Intrigada, viu fios negros batendo em seu rosto e o ch\u00e3o se movia lentamente. Mesmo com o racioc\u00ednio lento, ela percebeu que estava no lombo de um cavalo e tentou se mexer, mas estava amarrada. Olhou para tr\u00e1s, al\u00e9m da traseira do cavalo e teve um \u00faltimo vislumbre da cidade em que at\u00e9 ent\u00e3o havia trabalhado. Corpos se amontoavam ao redor da casa funer\u00e1ria e algumas mulheres choravam pelos seus mortos. No meio da algazarra algo brilhava, Michelle conhecia ouro o suficiente para saber que aquele brilho n\u00e3o era de algo t\u00e3o valioso. Seria cobre? Bronze?<\/p>\n<p>_\u00c9 lat\u00e3o e est\u00e1 prestes a come\u00e7ar a enferrujar. &#8211; disse o mesmo homem da noite anterior, que agora se sentava na sela de um cavalo mais a frente.<\/p>\n<p>Impressionada com aqueles homens idiotas que haviam morrido por algo t\u00e3o sem valor, Michelle perguntou:<\/p>\n<p>_Quem \u00e9 voc\u00ea e o que quer comigo?<\/p>\n<p>_Meu nome \u00e9 Cormano e n\u00f3s somos os Cavaleiros do Sol. &#8211; disse, apontando para outros homens que ela ainda n\u00e3o havia visto. _N\u00f3s queremos capturar um homem que nos roubou algo muito valioso e ficamos sabendo que voc\u00ea teve certas&#8230;. rela\u00e7\u00f5es com ele, ent\u00e3o voc\u00ea ser\u00e1 nossa isca para captur\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Ela gargalhou e disse:<\/p>\n<p>_Voc\u00ea pode at\u00e9 ler minha mente, mas n\u00e3o passa de um idiota. Ele nunca cair\u00e1 na sua armadilha, j\u00e1 que para ele eu n\u00e3o passo de uma m\u00e1 lembran\u00e7a, um erro, um deslize&#8230;<\/p>\n<p>Cormano se aproximou do cavalo em que ela estava e respondeu:<\/p>\n<p>_N\u00e3o sei se voc\u00ea sabe, mas quando homens e mulheres possuem rela\u00e7\u00f5es como a sua e a daquele maldito, uma certa magia acontece.<\/p>\n<p>_O que quer dizer?<\/p>\n<p>_O sexo foi feito para gerar a vida, mesmo que a mulher n\u00e3o fique gr\u00e1vida. Sendo assim, todo ato sexual gera uma crian\u00e7a. Quando essa crian\u00e7a n\u00e3o se transforma em um beb\u00ea, ela vira uma magia poderosa, capaz de realizar os maiores desejos de seu criador. Voc\u00ea n\u00e3o sabia disso, o cavaleiro com quem voc\u00ea teve rela\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m n\u00e3o sabia, mas eu sabia e o pratiquei com voc\u00ea. Era essencial que eu fizesse sexo com voc\u00ea, para assim usarmos essa crian\u00e7a que voc\u00eas criaram sem saber.<\/p>\n<p>_O que acontecer\u00e1 ent\u00e3o?<\/p>\n<p>_Muito simples, ordenei que essa crian\u00e7a encontrasse o pr\u00f3prio pai e o matasse. Por isso precisamos de voc\u00ea&#8230;<\/p>\n<p>_Eu n\u00e3o entendo.<\/p>\n<p>Cormano se aproximou mais e deu um tapa na cara de Michelle, dizendo:<\/p>\n<p>_Mulher burra, n\u00f3s tr\u00eas geramos um filho, que nesse exato momento deve estar crescendo em sua barriga.<\/p>\n<p>_Imposs\u00edvel. \u2013 ela gritou em resposta, chorando mais pela humilha\u00e7\u00e3o do tapa do que pela dor em si.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ela sabia que n\u00e3o era imposs\u00edvel, ela sabia que algo estava crescendo em sua barriga. Algo estava se mexendo l\u00e1 dentro e aquelas pontadas de dor com certeza n\u00e3o eram gases. Era alguma coisa maligna, feita para matar ou morrer. Michelle tamb\u00e9m tinha a certeza de que ia ser v\u00edtima do pr\u00f3prio filho, assim como seu pai havia sido v\u00edtima dela. A ironia a fez sorrir, mas mais a frente, a algumas dezenas de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, Papaco sentiu um arrepio na espinha e olhou ao redor. N\u00e3o havia nada ao redor al\u00e9m dele, do menino careca e do caix\u00e3o. O menino careca tamb\u00e9m sentiu as trevas que se aproximavam e disse:<\/p>\n<p>_Precisamos andar mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o aceleraram o passo, indiferentes aos golpes e chutes que ouviam vindos do caix\u00e3o. Roland precisava ser enterrado ou nunca iria descansar em paz, al\u00e9m disso, eles estavam sendo ca\u00e7ados e enquanto o sol brilhasse no c\u00e9u a amea\u00e7a seria constante.<\/p>\n<p>Continua&#8230;<\/p>\n<h4>Chester Chenson<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desfavor Convidado \u00e9 a coluna onde os impopulares ganham voz aqui na Rep\u00fablica Impopular. 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