{"id":772,"date":"2011-03-01T07:00:00","date_gmt":"2011-03-01T10:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=772"},"modified":"2025-11-19T18:51:08","modified_gmt":"2025-11-19T21:51:08","slug":"desfavor-explica-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2011\/03\/desfavor-explica-a-morte\/","title":{"rendered":"Desfavor Explica: A morte."},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"titleimg\" src=\"http:\/\/i363.photobucket.com\/albums\/oo74\/desfavor\/img\/eded_morrerantes.jpg\" alt=\"Usei essa foto de novo! Estou morrendo de orgulho!\" \/>Morte \u00e9 o t\u00e9rmino da vida de um organismo. Porque temos que morrer? Acredita-se que quando a m\u00e3e natureza estipula prazo de validade para suas criaturas, o faz pensando na evolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 a morte que nos permite evoluir. O ramo da ci\u00eancia que estuda a morte se chama Tanatologia. Existe at\u00e9 um ramo da psicologia dedicado ao tema, a Psicologia da Morte (recomendo a leitura de Ernest Becker). Morte \u00e9 que nem chifre: a gente sabe que uma hora ou outra vai acontecer com a gente mas prefere viver sem pensar no assunto se n\u00e3o a gente vai viver angustiado.<\/p>\n<p>Quando exatamente se morre? Quando \u00e9 que um ser humanos pode ser considerado como morto? Essa pergunta j\u00e1 teve diferentes respostas ao longo dos tempos. Por exemplo, j\u00e1 houve um tempo onde se considerava morta uma pessoa com parada card\u00edaca, pois se acreditava que no cora\u00e7\u00e3o estava o centro de todas nossas emo\u00e7\u00f5es, tudo aquilo que nos tornava humanos. Cora\u00e7\u00e3o parou de bater? A pessoa est\u00e1 morta! Mas, como a evolu\u00e7\u00e3o da medicina e da ci\u00eancia, percebeu-se que n\u00e3o era bem assim e os limites para a morte mudaram. Hoje \u00e9 poss\u00edvel reanimar pessoas com parada card\u00edaca e respirat\u00f3ria. Hoje \u00e9 poss\u00edvel que uma pessoa seja mantida viva SEM CORA\u00c7\u00c3O, ligada a m\u00e1quinas que desempenham sua fun\u00e7\u00e3o enquanto aguarda um transplante. Um novo crit\u00e9rio teve que ser adotado.<\/p>\n<p>Menos mal, porque o crit\u00e9rio anterior era t\u00e3o falho que no s\u00e9culo XIX existia, al\u00e9m dos hospitais para vivos, \u201chospitais para mortos\u201d, onde os corpos eram deixados aguardando os primeiros sinais de putrefa\u00e7\u00e3o para s\u00f3 depois se realizar o enterro. E pelo visto n\u00e3o adiantou, porque no come\u00e7o do s\u00e9culo XX chegou a ser desenvolvido um alarme para ser instalado dentro de caix\u00f5es, para que o morto pudesse avisar que estava vivo, de tanto que isso acontecia. Uma porcentagem assustadora dos caix\u00f5es abertos tinha arranh\u00f5es e marcas que indicavam que o morto tinha &#8220;acordado&#8221; e tentado sair dali por dias. Gra\u00e7as a esse tipo de incidente desagrad\u00e1vel, vem sendo criados, ao longo dos s\u00e9culos, mecanismos para tentar impedir que enterremos pessoas vivas: prazos para realiza\u00e7\u00e3o de necr\u00f3psia, prazos para realiza\u00e7\u00e3o de sepultamentos e uma revis\u00e3o nos crit\u00e9rios que determinam a morte de algu\u00e9m. (crema\u00e7\u00e3o rules, menos se voc\u00ea tiver implantes de silicone, pois eles explodem violentamente se o corpo for cremado)<\/p>\n<p>Hoje, a \u00fanica fun\u00e7\u00e3o vital que ainda n\u00e3o pode ser substitu\u00edda ou mantida por meios artificiais, sendo assim &#8220;irrecuper\u00e1vel&#8221;, \u00e9 a atividade neurol\u00f3gica. Por isso, ela foi o crit\u00e9rio adotado para classificar uma pessoa como oficialmente morta. Uma vez que cessa a atividade neurol\u00f3gica, n\u00e3o h\u00e1 mais esperan\u00e7as. Mesmo chegando ao consenso de que o crit\u00e9rio neurol\u00f3gico \u00e9 o mais correto, ainda existem algumas controv\u00e9rsias e falhas. Vez por outra um paciente declarado morto &#8220;volta&#8221;. Ocorre que a vida humana n\u00e3o \u00e9 matem\u00e1tica. Existe uma zona cinzenta que algumas vezes pode enganar at\u00e9 mesmo os m\u00e9dicos. Est\u00e1gios intermedi\u00e1rios entre o coma e a morte, os chamados &#8220;estados fronteiri\u00e7os&#8221; como os &#8220;comas ultrapassados&#8221; ou a &#8220;morte aparente&#8221; podem gerar equ\u00edvocos. \u00c9 por essas e outras que eu quero ser cremada, n\u00e3o quero o risco de acordar viva no caix\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 terr\u00edvel imaginar que um paciente declarado morto &#8220;acorde&#8221;. Por isso, uma s\u00e9rie de procedimentos s\u00e3o necess\u00e1rios para declarar uma pessoa morta, todos eles descritos na <a href=\"http:\/\/dtr2001.saude.gov.br\/sas\/dsra\/res1480.htm\">Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 1480 do Conselho Federal de Medicina<\/a>. Estes exames devem ser feitos por mais de uma vez, em determinados intervalos de tempo que variam conforme a idade do paciente.<\/p>\n<p>Legalmente, no Brasil, uma pessoa \u00e9 considerada morta quando ocorre a morte encef\u00e1lica total, ou seja, quando todo o c\u00e9rebro, incluindo o tronco cerebral, perde irreversivelmente todas as suas fun\u00e7\u00f5es. A morte encef\u00e1lica se constata quando n\u00e3o h\u00e1 mais impulsos el\u00e9tricos sendo enviados, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 mais &#8220;atividade encef\u00e1lica&#8221;. No momento em que os m\u00e9dicos constatam a aus\u00eancia de atividade cerebral a pessoa \u00e9 considerada morta e seus \u00f3rg\u00e3os podem ser retirados para doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Percebam que TODOS morremos atrav\u00e9s da morte encef\u00e1lica, pois mesmo que se &#8220;morra&#8221; em fun\u00e7\u00e3o de uma parada card\u00edaca, s\u00f3 se estar\u00e1 morto MESMO quando o c\u00e9rebro apagar. O c\u00e9rebro \u00e9 o \u00faltimo que apaga a luz da casa antes de todo mundo ir dormir. Mesmo com um cora\u00e7\u00e3o sem bater, mesmo com a pessoa afogada cheia de \u00e1gua nos pulm\u00f5es, ele pode sobreviver um pouquinho mais. Mas calma, ele sobrevive por\u00e9m ele te \u201capaga\u201d se o sofrimento for muito intenso, n\u00e3o quer dizer que necessariamente voc\u00ea tenha que vivenciar o sofrimento s\u00f3 porque ele ainda n\u00e3o desligou.<\/p>\n<p>&#8220;Mas Sally, como \u00e9 ent\u00e3o que tem gente com morte cerebral que fica meses em uma cama de hospital?&#8221;. Se o c\u00e9rebro estiver morto, a pessoa n\u00e3o pode desempenhar nenhuma das fun\u00e7\u00f5es vitais. Se a pessoa tem morte cerebral ela s\u00f3 pode ser mantida viva se m\u00e1quinas desempenharem atividades vitais essenciais. Cuidado para n\u00e3o confundir morte cerebral com coma. Geralmente as pessoas que ainda s\u00e3o mantidas vivas por aparelhos est\u00e3o em COMA, ou seja, seus c\u00e9rebros n\u00e3o apagaram de vez.<\/p>\n<p>Como saber quando uma pessoa est\u00e1 morta ou est\u00e1 apenas em coma? Bem, a regra geral diz que o c\u00e9rebro de uma pessoa em coma emite impulsos el\u00e9tricos, enquanto que um c\u00e9rebro morto n\u00e3o emite. Al\u00e9m disso, pacientes em coma reagem a sinais externos, em maior ou menor grau, enquanto que pacientes com morte cerebral n\u00e3o esbo\u00e7am qualquer rea\u00e7\u00e3o. Por isso em todo seriado m\u00e9dico a primeira coisa que vemos \u00e9 socarem uma luz nos olhos da pessoa e avaliar seu estado conforme a rea\u00e7\u00e3o. A luz ativa o nervo \u00f3tico, que por sua vez envia uma mensagem ao c\u00e9rebro. Se o c\u00e9rebro estiver normal, mandar\u00e1 de volta um impulso ao olho para constringir a pupila. No c\u00e9rebro morto, n\u00e3o ser\u00e1 gerado nenhum impulso.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, os olhos s\u00e3o de grande valia na hora de tentar descobrir se uma pessoa est\u00e1 morta. Outro recurso \u00e9 observar o reflexo oculocef\u00e1lico: os olhos do paciente s\u00e3o abertos e a cabe\u00e7a virada de um lado para o outro. O c\u00e9rebro ativo permitir\u00e1 um movimento dos olhos; no c\u00e9rebro morto, os olhos ficam fixos. Tamb\u00e9m pode ser avaliado o reflexo c\u00f3rneo. Um cotonete de algod\u00e3o \u00e9 arrastado pela c\u00f3rnea (*agonia) enquanto o olho \u00e9 segurado aberto. O c\u00e9rebro funcional mandar\u00e1 o olho piscar. Este e outros testes f\u00edsicos podem ser realizados de forma complementar para atestar ou confirmar a morte de algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Como se detecta a morte cerebral? Os exames mais comuns s\u00e3o o eletroencefalograma (EEG) e o estudo do fluxo sang\u00fc\u00edneo cerebral. O EEG mede a \u201cvoltagem\u201d (impulsos el\u00e9tricos) do c\u00e9rebro em microvolts e \u00e9 utilizado para apurar se o c\u00e9rebro est\u00e1 emitindo estes impulsos el\u00e9tricos. A regra \u00e9: se h\u00e1 impulsos el\u00e9tricos a pessoa est\u00e1 tecnicamente viva. Ele \u00e9 t\u00e3o sens\u00edvel que at\u00e9 mesmo a eletricidade est\u00e1tica nas roupas de uma pessoa pode influenciar no resultado do EEG. Todas as respostas positivas sugerem fun\u00e7\u00e3o cerebral.<\/p>\n<p>J\u00e1 o estudo do fluxo sang\u00fc\u00edneo cerebral \u00e9 feito atrav\u00e9s da inje\u00e7\u00e3o de uma subst\u00e2ncia radioativa na corrente sang\u00fc\u00ednea para depois aferir o quanto ela se espalhou pelo c\u00e9rebro atrav\u00e9s de um contador de radioatividade sobre a cabe\u00e7a Se o exame n\u00e3o detectar fluxo sang\u00fc\u00edneo no c\u00e9rebro, ele est\u00e1 morto. Um estudo de fluxo cerebral negativo \u00e9 uma evid\u00eancia incontest\u00e1vel de morte cerebral. N\u00e3o existe &#8220;princ\u00edpio de morte cerebral&#8221; ou &#8220;morte cerebral parcial&#8221;. Ou est\u00e1 morto, ou est\u00e1 vivo. \u00c9 como estar gr\u00e1vida: \u00c9 &#8220;sim&#8221; ou &#8220;n\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m deste exame, tamb\u00e9m podem ser realizados exames complementares (como por exemplo o exame qu\u00edmico atrav\u00e9s de inje\u00e7\u00e3o de atropina) e exames f\u00edsicos (lembra do cotonete na c\u00f3rnea e cia?). Sem o c\u00e9rebro n\u00e3o reagimos ao mundo externo, por isso o paciente recebe est\u00edmulos luminosos, sonoros e at\u00e9 mesmo est\u00edmulos de dor. Um c\u00e9rebro em coma, por mais profundo que seja, esbo\u00e7ar\u00e1 algum grau de rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, nada na vida \u00e9 t\u00e3o simples. Uma s\u00e9rie de fatores podem reduzir nossa resposta neurol\u00f3gica a ponto de dar uma falsa impress\u00e3o de morte cerebral (desde o uso de algumas subst\u00e2ncias at\u00e9 mesmo a altera\u00e7\u00e3o da temperatura corporal). O inverso tamb\u00e9m pode acontecer: pacientes com morte cerebral podem apresentar reflexos como movimentos ao serem tocados nas m\u00e3os e nos p\u00e9s gra\u00e7as aos chamados &#8220;reflexos medulares&#8221;. \u00c9 preciso muito cuidado ao declarar a morte de algu\u00e9m. Em resumo: nunca poderemos ter 100% de certeza. Por isso se criaram tantos procedimentos e protocolos: para que, se ocorrer um erro, ele seja visto.<\/p>\n<p>Estudos indicam que apenas uma em cada 200 mortes em leito hospitalar s\u00e3o por morte cerebral, o que explica as longas filas de espera por transplante de \u00f3rg\u00e3os, que s\u00f3 podem ser retirados dos pacientes quando se constate a morte cerebral e se atenda a uma s\u00e9rie de requisitos (Lei 9434\/97). Dos pacientes com morte cerebral, cerca de metade s\u00e3o considerados n\u00e3o aptos a doar seus \u00f3rg\u00e3os em fun\u00e7\u00e3o de problemas m\u00e9dicos como c\u00e2ncer ou infec\u00e7\u00f5es que comprometem seus \u00f3rg\u00e3os. E dos pacientes com morte cerebral e \u00f3rg\u00e3os aceit\u00e1veis, metade s\u00e3o exclu\u00eddos porque os familiares se recusam a consentir a doa\u00e7\u00e3o. Sim, o assunto merece um texto pr\u00f3prio, eu vou fazer.<\/p>\n<p>A causa mais comum de morte n\u00e3o-violenta s\u00e3o os problemas card\u00edacos. O c\u00e9rebro, via de regra, pode sobreviver um curto per\u00edodo de tempo sem seq\u00fcelas ap\u00f3s uma parada card\u00edaca, por isso, \u00e9 indispens\u00e1vel que se fa\u00e7a RCP (ressuscita\u00e7\u00e3o cardio-pulmonar) assim que a parada ocorrer (n\u00e3o d\u00e1 para ensinar em poucas linhas, ser\u00e1 tema de outro Desfavor Explica um dia desses). Outra causa comum de les\u00e3o cerebral \u00e9 o Acidente Vascular Cerebral, o AVC (popularmente conhecido como &#8220;derrame&#8221;): se voc\u00ea constatar que algu\u00e9m est\u00e1 sentindo fraqueza ou dorm\u00eancia s\u00fabita em um lado do corpo (pe\u00e7a para a pessoa sorrir, ela sorrir\u00e1 involuntariamente de um lado s\u00f3), dificuldade para falar, entender ou enxergar, tontura repentina e dor de cabe\u00e7a muito forte sem motivo aparente, VOE para o hospital, porque minutos fazem a diferen\u00e7a entre a vida e a morte.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o pior tipo de morte? Bem dif\u00edcil responder a esta pergunta, j\u00e1 que os que tem conhecimento de causa n\u00e3o costumam voltar para contar. Foi realizado um estudo onde se avaliou hipoteticamente as rea\u00e7\u00f5es que o organismo sofreria, estimando-se o tempo da morte e as sensa\u00e7\u00f5es que ela causaria e se concluiu que o pior tipo de morte deve ser por congelamento. Um dado interessante (que n\u00e3o tenho a menor id\u00e9ia de como foi obtido) \u00e9 que a maioria das pessoas que morre fica inconsciente antes de efetivamente morrer. Por exemplo, um avi\u00e3o que come\u00e7a a despencar ou um suicida que se joga janela abaixo: \u00e9 bem prov\u00e1vel que eles apaguem antes de efetivamente tocar o solo. E isso vale para todos o tipos de morte. \u00c9 um mecanismo de prote\u00e7\u00e3o do organismo que dispara em situa\u00e7\u00f5es extremas.<\/p>\n<p>Ok, a pessoa morreu. Fisicamente, o que acontece depois? As bact\u00e9rias que j\u00e1 existiam dentro dela, majoritariamente no intestino, come\u00e7am a comer as pr\u00f3prias celular do organismo, que est\u00e3o entrando em decomposi\u00e7\u00e3o. No terceiro dia, as bact\u00e9rias podem liberar g\u00e1s suficiente para inchar o corpo a ponto de fazer com que os olhos saltem das \u00f3rbitas. Muitas vezes esse g\u00e1s causa verdadeiras explos\u00f5es dentro dos caix\u00f5es, o que pode dar um baita susto em quem est\u00e1 em um cemit\u00e9rio na parte da noite. Pior: algumas vezes al\u00e9m da explos\u00e3o aparece um brilho, uma chama: o fogo f\u00e1tuo. As bact\u00e9rias que metabolizam a mat\u00e9ria org\u00e2nica produzem gases que entram em combust\u00e3o espont\u00e2nea em contato com o ar. Ocorre uma pequena explos\u00e3o e a chama azulada vem acompanhada de um estrondo. D\u00e1 para imaginar o n\u00famero de lendas e hist\u00f3rias que devem ter surgido gra\u00e7as a esse fen\u00f4meno, n\u00e9? Tem v\u00eddeos no Youtube para quem quiser ver.<\/p>\n<p>Inicialmente o morto fica molinho, pois h\u00e1 relaxamento muscular, mas algumas horas ap\u00f3s a morte (aproximadamente 12h) j\u00e1 podemos observar a chamada rigidez cadav\u00e9rica. O morto endurece ao ponto de muitas vezes ser necess\u00e1rio fraturar seus ossos para coloc\u00e1-lo na posi\u00e7\u00e3o horizontal.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel prever a morte? Aparentemente, seres humanos n\u00e3o podem prever, mas ao que tudo indica, alguns animais teriam esse poder. Existem diversas hist\u00f3rias documentadas de animais que, de alguma forma, fizeram a &#8220;previs\u00e3o&#8221; da morte de pacientes em um n\u00famero t\u00e3o significativo que fica descartada qualquer chance de coincid\u00eancia. S\u00f3 para ilustrar, cito um caso publicado no New England Journal of Medicine de um gato chamado Oscar, adotado por uma casa de sa\u00fade, que sentava no leito dos pacientes poucas horas antes de sua morte. Acertou mais de 25 casos. Quando come\u00e7aram a perceber o que a presen\u00e7a de Oscar significava, muitos familiares o colocavam para fora do quarto e o gato permanecia na porta, miando, at\u00e9 o paciente morrer. Depois que ele morria, Oscar ia embora.<\/p>\n<p>Funcion\u00e1rios contam como Oscar atua: todos os dias ele passeia pela casa de sa\u00fade, mas eventualmente algo atrai sua aten\u00e7\u00e3o em um quarto. Ele para, cheira, cheira e entra. Senta ao lado do paciente e este invariavelmente morre em poucas horas. Gra\u00e7as a este comportamento, acredita-se que exista uma esp\u00e9cie de &#8220;cheiro da morte&#8221; que alguns animais poderiam sentir. O processo da morte deve liberar alguma subst\u00e2ncia detectada pelo nariz de Oscar. Animais sentem cheiro de tumores e de c\u00e2ncer, n\u00e3o descarto que sintam cheiro de morte tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Como o ser humano vem lidando com a morte atrav\u00e9s dos anos e culturas? Alguns antrop\u00f3logos afirmam que o costume do vel\u00f3rio surgiu em fun\u00e7\u00e3o da incerteza da morte da pessoa. Quando n\u00e3o havia recursos m\u00e9dicos, frequentemente pessoas vivas eram dadas como mortas, por isso o h\u00e1bito de velar o corpo para ter certeza de que a pessoa n\u00e3o iria acordar. \u00c0s vezes o corpo era velado por dias. Normalmente era colocado em um sof\u00e1 ou em uma mesa da casa da pessoa e se fazia uma esp\u00e9cie de reuni\u00e3o chamando amigos, onde era servida comida e todos comiam ali, do lado do morto (ou suposto morto). Neguinho tirava fotinho com o corpo do morto, sentadinho no sof\u00e1 como se nada. Uns mais sem no\u00e7\u00e3o at\u00e9 abriam o olho do morto para a hora da foto! O h\u00e1bito que inicialmente surgiu para confirmar a morte, acabou virando um ritual de despedida. Eu odeio ir a vel\u00f3rios, mas os psic\u00f3logos insistem que ir ao vel\u00f3rio \u00e9 um ritual que auxilia no processo de luto.<\/p>\n<p>N\u00f3s ocidentais lidamos muito mal com a morte. Somos apegados demais a tudo, em um misto de ego\u00edsmo e imaturidade. Filosofias orientais pregam o desapego e ensinam desde cedo sobre a \u201cimperman\u00eacia\u201d, ou seja, tudo muda e \u00e9 ok que tudo mude mesmo. Tudo \u00e9 transit\u00f3rio e temos que aceitar esta verdade e aprender a ser feliz com ela. A morte n\u00e3o \u00e9 vista necessariamente como uma coisa ruim ou fonte de sofrimento. Ruim pra porra mudar nosso pensamento depois de burro velho, pelo menos na minha cabe\u00e7a, parece imposs\u00edvel. Mas vale uma leitura. Busquem conhecimento, j\u00e1 dizia Bilu. Simpatizo demais com o budismo, apesar de me sentir uma crian\u00e7a mimada quando leio a respeito.<\/p>\n<p>Curiosidades in\u00fateis sobre a morte: normalmente o \u00faltimo sentido que se apaga quando morremos \u00e9 a audi\u00e7\u00e3o. O primeiro que se vai \u00e9 a vis\u00e3o. Homens mortos ejaculam, muitas vezes at\u00e9 mesmo horas depois de morrer, em fun\u00e7\u00e3o do relaxamento muscular profundo. Acreditem ou n\u00e3o, mas vem se constatando que hoje seres humanos demoram mais tempo para entrar em decomposi\u00e7\u00e3o depois que morrem em fun\u00e7\u00e3o da grande quantidade de conservantes que comemos no nosso dia a dia.<\/p>\n<p>Sexta p\u00e1gina. Paro por aqui ou o Somir me mata.<\/p>\n<h3>Para dizer que voc\u00ea \u00e9 s\u00e1dico de carteirinha e quer duas semana m\u00f3rbidas, para dizer que prefere esse papo depressivo de morte do que a vibe oba-oba de carnaval ou ainda para dizer que v\u00ea gente morta: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morte \u00e9 o t\u00e9rmino da vida de um organismo. Porque temos que morrer? Acredita-se que quando a m\u00e3e natureza estipula prazo de validade para suas criaturas, o faz pensando na evolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 a morte que nos permite evoluir. O ramo da ci\u00eancia que estuda a morte se chama Tanatologia. 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