{"id":7816,"date":"2015-01-12T06:00:01","date_gmt":"2015-01-12T08:00:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=7816"},"modified":"2025-11-27T10:08:13","modified_gmt":"2025-11-27T13:08:13","slug":"probleminha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2015\/01\/probleminha\/","title":{"rendered":"Probleminha."},"content":{"rendered":"<p>Parece at\u00e9 que \u00e9 instintivo: pessoas tem filhos. E de tempos em tempos, essas pessoas levam seus filhos para a casa dos outros. Imaginando que seja a sua casa e as crian\u00e7as estejam sendo&#8230; crian\u00e7as, Sally e Somir discordam sobre quem deve ouvir poucas e boas. Os impopulares s\u00e3o malcriados e respondem.<\/p>\n<h6>Tema de hoje: Chamar aten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ou dos pais?<\/h6>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"somir\">SOMIR<\/h4>\n<p>Cada um que tenha seus filhos, mas eu n\u00e3o tenho e n\u00e3o tenho obriga\u00e7\u00e3o nenhuma de criar ningu\u00e9m. Chama-se a aten\u00e7\u00e3o dos pais, porque o problema \u00e9&#8230; adivinha&#8230; deles! Esse \u00e9 um simples caso de defini\u00e7\u00e3o de responsabilidades, sem contar que \u00e9 um saco ter que ficar chamando aten\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o quis fazer? Ent\u00e3o segura a bronca. Crian\u00e7a d\u00e1 trabalho e eu n\u00e3o fa\u00e7o pouco do trabalho de criar outro ser humano, afinal, n\u00e3o sou filho de chocadeira. Uma salva de palmas para os pais que encaram essa bronca dia ap\u00f3s dia (mas s\u00f3 para os que tem bons resultados), mas n\u00e3o acreditem que o mundo est\u00e1 devendo muito para voc\u00eas.<\/p>\n<p>Gente \u00e9 o que n\u00e3o falta. Essa coisa de celebrar filhos n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o relevante em tempos de superpopula\u00e7\u00e3o, e com as facilidades do mundo moderno, n\u00e3o \u00e9 mais como se fosse uma obriga\u00e7\u00e3o gerar descendentes. Filhos s\u00e3o cada vez mais uma escolha consciente (em tese, porque na pr\u00e1tica o que n\u00e3o falta \u00e9 filho acidental de pais sem capacidade de cri\u00e1-los&#8230;).<\/p>\n<p>Resolveu ter filhos? Direito seu, at\u00e9 digo parab\u00e9ns se for com a sua cara, mas nesse pacote vem uma s\u00e9rie de obriga\u00e7\u00f5es que voc\u00ea deve cumprir. Uma das principais \u00e9 n\u00e3o deixar seus pequenos atrapalharem a vida alheia. E sem exce\u00e7\u00f5es. Acredito piamente na responsabilidade dos pais de colocar limites nos seus seres humanos em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque \u00e9 escroto botar a culpa na crian\u00e7a. Ela faz o que d\u00e1 na telha e depende dos adultos para colocar limites, \u00e9 assim que funciona mesmo. Crian\u00e7a sendo babaca ou mal educada n\u00e3o me incomoda pela crian\u00e7a, mas pelos pais. Claro que alguma merda ou pentelha\u00e7\u00e3o a crian\u00e7a VAI fazer, ningu\u00e9m aqui est\u00e1 esperando 100% de efici\u00eancia, mas que fique claro quem tem que resolver os problemas delas: os pais.<\/p>\n<p>E \u00e9 por isso que eu falo com eles. Para n\u00e3o subverter a ordem das coisas. Se os pais n\u00e3o estiverem dando aten\u00e7\u00e3o suficiente, que se corrija isso. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 quest\u00e3o de se eximir, \u00e9 \u00fatil que sejam os pais que o fa\u00e7am. Quando um estranho que censura o comportamento errado da crian\u00e7a, corre-se o risco dela s\u00f3 aprender que algo \u00e9 errado numa situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, e n\u00e3o que \u00e9 errado por si s\u00f3. Remelentinho aprende que n\u00e3o \u00e9 para desenhar nas suas paredes, mas n\u00e3o em paredes em geral.<\/p>\n<p>S\u00e3o os pais que d\u00e3o a educa\u00e7\u00e3o mais completa. A crian\u00e7a est\u00e1 sempre por perto deles, ent\u00e3o tende a entender os &#8216;n\u00e3os&#8217; deles de forma mais abrangente. N\u00e3o \u00e9 para fazer merda porque os adultos mais importantes de sua vida n\u00e3o querem, e n\u00e3o s\u00f3 para evitar levar porrada de estranhos (claro que eu n\u00e3o vou bater em crian\u00e7a, mas o bacana \u00e9 que elas acreditam que v\u00e3o apanhar!).<\/p>\n<p>Sem contar que a arte de se comunicar com crian\u00e7as est\u00e1 perdida se depender de mim. Seres que n\u00e3o entendem l\u00f3gica est\u00e3o al\u00e9m do meu alcance (tipo animais selvagens e religiosos). A crian\u00e7a sequer tem vergonha de estar fazendo algo errado! Com adultos voc\u00ea consegue muitos resultados s\u00f3 de chamar a aten\u00e7\u00e3o deles, mas com crian\u00e7as voc\u00ea tem que enrolar, barganhar ou amea\u00e7ar. Tem sempre uma etapa extra.<\/p>\n<p>E crian\u00e7a esquece r\u00e1pido. Ou fingem que esquecem r\u00e1pido. Fa\u00e7a ela parar de cutucar seu gato de estima\u00e7\u00e3o e meio minuto depois ela est\u00e1 fazendo de novo. Quando \u00e9 filho dos outros voc\u00ea n\u00e3o pode escalar a amea\u00e7a de verdade, quando a crian\u00e7a perceber que voc\u00ea n\u00e3o tem poder real de puni-la, vai montar na sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea avisa os pais, fica at\u00e9 chato para eles n\u00e3o ficar marcando em cima para o filho parar de fazer o que diabos estava fazendo para come\u00e7o de conversa. E se a crian\u00e7a teimar, eles tem disponibilidade e poder para distra\u00ed-la, suborn\u00e1-la, amea\u00e7\u00e1-la ou mesmo lev\u00e1-la embora. Porque entrar numa batalha sem ter as armas para lutar?<\/p>\n<p>E sim, eu parto do princ\u00edpio que pais de crian\u00e7as aprontando apenas tiveram um lapso de aten\u00e7\u00e3o. At\u00e9 crian\u00e7a bem educada faz das suas&#8230; Voc\u00ea faz o seu papel de direcionar a aten\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis primeiro. S\u00f3 depois que come\u00e7a a escalar (a\u00ed sim) o confronto com os adultos. Se os pais derem aquela &#8216;enfiada dobrada&#8217; de mandar o filho parar e olhar para o lado, cutuque novamente at\u00e9 eles n\u00e3o terem outra escolha sen\u00e3o ir busc\u00e1-la. Oras, \u00e9 melhor ser chato do que deixar uma crian\u00e7a fazer o que bem entender na sua casa.<\/p>\n<p>Se for o caso dos pais serem uns bunda-moles (ou incompetentes) e n\u00e3o fizerem nada para impedir a crian\u00e7a de fazer merda, voc\u00ea convida eles a se retirar da sua casa. Voc\u00ea at\u00e9 se livra de problemas futuros, porque ou eles nunca mais voltam ou aprendem a se responsabilizar.<\/p>\n<p>E \u00e9 claro, as pessoas tendem a ficar ofendidas quando voc\u00ea bota limites nos filhos delas. Cada um escolhe mais ou menos o caminho que vai seguir na cria\u00e7\u00e3o dos rebentos e eu acredito que eles tenham toda a liberdade para isso. N\u00e3o quero impor meu estilo (ainda mais por ser um estilo de quem n\u00e3o tem filhos) na cria\u00e7\u00e3o alheia, ent\u00e3o chamemos quem possa aplicar o desej\u00e1vel.<\/p>\n<p>Cada um que cuide do seu.<\/p>\n<h3>Para dizer que eu vou mudar de ideia se tiver filhos, para dizer que filho \u00e9 que nem peido, ou mesmo para dizer que s\u00f3 a porrada constr\u00f3i: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n<h4 class=\"sally\">SALLY<\/h4>\n<p>Supondo que, por uma infelicidade da vida, voc\u00ea convida uma pessoa para sua casa e ela aparece com os filhos. Supondo que os filhos n\u00e3o foram devidamente educados e come\u00e7am a fazer bobagens, colocando em risco seus pertences, o que voc\u00ea faz: fala com os pais das crian\u00e7as ou fala diretamente com elas?<\/p>\n<p>Olha, se os pais das crian\u00e7as soubessem\/pudessem educa-las, elas n\u00e3o estariam a ponto de destruir algo seu. Se os pais observam em in\u00e9rcia contemplativa uma crian\u00e7a com uma caneta a meio mil\u00edmetro do sof\u00e1 branco, um garfo a meio mil\u00edmetro da tela de TV, um f\u00f3sforo a meio mil\u00edmetro da cortina ou com a m\u00e3o dentro da boca do cachorro pronta para puxar a l\u00edngua, \u00e9 porque s\u00e3o incapazes de educar seus filhos. Falar s\u00f3 vai gerar m\u00e1goa, j\u00e1 que os pais sempre se pensam perfeitos e acham seus filhos educados, bonitos e inteligentes.<\/p>\n<p>Eu falo diretamente com a crian\u00e7a. Mas falo de boa, com jeitinho (ao menos em um primeiro momento). Pode ser que a crian\u00e7a seja apenas fruto da pregui\u00e7a dos pais, que n\u00e3o tiveram o devido saco de corrigir cada vez que ela faz algo de errado. Sim, educar d\u00e1 trabalho, d\u00e1 um trabalho danado dizer \u201cn\u00e3o\u201d cada vez que ele tem que ser dito.<\/p>\n<p>Para minha surpresa, muitas das vezes em que conversei com crian\u00e7as, n\u00e3o proibindo, e sim explicando os motivos daquilo n\u00e3o ser uma boa ideia, elas reagiram bem. Por mais que uma crian\u00e7a encapetada n\u00e3o respeite seus pais, elas tendem a ter algum temor de estranhos. Os pais podem n\u00e3o ter moral nenhuma com o filho, mas um estranho sim.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, advertir o filho alheio na frente de seus pais n\u00e3o deixa de ser uma forma de passar um recado para estes pais. Se eles tiverem um pingo de vergonha na cara e educa\u00e7\u00e3o, v\u00e3o advertir o filho por puro constrangimento. Talvez as normas na casa deles sejam diferentes, talvez se possa assoar o nariz na cortina ou incendiar o gato, vai saber. \u00c9 at\u00e9 um bom filtro, pois se voc\u00ea adverte o rebento e os pais continuam na in\u00e9rcia contemplativa, j\u00e1 se sabe que n\u00e3o \u00e9 indicado convidar essas pessoas de volta na sua casa.<\/p>\n<p>Supondo que voc\u00ea tenha vontade de fazer isso mas morra de vergonha alheia de chegar nesse ponto, existem mecanismos para advertir a cria alheia sem que soe como esporro. Por exemplo, j\u00e1 me deparei com uma crian\u00e7a cutucando um abajur de cristal. Pren\u00fancio da desgra\u00e7a. Pedi que ele n\u00e3o mexa ali, pois o abajur estava dando problemas e n\u00e3o fazia muito tempo eu mesma havia levado um choque ao mexer. Entenda-se: \u201cn\u00e3o estou chamando seu filho de mal educado e sim preocupada com a seguran\u00e7a dele\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 formas e formas de se falar, o ponto \u00e9 que falar com os pais \u00e9 sempre mais dif\u00edcil, adulto \u00e9 sempre mais resistente. Uma crian\u00e7a em um ambiente estranho advertida por uma pessoa que n\u00e3o tenha intimidade costuma render bons resultados.<\/p>\n<p>E tem tamb\u00e9m aquele velho recurso de falar umas verdades na base da brincadeira: \u201cSe voc\u00ea quebrar esse vaso, a Tia vai te pegar, te jogar na panela e fazer uma feijoada com voc\u00ea, hein?\u201d. Dependendo do olhar, do tom de voz, o recado fica dado. Crian\u00e7a entende. Crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 burra.<\/p>\n<p>Some-se a tudo isso o benef\u00edcio que uma crian\u00e7a geralmente n\u00e3o retruca um estranho em um ambiente igualmente estranho. Adultos retrucam, questionam, reclamam. Crian\u00e7a n\u00e3o, crian\u00e7a tem menos agilidade mental, tende a ficar transtornada quando advertida, mesmo com carinho. N\u00e3o gaste tempo com pais, que j\u00e1 s\u00e3o estragados. V\u00e1 direito em quem ainda tem salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Voc\u00eas podem rir da minha teoria, mas eu acho que crian\u00e7as GOSTAM de limites. Ter limites desperta uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a para uma crian\u00e7a: ela sabe que tem algu\u00e9m ali zelando por ela, que tem algu\u00e9m para estipular as regras, que tem algu\u00e9m no controle. Por mais que eventualmente uma negativa gere uma pequena frustra\u00e7\u00e3o, no geral crian\u00e7as gostam de limites, pois em algum lugar elas conseguem compreender que isso \u00e9 cuidado. Periga da crian\u00e7a admirar quem lhe imp\u00f5e limites mais do que admira seus pr\u00f3prios pais.<\/p>\n<p>At\u00e9 o peso de falar direta e abertamente com a crian\u00e7a \u00e9 menor. Falar com os pais em vez de advertir diretamente a crian\u00e7a gera um ar de fofoquinha, um ar de conspira\u00e7\u00e3o, de dedo-duro. Clim\u00e3o. Mais f\u00e1cil chegar e falar diretamente com a crian\u00e7a, tira um pouco da import\u00e2ncia do ato, minimiza o formalismo da reclama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E, de mais a mais, mesmo que nada disso fa\u00e7a sentido para voc\u00ea, tem sempre um \u00faltimo argumento que \u00e9 plaus\u00edvel: a casa \u00e9 minha, eu falo com quem eu quiser. Minha casa, minhas regras.<\/p>\n<p>Falar com a crian\u00e7a \u00e9 melhor, pais que deixam o filho barbarizar a casa alheia est\u00e3o longe do alcance de di\u00e1logo faz tempo.<\/p>\n<h3>Para dizer que o melhor \u00e9 deixar a crian\u00e7a fazer merda e pedir reembolso dos bens perdidos aos pais, para dizer que o melhor \u00e9 nem convidar casais com filhos ou ainda para dizer que melhor ainda \u00e9 nem fazer amizade com pessoas com filhos: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parece at\u00e9 que \u00e9 instintivo: pessoas tem filhos. E de tempos em tempos, essas pessoas levam seus filhos para a casa dos outros. Imaginando que seja a sua casa e as crian\u00e7as estejam sendo&#8230; crian\u00e7as, Sally e Somir discordam sobre quem deve ouvir poucas e boas. Os impopulares s\u00e3o malcriados e respondem. 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