{"id":819,"date":"2011-04-27T07:00:00","date_gmt":"2011-04-27T10:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=819"},"modified":"2025-11-19T18:42:57","modified_gmt":"2025-11-19T21:42:57","slug":"desfavor-explica-chernobyl","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2011\/04\/desfavor-explica-chernobyl\/","title":{"rendered":"Desfavor Explica: Chernobyl."},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"titleimg\" src=\"http:\/\/i363.photobucket.com\/albums\/oo74\/desfavor\/img\/dex_chernobyl.jpg\" alt=\"Such is the life...\" \/>O acidente nuclear da usina de Chernobyl fez anivers\u00e1rio, como voc\u00eas j\u00e1 devem ter percebido pela aten\u00e7\u00e3o que a m\u00eddia est\u00e1 dispensando ao assunto.\u00a0 Todo mundo fala das v\u00edtimas, do sofrimento e da dor mas ningu\u00e9m explica o que aconteceu dentro daquela usina. E \u00e9 para isso que existe o Desfavor Explica: mastigar a informa\u00e7\u00e3o para nossos leitores. Desfavor explica de hoje fala sobre o acidente nuclear na usina de Chernobyl.<\/p>\n<p>Desde j\u00e1 me desculpo com aqueles que trabalham na \u00e1rea, porque eu sou uma leiga curiosa que escreve como uma leiga curiosa e por mais de uma vez vou me valer de simplifica\u00e7\u00f5es toscas.<\/p>\n<p>Para entender o que aconteceu, vamos voltar um pouco mais no tempo. Quando a usina foi constru\u00edda, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica estava em guerra fria com os EUA, competindo para ver quem tinha a tecnologia mais poderosa e amea\u00e7adora. Gra\u00e7as a essa picuinha, muita coisa era feita de forma n\u00e3o t\u00e3o cuidadosa, com pressa, para poder dizer que foi o primeiro a fazer. Assim foi constru\u00edda a usina: pulando uma s\u00e9rie de estudos, testes e precau\u00e7\u00f5es em nome do status de poder bater no peito e dizer que tinha uma usina nuclear.<\/p>\n<p>Um desses testes que deveria ter sido feito antes da inaugura\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o foi acabou desencadeando, junto com outros fatores, o grande acidente nuclear. \u00c9 como se voc\u00ea comprasse um carro e na pressa para desfilar com ele na porta da casa do seu vizinho e fazer inveja, sa\u00edsse da concession\u00e1ria sem testar o freio do ve\u00edculo. Especialistas afirmam que se o teste tivesse sido realizado antes do funcionamento da usina o desastre n\u00e3o teria ocorrido.<\/p>\n<p>Para explicar o tamanho da temeridade que fizeram, vamos entender como funcionava a usina: um compartimento com material nuclear promovia fiss\u00e3o nuclear, que libera energia deste compartimento para outro ao lado. Esta energia aquece \u00e1gua l\u00edquida que se encontrava no compartimento ao lado. Aquecida, a \u00e1gua l\u00edquida se transforma em vapor. Este vapor sobe e gira uma turbina que tem capacidade de gerar eletricidade. Sabe o vento que empurra aquele catavento que gera energia? Pois \u00e9, s\u00f3 que o vento era fabricado atrav\u00e9s de fiss\u00e3o nuclear.<\/p>\n<p>A fiss\u00e3o nuclear que d\u00e1 in\u00edcio ao processo de aquecimento da \u00e1gua surge a partir da pancadaria entre \u00e1tomos. \u00c1tomos cheios de part\u00edculas coladas s\u00e3o confinados e se promove sua \u201cdispers\u00e3o\u201d, gerando energia. Pense em um baile funk. Pense em 500 funkeiros pulando e dan\u00e7ando colados, abra\u00e7ados em harmonia todos juntinhos. Se ningu\u00e9m mexer eles continuar\u00e3o ali, pulando no meio da pista. Agora pense no BOPE chegando e dando tiros. As pessoas v\u00e3o dispersar e correr, cada uma para um lado&#8230; Isso \u00e9 fiss\u00e3o nuclear. Isso libera energia e energia gera calor que aquece a \u00e1gua, que evapora e roda a turbina. Perd\u00e3o pelo exemplo, estou tentando ser did\u00e1tica. Se voc\u00ea quiser estudar a s\u00e9rio o assunto, procure pelo nome t\u00e9cnico: For\u00e7a de Repuls\u00e3o de Coulomb.<\/p>\n<p>O chato da fiss\u00e3o \u00e9 que uma vez que voc\u00ea assusta os funkeiros dando tiros eles n\u00e3o param mais de correr e com a correria, surgem outros funkeiros das redondezas que estavam calmos e come\u00e7am a correr tamb\u00e9m. Se n\u00e3o controlar, voc\u00ea acaba tendo uma multid\u00e3o correndo sem parar, o que seria bastante catastr\u00f3fico e destrutivo (conhecido como \u201cbomba nuclear\u201d, que nada mais \u00e9 do que a fiss\u00e3o sem controle). Ent\u00e3o, nas usinas, \u00e9 preciso controlar o corre-corre das part\u00edculas. Isso \u00e9 feito instalando as chamadas \u201cbarras de controle\u201d no local onde fica o material radioativo. Lembram dos funkeiros que corriam sem parar? As barras de controle s\u00e3o um cercadinho que limitam o espa\u00e7o por onde estes funkeiros podem correr. Eles s\u00f3 correr\u00e3o at\u00e9 onde o cercadinho permitir. Elas ficam entre o material radioativo controlando a fiss\u00e3o, para mais ou para menos, conforme o comando que se d\u00ea. Se voc\u00ea coloca muitas barras, a fiss\u00e3o diminu\u00ed (e consequentemente a gera\u00e7\u00e3o de energia tamb\u00e9m), mas se voc\u00ea retira algumas barras ela aumenta. Parece simples. Mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Estas barras de controle ficam junto do material radioativo e costumam ser feitas de subst\u00e2ncias como boro ou c\u00e1dmio, elementos que n\u00e3o favorecem a fiss\u00e3o. Por\u00e9m, um ambiente no qual \u00e1tomos se movimentam muito, como j\u00e1 explicamos, gera calor. Ent\u00e3o, para que essas barras de controle funcionem como um cercadinho, conseguindo conter o movimento dos \u00e1tomos, o ambiente precisaria estar minimamente refrigerado, se n\u00e3o, elas poderiam derrteter.<\/p>\n<p>Imagine que voc\u00ea tem uma panela com \u00e1gua fervendo debaixo de uma chama do fog\u00e3o. Voc\u00ea n\u00e3o quer que a \u00e1gua ferva, apenas que ela se mantenha aquecida. Mas se deixar ela ali, debaixo do fogo, ela vai ferver. Ent\u00e3o, de tempos em tempos voc\u00ea mergulha pedrinhas de gelo nela para estabilizar a temperatura. \u00c9 mais ou menos isso. A \u00e1gua que resfriava a usina eram as pedrinhas de gelo.<\/p>\n<p>Pois bem, lembram que eu disse que deveriam ter sido realizados testes antes do funcionamento da usina? Pois \u00e9. O teste era para ver como os reatores se comportavam em caso de perda de suprimento de energia, situa\u00e7\u00e3o onde precisariam utilizar os geradores de emerg\u00eancia. Se n\u00e3o houvesse energia, a \u00e1gua que estava no interior do reator n\u00e3o seria suficiente para resfriar o calor gerado e poderia ocorrer um acidente. Era preciso verificar se os geradores de emerg\u00eancia davam conta do recado e tamb\u00e9m era preciso testar se as turbinas da pr\u00f3pria usina poderiam produzir energia suficiente para manter as bombas do l\u00edquido de refrigera\u00e7\u00e3o funcionando, no caso de uma perda de pot\u00eancia, at\u00e9 que o gerador de emerg\u00eancia fosse acionado e funcionasse.<\/p>\n<p>Do nada, decidiram testar para ver se funcionava. Com a usina j\u00e1 operante. Porque decidiram fazer o tal teste de forma repentina? Porque temiam um ataque iminente dos EUA e queriam saber como a usina reagiria \u00e0s poss\u00edveis avarias desse ataque. Aproveitaram que um dos reatores teria que ser desligado para uma manuten\u00e7\u00e3o de rotina e decidiram verificar se as turbinas da usina e o gerador dava conta e em quanto tempo. Da\u00ed para frente foi uma sequ\u00eancia de erros.<\/p>\n<p>Para come\u00e7o de conversa, a pot\u00eancia na qual o reator estava trabalhando deveria ser gradualmente reduzida, mas como demoraram muito a come\u00e7ar o teste, decidiram reduzi-la de forma mais dr\u00e1stica, para acelerar o processo. Por causa dessa barbeiragem a pot\u00eancia do reator foi reduzida praticamente a zero, o que, como vamos ver, \u00e9 uma temeridade.<\/p>\n<p>Ainda na tentativa de acelerar o processo, decidiram religar o reator e coloc\u00e1-lo para funcionar \u201cmais r\u00e1pido\u201d. Como fizeram isso? Retirando algumas das BARRAS DE CONTROLE (lembra das grades que controlavam os funkeiros?) para ver se retomava funcionamento em menos tempo. Ligaram o fogo m\u00e1ximo do fog\u00e3o e pararam de jogar pedras de gelo na panela, para ver se esquentava mais depressa. O problema \u00e9 que retiraram barras demais e a coisa saiu do controle.<\/p>\n<p>Neste processo n\u00e3o respeitaram muitas normas de seguran\u00e7a. Por exemplo, o \u201cmanual de instru\u00e7\u00f5es\u201d pregava que o reator jamais poderia funcionar sem pelo menos 15 barras de controle e eles o fizeram funcionar com cinco ou seis. Tamb\u00e9m n\u00e3o reportaram o que estavam fazendo ao escrit\u00f3rio de seguran\u00e7a, como deveria ter sido feito, pois teriam sido alertados do perigo que seria recolocar as 204 barras de controle de volta no reator de uma vez s\u00f3, \u00e0s pressas, quando perceberam que estavam perdendo o controle.<\/p>\n<p>Erros terr\u00edveis, mas o ser humano erra o tempo todo. \u00c9 por isso que estas m\u00e1quinas tem que ser a prova de erro humano e esta usina n\u00e3o era. Quando algu\u00e9m erra a m\u00e1quina tem que ser inteligente o suficiente para se desligar sozinha ou para n\u00e3o se religar. E esse mecanismo, pela pressa na constru\u00e7\u00e3o da usina, n\u00e3o foi inserido.<\/p>\n<p>O pior \u00e9 que os pr\u00f3prios seres humanos perceberam o erro humano. Funcion\u00e1rios alertaram que essa retirada dessa quantidade de barras de controle poderia ser meio que perigoso, mas foram ignorados. Disseram que qualquer coisa era s\u00f3 colocar as barras de volta que elas imediatamente controlariam a fiss\u00e3o. Esqueceram de calcular que para que as barras entrem por completo s\u00e3o necess\u00e1rio pelo menos 20 segundos.<\/p>\n<p>Quando tiraram tantas barras de controle, os \u00e1tomos puderam se movimentar mais e isso gerou muito calor.\u00a0Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, o reator de Chernobyl era de um tipo chamado RBMK (que significa \u201cReator de Alta Pot\u00eancia do Canal\u201d em russo). Neste modelo a \u00e1gua usada para resfriar o reator \u00e9 a mesma \u00e1gua usada para formar o vapor que movimenta as turbinas, ou seja, se der pau em um setor, o outro tamb\u00e9m para por rea\u00e7\u00e3o em cadeia. Quanto menos \u00e1gua entrava e quanto mais r\u00e1pido a \u00e1gua evaporava, menos a usina era resfriada.<\/p>\n<p>O ideal \u00e9 que o sistema de resfriamento seja independente. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica adotou este modelo porque era mais barato, mais r\u00e1pido de construir e o funcionamento do reator gerava grande quantidade de Plut\u00f4nio, que se pretendia usar na fabrica\u00e7\u00e3o de armas nucleares. O fato \u00e9 que com a queda dr\u00e1stica de entrada de \u00e1gua, o resfriamento diminuiu e os geradores demoraram mais do que o esperado para normalizar a situa\u00e7\u00e3o. Considerando que o reator estava com a pot\u00eancia aumentada porque tinham removido as barras de controle, a coisa come\u00e7ou a ficar esquisita.<\/p>\n<p>Recapitulando: ao desligar as turbinas, menos \u00e1gua entrava no reator. Quanto menos \u00e1gua havia, mais r\u00e1pido a \u00e1gua que estava l\u00e1 evaporava. Quanto mais vapor, mais press\u00e3o. Tudo potencializado pelo reator bombando sem as barras de controle. Com este aumento de vapor, tamb\u00e9m houve o aumento cavalar da pot\u00eancia do reator.<\/p>\n<p>Aquelas barras de controle eram feitas de boro mas possu\u00edam uma camadinha de grafite em suas pontas. No instante em que entraram no reator, essa pontinha de grafite causou um aumento ainda maior na pot\u00eancia devido a uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, que em condi\u00e7\u00f5es normais seria desprez\u00edvel, mas em condi\u00e7\u00f5es lim\u00edtrofes como aquela fizeram toda a diferen\u00e7a. As barras n\u00e3o deveriam ter sido retiradas, ningu\u00e9m pensou nos efeitos do grafite quando elas fossem colocadas de volta. Na verdade, acredita-se que nem sequer soubessem dos efeitos do grafite. Sem contar que elas demoram cerca de vinte segundos para entrar por completo no reator e j\u00e1 n\u00e3o havia mais tanto tempo dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>A \u00e1gua aquecida a temperaturas altas (estava em torno de mil graus) em contato com o grafite forma uma mistura explosiva chamada \u201cg\u00e1s d\u00b4\u00e1gua\u201d. A situa\u00e7\u00e3o at\u00edpica da recoloca\u00e7\u00e3o das barras de controle provocou um aumento da velocidade de rea\u00e7\u00e3o gra\u00e7as a essa rea\u00e7\u00e3o do grafite com a \u00e1gua e gerou um calor t\u00e3o intenso que acabou entortando estas barras e elas travaram logo na entrada, quando haviam penetrado cerca de um ter\u00e7o do reator.<\/p>\n<p>Com isso, ficou imposs\u00edvel colocar barras de controle e a fiss\u00e3o ficou descontrolada. Com a fiss\u00e3o comendo solta, a pot\u00eancia do reator aumentou absurdamente, cerca de dez vezes da pot\u00eancia normal (quanto mais fiss\u00e3o, mais energia, quanto mais energia, mais calor, quanto mais calor, mais \u00e1gua evaporando, quando mais \u00e1gua evaporando mais turbina girando e quanto mais turbina girando mais energia). O calor bombou a tal ponto que o pr\u00f3prio material nuclear come\u00e7ou a derreter, aumentando ainda mais a press\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta mistura somada \u00e0 press\u00e3o que j\u00e1 existia foi respons\u00e1vel pela explos\u00e3o que destruiu a tampa do reator (pesava 1.200 toneladas). Por causa da pressa na inaugura\u00e7\u00e3o e para conten\u00e7\u00e3o de custos, a usina possu\u00eda apenas uma conten\u00e7\u00e3o parcial. Se tivesse uma conten\u00e7\u00e3o melhor, a conten\u00e7\u00e3o recomendada talvez o acidente n\u00e3o fosse t\u00e3o grave.<\/p>\n<p>Como desgra\u00e7a pouca \u00e9 bobagem, o grafite do reator quando aquecido e em contado com o oxig\u00eanio gra\u00e7as \u00e0 explos\u00e3o que destruiu a tampa do reator (seu teto), pegou fogo gerando um grande inc\u00eandio. O inc\u00eandio foi um enorme desfavor pois contribuiu ainda mais para espalhar a radia\u00e7\u00e3o. Como se j\u00e1 n\u00e3o bastassem as 50 toneladas de material radioativo derretido que foram jogadas na superf\u00edcie, as cinzas e fuma\u00e7a do inc\u00eandio se encarregavam de levar a contamina\u00e7\u00e3o ainda mais longe. N\u00e3o foi uma explos\u00e3o nuclear, foi uma explos\u00e3o de vapor que fez com que material nuclear seja exposto.<\/p>\n<p>Existem muitas informa\u00e7\u00f5es conflitantes sobre o acidente. O que se sabe com certeza \u00e9 que o bot\u00e3o que ordenava a parada total de funcionamento da usina foi apertado por um ser humano v\u00e1rias vezes. Sabe aquela pessoa desesperada que aperta bot\u00e3o do elevador v\u00e1rias vezes como se com isso ele chegasse mais r\u00e1pido? Este bot\u00e3o recolocaria as barras de controle de volta e o que seria a solu\u00e7\u00e3o do problema acabou sendo o estopim para a explos\u00e3o gra\u00e7as ao grafite.<\/p>\n<p>O resto voc\u00eas j\u00e1 sabem. O dia seguinte \u00e9 sempre mais dram\u00e1tico e \u00e9 nele que a imprensa foca. Os moradores s\u00f3 come\u00e7aram a ser removidos 36 horas ap\u00f3s o acidente e se demorou cerca de uma semana para remover todo mundo. O governo n\u00e3o foi muito bacana com a popula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m foi incorreto os trabalhadores da usina. Inicialmente tentou limpar o teto do reator com bio-rob\u00f4s chamados \u201cLiquidat\u00e1rios\u201d, mas eles deram pau por causa da radia\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o eles decidiram que seres humanos teriam que limpar aquela bagun\u00e7a. Cada trabalhador n\u00e3o poderia ficar mais do que 40 segundos no teto, tamanha a radia\u00e7\u00e3o. Muitos morreram. As fotos s\u00e3o impressionantes, \u00e9 poss\u00edvel ver a nuvem de radia\u00e7\u00e3o. A curiosidade m\u00f3rbida inerente ao ser humano \u00e9 tamanha que hoje Chernobyl virou um ponto tur\u00edstico. Pessoas visitam a \u00e1rea e tiram fotos da usina, mesmo cientes que a \u00e1rea ainda est\u00e1 contaminada. E ainda existem pessoas que se recusaram a abandonar a \u00e1rea e vivem no meio da radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O governo sovi\u00e9tico se portou de forma muito incorreta com seu povo e com o mundo. Tentou esconder a cat\u00e1strofe e minimizar seus efeitos o quanto pode. S\u00f3 distribuiu iodo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em 23 de maio e s\u00f3 concluiu a veda\u00e7\u00e3o \u00e0 usina em novembro de 1986. Acreditem, a usina s\u00f3 foi completamente desativada em 12 de dezembro de 2000. Sem contar que essa veda\u00e7\u00e3o que constru\u00edram \u00e9 uma veda\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria. Apelidada de \u201cO Sarc\u00f3fago\u201d, foi uma medida provis\u00f3ria programada para durar entre 20 e 30 anos enquanto se pensava em uma solu\u00e7\u00e3o para esta lamban\u00e7a. Fa\u00e7am as contas. O prazo de validade do Sarc\u00f3fago est\u00e1 vencendo. Consta que j\u00e1 entra \u00e1gua da chuva no reator, tamanha a deteriora\u00e7\u00e3o do Sarc\u00f3fago. Esperemos que desta vez sejam mais prudentes.<\/p>\n<h3>Para me avisar que eu esqueci de escrever o texto de assinatura: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acidente nuclear da usina de Chernobyl fez anivers\u00e1rio, como voc\u00eas j\u00e1 devem ter percebido pela aten\u00e7\u00e3o que a m\u00eddia est\u00e1 dispensando ao assunto.\u00a0 Todo mundo fala das v\u00edtimas, do sofrimento e da dor mas ningu\u00e9m explica o que aconteceu dentro daquela usina. 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