{"id":8397,"date":"2015-06-08T06:00:55","date_gmt":"2015-06-08T09:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=8397"},"modified":"2025-11-26T15:10:42","modified_gmt":"2025-11-26T18:10:42","slug":"amor-animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2015\/06\/amor-animal\/","title":{"rendered":"Amor animal."},"content":{"rendered":"<p>O amor est\u00e1 no ar. E ele talvez n\u00e3o cheire bem dessa vez. Somir fez uma afirma\u00e7\u00e3o que deixou Sally revoltada, e n\u00e3o havia mais como escapar da coluna. Os impopulares participam, por amor ou n\u00e3o.<\/p>\n<h6>Tema de hoje: Os animais s\u00e3o capazes de nos amar?<\/h6>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4 class=\"somir\">SOMIR<\/h4>\n<p>Eu tenho a sensa\u00e7\u00e3o que vou tentar convencer evang\u00e9licos que deus n\u00e3o existe, mas v\u00e1 l\u00e1&#8230; n\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o. E para defender o ponto eu vou ter que fazer algo que n\u00e3o gosto muito de fazer em p\u00fablico: relativizar a ci\u00eancia. Na verdade esse \u00e9 o comportamento mais racional &#8211; afinal o erro \u00e9 inerente ao m\u00e9todo cient\u00edfico &#8211; mas \u00e9 dif\u00edcil fazer isso sem passar uma imagem errada. N\u00e3o se discute a validade de testes e seus resultados s\u00f3 por n\u00e3o gostar da conclus\u00e3o. Dados s\u00e3o soberanos, as nossas conclus\u00f5es sobre eles que variam demais.<\/p>\n<p>Sim, existem estudos mencionando funcionamento parecido de c\u00e9rebros de animais irracionais e seres humanos, mas temos que tomar muito cuidado para n\u00e3o levar tudo isso ao p\u00e9 da letra. Estudos s\u00e3o fal\u00edveis por serem realizados por seres fal\u00edveis. Querer provar uma coisa influi no resultado dos testes, e a ideia de que nossos animais de estima\u00e7\u00e3o nos amam de verdade \u00e9 muito confort\u00e1vel. Pense com calma nisso: se eu estivesse certo e os animais n\u00e3o passassem de seres interesseiros, sua vida ficaria mais triste? Se ficaria, n\u00e3o h\u00e1 argumentos que bastem. Voc\u00ea vai discordar de mim at\u00e9 a morte.<\/p>\n<p>Quem garante que os testes provam que os animais amam ou prova que n\u00f3s n\u00e3o amamos? Quem garante que os c\u00e9rebros humanos usados como compara\u00e7\u00e3o realmente amavam? Os dados dos centros nervosos ativados independem de interpreta\u00e7\u00f5es, eles simplesmente existem sem obriga\u00e7\u00e3o nenhuma de se conformar ao que acreditamos ser mais agrad\u00e1vel. Da\u00ed nos resta usar a l\u00f3gica na medida do poss\u00edvel e considerar algo mais complicado: a abstra\u00e7\u00e3o de uma mente complexa como a humana. Alguns dos conceitos que nos s\u00e3o mais queridos, como o senso de justi\u00e7a, s\u00e3o incrivelmente abstratos. Animais n\u00e3o tem pena dos mais fracos, s\u00e3o bem mais utilitaristas. Entendo que \u00e9 gostoso acreditar que ao animal s\u00f3 falta a capacidade da verbaliza\u00e7\u00e3o para ser um &#8220;humano ideal&#8221;, mas falta especializa\u00e7\u00e3o ao c\u00e9rebro deles para alcan\u00e7ar as mesmas &#8220;notas&#8221; que alcan\u00e7amos. \u00c9 uma incapacidade f\u00edsica. N\u00e3o diminui meu apre\u00e7o por eles.<\/p>\n<p>O que eles tem em comum conosco \u00e9 a capacidade de condicionamento e um &#8220;background&#8221; de instintos que modificam seus comportamentos de acordo com a situa\u00e7\u00e3o. O que n\u00e3o falta nesse mundo s\u00e3o animais inteligentes o suficiente para se adaptar. Somos todos descendentes das formas de vidas mais afeitas a modificar seus comportamentos de acordo com o ambiente. E em algumas esp\u00e9cies, formar la\u00e7os est\u00e1 intimamente ligado com esse mecanismo evolutivo. Aprenderam a viver em conjunto e lidar com v\u00e1rios dos elementos inerentes ao conjunto. Hierarquia, trabalho em equipe, aten\u00e7\u00e3o ao outro&#8230;<\/p>\n<p>O que vemos nos animais com os quais formamos la\u00e7os \u00e9 basicamente a resposta evolutiva deles \u00e0 condi\u00e7\u00e3o que os colocamos. C\u00e3es ainda obedecem conceitos muito pr\u00f3ximos aos das matilhas de lobos que os permitiram se manter vivos como esp\u00e9cie. E como o conceito de matilha \u00e9 curiosamente parecido com o das sociedades humanas, n\u00e3o \u00e9 surpresa que eles se tornaram os animais mais pr\u00f3ximos do ser humano. N\u00e3o me entendam mal, eu acho fascinante a forma como os c\u00e3es aprenderam a conviver conosco e nos conhecer t\u00e3o bem. Com certeza eles conseguem se aproximar (ou enganar) muito do conceito de amor que temos. Mas&#8230; fingir amor n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil assim, principalmente se quem se sente amado pinta tudo com cores mais quentes.<\/p>\n<p>Animais com passados evolutivos diferentes reagem de formas diferentes \u00e0 nossa companhia. Para ficar num exemplo t\u00e3o comum quanto os c\u00e3es, pensemos nos gatos. Muitos dos atos abnegados encontrados nos caninos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 n\u00f3s simplesmente n\u00e3o se repetem nos felinos, solit\u00e1rios por natureza. Os domesticados aprenderam a tirar vantagem das benesses da vida pr\u00f3xima aos humanos, mas nenhum animal sai muito do seu caminho para lidar conosco. Um humano que ama \u00e9 capaz de fazer verdadeiras viol\u00eancias contra sua natureza por amor. \u00c9 algo que suprime os instintos e subverte o que a evolu\u00e7\u00e3o te diz para fazer. Seja l\u00e1 o ato de amor que voc\u00ea enxerga em animais irracionais, ele ainda \u00e9 extremamente condizente com a l\u00f3gica evolutiva dele.<\/p>\n<p>Talvez eu esteja sendo rom\u00e2ntico, talvez eu ainda esteja lutando contra a sombra do determinismo extirpando toda a beleza das rela\u00e7\u00f5es emocionais entre seres vivos&#8230; mas amor \u00e9 algo mais complexo e abstrato do que isso.<\/p>\n<p>Pensemos num exemplo: imaginem que um alien\u00edgena te abduz e te coloca numa \u00e1rea parecida com sua casa original em outro lugar da gal\u00e1xia. Esse alien\u00edgena te oferece abrigo, \u00e1gua, alimento e inclusive muita valida\u00e7\u00e3o emocional. Ele \u00e9 diferente do que voc\u00ea \u00e9, mas te trata com carinho e parece extremamente feliz com sua presen\u00e7a. De tempos em tempos ele te d\u00e1 algo muito divertido para fazer, alguns brinquedos que voc\u00ea acha o m\u00e1ximo. E quando ele sente que voc\u00ea est\u00e1 se sentindo meio solit\u00e1rio, at\u00e9 te arranja parceiros sexuais! Voc\u00ea se sente importante ali, mas&#8230; ir embora n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o. Fora da nave dele, voc\u00ea morreria. Ali\u00e1s, voc\u00ea nem sabe direito como sair dali. Voc\u00ea n\u00e3o sabe de onde ele tira seu alimento, n\u00e3o entende direito para onde ele vai quando some, n\u00e3o consegue nem decifrar a l\u00edngua que ele fala. E se voc\u00ea quiser fazer outras coisas da sua vida?<\/p>\n<p>Pense nesse exemplo&#8230; e me diga se voc\u00ea amaria esse alien\u00edgena. Depend\u00eancia e tratamento carinhoso n\u00e3o significam exatamente amor. Amor tem um componente de liberdade e igualdade que n\u00e3o permite que um dos dois elementos seja chamado de &#8220;dono&#8221;. E sim, eu sei que estou dizendo por tabela que crian\u00e7as n\u00e3o amam. Esse conceito deve ser ainda mais horr\u00edvel de conceber. Voc\u00ea depende dos seus pais at\u00e9 aprender a am\u00e1-los, existem toneladas de horm\u00f4nios for\u00e7ando essa conex\u00e3o nas duas partes justamente por isso. Amor exige maturidade cerebral e a liberdade de n\u00e3o exerc\u00ea-lo. Amor \u00e9 algo demorado de se conquistar, e depende de vari\u00e1veis que n\u00e3o est\u00e3o presentes em rela\u00e7\u00f5es de muita desigualdade de poder. Amor \u00e9 escolha, jamais imposi\u00e7\u00e3o. O animal n\u00e3o te rejeita porque gosta de voc\u00ea mesmo com todos os seus problemas ou porque a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o desigual que rejei\u00e7\u00e3o ao seu provedor \u00e9 sin\u00f4nimo de fracasso evolutivo? Os animais domesticados foram criados para emular comportamentos que conhecemos como amorosos, eles nunca tiveram escolha. Ou voc\u00eas acham que os primeiros lobos que conviveram conosco eram carentes feito um poodle? Os animais dom\u00e9sticos aprenderam o truque dos beb\u00eas para continuar vi\u00e1veis como esp\u00e9cie. Todo animal social tem capacidade de formar la\u00e7os, todo animal razoavelmente inteligente e condicionado por depend\u00eancia tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Animais irracionais n\u00e3o se ressentem disso, seu c\u00e3o deve ser extremamente feliz na sua companhia, o m\u00e1ximo poss\u00edvel na cabecinha dele. Mas, amor? Amor n\u00e3o \u00e9 isso. Amor \u00e9 mais do que centros de recompensa brilhando numa tomografia, ele \u00e9 abstrato. O animal n\u00e3o \u00e9 capaz de ir t\u00e3o longe. Ele sequer se ressente de n\u00e3o poder te dar isso, ele nunca teve a op\u00e7\u00e3o de dar. O bicho tende a fazer o melhor que pode, at\u00e9 porque animal n\u00e3o \u00e9 de ficar economizando nada. Talvez sintamos falta de menos abstra\u00e7\u00e3o nas nossas rela\u00e7\u00f5es com outros seres humanos, exigindo mais provas concretas.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o podemos tapar o sol com a peneira. Por mais que eu possa estar errado (sempre \u00e9 poss\u00edvel), a n\u00e3o ser que S\u00edndrome de Estocolmo seja sin\u00f4nimo de amor para voc\u00ea, estamos simplesmente projetando nossa capacidade de amar em animais que acham uma vantagem evolutiva tremenda serem subservientes a n\u00f3s.<\/p>\n<p>Amor sem liberdade e igualdade &#8211; pelo menos para mim &#8211; n\u00e3o \u00e9 amor.<\/p>\n<h3>Para dizer que me odeia por n\u00e3o concordar com nada, para dizer que me odeia porque entendeu o meu ponto, ou mesmo para dizer que eu n\u00e3o sei amar (talvez n\u00e3o saiba&#8230;): <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n<h4 class=\"sally\">SALLY<\/h4>\n<p>N\u00e3o esperem um texto fofo ou rom\u00e2ntico. N\u00e3o o sou. N\u00e3o preciso s\u00ea-lo, a ci\u00eancia me ampara no tema de hoje. Voc\u00eas at\u00e9 que mereciam algo mais emotivo depois de ler o aterro sanit\u00e1rio das duas p\u00e1ginas acima, mas n\u00e3o \u00e9 o momento. Estou aqui para provar que, ao contr\u00e1rio do Somir, animais podem sim amar.<\/p>\n<p>Sem romantismos: amor n\u00e3o acontece quando um cupido te flecha, quando Deus te manda sua outra metade ou quando sua alma g\u00eamea cruza sua vida. O que est\u00e1 por tr\u00e1s do amor \u00e9 qu\u00edmica + la\u00e7os que se consolidam com a conviv\u00eancia. E tudo indica que alguns animais s\u00e3o capazes se ambos. Certeza absoluta nem Somir nem eu teremos, mas acredito que os ind\u00edcios tendem para o meu lado.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento, vamos deixar todas as nossas percep\u00e7\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o com os animais de lado, afinal, podemos acabar vendo o que queremos ver. Vamos focar na ci\u00eancia, apenas na ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Em uma simplifica\u00e7\u00e3o que chega a ser ofensiva, o c\u00e9rebro humano tem alguma c\u00e9lulas respons\u00e1veis pelos sentimentos: as c\u00e9lulas fusiformes. S\u00e3o essas c\u00e9lulas que viabilizam nossas rela\u00e7\u00f5es sociais, intera\u00e7\u00e3o entre pensamentos e a cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos movidos a sentimentos. Exclusividade humana? Assim se acreditava, at\u00e9 pouco tempo, quando descobriram que outros animais, como golfinhos, baleias e chimpanz\u00e9s tamb\u00e9m tem c\u00e9lulas fusiformes. Voc\u00ea pode at\u00e9 questionar se a presen\u00e7a destas c\u00e9lulas, por si s\u00f3, \u00e9 suficiente para afirmar que animais podem amar. Talvez n\u00e3o, mas avaliando o conjunto da obra, elas s\u00e3o um forte ind\u00edcio.<\/p>\n<p>Quando n\u00f3s, humanos, estamos nos primeiros est\u00e1gios do amor, uma \u00e1rea do c\u00e9rebro chamada \u201cn\u00facleo caudado\u201d solta fogos de artif\u00edcio. Pois bem, pesquisadores treinaram cachorros para ficarem quietos em aparelhos de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e os expuseram a diversos est\u00edmulos: cheiro de c\u00e3es desconhecidos, cheiro de c\u00e3es conhecidos, cheiro de humanos desconhecidos, cheiro dos pr\u00f3prios pesquisadores e&#8230; cheiro de seus donos. Adivinha qual foi o cheiro que fez o n\u00facleo caudado soltar fogos? Isso mesmo, o cheiro de seus donos. Os c\u00e3es conhecidos at\u00e9 despertaram uma sensa\u00e7\u00e3o de alegria, mas nem perto do que eles sentiam com o cheiro dos donos. No ser humano, indica amor, nos c\u00e3es n\u00e3o?<\/p>\n<p>O neurotransmissor dopamina \u00e9 crucial para n\u00f3s, humanos no processamento de emo\u00e7\u00f5es. Curiosamente, a dopamina est\u00e1 presente na maioria dos mam\u00edferos tamb\u00e9m. Alguns mam\u00edferos tem sentimentos de autoconsci\u00eancia, tem alguma forma de capacidade reflexiva, ainda que n\u00e3o exatamente igual \u00e0 dos humano. Experimentos mostram que animais s\u00e3o capazes de sentir pena, empatia e outros sentimentos at\u00e9 bem pouco tempo considerados exclusivamente humanos (n\u00e3o vou me aprofundar pois j\u00e1 fiz um texto s\u00f3 sobre isso).<\/p>\n<p>Quer dizer, eles sentem a porra toda, s\u00f3 amor que n\u00e3o? Racionalmente, n\u00e3o faz sentido. N\u00e3o sou uma pessoa carente querendo acreditar que meu pet me ama, sou uma pessoa que n\u00e3o tem animal de estima\u00e7\u00e3o encarando a discuss\u00e3o de forma racional. S\u00f3 porque o amor n\u00e3o \u00e9 exatamente nos moldes do amor humano, n\u00e3o quer dizer que ele n\u00e3o exista.<\/p>\n<p>Bastante arrogante achar que apesar das c\u00e9lulas fusiformes, apesar do n\u00facleo caudado, apesar da dopamina, apesar das rea\u00e7\u00f5es dos animais, n\u00f3s somos uma elite animal que det\u00e9m com exclusividade o nobre sentimento que \u00e9 o amor. Chega a ser inoc\u00eancia. Do meu ponto de vista, amor \u00e9 qu\u00edmica, que posteriormente \u00e9 consolidada com uma rela\u00e7\u00e3o de conviv\u00eancia. Animais tem essa capacidade qu\u00edmica e certamente tem chances de consolidar sentimentos com la\u00e7os de conviv\u00eancia. Quem tem animais (e n\u00e3o \u00e9 morto pode dentro) sabe que muitos dos atos de carinho, de afeto, de amor s\u00e3o por iniciativa deles e n\u00e3o condicionamento.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode dizer que os animais s\u00e3o condicionados a agir ou emular comportamentos humanos, mas um olhar mais cuidadoso em animais selvagens derruba esse argumento. Elefantes s\u00e3o um belo exemplo. Sua organiza\u00e7\u00e3o social, a forma como lidam com a morte de um membro e at\u00e9 mesmo estudos sobre a qu\u00edmica do seu organismo depois dessa morte mostram que eles podem ser clinicamente diagnosticados com depress\u00e3o ap\u00f3s uma perda. Elefantes que nunca tiveram contato com humanos se re\u00fanem em torno do elefante morto, depositam flores, folhas e galhos no seu corpo e choram copiosamente.<\/p>\n<p>\u00c9 condicionamento? \u00c9 instinto? Sua qu\u00edmica cerebral sugere sinais de depress\u00e3o, de sofrimento. Sofrem a perda por qual motivo se n\u00e3o amavam o membro? Para quem quer for\u00e7ar a amizade e dizer que a morte de um membro coloca em risco a manada, o mesmo acontece com natimortos, que em nada garantem a sobreviv\u00eancia da manada. M\u00e3es elefantes choram por dias quando seu beb\u00ea nasce morto e a qu\u00edmica do seu organismo d\u00e1 sinais de estresse e depress\u00e3o similares aos de um humano que perdeu um membro querido.<\/p>\n<p>Antropomorfismo? Tem quem o fa\u00e7a, mas n\u00e3o \u00e9 o caso. V\u00e1rios estudos de chimpanz\u00e9s, orangotangos, golfinhos e elefantes no seu habitat natural, sem qualquer condicionamento ou interfer\u00eancia humana mostram uma organiza\u00e7\u00e3o social e at\u00e9 mesmo rituais que indicam sentimentos. At\u00e9 a\u00ed, poderia ser achismo, ou proje\u00e7\u00e3o. Mas com a evolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, com aparelhos de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, com o estudo da bioqu\u00edmica cerebral, conseguimos ir al\u00e9m e detectar a similaridade n\u00e3o s\u00f3 se comportamento, como tamb\u00e9m de rea\u00e7\u00e3o bioqu\u00edmica. Ao que tudo indica, animais podem sim amar uns aos outros e amar a seres humanos.<\/p>\n<p>Inclusive um dos estudos cient\u00edficos que li para escrever este texto j\u00e1 come\u00e7ava dizendo, em seu t\u00edtulo, que cachorros sentem as mesmas emo\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as de sete anos. Voc\u00ea acha que uma crian\u00e7a de sete anos n\u00e3o \u00e9 capaz de sentir amor? Ou ent\u00e3o, quem sabe, Somir sabe mais sobre o assunto do que um cientista renomado, afinal, Somir sabe tudo e est\u00e1 sempre certo.<\/p>\n<p>Obviamente n\u00e3o s\u00e3o todos os animais, uma formiga, por exemplo, n\u00e3o tem a capacidade de amar. Mas da\u00ed a jogar todos os animais no mesmo saco e se apropriar do afeto, do amor, como exclusividade humana? N\u00e3o. Arrogante demais. C\u00e3es que seguem seus donos at\u00e9 o t\u00famulo e ali morrem de fome foram condicionados a isso? N\u00e3o creio, o animal \u00e9 condicionado, antes de mais nada, a sobreviver. Seu instinto manda que busque comida e abrigo. Algum revert\u00e9rio neuroqu\u00edmico aconteceu na cabecinha daquele cachorro, para que ele cometa esse \u201csuic\u00eddio\u201d, para que ele passe fome at\u00e9 morrer. E essa dor n\u00e3o vem do nada, n\u00e3o vem da sensa\u00e7\u00e3o da matilha, pois na natureza eles n\u00e3o fazem isso quando um membro morre. Vem do la\u00e7o que ele construiu com o humano. Hachiko virou filme justamente pelo espanto que causou nas pessoas e na comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Nem tudo no mundo animal \u00e9 condicionamento. Nem tudo \u00e9 instinto. Talvez animais n\u00e3o sejam t\u00e3o burros e toscos como muitos pensam. \u00c9 poss\u00edvel ter certeza absoluta que eles tem a capacidade de nos amar? N\u00e3o, assim como tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter a certeza absoluta que um ser humano nos ama, mas juntando a parte cient\u00edfica com a comportamental, eu levo muito mais f\u00e9 no amor de um cachorros do que no amor de um ser humano. E voc\u00ea?<\/p>\n<h3>Para dizer que a conclus\u00e3o que fica \u00e9 a de que o Somir n\u00e3o tem capacidade de amar, para dizer que no futuro descobrir\u00e3o que humanos \u00e9 que n\u00e3o sabem amar ou ainda para se preocupar com o clima hostil no ar: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O amor est\u00e1 no ar. 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