{"id":853,"date":"2011-06-09T04:33:00","date_gmt":"2011-06-09T07:33:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=853"},"modified":"2011-06-09T04:33:00","modified_gmt":"2011-06-09T07:33:00","slug":"desfavor-explica-metodo-cientifico-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2011\/06\/desfavor-explica-metodo-cientifico-parte-2\/","title":{"rendered":"Desfavor explica: M\u00e9todo Cient\u00edfico &#8211; Parte 2"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" alt=\"Chimpanz\u00e9 sem pelos, m\u00e9todo cient\u00edfico?\" class=\"titleimg\" src=\"http:\/\/i363.photobucket.com\/albums\/oo74\/desfavor\/img\/dex_metodo02.jpg\" \/><b><span style=\"background-color: #cc0000; color: white;\">&nbsp; ATEN\u00c7\u00c3O: Nenhum chimpanz\u00e9 foi ferido na produ\u00e7\u00e3o deste texto.&nbsp;<\/span><\/b><\/p>\n<p><b>No \u00faltimo cap\u00edtulo:<\/b> O ser humano tem uma impressionante capacidade de reconhecer e memorizar padr\u00f5es, o que acelera, e muito, o ac\u00famulo e utiliza\u00e7\u00e3o do conhecimento dispon\u00edvel. Mas essa mesma capacidade pode se voltar contra n\u00f3s no caso de uma conclus\u00e3o l\u00f3gica, por\u00e9m err\u00f4nea. Se est\u00e1 confuso, <a href=\"http:\/\/blog.desfavor.com\/2011\/05\/desfavor-explica-metodo-cientifico.html\">leia a Parte 1<\/a>.<\/p>\n<p><b>Nota:<\/b> N\u00e3o vou tentar tra\u00e7ar o m\u00e9todo cient\u00edfico como uma cria\u00e7\u00e3o com ponto hist\u00f3rico exato. Grandes pensadores, fil\u00f3sofos e cientistas tiveram sua parte no que definimos hoje. E nem como algo definitivo. O m\u00e9todo evoluiu com o tempo e n\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o para acreditar que n\u00e3o continuar\u00e1 no futuro.<\/p>\n<h1>Parte 2: TEORIA MEU OVO!<\/h1>\n<h2>CIENTIFIQU\u00caS<\/h2>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o adora quando algum cretino come\u00e7a com aquele papinho de &#8220;isso \u00e9 s\u00f3 uma teoria!&#8221; para desclassificar as explica\u00e7\u00f5es racionais para o seu mundinho de fantasia? Nem eu. O problema nem \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de que \u00e9 mesmo s\u00f3 uma teoria, porque \u00e9. O problema \u00e9 a no\u00e7\u00e3o err\u00f4nea que as pessoas tem sobre o que \u00e9 uma teoria cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Os cientistas tem seus termos espec\u00edficos, alguns deles se parecem muito com termos do nosso dia-a-dia, mas a maioria deles tem defini\u00e7\u00f5es bem particulares. Teoria, por exemplo&#8230; Para o cidad\u00e3o comum, teoria tende a soar como sin\u00f4nimo de hip\u00f3tese (palpite, chute&#8230;).<\/p>\n<p>Para a ci\u00eancia, teoria e hip\u00f3tese s\u00e3o dois bichos bem diferentes. A Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um palpite de Charles Darwin que calhou de ficar famoso. Ela \u00e9 baseada nos nerd\u00edssimos estudos do pr\u00f3prio durante toda a vida, al\u00e9m de incont\u00e1veis participa\u00e7\u00f5es da comunidade cient\u00edfica a partir dali. Evid\u00eancias, testes, teorias paralelas, discuss\u00f5es, gente doidinha para provar tudo aquilo errado&#8230; Teoria tem que resistir a uma enormidade de desafios para se manter de p\u00e9. Inclusive provar o que diz.<\/p>\n<p>Jamais confundir a &#8220;teoria&#8221; que se formula em bares depois de meia d\u00fazia de cervejas com as Teorias que sobreviveram ao ceticismo e ao ego da comunidade cient\u00edfica. Voc\u00ea deve estar se perguntando porque n\u00e3o vira FATO depois de tanta confirma\u00e7\u00e3o, e a resposta \u00e9 simples: Teorias foram feitas para ser derrubadas. Uma das coisas mais inteligentes que a humanidade pode fazer \u00e9 n\u00e3o se agarrar demais nas conclus\u00f5es que chega.<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 dizer que viu a ma\u00e7\u00e3 cair e isso \u00e9 um fato. Outra completamente diferente \u00e9 explicar a for\u00e7a que age na ma\u00e7\u00e3 que cai. Newton formulou teorias excelentes sobre a gravidade. Teorias que geraram leis.<\/p>\n<p>Lei n\u00e3o \u00e9 mais &#8220;forte&#8221; que teoria na ci\u00eancia. Lei \u00e9 uma hip\u00f3tese que rende resultados t\u00e3o consistentes ao ponto de n\u00e3o termos mais necessidade de ficar confirmando. A n\u00e3o ser, \u00e9 claro, que voc\u00ea tenha bons motivos. Uma lei \u00e9 causa e consequ\u00eancia, n\u00e3o depende da explica\u00e7\u00e3o para continuar valendo.<\/p>\n<p>A Lei de Newton resistiu ao desafio do tempo. A Teoria, nem tanto. A relatividade a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica mostraram novas formas de lidar com o assunto. Teorias nascem, crescem e morrem, mas N\u00c3O s\u00e3o chutes.<\/p>\n<h2>M\u00c9TODO EM ETAPAS<\/h2>\n<p>Finalmente, hein? Assim como meus textos, a ci\u00eancia tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 muito afeita a apressar as conclus\u00f5es. A id\u00e9ia de se ter um m\u00e9todo para validar o conhecimento adquirido visa limitar o papel da &#8220;vontade&#8221; do cientista, que, no final das contas, \u00e9 t\u00e3o humano quanto qualquer outro. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que estudos sobre fantasmas, alien\u00edgenas, poderes ps\u00edquicos e curas m\u00edsticas raramente s\u00e3o levados a s\u00e9rio, o pesquisador acaba se concentrando apenas no que quer achar e ignorando tudo mais ao seu redor.<\/p>\n<p>Existem v\u00e1rias formas de definir cada uma das etapas, vai ser dif\u00edcil achar um consenso perfeito sobre nomenclaturas e agrupamentos de a\u00e7\u00f5es, mas as etapas abrangentes que defino aqui cobrem o principal:<\/p>\n<h2>OBSERVA\u00c7\u00c3O<\/h2>\n<p>\u00c9 aqui onde tudo come\u00e7a. N\u00e3o \u00e0 toa, \u00e9 a parte mais democr\u00e1tica do processo. Todos n\u00f3s temos a capacidade de reconhecer padr\u00f5es e entender liga\u00e7\u00f5es entre objetos e fatos aparentemente distintos. Uma pesquisa n\u00e3o pode come\u00e7ar de forma totalmente aleat\u00f3ria, alguma coisa tem que ligar o &#8220;Ser\u00e1?&#8221; na cabe\u00e7a de quem vai seguir o processo.<\/p>\n<h4 style=\"color: #666666;\">Por exemplo: Dr. R. Pilha vai ao zool\u00f3gico, curioso sobre o chimpanz\u00e9 pelado anunciado pelo telejornal. Em frente \u00e0 jaula, fica impressionado com a complei\u00e7\u00e3o f\u00edsica do s\u00edmio. Sem a pelagem, o animal \u00e9 capaz de fazer inveja a qualquer pudim de bomba de academia. Uma crian\u00e7a remelenta ao seu lado come\u00e7a a berrar, a m\u00e3e, uma mulher gorda vestindo uma roupa claramente menor do que deveria, contemplava inerte. Os outros visitantes pr\u00f3ximos ficam claramente irritados com a evidente falta de educa\u00e7\u00e3o e respeito pelos ouvidos alheios do garoto.<\/p>\n<p>O chimpanz\u00e9 come\u00e7a a demonstrar seu descontentamento respondendo aos gritos do irritante moleque. Para a surpresa do Dr., o chimpanz\u00e9 fica de saco cheio antes e resolve assustar o projeto de gente com um movimento brusco em sua dire\u00e7\u00e3o. O moleque sai chorando dali, a m\u00e3e acaba acompanhando sua prole, n\u00e3o sem antes dar uma bronca num funcion\u00e1rio, exigindo que se acorrentasse o animal para que ele n\u00e3o assuste mais crian\u00e7as. Nosso cientista respons\u00e1vel agradece o chimpanz\u00e9, fazendo os demais ca\u00edrem na gargalhada e aplaudirem o macaco pelado dentro da jaula.<\/p>\n<p>Eis que a compara\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as humanas e chimpanz\u00e9s adultos o acerta como um raio: &#8220;Ser\u00e1?&#8221;<\/h4>\n<h2>HIP\u00d3TESE<\/h2>\n<p>Fazer a pergunta certa costuma valer mais do que ter a resposta certa. Nessa etapa, o pesquisador vai formular uma hip\u00f3tese baseado no conhecimento pr\u00e9vio do assunto em quest\u00e3o. At\u00e9 por isso os cientistas tendem a se concentrar num conjunto de temas bem espec\u00edfico: Grandes chances de voc\u00ea fazer uma pergunta est\u00fapida se n\u00e3o tiver conhecimento avan\u00e7ado sobre a \u00e1rea que vai explorar. \u00c9 importante valorizar A PERGUNTA, e n\u00e3o a resposta que se espera. A hip\u00f3tese tem que ser abrangente o suficiente para fazer valer a pesquisa e espec\u00edfica o suficiente para sua resposta ter utilidade.<\/p>\n<p><i>&#8220;Cigarro mata.&#8221;<\/i> \u00e9 uma p\u00e9ssima hip\u00f3tese, n\u00e3o \u00e9 cient\u00edfico abrir uma pesquisa para confirmar uma afirma\u00e7\u00e3o, est\u00e1 tudo gen\u00e9rico demais, at\u00e9 mesmo ser atropelado por um caminh\u00e3o da Souza Cruz poderia valer como evid\u00eancia&#8230;<\/p>\n<p><i>&#8220;Tabagismo aumenta a probabilidade de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o?&#8221;<\/i> \u00e9 uma bem melhor. N\u00e3o est\u00e1 tentando concluir nada pela hip\u00f3tese, definiu a busca da liga\u00e7\u00e3o probabil\u00edstica (n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 SIM ou N\u00c3O) entre tabagismo (h\u00e1bito de fumar) e c\u00e2ncer de pulm\u00e3o (doen\u00e7a normalmente fatal).<\/p>\n<h4 style=\"color: #666666;\">Voltando ao exemplo: Dr. R. Pilha volta para o laborat\u00f3rio decidido a se aprofundar no assunto. Depois de estudar a fundo outros estudos sobre crian\u00e7as e chimpanz\u00e9s, percebe que ningu\u00e9m ainda pesquisou sobre a possibilidade de chimpanz\u00e9s adultos serem mais evolu\u00eddos do que crian\u00e7as humanas. Estava decidido, aquilo ali seria seu novo projeto!<\/h4>\n<h2>EXPERIMENTOS<\/h2>\n<p>Ok, j\u00e1 observamos e j\u00e1 definimos a hip\u00f3tese. N\u00e3o d\u00e1 s\u00f3 para sentar num banquinho e come\u00e7ar a pensar numa resposta. A mente humana \u00e9 um campo minado de falsos positivos prontos para detonar qualquer racioc\u00ednio l\u00f3gico descuidado. E \u00e9 aqui que se separa homens de meninos: O cientista n\u00e3o pode ter nenhuma frescura de querer que os resultados dos experimentos concordem com sua id\u00e9ia inicial. As evid\u00eancias falam por si (momento Grisson).<\/p>\n<p>\u00c9 a partir daqui que come\u00e7a a maior possibilidade de encontrar algo completamente novo e mudar o rumo da pesquisa. Talvez at\u00e9 uma nova hip\u00f3tese. Estimativas um tanto quanto fanfarronas dizem que entre um ter\u00e7o e metade das grandes descobertas cient\u00edficas foram &#8220;surpresas&#8221; para quem estava pesquisando outras coisas. Fleming esqueceu de guardar uma col\u00f4nia de bact\u00e9rias de um dia para o outro e elas foram &#8220;invadidas&#8221; por fungos&#8230; Humanidade, penicilina. Penicilina, humanidade.<\/p>\n<p>Apesar da chance de surpresas, essa \u00e9 a fase mais s\u00e9ria do processo. O resultado de um teste pode ser influenciado por uma enormidade de fatores, o que obriga o cientista a &#8220;limpar&#8221; as amostras o m\u00e1ximo poss\u00edvel e repetir os experimentos sempre que poss\u00edvel. A palavra chave \u00e9 consist\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para fazer um teste sobre os efeitos de um rem\u00e9dio se n\u00e3o tiver um grupo que recebe o placebo, por exemplo. Quem garante que as pessoas n\u00e3o est\u00e3o inventando (mesmo sem inten\u00e7\u00e3o) os resultados que revelam? Pseudo-ci\u00eancia DEITA E ROLA no efeito placebo. Escolhem pessoas que QUEREM que a m\u00e1gica da vez seja verdade e s\u00f3 pesquisam isso.<\/p>\n<p>E se os grupos tiverem alguma diferen\u00e7a significativa de estilo de vida? Uma droga para redu\u00e7\u00e3o de peso pode funcionar muito bem para o grupo rico e muito mal para o grupo pobre. Ricos tem muito mais facilidade para se alimentar de forma saud\u00e1vel. Numa dessas \u00e9 capaz do cientista achar que a droga s\u00f3 funciona para pessoas brancas&#8230; (Escroto, eu sei&#8230;)<\/p>\n<p>Cada \u00e1rea da ci\u00eancia tem seus experimentos, mas nenhuma delas est\u00e1 livre de &#8220;sujeiras&#8221; nos seus experimentos.<\/p>\n<h4 style=\"color: #666666;\">Ah, o exemplo: Depois de v\u00e1rios experimentos, dentre eles um conclusivo estudo sobre a capacidade de um chimpanz\u00e9 vencer 3.291 crian\u00e7as numa briga, Dr. R. Pilha estava come\u00e7ando a perceber que sua hip\u00f3tese era furada. As crian\u00e7as (as ainda vivas) eram bem mais educadas e inteligentes que os chimpanz\u00e9s nos testes controlados. Capacidade cognitiva, localiza\u00e7\u00e3o espacial, empatia&#8230; Os fedelhos estavam dando um show. Sim, os chimpanz\u00e9s eram mais fortes, mas basicamente s\u00f3 isso. Prestes a desistir da pesquisa, o Dr. observou um evento que traria um sopro de vida para seu trabalho.<\/p>\n<p>Um dos pais precisou sair mais cedo, por isso adentrou a sala de testes para pegar sua cria. No exato momento em que a crian\u00e7a percebeu a aproxima\u00e7\u00e3o do pai, errou um teste absolutamente banal de conex\u00e3o entre cores e formas. O chimpanz\u00e9 do outro lado da grade n\u00e3o teve dificuldades.<\/p>\n<p>Avisado sobre sua necessidade de sair, a crian\u00e7a come\u00e7ou a emitir sons extremamente irritantes, al\u00e9m de chorar de forma excessivamente dram\u00e1tica. O pai ficou confuso por alguns segundos, e sem dizer uma palavra pegou a crian\u00e7a pelos bra\u00e7os, arrastando-a, aos berros, pelo ch\u00e3o. O garoto chutava e tentava escapar de todas as formas, o pai come\u00e7ara a gritar tamb\u00e9m. O chimpanz\u00e9, pouco impressionado, voltou-se para o outro lado da sua gaiola e come\u00e7ou a brincar com algumas pe\u00e7as coloridas.<\/p>\n<p>A cena dantesca continuou at\u00e9 o exterior do pr\u00e9dio, o Dr. podia ouvir a crian\u00e7a e o pai berrando, feito s\u00edmios, de dentro de sua sala. Percebendo a oportunidade, refez a maioria dos testes com os pais das crian\u00e7as DENTRO do ambiente controlado. Mais uma vez sem os pais. Mais uma vez com os pais. Os resultados foram conclusivos.<\/h4>\n<h2>CONCLUS\u00c3O\/PUBLICA\u00c7\u00c3O<\/h2>\n<p>Se fez experimentos, alguma conclus\u00e3o tem que sair. Mesmo que seja inconclusiva. N\u00e3o estou drogado, a quest\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o havia nenhuma garantia de provar a hip\u00f3tese desde o come\u00e7o. Por isso era uma hip\u00f3tese. Mas conhecimento sempre tem sua utilidade. Aqui n\u00e3o \u00e9 hora de deixar o ego falar mais alto e tentar criar significados grandiosos para sua pesquisa, a conclus\u00e3o, assim como as evid\u00eancias, fala por si. Uma boa conclus\u00e3o fala sobre o assunto estudado baseada apenas em conhecimento validado pelos testes.<\/p>\n<p>O problema aqui \u00e9 que nem todas as pesquisas chegam de verdade \u00e0 conclus\u00e3o. Sabem aqueles estudos que pipocam no jornal a cada semana criando her\u00f3is e vil\u00f5es da sa\u00fade? Aqueles que dizem que ovo faz mal e logo depois que faz bem? Eles n\u00e3o costumam ser estudos completos. Eles s\u00e3o HIP\u00d3TESES validadas por uma etapa de observa\u00e7\u00e3o um pouco mais caprichada. Os jornalistas n\u00e3o sabem muito bem o que \u00e9 o qu\u00ea e publicam hip\u00f3teses como se fossem conclus\u00f5es.<\/p>\n<p>Nem sempre o cientista quer esperar o processo completo para publicar. Publicar um estudo na fase de hip\u00f3tese pode ser pregui\u00e7a, mas \u00e9 mais prov\u00e1vel que seja um misto de necessidade de financiamento (a fase dos experimentos pode ser muito cara), coloca\u00e7\u00e3o profissional e massagem no ego. Cientista costuma se medir pelo n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es, eles entendem quando \u00e9 um estudo completo e quando \u00e9 uma &#8220;pr\u00e9via&#8221;. Jornalistas e pessoas &#8220;comuns&#8221; n\u00e3o.<\/p>\n<p>Se ele n\u00e3o publicar, some para a comunidade. Nem todo mundo tem pai rico feito o Darwin e pode ficar escondido numa sala estudando plantinhas a vida toda (ainda bem que ele tinha, n\u00e3o me entendam mal&#8230;).<\/p>\n<p>E se ele n\u00e3o publicar, como \u00e9 que outras pessoas v\u00e3o poder estudar e ajudar essas id\u00e9ias a aumentar nosso conhecimento em geral? Seu estudo s\u00f3 \u00e9 forte quando muita gente tenta te provar errado e n\u00e3o consegue. Seu estudo s\u00f3 \u00e9 \u00fatil se outros cientistas podem expandir e aplicar suas informa\u00e7\u00f5es em outros campos e especialidades. Publicar \u00e9 saud\u00e1vel para a ci\u00eancia, mesmo que gere algumas complica\u00e7\u00f5es para os leigos.<\/p>\n<p>Tendo acesso ao estudo original, voc\u00ea consegue entender se ele est\u00e1 completo ou n\u00e3o. Sabem a not\u00edcia que pipocou na m\u00eddia sobre a rela\u00e7\u00e3o entre celulares e c\u00e2ncer? N\u00e3o foi um estudo completo. Foi uma an\u00e1lise de v\u00e1rios outros estudos que gerou uma hip\u00f3tese razo\u00e1vel de liga\u00e7\u00e3o entre as duas coisas. Pra bater o martelo precisa de muito mais do que isso. Ningu\u00e9m disse que voc\u00ea VAI ficar com c\u00e2ncer se usar muito o celular (embora eu ache bacana, esse povo fala demais&#8230;).<\/p>\n<p>E eu nem estou batendo na Ag\u00eancia Internacional de Pesquisa sobre o C\u00e2ncer, os caras est\u00e3o fazendo o trabalho deles. A m\u00eddia que pula em todos os estudos como se eles fossem totalmente conclusivos.<\/p>\n<h4 style=\"color: #666666;\">Putz, o exemplo: Dr. R. Pilha apresenta ent\u00e3o sua conclus\u00e3o para a comunidade cient\u00edfica. Sem os pais na sala, as crian\u00e7as eram mais inteligentes, com os pais, algumas esqueciam completamente a educa\u00e7\u00e3o e perdiam de lavada para os chimpanz\u00e9s. O mundo cai aos p\u00e9s do brilhante cientista que provou, de uma vez por todas, que aqueles pais que deixam suas crian\u00e7as encherem o saco de todo mundo em lugares p\u00fablicos s\u00e3o menos evolu\u00eddos que um chimpanz\u00e9.<\/h4>\n<p>Nosso cientista do exemplo observou um acontecimento, gerou uma hip\u00f3tese, testou e descobriu algo inesperado. Adaptou suas id\u00e9ias \u00e0s evid\u00eancias e finalmente pode concluir algo de \u00fatil. E viva a ci\u00eancia!<\/p>\n<h3>Para dizer que nemleu, para reclamar do exemplo dizendo que temos preconceito contra pais aqui no desfavor (n\u00e3o, os nossos foram excelentes&#8230;), ou mesmo para achar defeitos no que escrevi em nome da ci\u00eancia (peer review: desfavor edition): <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; ATEN\u00c7\u00c3O: Nenhum chimpanz\u00e9 foi ferido na produ\u00e7\u00e3o deste texto.&nbsp; No \u00faltimo cap\u00edtulo: O ser humano tem uma impressionante capacidade de reconhecer e memorizar padr\u00f5es, o que acelera, e muito, o ac\u00famulo e utiliza\u00e7\u00e3o do conhecimento dispon\u00edvel. Mas essa mesma capacidade pode se voltar contra n\u00f3s no caso de uma conclus\u00e3o l\u00f3gica, por\u00e9m err\u00f4nea. 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