{"id":8606,"date":"2015-07-21T06:00:01","date_gmt":"2015-07-21T09:00:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=8606"},"modified":"2015-07-21T02:24:42","modified_gmt":"2015-07-21T05:24:42","slug":"i-am","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2015\/07\/i-am\/","title":{"rendered":"I Am"},"content":{"rendered":"<p>\u201cI Am\u201d \u00e9 um document\u00e1rio protagonizado pelo diretor de cinema Tom Shadyac. Se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 ligando o nome \u00e0 pessoa, ele \u00e9 um diretor de sucesso que j\u00e1 ganhou v\u00e1rios Oscars. Voc\u00ea deve ter visto algum filme dele: Ace Ventura, O Mentiroso, O Professor Aloprado, Todo Poderoso, Patch Adams e outros.<!--more--><\/p>\n<p>Depois de sofrer um acidente com alguns desdobramentos que o fazem refletir, ele decide tentar encontrar resposta para algumas perguntas e acaba fazendo um document\u00e1rio estudando a humanidade, buscando um novo ponto de vista, questionando coisas que normalmente ningu\u00e9m questiona.<\/p>\n<p>Para isso ele se vale de algumas pesquisas cient\u00edficas e de entrevistas com pessoas que alguma vez na vida o levaram a refletir: cientistas, psic\u00f3logos, lideres religiosos, escritores, professores e at\u00e9 poetas. Ele vai atr\u00e1s dessas pessoas e as enche de perguntas, juntando todas as respostas de forma complementar.<\/p>\n<p>N\u00e3o espere nada grandioso em mat\u00e9ria de efeitos gr\u00e1ficos, \u00e9 um document\u00e1rio feito por uma equipe de quatro pessoas no melhor estilo \u201cuma c\u00e2mera na m\u00e3o\u201d. Tom Shadyac, que passou a vida toda trabalhando com equipes de 400 pessoas, optou por fazer algo simples dessa vez. Mas simples n\u00e3o \u00e9 necessariamente ruim, o resultado \u00e9 sensacional.<\/p>\n<p>Mesmo sem grandes efeitos visuais, o document\u00e1rio se presta ao que se prop\u00f5e: levantar discuss\u00f5es e reflex\u00f5es. Talvez (e provavelmente) voc\u00ea n\u00e3o concorde com muita coisa que ser\u00e1 apresentada, o que \u00e9 muito saud\u00e1vel. Mas duvido que n\u00e3o te fa\u00e7a refletir. Esse \u00e9 o grande objetivo de um bom document\u00e1rio, estimular a reflex\u00e3o e o pensamento cr\u00edtica, e n\u00e3o mostrar verdades absolutas e respostas fechadas.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo do document\u00e1rio, \u201cI am\u201d (\u201cEu sou\u201d) j\u00e1 me pareceu genial, no contexto em que ele \u00e9 apresentado. A forma como ele \u00e9 conduzido tamb\u00e9m \u00e9 de uma delicadeza comovente. Assuntos pesados e profundos s\u00e3o tratados com uma leveza agrad\u00e1vel, onde um assunto puxa o outro de forma quase que impercept\u00edvel, concatenados por uma l\u00f3gica sutil. Quando voc\u00ea se d\u00e1 conta, j\u00e1 est\u00e1 refletindo. As raras pitadas de humor ajudam a tornar tudo mais palat\u00e1vel. Sabemos que de humor Tom Shadyac entende.<\/p>\n<p>Ele aparece como personagem, como condutor, como entrevistador e at\u00e9 como cobaia, em uma narrativa que foge ao convencional. Em muitos momentos flerta com clich\u00eas, mas tem a sabedoria de perme\u00e1-los com ci\u00eancia pura salva o document\u00e1rio de um caminho piegas que tende a ser inevit\u00e1vel nesse tipo de pauta. Seja uma nova vis\u00e3o dos estudos de Charles Darwin, seja a reavalia\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es do c\u00e9rebro e do cora\u00e7\u00e3o, raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o caminham de m\u00e3os dadas de forma harm\u00f4nica.<\/p>\n<p>Todos os estudos cient\u00edficos mostrados est\u00e3o vastamente documentados. Pode confiar na fonte. Salvo engano, est\u00e3o dispon\u00edveis no site dedicado ao document\u00e1rio, para quem deseje saber mais. \u201cI am\u201d n\u00e3o advoga em causa pr\u00f3pria, at\u00e9 porque, n\u00e3o levanta nenhuma bandeira. Assim como voc\u00ea e eu, ele tamb\u00e9m quer encontrar algumas respostas. S\u00f3 isso.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio mostra o que h\u00e1 de pior e de melhor no ser humano, um contraste interessante entre o que somos e o que acreditamos ser, que faz pensar e refletir sobre o que somos e o que queremos ser. Embri\u00f5es de teorias interessantes que mereceriam muitos e muitos document\u00e1rios cada uma delas.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o final \u00e9 aberta e a resposta encontrada por Tom Shadyac \u00e9 tratada como uma resposta, n\u00e3o como \u201ca\u201d resposta. Escolhas que ele fez que lhe serviram para o que ele buscava, que de forma alguma s\u00e3o impostas a terceiros. Muito pelo contr\u00e1rio, o est\u00edmulo \u00e9 no sentido de que cada qual trace sua linha, formule suas escolhas. E ele se mant\u00e9m coerente a estas escolhas at\u00e9 hoje, apesar do document\u00e1rio ter sido filmado em 2010, reafirmando que vive melhor assim.<\/p>\n<p>\u201cI am\u201d pode ser desconfort\u00e1vel para alguns, pela constante de chamar para si a responsabilidade de muitas coisas que gostamos de delegar. Levanta um v\u00e9u de ignor\u00e2ncia e comodismo de pensamento que muitos temos. Tira da zona de conforto. A proposta inicial de descobrir o que h\u00e1 de errado com o mundo e o que podemos fazer a esse respeito rapidamente muda o foco do externo para o interno, em um ponto de vista inesperado.<\/p>\n<p>Conceitos tidos como certos s\u00e3o questionados e redesenhados. \u00c9 sempre doloroso ver certezas ruindo, mas tamb\u00e9m \u00e9 enriquecedor absorver ou ao menos cogitar novos pontos de vista. Como ele mesmo diz no trailer \u201ccome\u00e7amos perguntando o que est\u00e1 errado com o mundo mas acabamos descobrindo o que est\u00e1 certo nele\u201d.<\/p>\n<p>Aviso: se voc\u00ea \u00e9 mach\u00e3o latino-americano subdesenvolvido e n\u00e3o chora na frente de terceiros, vai beber uma \u00e1gua na cena onde o filho reencontra o pai que estava em uma guerra. Grandes chances de voc\u00ea passar vergonha. Pede licen\u00e7a e diz que vai ao banheiro, que essa cena mexe com o emocional de qualquer pessoa que n\u00e3o seja morta por dentro.<\/p>\n<p>Aos poucos a imagem que temos da humanidade se redesenha e, com sorte, a imagem que temos de n\u00f3s mesmos. Certezas antigas d\u00e3o lugar a questionamentos e arrisco dizer que dificilmente uma pessoa sai a mesma depois de ter visto esse document\u00e1rio. Mais: a tend\u00eancia \u00e9 que saia com vontade de ser uma pessoa melhor, o que \u00e9 muito importante. E, para isso, n\u00e3o \u00e9 preciso adotar o caminho e as escolhas que Tom Shadyac adotou, \u00e9 preciso apenas reflex\u00e3o para compreender como voc\u00ea pode colaborar.<\/p>\n<p>Sem querer ser arrogante, muito do que est\u00e1 ali voc\u00ea j\u00e1 viu no Desfavor, mas nunca t\u00e3o bem apresentado. Vale a pena conferir, est\u00e1 dispon\u00edvel online, inclusive legendado para o portugu\u00eas.<\/p>\n<h3>Para dizer que desde que eu recomendei Rogerio Skylab eu perdi a credibilidade, para dizer que o problema s\u00e3o os outros ou ainda para pedir a opini\u00e3o de Siago Tomir: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cI Am\u201d \u00e9 um document\u00e1rio protagonizado pelo diretor de cinema Tom Shadyac. Se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 ligando o nome \u00e0 pessoa, ele \u00e9 um diretor de sucesso que j\u00e1 ganhou v\u00e1rios Oscars. 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