{"id":8837,"date":"2015-09-18T06:18:46","date_gmt":"2015-09-18T09:18:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=8837"},"modified":"2015-09-18T06:18:46","modified_gmt":"2015-09-18T09:18:46","slug":"sessao-privada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2015\/09\/sessao-privada\/","title":{"rendered":"Sess\u00e3o privada."},"content":{"rendered":"<p>Ariovaldo desistira. 26 anos de vida sem sequer ter beijado uma mulher. Faltava-lhe a coragem para qualquer intimidade com o sexo oposto. Desconfiava de algumas oportunidades perdidas, mas nada suficientemente s\u00f3lido para desfazer a impress\u00e3o que tamb\u00e9m era o caso de n\u00e3o ser suficientemente atraente para mulher alguma. Com o tempo, a ideia se instalou com tamanha for\u00e7a em sua cabe\u00e7a que nem tentar mais tentava. Resignou-se: aquilo n\u00e3o era para ele.<!--more--><\/p>\n<p>Horroroso n\u00e3o era. Mas j\u00e1 havia tempo que parara de se cuidar, a apar\u00eancia que poderia ser aceit\u00e1vel com um pouco mais de aten\u00e7\u00e3o deteriorou-se em cabelo mal cuidado, barba abandonada, f\u00edsico sedent\u00e1rio e senso de moda condizente com a rotina de sair da cama, ir para o computador&#8230; e voltar para a cama. O emprego que o permitia essa vida isolada tinha algo de ir\u00f4nico: revendia pela internet apostilas sobre como seduzir mulheres para outros desesperados. Materiais ris\u00edveis que nunca lhe ensinaram qualquer m\u00e9todo infal\u00edvel, como anunciava; coisas como &#8220;as cinco perguntas que fazem qualquer mulher querer fazer sexo com voc\u00ea&#8221;. Mesmo assim, as vendas iam bem, havia definitivamente um p\u00fablico para isso.<\/p>\n<p>Sua \u00fanica rela\u00e7\u00e3o com uma mulher, aparte de uma estranhada irm\u00e3 morando fora do pa\u00eds com a qual praticamente n\u00e3o se comunicava, consistia na adora\u00e7\u00e3o doentia por uma modelo num site de c\u00e2meras adultas, com a qual gastava em sess\u00f5es privadas e gorjetas praticamente todo o excedente de seus parcos custos mensais. Stella era o nome dela, ou pelo menos era esse o apelido escolhido para exercer sua profiss\u00e3o. Era de algum pa\u00eds do leste europeu e comunicava-se por um ingl\u00eas macarr\u00f4nico que por muitas vezes s\u00f3 podia ser decifrado por express\u00f5es ou contextos.<\/p>\n<p>Ariovaldo, escondido atr\u00e1s do nome de usu\u00e1rio ario_891, j\u00e1 havia ganhado alguma notoriedade por parte da modelo, pela assiduidade e principalmente pelo desprendimento ao pagar por horas e horas de lucrativos chats particulares. Apesar da insist\u00eancia de Stella, ario_891 jamais ligava sua c\u00e2mera de volta, preferindo observar a ser observado. Com o tempo, Ariovaldo fazia mais do que pedir por posi\u00e7\u00f5es ou feitos sexuais de sua escolhida, em diversas vezes apenas conversava sobre seu dia, inventando hist\u00f3rias sobre uma vida que com certeza jamais vivera. Fantasias de uma pessoa solit\u00e1ria com mais imagina\u00e7\u00e3o que experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Com o tempo, ambos acabaram criando at\u00e9 piadas internas. A pron\u00fancia deficit\u00e1ria de Stella na l\u00edngua inglesa criava palavras absolutamente novas em conjunto com as de sua l\u00edngua nativa. Algumas delas acabavam repetidas como uma l\u00edngua pr\u00f3pria do &#8220;casal&#8221;. Ambos sabiam seus significados naquele universo paralelo. Stella sempre pareceu muito interessada e disposta em suas conversas com Ariovaldo, mas sem perder o profissionalismo: acabado o dinheiro de seu cliente preferencial pelo dia, voltava logo \u00e0 labuta, procurando por quem tivesse como comprar seu disputado tempo. Numa dessas conversas terminada abruptamente por falta de fundos, uma das famosas frases inintelig\u00edveis de Stella acabou cortada. Ariovaldo ficou curioso sobre o significado daquilo, e mesmo sabendo que aquilo o deixaria no vermelho pelo resto do m\u00eas, pagou por uma extens\u00e3o.<\/p>\n<p>Stella voltara. Sorridente, prestativa e nua, como de costume. Ariovaldo tentou repetir a frase para ver se conseguia uma explica\u00e7\u00e3o. Mas seu sotaque tornava aquela sequ\u00eancia de palavras ainda mais cr\u00edptica. Percebeu logo que tinha criado ainda mais uma nova express\u00e3o para a l\u00edngua oficial dos dois. Mas, ao inv\u00e9s de rir como sempre fazia nesses desastres de tradu\u00e7\u00e3o, Stella ficou muda. Ariovaldo indagou se havia dito algo errado, ela continuou pensativa. Sess\u00e3o terminada para a surpresa dele. Ela ficara offline, inclusive devolvendo dinheiro para sua conta.<\/p>\n<p>O mundo de Ariovaldo ca\u00edra. De alguma forma, tinha estragado at\u00e9 aquela rela\u00e7\u00e3o doentia. Em p\u00e2nico, tentou escrever um pedido de desculpas gen\u00e9rico em mensagem privada a modelo. Mas n\u00e3o conseguiu terminar, um aviso de mensagem dela surgiu na tela. Stella escrevera um contato na mensagem, pedindo para ser adicionada num famoso programa de conversas instant\u00e2neas. Ariovaldo n\u00e3o falava com mais ningu\u00e9m, portanto, correu para instal\u00e1-lo. Naquele universo de modelos pagas para se despir, contatos pessoais eram at\u00e9 desencorajados pela seguran\u00e7a delas. Tinha algo s\u00e9rio ali.<\/p>\n<p>Em pouco tempo, ela aceitou o pedido de acesso. Ariovaldo estava falando com Stella&#8230; de gra\u00e7a. Rapidamente, Stella revelou seu nome real: Alina. Poucos segundos depois, um pedido de conversa por v\u00eddeo. Ariovaldo, ainda incipiente no programa, aceitou acreditando que tudo aconteceria da mesma forma que sempre aconteceu: ele vendo ela, mas ela n\u00e3o o vendo. Ao ver seu rosto estampado num canto da tela, indicando que finalmente estava se expondo para Stella, ou, Alina, tentou se esconder. Ela protestou, elogiando sua apar\u00eancia incisivamente. Depois de mais algum tempo de resist\u00eancia, Ariovaldo finalmente cedeu, voltando em toda sua gl\u00f3ria descabelada para o foco da webcam.<\/p>\n<p>Alina demonstrava uma inequ\u00edvoca fascina\u00e7\u00e3o pela imagem de Ariovaldo. Mesmo com as barreiras lingu\u00edsticas, naquele momento ele se sentia aceito e elogiado de uma forma que jamais experimentou antes. A modelo extremamente profissional havia se convertido numa mulher apaixonada em quest\u00e3o de minutos, fazendo juras de amor e insistindo em um encontro imediato, inclusive se prontificando a pagar do pr\u00f3prio bolso todos os custos. Ele n\u00e3o sabia como reagir. Esquivou-se, desconfiado. Depois de enorme insist\u00eancia, usando todas as armas que uma mulher atraente pode usar diante dos olhos de um homem, finalmente arrancou dele um endere\u00e7o. Disse sem deixar d\u00favidas que estava indo o encontrar, e desligou.<\/p>\n<p>Sem a coragem ou mesmo a chance de dizer que n\u00e3o tinha experi\u00eancia alguma com mulheres na vida real, Ariovaldo abriu seu arquivo de apostilas e colocou-se a estudar. Alguma coisa ali teria que mitigar os efeitos de encontrar com uma mulher daquelas sem jamais ter beijado uma de verdade. Horas e horas de leitura, madrugada adentro, absorvendo cada informa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel sobre como se agradar uma mulher. Faltava apenas uma, a sobre as palavras que fariam qualquer mulher querer fazer sexo com um homem. Resolveu ler como medida de seguran\u00e7a, se ela o visse ao vivo e perdesse o interesse, talvez tivesse como reverter a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E foi a\u00ed que fez uma liga\u00e7\u00e3o. Tinha dito algo para Alina segundos antes daquela rea\u00e7\u00e3o imprevis\u00edvel. Inexperiente na lida com o sexo oposto, sequer colocou em d\u00favida que tivesse encontrado uma f\u00f3rmula m\u00e1gica, um &#8220;Abre-te S\u00e9samo&#8221; para pernas. Tomou um banho, fez a barba, colocou a melhor roupa e foi atr\u00e1s da mulher mais pr\u00f3xima que conhecia: a caixa da padaria da esquina. Muito embora s\u00f3 tivesse trocado sauda\u00e7\u00f5es e coment\u00e1rios sobre formas de pagamento com ela at\u00e9 ali.<\/p>\n<p>Chegando l\u00e1, dirige-se direto para o caixa. Ela o sa\u00fada com um sorriso, esperando por um pedido. Ariovaldo limpa a garganta e logo emenda a sequ\u00eancia de palavras que havia dito para a modelo horas antes. A mo\u00e7a parece confusa por alguns segundos, mas logo ele pode perceber que suas bochechas ficam coradas. Ela come\u00e7a a passar a m\u00e3o pelo corpo, como se estivesse lutando contra um calor s\u00fabito. Sem pestanejar, pergunta se ele morava perto dali. Com a afirmativa dele, sai detr\u00e1s do balc\u00e3o do caixa, pega em sua m\u00e3o e sai apressando o passo de Ariovaldo.<\/p>\n<p>Ele vai apontando o curto caminho, sendo praticamente arrastado pela mo\u00e7a. Ao entrarem na casa, ela o agarra desesperadamente. Enquanto tenta enfiar a l\u00edngua dentro da garganta do est\u00e1tico Ariovaldo, despe-se o mais r\u00e1pido que pode. Ele, confuso, n\u00e3o consegue reagir de acordo. Nada funciona como deveria, mesmo com a insist\u00eancia da ninfoman\u00edaca da ocasi\u00e3o. Ariovaldo pede algum tempo para se recompor, mas n\u00e3o \u00e9 atendido. Os avan\u00e7os sexuais dela v\u00e3o se tornando cada vez mais agressivos. Visivelmente frustrada, ela desconta com viol\u00eancia no corpo de Ariovaldo. Ele tenta fugir, mas trope\u00e7a nas pr\u00f3prias cal\u00e7as arriadas.<\/p>\n<p>Estatelado no ch\u00e3o, \u00e9 montado pela mo\u00e7a. Ela tenta de todas as formas gerar uma rea\u00e7\u00e3o no corpo de Ariovaldo, sem sucesso. E a cada fracasso, reage de forma mais violenta. Todo arranhado, mordido e vermelho por sucessivos tapas, ele finalmente toma uma atitude e a imobiliza. Isso s\u00f3 parece colocar mais lenha na fogueira, ela demonstra uma for\u00e7a incompat\u00edvel com algu\u00e9m de seu tamanho. Depois de uma mordida especialmente funda, o bra\u00e7o de Ariovaldo come\u00e7a a sangrar. Ele perde a for\u00e7a do abra\u00e7o pela dor, fazendo-a se soltar.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a ent\u00e3o come\u00e7a a olhar fixamente para a ferida rec\u00e9m-causada por seus dentes. Um sorriso perturbador ocupa sua face. Ariovaldo pede, aos berros, para ela se retirar. N\u00e3o \u00e9 atendido. Logo ela se joga novamente por cima dele, mas sua boca n\u00e3o procura mais pela dele, e sim pelo seu bra\u00e7o. Sem cerim\u00f4nias, ela come\u00e7a a lamber o sangue. Algo que parece trazer imenso prazer, tendo em vista que seus gemidos o fazem lembrar de um dos tantos filmes pornogr\u00e1ficos que ocupavam seu tempo livre.<\/p>\n<p>Sem saber como reagir, ele permite aquela situa\u00e7\u00e3o. Ela parecia muito mais controlada focada em seu sangue. Menos amea\u00e7adora. E ele n\u00e3o a havia escolhido \u00e0 toa: ela realmente era muito agrad\u00e1vel ao olhar, principalmente sem nenhuma pe\u00e7a de roupa a lhe cobrir. Eventualmente, ela se levanta, procurando por algo. Ariovaldo agora estava finalmente entrando no clima, e podia entender que o desespero de sua parceira era resultado do que quer que tivesse a enfeiti\u00e7ado depois das palavras m\u00e1gicas. Com ela fora de vista, ele finalmente alcan\u00e7a um estado no qual pudesse se exibir com orgulho para uma mulher. Ele se levanta, procurando por ela.<\/p>\n<p>Escuta barulhos na cozinha, e segue para l\u00e1. A mulher est\u00e1 na frente de uma gaveta aberta, olhando fixamente para seus conte\u00fados. Ariovaldo decide abra\u00e7\u00e1-la por tr\u00e1s, explicitando pelo contato sua prepara\u00e7\u00e3o para o ato. Ela aceita o toque, estremecendo com um gemido suave. Ariovaldo ent\u00e3o usa a m\u00e3o para virar o rosto dela em dire\u00e7\u00e3o ao seu. \u00c9 quando ela mostra o que tinha nas m\u00e3os. Uma faca. Ele sente um movimento r\u00e1pido e uma imensa dor no abd\u00f4men. Ela acabara de enterrar uma faca de cozinha em seu corpo. Antes que consiga gritar, a faca alcan\u00e7a seu pesco\u00e7o, numa perfura\u00e7\u00e3o direta. Antes de desmaiar, consegue v\u00ea-la colocando a boca na ferida.<\/p>\n<p>Escurid\u00e3o.<\/p>\n<p>E luz. Uma luz forte. Os olhos queimam, a cabe\u00e7a gira. Um rosto masculino o traz de volta \u00e0 realidade. Um m\u00e9dico, que logo explica que ele passou por um ataque, mas foi socorrido a tempo pelos param\u00e9dicos. Conta tamb\u00e9m que a mulher que o atacou est\u00e1 presa, perguntando se era uma namorada ou amante. Ariovaldo tenta falar, mas a voz n\u00e3o sai. O m\u00e9dico o acalma, dizendo que seria tempor\u00e1rio, bastaria responder com sim ou n\u00e3o. Ele diz que n\u00e3o. O doutor ent\u00e3o avisa como ele teve sorte dos vizinhos chamarem a pol\u00edcia, porque ele estava a minutos de ter sangrado at\u00e9 a morte. Logo ap\u00f3s, sugere que Ariovaldo descanse e se vai do quarto.<\/p>\n<p>Algumas horas se passam. Enfermeiras entram e saem do quarto, checando o seu estado. Eventualmente Ariovaldo nem se importa mais, mantendo os olhos fechados e pensando no erro que havia cometido. Uma das enfermeiras ent\u00e3o come\u00e7a a mexer numa parte de seu corpo que nenhuma das outras havia tocado at\u00e9 ali. E aquele toque n\u00e3o parecia nada profissional.<\/p>\n<p>Ariovaldo abre os olhos. Alina. Ela sorri, olhando fixamente para seu pesco\u00e7o&#8230;<\/p>\n<h3>Para dizer que isso deve ser uma indireta, para dizer que o Ariovaldo mereceu, ou mesmo para dizer que duas mulheres sempre d\u00e3o merda: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ariovaldo desistira. 26 anos de vida sem sequer ter beijado uma mulher. Faltava-lhe a coragem para qualquer intimidade com o sexo oposto. Desconfiava de algumas oportunidades perdidas, mas nada suficientemente s\u00f3lido para desfazer a impress\u00e3o que tamb\u00e9m era o caso de n\u00e3o ser suficientemente atraente para mulher alguma. 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