{"id":8857,"date":"2015-09-23T06:00:47","date_gmt":"2015-09-23T09:00:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=8857"},"modified":"2015-09-25T02:32:00","modified_gmt":"2015-09-25T05:32:00","slug":"supervulcoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2015\/09\/supervulcoes\/","title":{"rendered":"Supervulc\u00f5es."},"content":{"rendered":"<p>Porque vulc\u00f5es normais s\u00e3o chatos. Supervulc\u00f5es j\u00e1 bateram na trave com sua meta de eliminar a humanidade, mas seu sil\u00eancio atual n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o estejam prontos para mais uma tentativa. Deve ser apenas quest\u00e3o de tempo. Est\u00e1 sentindo a press\u00e3o?<!--more--><\/p>\n<p>Mas eu n\u00e3o posso simplesmente ir para a parte divertida onde todos morremos antes de passar algumas informa\u00e7\u00f5es sobre as entranhas do nosso planeta. Quer dizer, at\u00e9 posso, mas \u00e9 at\u00e9 po\u00e9tico que este texto seja chato na maior parte do tempo. Diferentemente dos vulc\u00f5es comuns, os supervulc\u00f5es s\u00e3o mestres na arte de esperar.<\/p>\n<h2>FOGO MORRO ACIMA<\/h2>\n<p>Nessa nova fase do Desfavor Explica, eu considero que todos voc\u00eas s\u00e3o muito burros e n\u00e3o conhecem nada sobre nada (mentira, eu sempre considerei). A primeira coisa a se entender \u00e9 a forma como nosso planeta est\u00e1 montado: em camadas. Vivemos na camada superior, chamada Crosta. At\u00e9 porque seria um tanto quanto perigoso n\u00e3o viver nela, abaixo disso temos um &#8220;recheio cremoso&#8221; de rochas derretidas chamado de Manto Superior. Com temperaturas variando entre 500\u00b0 e 900\u00b0, esse recheio derrete a boca e a m\u00e3o.<\/p>\n<p>O Manto Superior \u00e9 feito de magma, rocha derretida que troca de nome quando chega a superf\u00edcie, mais ou menos como as modelos\/atrizes que come\u00e7am sua carreira dando tudo de si. Abaixo da crosta se chama magma, quando sobe para nos encher a paci\u00eancia, o nome art\u00edstico \u00e9 lava. Flutuando por sobre esse manto, a Crosta terrestre est\u00e1 quebrada em v\u00e1rios peda\u00e7os. Cada um desses peda\u00e7os \u00e9 uma Placa Tect\u00f4nica. Nas bordas das placas, existe muito atrito com algumas se chocando, escorregando para baixo de outras&#8230;<\/p>\n<p>Nessa bagun\u00e7a, surgem a maioria dos vulc\u00f5es normais. \u00c9 esperado que numa das tantas rachaduras vaze um pouco de magma. A maioria dos vulc\u00f5es do mundo est\u00e3o nas bordas das placas tect\u00f4nicas, e apesar dos v\u00e1rios problemas j\u00e1 causados por eles, ainda n\u00e3o \u00e9 o grau de insanidade geol\u00f3gica que vamos ver a partir daqui. Pense nos vulc\u00f5es normais como espinhas no rosto: a pele \u00e9 fina e n\u00e3o demora muito at\u00e9 explodir. Supervulc\u00f5es s\u00e3o espinhas na bunda, daquelas que voc\u00ea s\u00f3 estoura com uma motosserra e fazem uma sujeira imensa quando se v\u00e3o.<\/p>\n<h2>ESPINHA NA BUNDA<\/h2>\n<p>Ok&#8230; n\u00e3o t\u00e1 legal essa analogia n\u00e3o. Vamos tentar outra&#8230;<\/p>\n<h2>UNDER PRESSURE<\/h2>\n<p>Tan taran tan tan tan&#8230; melhor. Se vulc\u00f5es j\u00e1 s\u00e3o a m\u00e3e natureza se aliando da press\u00e3o, numa esp\u00e9cie de &#8220;peido molhado&#8221; especialmente apimentado, vamos pensar em supervulc\u00f5es como tentar cagar pelo umbigo: n\u00e3o era pra acontecer, e se acontecer \u00e9 porque muita coisa se quebrou no meio do caminho. Desastre na certa. E olha que eu quis melhorar a analogia&#8230; seja como for, um supervulc\u00e3o segue a mesma l\u00f3gica de um vulc\u00e3o comum, \u00e9 um lugar onde o magma chega perigosamente perto da superf\u00edcie. Mas ao inv\u00e9s de vazar como normalmente o faz nas vers\u00f5es menores, ele come\u00e7a a se acumular por n\u00e3o conseguir quebrar a \u00faltima barreira.<\/p>\n<p>E como ele acumula&#8230; os maiores supervulc\u00f5es do mundo podem chegar a 3.000 quil\u00f4metros quadrados de \u00e1rea. \u00c1rea explosiva. A diferen\u00e7a entre um vulc\u00e3o explodindo e um supervulc\u00e3o fazendo o mesmo \u00e9 basicamente como comparar uma granada com uma bomba at\u00f4mica. O magma vai empurrando o solo pra cima, criando uma&#8230; olha s\u00f3, a analogia da espinha vai servir mesmo&#8230; bolha na crosta. Mas como \u00e9 algo sutil, cent\u00edmetros por ano, a vida segue por cima dessas armadilhas mortais. Essas \u00e1reas gigantes onde o magma est\u00e1 se acumulando para explodir eventualmente se chamam Caldeiras.<\/p>\n<h2>SINAL AMARELO<\/h2>\n<p>Agora chegamos na parte divertida. Aposto que muitos j\u00e1 ouviram falar do Parque Yellowstone, nos EUA, nem que seja s\u00f3 pelo nome. Al\u00e9m da vida selvagem, um dos maiores atrativos locais s\u00e3o seus fen\u00f4menos geol\u00f3gicos, como g\u00eaiseres de \u00e1gua que explodem do solo com pontualidade. O que alguns podem n\u00e3o saber \u00e9 que Yellowstone \u00e9 uma caldeira. Debaixo do parque, mais de 1.500 quil\u00f4metros quadrados de magma emburrando a crosta para cima. Yellowstone n\u00e3o est\u00e1 sobre uma falha ou algo do tipo, o que o torna especialmente perigoso: n\u00e3o tem muito por onde esvaziar a press\u00e3o.<\/p>\n<p>Se o supervulc\u00e3o de Yellowstone explodir, a erup\u00e7\u00e3o pode durar semanas, deixando imprest\u00e1vel uma consider\u00e1vel parte do territ\u00f3rio ianque. N\u00e3o estamos falando de lava escorrendo de uma montanha, estamos falando do ch\u00e3o se abrir por centenas de quil\u00f4metros e cuspir pra fora milhares de quil\u00f4metros c\u00fabicos de cinzas num curto espa\u00e7o de tempo. Cada quil\u00f4metro c\u00fabico significa dez BILH\u00d5ES de toneladas disso. Para termos uma no\u00e7\u00e3o de escala, uma das erup\u00e7\u00f5es recentes mais famosas, a do Monte Pinatubo, que MEXEU com o clima global em 1991, soltou 10.<\/p>\n<p>A \u00faltima grande erup\u00e7\u00e3o em Yellowstone foi h\u00e1 aproximadamente 640 mil anos atr\u00e1s. Alguns especialistas j\u00e1 dizem que j\u00e1 estamos fazendo hora extra e que Yellowstone est\u00e1 prestes a fazer isso de novo. O solo est\u00e1 se erguendo alguns cent\u00edmetros por ano desde que se come\u00e7ou a medir. A panela de press\u00e3o est\u00e1 apitando. A pen\u00faltima e antepen\u00faltima foram mais ou menos nessa dist\u00e2ncia umas das outras. E mesmo que voc\u00ea tenha raivinha de americano, n\u00e3o sorria: pra variar o que explode l\u00e1 venta pra c\u00e1.<\/p>\n<p>O problema de um supervulc\u00e3o \u00e9 bem maior do que sua explos\u00e3o insana, \u00e9 a quantidade de porcaria que ele arremessa para o alto. Sabe quando voc\u00ea bate um tapete e a poeira fica na frente da luz? P\u00f3 n\u00e3o gosta de descer, que diga o Maradona! Quando a poeira levantada por um vulc\u00e3o numa explos\u00e3o com a for\u00e7a de milhares de bombas at\u00f4micas \u00e9 jogada pro alto, ela vai longe. Muito longe. Estima-se que se Yellowstone explodir, vai ter cinzas na atmosfera para o mundo inteiro. Elas chegam no ponto mais alto e come\u00e7am a ser carregadas pelas correntes de ar. E como poeira \u00e9 s\u00f3lida o suficiente para refletir luz solar, uma camada de bilh\u00f5es de toneladas suspensa bloqueia o Sol, esfriando o planeta, atrapalhando a fotoss\u00edntese de plantas e algas&#8230; basicamente cagando o ecossistema GLOBAL e fazendo nossa produ\u00e7\u00e3o de alimentos entrar em colapso. E n\u00e3o adianta dizer que s\u00f3 vai comer bacon, porque mesmo ele depende da agricultura. S\u00f3 vale a pena dizer isso porque bacon \u00e9 uma del\u00edcia e ataques card\u00edacos s\u00e3o uma inven\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria da comida saud\u00e1vel. Mas, estou perdendo o foco&#8230;<\/p>\n<p>Seja como for, a explos\u00e3o seria um show de fogos divertido para quem estivesse suficientemente longe, mas causaria a morte de uma consider\u00e1vel parte da popula\u00e7\u00e3o humana nos anos seguintes. A poeira pode demorar d\u00e9cadas para se dissipar. A natureza se vira, como o fez dezenas de vezes nas \u00faltimas erup\u00e7\u00f5es dessa magnitude, a humanidade, por\u00e9m&#8230; bom, s\u00f3 presenciamos uma, e isso quase acabou conosco.<\/p>\n<h2>VEI!<\/h2>\n<p>Ah, esqueci:<\/p>\n<p>Erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas s\u00e3o medidas numa escala chamada VEI. Como em &#8220;VEI, que explos\u00e3o loka!&#8221;. A Escala VEI define o qu\u00e3o fodidos estamos no caso de uma erup\u00e7\u00e3o. E como eu mencionei anteriormente, n\u00e3o \u00e9 sobre o peido, \u00e9 sobre o fedor. Para marcar pontos, precisa ejetar na atmosfera as cinzas, n\u00e3o importa tanto a pirotecnia. Ela vai de zero a oito, sendo que a cada ponto, as coisas ficam dez vezes piores. Uma erup\u00e7\u00e3o VEI 0 \u00e9 o tipo da coisa que acontece todo dia, n\u00e3o faz nem diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>A famosa erup\u00e7\u00e3o do Monte Ves\u00favio, que devastou Pomp\u00e9ia, foi classificada como 5. J\u00e1 come\u00e7a a ser um grau de aten\u00e7\u00e3o, mas para o texto de hoje, \u00e9 fichinha. Estamos falando de VEI 7 ou 8. Algo que mexe com o clima do planeta. A \u00fanica desse n\u00edvel que &#8220;registramos&#8221; foi a do Monte Tambora, em 1815. Foi uma VEI 7, que causou o famoso &#8220;ano sem ver\u00e3o&#8221;, 1816. As cinzas do vulc\u00e3o esfriaram o planeta por um ano, estragando planta\u00e7\u00f5es e fazendo muita gente passar fome.<\/p>\n<p>Quer dizer, a \u00fanica n\u00e3o&#8230; j\u00e1 vimos uma VEI 8. N\u00e3o foi bacana&#8230;<\/p>\n<h2>TOMANDO DO TOBA<\/h2>\n<p>Mas ningu\u00e9m deixou registros dessa. Pudera, h\u00e1 70 mil anos atr\u00e1s a humanidade ainda n\u00e3o tinha configurado a conta do Twitter para comentar em tempo real o mundo basicamente acabando. E seria um fen\u00f4meno nas redes sociais, pelo nome: a erup\u00e7\u00e3o mais poderosa que a humanidade j\u00e1 presenciou foi a do Lago Toba. Esse sim num lugar bacana: Indon\u00e9sia. O que quer dizer que aquele lugar j\u00e1 era uma armadilha mortal naquela \u00e9poca e 70 mil\u00eanios depois, ainda n\u00e3o aprenderam a evitar o local.<\/p>\n<p>Quando o Toba (no masculino porque \u00e9 um lago, n\u00e3o pelo trocadilho) arrega\u00e7ou (ok, \u00e9 pelo trocadilho&#8230; eu sou fraco) numa erup\u00e7\u00e3o VEI 8, o mundo chacoalhou. A caldeira tem milhares de quil\u00f4metros quadrados, e cuspiu c\u00e9u acima aquelas dezenas de bilh\u00f5es de toneladas de cinzas e porcarias extras que provavelmente deixaram o mundo no escuro por alguns anos, sem contar muito gelado. Cientistas analisaram o DNA mitocondrial da humanidade (um que \u00e9 bem mais est\u00e1vel com o passar das gera\u00e7\u00f5es) e descobriram um &#8220;gargalo&#8221; da humanidade mais ou menos na \u00e9poca do Toba explosivo. Alguma coisa muito ruim aconteceu com nossos antepassados bem naquela \u00e9poca, fazendo que a humanidade tenha reduzido seus n\u00fameros para entre 1.000 a 10.000 pessoas. Provavelmente tem mais gente no seu bairro se voc\u00ea mora numa cidade grande.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das implica\u00e7\u00f5es divertidas sobre sermos basicamente todos parentes hoje em dia, isso tamb\u00e9m quer dizer que essa bala passou raspando. V\u00e1rias outras esp\u00e9cies parecem ter sofrido redu\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis nas suas popula\u00e7\u00f5es. Um supervulc\u00e3o toca o terror global. E para ficar mais divertido, o nosso querido Lago Toba tamb\u00e9m est\u00e1 dando sinais de que quer bis: o solo est\u00e1 se levantando tamb\u00e9m.<\/p>\n<h2>ORGULHO NACIONAL<\/h2>\n<p>Muito se diz que no Brasil n\u00e3o tem vulc\u00f5es porque conseguimos estragar tudo sozinhos. Isso \u00e9 parcialmente verdade: j\u00e1 tivemos alguns. Mas faz tempo, aproximadamente 132 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Mas foi algo especial&#8230; ainda \u00e9 especulativo, mas especialistas da \u00e1rea desconfiam que tivemos uma erup\u00e7\u00e3o VEI 9 (nem tem na escala, eu sei!) na \u00e1rea onde hoje \u00e9 o Paran\u00e1. Claro que naquela \u00e9poca o Paran\u00e1 ainda estava grudado com a \u00c1frica, sendo que metade das evid\u00eancias dessa MEGA erup\u00e7\u00e3o s\u00e3o encontradas at\u00e9 em Angola.<\/p>\n<p>Mas como tudo no Brasil, \u00e9 meio roubado. Na verdade pode ter sido uma s\u00e9rie de supervulc\u00f5es explodindo pr\u00f3ximos uns dos outros, somando seus efeitos para chegar nas poss\u00edveis centenas de bilh\u00f5es de toneladas de material ejetado. Fica pelo menos o alento para os curitibanos: se voc\u00eas acham o clima ruim agora, n\u00e3o \u00e9 o de 132 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<h2>VAMOS TODOS MORRER?<\/h2>\n<p>Sim. Mas provavelmente de uma doen\u00e7a sem glamour. A quest\u00e3o \u00e9 que o &#8220;rel\u00f3gio geol\u00f3gico&#8221; da Terra nos conta como alguns segundos inconsequentes. Mesmo que Yellowstone ou o Lago Toba estejam prontos para explodir a qualquer momento, qualquer momento nesse contexto pode significar daqui a dez ou cinquenta mil anos, quando eu realmente espero que ningu\u00e9m mais precise morar na Terra ou mesmo se preocupar com agricultura. Explos\u00f5es de supervulc\u00f5es s\u00e3o relativamente raras na hist\u00f3ria recente do planeta.<\/p>\n<p>Mas sempre tem a esperan\u00e7a. Pode ser amanh\u00e3! N\u00e3o d\u00e1 pra saber ao certo quando a merda vai estancar. Eu n\u00e3o gostaria de morrer de fome depois de anos de sofrimento, mas meio que compensaria ver pela TV a bagun\u00e7a que um desses supervulc\u00f5es causaria. E se acontecer no Lago Toba, muito mais engra\u00e7ado: #ExplodiuToba em 1\u00b0 lugar nos trending topics, at\u00e9 o fim dos tempos.<\/p>\n<h3>Para dizer que quer conhecer mais formas como todos vamos morrer, para dizer que minhas analogias foram de excelente gosto, ou mesmo para me mandar nadar no Toba: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porque vulc\u00f5es normais s\u00e3o chatos. Supervulc\u00f5es j\u00e1 bateram na trave com sua meta de eliminar a humanidade, mas seu sil\u00eancio atual n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o estejam prontos para mais uma tentativa. Deve ser apenas quest\u00e3o de tempo. 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