{"id":8920,"date":"2015-10-09T15:26:38","date_gmt":"2015-10-09T18:26:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=8920"},"modified":"2015-10-09T15:26:38","modified_gmt":"2015-10-09T18:26:38","slug":"10-motivos-para-detestar-listas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2015\/10\/10-motivos-para-detestar-listas\/","title":{"rendered":"10 motivos para detestar listas."},"content":{"rendered":"<p>Na verdade n\u00e3o vai ter lista. N\u00e3o fiquem chateados, ou fiquem, n\u00e3o vai mudar a minha vida. Uma das maiores vantagens do desfavor \u00e9 s\u00f3 escrever o que eu quero e jamais me pautar por popularidade. N\u00e3o temos an\u00fancios, n\u00e3o ganhamos um centavo fazendo isso aqui&#8230; mas, evidente, somos cada vez mais uma minoria na internet. At\u00e9 por esse formato ultrapassado de texto&#8230; quem l\u00ea hoje em dia? <!--more--><\/p>\n<p>Bom, se clicou para continuar lendo, pelo menos voc\u00ea. Menos mal. Em tempos onde mais de um par\u00e1grafo vira &#8220;text\u00e3o&#8221;, at\u00e9 o p\u00fablico do desfavor \u00e9 uma minoria. J\u00e1 conversei com a Sally algumas vezes, por puro esporte, sobre formas de n\u00f3s aqui alcan\u00e7armos um p\u00fablico maior e talvez at\u00e9 de pagar nossas contas com o desfavor. Seria um prospecto interessante receber pelo o que fazemos por prazer. Mas, isso s\u00f3 teria gra\u00e7a de verdade se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos que nos vender no caminho. \u00c9&#8230; n\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque produzir conte\u00fado para conseguir cliques e visualiza\u00e7\u00f5es \u00e9 um bicho completamente diferente do que gostamos aqui. Tem que seguir algumas f\u00f3rmulas de sucesso que mandam a qualidade do material ladeira abaixo. Primeiro tem que se concentrar em temas que geram aten\u00e7\u00e3o no p\u00fablico m\u00e9dio&#8230; o que significa nivelar-se muito por baixo. N\u00e3o que n\u00e3o se possa falar de assuntos mais complexos, mas a forma de apresent\u00e1-los teria que ser muito mais palat\u00e1vel. V\u00eddeos, de prefer\u00eancia, e com muitas e muitas listas.<\/p>\n<p>As 5 ou 10 mais, 17 coisas que voc\u00ea n\u00e3o sabia sobre &#8220;X&#8221;, 8 motivos pelos quais &#8220;Y&#8221;, e assim por diante. \u00c9 uma f\u00f3rmula extremamente eficiente na internet, informa\u00e7\u00e3o &#8220;contada&#8221;. Com o baixo grau de aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dio e a competi\u00e7\u00e3o insana pelo foco do internauta, o conte\u00fado parece ser apresentado j\u00e1 com a promessa de acabar. Se voc\u00ea clica em uma dessas listas, em texto ou v\u00eddeo, j\u00e1 tem a perspectiva de um fim no assunto. Assim que todos os itens forem recitados, voc\u00ea est\u00e1 livre para procurar outras coisas.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixa de ser uma forma de colocar na m\u00e3o do consumidor o controle sobre o quanto vai absorver de informa\u00e7\u00e3o. Quem decide o grau de aprofundamento \u00e9 quem clica, n\u00e3o mais quem produz. N\u00e3o tem mais a surpresa de se ver interessado em um conte\u00fado aprofundado, s\u00f3 a certeza de que assim que os itens acabarem, voc\u00ea est\u00e1 livre. Pra mim, \u00e9 o c\u00famulo do colocar &#8220;como se diz&#8221; na frente do &#8220;o qu\u00ea se diz&#8221;. E olha que eventualmente eu tamb\u00e9m gosto de uma lista dessas. Principalmente daquelas com opini\u00f5es que classificam as melhores ou as piores, gera uma curiosidade para saber se o autor do material partilha ou n\u00e3o das suas opini\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas, as coisas parecem estar saindo de controle. O que antes era um recurso para passar informa\u00e7\u00f5es rapidamente e gerar pol\u00eamica agora vai se tornando a norma. Tudo parece &#8220;redessocializado&#8221;. Posso estar sendo rom\u00e2ntico, mas a internet est\u00e1 perdendo uma das coisas mais interessantes que tinha: a falta de filtros. Est\u00e1 muito profissional na distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado. N\u00e3o se enganem, h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s a propor\u00e7\u00e3o de besteiras para informa\u00e7\u00f5es bem pesquisadas e &#8220;respons\u00e1veis&#8221; era t\u00e3o triste quanto \u00e9 hoje, mas at\u00e9 as besteiras pareciam mais aprofundadas. Quando o desfavor nasceu, as redes sociais ainda n\u00e3o tinham basicamente matados os blogs de opini\u00e3o. Tanto que eu tive muitas oportunidades de escrever uma coluna como a &#8220;Deleta Eu!&#8221;, onde analisava com imenso carinho nossos companheiros de meio. Mas o tempo passou e n\u00e3o me sobrou muito o que criticar: sobraram apenas os blogs profissionais, focados em fazer dinheiro e conseguir cliques.<\/p>\n<p>As opini\u00f5es foram pra dentro das redes sociais, ainda mais limitadas por restri\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas (como as do Twitter ou Instagram) ou mesmo de aten\u00e7\u00e3o (como as do Facebook)&#8230; sobrou pouca gente apresentando suas vis\u00f5es de mundo para fora desse novo universo. E todos j\u00e1 devemos saber como isso enriqueceu as discuss\u00f5es. O pov\u00e3o ficou t\u00e3o bem treinado para discutir assuntos que j\u00e1 estamos vendo um movimento de remo\u00e7\u00e3o de sess\u00e3o de coment\u00e1rios em grandes portais de not\u00edcias. Quem foi &#8220;criado&#8221; em blogs e f\u00f3runs da internet pr\u00e9-redes-sociais tem uma vis\u00e3o diferente do conceito de colabora\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es. Elas se sentem parte como contribuintes, n\u00e3o como parte integrante do assunto.<\/p>\n<p>A rede social imbuiu na cabe\u00e7a do cidad\u00e3o m\u00e9dio que o conte\u00fado n\u00e3o est\u00e1 pronto enquanto ele n\u00e3o participar. O que n\u00e3o \u00e9 de se estranhar, j\u00e1 que conseguir engajamento do p\u00fablico \u00e9 uma das m\u00e9tricas mais importantes na hora de fazer dinheiro na internet. O interesse da pessoa \u00e9 diretamente proporcional ao lucro poss\u00edvel. Ent\u00e3o, como fazemos o conte\u00fado dispon\u00edvel gerar o maior interesse poss\u00edvel? Oras, mantenha-o suficientemente incompleto.<\/p>\n<p>Isso voc\u00ea pode perceber at\u00e9 mesmo em conversas &#8220;ao vivo&#8221;, quando uma pessoa com conhecimento m\u00ednimo sobre um tema conversa com outra igualmente ignorante, o papo rende muito. Ambos podem proferir as maiores asneiras sobre o tema impunemente, e a imensa falta de conte\u00fado entre elas gera um tema que pode ser preenchido das mais diversas formas enquanto houver vontade. Agora, experimenta trocar um dos que n\u00e3o sabem sobre o que est\u00e3o falando com algu\u00e9m que j\u00e1 estudou o assunto de forma aprofundada&#8230; a pessoa com o conhecimento fica &#8220;chata&#8221; na hora. Aprender aparentemente \u00e9 muito chato para o ser humano m\u00e9dio. Eu sei a sensa\u00e7\u00e3o na pele: hoje em dia eu n\u00e3o entro mais em conversas sobre as quais sei muito mais que os outros envolvidos. As pessoas n\u00e3o gostam, e ainda tem o risco de voc\u00ea acabar parecendo antip\u00e1tico s\u00f3 por saber do que est\u00e1 falando. E se voc\u00ea ainda \u00e9 articulado ao falar dele&#8230; garantia de narizes torcidos. Eu aprendi na ra\u00e7a a falar pouco e esconder muito sobre o que eu conhe\u00e7o. A internet tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>O santo graal da rede de hoje \u00e9 um t\u00f3pico sobre o qual as pessoas tenham curiosidade, mas pouco ou nenhum conhecimento. E mesmo assim, o jeito de apresent\u00e1-lo \u00e9 ainda mais importante: aprofunde e perca engajamento. Se o conte\u00fado vier de uma forma truncada e superficial, gera no p\u00fablico a vontade de participar. Afinal, sentem-se mais \u00e0 vontade quando o interlocutor parece estar no mesmo n\u00edvel de conhecimento que eles. O que inclusive aparece nos temas abordados: fa\u00e7a uma lista sobre as estrelas mais ex\u00f3ticas conhecidas e ningu\u00e9m d\u00e1 muita aten\u00e7\u00e3o; fa\u00e7a uma lista sobre os signos mais dif\u00edceis no trato e prepare-se para uma enxurrada de opini\u00f5es.<\/p>\n<p>O conte\u00fado na rede parece t\u00e3o interessante quanto a capacidade do p\u00fablico de estend\u00ea-lo com suas opini\u00f5es chutadas. Uma quest\u00e3o de ego. Eu tenho uma teoria: no fundo, as pessoas querem ser inteligentes e reconhecidas por isso tanto quanto querem ser fisicamente atraentes. O que quase ningu\u00e9m quer fazer \u00e9 se esfor\u00e7ar por isso (apar\u00eancia ou intelig\u00eancia). A diferen\u00e7a primordial \u00e9 que d\u00e1 muito mais trabalho fazer as pessoas notarem seu conhecimento aprofundado sobre um tema. A natureza se encarrega de fazer algu\u00e9m te achar bonito(a) de tempos em tempos, mas o buraco \u00e9 bem mais embaixo quando se quer ser reconhecido pelo conte\u00fado do cr\u00e2nio. At\u00e9 por isso nossos padr\u00f5es de beleza s\u00e3o bem mais restritivos que os intelectuais.<\/p>\n<p>A internet &#8220;futilizou&#8221; ainda mais a sociedade, mas&#8230; de uma certa forma, ela est\u00e1 nos for\u00e7ando a mostrar o intelecto de uma forma nunca antes vista. Seja como for, voc\u00ea est\u00e1 atr\u00e1s de uma tela e n\u00e3o est\u00e1 interagindo ao vivo com as outras pessoas. As vantagens da apar\u00eancia s\u00e3o reduzidas drasticamente. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que redes sociais como o Instagram pegaram da forma que pegaram: elas devolvem essa vantagem para quem n\u00e3o vai conseguir se destacar pelo o que pensa. Acho at\u00e9 justo que as pessoas exer\u00e7am seu sagrado direito de exibir um rostinho bonito como caracter\u00edstica principal (mesmo que vivam mostrando a bunda), mas isso \u00e9 muito revelador sobre como a internet est\u00e1 se adaptando ao ser humano m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Enquanto a internet n\u00e3o ceder completamente ao conceito de apar\u00eancia (o mais f\u00e1cil de se &#8220;vender&#8221; para estranhos), o conte\u00fado dispon\u00edvel nela vai se adaptando \u00e0 gratifica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea de se sentir parte. Contribuinte do conhecimento acumulado humano mesmo sem nunca ter estudado sobre o tema! E nessa, d\u00e1-lhe listas! Informa\u00e7\u00e3o de f\u00e1cil consumo, rasa e com a promessa de n\u00e3o te ocupar tempo demais. N\u00e3o precisa se aprofundar, basta ter uma opini\u00e3o. \u00c9 um jeito das pessoas se acharem inteligentes sem ter que se esfor\u00e7ar para isso. \u00c9 tamb\u00e9m uma prote\u00e7\u00e3o contra os &#8220;chatos&#8221; que realmente se interessam, porque ao direcionar a produ\u00e7\u00e3o comercial de material na rede para o menor denominador comum, o internauta m\u00e9dio garante que a verborragia de um texto como esses seja cada vez mais uma atividade de nicho.<\/p>\n<p>Assim como a baranga se beneficia muito se todas as outras mulheres s\u00f3 tirarem fotos dos mesmos \u00e2ngulos &#8220;ben\u00e9ficos&#8221; que ela sempre tira, o burro se beneficia muito se todos estiverem discutindo apenas sobre vers\u00f5es superficiais dos temas. \u00c9 estar na m\u00e9dia sem grande esfor\u00e7o. Se a internet n\u00e3o movimentasse o dinheiro absurdo que movimenta, n\u00e3o ter\u00edamos a necessidade de tornar o ambiente prop\u00edcio para essa massa de pregui\u00e7osos com mais dinheiro do que ju\u00edzo. Mas, profissionalizou.<\/p>\n<p>Conte\u00fado como o que vemos aqui vai ser cada vez mais raro. Um amadorismo sem lugar no mundo moderno. Triste. No final das contas eu nunca vou saber se estamos mesmo muito acima da m\u00e9dia ou se \u00e9 s\u00f3 diferen\u00e7a de foco comercial. At\u00e9 isso me foi negado. Maldita inclus\u00e3o digital!<\/p>\n<h3>Para dizer que n\u00e3o valeu a espera, para elencar os dez motivos pelos quais sentiu falta de uma lista, ou mesmo para dizer que quando entender sobre o que eu falei, comenta: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na verdade n\u00e3o vai ter lista. N\u00e3o fiquem chateados, ou fiquem, n\u00e3o vai mudar a minha vida. 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