{"id":9117,"date":"2015-11-19T06:00:03","date_gmt":"2015-11-19T08:00:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=9117"},"modified":"2015-11-19T03:53:08","modified_gmt":"2015-11-19T05:53:08","slug":"bem-na-hora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2015\/11\/bem-na-hora\/","title":{"rendered":"Bem na hora."},"content":{"rendered":"<p>Nelson estava atrasado para o trabalho. Nada de novo, havia algo na rela\u00e7\u00e3o entre ele o rel\u00f3gio que nunca o favorecia. Sempre com certeza que daria tempo, sempre falhando terrivelmente. Funcion\u00e1rio de um laborat\u00f3rio qu\u00edmico, sa\u00edra de casa vestido com seu jaleco na expectativa de ganhar de volta alguns minutos e escapar da aten\u00e7\u00e3o do chefe. Navegando entre a multid\u00e3o na rua, tentando comer um sandu\u00edche que n\u00e3o teria tempo de comprar ao mesmo tempo que tentava tirar o celular do bolso para conferir as horas, n\u00e3o percebeu que havia uma pessoa parada no seu caminho.<!--more--> E pelo jeito, uma pessoa grande, j\u00e1 que o impacto fez voar de suas m\u00e3os tanto o alimento quando o telefone, fazendo-o cair sentado no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua primeira preocupa\u00e7\u00e3o era o celular, receoso que algu\u00e9m pudesse pisar no moderno aparelho pelo qual ainda estava pagando, Nelson coloca-se a procurar pelo ch\u00e3o, alheio aos seus arredores. Ao notar o que procurava na borda da cal\u00e7ada, finalmente percebe que os p\u00e9s que temia quebrarem seu car\u00edssimo brinquedo n\u00e3o se mexem. Seja l\u00e1 o que tenha acontecido, foi s\u00e9rio o suficiente para fazer as pessoas pararem em pleno centro da cidade.<\/p>\n<p>Nelson olha para cima, esperando encontrar os olhares da plateia est\u00e1tica que se formara. Nada. Ningu\u00e9m est\u00e1 olhando na sua dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 quando vem a realiza\u00e7\u00e3o: sil\u00eancio. Sil\u00eancio absoluto. As pessoas est\u00e3o olhando em frente, pernas posicionadas como se estivessem seguindo seus caminhos, mas nenhum movimento. Na rua, carros im\u00f3veis. Nelson ergue-se, confuso. \u00c9 como se o tempo tivesse parado. A primeira coisa que vem em sua mente \u00e9 uma elaborada pegadinha televisiva, p\u00f5e-se ent\u00e3o a procurar por uma c\u00e2mera, mas nem sinal dela.<\/p>\n<p>Ainda com a sensa\u00e7\u00e3o de estar sendo observado, aproxima-se de um jovem executivo parado no meio de um passo, express\u00e3o congelada. Nelson coloca-se \u00e0 frente do homem, balan\u00e7ando a m\u00e3o em busca de aten\u00e7\u00e3o. Se era um ator, era um excelente, pois nem mesmo piscava. Um empurr\u00e3o de leve no ombro dele denota a mesma rigidez com a qual se chocara pouco tempo atr\u00e1s. Nervoso, Nelson come\u00e7a a fazer cada vez mais for\u00e7a na expectativa de mover aquela est\u00e1tua viva que desafiava sua credulidade, o tecido da roupa se move, a pele parece afunda, mas nenhum movimento.<\/p>\n<p>Segunda hip\u00f3tese: um sonho. Depois de tentar chamar a aten\u00e7\u00e3o de mais e mais pessoas pela rua, come\u00e7a a ter certeza disso. Depois de tanto atrasos, eles viraram tema at\u00e9 quando estava dormindo. Numa \u00faltima tentativa de trazer a realidade de volta, aproxima-se de uma bela garota com um generoso decote e toca a parte vis\u00edvel de seus seios. Sem nenhum protesto vis\u00edvel ou aud\u00edvel, coloca a m\u00e3o por dentro do decote. A express\u00e3o de Nelson \u00e9 de desafio, olhando profundamente nos olhos da mulher. Nada. O sonho estava confirmado. E com isso, qualquer medo de consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Nelson j\u00e1 estava num dos \u00faltimos bot\u00f5es do vestido da mo\u00e7a quando escuta:<\/p>\n<p><b>VOZ:<\/b> O que voc\u00ea est\u00e1 fazendo?<\/p>\n<p>Nelson sente o cora\u00e7\u00e3o quase saltar pela boca. Ao se voltar para a dire\u00e7\u00e3o do som, v\u00ea um homem de meia idade vestindo um jaleco branco e segurando uma grande sacola. Ele aponta para a mulher.<\/p>\n<p><b>HOMEM:<\/b> Ela est\u00e1 com algum problema?<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> Eu&#8230; eu achei que era&#8230;<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Cad\u00ea seu equipamento?<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> Eu&#8230; n\u00e3o \u00e9 o que parece&#8230;<br \/>\n<b>HOMEM:<\/b> Voc\u00ea \u00e9 novo, n\u00e9? Cara de perdido, sem equipamento&#8230; Dolashi.<\/p>\n<p>O homem coloca a sacola no ch\u00e3o e estica a m\u00e3o para cumprimentar Nelson. Nelson vacila por alguns segundos, mas retribui o gesto.<\/p>\n<p><b>NELSON:<\/b> Nelson.<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> Olha, d\u00e1 problema se um supervisor te pegar sem seu equipamento. Vamos fazer o seguinte, se algu\u00e9m perguntar, eu digo que estou te ensinando o trabalho, certo?<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> &#8230;<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> Todo mundo come\u00e7a de algum lugar. Voc\u00ea n\u00e3o acredita o quanto eu j\u00e1 me perdi quando cheguei aqui. Mas, me diga&#8230; o que que voc\u00ea estava procurando nela?<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> Uma&#8230; anomalia&#8230;<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> F\u00edsica? Vamos ver ent\u00e3o. Pega o sensor DTR.<\/p>\n<p>Dolashi se aproxima da mulher, desabotoa os \u00faltimos bot\u00f5es de seu vestido, expondo o corpo seminu dela. Nelson abre a sacola, e fica confuso com a profus\u00e3o de equipamentos indecifr\u00e1veis que encontra l\u00e1 dentro.<\/p>\n<p><b>DOLASHI:<\/b> O DTR \u00e9 o pontudo com o cristal roxo.<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> Esse aqui?<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> Isso. D\u00e1 aqui.<\/p>\n<p>O homem ent\u00e3o come\u00e7a a apontar o equipamento para diversas \u00e1reas do corpo descoberto da mulher est\u00e1tica.<\/p>\n<p><b>DOLASHI:<\/b> N\u00e3o&#8230; nada. Essa aqui est\u00e1 bem, ainda vive mais uns sessenta anos. Toma aqui o sensor que eu vou abotoar de volta, n\u00e3o ia ser legal para ela voltar com os seios de fora numa rua movimentada dessas, n\u00e3o? Imagina se um tarado vem e se aproveita?<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> Hehe&#8230; \u00e9&#8230; um perigo.<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> Qual a sua equipe?<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> A&#8230; \u00e9&#8230; eu me perdi deles&#8230;<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> Aposto que voc\u00ea \u00e9 novato do Lasabi. Ele nunca d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o para quem est\u00e1 come\u00e7ando. J\u00e1 que voc\u00ea est\u00e1 perdido, me ajuda a conter um vortex categoria 1 aqui perto.<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> Claro.<\/p>\n<p>Dolashi segue em frente, apontando a sacola para Nelson, que entende a indireta e come\u00e7a a carregar o peso, seguindo-o.<\/p>\n<p><b>DOLASHI:<\/b> De onde voc\u00ea \u00e9, Nelson?<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> Daqui das redondezas mesmo&#8230;<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> Lacteano?<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> Isso&#8230; \u00e9&#8230;<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> Eu gosto daqui. O povo \u00e9 meio confuso, mas o lugar \u00e9 excelente. T\u00e1 bom que d\u00e1 mais trabalho fazer a manuten\u00e7\u00e3o, mas eu n\u00e3o trocaria n\u00e3o.<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> Manuten\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> Ah, eles d\u00e3o v\u00e1rios nomes bonitos, mas \u00e9 manuten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem muito o que inventar. Acha anomalias, corrige, encontra um vortex, cont\u00e9m&#8230; minha filha perguntou uma vez o que eu fazia, eu disse que era um zelador. Estou mentindo?<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> N\u00e3o. \u00c9 o que a gente faz, n\u00e9?<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> Pois \u00e9. \u00c9 um trabalho digno, n\u00e3o me entenda mal. Tenho muito orgulho de ajudar a manter algo dessa escala funcionando direito. Parece tudo muito tranquilo vendo agora durante a manuten\u00e7\u00e3o, mas voc\u00ea j\u00e1 viu tudo isso em movimento? \u00c9 uma loucura!<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> \u00c9 sim! S\u00f3 uma d\u00favida, quanto tempo vai demorar essa manuten\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> Essa \u00e9 uma pequena. Dois ciclos e meio antes da gente ter que sair. Opa! Chegamos. O vortex est\u00e1 aqui. J\u00e1 conteve um antes?<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> N\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Os dois est\u00e3o na frente de uma famosa rede de fast-food. Dolashi adentra o recinto desviando de um homem obeso. Nelson segue. Acima de uma das mesas, onde um casal est\u00e1 parado no tempo mordendo sandu\u00edches, um ponto de luz azulada pulsa suavemente.<\/p>\n<p><b>DOLASHI:<\/b> Pega o difusor 2T. Esses azuis \u00e0s vezes tem surpresas.<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> \u00c9&#8230;<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> Estou falando como amigo, \u00e9 melhor prestar mais aten\u00e7\u00e3o no treinamento. Isso aqui pode ser perigoso se n\u00e3o souber o que est\u00e1 fazendo. O difusor \u00e9 a caixa amarela com uma antena.<\/p>\n<p>Nelson logo encontra o equipamento e entrega nas m\u00e3os de Dolashi.<\/p>\n<p><b>DOLASHI:<\/b> Sabia que tudo isso come\u00e7ou com um categoria 9 mal interpretado como 1? Eu at\u00e9 agrade\u00e7o porque me deu esse trabalho, mas perdemos mais de mil dos nossos nessa&#8230; sem contar as tr\u00eas vers\u00f5es que foram destru\u00eddas. \u00c9 at\u00e9 por isso que nos cobram tanto, depois desse desastre todo, o m\u00ednimo que esperam da gente \u00e9 manter essa est\u00e1vel por mais uns dois ou tr\u00eas petaciclos. Eu falo demais, n\u00e9?<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> N\u00e3o, tranquilo&#8230;<\/p>\n<p>Dolashi aperta alguns bot\u00f5es na caixa amarela, aponta a antena para a luz azul. A energia come\u00e7a a ser sugada lentamente rumo ao ap\u00eandice do aparelho.<\/p>\n<p><b>DOLASHI:<\/b> Facinho. Agora \u00e9 s\u00f3 esperar um pouco e&#8230;<\/p>\n<p>Um flash azulado toma conta do ambiente. A caixa amarela dispara um alarme agudo. Dolashi fica p\u00e1lido.<\/p>\n<p><b>DOLASHI:<\/b> N\u00e3o! N\u00e3o pode ser&#8230; \u00e9 um nove? Vai sobrecarregar! Pega o XT! Pega o XT!<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> O que est\u00e1 acontecendo?<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> O maior de todos! O vermelho! Pega! PEGA!<\/p>\n<p>Nelson come\u00e7a a mexer desesperadamente na bolsa at\u00e9 encontrar o mais pesado dos equipamentos ali: um cubo vermelho cheio de ranhuras luminosas. Ele tenta entregar para Dolashi, mas \u00e9 impedido:<\/p>\n<p><b>DOLASHI:<\/b> Eu preciso chamar o time de conten\u00e7\u00e3o! Ativa o XT e fica aqui enquanto eu fa\u00e7o isso.<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> Como eu ativo?<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> Usa o seu chip!<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> Chip? Eu n\u00e3o tenho isso!<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> H\u00e3? \u00c9 imposs\u00edvel! Voc\u00ea n\u00e3o poderia estar se mexendo aqui sem o chip!<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> EU N\u00c3O SOU DO SEU TIME! Eu sou uma pessoa normal!<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> Me d\u00e1 o XT!<\/p>\n<p>Dolashi pega o equipamento, toca a palma da m\u00e3o num dos seus lados. O cubo se ilumina e come\u00e7a a capturar a energia que sobrecarregava o outro aparelho.<\/p>\n<p><b>DOLASHI:<\/b> Acha mais algu\u00e9m! Eu n\u00e3o posso sair daqui agora! Acha mais algu\u00e9m!<br \/>\n<b>NELSON:<\/b> Onde?<br \/>\n<b>DOLASHI:<\/b> As naves est\u00e3o a seis quarteir\u00f5es daqui, na pra\u00e7a. Corre naquela dire\u00e7\u00e3o, assim que achar algu\u00e9m, diz que tem um vortex categoria 9 aqui! Se eles n\u00e3o vierem a tempo eu n\u00e3o sei quais ser\u00e3o as consequ\u00eancias no fluxo temporal! R\u00c1PIDO! Voc\u00ea tem um ciclo! <\/p>\n<p>Nelson nem pensa, sai correndo, voltando na dire\u00e7\u00e3o da qual viera originalmente. Em disparada por uma grande avenida, percebe um movimento numa das ruas paralelas, fora da dire\u00e7\u00e3o apontada por Dolashi. Prevendo que seria mais r\u00e1pido, muda de rota. Nelson berra por socorro enquanto percorre seu novo caminho, ouvindo um som estranho que parece cada vez mais pr\u00f3ximo, mas n\u00e3o recebe nenhuma resposta.<\/p>\n<p>Alguns minutos depois, finalmente enxerga a fonte de movimento: um \u00faltimo homem de jaleco branco entrando numa fant\u00e1stica nave que faz um barulho ensurdecedor. Nelson grita e grita, mas a nave, distante, come\u00e7a a levantar v\u00f4o. Em um r\u00e1pido e aparentemente imposs\u00edvel movimento, ela desaparece numa trajet\u00f3ria rumo ao c\u00e9u. Nelson, esbaforido e rouco, observa decepcionado.<\/p>\n<p>Outro flash de luz azulada.<\/p>\n<p>Nelson est\u00e1 com as m\u00e3os dentro do decote da bela mulher na rua. Ela grita.<\/p>\n<p><em>FIM&#8230; oi?<\/em><\/p>\n<h3>Para dizer que n\u00e3o entendeu nada, para dizer que o servi\u00e7o \u00e9 p\u00e9ssimo em todas as escalas, ou mesmo para dizer que eu invento nomes terr\u00edveis: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nelson estava atrasado para o trabalho. Nada de novo, havia algo na rela\u00e7\u00e3o entre ele o rel\u00f3gio que nunca o favorecia. Sempre com certeza que daria tempo, sempre falhando terrivelmente. 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