{"id":9121,"date":"2015-11-20T06:00:04","date_gmt":"2015-11-20T08:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=9121"},"modified":"2015-11-20T04:13:47","modified_gmt":"2015-11-20T06:13:47","slug":"in-memoriam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2015\/11\/in-memoriam\/","title":{"rendered":"In Memoriam"},"content":{"rendered":"<p>Pelo menos 129 pessoas perderam a vida ap\u00f3s os atentados de 13 de novembro em Paris. Quase todos foram identificados.<\/p>\n<p>Eles eram advogados, professores, m\u00fasicos ou engenheiros. Negros, \u00e1rabes, orientais, brancos. E um concerto no Bataclan, em um terra\u00e7o de um restaurante ou em frente a um est\u00e1dio de futebol. Suas vidas foram brutalmente interrompidas na noite de sexta-feira por conta dos atentados que mataram 129 pessoas at\u00e9 agora. <\/p>\n<p>Desfavor presta homenagem \u00e0s pessoas mortas naquela sexta-feira 13, e apresenta uma lista ainda incompleta. Atualizaremos a lista conforme recebermos testemunhos de parentes e de amigos das v\u00edtimas.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Suzette Soveral, 63 anos<\/strong><\/p>\n<p>Funcion\u00e1ria P\u00fablica, divorciada, m\u00e3e de 2 filhas e av\u00f3 de tr\u00eas netas, Suzette morreu do cora\u00e7\u00e3o ao tentar fugir do Bataclan. Segundo sobreviventes, Suzette sofreu um ataqueao passar pela sa\u00edda de emerg\u00eancia, e seu corpo bloqueou as portas. Esse desmaio foi fatal para muitas v\u00edtimas, que n\u00e3o conseguiram retirar rapidamente os mais de 100 kg de Suzette do caminho e assim liberar as portas. \u201cMinha ex-mulher sempre foi uma pessoa grande, obesa, e quando n\u00f3s fal\u00e1vamos para ela emagrecer, ela sempre dizia que a \u00fanica pessoa que prejudicava com sua gula era ela mesma. S\u00f3 que acabou n\u00e3o sendo bem assim\u201d, ironizou seu ex-marido, Jean. \u201cMinha m\u00e3e era rid\u00edcula. Passava muito tempo in\u00fatil na internet trocando ideias com gente mais nova do que as pr\u00f3prias netas e acho que foi ao show no Bataclan s\u00f3 para encontrar um desses amigos de internet. Era uma vers\u00e3o GG da Suzana Vieira. E, agora, quem \u00e9 que vai cuidar das minhas filhas enquanto eu trabalho? Como \u00e9 que eu vou ficar?\u201d, reclamou Justine, a filha mais velha.<\/p>\n<p><strong>Marcel \u00c9pingle, 33 anos<\/strong><\/p>\n<p>Comiss\u00e1rio de bordo, nascido na cidade interiorana de RuisseauNoir, mudou-se para a capital francesa no come\u00e7o deste ano para come\u00e7ar um novo relacionamento, que acabou durando poucos meses. \u201cEra um vagabundoa lienado, perdido em seu mundo de certezas sem qualquer fundamento, e que n\u00e3o me ajudava nas despesas, nem nas tarefas dom\u00e9sticas. Era incapaz de pendurar suas cuecas no varal. E me culpava por qualquer coisa, at\u00e9 pela doen\u00e7a que acabou nos separando\u201d, disse Bruno (nome fict\u00edcio), colega de empresa, em alus\u00e3o a um c\u00e2ncer no \u00e2nus rec\u00e9m descoberto por \u00c9pingle. A ida ao Bataclan era a despedida de Marcel da cidade, antes de come\u00e7ar a quimioterapia em um hospital p\u00fablico na cidade de Coubisou. Morreu na entrada da casa de espet\u00e1culos, cravejado de balas.<\/p>\n<p><strong>Sylvain Le Brut de Marchand, 30 anos<\/strong><\/p>\n<p>Publicit\u00e1rio, torcedor fan\u00e1tico do Paris Saint Germain, foi ao Bataclan com os amigos Andre Pinces, Ren\u00e9 Poitrine, Jean e Robert (esses dois \u00faltimos sobreviveram ao massacre). De acordo com os relatos desses \u00faltimos, ap\u00f3s os primeiros disparos, LeBrut teria achado \u201cque pareceria uma \u00f3tima ideia naquele momento\u201d se o grupo de amigos tentasse tomar as armas dos terroristas. A imprud\u00eancia custou a vida de Le Brut, Poitrine, e de mais dezenas de pessoas ao redor deles.  <\/p>\n<p><strong>Annette Caroline Portugal, 29 anos<\/strong><\/p>\n<p>Executiva do BNP-Paribas e moradora de um condom\u00ednio fechado de alto padr\u00e3o nos arredores de Paris, Annette havia ganhado ingressos do chefe para o Bataclan como um pr\u00eamio por sua dedica\u00e7\u00e3o, pois o banco havia cortado o pagamento de horas extras. Segundo os colegas, a jovem ascendeu rapidamente dentro da institui\u00e7\u00e3o por priorizar o trabalho acima de tudo e de todos, inclusive dela mesma. Extremamente religiosa, acreditava que sua devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja era o que a mantinha moralmente acima das demais pessoas, assoladas por seus problemas mundanos e pela falta de amor ao pr\u00f3ximo. Seu corpo foi encontrado em frente \u00e0 sa\u00edda de emerg\u00eancia, e Annette segurava um ter\u00e7o. <\/p>\n<p><strong>Marion Nudnik, 32 anos<\/strong><\/p>\n<p>Judia ortodoxa, era professora de rede p\u00fablica de ensino de Paris.Segundo colegas, Marion era uma pessoa bem intencionada por\u00e9m inconveniente com os alunos e pouco objetiva nas aulas, tendo sido objeto de abaixo-assinado de v\u00e1rias de suas turmas requisitando sua substitui\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00f3 assim para nos livrarmos dela\u201d, comemorou um de seus alunos ao saber de sua morte. De acordo com sobreviventes, Marion havia escapado ilesa dos primeiros disparos efetuados dentro do Bataclan. Contudo, tentou argumentar com um dos terroristas, que acabou enfiando uma granada em sua boca. Sua morte atrasar\u00e1 a libera\u00e7\u00e3o do Bataclan, pois a busca minuciosa por seus restos mortais \u00e9 justificada pelo fato de a religi\u00e3o judaica determinar que o corpo humano por inteiro deve ser enterrado.<\/p>\n<p><strong>Andre Pinces, 29 anos<\/strong><\/p>\n<p>Herdeiro de um dos maiores industriais de latic\u00ednios do pa\u00eds, morreu junto com os amigos Sylvain e Ren\u00ea no Bataclan. De acordo com os amigos Jean e Robert, Pinces quis ficar ainda mais rico que seu pai, diversificando os neg\u00f3cios da fam\u00edlia. Passou a vender armas e muni\u00e7\u00f5es para qualquer grupo armado do Oriente M\u00e9dio, oferecendo-se para lavar dinheiro para eles utilizando como fachada as diversas empresas do grupo empresarial agora sob sua dire\u00e7\u00e3o. Indagado se ele conseguiria dormir \u00e0 noite, Pinces alegava cinicamente a quem quer que o perguntasse que ele n\u00e3o havia sido o primeiro nem seria o \u00faltimo a lucrar com o terrorismo. De acordo com testemunhas, na tentativa de salvar a pr\u00f3pria pele, Pinces tentou convencer os terroristas de que estaria do lado deles.  Em resposta, como agradecimento pelos servi\u00e7os prestados, levou um tiro de fuzil no rosto, morrendo na hora.<\/p>\n<p><strong>Salom\u00e9 Rodriguez, 40 anos<\/strong><\/p>\n<p>Argentina de nascimento, Salom\u00e9 era escritora, blogueira, roteirista de sucesso em sua terra natal, e havia se mudado em junho para Paris em busca do novos desafios profissionais. Contudo, em contraste com o sucesso profissional, era tida pelos amigos e familiares como uma pessoa de dif\u00edcil trato. \u201cEra ateia, precisa falar mais alguma coisa?\u201d, questionou a m\u00e3e de Salom\u00e9, por telefone. Al\u00e9m disso, o rancor era sua segunda natureza. \u201cQuando disse que n\u00e3o aceitava que ela fosse morar junto com o namorado, ficou dez anos sem falar comigo\u201d, disse o pai. Na confus\u00e3o que se seguiu \u00e0 invas\u00e3o do Bataclan, acabou pisoteada pelos demais espectadores em raz\u00e3o de sua baixa estatura. Seu corpo foi descoberto embaixo do corpo de Suzette Soveral, que bloqueavaa sa\u00edda de emerg\u00eancia, quando a pol\u00edcia removia os corpos das centenas de v\u00edtimas para o necrot\u00e9rio do hospital.<\/p>\n<p><strong>Jean-HuguesMarinade, 38 anos<\/strong><\/p>\n<p>Pai de 3 filhos e em seu terceiro casamento, Marinade, um Webdesigner de Marselha, foi uma das dezenas de v\u00edtimas atingidas por rajadas de metralhadoras quando o grupo de amigos de Sylvain Le Brut de Marchand tentaram tomar as armas dos terroristas no Bataclan.  <\/p>\n<p>Diferentemente de muitas outras v\u00edtimas, a fam\u00edlia de Marinade expressou al\u00edvio com a morte da Marinade, conhecido pelos amigos por suas opini\u00f5es fortes e pelo fraco pelas drogas. \u201c\u00c9 duro dizer isso, mas o pr\u00eamio do seguro de vida do meu marido nos permitir\u00e1 um padr\u00e3o de vida que ele jamais se prop\u00f4s a nos proporcionar, nem que vivesse por mais de cem anos\u201d, confessou sua esposa.  <\/p>\n<p><strong>Ren\u00ea Poitrine, 30 anos<\/strong><\/p>\n<p>Amigo de inf\u00e2ncia de Marchand, Poitrine era o que os amigos chamavam de \u201cativista de facebook\u201d. Segundo Jean e Robert, amigos de Poitrine sobreviventes do massacre, Poitrine postava em seu perfil diariamente diversos textos contra o preconceito e os maus tratos contra minorias, em uma postura totalmente oposta ao trato com essas pessoas no dia-a-dia. \u201cO cretino pagava um sal\u00e1rio de fome para uma imigrante nigeriana lavar e passar suas roupas\u201d, disse Jean. Houve tamb\u00e9m um outro epis\u00f3dio que definiu o car\u00e1ter hip\u00f3crita de seu ativismo. \u201cUma vez, roubaram a carteira dele no trabalho, em um hor\u00e1rio em que havia apenas no pr\u00e9dio dois funcion\u00e1rios da limpeza, um argelino e um imigrante polon\u00eas. Adivinhe qual dos dois ele apontou com toda certeza como o poss\u00edvel ladr\u00e3o?\u201d, questionou Robert. Depois de ser inocentado, o ex-funcion\u00e1rio teria sido denunciado para a imigra\u00e7\u00e3o por Poitrine, que queria dar fim a essa situa\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda, mas se enforcou antes de ser deportado. Com peso na consci\u00eancia, Poitrine disse a amigos que teria passado a sonhar constantemente que acabaria um dia morto por terroristas \u00e1rabes, justamente o que lhe aconteceu naquela noite no Bataclan junto com seus amigos Sylvain e Andre Pinces.<\/p>\n<p><strong><em>Assinado: Suellen<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos 129 pessoas perderam a vida ap\u00f3s os atentados de 13 de novembro em Paris. Quase todos foram identificados. Eles eram advogados, professores, m\u00fasicos ou engenheiros. Negros, \u00e1rabes, orientais, brancos. E um concerto no Bataclan, em um terra\u00e7o de um restaurante ou em frente a um est\u00e1dio de futebol. 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