{"id":9411,"date":"2016-01-06T06:00:57","date_gmt":"2016-01-06T08:00:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=9411"},"modified":"2016-01-06T01:15:42","modified_gmt":"2016-01-06T03:15:42","slug":"sindrome-de-burnout","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2016\/01\/sindrome-de-burnout\/","title":{"rendered":"S\u00edndrome de Burnout"},"content":{"rendered":"<p>Esgotamento f\u00edsico e mental, muitas vezes sem uma raz\u00e3o aparente. Cansa\u00e7o, sono excessivo, noites mal dormidas, ins\u00f4nia. Sensa\u00e7\u00e3o de constante peso nos ombros, dor de cabe\u00e7a e mal estar. Fadiga, apatia, perda do poder de concentra\u00e7\u00e3o. Pessimismo, des\u00e2nimo, baixa autoestima. Dores musculares na regi\u00e3o do ombro costas e pesco\u00e7o. Altera\u00e7\u00f5es de humor. Dist\u00farbios do sono e gastrointestinais. Descaso com suas necessidades pessoais. Nega\u00e7\u00e3o. Tremores, falta de ar, ansiedade. Reconheceu v\u00e1rios destes sintomas? Pois bem, eles podem ser um sinal que seu corpo percebeu o que voc\u00ea ainda n\u00e3o conseguiu admitir:seu trabalho est\u00e1 te deixando doente. Desfavor explica: S\u00edndrome de Burnout.<!--more--><\/p>\n<p>A S\u00edndrome de Burnout existe faz tempo, mas foi dado um nome a este conjunto de sintomas recentemente, na d\u00e9cada de 70. Ela \u00e9, basicamente, todo o esgotamento f\u00edsico e mental que decorra de um trabalho. Pode ser fruto de um trabalho exaustivo, como o de um soldado em uma guerra, mas tamb\u00e9m pode vir da infelicidade no local de trabalho, descontentamento com suas fun\u00e7\u00f5es, estresse oriundo de um meio abusivo ou at\u00e9 mesmo da falta de descanso necess\u00e1ria, seja ela descanso semanal ou longos per\u00edodos sem f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Estima-se que no Brasil cerca de 30% da popula\u00e7\u00e3o sofra da S\u00edndrome de Burnout. A maior parte nem desconfia que ela exista e por isso muitas vezes perde tempo em consult\u00f3rios m\u00e9dicos buscando causas f\u00edsicos para seu esgotamento. \u00c9 como se ao entrar no seu local de trabalho algu\u00e9m drenasse sua energia e o tempo que voc\u00ea passa ali dentro te consumisse, mesmo que voc\u00ea literalmente enrole e n\u00e3o fa\u00e7a nada durante seu dia de trabalho. Quem volta para casa \u00e9 uma pessoa esgotada, fadigada e quase in\u00fatil para todo o resto das atividades no final do dia.<\/p>\n<p>Os sintomas come\u00e7am de forma leve, bem subjetivos: mero cansa\u00e7o, impaci\u00eancia, raras falhas de mem\u00f3ria, des\u00e2nimo, sono em excesso. Todos juntos ou apenas um deles, ou at\u00e9 mesmo nenhum deles, em vez destes, outros sintomas que indiquem estafa. Dif\u00edcil catalogar, cada organismo reage de um jeito ao estresse. O caso \u00e9 que pela subjetividade dos sintomas muitas vezes eles s\u00e3o ignorados. Todo mundo sabe o rol fechado de sintomas de um resfriado ou de dengue e isso facilita que a pessoa se perceba doente. Na S\u00edndrome de Burnout \u00e9 preciso ser um bom observador do corpo para detectar o que est\u00e1 errado e o denominador em comum: o estresse no trabalho.<\/p>\n<p>E entendam por estresse no trabalho uma atividade que signifique algum tipo de viol\u00eancia para quem a pratica, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio um chefe abusivo ou um trabalho com risco de morte para causar estresse em algu\u00e9m. Com o passar dos anos, fomos nos conformando que nem sempre d\u00e1 para fazer o que se gosta e, em nome disso, nos sujeitamos cada vez mais a viol\u00eancias no local de trabalho, em nome de uma suposta falta de op\u00e7\u00e3o. O simples fato de acordar todos os dias e ter que sair de casa para fazer algo que voc\u00ea n\u00e3o gosta pode sim detonar sua sa\u00fade, dependendo da forma como voc\u00ea lida com isso.<\/p>\n<p>A literatura m\u00e9dica diz que as principais v\u00edtimas da S\u00edndrome de Burnout s\u00e3o m\u00e9dicos, enfermeiros, professores, policiais, agentes penitenci\u00e1rios e bombeiros. Mas esse \u00e9 um estudo cl\u00e1ssico, feito em um tempo onde estas eram as profiss\u00f5es onde havia o maior \u00edndice de estresse. Talvez em dez anos exista uma nova pesquisa mostrando que, chutemos, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o sofre de Burnout independente da profiss\u00e3o. Tem muito chefe por a\u00ed que \u00e9 pior do que ver paciente morrendo todos os dias. Tem muita gente se violentando e fazendo o que n\u00e3o gosta para conseguir pagar as contas. A tend\u00eancia \u00e9 que esse n\u00famero de fato aumente.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento, esta S\u00edndrome pode ser revertida ou ao menos contida de forma postural: uma terapia pode ajudar a pessoa a tentar encarar seu trabalho por outro \u00e2ngulo que n\u00e3o a violente ou desmotive a ponto de ver isso refletido no seu organismo. Por\u00e9m, de um certo ponto em diante, quando o grau de estresse \u00e9 tamanho que j\u00e1 se podem sentir danos ao organismo, n\u00e3o h\u00e1 mais for\u00e7a de vontade ou pensamento positivo que ajudem. \u00c9 preciso se afastar daquilo para se desintoxicar. Quando a mente ignora o corpo, o corpo se vinga e ignora a mente: chegar\u00e1 um ponto onde voc\u00ea n\u00e3o vai conseguir ir trabalhar mesmo que queira se for\u00e7ar a isso.<\/p>\n<p>Isso ocorre porque o estresse constante estimula a produ\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios nocivos ao organismo, como cortisol e outros, que come\u00e7am a minar a sa\u00fade da pessoa. Lembrando sempre que o estresse n\u00e3o necessariamente vem de agress\u00f5es ou desrespeito, tanto que j\u00e1 se fala na vers\u00e3o Mommy Burnout, onde mulheres que n\u00e3o estavam emocionalmente preparadas para lidar com o desgaste que \u00e9 um filho pequeno sofrem de um esgotamento por n\u00e3o conseguir lidar com a situa\u00e7\u00e3o, que as pega de surpresa pelo grau de exig\u00eancias. Em todos os casos, quando o psicol\u00f3gico chega ao ponto de gerar um desequil\u00edbrio bioqu\u00edmico, o uso de medicamentos pode ser indicado.<\/p>\n<p>Terapia sem medicamentos, ok, pode ser. Medicamentos sem terapia, jamais. Nem para Burnout, nem para qualquer outra condi\u00e7\u00e3o, pois o psicol\u00f3gico est\u00e1 inseparavelmente ligado. \u00c9 como se tocasse um alarme contra inc\u00eandio e a pessoa em vez de apagar o fogo desligasse apenas o alarme. O fogo vai continuar l\u00e1 queimando e o estrago ser\u00e1 maior, pois ningu\u00e9m estar\u00e1 ciente da extens\u00e3o dos danos. A primeira provid\u00eancia \u00e9 terapia, sempre. A segunda \u00e9 rem\u00e9dio. Rem\u00e9dio n\u00e3o trata, rem\u00e9dio \u00e9 uma muleta que permite que a pessoa se mantenha de p\u00e9 enquanto ela se trata na terapia.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o \u00e9 como saber se voc\u00ea tem a S\u00edndrome de Burnout. Qualquer doen\u00e7a que dependa de um diagn\u00f3stico cl\u00ednico virou um tormento nos tempos atuais, onde os m\u00e9dicos mal olham para a cara dos pacientes e preferem prescrever rem\u00e9dios para se livrar do problema. Passamos mais tempo na sala de espera aguardando atendimento do que na consulta, sendo ouvidos. Para piorar a situa\u00e7\u00e3o, existem muitas outras doen\u00e7as com sintomas similares. Existem inclusive combina\u00e7\u00f5es que potencializam ou distorcem a S\u00edndrome de Burnout, por exemplo, frequentemente associada \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2013\/01\/desfavor-explica-sed-sindrome-do-edificio-doente\/\" target=\"_blank\">S\u00edndrome do Edif\u00edcio Doente<\/a>.<\/p>\n<p>Para ter um diagn\u00f3stico preciso, \u00e9 fundamental procurar um bom m\u00e9dico. Entretanto, isso implica em dois fatores que nem sempre temos: sorte e dinheiro. Por isso, depois de ver o n\u00edvel em que anda a medicina brasileira, contrariando tudo aquilo em que sempre acreditei e sempre preguei, eu sugiro que se voc\u00ea desconfia estar sofrendo de Burnout, se observe e procure se diagnosticar. Se voc\u00ea for minimamente esclarecido, tem mais chances de acertar do que um m\u00e9dico qualquer. Existem testes indicadores, que como o nome diz, s\u00e3o meros indicadores e n\u00e3o uma senten\u00e7a definitiva, como por exemplo a Escala Likert. Podem ser um bom come\u00e7o. Leia a respeito, se informe e se observe.<\/p>\n<p>O grande diferencial estar\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o dos sintomas com o trabalho. Voc\u00ea se atrasa cronicamente para chegar ao trabalho mesmo tentando chegar na hora? Voc\u00ea sai do trabalho esgotado sem raz\u00e3o aparente? Comece a se fazer perguntas. Muitas vezes a pessoa est\u00e1 extremamente infeliz no seu trabalho, mas por precisar dele, n\u00e3o se permite perceber o mal que aquilo est\u00e1 lhe fazendo, j\u00e1 que acredita n\u00e3o ter a op\u00e7\u00e3o de sair. Sempre existe uma op\u00e7\u00e3o, por mais que seja a longo prazo, por mais que demore, por mais que qualquer coisa. Sempre existe uma op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de terapia e eventuais medicamentos (tempor\u00e1rios, que fique claro), existem outras formas de atenuar o Burnout e melhorar a qualidade de vida da pessoa, enquanto ela n\u00e3o consegue fazer a transi\u00e7\u00e3o do trabalho em que se encontra para outro menos sofrido. A primeira \u00e9 admitir para si mesmo que o problema existe e se mexer para sair dele. Sim, apenas isso. Admitir o problema tira um grande peso das costas.<\/p>\n<p>Evitar fugas, escapes e anest\u00e9sicos como bebidas, medicamentos ou drogas usados com a inten\u00e7\u00e3o de atenuar o sofrimento tamb\u00e9m \u00e9um passo indispens\u00e1vel. N\u00e3o permita que uma situa\u00e7\u00e3o nociva fique toler\u00e1vel. Uma vez tra\u00e7ado um plano para solucionar o problema, ou ao menos admitindo-o, mais recursos podem ser utilizados para atenuar o sofrimento nessa transi\u00e7\u00e3o. Pr\u00e1tica regular de atividade f\u00edsica \u00e9 a principal forma natural de combater os horm\u00f4nios relacionados ao estresse, que reduzem ap\u00f3s exerc\u00edcios, dando lugar a horm\u00f4nios que geram sensa\u00e7\u00e3o de bem estar. Uma boa noite de sono tamb\u00e9m \u00e9 fundamental. Alimenta\u00e7\u00e3o balanceada, uma rotina de sono suficiente tamb\u00e9m ajudam muito.<\/p>\n<p>Caso a pessoa insista em negar para si mesma o que seu corpo est\u00e1 tentando lhe dizer, come\u00e7a um efeito bola de neve. O estresse mina o sistema imunol\u00f3gico e o corpo come\u00e7a a adoecer. Pode ser ostensivo, na forma de v\u00e1rios resfriados, conjuntivites e outras doen\u00e7as oportunistas, ou, pior, pode ser silencioso na forma de uma doen\u00e7a avassaladora que, quando d\u00e1 as caras, nem sempre \u00e9 trat\u00e1vel.<\/p>\n<p>O resultado final pode ser tr\u00e1gico: infarto, derrame e outras consequ\u00eancias s\u00e9rias que podem levar \u00e0 morte. \u00c9 esta a resposta que eu dou para quem diz que n\u00e3o pode largar seu trabalho: e morrer, voc\u00ea pode? <\/p>\n<p>Sempre se pode largar o seu trabalho, mesmo que para isso se demore anos alimentando um Plano B que um dia te permita se desvencilhar daquilo que te faz mal. O grande problema \u00e9 que a pessoa com S\u00edndrome de Burnout frequentemente j\u00e1 n\u00e3o tem for\u00e7as para reagir, precisa que algu\u00e9m lhe d\u00ea um \u201csacode\u201d. N\u00e3o raro s\u00e3o pessoas com filho para criar, que ainda assim, continuam a detonar a pr\u00f3pria sa\u00fade em estado de nega\u00e7\u00e3o, achando que o principal para aquele filho \u00e9 o dinheiro. O principal para um filho \u00e9 um pai e\/ou uma m\u00e3e vivos.<\/p>\n<p>S\u00edndrome de Burnout existe, \u00e9 uma realidade catalogada e classificada no Grupo V da CID-10 (Classifica\u00e7\u00e3o Internacional de Doen\u00e7as) e, como qualquer doen\u00e7a, precisa de tratamento. Qualquer que seja ele: se afastar do que causa a doen\u00e7a, aprender a lidar de outra forma com isso, procurar ajuda, n\u00e3o importa a atitude ou as tentativas necess\u00e1rias, certamente n\u00e3o \u00e9 na in\u00e9rcia que se resolve o problema. Se voc\u00ea acredita sofrer de S\u00edndrome de Burnout, fa\u00e7a-se um favor: saia da in\u00e9rcia HOJE. Qualquer coisa: macumba, terapia regressiva, cirurgia espiritual, psican\u00e1lise, ora\u00e7\u00f5es. QUALQUER COISA, o primeiro passo \u00e9 o mais dif\u00edcil de dar, por isso, vale tudo para quebrar a in\u00e9rcia.<\/p>\n<p>S\u00edndrome de Burnout \u00e9 real e pode matar. Por mais que muita gente (arrogante) pense o contr\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se acostumar a viver assim, um dia essa conta chega e o pre\u00e7o \u00e9 quase sempre imposs\u00edvel de pagar se voc\u00ea demorar a confrontar o problema. Palavra de quem j\u00e1 teve.<\/p>\n<p>Voc\u00ea sabe onde voc\u00ea vai estar daqui a dez anos? E daqui a quinze anos? E daqui a vinte anos? Eu sei. Voc\u00ea vai estar dentro do seu corpo. Portanto, n\u00e3o seja filho da puta com voc\u00ea mesmo e com as pessoas que te cercam e gostam de voc\u00ea: cuide bem dele.<\/p>\n<h3>Para reclamar que o ano j\u00e1 come\u00e7ou com tapa na cara aqui no Desfavor, para dizer que Burnout \u00e9 um nome chique para \u201cpregui\u00e7a\u201d ou ainda para dizer que discutiremos melhor a quest\u00e3o no nosso jantar ano que vem: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esgotamento f\u00edsico e mental, muitas vezes sem uma raz\u00e3o aparente. Cansa\u00e7o, sono excessivo, noites mal dormidas, ins\u00f4nia. Sensa\u00e7\u00e3o de constante peso nos ombros, dor de cabe\u00e7a e mal estar. Fadiga, apatia, perda do poder de concentra\u00e7\u00e3o. Pessimismo, des\u00e2nimo, baixa autoestima. Dores musculares na regi\u00e3o do ombro costas e pesco\u00e7o. Altera\u00e7\u00f5es de humor. 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