{"id":9415,"date":"2016-01-07T06:00:08","date_gmt":"2016-01-07T08:00:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=9415"},"modified":"2016-01-07T05:19:06","modified_gmt":"2016-01-07T07:19:06","slug":"iluminado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2016\/01\/iluminado\/","title":{"rendered":"Iluminado."},"content":{"rendered":"<p>O trabalho de seguran\u00e7a no laborat\u00f3rio n\u00e3o era t\u00e3o emocionante como o previsto. Depois de ter que pegar tr\u00eas avi\u00f5es diferente e passar algumas horas atravessando plan\u00edcies g\u00e9lidas numa esp\u00e9cie de trator de neve, Aderbal encontrou uma moderna instala\u00e7\u00e3o cient\u00edfica subterr\u00e2nea como destino final. Isolado h\u00e1 milhares de quil\u00f4metros da civiliza\u00e7\u00e3o na long\u00ednqua Ant\u00e1rtica, tinha poucos dias restantes do turno de seis meses acordado com seus discretos empregadores. Sua rotina reduzia-se a rondar pelos longos e est\u00e9reis corredores locais durante a noite, o sil\u00eancio sepulcral s\u00f3 quebrado quando encontrava um dos outros seguran\u00e7as.<!--more--><\/p>\n<p>Depois de seus turnos, restava retornar para as \u00e1reas sociais ou descansar em um dos acanhados beliches no dormit\u00f3rio. O contato com a fam\u00edlia era escasso, feito por v\u00eddeos que precisavam ser aprovados por supervisores. A comida j\u00e1 o enjoara meses atr\u00e1s, n\u00e3o tinha privacidade nem mesmo nos banheiros, e ainda por cima mal tinha com quem conversar: cada guarda vinha de um canto do mundo e tudo o que tinham em comum era um ingl\u00eas pra l\u00e1 de enrolado. A \u00fanica compensa\u00e7\u00e3o era a financeira: seis meses de trabalho l\u00e1 equivaliam a dez anos em qualquer outra empresa.<\/p>\n<p>N\u00e3o que o calhama\u00e7o que assinara prometendo sigilo completo e isentando seu contratante de qualquer responsabilidade permitisse que contasse para qualquer outra pessoa, mas at\u00e9 agora n\u00e3o sabia sequer o nome da empresa para qual trabalhava. Se era algo privado ou do governo, n\u00e3o tinha como saber. Mas, seja como for, eram os \u00faltimos dias. N\u00e3o havia enlouquecido como aquele pobre colombiano mandado embora semanas atr\u00e1s por se recusar a sair de sua cama com ataques de p\u00e2nico.<\/p>\n<p>Era mais uma noite tediosa, escutando o som dos pr\u00f3prios passos enquanto rondava o \u00faltimo n\u00edvel cujo acesso lhe era liberado. D\u00e9cimo andar subterr\u00e2neo. Como de costume, passava por dezenas de portas de a\u00e7o maci\u00e7as que pontuavam os longos corredores circulares. Mas pela primeira vez em meses, algo destoava: uma luz azulada escorregava por uma min\u00fascula fresta numa porta distante. A curiosidade e o senso de dever o levaram at\u00e9 l\u00e1 rapidamente. A luz pulsava suavemente, e a cada pulso, tornava-se mais e mais avermelhada. O protocolo dizia para chamar refor\u00e7os imediatamente num caso desses, mas aquela porta entreaberta era um convite. Olhou ao redor, puxou o comunicador e fingiu para a c\u00e2mera que certamente o observava.<\/p>\n<p>Mas ao inv\u00e9s de ouvir uma inevit\u00e1vel ordem para se afastar enquanto o time de conten\u00e7\u00e3o corria at\u00e9 l\u00e1, Aderbal decidiu esperar alguns segundos antes de fazer o chamado e espiar pela fresta. Qualquer coisa para tornar menos enfadonha sua tarefa. Fazia um som estranho, met\u00e1lico e grave. A luz agora estava completamente vermelha, mas cada vez mais t\u00eanue de acordo com os pulsos. Fechando um olho para ter um \u00e2ngulo melhor, ele conseguiu focar num movimento que acontecia dentro daquela sala.<\/p>\n<p>Era&#8230; algu\u00e9m? Um corpo feminino, emanando luz vermelha. Nua em pelo, ou melhor, sem pelo, ela era careca, n\u00e3o tinha sobrancelhas ou mesmo qualquer outra pelagem natural, fez quest\u00e3o de notar. Ela olhava fixamente para um ponto indeterminado da sala, a qual iluminava sozinha. Fascinado, Aderbal gastou mais algum tempo fazendo senso daquela imagem. Com o comunicador diante de sua boca, aperta lentamente o bot\u00e3o para iniciar o contato. Assim que termina o movimento, um leve som de est\u00e1tica ecoa pelo ambiente. Ela se volta imediatamente para sua dire\u00e7\u00e3o. Olhos brancos e sem pupilas, express\u00e3o indecifr\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ele tenta dizer algo, mas sente-se incapaz. Ela, de um vermelho t\u00eanue colore-se esverdeada numa fra\u00e7\u00e3o de segundo. Ambos d\u00e3o um passo para tr\u00e1s, ele mostrando as palmas das m\u00e3os tentando tranqulizar a situa\u00e7\u00e3o, ela tornando-se um violeta muito luminoso antes de desaparecer completamente. Aderbal finalmente d\u00e1 o aviso, uma voz assustada do outro lado ordena que se afaste at\u00e9 o terminal de conten\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3ximo, tranque-se e espere refor\u00e7os com novas ordens. Ele faz exatamente isso, correndo de volta por onde veio at\u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima ao elevador, onde esconde-se detr\u00e1s de uma grossa porta met\u00e1lica para a qual seu cart\u00e3o de acesso respondia. Um poderoso alarme come\u00e7a a ecoar pelos corredores, a luz avermelhada de sirenes tingindo o ambiente com p\u00e2nico.<\/p>\n<p>Poucos segundos depois, pode ouvir o time de conten\u00e7\u00e3o correndo para fora do elevador, ordens berradas em ingl\u00eas e sons de armas sendo preparadas. Posicionado no centro de uma claustrof\u00f3bica sala, a luz intermitente dos alarmes tornando suas tr\u00eamulas m\u00e3os vis\u00edveis em vermelho em curtos intervalos, s\u00f3 para desaparecerem na escurid\u00e3o logo depois. Mesmo com a confus\u00e3o do lado de fora, \u00e9 capaz de escutar a pr\u00f3pria respira\u00e7\u00e3o ofegante dentro daquelas paredes. Aderbal n\u00e3o sabia explicar o que tinha visto, mas era evidente que era algo perigoso. Nada mais explicaria estar no meio do nada com times de soldados prontos para agir segundos depois de um aviso.<\/p>\n<p>A luz vermelha do alarme continuava piscando dentro da sala, mas os sons l\u00e1 fora j\u00e1 diminu\u00edam. \u00c9 quando nota o tom das sirenes mudando lentamente para algo mais azulado. Uma excita\u00e7\u00e3o inexplic\u00e1vel assalta seus sentidos, como se a luz estivesse acariciando sua pele. Uma voz surge sem fonte aparente: &#8220;Eu n\u00e3o quero te fazer mal&#8221;. Aderbal encolhe-se instintivamente, m\u00e3o buscando a arma que carregava no cinto. A luz torna-se violeta: &#8220;N\u00e3o, n\u00e3o fa\u00e7a isso, por favor&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Quem \u00e9 voc\u00ea?&#8221; &#8211; pergunta Aderbal.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sei&#8221; &#8211; a resposta vem imediatamente.<\/p>\n<p>&#8220;Como assim? Base? Voc\u00eas est\u00e3o me ouvindo?&#8221; &#8211; Aderbal come\u00e7a a procurar por alguma caixa de som ao seu redor.<\/p>\n<p>&#8220;Quem \u00e9 base?&#8221; &#8211; a voz vem um pouco menos tensa, a luz das sirenes vai retornando a um tom mais azulado.<\/p>\n<p>&#8220;Foi&#8230; foi voc\u00ea que eu vi na sala?&#8221; &#8211; ele desiste da arma e come\u00e7a a tatear seus arredores. &#8220;A luz&#8230; ela&#8230; ela tem peso&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea est\u00e1 me tocando.&#8221; &#8211; a luz torna-se esverdeada.<\/p>\n<p>&#8220;Quem \u00e9 voc\u00ea?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 disse, n\u00e3o sei.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;D\u00f3i quando eu me mexo?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o, n\u00e3o d\u00f3i. \u00c9 bom&#8230;&#8221; &#8211; a voz come\u00e7a a ficar mais e mais suave, fazendo a luz das sirenes passar para um tom amarelado.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea \u00e9 de outro planeta?&#8221; &#8211; Aderbal v\u00ea a luz ao seu redor come\u00e7ar a reagir de forma impens\u00e1vel, as sombras condensando-se diante de si.<\/p>\n<p>Mais alguns segundos e aquela forma feminina se refaz em sua frente. Vermelha, fascinante. Ele estica a m\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o do rosto dela, que reage num susto, que por uma fra\u00e7\u00e3o de segundo deixa-a totalmente amarela. &#8220;Voc\u00ea&#8230; voc\u00ea \u00e9 linda&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Obrigada.&#8221; &#8211; ela diz, agora esverdeada.<\/p>\n<p>&#8220;Posso?&#8221; &#8211; Aderbal tenta novamente tocar o rosto do ser iluminado \u00e0 sua frente, que dessa vez concorda com um movimento de cabe\u00e7a e deixa-se tocar. A m\u00e3o dele sente alguma resist\u00eancia, mas logo atravessa a forma, fundindo-se. Ela est\u00e1 azul agora.<\/p>\n<p>&#8220;Posso ficar com voc\u00ea? Eu n\u00e3o quero voltar para l\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Como voc\u00ea chegou at\u00e9 aqui?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o me lembro. Eles ficavam me olhando, mas nunca me deixavam toc\u00e1-los. Havia algo me prendendo, eu n\u00e3o queria ficar presa. Eu fiz algo de errado?&#8221; &#8211; ela faz uma express\u00e3o confusa.<\/p>\n<p>&#8220;Mas porque voc\u00ea n\u00e3o falou com eles?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu s\u00f3 sei o que \u00e9 falar agora. S\u00f3 porque eu estou com voc\u00ea.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Acho melhor sairmos daqui e conversarmos com eles&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>A luz fica violeta novamente, o brilho \u00e9 intenso e incomoda os olhos de Aderbal.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o! Eu n\u00e3o quero mais ficar com eles. Me leva embora, por favor!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Calma, calma&#8230; eu n\u00e3o quero te fazer mal, ok? Vai ficar tudo bem.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu tenho bra\u00e7os, pernas&#8230; assim como voc\u00ea&#8230; mas porque eu tenho isso?&#8221; &#8211; a forma de luz segura o que seriam seus seios.<\/p>\n<p>&#8220;Porque voc\u00ea \u00e9 mulher?&#8221; &#8211; agora \u00e9 Aderbal que fica avermelhado.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea gosta dessa forma? Os outros sorriam para mim quando eu assumia essa forma.&#8221; &#8211; ela estufa o peito, oferecendo os seios com um sorriso de satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Gosto&#8230; gosto sim&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o voc\u00ea me leva embora?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 mais complicado do que isso&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>O som do metal rangendo quebra a conversa, fazendo a forma luminosa rapidamente tornar-se violeta at\u00e9 desaparecer completamente. Um dos soldados do time de conten\u00e7\u00e3o entra, fuzil em punho: &#8220;Status?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Guarda!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Tudo&#8230; tudo bem. J\u00e1 posso sair?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Sim. Acompanhe-me.&#8221;<\/p>\n<p>Nas horas seguintes, Aderbal passa por diversas descontamina\u00e7\u00f5es, sendo interrogado insistentemente por v\u00e1rios cientistas a cada um deles, nem uma palavra sobre o ser com o qual conversara. Com a pele em vermelho vivo pela escova\u00e7\u00e3o e a \u00e1gua escaldante, \u00e9 deixado numa sala isolada alguns andares acima, deitado numa cama desconfort\u00e1vel e debilmente iluminado por um abajur num criado mudo ao seu lado. A luz amarelada come\u00e7a a mudar de tonalidade para algo mais esverdeado.<\/p>\n<p>&#8220;Agora n\u00e3o. Espera at\u00e9 eu te dizer quando.&#8221;<\/p>\n<p>A luz volta \u00e0 sua colora\u00e7\u00e3o normal. Algumas horas mais tarde, ele \u00e9 liberado para voltar aos aposentos da guarda, e logo \u00e9 dispensado do servi\u00e7o com pagamento integral, o qual n\u00e3o faz a m\u00ednima men\u00e7\u00e3o de negar. As perguntas que ouve o fazem presumir que nenhuma c\u00e2mera filmou sequer o seu primeiro contato com aquela luz. J\u00e1 com as malas prontas e um grosso casaco para aguentar a temperatura da noite ant\u00e1rtica, aproveita uma distra\u00e7\u00e3o do soldado que o acompanhava para perguntar num sussurro: &#8220;Voc\u00ea ainda est\u00e1 comigo?&#8221;<\/p>\n<p>Uma luz de seguran\u00e7a logo a sua frente muda de tom por menos de um segundo. Aderbal sorri. Horas mais tarde, numa pista de gelo onde esperava um pequeno avi\u00e3o militar terminar seu abastecimento, ele pode ver os primeiros raios de sol brilhando no horizonte pela primeira vez em meses.<\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e1 vendo isso?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Sim, \u00e9 lindo. \u00c9 t\u00e3o lindo&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 sua primeira vez vendo o Sol?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Sim. N\u00e3o sei porque eles n\u00e3o queriam que eu visse&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Como assim?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Algo sobre eu ter controle sobre toda a vida no planeta assim que eu tivesse acesso a ele.&#8221;<\/p>\n<p><em>Fim.<\/em><\/p>\n<h3>Para dizer que demorou para entender, para dizer que dormiu nessa aula, ou mesmo para dizer que agora quer pegar em peitos de luz: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O trabalho de seguran\u00e7a no laborat\u00f3rio n\u00e3o era t\u00e3o emocionante como o previsto. Depois de ter que pegar tr\u00eas avi\u00f5es diferente e passar algumas horas atravessando plan\u00edcies g\u00e9lidas numa esp\u00e9cie de trator de neve, Aderbal encontrou uma moderna instala\u00e7\u00e3o cient\u00edfica subterr\u00e2nea como destino final. Isolado h\u00e1 milhares de quil\u00f4metros da civiliza\u00e7\u00e3o na long\u00ednqua Ant\u00e1rtica, tinha [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":9416,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-9415","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-des-contos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9415","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9415"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9415\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9416"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}