{"id":943,"date":"2011-08-26T07:00:00","date_gmt":"2011-08-26T10:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=943"},"modified":"2025-12-12T13:44:22","modified_gmt":"2025-12-12T16:44:22","slug":"des-cult-minhas-sinceras-desculpas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2011\/08\/des-cult-minhas-sinceras-desculpas\/","title":{"rendered":"Des Cult: Minhas Sinceras Desculpas"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"titleimg\" src=\"http:\/\/i363.photobucket.com\/albums\/oo74\/desfavor\/img\/cult_monologo.jpg\" alt=\"Voc\u00ea n\u00e3o vai acreditar...\" \/>Confesso que fui ao teatro arrastada e de m\u00e1 vontade. Eu n\u00e3o queria ver aquela pe\u00e7a por um \u00fanico motivo: eu n\u00e3o gosto da atua\u00e7\u00e3o do ator desta pe\u00e7a na TV. Acho seu programa uma titica e seus personagens um desfavor. Mas fui. Fui esperando o pior, esperando duas horas de piadas sem gra\u00e7a onde todos se divertiriam menos eu.<\/p>\n<p>N\u00e3o custa lembrar que aqui a gente n\u00e3o se prostitui nem prostitui texto. Nunca ganhei nada de ningu\u00e9m para escrever sobre assunto nenhum, nem vou. No dia em que eu aceitar um ingresso de teatro considerarei que a minha parcialidade para escrever sobre o assunto estar\u00e1 comprometida. N\u00e3o conhe\u00e7o o ator e n\u00e3o fui com o objetivo de divulgar, criticar ou fazer propaganda. Sinceramente, fui com a inten\u00e7\u00e3o de dormir e nem ao menos sonhei que pudesse escrever sobre a pe\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderia ter me surpreendido mais. Surpresa dupla: com o ator e com a imbecilidade da plat\u00e9ia, que foi muito maior do que eu pudesse mensurar. Contarei com detalhes, mas n\u00e3o muitos, para n\u00e3o estragar a proposta da pe\u00e7a.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 estava esperando que ele entre em cena todo paramentado como um de seus personagens televisivos. Foi um al\u00edvio quando o vi de cara lavada e apenas uma cal\u00e7a e uma blusa branca. Foi um al\u00edvio quando ouvi sua voz normal, que diga-se de passagem, \u00e9 bonita e n\u00e3o irritante como aparece na TV. Mas, acima de tudo, vi uma calma e seguran\u00e7a incomum em um rapaz de 22 anos que estava prestes a fazer o que ele ia fazer.<\/p>\n<p>Ele come\u00e7a a pe\u00e7a conversando com a plat\u00e9ia. Simples, humilde. Na plat\u00e9ia pude sentir uma impaci\u00eancia coletiva no ar, como se todos estivessem pensando \u201cT\u00e1, t\u00e1 bom, mas&#8230; quando \u00e9 que a pe\u00e7a vai come\u00e7ar e voc\u00ea vai fazer seus personagens?\u201d. O ator n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed, ele continua falando na maior calma. Mais para frente ele diz com todas as letras que se algu\u00e9m foi at\u00e9 l\u00e1 esperando que ele fa\u00e7a o que ele faz na TV, perdeu seu tempo. Eu comecei a bater palmas nessa hora, mas fui contida mediante esporro.<\/p>\n<p>O ator desenvolve a pe\u00e7a de uma forma genial. Ele faz o que ele quer, n\u00e3o o que o mercado demanda. Ele faz o tipo de teatro que ele gosta e de vez em quando prende a aten\u00e7\u00e3o da parcela ac\u00e9fala da plat\u00e9ia (99%) com um palavr\u00e3o ali, uma escatologia ali. Mas deixa claro o tempo todo seu prop\u00f3sito e a plat\u00e9ia sem perceber o segue, como filhotes de patinho atr\u00e1s da m\u00e3e. Ele mant\u00e9m a plat\u00e9ia ref\u00e9m, atrav\u00e9s de um palavr\u00e3o aqui, uma baixaria ali, fazendo-a assistir ao que ele quer.<\/p>\n<p>As pessoas ao meu lado comentam cochichando \u201ceu n\u00e3o acredito que ele n\u00e3o vai fazer o personagem tal&#8230; eu vim s\u00f3 para isso\u201d. Eu rio por dentro. O ator mostrou que \u00e9 muito mais do que seus personagens burlescos de televis\u00e3o. Isto o fez subir muito no meu conceito, porque ele sabe ser tudo: personagem med\u00edocre ou bom ator. Gente que s\u00f3 sabe ser cult ou s\u00f3 sabe ser trash \u00e9 igualmente med\u00edocre. Aqueles que transitam por todos os meios e sabem interagir com todos os p\u00fablicos sim s\u00e3o os que tem m\u00e9rito. Mais: ele deixou claro que sabe o que o p\u00fablico quer e teve culh\u00f5es de n\u00e3o dar.<\/p>\n<p>Assim como a gente do Desfavor, o ator fazia a pe\u00e7a por amor. Ele n\u00e3o recebe um centavo por essa pe\u00e7a. O dinheiro vai para as pessoas que trabalham com ele no teatro. Ele vem de uma fam\u00edlia ligada a teatro, tem amor pela causa. Quando voc\u00ea faz as coisas s\u00f3 por amor, sem interesse em uma contrapresta\u00e7\u00e3o financeira, tudo fica mais sincero. N\u00e3o que ele seja santo, ele deixou muito claro que sabe dar o med\u00edocre a quem quer o med\u00edocre, como faz uma vez por semana na televis\u00e3o, em troca de dinheiro.<\/p>\n<p>Da\u00ed voc\u00ea deve estar pensando: se as pessoas s\u00e3o babacas a ponto de consumir esse tipo de merda, n\u00e3o resta nada al\u00e9m de lamentar, certo? Errado. Resta outra alternativa escolhida pelo ator: ca\u00e7oar do pr\u00f3prio p\u00fablico. Ele se aproveita da idolatria do p\u00fablico por seus personagens televisivos para mant\u00ea-los ref\u00e9ns e faz\u00ea-los ouvir o que ele tem a dizer. Genial.<\/p>\n<p>Pude perceber que no correr da pe\u00e7a o grau de deboche com o p\u00fablico que consome seus personagens de TV aumentava progressivamente. Eu estava quase subindo no palco para beijar os p\u00e9s dele. O mais engra\u00e7ado \u00e9 que o p\u00fablico estava perdido, confuso, sem entender absolutamente nada mas tentando desesperadamente encontrar alguma l\u00f3gica naquilo para fingir que entendeu. Afinal, s\u00f3 os s\u00e1bios conseguem ver a roupa invis\u00edvel do rei. As risadas nos momentos inadequados, os coment\u00e1rios cochichados e as caras da plat\u00e9ia me faziam ter certeza de que ningu\u00e9m ali estava entendendo a real proposta da pe\u00e7a.<\/p>\n<p>O ator prosseguiu com sua proposta, at\u00e9 chegar a um ponto em que burrice e a inadequa\u00e7\u00e3o da plat\u00e9ia foi tanta, que o fez abrir m\u00e3o da sutileza e ele disse com todas as letras o que pensava. E ainda assim a plat\u00e9ia n\u00e3o entendeu e riu. Pois \u00e9, foi isso mesmo. Ele esculhambou com a plat\u00e9ia, e a plat\u00e9ia n\u00e3o entendeu e riu.<\/p>\n<p>Foi desesperador para a meia d\u00fazia de seres humanos pensantes presentes. Ele disse com todas as letras que as pessoas n\u00e3o sabem apreciar uma pe\u00e7a de teatro, que est\u00e3o idiotizadas pela televis\u00e3o e que s\u00e3o ignorantes o suficiente para ir ao teatro e esperar uma reprodu\u00e7\u00e3o do que se v\u00ea na TV. Pensa que ficou cheiro de merda no ar? Nada, todo mundo riu achando que era piada.<\/p>\n<p>O ator, com express\u00e3o impaciente e desolada, ainda chamou a aten\u00e7\u00e3o para o fato da plat\u00e9ia rir sempre que ele fala um palavr\u00e3o, destacando que isso n\u00e3o \u00e9 humor. E disse com todas as letras que quem ri de palavr\u00e3o \u00c9 BURRO. Quando ele estava se lamentando, na maior educa\u00e7\u00e3o, que todo mundo riu quando ele falou palavr\u00f5es ao longo da pe\u00e7a, eu, por instinto, fiz um sinal de \u201cn\u00e3o\u201d com o dedo. Por um segundo ele me olhou e lan\u00e7ou um sorriso maroto.<\/p>\n<p>O auge foi quando ele disse que iria provar como todos os que estavam ali eram burros e ria por pouca merda e come\u00e7ou a imitar seu personagem mais famoso. Antes de come\u00e7ar disse que quem risse daquilo era BURRO. Come\u00e7ou a imit\u00e1-lo e todos ca\u00edram na gargalhada. Senhoras e Senhores, trollagem no teatro \u00e9 poss\u00edvel. Meu her\u00f3i!<\/p>\n<p>Mas a humilha\u00e7\u00e3o unilateral n\u00e3o parou por a\u00ed. Em determinado momento ele se impacientou, colocou as m\u00e3os na cintura e disse \u201cVamos l\u00e1, voc\u00eas querem o que voc\u00eas viram na TV? O que voc\u00eas querem que eu fa\u00e7a?\u201d. A plat\u00e9ia come\u00e7ou a gritar nomes de personagens. A medida que a plat\u00e9ia ia gritando, ele ia fazendo trechos dos personagens e depois dizia coisas como \u201cT\u00e1, e a\u00ed?\u201d como quem diz \u201cgrandes merda fazer isso\u201d. Passeou por cinco ou seis personagens que ele faz e quando acabou deu uma grande li\u00e7\u00e3o na plat\u00e9ia, pena que poucos entenderam o que ele estava dizendo. Adorei a forma como ele tratou com desd\u00e9m seus personagens da TV.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou falar mais para n\u00e3o estragar a pe\u00e7a e a proposta da pe\u00e7a. Quero falar agora do p\u00f3s-pe\u00e7a, quando o ator saiu de cena, de forma pouco convencional. A rea\u00e7\u00e3o da plat\u00e9ia se dividiu em basicamente duas: aqueles que, sem perceber, se assumiram burros e acharam a pe\u00e7a uma merda ou aqueles que ficaram com vergonha de n\u00e3o ter entendido nada e sa\u00edram dizendo coisas gen\u00e9ricas como \u201cele \u00e9 muito doido, n\u00e9?\u201d ou ent\u00e3o se apegaram aos quinze segundos que ele fez as imita\u00e7\u00f5es televisivas (com o claro prop\u00f3sito de avacalhar com a plat\u00e9ia) dizendo \u201cViu? Viu? Viu que maneiro quando ele fez o personagem tal?\u201d. S\u00f3 isso que eles assimilaram da pe\u00e7a, os quinze segundos do personagem tal.<\/p>\n<p>Foram programados para ver o personagem tal e diante da mudan\u00e7a proposta pelo ator n\u00e3o souberam reajustar suas expectativas. N\u00e3o souberam nem ENTENDER que seria necess\u00e1rio fazer esta adequa\u00e7\u00e3o. Ficaram idiotizados, sem saber lidar com o imprevisto. Porque jogo de cintura para se adaptar e lidar com imprevistos requer um m\u00ednimo de intelig\u00eancia. Infelizmente a cultura e os meios de comunica\u00e7\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o padronizados e previs\u00edveis que quando algo sai do esperado as pessoas n\u00e3o apenas n\u00e3o entendem como muitas vezes nem percebem. \u00c9 nisso que d\u00e1 ningu\u00e9m inovar, as pessoas est\u00e3o idiotizadas por causa do humor massificado. Desaprenderam a interpretar.<\/p>\n<p>Juro para voc\u00eas que eu fiquei deprimida ao final da pe\u00e7a. Como pode tanta gente burra com t\u00e3o alto poder aquisitivo? As pessoas s\u00e3o incapazes de depreender o conte\u00fado global (no sentido de conte\u00fado total) da pe\u00e7a e de conectar id\u00e9ias. De todas as coisas interessantes que ele fez e disse o que ficou marcado na cabecinha tosca das pessoas foram aqueles quinze segundos de personagem televisivo (para o qual a plat\u00e9ia se programou) ou aquela piadinha escatol\u00f3gica ou com palavr\u00f5es, contada justamente para provar o ponto do ator: a plat\u00e9ia \u00e9 burra.<\/p>\n<p>As pessoas n\u00e3o entenderam nada. E, ao n\u00e3o entender, a rea\u00e7\u00e3o foi dizer que gostou, que achou bacana. Porque? Porque \u00e9 um ator de televis\u00e3o com personagens famoso, ent\u00e3o, tem que achar bacana, afina, o cara deve ser bom, n\u00e9? Se todo mundo gosta, se o programa dele tem audi\u00eancia, melhor achar bom, vai que algu\u00e9m te acha burro por contrariar a maioria! Gente sem ju\u00edzo cr\u00edtico sofre desta mazela: tem sempre que acompanhar a maioria sob pena se ser taxado de imbecil. Porque ao discordar da maioria voc\u00ea tem que apresentar argumentos muito bem fundamentados, caso contr\u00e1rio \u00e9 execrado. Falo com conhecimento de causa, porque escrevo uma coluna aqui chamada \u201cFlertando com o Desastre\u201d destinada justamente a discordar da maioria nos mais diversos temas.<\/p>\n<p>Durante a pe\u00e7a toda, ele oscila em diferentes tipos de est\u00edmulo que joga para a plat\u00e9ia, quase que em uma experi\u00eancia antropol\u00f3gica, medindo at\u00e9 onde chega o grau de burrice das pessoas hoje em dia. Tal qual traficante, liberando aos poucos droga para o viciado, o ator vai dando seu recado e mantendo a plat\u00e9ia presa em seu relato com eventuais gotas do humor que eles demandam, coisas como \u201cquando eu era pequeno enfiei uma escova de dentes no cu\u201d. Assim, ele manipula as pessoas (para o bem delas, diga-se de passagem) e as faz ouvir o seu recado. Pena que ningu\u00e9m entende, por mais claro que ele tenha falado. As pessoas est\u00e3o mentalmente bloqueadas e cegas a qualquer coisa que fuja de linguagem simpl\u00f3ria de TV ou 140 caracteres de Twitter.<\/p>\n<p>Confesso que hoje veria o programa de TV do ator com outros olhos, porque sei que ele sabe fazer mais, pode fazer mais e s\u00f3 faz aquilo porque quer. Bacana, vers\u00e1til. Agora os personagens do ator na TV n\u00e3o me irritam mais, os encaro como deboche a toda essa massa burra que os assiste, ri e bate palminha, como focas retardadas, em suas poltronas.<\/p>\n<p>Eduardo Sterblitch, suas sinceras desculpas est\u00e3o aceitas. Sua pe\u00e7a \u00e9 muito boa. E olha que em tr\u00eas anos de blog n\u00e3o me lembro de ter elogiado aberta e sinceramente quase nada. Voc\u00ea usou como isca seus personagens de TV para reunir pessoas e falar-lhes umas verdades na cara, com muita educa\u00e7\u00e3o, muito charme e muita sutileza. Voc\u00ea fez a sua parte, se eles n\u00e3o entenderam, problema deles. Voc\u00ea contribuiu para um mundo melhor. E me divertiu por duas horas.<\/p>\n<p>\u201cMinhas sinceras desculpas\u201d, mon\u00f3logo de Eduardo Sterblitch, humorista do p\u00e2nico que faz, entre outros personagens, Freddy Mercury Prateado, Ursinho Gente Fina, Cesar Polvilho, Malisa e outros. Desfavor recomenda.<\/p>\n<h3>Para dizer que se a gente recomenda deve ser uma bosta, para dizer que voc\u00ea gosta de P\u00e2nico na TV e est\u00e1 ofendido com o texto ou ainda para dizer que voc\u00ea est\u00e1 ofendido com Eduardo Sterblitch sem sequer ter visto a pe\u00e7a: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confesso que fui ao teatro arrastada e de m\u00e1 vontade. 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