{"id":9538,"date":"2016-01-31T16:00:02","date_gmt":"2016-01-31T18:00:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=9538"},"modified":"2016-01-31T14:54:15","modified_gmt":"2016-01-31T16:54:15","slug":"tender-critica-the-hateful-eight","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2016\/01\/tender-critica-the-hateful-eight\/","title":{"rendered":"Tender critica: The Hateful Eight"},"content":{"rendered":"<h2>The Hateful Eight<\/h2>\n<p>(Brasil: Os oito odiados), 2015 &#8211; Dirigido por: Quentin Tarantino. Estrelando:  Kurt Russell , Jennifer Jason Leigh , Samuel L. Jackson , Walton Goggins , Demian Bichir , Tim Roth , Michael Madsen. G\u00eanero: Faroeste.<!--more--><\/p>\n<style>.embed-container { position: relative; padding-bottom: 56.25%; height: 0; overflow: hidden; max-width: 100%; } .embed-container iframe, .embed-container object, .embed-container embed { position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%; }<\/style>\n<div class='embed-container'><iframe src='https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QPvuptLl_H8' frameborder='0' allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<hr \/>\n<p>Desta vez meus amigos, escolhi uma miss\u00e3o dif\u00edcil: criticar um filme do diretor de cinema que mais gosto, Quentin Tarantino. Digo isso porque me tornei cin\u00e9filo ap\u00f3s assistir Pulp Fiction, quando ainda era um jovem padawan. O estil\u00e3o cool, a linguagem r\u00e1pida, a viol\u00eancia inteligente e ao mesmo tempo fanfarrona, tudo isso me conquistou de uma maneira \u00fanica. Creio que n\u00e3o exista um filme de Tarantino que eu n\u00e3o goste, mas h\u00e1 uma lista das obras que gosto menos, como &#8220;Jackie Brown&#8221;, &#8220;\u00c0 prova de morte&#8221; e agora &#8220;Os oito odiados&#8221;. Sim, \u00e9 triste dizer isso, porque &#8220;Os Oito Odiados&#8221; \u00e9 um bom filme, mas alguns detalhes fizeram com que eu n\u00e3o gostasse plenamente do filme.<\/p>\n<p>O primeiro desses detalhes \u00e9 que ele veio na sequ\u00eancia de &#8220;Django Livre&#8221;, tamb\u00e9m um faroeste no estilo spaghetti. O faroeste spaghetti t\u00eam como caracter\u00edsticas a m\u00fasica marcante, os personagens dur\u00f5es e levam esse nome por causa das loca\u00e7\u00f5es, em sua maioria na It\u00e1lia, e tamb\u00e9m por causa dos diretores italianos, sendo o mais famoso deles S\u00e9rgio Leone. Tarantino bebeu dessa fonte para gravar tanto &#8220;Django&#8221; como &#8220;Os oito odiados&#8221;, este segundo inclusive recebeu a trilha sonora de Ennio Morricone, um verdadeiro mestre. A trilha de Ennio se destaca desde o in\u00edcio em  &#8220;Os oito odiados&#8221;, que come\u00e7a com uma m\u00fasica bem marcante em um ambiente hostil. Essa primeira cena demonstra o quanto Tarantino preza para a composi\u00e7\u00e3o de seus filmes, sempre com uma fotografia impec\u00e1vel. <\/p>\n<p>Falando em fotografia, todo o filme foi rodado em 70 mm e isso traz para a tela uma vis\u00e3o mais ampla da cena gravada, Nos faroestes antigos, o 70 mm era usado para mostrar os cen\u00e1rios, as ambienta\u00e7\u00f5es, o oeste selvagem como personagem integrante da hist\u00f3ria. Por\u00e9m, boa parte deste filme se passa em uma cabana, com v\u00e1rias pessoas confinadas por causa de uma nevasca, ent\u00e3o o \u00fanico objetivo da utiliza\u00e7\u00e3o do filme 70 mm \u00e9 para que o expectador preste aten\u00e7\u00e3o em todo o quadro de imagem, com coisas acontecendo sempre nos quadrantes do quadro, justificando assim o g\u00eanero dentro do g\u00eanero que vai se criando em cena.<\/p>\n<p>O g\u00eanero principal \u00e9 o faroeste, disso n\u00e3o se tem d\u00favida, mas o pano de fundo \u00e9 uma esp\u00e9cie de guerra fria, j\u00e1 que a hist\u00f3ria se passa no final da guerra civil americana, vencida pelo Ex\u00e9rcito da Uni\u00e3o. Para quem faltou na aula de hist\u00f3ria, a guerra civil aconteceu em decorr\u00eancia da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura nos EUA. No norte ficavam os abolicionistas, enquanto que no sul ficavam os escravagistas, que se reuniram no ex\u00e9rcito dos confederados. O norte era mais rico e tinha mais recursos, ent\u00e3o foi uma guerra relativamente f\u00e1cil de ser vencida, mas at\u00e9 hoje h\u00e1 muitos resqu\u00edcios dessa guerra nos EUA, gerando atos de preconceito e atrocidades contra negros a todo momento, principalmente no sul do pa\u00eds.<\/p>\n<p>No filme, essa divis\u00e3o fica marcada pela presen\u00e7a de Samuel L. Jackson, ator recorrente nos filmes de Tarantino, que interpreta o Major Marquis Warren, um combatente negro da Uni\u00e3o que supostamente se correspondia com Abraham Lincoln. Por causa da nevasca, ele acaba pedindo carona para John Ruth (Kurt Russell), um ca\u00e7ador de recompensas que est\u00e1 levando a procurada Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) para ser enforcada em Red Rock. A poucos metros de dist\u00e2ncia, os tr\u00eas acabam se encontrando com Chris Mannix (Walton Goggins), um renegado do sul que diz ser o novo xerife de Red Rock.<\/p>\n<p>J\u00e1 na pequena dilig\u00eancia com os quatro personagens dividem, se percebe a divis\u00e3o de classe que vai se intensificando ao longo do filme. De um lado John Ruth e Daisy Domergue, do outro Major Warren e Chris Mannix, que s\u00e3o obrigados a viajarem juntos, mesmo com ideologias extremamente opostas. Chegando no Armaz\u00e9m da Minnie, um ref\u00fagio da nevasca, eles se encontram com outros quatro personagens: Bob (Demian Bichir), encarregado de cuidar do armaz\u00e9m enquanto Minnie visita a m\u00e3e, Oswaldo Mobray (Tim Roth), o vaqueiro Joe Gage (Michael Madsen), e o General Confederado Sanford Smithers (Bruce Dern).<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, a divis\u00e3o de ideologias toma novas propor\u00e7\u00f5es, com uma divis\u00e3o f\u00edsica do armaz\u00e9m e tomando uma mesa como zona neutra, reproduzindo a guerra civil em escala reduzida. E \u00e9 aqui que come\u00e7a o problema, j\u00e1 que Tarantino tenta fazer do filme uma homenagem a si mesmo. A come\u00e7ar por &#8220;C\u00e3es de Aluguel&#8221;, j\u00e1 que temos um bando de personagens confinados em um pequeno ambiente, aonde cada um possui uma mentalidade, um objetivo e cada um levar\u00e1 a ferro e fogo para ter alguma vantagem sobre os outros. Apesar dos di\u00e1logos tarantinescos, cheios de reviravoltas, tudo em &#8220;Os oito odiados&#8221; me fez lembrar de  &#8220;C\u00e3es de Aluguel&#8221;, com a exce\u00e7\u00e3o de que C\u00e3es trazia algo de novidade, enquanto que o novo filme \u00e9 apenas uma refer\u00eancia. Nisso, parece que Tarantino deixou subir o estilo \u00e0 cabe\u00e7a e ficou prisioneiro de suas pr\u00f3prias obras, erro similar j\u00e1 foi cometido por M.Night Shyamalan e Michael Bay.<\/p>\n<p>Outra coisa que me incomodou foi a voz em off ap\u00f3s a primeira metade do filme, o que acaba detalhando demais o que est\u00e1 acontecendo em cena. A desconstru\u00e7\u00e3o do roteiro \u00e9 uma marca registrada de Tarantino, que vai e volta no tempo sem d\u00f3 nem piedade e nem por isso precisa ficar se explicando. Essa voz em off acabou destacando detalhes da trama que poderiam ser percebidas pela perspic\u00e1cia de quem assiste, como \u00e9 o que acontece tanto em &#8220;Pulp Fiction&#8221; quanto em &#8220;Kill Bill&#8221;. A partir do momento em que o diretor precisa ficar se explicando para justificar a trama, parece que alguma coisa ficou a ser pensada com mais carinho. Sendo assim, mesmo que Major Warren e Cris Mannix acabem formando uma dupla inesperada, o que remete ao dito popular o inimigo do meu inimigo \u00e9 meu amigo, a solu\u00e7\u00e3o final acaba ficando meio for\u00e7ada.<\/p>\n<p>Aqui volto a ressaltar que o filme n\u00e3o \u00e9 ruim e nem a hist\u00f3ria \u00e9 \u00f3bvia, mas parece que Tarantino deu uma ligada no autom\u00e1tico, abusou de seus pr\u00f3prios trejeitos e trouxe uma obra sem sua tradicional genialidade. Bom, pelo menos \u00e9 algo original, algo raro em se tratando de Hollywood nos \u00faltimos tempos, mas quando vemos a assinatura de Quentin no cartaz, sempre pensamos em ver algo novo, inusitado e diferente, o que n\u00e3o \u00e9 o caso. Mesmo assim, as atua\u00e7\u00f5es est\u00e3o magn\u00edficas, tanto Samuel quanto Walton est\u00e3o muito bem explorados, com performances de tirar o chap\u00e9u. Os outros atores tamb\u00e9m est\u00e3o muito bem, principalmente os que j\u00e1 possuem parceria de longa data com o diretor. Destaque tamb\u00e9m para Jennifer Jason Leigh, que come\u00e7a como uma pobre coitada e termina dando cartada nos incautos que deram o azar de acabar caindo no armaz\u00e9m com ela.<\/p>\n<p>De uma forma geral, &#8220;Os oito odiados&#8221; traz a tradicional assinatura de Tarantino, com di\u00e1logos \u00e1cidos, viol\u00eancia e um estilo pr\u00f3prio, mas ao mesmo tempo n\u00e3o traz nada de novo. Se voc\u00ea consegue suportar mais de meia hora de di\u00e1logos ferrenhos e uma solu\u00e7\u00e3o um tanto quanto apressada, com certeza ir\u00e1 gostar do filme, mas se espera ser surpreendido, ter\u00e1 uma bela decep\u00e7\u00e3o. De qualquer forma, vale a pena assistir, j\u00e1 que o pr\u00f3prio diretor afirma parar de dirigir ap\u00f3s seu d\u00e9cimo filme. Como &#8220;Os oito odiados&#8221; \u00e9 o oitavo da contagem, \u00e9 melhor curtir antes que a gra\u00e7a acabe.<\/p>\n<p><strong><em>Por: Tender, o pseudo cr\u00edtico<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>The Hateful Eight (Brasil: Os oito odiados), 2015 &#8211; Dirigido por: Quentin Tarantino. Estrelando: Kurt Russell , Jennifer Jason Leigh , Samuel L. Jackson , Walton Goggins , Demian Bichir , Tim Roth , Michael Madsen. 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