{"id":9729,"date":"2016-03-10T08:12:40","date_gmt":"2016-03-10T11:12:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=9729"},"modified":"2016-03-10T03:03:39","modified_gmt":"2016-03-10T06:03:39","slug":"as-pedras-do-meu-caminho-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2016\/03\/as-pedras-do-meu-caminho-parte-1\/","title":{"rendered":"As pedras do meu caminho &#8211; Parte 1"},"content":{"rendered":"<p>A maioria topou, ent\u00e3o, come\u00e7a hoje uma releitura do livro \u201cAs pedras do meu caminho\u201d, que retrata a vida do nosso amador, idolatrado Rafael Pilha. <\/p>\n<p>Como a coisa vai funcionar: uma cruza de uma cr\u00edtica normal da coluna Des Cult, por\u00e9m mais detalhada, cap\u00edtulo a cap\u00edtulo, com Plant\u00e3o Pilha. N\u00e3o ser\u00e1 um cap\u00edtulo por texto, pois alguns s\u00e3o muito curtos e outros muito longos para isso. Ser\u00e1 uma dose bacana e compilada dos melhores momentos da visa do nosso her\u00f3i.<!--more--><\/p>\n<h2>CAP\u00cdTULO 1 \u2013 A VIDA POR UM FIO<\/h2>\n<p>Apenas um artif\u00edcio de tens\u00e3o inicial para prender o leitor. Adianta o incidente do elevador, minuciosamente descrito aqui em 2009. Compreendo, afinal, o cap\u00edtulo seguinte fala da inf\u00e2ncia do Pilha, quando ele ainda n\u00e3o tinha autonomia para merdar em grande estilo. Normal que antes de um cap\u00edtulo mais parado se coloque uma leve taquicardia para prender o leitor. Considerando que o cap\u00edtulo tem tr\u00eas par\u00e1grafos, j\u00e1 deu de falar dele.<\/p>\n<h2>CAP\u00cdTULO 2 \u2013 FILHO DE M\u00c3E SOLTEIRA E PAI ADOTIVO<\/h2>\n<p>Come\u00e7a no nascimento do Pilha, que j\u00e1 veio com sua marca registrada. Al\u00e9m de ser prematuro (j\u00e1 nasceu dando trabalho), tamb\u00e9m escolheu bem a data: uma quarta-feira de cinzas. Transtornando desde o \u00fatero. Mam\u00e3e Pilha, Dona Sylvia a quem tanto devemos por nos brindar com esse ser humano maravilhoso, tinha apenas 18 anos. O cap\u00edtulo a retrata apenas como \u201cm\u00e3e solteira\u201d. Papai Pilha ningu\u00e9m sabe, ningu\u00e9m viu. Pilha, obviamente, nasceu no Rio de Janeiro, de onde costuma vir esse tipo de ser humano que eu enquadro na categoria de \u201cDesfavor Fascinante\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o se faz isso com o uma pessoa como eu. Imediatamente comecei a especular mentalmente de quem seria essa semente t\u00e3o rica e ousada que fez brotar nosso Pilha. Tantas possibilidades&#8230; Seria Pilha filho de um cientista? De um criminoso? Pensa bem, ele poderia ser at\u00e9 filho do Silvio Santos. Eu gosto de acreditar que o Pilha \u00e9 filho do Silvio Santos, pois isso faria dele herdeiro do SBT. Seria um sonho ver um DNA feito no Ratinho e o Pilha clamando seu imp\u00e9rio. Realiza, domingos \u00e0 tarde, 8 horas de um programa chamado \u201cThe Pilha Show\u201d.<\/p>\n<p>O que se sabe \u00e9 que quando o pequeno Pilha tinha apenas dois meses um rapaz de 19 anos come\u00e7ou a namorar Mam\u00e3e Pilha e tr\u00eas meses depois j\u00e1 tinha registrado Pilha como seu filho. Dona Sylvia, com sua psicologia \u00fanica que gerou esse ser humano maravilhoso que \u00e9 o Pilha, afirma que nunca mimou o filho: \u201cNunca dei moleza para o Rafael, desde pequeno, porque achava que ele ia virar viado de tanto que todo mundo paparicava ele\u201d. <\/p>\n<p>Isso mesmo, Dona Sylvia, t\u00e1 certa! Vai ver muito afeto gera, como efeito colateral, a vontade de queimar a rosca. E para voc\u00ea que critica Dona Sylvia, pensa comigo: o Pilha fez tudo quanto \u00e9 coisa nessa vida, menos dar o cu. Drogado? Ok. Sequestrador? Dizem. Suicida? Check. Viol\u00eancia? Sim. Mas o cu ele n\u00e3o deu! N\u00e3\u00e3\u00e3\u00e3o, o cu ele n\u00e3o deu! Dona Sylvia fazendo escola! J\u00e1 pode ser vice do Bolsonaro. <\/p>\n<p>Ela conta como seu filho come\u00e7ou a falar cedo, com dez meses. Com um ano, falava com perfei\u00e7\u00e3o. O afeto infinito de Mam\u00e3e Pilha continua: \u201cA gente brincava que ele n\u00e3o parecia uma criancinha e sim um an\u00e3o\u201d. Nesse ambiente saud\u00e1vel de carinho, tendo sua cria\u00e7\u00e3o pedagogicamente direcionada para n\u00e3o virar viado e ouvindo que n\u00e3o era uma crian\u00e7a e sim um an\u00e3o, foi forjada a fant\u00e1stica personalidade de Rafael Pilha.<\/p>\n<p>Dona Sylvia conta que tinha um truque que ela considerava \u201cinfal\u00edvel\u201d para que Pilha n\u00e3o mentisse: ela dizia que os olhos dele brilhavam quando ele mentia. Dona Sylvia, funcionou. Funcionou que \u00e9 uma beleza sua estrat\u00e9gia pedag\u00f3gica, pois at\u00e9 hoje vemos Pilha dizer ao delegado que ele estava com uma arma com numera\u00e7\u00e3o raspada e ele n\u00e3o percebeu ou dar entrevista dizendo que parou de tomar os rem\u00e9dios porque estava ficando broxa, mas que vai voltar a tomar, pois antes broxa que maluco. Dona Sylvia fazendo escola sobre como criar um filho sincer\u00e3o.<\/p>\n<p>Aos tr\u00eas anos Pilha come\u00e7ou a ir ao col\u00e9gio. Seu apelo com o sexo feminino j\u00e1 se manifestava desde a mais tenra idade. Conseguiu convencer sua professora favorita o levasse para casa, mesmo quando a bab\u00e1 vinha busca-lo. Um l\u00edder nato, um sedutor nato, uma pessoa com estrela. Aos quatro anos j\u00e1 tinha uma namorada, uma menina mais velha chamada Lara. Tem, inclusive, uma cartinha de amor escrita pela primeira namorada para ele, onda ela diz que quer se casar com ele.<\/p>\n<p>Mam\u00e3e Pilha conta uma s\u00e9rie de detalhes sobre como nosso Pilha \u00e9 arrumadinho e organizado. Na minha terra, isso se chama TOC, mas n\u00e3o importa, o que importa \u00e9 que viado o Pilha n\u00e3o virou: \u201cquando aprendeu a amarrar os cord\u00f5es do t\u00eanis (&#8230;) ficava um temp\u00e3o fazendo e desfazendo os n\u00f3s at\u00e9 que os dois la\u00e7os estivessem iguais. Podia estar atrasado para escola que n\u00e3o sa\u00eda de casa se os dois la\u00e7os n\u00e3o estivessem do mesmo tamanho\u201d. Uma crian\u00e7a saud\u00e1vel. T\u00e1 de parab\u00e9ns, Dona Sylvia!<\/p>\n<h2>CAP\u00cdTULO 3 \u2013 EM S\u00c3O PAULO, FAMA, GRANA E DROGAS.<\/h2>\n<p>Este cap\u00edtulo primoroso come\u00e7a com uma foto do Pilha com nove anos de idade, mostrando uma tatuagem nas costas, ao lado de outra foto do Pilha mais velho, mostrando a mesma tatuagem. Demorei alguns segundos para processar e entender que ele fez uma tatuagem de verdade com nove anos de idade. Normal. Normal uma crian\u00e7a de nove anos se tatuar. Qual \u00e9 o problema de carimbar para sempre uma gaivota e um sol nas costas? Problema nenhum. E a sequ\u00eancia de acertos s\u00f3 estava come\u00e7ando.<\/p>\n<p>Quando Pilha tinha sete anos os pais (pai \u00e9 quem cria, n\u00e9?) se separaram e Mam\u00e3e Pilha levou ele para morar em S\u00e3o Paulo. Como voc\u00eas acham que um carioca reage quando \u00e9 for\u00e7ado a morar em S\u00e3o Paulo? Isso mesmo, como o Pilha reagiu. Tira o filho do Rio \u00e0 for\u00e7a e depois acha ruim que ele veste uma camisa falsa do DENARC e sai sequestrando pessoas. Francamente, Dona Sylvia!<\/p>\n<p>Pode ficar pior? Sempre pode ficar pior. O pr\u00f3prio Pilha conta que a m\u00e3e come\u00e7ou a namorar um guitarrista famoso e fumavam maconha dentro de casa: \u201cAos 9 anos, quando via minha m\u00e3e fumando, j\u00e1 sabia o que era aquilo\u201d. Bacana. Usar drogas na frente do filho pequeno. Sensacional. Porque ser\u00e1 que Pilha come\u00e7ou a usar drogas, hein? O plus \u00e9 que o tal guitarrista ainda encestava umas porradas em Dona Sylvia. Quando isso acontecia, Pilha, com nove anos de idade, sa\u00edda de casa, pegava um \u00f4nibus sozinho e ia para a casa da av\u00f3 pedir ref\u00fagio. O trauma gerou uma personalidade maravilhosa? Sem d\u00favidas, mas isso n\u00e3o se faz com uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>No meio de viol\u00eancia dom\u00e9stica, drogas e pessoas falando \u201cum chops e dois pastel\u201d, nosso her\u00f3i certamente n\u00e3o levava uma vida muito feliz. Mas isso n\u00e3o o impediu de se destacar na escola. Sua genialidade transcende adversidades, pudemos constatar isso mais para frente, quando fugiu de 836428 cl\u00ednicas de reabilita\u00e7\u00e3o mesmo estando na pior das condi\u00e7\u00f5es. Foi convidado para integrar uma turma de superdotados. Dona Sylvia fez o que? N\u00e3o deixou! Alegando que n\u00e3o queria que seu filho tivesse tratamento diferente dos outros vetou Pilha e seu Q.I. 130 de um desenvolvimento cognitivo pleno. Pilha podia estar na NASA, mas em vez disso seu intelecto foi desperdi\u00e7ado para enganar enfermeiro.<\/p>\n<p>Em um mundo desinteressante onde Mam\u00e3e usava drogas e apanhava do namorado e a escola era banal com aulas e exerc\u00edcios f\u00e1ceis demais para sua mente brilhante, Pilha come\u00e7ou a buscar novos desafios. Como toda crian\u00e7a nessas condi\u00e7\u00f5es, passava horas por dia vendo TV e fantasiando com aquele mundo m\u00e1gico. Mas Pilha \u00e9 gente que vai l\u00e1 e faz. Ap\u00f3s ver um comercial onde uma crian\u00e7a tinha um desempenho ris\u00edvel, ele comentou: \u201cNossa m\u00e3e, como esse menino \u00e9 ruim! Eu posso fazer melhor do que ele!\u201d. Fortes ind\u00edcios que o pai biol\u00f3gico do Pilha seja argentino, a arrog\u00e2ncia parece estar no DNA. Isso explicaria muito, inclusive sobre minha atra\u00e7\u00e3o incontrol\u00e1vel por ele.<\/p>\n<p>Pronto. Pilha cismou que queria trabalhar na televis\u00e3o. Pegou por conta pr\u00f3pria as P\u00e1ginas Amarelas (se \u00e9 muito novo para entender, Google) e passou dias ligando para ag\u00eancias e se oferecendo. Dona Sylvia apoiou? N\u00e3o, Dona Sylvia estava l\u00e1 com seu cigarrinho do capeta, enquanto Pilha pegava quatro \u00f4nibus sozinho com nove anos de idade. Pilha diz que ia sozinho porque a m\u00e3e precisava trabalhar. Mas olha&#8230; se com nove anos eu sa\u00edsse de casa e pegasse 4 \u00f4nibus, minha m\u00e3e ou morria do cora\u00e7\u00e3o ou me matava quando eu chegasse.<\/p>\n<p>Quer dizer, Mam\u00e3e Pilha achou ok que o filho, com nove anos de idade: fa\u00e7a uma tatuagem, a veja usando drogas, a veja apanhando do namorado, privar o filho de uma turma especial para superdotados e permitir que saia para procurar emprego sozinho, em lugares estranhos, no meio de gente desconhecida. T\u00e1 de parab\u00e9ns, hein Dona Sylvia? Saiu um Messias, um predestinado, uma personalidade ca\u00f3tica e brilhante, mas porra, deve ter sido duro para ele.<\/p>\n<p>A argentinidade-nag\u00f4 do Pilha foi o que o lan\u00e7ou para o estrelato. Ele era um figurante em um comercial quando o garoto que fazia o papel principal travou e n\u00e3o conseguia concluir suas falar. Desistiram e pediram que a ag\u00eancia envie outro menino. Pilha resolveu intervir e pediu uma chance em tempo real. Havia, inclusive, decorado a fala de tanto ouvir o garoto errando e repetindo. Pilha acertou de primeira e ganhou o papel principal no comercial. N\u00e3o demorou at\u00e9 ele virar um dos mais requisitados: bonito, inteligente, boa mem\u00f3ria e carism\u00e1tico. Como ele mesmo conta: \u201cChegava pra algum teste e a garotada j\u00e1 falava Fudeu!!!\u201d. Pilha, Querido, onde eram esses testes? No cais do porto com estivadores? Ou com marinheiros? Que termos s\u00e3o esses para uma crian\u00e7a de nove anos?<\/p>\n<p>Pilha fez propagandas famosas para marcas como Nestle, Batavo, Bic (o destino tem senso de humor), Playmobil, Chiclete Adam\u00b4s, Dan\u00b4up, Kibon e Neston. Sustentava a casa, pagava seu pr\u00f3prio col\u00e9gio. Mam\u00e3e Pilha diz que a \u00fanica coisa que ela fazia era assinar os contratos, pois o pr\u00f3prio Pilha negociava valores, prazos, datas. A primeira coisa que fez quando come\u00e7ou a ganhar dinheiro foi comprar um t\u00edtulo do S\u00e3o Paulo Futebol Clube. \u00c9&#8230; talvez o medo de Dona Sylvia dele \u201cvirar\u201d viado tenha algum fundamento. Havia uma tend\u00eancia ali. Cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e n\u00e3o se engana.<\/p>\n<p>Com 12 anos Pilha come\u00e7ou a frequentar as matin\u00eas. Era famoso pelos comerciais e quando chegava subia no palco e dan\u00e7ava para atrair as mulheres. Ia acompanhado de amigos famosos como Rodrigo Faro e de Alan, seu colega de col\u00e9gio, que mais tarde seria integrante do Polegar. Pilha, um ser humano s\u00e1bio. Quando eu digo que homem que dan\u00e7a atrai mulher, debocham de mim. Pegava geral, inclusive levava meninas escondidas para casa. Foi l\u00e1 que come\u00e7ou a usar benzina e cola de sapateiro. Os amigos faziam, parecia inofensivo.<\/p>\n<p>Pilha ficou viciado e come\u00e7ou a usar tamb\u00e9m no dia a dia. Com o tempo, ficou dif\u00edcil de esconder o v\u00edcio. Segundo Pilha, cola \u201c\u00e9 a droga mais alienante que existe\u201d. Quando Pilha fala de drogas, eu abaixo a cabe\u00e7a e escuto. Autoridade suprema. Pilha cheirou at\u00e9 Baygon, injetou Kolene e bebeu Monange. N\u00e3o demorou at\u00e9 a m\u00e3e descobrir que ele estava cheirando cola. No primeiro flagra, Mam\u00e3e Pilha chegava do trabalho e encontrou o filho drogado na porta do pr\u00e9dio. Houve di\u00e1logo? N\u00e3o, n\u00e3o houve di\u00e1logo. Di\u00e1logo \u00e9 para os fracos.<\/p>\n<p>Mais uma vez, a pedagogia peculiar falou mais alto: \u201cJoguei ele dentro do elevador. Mal teve tempo de perguntar \u2018m\u00e3e, o que \u00e9 que eu fiz?\u2019  e eu dei um tapa na cara dele. Perguntou de novo e levou outro tapa. Foi apanhando at\u00e9 o 15\u00b0 andar, onde mor\u00e1vamos\u201d. Pois \u00e9, n\u00e3o me espanta que o Pilha tenho escolhido um elevador para vivenciar uma das cenas mais violentas da sua vida.<\/p>\n<p>Dona Sylvia se defende: \u201cA imprensa fazia um au\u00ea danado dizendo que eu botei Rafael nas drogas (&#8230;) Virei a vil\u00e3! Fumei maconha sim, mas nunca entrei em uma favela para comprar, conseguia atrav\u00e9s de amigos\u201d. Ok, Dona Sylvia. Se n\u00e3o comprar em favela, n\u00e3o \u00e9 crime de uso de drogas. Estamos combinadas assim. \u201cChegava do trabalho, tomava banho, jantava, pegava um baseadinho, dava dois ou tr\u00eas tapinhas pra relaxar, era como se tomasse um golinho de u\u00edsque\u201d. Mesma coisa. Usar droga il\u00edcita na frente do filho \u00e9 a mesma coisa que beber um gole de bebida que vende no mercado. Um joinha para a Senhora.<\/p>\n<p>Pilha ficou revoltado com o tratamento que a m\u00e3e passou a lhe dar desde ent\u00e3o. Resolveu que ia se vingar fumando a maconha da m\u00e3e. Como n\u00e3o sabia enrolar um baseado, levava a erva para o porteiro, que fazia um baseado para ele e em troca ficava com a maconha que sobrava. Mas, at\u00e9 ent\u00e3o, Pilha era funcional. Continuava frequentando a escola e at\u00e9 arriscava um futebol profissional.<\/p>\n<p>Foi quando surgiu uma grande oportunidade, um divisor de \u00e1guas: estava gravando um comercial, quando um diretor da Rede Globo percebeu seu talento e disse que queria leva-lo ao Rio, para fazer a oficina de atores da Globo e coloca-lo para trabalhar em novela. Adivinha s\u00f3? Dona Sylvia disse n\u00e3o. Apanhar na frente do filho pode, deixar filho fazer tatuagem com nove anos pode, fumar maconha dentro de casa pode, deixar o filho pegar quatro \u00f4nibus com nove anos de idade pode. Ir para a Globo com tudo garantido n\u00e3o pode.<\/p>\n<p>Para fins de desfavor, curti a iniciativa. Na Globo o Pilha seria moldado, pasteurizado, n\u00e3o teria feito metade das coisas que fez. Mas para ele, certamente teria sido melhor. Seu potencial teria sido explorado. Talvez hoje o programa de domingo fosse Doming\u00e3o do Pilh\u00e3o. Talvez ele tivesse se tornado apresentado de um talk show. Certamente estaria em destaque.<\/p>\n<p>Quando eu digo que o Pilha \u00e9, acima de tudo, uma grande v\u00edtima, estou errada? Faz quase uma d\u00e9cada que eu falo que esse menino \u00e9 um g\u00eanio incompreendido. Um anjo ca\u00eddo, um potencial mal desenvolvido, uma v\u00edtima dos brasileiros m\u00e9dios. Se depois de ler tudo isso voc\u00ea n\u00e3o sentiu vontade de pegar o Pilha, levar ele para a sua casa e dar um prato de sopa a ele, francamente, voc\u00ea \u00e9 psicopata.<\/p>\n<p>Abril tem mais. E o cap\u00edtulo 4 promete: GUGU ENTRA NA VIDA DE RAFAEL. S\u00f3 na vida? Ser\u00e1?<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que agora quer que eu escreva uma biografia do Somir desde a inf\u00e2ncia, para passar a ver o Pilha com outros olhos ou ainda para dizer que essa semana no desfavor n\u00e3o te acrescentou porra nenhuma: <a href=\"mailto:sally@desfavor.com\">sally@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria topou, ent\u00e3o, come\u00e7a hoje uma releitura do livro \u201cAs pedras do meu caminho\u201d, que retrata a vida do nosso amador, idolatrado Rafael Pilha. Como a coisa vai funcionar: uma cruza de uma cr\u00edtica normal da coluna Des Cult, por\u00e9m mais detalhada, cap\u00edtulo a cap\u00edtulo, com Plant\u00e3o Pilha. 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