{"id":9850,"date":"2016-03-31T06:00:07","date_gmt":"2016-03-31T09:00:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.desfavor.com\/blog\/?p=9850"},"modified":"2016-03-31T03:52:09","modified_gmt":"2016-03-31T06:52:09","slug":"suando-frio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.desfavor.com\/blog\/2016\/03\/suando-frio\/","title":{"rendered":"Suando frio."},"content":{"rendered":"<p>Vanessa suava em bicas. Atravessando um corredor apertado, sentia como se as paredes estivessem vivas, emanando o calor absorvido pelo dia ensolarado, pulsando com os gritos e pancadas vindos de dentro das celas que ficavam do outro lado. O guarda limpa a testa encharcada com um len\u00e7o imundo, n\u00e3o antes de reclamar da falta de um ar condicionado na pris\u00e3o. Segundo ele, os chefes n\u00e3o queriam ser acusados de prestar mordomias para aqueles animais. Vanessa apenas concorda com um acenar de cabe\u00e7a e um sorriso amarelo; as manchas em sua roupa n\u00e3o eram apenas do calor, mas do nervosismo.<!--more--><\/p>\n<p>Literalmente no meio do nada, a pris\u00e3o de seguran\u00e7a m\u00e1xima para a qual tinha sido convocada \u00e0 for\u00e7a por policiais tinha uma fama que a precedia: era onde se continham os mais cru\u00e9is assassinos e estupradores do pa\u00eds. Os que sa\u00edam de l\u00e1 tinham quase que um diploma de psicopatia para impressionar os colegas. Projetada d\u00e9cadas atr\u00e1s para conter guerrilheiros e revolucion\u00e1rios do tipo, dava claros sinais de desgaste: as grossas paredes de concreto repletas de mofo, rachaduras e rabiscos obscenos. A falta de janelas e a ilumina\u00e7\u00e3o deficiente transformavam tudo aquilo num forno mal cheiroso, onde a esc\u00f3ria se debatia inquieta. E isso era apenas o corredor.<\/p>\n<p>O guarda d\u00e1 mais alguns passos e volta-se para uma pesada porta met\u00e1lica. H\u00e1 uma diminuta janela de vidro refor\u00e7ado &#8211; emba\u00e7ada por sabe-se l\u00e1 quantos anos de manuten\u00e7\u00e3o deficiente &#8211; pela qual esfor\u00e7a-se para enxergar algo. Ele volta-se para Vanessa mais uma vez, express\u00e3o bem mais s\u00e9ria agora. Uma enorme barra de metal faz as vezes de fechadura, ele a puxa com certa dificuldade, para depois arrastar a porta, que guincha com a ferrugem enquanto se abre.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma linha amarela no ch\u00e3o, n\u00e3o passe dela. Sei que j\u00e1 te disseram isso, mas pra refor\u00e7ar: n\u00e3o chegue perto dele. Sem encostar, sem abra\u00e7ar, sem beijar, sem nada! E se acontecer alguma coisa de errado, chama que eu entro, ok?&#8221; &#8211; o guarda fala tudo com gestos firmes, sem piscar.<\/p>\n<p>&#8220;Eu nem sei o que eu tenho que fazer aqui, mo\u00e7o&#8230;&#8221; &#8211; Vanessa arqueia o corpo, postura coagida. A cabe\u00e7a chacoalhando em nega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O guarda devolve um suspiro compreensivo. Com um movimento suave do bra\u00e7o, convida-a a entrar. Ela vacila por alguns segundos, mas obedece. A sala, ainda mais claustrof\u00f3bica, consistia de uma mesa e dois bancos de metal fortemente chumbados ao ch\u00e3o, um de cada lado. A ilumina\u00e7\u00e3o n\u00e3o era das melhores e o calor l\u00e1 dentro fazia os corredores parecerem uma agrad\u00e1vel brisa de ver\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o. O ar parado s\u00f3 acentuava o cheiro azedo que impregnava o local.<\/p>\n<p>Do outro lado da mesa, sentado com as m\u00e3os algemadas a uma barra de ferro, um homem que conhecera h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada atr\u00e1s. F\u00e1bio. Pouco havia restado da imagem que guardava na mem\u00f3ria. O cabelo raspado sobre uma cabe\u00e7a agora cheia de cicatrizes em nada lembrava as longas madeixas negras pelas quais se apaixonara. Os olhos acentuados por marcas da idade e olheiras profundas, a barba por fazer completando a imagem de abandono que sua magreza explicitava. Mesmo assim, seus olhos brilham e seu rosto acende com um sorriso ao v\u00ea-la.<\/p>\n<p>Vanessa respira fundo, tenta fazer senso do espa\u00e7o no qual estava agora confinada com um dos mais brutais e impiedosos assassinos da hist\u00f3ria recente. Trinta e nove v\u00edtimas confirmadas, de ambos os sexos, idades diversas, sem padr\u00f5es que facilitassem qualquer investiga\u00e7\u00e3o. F\u00e1bio s\u00f3 estava l\u00e1 por ter se entregado um ano antes. A m\u00eddia havia feito um espet\u00e1culo na sua pris\u00e3o, mas logo seguiu em frente com a pr\u00f3xima grande novidade. A vida de Vanessa estava quase voltando ao normal, parentes e conhecidos finalmente perdendo a curiosidade m\u00f3rbida sobre o relacionamento que tiveram tantos anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>F\u00e1bio, movimentos limitados, faz um aceno r\u00e1pido com as m\u00e3os para que Vanessa se sente. Ela olha para a porta mais uma vez, e para a mesa, onde uma faixa amarela bem desbotada aparentava demarcar o alcance m\u00e1ximo das m\u00e3os do preso enquanto algemado \u00e0 barra. Vanessa suspira antes de finalmente se sentar. Corpo o mais afastado poss\u00edvel, evitando contato visual.<\/p>\n<p>&#8220;O tempo te fez bem, Vanessinha&#8230; linda voc\u00ea continua sendo, mas agora est\u00e1 mais&#8230; madura. Deve estar mais doce&#8230; levanta a cabe\u00e7a, amor. Deixa eu ver seus olhos de novo&#8230;&#8221; &#8211; F\u00e1bio fala com uma voz aveludada, segura. Nem parece que est\u00e1 saindo daquela figura cadav\u00e9rica. Vanessa ergue a cabe\u00e7a, mas ainda sem olhar diretamente para ele.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea \u00e9 a \u00fanica que eu sinto falta, sabia? Sozinho aqui, eu poderia pensar em todas as mulheres que passaram pela minha vida, mas&#8230; eu sempre lembro de voc\u00ea. S\u00f3 voc\u00ea.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O&#8230; o que voc\u00ea quer de mim?&#8221; &#8211; Vanessa diz, quase que num sussurro.<\/p>\n<p>&#8220;Eles n\u00e3o te disseram?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eles disseram pra mim que voc\u00ea ia contar onde escondeu um&#8230; um corpo&#8230; uma menina, n\u00e9?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Sim. Mas, s\u00f3 pra voc\u00ea.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Por qu\u00ea? O que eu tenho a ver com isso?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu j\u00e1 te disse, eu s\u00f3 penso em voc\u00ea. Eu queria te ver uma \u00faltima vez, mas eu sabia que voc\u00ea n\u00e3o ia vir at\u00e9 esse buraco imundo&#8230; n\u00e3o se eu n\u00e3o tivesse uma carta na manga.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Diz onde est\u00e1 a menina, vamos acabar com isso&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ah, mas n\u00e3o vamos acabar esse reencontro t\u00e3o cedo assim, Vanessinha. Deixa eu aproveitar um pouco voc\u00ea. Esse lugar fede tanto, mas voc\u00ea&#8230; voc\u00ea tem um cheiro t\u00e3o gostoso&#8230; ser\u00e1 que o seu gosto ainda \u00e9 t\u00e3o bom quanto eu lembro?&#8221; &#8211; F\u00e1bio se aproxima o m\u00e1ximo que pode, olhos fechados, puxando o ar enquanto sorri. Ele morde o l\u00e1bio ao terminar, olhando fixamente para Vanessa, que responde com uma express\u00e3o de nojo.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea continuar assim, eu vou embora! Eu n\u00e3o sou obrigada!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Meu amor&#8230; voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de negociar. Aposto que n\u00e3o foi uma viatura comum que te pegou na sua casa, n\u00e3o? Policiais \u00e0 paisana, aposto que eles disseram&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Como voc\u00ea sabe disso?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A menina&#8230; a menina n\u00e3o era uma qualquer&#8230; n\u00e3o&#8230; o pai dela \u00e9 poderoso. Deputado. Adoro quando ele vem aqui, aqueles ternos car\u00edssimos, cabelo impec\u00e1vel, sensa\u00e7\u00e3o de superioridade. E ele vem sentir o nosso cheiro. Ele vem suar aqui, se secando com um len\u00e7o de seda mais caro que todas as roupas que eu uso&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Por qu\u00ea, F\u00e1bio?&#8221; &#8211; Vanessa come\u00e7a a ficar com os olhos marejados.<\/p>\n<p>&#8220;Por que eu fiz o que fiz, Vanessa?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o era assim&#8230; o que te aconteceu? Meu Deus&#8230; voc\u00ea fazia isso enquanto a gente estava junto?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Nada me aconteceu. Eu sou o que eu sempre fui. Voc\u00ea fez vistas grossas porque gostava de mim, n\u00e3o gostava? Aposto que voc\u00ea mente quando perguntam sobre mim, n\u00e3o? Voc\u00ea sabia quem eu era&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o! Voc\u00ea n\u00e3o era assassino&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea n\u00e3o sabia, por que mudou de cidade? Por que sumiu e me deixou sozinho?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Conta logo onde est\u00e1 essa menina que voc\u00ea matou! Me deixa ir embora!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Lembra quando a gente ia para aquela casa na praia? Aquela l\u00e1 longe, depois das montanhas? O dono tinha morrido ou algo assim, ningu\u00e9m vinha pra ficar l\u00e1. A gente passou momentos muito felizes l\u00e1, n\u00e3o passou, Vanessinha?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O que isso tem a ver?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A cidade acabou crescendo para o outro lado. Aquilo virou uma reserva ambiental&#8230; mas foi bom. Ela continuou vazia, por todos esses anos.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ela est\u00e1 enterrada l\u00e1? A menina que voc\u00ea matou?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Sim, mas s\u00f3 para a primeira pergunta.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;GUARDA! EU QUERO SAIR!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o matei ela&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Agora eu sei o que eles querem saber, n\u00e3o vou mais conversar com voc\u00ea!&#8221; &#8211; Vanessa come\u00e7a a bater na porta.<\/p>\n<p>&#8220;Bom, eu tamb\u00e9m n\u00e3o impedi ela de se matar&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;GUARDA!&#8221; &#8211; Vanessa come\u00e7a a olhar pra cima, como se procurasse por algo.<\/p>\n<p>&#8220;Eles tinham uma c\u00e2mera aqui&#8230; ficava bem ali.&#8221; &#8211; F\u00e1bio aponta para um dos cantos superiores da sala.<\/p>\n<p>&#8220;ME TIRA DAQUI!&#8221; &#8211; Vanessa come\u00e7a a gritar a plenos pulm\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Lembra daquela c\u00e2mera que eu tinha? Bom, era do seu tio, mas ele nunca usava mesmo. Nem me pediu de volta&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O que est\u00e1 acontecendo?&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A menina&#8230; foi sorte. Foi pura sorte. At\u00e9 dela. Ela estava toda arrumada, saindo de uma festa, b\u00eabada como s\u00f3. Ela me lembrava voc\u00ea, mesma idade que a sua quando a gente se conheceu&#8230; o cabelo, os olhos, a risada&#8230; eu nem precisei for\u00e7\u00e1-la, ela s\u00f3 entrou no meu carro.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;DEIXA EU SAIR!&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Quando ela me contou do papai deputado, eu assustei um pouco. Ela chamaria aten\u00e7\u00e3o demais, logo ia ter pol\u00edcia procurando por ela no estado todo. Mas&#8230; ela me pediu pra ficar comigo. N\u00e3o resisti. Passamos uns bons dias juntos, eu, ela e a c\u00e2mera. Ela era bem desinibida. O melhor v\u00eddeo que fizemos foi dela deitada numa banheira, aquela onde a gente adorava ficar, lembra? Ela, toda linda&#8230; rostinho de anjo&#8230; me contando, sem vergonha nenhuma, tudo o que o papai fazia com ela desde que era s\u00f3 uma criancinha&#8230; e o papai deputado fez muita coisa que nem eu acreditava.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o quero saber&#8230; n\u00e3o me conta&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Por isso que ela veio comigo. Acho que ela queria acabar logo com tudo aquilo&#8230; mas eu vacilei. Sabe como \u00e9, muito parecida com voc\u00ea, eu acabei me apegando. N\u00e3o tive coragem de matar n\u00e3o. Quis brincar mais algum tempo&#8230; mas ela n\u00e3o quis. N\u00e3o&#8230; ela queria ir embora, n\u00e3o s\u00f3 daquela casa, mas da vida. N\u00e3o impedi&#8230; at\u00e9 segurei a m\u00e3o dela enquanto ela sangrava na banheira, enquanto confessava pelo papai todos os crimes dele&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu quero ir embora, por favor&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu enterrei ela no quintal da nossa casinha&#8230; coloquei at\u00e9 uma cruz. Espero que ela tenha ido para o c\u00e9u&#8230; at\u00e9 para n\u00e3o encontrar o papai, nunca mais. Ela tinha sofrido o suficiente. Com ela, eu enterrei a fita&#8230; agora, me pergunta, voc\u00ea acha que o senhor deputado quer os restos mortais da filha ou aquelas cenas imortalizadas pela c\u00e2mera do seu tio?&#8221;<\/p>\n<p>Vanessa arregala os olhos enquanto nota F\u00e1bio se soltando das algemas com tremenda facilidade.<\/p>\n<p>&#8220;Aposto que ele j\u00e1 est\u00e1 indo pra l\u00e1 com seus capangas para desenterrar a fita&#8230; o que deixa n\u00f3s dois&#8230; sozinhos, finalmente. Uma m\u00e3o lava a outra. Agora se prepara, meu amor, porque esse ninho \u00e9 s\u00f3 nosso at\u00e9 cair a noite&#8230;&#8221;<\/p>\n<p class=\"uk-background-muted uk-padding\">Para dizer que adora essas hist\u00f3rias leves, para dizer que a vida \u00e9 bela, ou mesmo para perguntar de qual partido era o deputado: <a href=\"mailto:somir@desfavor.com\">somir@desfavor.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vanessa suava em bicas. Atravessando um corredor apertado, sentia como se as paredes estivessem vivas, emanando o calor absorvido pelo dia ensolarado, pulsando com os gritos e pancadas vindos de dentro das celas que ficavam do outro lado. 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