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	<title>FAQ Desfavor &#8211; desfavor</title>
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	<description>REPÚBLICA IMPOPULAR</description>
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		<title>FAQ Desfavor &#8211; Dengue</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Feb 2024 15:05:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[FAQ Desfavor]]></category>
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					<description><![CDATA[A dengue no Brasil parece estar um pouco fora de controle, o que nos motivou a usar a coluna FAQ para falar um pouco sobre ela. Parabéns, Brasil, já é a terceira doença que aparece na coluna! As informações básicas sobre dengue (de onde vem, quais são os sintomas e como prevenir) tenho certeza de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A dengue no Brasil parece estar um pouco fora de controle, o que nos motivou a usar a coluna FAQ para falar um pouco sobre ela. Parabéns, Brasil, já é a terceira doença que aparece na coluna!</p>
<p>As informações básicas sobre dengue (de onde vem, quais são os sintomas e como prevenir) tenho certeza de que todo mundo tem. Vamos focar nas vacinas, pois, para variar, é o tópico que mais causa ruído e controvérsias. <span id="more-22833"></span></p>
<p>Um detalhe importante: assim como fizemos na pandemia, não vamos trazer opiniões políticas para este texto ou para qualquer outro FAQ, pois entendemos que isso distrairia o leitor do ponto principal, que é importante demais para dividir holofotes com qualquer outra questão. </p>
<p>A primeira coisa que você tem que saber é que os casos de dengue estão aumentando e provavelmente vão aumentar mais por uma série de fatores: o mosquito está muito bem adaptado, o inverno não chega a ser frio o suficiente para impedir a proliferação do mosquito e que a temporada de dengue não está no final, ela ainda vai continuar, pelo menos até abril. Então, você precisa estar bem informado.</p>
<p>Existem 4 diferentes tipos de dengue, que são classificados por número mesmo: dengue 1, dengue 2, dengue 3 e dengue 4. No Brasil prevalece a Dengue do tipo 2. Também se encontram casos do Tipo 1 e, de forma muito rara, dos Tipos 3 e 4.</p>
<p>Tendo isso em mente, vamos entender como funciona a imunidade natural, isto é a imunidade que seu corpo produz quando você pega a doença. </p>
<p>Quando você tem um dos tipos de dengue, é provável que, em média, pelos 6 meses seguintes você esteja protegido contra todos os tipos. </p>
<p>Passados esses seis meses, a imunidade se torna mais “fraca” e você só estará protegido contra o tipo específico de dengue que teve. Exemplo: se você teve Dengue do tipo 2, está protegido contra ela, mas pode pegar Dengue do tipo 1, 3 e 4. </p>
<p>E, depois de dois anos, não tem mais proteção contra nada, pode pegar qualquer tipo de dengue. Sim, é possível ter o mesmo tipo de dengue várias vezes.</p>
<p>Precisamos conversar sobre essa imunidade parcial, essa imunidade que decai em eficiência, após os seis meses da doença, e que fica assim até um ou dois anos, pois ela pode ter um “efeito colateral” bastante ruim: pode gerar casos mais graves de dengue. Vamos tentar explicar de forma didática.</p>
<p>Suponhamos que uma pessoa teve Dengue 2. Nos primeiros seis meses ela está protegida contra Dengues 1, 2, 3 e 4. Após seis meses ela está imune apenas contra Dengue 2, podendo pegar Dengue 1, 3 e 4, até o perío de um ou dois anos, quando fica vulnerável a todos os tipos. Se, nesse período de imunidade parcial, quando ela está protegida apenas contra Dengue 2, a pessoa pega Dengue 1, ela terá anticorpos para reconhecer a doença, mas não para combatê-la. E isso é um perigo.</p>
<p>Vamos usar uma simplificação grosseira meramente para fins didáticos. Você mora em uma casa na qual vários seguranças armados tentam impedir a entrada de invasores de diferentes quadrilhas: 1, 2, 3, e 4. Nos primeiros seis meses, esses seguranças têm fuzis com munição infinita, portanto, cada vez que entra um invasor de qualquer quadrilha, eles atiram e matam, impedindo que entrem na sua casa.</p>
<p>Mas, após seis meses, os bandidos das quadrilhas 1, 3 e 4 desenvolveram uma armadura à prova de balas que repele os tiros de fuzil. Isso significa que se entrar invasor da quadrilha 2, os seguranças têm que dar tiro, mas se entrar invasor das outras, tem que correr para dentro de casa e trancar as portas, se não, serão rendidos, pois seus tiros não serão eficientes. Se forem rendidos, terão as chaves da casa tomada e os bandidos entrarão.</p>
<p>É mais ou menos isso que acontece com nosso corpo: após seis meses o sistema imune reconhece outros tipos de Dengue, mas não consegue atacá-los de forma eficiente, sendo uma presa fácil para eles, que usam o sistema imune para entrar nas nossas células e invadir o nosso corpo de forma mais rápida e violenta. Quem deveria nos defender acaba facilitando a entrada do vírus.</p>
<p>Então, se nesse período pós dengue onde não há mais imunidade para todos os tipos, a pessoa contrai outro tipo diferente do que causou a doença original, ela tem grandes chances de desenvolver uma versão grave da doença, pois o vírus vai entrar nas células com facilidade por causa da imunidade parcial. Antigamente essa versão mais grave era chamada de “dengue hemorrágica” . Hoje é chamada de “dengue grave”</p>
<p>O nome “dengue hemorrágica” veio de um problema comum nesses casos: todo esse processo acaba liberando no organismo substâncias que podem causar lesões nas paredes dos vasos sanguíneos, o que pode gerar sangramentos. Como o vírus destrói as células sanguíneas responsáveis pela cicatrização (papo técnico: plaquetas), esse sangramento interno (hemorragia) não é estancado, podendo inclusive levar à morte.</p>
<p>Porém, o termo “dengue hemorrágica” deixou de ser usado pela OMS em 2009, pois estava induzindo pessoas a erro: muita gente pensava que esse era o único ou principal sintoma da dengue grave, quando, na verdade, não é. Se considera dengue grave quando o paciente apresenta qualquer destes sintomas: choque ou dificuldade respiratória, sangramento intenso e/ou comprometimento grave de órgãos.</p>
<p>Se considera Dengue Sem Sinais de Alarme (ou simplesmente dengue) quando o paciente apresenta febre geralmente por um período de 2 a 7 dias acompanhada de alguns destes sintomas: náusea, vômitos, erupção cutânea, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dor no corpo, dor nas articulações, manchas avermelhadas no corpo e/ou baixos níveis de glóbulos brancos no sangue.</p>
<p>Se considera Dengue com Sinais de Alarme quando estão presentes alguns destes sintomas: dor abdominal intensa ou sensibilidade no abdômen, vômito persistente, acúmulo de líquidos, sangramento de mucosas, letargia ou inquietação, pressão arterial baixa, aumento do fígado e aumento progressivo do percentual de hemácias no sangue com queda na contagem de plaquetas.</p>
<p>Resumindo, temos 3 cenários: 1) Dengue Sem Sinais de Alarme, no qual você pode se cuidar em casa, fazendo uso de remédios indicados pelo médico para reduzir os sintomas; 2) Dengue com Sinais de Alarme, no qual você precisa procurar ajuda médica e ser monitorado e 3) Dengue Grave, no qual você tem que ficar internado e rezar para tudo em que você acredita. Qualquer mínimo sinal de progressão de Dengue Sem Sinais de Alarme deve motivo para imediato atendimento médico.</p>
<p>Como vocês podem imaginar, fazendo uma conta muito simples, quando temos um surto de dengue com muitos casos, existe uma tendência a que, algum tempo depois (geralmente no ano seguinte) apareçam mais casos graves, pois, ao mais pessoas pegarem dengue, mais pessoas ficaram com imunidade parcial, mais vulneráveis. Ou seja, se está ruim agora, pode piorar depois. Por isso a importância de vacinas. Se você puder, por favor, se vacine.</p>
<p>O que estas informações nos ensinam? Em primeiro lugar, que não dá para bater no peito e dizer “Eu já tive dengue, eu não preciso de vacina”. Precisa sim. Da mesma forma, não dá bater no peito e dizer “Como eu já tive dengue, não posso tomar a vacina”. Pode sim. Vamos esclarecer esse mito.</p>
<p>Essa imunidade parcial que descrevemos sempre foi um dos principais entraves para desenvolver uma vacina eficiente: se você imunizava uma pessoa contra um tipo de dengue, a deixava extremamente vulnerável aos outros três tipos, piorando os sintomas se a pessoa pegar algum dos outros tipos.</p>
<p>Por isso surgiu o mito de que quem nunca teve dengue não pode tomar vacina. A primeira vacina contra dengue que surgiu no mercado, a Dengvaxia, da Sanofi, oferecia proteção parcial, e, o que é pior, não protegia contra casos de dengue 2, um dos mais comuns no Brasil. Então, tomar essa vacina poderia mais atrapalhar do que ajuda, uma vez que deixaria a pessoa mais vulnerável justamente contra o tipo de dengue que mais circula no país. </p>
<p>Por isso, foi amplamente divulgado (com razão) que essa vacina só poderia ser utilizada por quem já teve dengue, justamente pelos perigos da proteção parcial. Infelizmente, esta informação se espalhou sem contexto e entrou no inconsciente coletivo que “só pode tomar vacina de dengue quem já teve dengue”. Isso não é verdade, depois dessa, veio outra vacina que todo mundo pode tomar.</p>
<p>Essa outra vacina é a Qdenga, fabricada pelo laboratório japonês Takeda Pharma, que protege contra os quatro tipos de dengue, eliminando esse problema da imunidade parcial. É uma vacina de vírus atenuado (possuí pedacinhos dos 4 tipos) e que desperta imunidade contra os 4 tipos. Entre eles, a vacina se mostrou mais eficaz contra os tipos 1 e 2, justamente os que predominam no Brasil.</p>
<p>A ANVISA aprovou o uso dessa vacina no Brasil em março de 2023 (<a href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2023/anvisa-aprova-nova-vacina-para-a-dengue" rel="noopener" target="_blank">segundo informações do próprio governo</a>), mas, no ano passado ela ficou disponível apenas na rede privada, ou seja, só tomava quem tinha dinheiro para pagar, independente da necessidade de determinados grupos. Agora, um ano depois, chegou ao SUS.</p>
<p>Esta vacina é segura para todo mundo. Optou-se por não aplicar em certas faixas etárias não por questões de segurança, e sim de eficácia: ao que tudo indica (e isso pode ser desmentido em um futuro, pois os testes clínicos de eficácia foram realizados com um número muito pequeno de pessoas) em alguns grupos ela não despertaria uma imunidade tão boa contra alguns tipos de dengue (especialmente o tipo 3, o que nem seria um problema, pois circula pouco e nada no Brasil). </p>
<p>Por isso, e não por questões de segurança, optou-se pela aplicação nos grupos que terão a melhor resposta imune. Segundo orientação do Ministério da Saúde, podem ser vacinados com a vacina Qdenga crianças com mais de 10 até adultos com menos de 60 anos. Mas, sendo bem sincera aqui, eu, se encontrasse na rede privada, daria para meu filho em qualquer idade. Seguro é, talvez não seja tão eficaz, mas ajuda.</p>
<p>Em 2024, um ano depois da aprovação da vacina pela ANVISA, o Brasil comprou todas as doses disponíveis para o país que o laboratório disponibilizou, que não são nem de perto suficientes para controlar o surto de dengue que o país enfrenta. Então, hoje a realidade é essa: quem pagou no ano passado está imune, quem não pagou tem que torcer para que sua cidade receba as (poucas) doses de vacina disponíveis.</p>
<p>Não sei dizer os critérios internos para distribuição da vacina. O que <a href="https://g1.globo.com/saude/noticia/2024/01/28/vacina-contra-dengue-chega-a-apenas-10percent-das-cidades-no-pais-veja-distribuicao-no-mapa.ghtml" rel="noopener" target="_blank">a mídia noticia é que apenas 10% das cidades receberão a vacina</a> e que <a href="https://www.metropoles.com/brasil/dengue-25-das-cidades-que-terao-vacina-nao-registraram-casos-em-2024" rel="noopener" target="_blank">25% das cidades que receberão a vacina não registraram um único caso de dengue em 2024</a>. Pesquisei bastante, mas, até onde pude ler, o Governo não deixou clara sua estratégia, razão pela qual não posso esclarecer qual seja.</p>
<p>A boa notícia é que o Instituto Butantan está desenvolvendo e testando uma vacina contra a dengue que vem mostrando excelentes resultados tanto de eficácia como de segurança. Além de proteger contra os 4 tipos de dengue, ela ainda protege com uma única dose (a Qdenga precisa de duas doses). Então, ao que tudo indica, em breve o Brasil não será mais dependente de laboratórios estrangeiros.</p>
<p>De qualquer forma, mesmo com vacinas ótimas para todos, é preciso ter em mente a necessidade de controlar o mosquito, pois além da dengue temos outras doenças como Zika, Chikungunya e outras circulando. Então, mesmo com vacinas para todos em um futuro ideal, as pessoas têm que fazer a sua parte para controlar a situação.</p>
<p>Como o mosquito está muito bem adaptado, é muito difícil impedir sua reprodução. Então, para sua segurança, a melhor estratégia é tentar impedir que o mosquito chegue até você. Estou vendo muita campanha para não deixar água parada e usar repelente. Não vou discutir, vou deixar a minha contribuição: telas nas portas e janelas da casa certamente custam mais barato do que uma vida de repelente e inseticida e certamente te protegem mais. É uma questão de saúde. Coloquem telas em suas casas e, se puderem, tomem a vacina, onde quer que ela esteja, rede pública ou privada.</p>
<p><strong>BÔNUS COVID</strong></p>
<p>O Brasil também está passando por um aumento de casos de covid, então, vamos deixar um pequeno conteúdo bônus aqui para te lembrar da importância de tomar a vacina bivalente.</p>
<p>Lembra aquela primeira vacina que a gente tomou? Pois é, ela e suas doses de reforço protegiam muito bem para a covid da época. Hoje, o vírus que circula não é o mesmo, ele sofreu uma série de mutações e uma única variante acabou predominando. Hoje, basicamente, é tudo Omicron, ainda que tenhamos várias subvariantes dela, é tudo Omicron. E as vacinas que todos nós tomamos não foram desenvolvidas para Omicron.</p>
<p>Por isso a importância da vacina bivalente: ela protege contra as variantes antigas e também contra a Omicron (daí o nome: bivalente). Com ela você terá a melhor imunidade. Tome a vacina. Tome a porra da vacina.</p>
<p>O que não fazer (e estou vendo muito isso): esperar pela vacina monovalente. A vacina monovalente é para um subtipo específico da Omicron, ou seja, isso a trona ainda mais específica do que a bivalente. Por isso estou vendo pessoas não se vacinarem com a bivalente, esperando pela monovalente.</p>
<p>Como o Brasil só aplica vacina nas pessoas a cada seis meses se forem grupo de risco e a cada ano se forem pessoas comuns, a pessoa sabe que se ela tomar uma vacina este ano, a outra só será tomada em 2025, então, a pessoa decide que já que é a única vacina do ano que vai tomar, vai esperar pela monovalente. NÃO FAÇA ISSO.</p>
<p>Tome a bivalente, que na prática te protege o tanto que você precisa, pois é muito improvável que a vacina monovalente chegue em quantidade massiva este ano no Brasil. Toma a bivalente, se não você vai ficar sem proteção este ano e essa proteção pode te fazer falta.  Ano que vem você toma a monovalente.</p>
<p>“Mas Sally, precisa mesmo? Eu já tomei as outras, não vou ser hospitalizado nem morrer”. Precisa. Mesmo que você não seja grupo de risco, mesmo que você não tenha tanto risco de hospitalização, pegar covid é uma roleta russa de sequelas. Não queira ficar um ano com névoa mental sem conseguir trabalhar por mais de um ano. Não se coloque nesse risco quando existe uma proteção gratuita.</p>
<p>Não espere. Não adie. Coloque isso como prioridade. Vai tomar a porra da vacina, que no carnaval deve ter acontecido um grande pico de contágios e a situação não deve estar favorável. E obriguem quem é grupo de risco (idosos, obesos, imunodeprimidos, cardíacos, diabéticos e todos os demais) a tomar também.</p>
<p>Nos vemos na quinta, com dicas de como cuidar de alguém que está com dengue.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que não tem tempo de tomar vacina (tempo é questão de prioridades) para dizer que não gosta de telas nas janelas (e de hemorragia interna, você gosta?) ou ainda para dizer que a ciência é que os salva dos governantes: <a href="#respond">comente</a>.</p>
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		<title>FAQ Desfavor &#8211; LayV</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2022/08/faq-desfavor-layv/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Aug 2022 15:00:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[FAQ Desfavor]]></category>
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					<description><![CDATA[Na semana passada, cientistas anunciaram a descoberta de um novo vírus com potencial para infectar seres humanos. Eu sei que vocês estão de saco cheio de falar de vírus (e nós também estamos), mas achamos importante fazer um apanhado do que se trata para que, quem quiser saber mais, possa tirar quinze minutos do seu [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada, cientistas anunciaram a descoberta de um novo vírus com potencial para infectar seres humanos. Eu sei que vocês estão de saco cheio de falar de vírus (e nós também estamos), mas achamos importante fazer um apanhado do que se trata para que, quem quiser saber mais, possa tirar quinze minutos do seu dia e ler tudo que precisa, em vez de ficar lendo cada matéria que sai a respeito. Vamos lá.<span id="more-20297"></span></p>
<p><strong>O que é?</strong></p>
<p>É um novo vírus do gênero Henipavírus, um grupo que já causou surtos de infecções altamente letais em humanos &#8211; justamente por isso, o alarde. A criança vem de uma família de assassinos. O vírus recebeu o nome de Langya henipavirus, ou LayV, para os íntimos.  Mas nada indica que este vírus siga a mesma linha letal dos parentes, muito pelo contrário.</p>
<hr />
<p><strong>Quando surgiu?</strong></p>
<p>Sua existência não é uma novidade tão recente. Existem relatos de infecções por este vírus desde 2018, mas, ao que tudo indica, apenas agora se reuniram as evidências necessárias para comprovar que é um vírus novo e que é ele quem está causando todos os casos que vêm sendo estudados. Então, até aqui, a melhor informação que se tem é a de que ele surgiu em 2018. É mais velho que o SarsCov2, o covidão, portanto, é meio forçado dizer que é um “vírus novo”. Nasceu faz tempo, só que foi batizado agora, com atraso.</p>
<hr />
<p><strong>Como ocorre o contágio?</strong></p>
<p>O que se sabe até aqui, 10 de agosto de 2022, é que o contágio não parece acontecer de pessoa para pessoa, é muito mais provável que aconteça de animal (selvagem) para pessoa. Por sinal, é algo que vem sendo avisado na comunidade científica faz décadas: estamos nos aproximando demais dos animais selvagens, invadindo seu habitat, convivendo mais de perto do que deveríamos. Fatalmente diversos vírus vão conseguir “pular” desses animais para humanos. Não é o primeiro, não será o último.</p>
<p>Dois fatores corroboram para a hipótese de que ele é um vírus que se transmite apenas de animais para humanos: 1) entre as pessoas que pegaram, predominam agricultores ou pessoas que, de outras formas, tiveram contato com animais selvagens e 2) as pessoas próximas às pessoas que pegaram não foram contaminadas.</p>
<p>Entre os animais que podem passar o vírus para o ser humano, o que parece ser o principal transmissor é o musaranho, um animal que, independentemente deste vírus, ninguém vai querer se aproximar: é um ratinho mínimo (o menor mamífero do mundo) mas extremamente briguento e venenoso. Ele pode ser encontrado da América do Norte, Europa, norte da África e oeste da Ásia. </p>
<p>Também foram encontrados alguns cães e cabras que tinham anticorpos para o vírus, mas, até aqui, a possibilidade mais provável é que eles também tenham sido contaminados por musaranhos. Não se sabe ao certo se estes animais intermediários (no caso, cães e cabras) podem contaminar o ser humano. De qualquer forma, as chances do seu cão tretar um musaranho devem ser bem próximas de zero.</p>
<p>Porém, mais uma vez, vale a ressalva que é um vírus recém-estudado, portanto, novas formas de transmissão ou novos animais fontes de transmissão podem ser descobertos. </p>
<p>Sem contar que, como bem sabemos, vírus mutam e podem começar a ser transmitidos de pessoa para pessoa. Por uma questão de bom-senso, fiquem longe de bichos selvagens se não forem biólogos ou veterinários, pois o que mais tem é vírus que a qualquer momento pode pular para seres humanos.</p>
<hr />
<p><strong>Quais são os sintomas da doença e as sequelas?</strong></p>
<p>Foram analisados menos de 30 casos pela revista científica The New England Journal of Medicine. Isso quer dizer que é um número muito baixo de pessoas para ter uma resposta sólida, porém, dos casos analisados até aqui, não parece nada tão grave: 100% dos pacientes tiveram febre, 54% fadiga, 50% tosse, 50% anorexia, 46% mialgia (dor muscular), 38% náusea, 35% dor de cabeça, 35% vômito, 35% tiveram anormalidades no funcionamento do fígado e 8% no funcionamento dos rins. </p>
<p>Não há informações sobre eventuais mortes, apesar de parte da mídia chamar o vírus de “vírus letal”, ele ainda não matou ninguém. E olha que teve tempo para isso&#8230; Sobre sequelas, é muito cedo para dizer qualquer coisa, infelizmente é o tipo de informação que faz necessário esperar que muita gente pegue e muito tempo passe.</p>
<hr />
<p><strong>Se sabem tão pouco, por qual motivo a mídia está falando nisso e divulgando?</strong></p>
<p>Pela família à qual o vírus pertence. Se foge uma minhoca de um zoológico a reação não é a mesma que se foge um tigre. Pode até ser que o tigre que fugiu seja inofensivo, mas, como há histórico de tigres matando seres humanos, se fugir um tigre, é bom que todo mundo esteja devidamente avisado.</p>
<p>Estamos falando de um vírus do gênero Henipavírus, outros coleguinhas desse grupo já causaram surtos e infecções graves. Talvez você não esteja familiarizado por uma questão geográfica, já que os maiores estragos foram na Ásia e na Oceania. </p>
<p>Os mais problemáticos foram o Hendra henipavirus (HeV) e Nipah henipavirus (NiV), com taxa de mortalidade, respectivamente, em torno de 57% e em torno de 55%, segundo o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. E ambos podem deixar problemas respiratórios e neurológicos que não são nada legais.</p>
<p>De forma alguma se está afirmando que o irmão caçula terá as mesmas consequências, ele, na verdade, parece bem inofensivo. Mas, sem dúvida, é algo para ficar de olho. Dentro da nossa metáfora, digamos, que a gente acredita que um filhote de gato tenha fugido do zoológico. E, cá entre nós, rende cliques uma manchete que diz “Novo vírus letal é encontrado na China”.</p>
<hr />
<p><strong>Vai ter mais uma pandemia?</strong></p>
<p>Pelo que se sabe até agora, não há nenhum indício de que isso vire uma pandemia. Provavelmente você nunca vai cruzar com esse vírus no seu caminho. Na real, o vírus nem sequer parece estar em circulação nesse momento, os estudos são de casos colhidos entre os anos de 2018 e 2022.</p>
<p>Vamos comparar com o nosso amigo SarsCov2, causador da Covid-19. Ele foi detectado pela primeira vez entre novembro/dezembro de 2019. Em poucos meses ele havia rodado o mundo. O LayV tá aí desde 2018 e não causou grandes estragos nem infectou um grupo grande de pessoas (35, pelo que se sabe), portanto, tudo aponta para a direção contrária a uma pandemia.</p>
<p>Além disso, as pessoas que adoeceram não estavam em pontos distintos do mundo, ao que tudo indica, o contágio ficou concentrado em duas províncias chineses: Shandong e Henan. Se o vírus estivesse bem adaptado ao ser humano (e ele teve tempo para isso), se fosse algo realmente contagioso, já tínhamos escutado falar dele antes e já teríamos, no mínimo, mais países com pessoas infectadas.</p>
<p>MAS, como já dissemos, vírus sofrem mutações e, o que antes era tranquilo, com muito azar, pode acabar extremamente contagioso. É a regra? Não, é a exceção. Mas temos que ter todas as informações, não é mesmo? O que está acontecendo e o que pode acontecer. Por hora, não há com que se preocupar.</p>
<hr />
<p><strong>Se não mata, se o risco de pegar é mínimo e se não deve ter pandemia, por qual motivo gastou um texto falando sobre isso?</strong></p>
<p>Para que vocês não caiam em mentiras, alarmismos ou notícias falsas. Tem mídia noticiando coisas como “vírus letal contamina dezenas de pessoas na China”. Primeiro que, até agora, esse vírus nunca matou ninguém. Segundo que o registro é de 35 contágios entre 2018 e 2022, deve ter mais criança morrendo engasgada com batata-frita no mundo do que gente com LeyV nesse período.</p>
<p>E, das notícias falsas, surgem as especulações falsas. É a Fake News ao quadrado! Já tem gente botando culpa no Bill Gates novamente, já tem gente falando dos planos da China Malvada de contaminar e matar a humanidade: como não deu certo com covid, eles teriam liberado voluntariamente um novo vírus letal. Como é incompetente a China, não? Além de tentar adoecer ou matar seus consumidores, tenta exterminar a humanidade jogando um vírus que, em 4 anos, mata 35 pessoas!</p>
<p>Mais um motivo para esta coluna é que, quando falamos em vírus, informação é poder/proteção. E sabemos que no Brasil, especialmente em ano de eleição, não dá para contar com o Poder Público. Conforme convenha, maximizam ou minimizam problemas e a última coisa em que pensam é o interesse do povo. É o que a gente sempre repete: não esperem que governo algum cuide de vocês. Cuidem vocês de vocês mesmos e dos seus.</p>
<p>E, o motivo mais importante de todos: que o leitor do Desfavor saiba que tem curadores de conteúdo que estão atentos e vão escrever sobre o assunto se houver uma mudança de cenário e você precisar fazer algo para se proteger, assim não precisam ficar lendo uma pá de bosta e corta-cola até filtrarem entenderem o que está acontecendo. Deixa com a gente, que a gente lê todas as bostas que serão publicadas sobre o assunto e faz um filtro para vocês.</p>
<p>É isso, até segunda ordem, não pegue um avião e não se atraque com um musaranho e tudo vai ficar bem. Qualquer atualização relevante, a gente grita.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para perguntar que porra de ano é esse que tem FAQ de 3 vírus, para dizer que texto que não prevê catástrofe não dá ibope ou ainda para tentar, de alguma forma, culpar o malvado Bill Gates: <a href="mailto:sally@desfavor.com">sally@desfavor.com</a></p>
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		<title>FAQ Desfavor &#8211; Varíola dos Macacos 2</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2022/07/faq-desfavor-variola-dos-macacos-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Jul 2022 15:49:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[FAQ Desfavor]]></category>
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					<description><![CDATA[A OMS decretou emergência sanitária global por causa da varíola dos macacos. O que isso significa? Segundo designação da própria OMS (Organização Mundial da Saúde) uma doença pode ser considerada emergência de saúde pública de importância global quando há &#8220;um evento extraordinário que constitui um risco à saúde pública de outros Estados através da disseminação [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A OMS decretou emergência sanitária global por causa da varíola dos macacos. O que isso significa?</strong></p>
<p>Segundo designação da própria OMS (Organização Mundial da Saúde) uma doença pode ser considerada emergência de saúde pública de importância global quando há &#8220;um evento extraordinário que constitui um risco à saúde pública de outros Estados através da disseminação internacional da doença”. O que isso significa na prática? Vamos lá.<span id="more-20223"></span></p>
<p>Um aviso inicial: a OMS pediu que a doença seja chamada de Monkeypox e não de “Varíola do Macaco” por uma série de questões que já explicamos em FAQs anteriores, então, é assim que vamos nos referir, não por sermos esnobes e sim para evitar que idiotas fiquem tacando pedra em macacos.</p>
<p>A OMS dividiu os países em quatro grupos de risco e fez recomendações específicas para lidar com a doença em cada um desses grupos. Quanto maior o risco, mais cuidados ela pede. Não vou falar sobre cada grupo pois seria corta-cola do Google, vocês podem pesquisar isso facilmente. Vamos falar apenas do Brasil, que a OMS já disse, expressamente, ter uma situação “muito preocupante”.</p>
<p>Na prática, para conter a doença de forma eficiente, seriam necessárias duas linhas de combate simultâneas: 1) Conscientização e 2) Teste, atendimento, medicação e rastreio de contatos. O que a OMS fez foi formalizar o tamanho do problema para, com isso facilitar seu combate, simplificando burocracia, colocando os países em contato e orientando sobre quais medidas são necessárias.</p>
<p>No que diz respeito à conscientização, o que o Brasil deveria fazer não se resume a comunicar à população que o problema existe. Deveriam, além das campanhas de conscientização, fazer campanhas de prevenção, informando à população exaustivamente como se dá o contágio e os cuidados que devem ser tomados para que a pessoa não se exponha à doença (falamos sobre isso no último FAQ sobre o assunto), campanhas informando o que fazer em caso de suspeita da doença e campanhas para mitigar outras condições/doenças que tornem a pessoa mais vulnerável à Monkeypox.</p>
<p>Também seria importante fazer campanhas retirando os estigmas ruins que são vinculados à doença, incentivando que todos aqueles que tem sintomas procurem atendimento médico e se isolem. Sabemos que no Brasil a doença está atrelada a uma série de premissas falsas. Por exemplo, se diz que é uma doença “de homossexuais” a qual se pega fazendo “sexo gay”, o que sabemos que não é verdade, pois há casos relatados até mesmo de crianças infectadas.</p>
<p>“Mas quase todos os infectados têm pústulas no ânus, portanto&#8230;”. Desculpa a grosseria, eu não sou disso em colunas técnicas, mas quero relembrar-lhes que mulher também tem cu. Então, parou com essa ignorância de vincular orientação sexual com doença. Não aprenderam nada com a postura imbecil que foi adotada por anos com HIV? Fazendo isso só se estimula que a pessoa não procure ajuda se adoecer, por medo ou vergonha.</p>
<p>O certo seria que a pessoa não tenha medo nem vergonha de procurar atendimento médico caso apresente sintomas. Os principais sintomas são sensação de gripe, dor de cabeça, moleza, dor no corpo, dor muscular, cansaço e manchas na pele, que evoluem para bolhas/pústulas que com o tempo arrebentam e se tornam feridas. É bem desagradável não vou entrar em detalhes aqui, basta ir ao Google e procurar por fotos de cada um dos estágios das bolhas (que vão mudando de cor).</p>
<p>Campanhas explicando as formas de contágio são igualmente importantes. Não sei se o Brasil está fazendo ou não, mas a julgar pelas buscas que andam aparecendo por aqui, imagino que não.</p>
<p>Vi muita busca que caiu aqui no Desfavor sobre não poder sentar no mesmo assento do ônibus de outra pessoa, sobre não poder comer na rua e outras que indicam que o brasileiro não sabe bem como se pega. Hoje, o que se sabe é que 95% dos contágios ocorrem pela via sexual, portanto, é preciso ter cautela em outras situações, mas o grande risco não está nem no assento do ônibus nem no restaurante.</p>
<p>Ninguém perguntou, mas eu sei que muita gente vai incorrer nesse erro, então, desde já vamos relembrar que, quando falamos em Monkeypox, não adianta fazer sexo com camisinha, não te protege, a menos que a camisinha seja no corpo todo. O contato com qualquer fluido ou secreção do corpo da pessoa infectada pode te contaminar: suor, lágrima, etc.</p>
<p>Também é necessário um plano de combate à doença, para que todos os médicos do país saibam o que fazer, como fazer e quando fazer. Para não ver a vergonha que vimos com Covid, que, dependendo do médico, te tratava com remédio para cavalo, remédio para malária ou batia na sua cabeça com uma folha de arruda, é preciso que sejam estabelecidas diretrizes claras, com medicamentos comprovadamente eficientes.</p>
<p>Chegou um paciente com suspeita de Monkeypox? Tem que existir um passo a passo a seguir, uniformizado em todo o país. A doença piorou? Tem que ter um tratamento (cientificamente comprovado) a ser adotado. E tudo isso tem que estar bem documentado em relatórios diários apresentáveis, para ser compartilhado com a comunidade científica internacional.</p>
<p>Além disso, seria necessário que agentes de saúde façam o rastreio de contatos, isto é, que entrem em contato com todas as pessoas que estiveram com o paciente durante o período em que a doença era contagiosa para que os mesmos sejam testados, atendidos e, se necessário, medicados e colocados em isolamento.</p>
<p>E, ocorrendo uma incidência muito grande em alguma região, seria indicado fazer uma barreira vacinal, isto é, vacinar todas as pessoas daquela região e de regiões próximas para evitar que esse surto se espalhe. Vamos imaginar o seguinte: no seu prédio teve um caso. A pessoa é isolada e medicada. Tudo sob controle. Mas, no prédio vizinho ocorreram 50 casos. Algo acontece ali, e se deixar correr solto, pode passar para os prédios ao lado. Por isso, todas as pessoas desse prédio deveriam ser vacinadas, de modo a protegê-las e proteger todos os prédios do entorno.</p>
<p>Agora pense nisso de forma nacional, no quinto maior país do mundo, com governante e Ministro da Saúde que enviam caixa de vacinas para os estados errados por confundiram AC com AM. Complicado, muito complicado. O Brasil tem condições de fabricar essa vacina? Se não tem, está se mexendo para comprar? Seria bom, pois duvido que dessa vez o Dória tenha ânimo para fazer alguma coisa.</p>
<p>Me corrijam se eu estiver errada, mas a condução do Brasil está sendo péssima (e os números apontam para isso), portanto, assim como Covid, você tem que cuidar de você mesmo e dos seus, o Governo não vai ajudar e provavelmente vai atrapalhar.</p>
<hr />
<p><strong>Como está a situação mundial? E do Brasil?</strong></p>
<p>Até a data desde texto, mais de 16 mil casos já haviam sido reportados, em mais de 75 países. Porém, até onde se sabe, só ocorreram 5 mortes em função da doença. Quando falamos em números mundiais, são números baixos (tanto o de contágios como o de mortes) mas a doença está crescendo acima do esperado para o seu padrão, por isso se entendeu ser necessário adotar medidas para tentar contê-la.</p>
<p>Ao contrário do mecanismo que rege o Brasil, no resto do mundo se dá alarme de preocupação quando algo ainda não saiu do controle, mas tem potencial para sair. No Brasil e na cabeça do brasileiro, se a coisa ainda não está totalmente descontrolada, caótica é letal é frescura, alarme falso ou histeria. Pois bem, a situação não está fora de controle, o alerta é justamente para tomar providencias agora, enquanto ainda é mais fácil, para que não saia do controle.</p>
<p>As palavras literais do Diretor Geral da OMS não foram de pânico e sim se cautela: “Com as ferramentas que temos agora, podemos interromper a transmissão e controlar esse surto”. O risco de contágio no mundo é classificado como “moderado” e “alto” na Europa.</p>
<p>Porém, uma frase dele chamou a atenção: “Então, em suma, temos um surto que se espalhou rapidamente pelo mundo, através de novos modos de transmissão, sobre os quais entendemos muito pouco e que atendem aos critérios do Regulamento Sanitário Internacional”. Ênfase nos “novos modos de transmissão”, sobre os quais não posso falar, pois se a OMS entende muito pouco, imagina eu. Estamos de olho.</p>
<p>O Brasil, por sua vez, vai muito mal obrigada. Está no Top 10 de mais casos (e subindo posições) e sabemos que nem todos estão sendo reportados, pois as pessoas não estão sendo testadas. Então, se considerarmos os casos reais, talvez esteja até em primeiro lugar.</p>
<p>Na semana passada, o Brasil estava na casa dos 500 casos e ontem já tinha 813 casos registrados. Se nada for feito, o Brasil pode tranquilamente chegar ao primeiro lugar e ter mais essa vergonha para ostentar.</p>
<p>Até onde eu sei, e me corrijam se eu estiver errada, só existe um laboratório em todo o Brasil habilitado para fazer o diagnóstico da doença. Um laboratório para mais de 200 milhões de pessoas. Parece seguro para você? Você está vendo alguém fazendo algo para mudar essa realidade?</p>
<p>A situação do Brasil está se deteriorando rápido e o país está destoando dos vizinhos, com casos muito acima da média. Ministro pode ir a público dizer que o país está preparado e que “fez o dever de casa”, mas os números mostram o contrário: o país está cometendo os mesmos erros que cometeu (e comete) contra covid. E, sendo muito sincera aqui, o povo também tem culpa. É uma doença que só se torna contagiosa quando os sintomas (desculpa o trocadilho) estão na cara e, mesmo assim, as pessoas não procuram por ajuda médica ou por um diagnóstico.</p>
<p>O que precisa ser feito para conter esse estrago está na resposta anterior – e o Brasil não está nem perto disso, tanto Poder Público como cidadão. Faltam testes, falta vacina, faltam medicamentos, falta consciência e senso de preservação nas pessoas, mas, acima de tudo, falta planejamento, informação e vergonha na cara por parte dos governantes. Então, tomara que estejamos enganados, tomara mesmo, mas a tendência é ver essa porcaria crescendo no país.</p>
<hr />
<p><strong>Agora isso vira pandemia? </strong></p>
<p>Não. Continuamos firmes e fortes na nossa posição: com os dados que temos até aqui, não é provável que isso vire uma pandemia, pois o contágio não é fácil (não é pelo ar). Porém, as palavras meio ambíguas do Diretor Geral da OMS indicam que pode haver nova forma de contágio e, se isso se confirmar como sendo uma nova modalidade de transmissão, o jogo muda. Não parece provável, não é esperado que esse vírus mute assim, desta forma e tão rápido.</p>
<p>Falando de posse das informações que temos hoje, nada leva a crer em uma pandemia. E o fato de a OMS ter declarado emergência global de forma alguma quer dizer que haverá uma pandemia. A OMS declarou emergência global de outras doenças e elas não terminaram em pandemia.</p>
<p>Nos últimos 20 anos, a OMS declarou emergência global para cinco doenças e apenas uma delas se tornou pandemia: Influenza H1N1 (em 2009), Poliomielite (em 2014 e talvez seja declarada novamente nos próximos anos pois os níveis vacinais estão péssimos), Zika (em 2016), Ebola (uma em 2014 e outra em 2019) e Covid-19 (em 2020). Apenas Covid virou pandemia. Então, a regra é que o ser humano consiga conter a doença.</p>
<p>Mas, cá entre nós, pouco importa o nome que se escolha dar. Se é pandemia ou não é pandemia, eu não quero pegar e não quero que nenhuma pessoa querida pegue. Então, pode ser que só 100 pessoas em todo o país peguem, mas se uma delas for você, vai ser péssimo do mesmo jeito. Por isso eu te digo: se cuide.</p>
<p>99% das buscas sobre a doença que caem aqui são sobre pessoas que parecem ter os exatos sintomas de Monkeypox mas estão procurando formas de escondê-los (maquiagem, manga longa, etc.) pois não querem ser colocadas em isolamento.</p>
<p>Por isso, deixo aqui meu conselho: viu alguém com manchas vermelhas, bolinhas, espinhas, pústulas, feridas ou qualquer coisa suspeita na pele, principalmente nas mãos, rosto, genitais e pés, não compartilhe objetos de uso pessoal com a pessoa. É muito menos difícil do que quarentena. Faça sua parte.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que não aguenta mais, para dizer que mais uma doença global e o mundo já pode pedir música no Fantástico ou ainda para dizer que enquanto a coisa não tomar uma proporção assustadora você não vai mudar uma vírgula na sua vida: <a href="mailto:sally@desfavor.com">sally@desfavor.com</a></p>
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		<title>FAQ: Coronavírus &#8211; 58</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jul 2022 15:29:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
		<category><![CDATA[FAQ Desfavor]]></category>
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					<description><![CDATA[Estamos em uma nova onda? Em que onda estamos? Dentro daquilo que combinamos com nossos leitores, de sempre dar um alerta quando a situação ficasse mais perigosa que o normal, formalizo aqui: o Brasil passa por uma nova onde de covid. Qual onda é? Eu francamente não sei, o país faz questão de não ter [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Estamos em uma nova onda? Em que onda estamos?</strong></p>
<p>Dentro daquilo que combinamos com nossos leitores, de sempre dar um alerta quando a situação ficasse mais perigosa que o normal, formalizo aqui: o Brasil passa por uma nova onde de covid. Qual onda é? Eu francamente não sei, o país faz questão de não ter qualquer controle, acho que não tem ninguém contando. A Europa está entrando na sua sétima onda, é tudo que posso te dizer.<span id="more-20161"></span></p>
<p>Essa nova onda não será sentida em um primeiro momento no Brasil, pois tem muita gente vacinada, portanto, menos pessoas irão ao hospital e morrerão, mas talvez seja sentido em um futuro, quando boa parte desses contaminados tiverem covid longa.</p>
<p>Em que pese toda a subnotificação (tem estados que apenas pararam de reportar mortes e hospitalizações) e redução de hospitalização e mortes por causa da vacina, os números brasileiros atuais não são nada bons: os testes positivos para covid já alcançaram o patamar da primeira onda de Ômicron, o número de casos é o mais alto desde fevereiro (os casos semanais está chegando a 400 mil) e o número de mortes chega a passar de 400 por dia, mesmo com toda a subnotificação.</p>
<p>Como já falamos no FAQ anterior, a liberação do teste de covid de farmácia sem qualquer controle fez com que o país perca qualquer remota noção do que está acontecendo. Some-se a isso o fato da maior parte das pessoas estarem vacinadas, ou seja, dificilmente terão sintomas graves, ou seja, dificilmente procurarão um médico ou testagem.</p>
<p>Assim, o país entra novamente naquela situação trágica de ter que mensurar o problema por seus mortos e hospitalizados – e estes dados também indicam uma nova onda. Já faltam leitos de UTI (adulta e pediátrica) em diversos estados. O Governo não fez qualquer campanha pela vacinação e o Presidente do Brasil foi a público defender mais uma vez tratamento precoce e desmerecer a vacina.</p>
<p>Mas a realidade não está nem aí para o discurso. Pode reparar que à sua volta com certeza tem alguém com gripe, alergia, resfriado ou qualquer outro problema respiratório que a pessoa jura que não é covid. Como ela sabe que não é covid? Ela não sabe. Ela apenas diz que não é. Você só pode afirmar que é ou não é covid se fizer um PCR (teste de farmácia é uma piada cara e falha).</p>
<p>Então, neste exato momento, temos muitas pessoas que estão contaminadas e não sabem que estão contaminadas (pois estão sem sintomas), muitas pessoas que estão contaminadas e com sintomas leves, mas não acham que tem covid pois não fizeram um teste sério e, por fim, um tipo fascinante de pessoas que estão com sintomas, fizeram um teste caseiro, sabem que estão com covid mas estão sendo obrigadas a ir trabalhar mesmo assim pois “covid não mata mais, não precisa de licença médica”.</p>
<p>Some-se a isso o fato de que todas as crianças com menos de cinco anos do país estão sem vacina, então, se papai, mamãe ou vovó pegarem covid na rua e levarem até essas crianças, elas estão correndo risco de morrer, de adoecer e de ter sequelas a longo prazo. Ainda assim, tem gente que insiste em não usar máscara, em não evitar aglomeramento e em se portar como se nada estivesse acontecendo.</p>
<p>O site do Ministério da Saúde diz que 80% das pessoas estão vacinadas, mas sabemos que isso não é verdade. Só tem o cronograma vacinal completo quem tomou 4 doses, que no Brasil, não chega nem à metade da população. Vacina aplicada no ano passado não confere uma boa proteção, são necessárias doses de reforço para estar protegido.</p>
<p>Essa é a situação no momento: uma onda que não podemos mensurar em números exatos, que não está sendo percebida, que não está sendo temida nem controlada, mas que pode deixar morte e sequelas. Cabe a você escolher como quer se posicionar. Meu conselho é que, no mínimo, use máscara assim que sair de casa, não aglomere e não tenha contato com quem não se cuida. Essa Ômicron é o vírus mais contagioso que a humanidade já foi exposta, ter um pouco de cuidado e respeito é bom.</p>
<hr />
<p><strong>Como está a liberação de vacinas para crianças?</strong></p>
<p>Nos EUA ela já começou, no Brasil, ainda não. A ANVISA vai analisar a questão amanhã (quarta-feira), até onde eu sei.</p>
<p>Mas, como bem sabemos, a ANVISA tem lá suas peculiaridades (aprova centenas de pesticidas comprovadamente cancerígenos para uma firula danada para aprovar uma vacina aplicada em mais de 60 países sem qualquer efeito colateral grave). Também sabemos que o fato da ANVISA aprovar não significa que, no dia seguinte, a vacina está no braço das crianças, então, continuem cuidado muito bem dos seus pequenos e não deixem que eles convivam com qualquer pessoa que não esteja fazendo quarentena.</p>
<p>“Mas Sally, isso não é excesso de preocupação? Aqui no Brasil ninguém está fazendo quarentena”. Não sei, me diz você. Te passo os dados e você conclui o que quiser.</p>
<p>O Brasil é responsável por um quinto de todas as mortes de menores de dois anos no mundo. Não na América Latina, no mundo. Um mundo com África (continente com poucas pessoas vacinadas), um mundo com guerra, um mundo com muita precariedade. De cada cinco crianças com idade inferior a dois anos que morrem de covid no mundo, uma é brasileira.</p>
<p>Sabe aquele papo dos EUA ser perigoso por ter um monte de negacionista que não se vacina? Pois é, na capital mundial do negacionismo, em um país que tem muito mais gente do que o Brasil (330 milhões de habitantes) e, por consequência, mais crianças também, tem apenas um terço dos óbitos de crianças que o Brasil tem. O Brasil é um ponto fora da curva quando falamos de criança morrendo de covid.</p>
<p>Também vale lembrar que o “A Ômicron é mais leve” já foi cientificamente desmentido sucessivas vezes. Se você expuser não-vacinados à Ômicron, verá que ela é tão ou mais letal que o covidão raiz. Não é a Ômicron que está mais leve, são as pessoas que estão mais vacinadas. Já dei esse exemplo várias vezes antes: se você manda blindar seu carro, um bandido atira e a bala não passa pelo vidro, não são as balas que estão ficando mais fracas, é o vidro que foi blindado e ficou mais forte.</p>
<p>Hoje, morre a mesma quantidade de criança que morria em 2020 e 2021, ou seja, não tem vírus mais fraco, tem adulto morrendo menos por estar mais vacinado. E seria ótimo que todas as crianças tenham essa proteção.</p>
<p>E não estou falando apenas em hipóteses extremas como morte, sabemos que uma a cada cinco pessoas que tem covid desenvolve Covid Longa. Como escrevemos bastante sobre isso no último FAQ, não vamos nos aprofundar, mas Covid Longa pode causar muitos transtornos, alguns ainda desconhecidos e outros até mesmo permanentes. Não é legal colocar uma criança sob esse risco.</p>
<p>Eu sinceramente não sei como as pessoas conseguem sair tranquilamente sem se cuidar e voltar para uma casa onde tem crianças não vacinadas. Eu não sei como podem receber visitas tendo em casa uma criança não vacinada. Lembra lá no começo, quando não tinha vacina? Lembra os cuidados que eram necessários? Pois é, crianças sem vacina ainda estão naquela época, mas, no geral, com zero cuidados.</p>
<p>Então, assim que for liberada a vacina para crianças menores, não pense, não “estude”, não duvide: vacine. A vacina já se provou segura e eficiente, perder tempo neste momento é colocar a vida do seu filho em risco. Vacinas são seguras para todas as idades, apenas vacina. O que mata, o que deixa sequela, é covid. VACINEM SEUS FILHOS.</p>
<hr />
<p><strong>Estou com coriza, nariz escorrendo, um pouco de dor de garganta, mas nenhum sintoma grave. Vale à pena fazer teste para covid?</strong></p>
<p>Vale, mas não teste de farmácia, que serve apenas para jogar dinheiro fora, já que não dá para confiar no resultado. Se for viável para você, faça um PCR.</p>
<p>Saber que você teve covid pode ser muito importante no futuro: se, dentro de alguns meses, você começar a apresentar determinados sintomas, saber se teve ou não covid será muito importante para saber se o que você está sentindo pode ou não ser Covid Longa.</p>
<p>Além disso, também é importante para saber se você deve ficar em isolamento. Por exemplo, se na sua casa ou no seu convívio existem crianças não vacinadas, você não pode conviver com elas ou com quem convive com elas (mãe, pai ou quem mais more com a criança).</p>
<p>Eu sei que seu nariz escorrendo parece uma besteira, mas, se uma pessoa não vacinada por contaminada, pode não ser apenas um nariz escorrendo. Pode ser hospitalização, pode ser morte, pode ser Covid Longa, podem ser sequelas para o resto da vida. Tenha empatia, comporte-se com os outros como você gostaria que se comportem com você quando você ainda não estava vacinado.</p>
<p>E, para terminar, saber se tem covid também é uma informação relevante para quem vai tomar dose de reforço da vacina: essa informação é crucial para determinar quando você deve se vacinar.</p>
<p>Mas, como eu disse, se for viável para você. Se um PCR compromete 50% do seu salário, se na sua cidade não tem, se por algum motivo há um impedimento intransponível ou que vai te causar grandes problemas, não faça. Porém, se comporte como se estivesse com covid: fique isolado, não saia e controle a sua saturação (oxigênio no sangue), pois muitos doentes acham que estão ótimos, não sentem falta de ar mas estão com oxigenação do sangue baixíssima e precisam sim de hospital e oxigênio. Oxímetro vende baratinho no Mercado Livre.</p>
<p>Uma ressalva: se for o caso, se você estiver com covid, vale lembrar que infecção por Ômicron não protege contra infecção por Ômicron. Você pode ser contaminado novamente, portanto, nada de achar que está imunizado. Estudos recentes mostram que não é incomum que uma pessoa pegue covid (e hoje o mundo todo é Ômicron) e, no mês seguinte, pegue novamente. Portanto, mesmo que você faça o PCR e descubra estar contaminado, continue se cuidando, pois quanto mais covid você pega, maiores as chances de desenvolver Covid Longa.</p>
<hr />
<p><strong>Precisa mesmo toma a quarta dose?</strong></p>
<p>Precisa. Se você quer ter um regime de vacinação completo, estar realmente protegido, você precisa de 4 doses de vacina. Vou te passar alguns dados para que você entenda a importância.</p>
<p>Segundo dados do CDC (dos EUA), quem tomou a quarta dose tem quatro vezes menos risco de morte por covid do que quem tomou três doses. Isso quer dizer que três doses não bastam mais, tem proteção melhor. Não sei você, mas eu prefiro reduzir em quatro vezes meu risco de morte. E, quando comparamos com não vacinados, eles têm 42 vezes mais risco de morte do que quem tomou as quatro doses. Quem, em sã consciência, pode reduzir em 4 vezes o risco de morte, de graça, e não o faz?</p>
<p>Vi muita gente comentando que não tem vacina. Se alguém te falar isso, saiba que é mentira. O Brasil tem 28 milhões de doses de Pfizer e Astrazeneca (que custaram mais de um bilhão de reais) e que vencem em AGOSTO, ou seja, vacinas que tem que ser aplicadas nos próximos 20 dias, caso contrário terão que ser jogadas no lixo. Então, tem vacina sim, inclusive quarta dose liberada para pessoas a partir de 40 anos. Tome. Já. Ontem. O quanto antes. Já que vocês, no Brasil, não tomam mais nenhum outro cuidado (nem máscara o pessoal está usando mais), pelo menos estejam em dia com a vacinação.</p>
<p>Só não vale tomar quarta dose e se comportar como se não tivesse pandemia. Pela milésima vez: vacina é feita para você não morrer. Para não adoecer existe máscara, distanciamento social, lavar as mãos e juízo.</p>
<p>A proteção que a quarta dose dá contra morte e hospitalização é excelente, mas contra contágio não. Você estará bem protegido contra contágio por um ou dois meses, depois essa proteção cai drasticamente. Ou seja, você pega, não morre, não fica seriamente doente, mas pode ter Covid Longa, pode contaminar outras pessoas e estas sim, se não puderam se vacinar, podem morrer.</p>
<hr />
<p><strong>Não surgiu outra variante, né? Ainda é a Ômicron. Isso é bom, né?</strong></p>
<p>Não necessariamente. A Ômicron continua gerando variantes de Ômicron, cada vez mais contagiosas e cada vez mais propensas a escapar do nosso sistema imune. Se a coisa continuar nesse rumo, pode acontecer que uma derivação da Ômicron um dia chegue ao escape total às vacinas. Tomara que não. Pode nunca acontecer. Mas pode acontecer também. O que quero dizer é que para ter problemas sérios não é necessário que a OMS designe uma nova letra para uma variante.</p>
<p>A versão dominante hoje é a Ômicron BA.5, que está causando bastante problema – e mutando. Mas, já tem variante da variante pronta para destroná-la, como por exemplo a BA.2.75, que parece ter surgido na Índia e estar chegando com muita disposição. Ela veio da BA.2, que provavelmente foi a que causou o grande pico de covid no Brasil em janeiro, só que a BA.2.75 parece ser uma versão ainda mais potente.</p>
<p>Então, mesmo sem ter um nome autônomo, as variantes da Ômicron preocupam e acumulam mutações em dois pontos importantes: na região em que o vírus usa para reconhecer as nossas células (o que faz com que ele possa nos infectar cada vez melhor e mais rápido) e na região que ele usa para se conectar às nossas células (o que faz com que seja cada vez mais difícil para nosso sistema imune reconhecê-lo).</p>
<p>Todos esperamos, de coração, que o vírus nunca consiga chegar ao ponto de um escape vacinal completo, mas, certeza ninguém tem. O que podemos fazer é tenta evitar ao máximo a circulação do vírus, pois, quanto mais ele circula, mais chances damos para que ele possa mutar.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que o Brasil tem uma única grande onda desde 2020, para dizer que está curioso para ver em quem vão colocar a culpa quando Bolsonaro sair ou ainda para dizer “esperem o reset”: <a href="mailto:sally@desfavor.com">sally@desfavor.com</a></p>
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		<title>FAQ Desfavor &#8211; Computação</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2022/07/faq-desfavor-computacao/</link>
					<comments>https://www.desfavor.com/blog/2022/07/faq-desfavor-computacao/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jul 2022 15:12:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[FAQ Desfavor]]></category>
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					<description><![CDATA[No espírito de sair da zona de conforto e ir buscar o lado nerd da Sally ao invés do meu, vamos pegar várias dúvidas comuns sobre computação de alto nível e tentar explicar da forma mais clara possível. Cruzando os dedos&#8230; O que é um computador quântico? Primeiro temos que explicar o que é um [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>No espírito de sair da zona de conforto e ir buscar o lado nerd da Sally ao invés do meu, vamos pegar várias dúvidas comuns sobre computação de alto nível e tentar explicar da forma mais clara possível. Cruzando os dedos&#8230;<span id="more-20133"></span></p>
<p><strong>O que é um computador quântico?</strong></p>
<p>Primeiro temos que explicar o que é um computador normal, e de forma bem básica, é um sistema que usa zeros e uns para fazer qualquer tipo de cálculo.</p>
<p>Quando perguntamos para o computador quando é 2 + 2, ele transforma esses símbolos numa série de zeros e uns, faz a conta assim e transforma de volta num valor que a gente entende, no caso, o número 4. Computadores não entendem nada que não seja zero e um.</p>
<p>Isso acontece porque quando você vai ver dentro do processador, o que está lá dentro são chavinhas que ligam e desligam. Nos computadores modernos, são incontáveis dessas chavinhas, que podem ligar ou desligar milhões de vezes por segundo. Zeros e uns nada mais são do que formas de falar que essas chaves estão ligadas ou desligadas.</p>
<p>No computador quântico, várias das loucuras da física quântica podem ser utilizadas, mas a que mais interessa aqui é a superposição de elementos: o computador normal tem ligado e desligado, zero e um; o computador quântico tem um estado a mais, o da superposição. Ou seja, ele pode considerar zero, um e uma “mistura” de zero e um que só vai ser definida de verdade quando for medida.</p>
<p>Se você quiser ir a fundo no assunto, tem um PhD te esperando, mas para o tamanho desta resposta, podemos dizer que a diferença é que tem mais uma possibilidade no computador quântico: zero, um e zero OU um. Qualquer pessoa com um pouco de massa cinzenta pode pensar que não parece tão vantajoso assim ter uma dúvida a mais no processo. Computador que responde com “talvez” não serve pra nada&#8230;</p>
<p>É claro, o computador quântico não te responde com “talvez”, ele tem que medir o resultado verdadeiro antes de te dar a resposta. O segredo está no meio do processo de fazer as contas: o computador normal tem que esperar uma conta finalizar para começar a próxima, o computador quântico pode continuar fazendo outras contas antes de resolver a anterior.</p>
<p>Quando chega no final da conta, ele mede tudo o que estava indefinido no meio dela e vê se bate. Se não bater, joga tudo fora e começa de novo. O que parece e é um processo bem maluco e cheio de erros. Por isso, o computador quântico ainda não é mais rápido que o computador normal na maioria das tarefas.</p>
<p>Mas em algumas, bem específicas, essa coisa de tocar o barco mesmo sem saber se fez a conta certa antes pode ser muito útil. É uma simplificação horrenda, mas ajuda a visualizar: o computador quântico tem o poder de dar uns “chutes” para ganhar tempo e descobrir logo se está indo por um caminho que vale a pena seguir. O computador normal tem que testar todas as possibilidades até o fim, o quântico consegue arriscar algumas coisas para ver se fazer sentido ou não.</p>
<p>Não é a mesma coisa, mas é a mesma ideia: quando você tem experiência com alguma tarefa, já consegue imaginar de cara se vale a pena ir por aquele caminho ou não. O marceneiro que imagina uma mesa com uma perna menor que as outras não precisa montar uma mesa desse jeito para saber que vai dar errado. A gente vai até a conclusão presumindo muitas coisas, e assim ganha tempo.</p>
<p>O computador quântico faz contas enormes sem ficar esperando tudo estar pronto nas etapas anteriores. Se ele achar um erro lá na frente que não depende das contas que não fez ainda, pode jogar tudo fora e começar de novo, sem gastar o tempo de fazer todas as contas que ainda não fez. O computador normal tem que ir até o fim para dizer se vai dar certo ou não.</p>
<p>Para o uso diário de computadores, os normais são bem melhores: as contas são simples e previsíveis para fazer seu notebook ou celular funcionarem direitinho. Mas para coisas como quebrar criptografia, que exigem trilhões de contas e muitas vezes anos de trabalho para resolver, ter um computador que “chuta” e deixa de gastar tempo com contas que não vão resolver o problema pode fazer muita diferença.</p>
<p>Em mais uma simplificação grotesca: o computador quântico erra mais rápido que o computador normal. E como erra mais rápido, tem mais chances de achar a resposta certa num tempo curto. Se é uma conta que o computador normal faz muito rápido, o computador quântico é inútil, mas se é uma conta que o computador normal sofre para fazer, a coisa muda de figura e começamos a ver vantagens nesse sistema quântico.</p>
<p>Como o computador quântico ainda precisa de condições muito especiais, como resfriamento absurdo a temperaturas próximas do zero absoluto, é bem provável que não os vejamos dentro de casa nas próximas décadas, e mais: se ele não conseguir fazer as contas fáceis mais rápido que o computador normal, nem faz sentido ter um em casa.</p>
<p>É fascinante, mas ainda é extremamente de nicho.</p>
<hr />
<p><strong>Como funciona a inteligência artificial?</strong></p>
<p>Atualmente, estamos trabalhando com o conceito de redes neurais: são sistemas que “imitam” o funcionamento de um cérebro. Imitam entre aspas porque a gente nem sabe tão bem assim como o cérebro faz o que faz.</p>
<p>Rede neural é diferente de tudo o que fazíamos com computação antigamente: ao invés de escrever um código para o computador rodar com seus zeros e uns, nós damos um resultado esperado e deixamos esses sistemas acharem a melhor forma de fazer isso acontecer.</p>
<p>Mas é claro, o computador não sabe que está pensando, precisamos montar sistemas que simulem isso. Na natureza, sabemos que o cérebro dos animais trabalha com repetição até achar um caminho. Quanto mais exemplos vindos da vida ao nosso redor, maior a chance de aprendermos como lidar com eles.</p>
<p>Na prática: os neurônios do nosso cérebro mais utilizados para lidar com uma situação ficam tão bons nisso que o cérebro “decora” o caminho que passa por eles e sempre os usa. O que você sente e lembra quando lida com uma situação está diretamente relacionado com a forma como o seu cérebro definiu esse caminho de neurônios.</p>
<p>Tem uma série de neurônios na sua cabeça que sempre é chamado quando você vai fazer café, tem outra que ficou especializada em lidar com sua namorada reclamando, outra que ativa quando você escuta uma música&#8230; são bilhões de neurônios e todas as combinações possíveis entre os conectados diretamente. Tem espaço pra muitas manias na nossa mente.</p>
<p>E a natureza é especializada em achar um caminho e teimar com ele até ser forçada a mudar. Por isso é difícil mudar seus hábitos e ou mesmo começar a enxergar as coisas por outra perspectiva. Seu cérebro tirou o mato daquela trilha e agora só quer andar por ela. E por mais que isso nos traga muitos problemas, na média é tão útil e eficiente para nos manter vivos que continua acontecendo todo o tempo.</p>
<p>Afinal, sem esse reforço físico de hábitos e ideias, aprendizado seria impossível. A sequência de neurônios que dispara quando você sente um cheiro ruim é sua primeira linha de defesa contra contaminação. Antes mesmo de virar o conceito de “isso é perigoso”, já tem algo que funcionando na mente para te manter com repulsa.</p>
<p>Falo tudo isso porque as redes neurais são baseadas nessa ideia de tirar conclusões antes mesmo de chegar no resultado final. Através da matemática, o programa que roda a inteligência artificial simula essa ideia de caminhos neurais: mesmo que ele não tenha visto ainda o esgoto, só de sentir o cheiro ele já sabe que tem algo errado.</p>
<p>A Inteligência Artificial moderna usa a ideia de traçar os melhores caminhos para chegar no resultado. Mas não tem nenhuma ideia nessa cabeça virtual: são números. Sentir cheiro ruim é um número baixo, não sentir cheiro ruim é um número alto. Se você quer um resultado alto que te mantenha longe do esgoto, é melhor passar pelo número alto (sem cheiro ruim) do que pelo baixo (com cheiro ruim). É só uma aproximação de como pensamos na prática.</p>
<p>Mas funciona muito bem. A Inteligência Artificial é ensinada por um humano o que ela deveria querer. Por exemplo, uma foto de um cachorro. A foto de um cachorro vale 10, a foto de qualquer outro bicho vale zero. A IA não sabe o que é um cachorro, mas se ela receber um monte de fotos de cachorro para analisar, ela vai começar a identificar características do bicho. A cara de um cachorro tem que ter dois olhos, um focinho, orelhas, pelos&#8230;</p>
<p>Repito, a IA não sabe o que é nada disso, mas sabe, baseada em milhões de fotos, o que se repete sempre que tem um cachorro na foto. Pra ela não é um focinho, mas uma bolinha preta que sempre fica mais ou menos no meio da face. Se ela vir essa bolinha preta no lugar certo, fica mais confiante que está vendo um cachorro.</p>
<p>Só que calcular tudo isso ao mesmo tempo é muito demorado. Por isso as redes neurais se dividem em etapas. Cada uma analisa uma coisa, uma está procurando pelo focinho, outra pelos olhos, outra pelo nariz&#8230; mesmo que na prática ela não tenha noção nenhuma do que é qualquer coisa. É a sequência que determina o resultado positivo ou negativo.</p>
<p>E aí, ela precisa treinar para ver se está acertando. Humanos sabem reconhecer o que é um cachorro, então, por um tempo, ensinamos ela quando ela acerta ou erra. Ela pega fotos aleatórias e tenta responder se é um cachorro ou não. Só que é uma IA fazendo contas: ela só sabe que 10 é cachorro e 0 não é. Se ela pegar uma foto de cachorro muito parecido com um gato, por exemplo, pode dar nota 5. “Eu acho que tem um cachorro aí, mas pode não ser também”.</p>
<p>Se um humano pegar esses resultados e definir se estão certos ou não, a informação volta para a IA e ela sabe quais os caminhos neurais que ela criou funcionam mais ou menos. A próxima etapa é pegar os que mais funcionaram e manter, e pegar os que menos funcionaram e mudar. Isso pode ser feito diversas vezes até ela ficar boa de verdade em identificar cachorros.</p>
<p>Quando ela é solta no mundo para interagir com pessoas, ela tem seus próprios caminhos neurais, assim como nós. Você manda a foto do seu papagaio, ela analisa e te responde que com base no que ela “sente” quando vê um cachorro, o que você mostrou para ela não é um cachorro. É um jeito matemático de criar uma ideia num ser não vivo. A rede neural é uma forma de imitar a forma como pensamos, do jeito que pensamos que pensamos. (ok, essa última frase foi bem Somir, eu não me aguentei).</p>
<p>A Inteligência Artificial de hoje é uma máquina com uma ideia. A ideia do que é um cachorro, a ideia de como responder uma pergunta no chat, a ideia de iluminar uma cena de jogo, a ideia de que transação financeira dá mais dinheiro&#8230;</p>
<p>Do jeito que a coisa vai agora, estamos construindo máquinas que tem só uma ideia, mas que podem processar essa ideia muito rápido. Você é melhor que uma IA em reconhecer um cachorro numa foto em um segundo, mas ela é melhor que você em reconhecer mil cachorros em mil fotos no mesmo segundo. Ela só tem isso pra pensar, você tem todo o resto da sua vida ao mesmo tempo.</p>
<p>Se você for analisar a tecnologia de verdade, vai ver que é espetacular como ferramenta. A chave de fenda é mil vezes melhor que a mão para parafusar, mas só faz isso. O resto da discussão sobre inteligência artificial, francamente, é ficção científica nesse ponto. Estamos construindo ferramentas imitando alguns truques que o cérebro descobriu há centenas de milhões de anos atrás.</p>
<p>É muito bacana, mas é só isso ainda. Menos, menos&#8230;</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que agradece o esforço mas que não deu, para dizer que eu podia responder onde fica o clitóris, ou mesmo para dizer que não perguntou: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
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		<title>FAQ: Coronavírus &#8211; 57</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2022/07/faq-coronavirus-57/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jul 2022 13:44:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
		<category><![CDATA[FAQ Desfavor]]></category>
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					<description><![CDATA[Como está a situação no Brasil? Eu não sei e sinceramente, acho que ninguém sabe. Esse é um dos motivos pelos quais espaçamos mais os FAQ Covid, as circunstâncias tornaram quase impossível mensurar o que está acontecendo. Depois que testes de farmácia passaram a ser comercializados sem controle algum, perdeu-se a noção da quantidade de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Como está a situação no Brasil?</strong></p>
<p>Eu não sei e sinceramente, acho que ninguém sabe. Esse é um dos motivos pelos quais espaçamos mais os FAQ Covid, as circunstâncias tornaram quase impossível mensurar o que está acontecendo.<span id="more-20110"></span></p>
<p>Depois que testes de farmácia passaram a ser comercializados sem controle algum, perdeu-se a noção da quantidade de casos. O único indício que temos é número mortes e hospitalizações, que, com a vacina, tendem a ser menores mesmo que venha uma nova onda com mais contágios.</p>
<p>Em países um pouco mais sérios, há mecanismos de controle sobre os resultados dos testes de farmácia, mas o Brasil claramente não tem interesse nisso, então, não acredite em números oficiais, pois eles não refletem mais a realidade.</p>
<p>O que posso te dizer é o mesmo que disse no último FAQ: estando com as doses de reforço em dia (o ideal, até aqui, é que você tome uma a cada 4 meses), você está bastante protegido contra morte e internação em caso de covid. Porém, pode não estar tão bem protegido contra contágio, afinal, o objetivo da vacina nunca foi evitar o contágio e sim evitar que a pessoa doente morra.</p>
<p>Por isso, se você convive com pessoas que não podem se vacinar ou com pessoas que, por motivos de saúde, podem não desenvolver uma resposta tão boa à vacina (idosos, diabéticos, obesos, pessoas com doenças autoimunes e todos aqueles outros grupos que já falamos), o ideal é que tome precauções para não pegar covid: se você pegar provavelmente não vai acontecer nada com você, mas você pode passar para essa pessoa e ela sim pode sofrer consequências mais sérias.</p>
<p>A vacina atual protege contra morte e hospitalização para todas as variantes, todos os tipos, todas as cores de covid, desde que você continue tomando as doses de reforço. Duas doses tomadas em 2021 podem não te proteger o suficiente, portanto, nada de relaxar com o argumento de que “estou vacinado”. Vacinado e protegido só está quem tomou sua dose de reforço nos últimos 4 meses.</p>
<hr />
<p><strong>Tem como saber se eu tive covid? (eu devo ter anticorpos, pois tomei a vacina)</strong></p>
<p>Sim, é possível. Para saber se uma pessoa teve ou não covid, se faz um exame de sangue para detectar anticorpos contra a proteína N (papo técnico: nucleocapsídeo) do coronavírus. Se esses anticorpos forem encontrados no seu sangue, é sinal de que sim, você teve covid em algum momento.</p>
<p>Os anticorpos gerados pela vacina são diferentes. A vacina gera anticorpos contra outra proteína (papo técnico: proteína spike). Então, é possível saber exatamente quem tomou vacina e quem adoeceu.</p>
<p>Fazer esse tipo de teste pode ser importante para diagnosticar covid longa em quem não sabe que teve covid. Caso a pessoa esteja com determinados sintomas persistentes e não exista explicação médica para isso, esse exame pode ajudar a entender o que está acontecendo.</p>
<p>Também acho importante deixar bem claro que dá para quantificar com segurança o número de pessoas contaminadas (sem confundir com o número de pessoas vacinadas) pois, quem sabe, em algum momento é feito um levantamento disso para responsabilizar os imbecis que fizeram essa condução desastrosa da pandemia no Brasil. Se isso acontecer, vai ter militante dizendo que estão inflando os números pois esses anticorpos que aparecem são da vacina. Não são. Infecção por covid deixa um tipo de anticorpo e vacina deixa outro.</p>
<hr />
<p><strong>O que se sabe sobre covid longa?</strong></p>
<p>Vamos chamar de Covid Longa, pois é o nome mais comum, mas nome técnico é “Síndrome pós-Covid”.</p>
<p>Ela é extremamente comum, segundo a OMS uma a cada cinco pessoas que pegaram covid acaba desenvolvendo este problema. Pode apresentar uma quantidade imensa de sintomas (são mais de 200 sintomas já catalogados) e esses sintomas podem durar meses ou até anos e pode ser que alguns sejam permanentes.</p>
<p>Até segunda ordem, o que se sabe é que qualquer pessoa que teve covid pode ter covid longa, mesmo que não tenha sentido qualquer sintoma da doença, mesmo que esteja vacinada quando contraiu a doença (alguns estudos indicam que, na melhor das hipóteses, a vacinação em dia pode prevenir em 35% o risco de covid longa).</p>
<p>Estudos também indicam que mulheres correm mais risco de covid longa do que homens (60% dos casos são em mulheres) mas, na real, eu não sei se de fato ataca mais as mulheres ou se as mulheres são mais atentas ao corpo e procuram atendimento médico com mais facilidade do que os homens. A covid longa também parece ser mais frequente em pessoas entre 36 e 64 anos. Para que ela se caracterize, é preciso que a pessoa apresente sintomas persistentes por mais de três meses.</p>
<p>Ela apresenta uma infinidade de sintomas, alguns até bastante estranhos, mas, os mais comuns são: dor de cabeça, perda de memória, dificuldade de concentração, perda cognitiva, ansiedade, insônia, depressão, perda auditiva, escutar zumbido no ouvido (papo técnico: tinnitus), perda auditiva, tontura, falta de ar, sensação de peito comprimido, fadiga crônica, taquicardia, fraqueza generalizada, queda de cabelo, diarreia, dor abdominal, constipação, perda de apetite, disfunções no ciclo menstrual, danos aos testículos, perda de olfato e/ou paladar e problemas hepáticos.</p>
<p>Metade dos casos de covid longa são fortes o suficiente para impedir que a pessoa execute as atividades do seu dia a dia normalmente. Eu mesma tenho amigos que tiveram que parar de trabalhar por incapacidade cognitiva. Na melhor das hipóteses, em média, a covid longa dura pelo menos sete meses. Na pior das hipóteses, ela fica como um dano permanente.</p>
<p>Ainda não se encontrou um padrão na covid longa: ela pode aparecer meses depois da pessoa ter se curado da covid, ela pode permanecer por meses, sumir e reaparecer, ela pode se manter por anos e, com o passar do tempo, do nada, surgirem sintomas novos. É uma grande loteria de danação.</p>
<p>Quando falamos em prazos, é preciso cautela, pois é uma doença que começou em 2020, ainda não sabemos bem o que é permanente e o que não. Por hora, se sabe que os danos que costumam ser permanentes, isto é, irreversíveis, costumam ser problemas no coração, fígado e/ou rins e maior risco de se tornar diabético.</p>
<p>“Mas Sally, os danos permanentes não deveriam ser no pulmão, que é o principal foco da doença?”. Não. A covid não é apenas uma doença respiratória, ela também é uma doença vascular ou com consequências vasculares. É comprovado que ela ataca a membrana interna dos vasos sanguíneos (papo técnico: endotélio). Nessa brincadeira, é provável que quem mais sofra seja o coração e o sistema circulatório.</p>
<p>E, dentro do grupo “coração e sistema circulatório”, o que mais se tem visto é a formação de coágulos. Coágulos podem causar sérios estragos ao corpo, desde trombose, infarto até AVC, dependendo de que “tubulação” eles entupam. Mas, nesse caso específico, descobertas recentes indicam que o coronavírus costuma reagir com dois componentes do sangue (papo técnico: plaquetas e fibrinogênio), formando microcoágulos.</p>
<p>“Mas Sally, microcoágulos não é melhor que coágulos? Quanto menor, menos entope”. Nem sempre. Quando a quantidade de microcoágulos é muito grande, reduz a capacidade de o sangue transportar oxigênio, o que vai “sufocando” os órgãos aos poucos e as consequências podem ser desastrosas.</p>
<p>Para finalizar, alguns cientistas estão começando a cogitar uma nova hipótese. Não é nada comprovado, apenas uma tese, por isso não saia repetindo isso como verdade: é possível que o Sars-CoV-2 simplesmente não desapareça nunca.</p>
<p>Mesmo não sendo mais detectável nos exames de sangue, ele poderia permanecer no corpo e, silenciosamente, continuar provocando os danos que chamamos de “covid longa”. Se for este o caso, a tendência é que os sintomas nunca desapareçam por completo e que eventualmente piorem ou surjam sintomas novos.</p>
<p>Se isso se confirmar, será uma péssima notícia, não apenas para os infectados, como para todos nós. Enquanto o coronavírus está no corpo, ele está em constante ataque do sistema imunológico, o que quer dizer que ele está constantemente dependendo de mutações para sobreviver. O resultado disso, vocês já podem imaginar, seria o surgimento de novas variantes, que certamente pegariam o mundo de surpresa.</p>
<p>Até aqui, o tratamento da covid longa não é pensado para atacar a causa da doença, apenas o sintoma: a covid longa não é combatida, e sim a dor de cabeça ou perda de memória que ela causa, por exemplo. Mas, já tem cientistas de várias partes do mundo estudando como impedir que a covid longa se desenvolva, preferencialmente antes dela causar danos. A principal aposta, no momento, são os anticoagulantes e os antivirais. Mas ainda é cedo para afirmar qualquer coisa além de “tem gente trabalhando nisso”.</p>
<p>Sem querer assustar ninguém, mas é provável que só vejamos os danos causados pela covid e pela covid longa em alguns anos. O que estamos vendo agora é a ponta do iceberg. Algo similar aconteceu com a Gripe Espanhola, em 1918: anos depois que a pandemia terminou houve uma explosão de casos de encefalite letárgica, uma inflamação do cérebro que causa tremores, perda da fala e sonolência incontrolável. Estima-se que 1 milhão de pessoas foram afetadas. Então, é provável que em alguns anos tenhamos que lidar com um legado bem desagradável.</p>
<p>Até hoje, a única forma de realmente se proteger contra covid longa é não ter covid. Custa tanto assim usar uma PFF2 bem colocada?</p>
<hr />
<p><strong>É verdade que a Moderna vai lançar uma vacina anual contra covid?</strong></p>
<p>Sim e não. Vamos explicar com calma.</p>
<p>Sim, a Moderna desenvolveu uma vacina (papo técnico: vacina mRNA-1273.214) contra a variante Ômicron que apresentaria “uma resposta de anticorpos superior”, <a href="https://investors.modernatx.com/news/news-details/2022/Moderna-Announces-Omicron-Containing-Bivalent-Booster-Candidate-mRNA-1273.214-Demonstrates-Superior-Antibody-Response-Against-Omicron/default.aspx" target="_blank" rel="noopener">divulgando o resultado de testes clínicos que comprovariam isso</a>. Essa vacina poderia garantir um espaço maior entre aplicações, em tese.</p>
<p>Essa “nova vacina”, a vacina mRNA-1273.214, seria diferente da vacina convencional (vacina mRNA-1273), que foi criada com base no covid raiz, aquele de Wuhan. Muito desavisado da imprensa viu e começou a divulgar, dizendo que existira uma vacina mais eficiente e daí já surgiu especulação sobre ser uma vacina que precisaria de intervalos maiores, até algum descontrolado chegar no prazo randômico de uma vez por ano, similar ao da vacina contra a gripe. Mas tem um pequeno problema.</p>
<p>Ao divulgar todos os dados, a Moderna diz que sua vacina foi desenvolvida com “a variante Ômicron”. Você, que é leitor do Desfavor, sabe muito bem que a Ômicron deu várias crias.</p>
<p>Essa vacina da Moderna foi feita utilizando a Ômicron BA.1 (ou B.1.1.529), a Ômicron Raiz. O problema? Essa variante está praticamente extinta. Hoje, ela é responsável por apenas 0,3% dos casos de covid. Como explicamos nos últimos FAQ, a Ômicron mutou rápido. Hoje, o grande problema vem da BA.2 (53% dos casos) e a BA.4 (18% dos casos) e BA.5 (19% dos casos).</p>
<p>Uma vacina desenvolvida com a BA.1, a Ômicron Raiz, pode proteger de forma eficiente contra BA.2, BA.4 e BA.5? Parece que não. Fuén! <a href="https://www.nature.com/articles/s41586-022-04980-y" target="_blank" rel="noopener">Estudos indicam que BA.2, BA.4 e BA.5 tem forte escape aos anticorpos gerados pela Ômicron Raiz, a BA.1</a>. Por sinal, até a rival da Moderna, a Pfiezer, já tratou de fazer estudos nesse sentido para <a href="https://www.science.org/doi/10.1126/sciimmunol.abq2427" target="_blank" rel="noopener">mostrar que a vacina da concorrente é uma titica</a>.</p>
<p><a href="https://investors.modernatx.com/news/news-details/2022/Moderna-Announces-Bivalent-Booster-mRNA-1273.214-Demonstrates-Potent-Neutralizing-Antibody-Response-Against-Omicron-Subvariants-BA.4-And-BA.5/default.aspx" target="_blank" rel="noopener">A Moderna divulga que essa nova vacina aumenta em 5 vezes a eficácia contra as novas variantes da Ômicron</a>, mas, se você comparar os estudos, vai ver que essa nova vacina, quando usada contra as novas variantes, tem resultados 3 vezes menores do que o apresentado contra a variante BA.1.</p>
<p>Então, sinto decepcioná-los, mas o ser humano não está conseguindo criar vacina na mesma velocidade que o vírus está mutando: quando pegam uma variante e fazem uma vacina com base nela, até a vacina entrar no mercado, essa variante já mutou novamente.</p>
<p>Mais do que uma vacina anual, temos que começar a torcer por uma vacina que consiga evitar a transmissão de covid, que até agora ninguém conseguiu desenvolver. Sabemos que uma pessoa corretamente vacinada dificilmente vai morrer ou precisar de internação, agora é hora de proteger as pessoas contra o contágio, para tentar reduzir os problemas que vamos ter com covid longa. Torçam por isso, não por uma vacina anual.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para confessar que estava com saudades do FAQ, para dizer que não estava com nem um pingo de saudades ou ainda para dizer que vai colocar a culpa da sua preguiça na covid longa para tentar afastamento do trabalho: <a href="mailto:sally@desfavor.com">sally@desfavor.com</a></p>
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		<title>FAQ Desfavor &#8211; Varíola dos Macacos</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2022/06/faq-desfavor-variola-dos-macacos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jun 2022 15:20:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[FAQ Desfavor]]></category>
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					<description><![CDATA[O Brasil confirmou o primeiro caso de varíola de macacos e, com isso, achamos que é hora de falar um pouco mais sobre esta&#8230; novidade. Escolhemos as perguntas que mais apareceram por aqui. Você achava ruim um FAQ? Pois é, em 2022 tem dois! O que é O vírus da varíola tem diferentes “famílias”, cada [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil confirmou o primeiro caso de varíola de macacos e, com isso, achamos que é hora de falar um pouco mais sobre esta&#8230; novidade. Escolhemos as perguntas que mais apareceram por aqui. Você achava ruim um FAQ? Pois é, em 2022 tem dois!<span id="more-20037"></span></p>
<p><strong>O que é</strong></p>
<p>O vírus da varíola tem diferentes “famílias”, cada uma delas afeta um animal. Tem varíola que afeta humanos, tem varíola que afeta vaca, etc. Mas, como sabemos, eventualmente vírus mutam e aprendem a viver em novos animais. Vimos acontecer na covid, onde o vírus passou a contaminar cervos e vison, além de humanos.</p>
<p>Pois bem, esse vírus da “varíola do macaco” é uma varíola originária de roedores. Isso mesmo, ele não vem de macacos, vem de ratos. Ao que tudo indica, ele pulou de um roedor para um macaco e de macaco para humanos. E não foi hoje nem ontem, é um vírus não muito competente para mutar. Há pelo menos 50 anos se registram casos de humanos contaminados com essa “varíola de macaco”, só que como não acontecia em países ricos, ninguém deu bola.</p>
<p>Não é um vírus fabricado e podemos ter certeza disso pelo mesmo motivo que podemos ter certeza de que o SarsCov2 não é fabricado: não há qualquer marcador que indique manipulação do vírus. A explicação detalhada está em uma edição na nossa coluna FAQ Covid, portando, não vou entrar em detalhes. Basta você saber que quando o ser humano manipula e modifica um vírus isso deixa “marcas”, que permitem identificar essa “edição” e não há nenhum sinal disso nem na varíola nem no covid.</p>
<p>Se você não acredita na ciência, ou acredita que todos os cientistas do mundo estão comprados/mentindo, faça um favor a você mesmo e a nós: não volte aqui. Não temos interesse em ouvir o que você tem a dizer e seus comentários não serão aprovados. Não tem uma pessoa que seja levada a sério em nenhum lugar do mundo que esteja discutindo isso, não seremos nós a bater palma para maluco dançar.</p>
<hr />
<p><strong>Por que só apareceu agora?</strong></p>
<p>Não apareceu só agora, desde a década de 60/70 existem casos reportados de pessoas com esse vírus. Varíola de macaco é endêmica em alguns países, não uma novidade inesperada. Na Nigéria, por exemplo, desde 2017 há um surto da doença. Pessoas não vacinadas pegando é pura lógica, não uma novidade inesperada.</p>
<p>Mas agora a incidência é maior, está acontecendo em país &#8220;de primeiro mundo&#8221;, por isso ganhou visibilidade. Por qual motivo chegou a esses países? Vamos lá.</p>
<p>Quando a varíola humana foi declarada extinta, a maioria dos países, inclusive o Brasil, em 1980, parou de vacinar contra a varíola. Não era mais necessário, a doença estava erradicada.</p>
<p>A vacina contra varíola humana protege contra a varíola dos macacos. Por isso, quando a humanidade vacinava contra varíola humana, havia poucos casos de pessoas contraindo varíola de macaco (os infelizes que não estavam vacinados). Porém, depois que a doença foi erradicada e as pessoas pararam de ser vacinadas, aos poucos foram surgindo gerações sem proteção contra a varíola, seja ela humana ou a dos macacos. Adivinha o que aconteceu? Vários estudos científicos previram que isso poderia acontecer. Não é nada inesperado, não é nada imprevisível e não é nada surpreendente.</p>
<p>Além disso, existem uma série de outros fatores que contribuem para que esses casos aumentem agora, tanto que nem caberiam aqui se eu fosse falar deles. Por exemplo, o tanto que o ser humano está invadindo o habitat dos animais ao expandir a sociedade para cima da natureza. Mais convívio com animais = mais contágio. Não precisa ser gênio para perceber. Maior mobilidade humana (o deslocamento se torna cada vez mais rápido e mais fácil) faz com que doenças se espalhem mais rápido. Não precisa ser gênio para perceber.</p>
<p>E não é “coincidência” que muitos países tenham vacinas contra varíola em estoque, é um procedimento planejado desde a década de 70, que se faz com qualquer vírus que seja erradicado.</p>
<p>É um recurso estratégico: como tem várias gerações sem proteção contra varíola, boa parte da população mundial voltou a ser vulnerável a esta doença, portanto, se ela reaparecer de alguma forma, é preciso conseguir vacinar a população do seu país rapidamente. E doenças podem voltar.</p>
<p>O próprio covid, se for erradicado de humanos, pode retornar a humanos mesmo com zero pessoas doentes, pois ele afeta animais. Basta que uma pessoa tenha contato com um cervo, um vison ou qualquer outro animal contaminado para começar tudo novamente. Esta semana foi constatado o primeiro caso de contágio de um gato doméstico para humanos: os tutores do animal estavam com covid, o gato pegou, espirrou na veterinária e contaminou a mulher.</p>
<p>Então, pessoas da ciência, que sabem quem um vírus pode voltar de diversas formas mesmo que não exista um único ser humano doente, decidiram deixar vacinas em estoque. Não tem nada de “suspeito” aí, é um procedimento de segurança. Muitos países guardaram vacinas caso a doença retornasse de alguma forma. Não tem nada, absolutamente nada de conspiratório nisso.</p>
<p>Então, tudo isso era muito previsível. Quem entende do assunto podia antever e se fabricou vacinas pensando nisso, não foi por ter espalhado um vírus premeditadamente (vamos chegar lá), mas por ter um conhecimento científico que lhe permitiu antever o que já estava em andamento.</p>
<hr />
<p><strong>Mesmo sem ter sido criado em laboratório, pode ser uma arma biológica? Ou um vírus criado para vender vacina?</strong></p>
<p>Só se a pessoa que planejou isso for muito burra, pois é um vírus de contágio bem restrito, baixa letalidade e de fácil controle, uma vez que já existe vacina. A pessoa teria que ser muito burra para escolher esse vírus, principalmente se levarmos em conta que nos principais laboratórios do mundo ainda existem amostras do vírus da varíola humana, essa sim extremamente contagiosa e letal.</p>
<p>Também duvido muito que seja algo intencional para vender vacinas, como tenho lido por aí. Só se o plano foi desenhado por alguém muito burro e além de tudo muito paciente. É uma doença que circula há mais de 50 anos e não conseguiu se espalhar muito nem fazer estrago, não vai ter uma corrida mundial por vacinas. A estratégia usada é a de anel de vacinação (falamos dele no último FAQ), portanto, não serve para deixar indústria farmacêutica rica.</p>
<p>Por sinal, a indústria farmacêutica nem precisaria disso agora, pois está ganhando muito dinheiro, inclusive com vacina contra covid, que é algo que o mundo todo vai continuar precisando. Se não estavam dando conta nem da vacina contra covid, imagina se poderiam fazer vacina contra a varíola em escala mundial simultaneamente.</p>
<p>Se a ideia era meter a louca e extinguir a humanidade sem controle, soltariam um vírus mais contagioso e mais letal. Se a ideia era causar um dando grande, porém controlado, seria com uma bactéria, para a qual tenham desenvolvido antibiótico. Em nenhum cenário parece bom ou lucrativo espalhar um vírus quase que inofensivo, que pode ser facilmente evitado.</p>
<p>Não sei quem é a bola da vez, quem os lunáticos pegaram para culpar (Bill Gates, Elon Musk, Indústria Farmacêutica, Biden, Bolsonaro, o PT&#8230;) mas não precisa pensar muito para ver que se alguém fosse se dar ao trabalho de fazer uma coisa desse porte, mundial, teria escolhido um vírus mais “rentável” do que a varíola de macaco.</p>
<hr />
<p><strong>É vírus de gay? Usando camisinha protege?</strong></p>
<p>Não aprenderam nada com HIV? Se a pessoa se contamina com fluidos, pode ser fluido de homem, mulher ou qualquer gênero que se decida escolher. Repetir isso, ou até ficar fazendo piadinha de tiozão sobre isso é tenebroso, pois ao vincular a doença a homossexualidade, vai ter muita gente que, se adoecer, não vai contar ou vai ter vergonha de procurar ajuda pelo medo de pensarem que teve uma relação homossexual.</p>
<p>Camisinha não protege, pois não é uma doença transmitida exclusivamente pelo contato sexual. Saliva, suor, qualquer fluido corporal, contato com a pele, contato com objetos da pessoa infectada (lençol, toalha, etc.) podem gerar o contágio. Então, camisinha só te protege se você em momento algum encostar na pessoa ou em tecidos onde ela encostou.</p>
<hr />
<p><strong>Tem tratamento? Tem vacina?</strong></p>
<p>Sim. O tratamento é o mesmo da varíola humana. É feito com antivirais bastante eficientes. Também pode ser feito com imunoglobulina (pegar o soro de quem se curou e injetar em quem está doente). E, claro, tem a vacina contra a varíola humana, que tem 95% de eficácia.</p>
<p>A vacina que existe é a de vírus atenuado (tem explicação detalhada em vários FAQs Covid), que era o melhor que se podia fazer na época. Ela funciona, mas pode ser não recomendada em alguns casos, quando a pessoa tem o sistema imune comprometido por algum motivo.</p>
<p>O problema não é nem falta de vacina nem falta de tratamento. A questão é: essas vacinas vão chegar na África, que é o lugar que mais precisa? Seria o mais lógico, mas não é o que estamos vendo acontecer com covid. Hoje, no terceiro ano de pandemia de coronavírus, a África não chegou a 20% da população vacinada contra a doença, enquanto o mundo tá entrando na quarta ou quinta dose de vacina.</p>
<p>Vai acontecer? Tomara que sim, mas os últimos eventos indicam que não.</p>
<hr />
<p><strong>Vai ter pandemia disso?</strong></p>
<p>Não. Quando surgiu covid nós postamos respondendo que não sabíamos o que ia acontecer, mas, que poderia sim dar merda. Agora nós sabemos: não vai ter pandemia. Só se algo muito bizarro acontecer, como mutações que alterem completamente o vírus, algo muito, mas muito improvável.</p>
<p>A varíola humana foi uma praga difícil de controlar pelo mesmo motivo da covid: o contágio se dava pelo ar. Esse tipo de vírus atormenta mesmo. Mas, na varíola dos macacos, o contágio não se dá pelo ar, é preciso que a pessoa encoste no doente (ou em algo que o doente encostou). Isso reduz muito os contágios.</p>
<p>A restrição é muito menor. Podemos não tocar, mas não podemos deixar de respirar. Sem contar que todos temos um instinto natural de não ficar esfregando nossa pele em uma pele com pústulas infectadas. E, no caso da varíola do macaco, ela só se torna transmissível depois que aparecem os sintomas, portanto, não tem essa pegadinha do covid, da pessoa estar sem sintomas mas contaminando. É mais fácil de se cuidar.</p>
<p>Além disso, é um vírus menos transmissível, ou seja, mesmo em contato com infectados, ele consegue contaminar menos pessoas do que outros vírus, como os do covid.</p>
<p>É chato para os profissionais de saúde, que vão ter que redobrar os cuidados, uma vez que eles são obrigados a entrar em contato com o paciente e seus fluidos corporais, mas nada que possa causar uma pandemia. Em “pessoas comuns”, recomendo cuidado na academia, um ambiente onde muitas vezes entramos em contato com fluidos corporais de outras pessoas, por exemplo, quando revezamos aparelhos. Paninho com álcool antes usar.</p>
<p>Outro fator que nos deixa descrentes de pandemia é que o vírus da varíola de macaco é um vírus de DNA, que tem uma evolução muito mais lenta que os vírus de RNA. Também explicamos isso em detalhes em um FAQ Covid, mas resumindo, esse vírus muta menos.</p>
<p>Tanto é que a vacina contra varíola de humanos protege contra a de macacos. O que a covid mudou em alguns meses, a família de vírus da varíola não mudou em 4 mil anos. Isso torna esse vírus muito menos perigoso. Na corrida contra esse vírus, o ser humano ganha com certeza.</p>
<p>Isso quer dizer que tem que relaxar e não adotar nenhum cuidado? Não. Mas os cuidados são mínimos: não usar roupas, toalhas e demais tecidos que você não sabe quem usou (comprou? Lava antes de usar), não beber em copos ou usar talheres que você não sabe quem usou (por exemplo, talheres ou copos de restaurantes de pouca assepsia, que podem ter sido mal lavados) e outros pequenos cuidados nesse sentido.</p>
<p>Em resumo, não entre em contato com fluidos corporais de pessoas infectadas, nem direta nem indiretamente. São fluidos corporais lágrima, saliva, suor, leite materno, cera de ouvido, sêmen, líquido amniótico e qualquer outro que venha do corpo. Contato direito é a sua pele com a pele ou o fluido corporal da pessoa infectada e contato indireto é encostar em algo que a pessoa contaminada tenha encostado, como compartilhar copos, talheres, toalhas etc.</p>
<p>Não custa muito, não é mesmo? Adotem estes cuidados básicos de higiene e não se preocupem com a varíola dos macacos, tem coisas muito mais grave no ar: coronavírus (atual e outros que estão prestes a pular para humanos), gripe aviária e outras pandemias que estão anunciadas há décadas e quando surgirem vai ter gente achando “muito estranho do nada aparecer esse vírus”.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para reclamar que se não vai ter pandemia não merecia uma coluna própria, para reclamar que eu deveria abrir o texto dizendo que não vai ter pandemia assim você não se dava ao trabalho de ler até o final ou ainda para fazer algum comentário pejorativo, esquecendo que o brasileiro criou uma nova cepa de covid faz pouco tempo: <a href="mailto:sally@desfavor.com">sally@desfavor.com</a></p>
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		<title>FAQ: Coronavírus &#8211; 56</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 May 2022 14:51:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
		<category><![CDATA[FAQ Desfavor]]></category>
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					<description><![CDATA[Foi só dar problema hepático em criança que vocês pararam de falar sobre vacinas, né? Muito conveniente&#8230; Vamos desmentir esta fascinante afirmativa por partes. O último FAQ foi em março deste ano (FAQ 55), os casos de hepatite em crianças começaram, pelo menos, 30 dias depois. Não teve FAQ nesse intervalo de tempo por não [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Foi só dar problema hepático em criança que vocês pararam de falar sobre vacinas, né? Muito conveniente&#8230;</strong></p>
<p>Vamos desmentir esta fascinante afirmativa por partes.</p>
<p>O último FAQ foi em março deste ano (<a href="https://www.desfavor.com/blog/2022/03/faq-coronavirus-55/" target="_blank" rel="noopener">FAQ 55</a>), os casos de hepatite em crianças começaram, pelo menos, 30 dias depois. Não teve FAQ nesse intervalo de tempo por não ter nada de novo a dizer, uma vez que estamos naquele período entre ondas. Como estamos começando a ver um novo aumento de casos no mundo, que pode indicar uma nova onda se formando, retomamos o FAQ.<span id="more-19910"></span></p>
<p>Sobre tentar vincular vacinação de crianças a casos de hepatite, ou é muita desinformação ou é muita falta de caráter: a faixa etária onde esses casos de hepatite sem explicação estão surgindo é uma faixa etária para a qual ainda não existe vacina contra covid-19 (zero a cinco anos de idade). Então, para que fique bem claro: as crianças que estão apresentando esses casos de hepatite não estavam vacinadas.</p>
<p>Os casos de hepatite aguda que estão afetando crianças em diferentes países do mundo ainda são um mistério sem explicação. Para quem não sabe do que estamos falando, uma onda de casos de hepatite em crianças está intrigando a comunidade médica: as crianças apresentam a doença, mas nenhum dos cinco vírus de hepatite conhecidos foi encontrado nos exames de sangue. Em alguns casos, a doença aparece de forma tão violenta que a criança precisa de transplante de fígado.</p>
<p>A faixa etária média das crianças que estão desenvolvendo esses casos de hepatite é três anos de idade, ou seja, uma criança que ainda não poderia tomar a vacina contra covid-19. “Mas Sally, essa é a média, será que as crianças mais velhas não tomaram a vacina?”. Não. Isso foi oficialmente descartado. E não falo de países bostas, no qual não se pode confiar. Países sérios descartaram essa possibilidade. Por exemplo, a agência britânica de saúde UKHSA diz que a vacina contra covid é “a única coisa que pode ser descartada definitivamente no momento porque nenhuma das crianças afetadas recebeu nenhuma dose dela”.</p>
<p>Também estão culpando a quarentena, mas não existe nenhuma prova concreta disso. Em muitos casos, seque faria diferença a quarentena, pois são crianças tão novas que nem chegaram a pegar quarentena. E também existem casos no Brasil, um país onde nunca houve quarentena, por mais que o brasileiro teime em dizer que houve.</p>
<p>O que pode ser essa hepatite? Existem muitas suspeitas, as principais são um novo adenovírus ou uma sequela da Ômicron (sim, nós acentuamos Ômicron por ter horror a ver gente falando Omicrón) que só começamos a ver agora. Mas são apenas suspeitas, não é possível afirmar nada até aqui. Imagino que em breve sairão estudos que esclareçam o que está acontecendo. Até lá, vamos deixar de lado o viés de confirmação e parar de acreditar em qualquer merda que fale contra as vacinas e vamos ter a decência de dizer “não se sabe de onde vem, mas se sabe que não vem das vacinas”.</p>
<p>Sobre as crianças que estavam vacinadas, o que podemos dizer é que já temos estudos e dados que vem do próprio Poder Público, aquele que questionou a segurança das vacinas: no Brasil, nem uma única criança ou adolescente morreu por causa da vacina contra covid-19, o que é perfeitamente compatível com tudo que dissemos até aqui: vacinas são seguras, vacinas salvam vidas.</p>
<hr />
<p><strong>O que é Ômicron XQ?</strong></p>
<p>É mais uma derivação da Ômicron: uma combinação das sublinhagens BA.1.1 e BA.2 da Ômicron. Ao que tudo indica, essas duas sublinhagens se fundiram, criando uma nova. Vamos explicar com calma.</p>
<p>A Ômicron é uma nova variante, mas suas sublinhagens não são consideradas variantes (até aqui). Só é variante um vírus que seja muito diferente dos anteriores, com características próprias. Quando é o mesmo vírus, com pequenas diferenças, se considera uma sublinhagem.</p>
<p>Vamos pensar em raças de cachorro. Um poodle pode ser branco ou ser preto. Não deixa de ser um poodle por mudar de cor. Mas se for um cão maior, orelha em pé, focinho longo, vai deixar de ser chamado de poodle e passará a ser chamado de Pastor Alemão. As sublinhagens da Ômicon são apenas poodles de cores diferentes, não são uma nova raça de cão.</p>
<p>Hoje temos muitas sublinhagens de Ômicron, essa variante parece ser muito boa nisso. A Ômicron clássica é o BA.1, a outra modalidade mais conhecida é a BA.2, que circulou na Europa. Depois vieram BA. 3, BA. 4 e BA. 5. E agora, a XQ, uma combinação da BA.1 com a BA.2.</p>
<p>“Mas Sally, se é o mesmo bicho, não tem motivo para ter medo, né?”. Quem está com a vacina em dia, não tem motivo para ter medo não. Ter a vacina em dia significa ter tomado duas doses de uma vacina e uma terceira dose de outra, sendo esta terceira dose nos últimos seis meses. Se já se passaram seis meses da sua terceira dose (ou se te deram três doses da mesma) você teve ter cuidado (não medo, cuidado), com qualquer sublinhagem da Ômicron.</p>
<p>Isso quer dizer que não adiantou nada se vacinar? Não. Alguma proteção você tem, mas se sua última vacina foi em 2021, a imunidade do seu corpo já está caindo e ele não tem mais a melhor defesa possível contra contágio. É caso de fazer quarentena? Não, pessoas vacinadas não têm que fazer quarentena, apenas precisam ter alguns cuidados em vez de sair na rua como se estivessem blindadas pela estrelinha do jogo Mario Bros.</p>
<p>Mas Sally, se é tudo a mesma coisa, pra quê o FAQ?”. Pela visão geral. A Ômicron está ficando cada vez mais contagiosa ao mesmo tempo em que a imunidade do brasileiro está caindo, por ter se vacinado faz tempo.</p>
<p>Na África do Sul os casos estão subindo por causa das versões BA.4 e BA.5 e nos EUA por causa de uma novidade: a BA.2.12.1. “Mas Sally, você falou que era o mesmo cachorro, é tudo poodle de cores diferentes, não são todas igualmente contagiosas?”. Não.</p>
<p>São todos poodles, mas a pequena diferença entre eles é essa: ficam cada vez mais transmissíveis. Isso quer dizer que a vacina não adianta mais? Não. Isso quer dizer que não pode dar mole com a proteção, pois no primeiro descuido ela entra. Assim que a resposta imune da vacina cai um pouquinho, as novas Ômicrons podem entrar. Então, se sua vacina está “expirando”, estamos aqui te pedindo para tomar outros cuidados extras.</p>
<p>Vamos pensar naquele exemplo que a gente vem usando desde o começo da pandemia: ladrões que querem entrar na sua casa. Você colocou um sistema de alarme movido a bateria, e ele funciona muito bem. Quando um ladrão tenta entrar, o alarme toca e seguranças matam o ladrão. Porém, no manual do seu alarme diz claramente que a bateria deve ser trocada a cada seis meses, caso contrário o alarme para de funcionar ou funciona de forma menos eficiente.</p>
<p>Se, em seis meses você não colocar uma bateria nova e um ladrão invadir a sua casa, a culpa é sua, não da bateria, concorda? “Mas Sally, não depende de mim, minha cidade não está vacinando”. Ok, então você tenta buscar outras formas de proteção, como fazíamos quando não havia vacinas: usa máscara, higieniza muito as mãos, ventila os ambientes, não aglomera e todas as outras recomendações que vocês já sabem.</p>
<hr />
<p><strong>Quanto tempo vai para a próxima onda? O que podemos fazer agora?</strong></p>
<p>Não sei e ninguém sabe. A próxima onda pode nem acontecer. A tendência é que sim, ela aconteça, em média duas vezes por ano, mas ninguém tem certeza do comportamento das novas variantes. Vamos ter que viver para ver.</p>
<p>Se uma nova onda acontecer (e as chances de que ela aconteça são maiores do que as de que não aconteça) será, provavelmente, pelos seguintes fatores: a imunidade de quem foi vacinado já está caindo (uma imunidade boa contra covid-19 dura entre 4 a 6 meses após a vacina, na melhor das hipóteses), o inverno está chegando (o que deixa o ar mais seco e o frio faz ventilar menos os ambientes, criando mais chances de contágio), as pessoas estão tomando menos cuidados (o uso de máscara é opcional, o medo do vírus está caindo, as pessoas estão aglomerando).</p>
<p>Para piorar, a vacinação mundial não está no patamar que todos gostaríamos. Pouco mais de 20% da população mundial tem dose de reforço, que é essencial para conter a Ômicron com eficiência. Também vale lembrar que em alguns grupos, mesmo com vacina, a imunidade cai mais rápido, como é o caso de idosos e crianças.</p>
<p>E vemos gente que ainda não entendeu como vacinas funcionam. Idoso que bate no peito e diz que está protegido por ter se vacinado em março de 2021, um ano atrás, por exemplo. A não compreensão sobre o funcionamento das vacinas está fazendo muita gente agir de forma arriscada sem ter ciência disso.</p>
<p>Para completar, a Ômicron parece estar mutando com bastante eficiência, tanto é que ela vem reinando sozinha, nenhuma outra variante conseguiu predominar. Pode acontecer (e eu disse PODE) da Ômicron mutar tanto, que ela deixe de ser Ômicron e passe a ganhar uma denominação nova, por ter ficado muito diferente das demais.</p>
<p>A tendência é que, se houver uma próxima onda, ela seja causada por um vírus ainda mais contagioso. O que isso significa? Mais gente vai se contaminar de forma mais rápida, mas a onda vai durar menos tempo (pois quem tem que pegar, vai pegar rápido). Chega rápido, contamina rápido, vai rápido. Mais ou menos como foi o último pico da Ômicron no Brasil, em dezembro/janeiro.</p>
<p>Isso é bom por um lado, pois não é muito tempo de restrições e sacrifícios, mas também é ruim. Quando todo mundo adoece junto o colapso no sistema de saúde é maior, a quantidade de funcionários doentes em casa é maior (fazendo com que muitos serviços tenham que ser paralisados) e temos menos tempo de reação (quando percebemos que a nova onda está chegando, já está todo mundo doente).</p>
<p>Por isso, neste esquema atual de “vem rápido, vai rápido” ou você se protege antes da onda chegar, ou vai acabar pegando. Mas, para muita gente, especialmente no Brasil, a proteção preventiva é “neurose”, “paranoia” e “histeria”, por isso, dificilmente parte da população tome algum cuidado antes de algo concreto acontecer.</p>
<p>Vale lembrar que mais da metade dos brasileiros ainda não tomou dose de reforço, isso significa que se vier uma nova onda muito contagiosa, não dá tempo de correr para vacinar quem falta, pois falta muita gente.</p>
<p>Também vale lembrar que ainda existe uma faixa etária de não vacinados: as crianças de zero a cinco anos, que ainda não tem autorização para se vacinar. Para quem convive com uma pessoa sem nenhuma vacina, aí uma nova onda pode ser trágica.</p>
<p>Relembrando: as vacinas que temos contra covid-19 são projetadas para que quem contraí a doença não morra. Essa é a função, não evitar o contágio. Portanto, se você está vacinado, mas tem um filho não vacinado, saiba que, mesmo vacinado, você pode pegar a doença (mesmo sem ter sintomas) e contaminar quem não está.</p>
<p>E também vale lembrar que tem muita criança pelo mundo morrendo de Ômicron, esse papo de “Ômicron mais leve” é um desfavor. Não é o vírus que é mais leve, ele continua podendo matar, são as pessoas que estão mais vacinadas. Quem não está, deve tratar a Ômicron com o mesmo respeito e cuidado com que tratou as outras variantes.</p>
<p>Então, no caso de uma nova onda com picos de contágio, eu recomendo que quem convive com não-vacinados se comporte como se não estivesse vacinado, tomando as mesmas medidas de controle que usávamos antes de surgirem as primeiras vacinas.</p>
<p>Outra possibilidade de nova onda seria uma nova variante completamente diferente da Ômicron. Não sabemos nem quando nem como o vírus vai mutar, então, a possibilidade sempre existe.</p>
<p>No melhor dos casos não muda muito (a gente toma mais cuidado no pico da onda, depois flexibiliza um pouco), mas, no pior dos casos, se as vacinas não protegerem contra essa nova variante, voltamos à estaca zero. 2020 novamente, só que pior, com um vírus muito mais transmissível.</p>
<p>Vamos torcer para que isso nunca aconteça e, pelo comportamento geral dos vírus, ainda não estamos lá. Não tem uma quantidade tão grande de pessoas vacinadas pelo mundo para que a mutação mais bem sucedida seja a que escapa a vacinas, por hora, quem prospera é quem fica mais contagioso.</p>
<p>A variante que nós apelidamos carinhosamente de “Fode Vacina”, em tese, tenderia a aparecer quando mais de 70% da população estivesse completamente vacinada. Não é uma certeza, é uma estimativa que pode estar errada e essa variante pode nunca aparecer, que é o desejo de todos nós, mas, também é nossa obrigação informar que, no futuro, pode ser que ela apareça.</p>
<p>Caso ela se manifeste (no ano que vem ou no outro, pelas projeções mais pessimistas), a única coisa que vai nos ajudar é ter trabalhado a resiliência para recolhimento a lockdown completo até que uma nova vacina que proteja contra ela esteja disponível. Mas não se aflijam, pode ser que ela nunca chegue.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para reclamar que em 2022 o Brasil não emplacou nenhuma variante, para dizer que se proteger preventivamente é para os fracos e os fortes só se protegem quando começa a morrer gente ou ainda para dizer que no Brasil a hepatite em criança deve ser fruto de mãe louca colocando cloroquina na mamadeira: <a href="mailto:sally@desfavor.com">sally@desfavor.com</a></p>
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		<title>FAQ: Coronavírus &#8211; 55</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Mar 2022 14:54:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desfavor Bônus]]></category>
		<category><![CDATA[FAQ Desfavor]]></category>
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					<description><![CDATA[Hong Kong usou a Coronavac e está com recorde de casos, vão dizer que não é culpa da vacina? Lá vai o povo culpar a Coronavac novamente&#8230; Vamos lá. Se houve algum problema com a Coronavac em Hong Kong é sua não aplicação. Hong Kong segurou o número de casos e mortes por muito tempo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Hong Kong usou a Coronavac e está com recorde de casos, vão dizer que não é culpa da vacina?</strong></p>
<p>Lá vai o povo culpar a Coronavac novamente&#8230;</p>
<p>Vamos lá. Se houve algum problema com a Coronavac em Hong Kong é sua não aplicação. <span id="more-19717"></span></p>
<p>Hong Kong segurou o número de casos e mortes por muito tempo com fechamento, mas, como nós já explicamos em FAQ anteriores, fechamento não é solução definitiva. É uma medida muito útil quando não se tem nem vacina, nem medicamento nem um bom conhecimento sobre como evitar o contágio.</p>
<p>Estes fatores estavam presentes em 2020. Não havia vacina, não havia remédios eficientes, não havia sequer a compreensão dos médicos da melhor forma de tratar. Ninguém sabia muito bem como era o contágio, dávamos banho nas compras por medo de pegar nelas e não usávamos máscara, ou usávamos aquelas máscaras inúteis de pano.</p>
<p>“Tá vendo? Eu sempre disse que lockdown não funciona!”. Sim, ainda existe esse tipo de gente. Podem ler nos textos antigos: sempre deixamos claro que fechamento é medida emergencial enquanto não se tem vacina e tratamento. Ninguém nunca em tempo algum nem no desfavor nem no mundo defendeu que fazer lockdown “mata” o vírus, que fizer muito lockdown o vírus “acaba”. Se você de alguma forma entendeu isso, é um problema cognitivo seu.</p>
<p>Lockdown serve para evitar a propagação do vírus enquanto ainda não se tem vacina, tratamento e hospitais suficientes para dar conta dos doentes. Uma vez que se tem vacina, essa tem que ser a estratégia principal: vacinar, vacinar e vacinar. E Hong Kong não o fez. Esse foi o erro. Não foi o lockdown ou a vacina escolhida: foi não vacinar suficiente. E o Brasil tá no mesmo caminho, com poucas pessoas vacinadas com terceira dose.</p>
<p>Hoje, estamos em outro estágio. Sabemos bem como evitar o vírus, temos vacina e temos medicamentos eficazes (o Brasil não tem). Então, não é mais viável querer parar o vírus com base no fechamento. Pessoas pelo mundo todo voltaram a sair, por estarem vacinadas, isso cria uma sensação de que podemos todos sair, que afetou Hong Kong.</p>
<p>O país tinha poucos casos (segurando com base no fechamento) e as pessoas se sentiram seguras para sair, seja pelos poucos casos do país, seja pelo consenso global de que já pode sair. Além disso, fechamento de anos não é viável para nenhum país, as pessoas cansaram de ficar em casa depois de quase dois anos de confinamento. Se você perde o controle e deixa as pessoas saírem antes de estarem devidamente vacinas, acontece isso.</p>
<p>A pandemia evoluiu e Hong Kong não acompanhou essa evolução. A estratégia da vez é vacinar a população, vacinar muito, vacinar rápido, vacinar com três doses. E o país não o fez. Está correndo atrás agora, mas agora é tarde, já tiveram uma onda enorme de covid.</p>
<p>Hong Kong teve mais de um ano para se preparar e vacinar o máximo de gente possível e não vacinou adequadamente nem metade dos seus idosos, quem dirá o resto da população. Quando a Ômicron chegou, os casos explodiram.</p>
<p>Talvez os números não te alarmem, pois o país tem uma população pequena, mas, se esta mesma proporção fosse aplicada no Brasil, seria como ver oito mil mortes por dia. É muito séria a situação e quantidade de contágios. “Problema deles”. Não, problema de todos nós, pois pode surgir uma nova variante. Não existe “eu” em uma pandemia.</p>
<p>E dá para saber muito bem se o problema é da vacina ou da falta de vacina, comparando Hong Kong com países que vacinaram muito com Coronavac. Se você pegar outros países que vacinaram com Coronavac (e que realmente vacinaram a maior parte da população) não vai ver nada nem parecido com esse número de mortos. Então, o problema não está na vacina, está na falta de aplicação da vacina.</p>
<p>E isso, por sinal, enterra de uma vez o mito de que a Ômicron “é leve”. Se fosse leve não matava tanta gente, como está fazendo em Hong Kong e em vários países. O vírus não é leve, é você que está imunizado. Vai lá, pega Ômicron sem vacina e me conta se foi leve.</p>
<hr />
<p><strong>É hora de tirar a máscara?</strong></p>
<p>Para quem? Onde? Neste ponto da pandemia, não tem como dar uma resposta generalizada sobre esse assunto. Tem que avaliar informações sobre o país onde se está e sobre a pessoa que quer tirar a máscara.</p>
<p>Se o que você quer saber é se a medida é precoce no Brasil, como um todo, a resposta é “sim”. E não é achismo meu, os números indicam. O Brasil não tem vacina suficiente para isso. Contra a Ômicron, responsável por 99% dos casos, apenas 3 doses de vacina te protegem de forma eficiente de contágio. Apenas 34% dos brasileiros têm terceira dose no braço. Parece um país pronto para abolir o uso de máscaras?</p>
<p>Mas, o Brasil parece ter uma certa raiva de máscaras. Estão fazendo campanha contra mesmo sem qualquer condição para isso. Por exemplo, Brasília está fazendo uma campanha forte contra o uso de máscaras (“em vez de máscaras, mostre sorrisos estampados no rosto”) e tem muito hospital sem leito de UTI neonatal. Tem estado brasileiro que não tem nem metade da população vacinada com duas doses e já permite que pessoas se aglomerem em locais fechados sem máscara.</p>
<p>Os países que estão retirando a exigência de máscara, como falamos nos FAQs anteriores, são países com muito teste, muito controle, com poucos casos de mortes e contágios, onde se obedecem a regras de distanciamento e ventilação e onde existem medicamentos efetivos para tratar a pessoa caso ela adoeça (anticorpos monoclonais e antivirais &#8211; ver FAQ 54). E mesmo assim, estes países fazem ressalvas sobre quais pessoas devem, pelo seu bem, continuar de máscara, pois ainda precisam de proteção.</p>
<p>Para quem tem tudo isso, é possível pensar em retirar a obrigatoriedade da máscara. Não é o caso do Brasil. Mas, foi retirada mesmo assim. Então, você pode sair sem máscara na rua, passa a ser uma questão de escolha pessoal e consciência de cada um. O que eu te recomendo é que, antes de tomar essa decisão, avalie a situação pandêmica do seu estado ou cidade e a sua situação pessoal e das pessoas que convivem com você.</p>
<p>Quando ainda é um risco sair sem máscara? Quando você ou uma das pessoas com as quais você convive: não tiver as três doses da vacina ou tiver qualquer condição que faça com que o organismo apresente uma resposta imune menor à vacina.</p>
<p>Como já explicamos exaustivamente, existem casos em que você pode dar 500 vacinas a uma pessoa que, ainda assim, seu organismo não vai fazer uma boa resposta imune e ela pode sim morrer vacinada, como foi o caso de vários famosos aí no Brasil. Se você ou alguma pessoa com quem você convive pertence a esse grupo, nem sonhe em abolir o uso de máscara.</p>
<p>Quais são as condições que fazem com que o organismo apresente uma resposta imune menor à vacina? Idade (em idosos a resposta imune é menor, mesmo que eles tenham boa saúde), imunossuprimidos (pessoas que por doença ou tratamento médico tem o desempenho de seu sistema imune prejudicado, como por exemplo, pessoas com doenças autoimunes ou em quimioterapia), pessoas com doenças crônicas que afetem a resposta imune (como, por exemplo, diabetes) ou pessoas que majoram seu risco por atos voluntários, como fumantes e obesos.</p>
<p>Então, se você tem as três doses de vacina e não convive com nenhuma dessas pessoas “de risco”, é uma decisão sua. O risco ainda existe, mas é muito menor. É preciso ponderar o custo-benefício: o quanto é indesejável usar máscara x risco de adoecer (pequeno) risco de morrer (muito pequeno), risco de propagar o vírus e contribuir para que ele mute e surja uma nova cepa (considerável) e risco de pegar a doença sem sintomas fortes, mas ter sequelas (considerável).</p>
<p>O importante é não ser induzido a erro. Você pode ler que a fatalidade de covid está similar à de gripe. ONDE? No Reino Unido sim, pois a maior parte da população tem 3 doses de vacina (que não é o caso do Brasil) e tem medicamentos para tratar de forma eficiente aqueles que, mesmo vacinados, pegam a doença (que não é o caso do Brasil). Ao ler qualquer informação sobre covid, leiam a matéria inteira e perguntem-se: esta realidade é a realidade do Brasil?</p>
<p>“E as novas variantes?”. Quando cada uma delas foi “descoberta”, falamos o que sabíamos à época. Até aqui, nada mudou. Neste momento, há um aumento de caso em alguns países que se credita à BA 2 (aquela variação da Ômicron, que nunca ganhou seu nome próprio como variante autônoma). Porém, ainda não temos informações suficientes para saber se esta variante ou qualquer outra é realmente um risco significativo. Então, até segunda ordem, neste momento, não tem uma variante comprovadamente preocupante para a humanidade. Mas isso quer dizer que é seguro não usar máscaras? Não. Continua sendo um risco. Por muitos outros motivos.</p>
<p>Eu, por princípios, vou continuar usando máscara, pois convivo com pessoas com mais de um fator de risco que, menos vacinadas, provavelmente não desenvolveram uma boa resposta imune. Além disso, é minha escolha continuar usando máscaras pois pessoas conhecidas que pegaram o que se chama de versão “leve” (assintomática) e tiveram sequelas medonhas, com problemas de cognição e concentração que as impede de trabalhar. Eu não posso me dar ao luxo de ter problemas de cognição, pois uso minha mente como ganha-pão.</p>
<p>Além disso, também vou continuar usando pois sei que, mesmo vacinada e com uma boa resposta imune, posso contribuir para a propagação do vírus e, quanto mais ele circula, mais as chances de mutar e surgir uma nova variante que pode nos colocar em uma situação muito ruim novamente. Eu sei que quase ninguém pensa assim, eu sei que no Brasil estão ridicularizando quem continua usando máscara, mas eu realmente não me importo. Eu vou fazer o que eu acho certo, faça você o que achar certo também.</p>
<p>Outro fator que você deve levar em conta para tomar essa decisão é que as vacinas que nos protegem hoje, tem um prazo de validade: com o tempo, seu efeito protetor vai caindo, até que elas não oferecem mais uma boa proteção e precisamos de mais uma dose. Com quanto tempo? Depende do caso. No geral, você tem uma boa proteção até 4 meses depois de tomar a vacina, daí pra frente, está cada vez mais desprotegido.</p>
<p>Olhe à sua volta. Você e as pessoas com as quais você convive todas tomaram a terceira dose há menos de quatro meses? Se a resposta for “não”, pode ter gente com menos proteção do que deveria convivendo com você. E mesmo se a resposta for “sim”, você quer pagar para ver se você ou as pessoas que te cercam estão no caso geral ou se a proteção delas caiu antes?</p>
<p>Então, vamos repetir pela milésima vez: vacinas não são mágicas, vacinas não protegem 100% e vacinas não protegem para sempre.</p>
<p>Vale lembrar que vários países que já aboliram o uso de máscara voltaram atrás recentemente, como é o caso da Áustria, e estão exigindo novamente. Também é bom ter em mente que no ano passado meio mundo achou que covid tinha acabado, vários países aboliram o uso de máscaras e tiveram que voltar atrás. E, por fim, vamos recordar que este ano, em 2022, também se achou que estava tudo sob controle, até surgir a Ômicron e fazer deste ano o pior em contágios de toda a pandemia.</p>
<p>Não custa trazer outro fato para ponderação: o governo brasileiro nunca cuidou das pessoas durante a pandemia. Vocês sempre tiveram que se cuidar sozinhos. Te diziam que era seguro sair na rua quando não era, te disseram que Cloroquina, Ivermectina e Ozônio no brioco eram eficientes e salvariam sua vida. Não salvaram. Fizeram experimentos com idosos na Prenet Senior, os deixaram morrer e depois divulgaram os números de mortos com sendo o número de altas.</p>
<p>Então, vale para agora e vale para sempre: o que o governo brasileiro diz não é confiável, pois já ficou provado que eles pensam na economia e não na saúde e vida da população. Ainda por cima são incompetentes, pois nem a economia conseguiram salvar, em um país que nunca fez um lockdown, da definição correta da palavra. Então, o que o governo diz me interessa muito pouco. Um governo que liberou remédio que matou pessoas por falência hepática e problemas do coração eu prefiro não escutar.</p>
<p>Também vale lembrar que é fundamental olhar a situação epidemiológica do lugar onde você está. Se eu estou em um país com 80% da população vacinada com terceira dose, isso demanda um grau de proteção. Mas, se eu estou em um país com apenas 34% da população vacinada com terceira dose, isso demanda outro grau de proteção. Não é compatível que quem tem 34% queira adotar o mesmo grau de cuidado que quem tem 80%, percebem?</p>
<p>É como querer levantar o mesmo peso de um fisiculturista: “ele levanta 150kg, então, eu vou levantar 150kg”. Amigão, você vai é fraturar a sua coluna. O fisiculturista tem proteção suficiente para fazer isso e não se machucar, pois tem uma musculatura que você não tem. Não meçam pandemia por país vizinho, por realidades diferentes.</p>
<p>E o Brasil é um país enorme, com realidades muito diferentes. Como está seu estado? Como está sua cidade? Como está a lotação hospitalar? Tem teste disponível? Como estão os óbitos? Como está a quantidade de pessoas vacinadas com três doses? E, mesmo que esteja tudo bem agora, não deixe de acompanhar para onde as coisas estão indo. Há uma tendência de alta ou de baixa de casos, internações e mortes?</p>
<p>Sabemos que vírus respiratórios vem em ondas, ou seja, existem fases de contágios altos e fases de contágios muito baixos. As fases de contágios muito baixos não significam necessariamente que o problema acabou. Já passamos por três ou quatro ondas, onde todo mundo achou que acabou e o problema voltou. Isso quer dizer que o problema pode voltar.</p>
<p>“Ah, mas se voltar eu uso máscara”. Sim, se você conseguir perceber que voltou antes de pegar covid, caso contrário, você vai perceber que voltou adoecendo e contagiando as pessoas que estão à sua volta. Não é uma boa pedida, especialmente se você pegar uma variante nova. Não recomendo.</p>
<p>“Ah, mas isso pode nunca acontecer”. Sim, inclusive essa é a nossa torcida, para que isso não aconteça e para que a pandemia acabe. Mas pode acontecer. E ninguém vai saber te dizer exatamente quais são as chances de acontecer ou não, pois é um evento que depende de algo aleatória: a mutação de um vírus. Algo que o ser humano não pode prever nem controlar.</p>
<p>Outro fator que merece ser ao menos considerado: o mundo está vivendo uma situação calamitosa de guerra, em um país frio, envolvendo uma enorme quantidade de pessoas, que por força de circunstâncias catastróficas estão aglomeradas, sem máscara e muitas sem vacina, em ambientes fechados. Ninguém está controlando o que está acontecendo em termos de pandemia na Ucrânia, pois a realidade do local torna impossível controlar.</p>
<p>Eu concordo que, em condições normais, ter o receio de que a qualquer momento surja uma nova variante pode ser visto como “exagero”. Vai do grau de precaução que as pessoas querem tomar. Eu sempre me inclinei para o excesso de precaução, mas compreendo que é algo subjetivo e que existem pessoas que podem tender para um grau de precaução menor sem que isso as faça irresponsáveis.</p>
<p>Porém, neste momento, temos um fator externo com vários fatores negativos, que torna um país do mundo um celeiro de variantes. E sabemos que se surgir uma nova variante em qualquer país, ela vai chegar no mundo todo.</p>
<p>Então, considerando tudo que eu disse e somando-se a isso a situação excepcional de uma guerra onde não há qualquer controle epidemiológico do que está acontecendo (já pode ter surgido uma nova variante que ninguém viu), considerando que uma parte do mundo está aglomerada sem proteção e migrando, eu acho prudente continuar usando máscara.</p>
<p>A máscara é apenas um desconforto. Eu não acho que ninguém tenha que fazer lockdown, como pregava quando não tínhamos vacinas. O que se está pedindo agora me parece muito pouco em troca da proteção que oferece: botar um pedaço de pano na frente da boca. Quão fresca tem que ser uma pessoa para declarar guerra contra isso?</p>
<p>O problema é que no Brasil a máscara virou uma bandeira, contra a qual determinados grupos resolveram se insurgir. Para quem é desses grupos, é quase um demérito usar máscaras. Então, em nome de levantar uma bandeira, muitos colocarão suas vidas em risco e as vidas as pessoas que amam. E ridicularizam quem, por opção, continua usando. Assim, quem faz o certo é quem acaba apanhando.</p>
<p>Então, a postura aqui não é radical como era em 2020. Não quer usar máscara? Não use. O risco existe, para você, para os que te cercam e para a coletividade, uma vez que vírus que circula é vírus que muta. Acha o seu bem-estar imediato mais importante do que isso? Acha que quem usa máscara “quer aparecer”? Acha qualquer outra coisa no estilo? Valeu, não usa. A esta altura do campeonato, eu não tenho mais argumentos para apresentar para essas pessoas.</p>
<p>Para você que é leitor do Desfavor, só peço que tenha consciência: tirar a máscara por ter certeza de que nada vai acontecer (ou de que as chances de que algo ruim aconteça sejam mínimas), é inconsciência. Tirar a máscara é um risco. Quer correr esse risco? Beleza. Mas saiba que é um risco. Individual e coletivo. Tome a decisão consciente do que está fazendo.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que o vírus tá indo embora (pela milésima vez), para dizer que a covid virou endemia (não no Brasil) ou ainda para dizer que nós somos alarmistas (pela milésima vez): <a href="mailto:sally@desfavor.com">sally@desfavor.com</a></p>
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		<title>FAQ Desfavor &#8211; Guerra 3</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Mar 2022 15:05:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[FAQ Desfavor]]></category>
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					<description><![CDATA[Por que Rússia e Ucrânia não chegam a um acordo de paz? Por não conseguirem chegar a um consenso do que cada um tem que fazer para acabar com essa guerra. Por qual motivo não chegaram a um consenso? Vamos a um rápido resumo. O que a Rússia quer: 1) Que a Ucrânia mude sua [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por que Rússia e Ucrânia não chegam a um acordo de paz?</strong></p>
<p>Por não conseguirem chegar a um consenso do que cada um tem que fazer para acabar com essa guerra. Por qual motivo não chegaram a um consenso? Vamos a um rápido resumo.<span id="more-19697"></span></p>
<p>O que a Rússia quer: 1) Que a Ucrânia mude sua Constituição se comprometendo a nunca entrar nem para a OTAN nem para qualquer outro grupo ou bloco (União Europeia ou qualquer grupo de apareça); 2) Que a Ucrânia ceda (“reconheça a independência”) os dois territórios ucranianos que a Rússia declarou como independentes (na região de Donbass) para que eles sejam anexados pela Rússia; 3) Que a Ucrânia reconheça que a Criméia é território Russo e 4) Cessar de toda e qualquer atividade militar na Ucrânia.</p>
<p>O que a Rússia exige é basicamente “isole-se do mundo todo, nos dê os seus territórios mais valiosos para que nós fiquemos com tudo que eles produzem e não tenham armas para se defender”. Obviamente, não foi aceito.</p>
<p>Para começo de conversa, é muito difícil aceitar se desarmar perante quem está te batendo e quem já bateu muito nos seus vizinhos. Todos os países daquela região têm medo da Rússia, justamente por saberem do desejo declarado do Putin de criar um grande Império Soviético de volta, sem perguntar se os vizinhos concordam com isso.</p>
<p>É questão de tempo para a Rússia voltar e tentar tomar na mão grande novos territórios da Ucrânia. Diante dessa realidade, vocês realmente acham que o país tem que colaborar e se desarmar? Por isso, a Ucrânia disse que topa ser neutra, não entrar para OTAN ou outros grupos, mas não quer ceder nenhum território nem se desarmar.</p>
<p>E aqui vou usar um argumento que não vi mais ninguém usando: o principal motivo alegado para a invasão da Rússia não era o fato da Ucrânia nazista estar maltratando os russos? Se fosse essa a real preocupação da Rússia, o primeiro item do acordo seria “cessar as agressões contra russos e combater o nazismo” ou algo do tipo. Não há qualquer menção a isso.</p>
<p>Fica escancarado que o discurso “ucranianos malvados nazistas” é cortina de fumaça para as reais intenções do Putin: reerguer o glorioso império soviético. Não que o Putin esconda isso, ele fala abertamente. O problema é se ver ao lado de um lunático que acha que pode te bater até você ser anexado a ele e concordar com isso. Quem concordaria?</p>
<p>Já faz alguns meses que o Putin vem repetindo frases nas quais afirma que a Ucrânia não existe, como se não fosse um país independente e sim parte da Rússia. Ele chegou a dizer que a “Ucrânia nunca existiu”, que é parte da Rússia. Isso está documentado. É muito grave que um dia um Chefe de Estado acorde, olhe pro vizinho, um país democrático, soberano e independente e diga “não, não, você não existe, você é parte de mim”.</p>
<p>Então, não é um acordo, é intimidação, é pisotear o outro país, é destruí-lo por escrito. Por isso não há qualquer perspectiva de que, nesses termos, se chegue a um consenso. O que a Rússia fez é muito feio e a forma como ela está conduzindo essa invasão também.</p>
<p>“Tá, mas e a OTAN? Você gostaria que a OTAN fique te ameaçando? E a OTAN? E A OTAN? E A OTAAAAAAN”. Se eu ganhasse um real por cada comentário que contêm “e a OTAN” eu ficaria rica. Falamos da OTAN na próxima pergunta.</p>
<hr />
<p><strong>Mas e a OTAN?</strong></p>
<p>A gente já falou sobre isso, então, vou fazer apenas um parágrafo de lembrete, para depois entrar no mérito da questão: não me importa o que a OTAN faça, matar inocentes, civis, bombardear maternidade, hospital, orfanato, atirar em criança, jogar bomba em corredor humanitário e tudo que estamos vendo é inadmissível, foda-se o que a OTAN ou qualquer outro grupo fez. Se a pessoa justifica morte de inocentes, tortura e crime de guerra com qualquer ato, seu cérebro já está apodrecido e eu não tenho interesse em dialogar com alguém assim.</p>
<p>Dito isso, entro no mérito por consideração ao leitor do Desfavor: sim, havia um compromisso da OTAN de não expandir em direção à Rússia. Sim, a OTAN aceitou a Polônia, a grande reclamação russa (ninguém se importa com Hungria e República Tcheca ), que significou expandir para cima da Rússia. Mas, se a pessoa vai usar essa carta, vamos contar a história por inteiro, em vez de ficar em looping “E a OTAN? E a OTAN?”.</p>
<p>Um dia o então presidente da Polônia Lech Wałęsa foi jantar com o então presidente russo, Mikhail Gorbachev, determinado a conseguir sua autorização para que a Polônia entre na OTAN. O que realmente aconteceu só os dois podem dizer, mas ele saiu desse encontro com a autorização e Polônia entrou para a OTAN com a concordância de todo mundo.</p>
<p>A versão que predomina é que Lech Wałęsa era malandro toda a vida e um bom bebedor, tinha muita resistência à bebida e sabia (todo mundo sabia) que o presidente russo tinha um histórico de fazer muitas besteiras bêbado.</p>
<p>Lech Wałęsa incentivou a bebedeira, até Gorbachev ficar absurdamente bêbado e então o convenceu a aceitar a entrada da Polônia da OTAN. Diz a lenda que quando Gorbachev aceitava seus assessores gritavam que não, mas a autorização foi dada. Por sinal, muitas cagadas soviéticas e russas aconteceram por bebedeira, quem sabe até façamos um texto sobre isso.</p>
<p>Então, queridões, se você autorizou, não pode reclamar depois. E se o argumento que a Rússia usa é ser intimidada pela OTAN, vale para a Polônia também, pois os soviéticos frequentemente paravam suas tropas na portinha da Polônia e ameaçavam entrar. O mesmo medo que os Russos alegam hoje, moveu a Polônia a entrar na OTAN.</p>
<p>E mesmo depois desse episódio lamentável da bebedeira, a Rússia deu mais sinais de estar de acordo. Durante uma visita à Polônia em agosto de 1993, o então presidente russo Boris Yeltsin disse ao presidente polonês Lech Wałęsa que &#8220;a Rússia não se opõe à adesão da Polônia à OTAN e não vê sua adesão como uma ameaça à Rússia&#8221; de forma pública e documentada.</p>
<p>Em maio de 1997, não ficou só na palavra, desta vez, Yeltsin assinou um acordo com a OTAN que incluía um texto permitindo o alargamento. Estava bêbado quando o fez? Todos dizem que sim, mas foi assinado. É, eu definitivamente vou fazer um texto sobre todas as cagadas do povo soviético por causa da bebida&#8230;</p>
<p>O que o Putin diz sobre isso? “Não valeu”. Ele não gostou, portanto não valeu o que os presidentes anteriores disseram ou assinaram. É como se você estivesse jogando futebol, uma pessoa do seu time faz gol contra e o treinador vai lá, tira o gol do placar e diz que não valeu pois ele não concorda com isso. E depois enfia a porrada no time adversário e no árbitro.</p>
<p>Então, que tal parar de repetir feito um papagaio tupiniquim esse discurso vergonhoso de “Ain mas a OTAN”? Países livres, democráticos, devem ser capazes de tomar suas decisões e de entrar ou sair de qualquer bloco ou aliança que desejarem, por mais que desagrade seu vizinho.</p>
<hr />
<p><strong>Tá morrendo muita gente, tão destruindo o país e o presidente da Ucrânia se recusa a assinar paz. Ele não está sendo movido por um orgulho bobo?</strong></p>
<p>Existem basicamente três motivos para que países entrem em guerra: medo, honra e/ou interesses. Neste conflito específico, temos os três fatores: Rússia tem medo da OTAN, Rússia tem sua honra ferida por não ser mais a Grande Mãe Soviética potência mundialmente respeitada e, por fim, existem muitos recursos naturais e estratégicos que poderiam ser explorados no território que eles almejam.</p>
<p>Isso, somado à história dos dois países e aos planos declarados de Putin, leva especialistas em política internacional a acreditar que não é um problema pontual, isso vai explodir, hoje ou em alguns anos. Não há paz possível com estes fatores presentes, há apenas a possibilidade de adiar um pouco mais essa guerra.</p>
<p>Não adianta a Ucrânia ceder agora, é questão de tempo para que mais tarde a Rússia volte reivindicando mais e mais, não só dela como dos vizinhos. Putin já deixou muito clara sua intenção de reunir a Grande República Soviética e vem se comportando assim, fazendo atos com esta intenção, por décadas. O plano é claro e declarado, bem como sua disposição em executá-lo. Assinar paz não vai frear isso.</p>
<p>Então, um acordo de paz não vai garantir paz, vai garantir que todo mundo que está à volta da Rússia, cedo ou tarde, acabe sendo “reunido” à “grande potência soviética” contra a sua vontade, pois Putin verá que sua estratégia de descer o cacete do coleguinha ao lado para obrigá-lo a ser seu amigo funciona.</p>
<p>Além disso, como dissemos na primeira pergunta, os termos para um acordo de paz são ultrajantes para a Ucrânia. E não estamos falando de honra ou orgulho, estamos falando de termos que tornam inviável a continuidade e subsistência do país como nação soberana, livre e independente.</p>
<p>A parte que a Rússia quer pegar para si é basicamente a parte mais industrializada da Ucrânia. Imagine tirar o Sul e o Sudeste do Brasil, por exemplo. Se a Ucrânia perder suas regiões industrializadas ela vira basicamente um país plantador de trigo.</p>
<p>Isso tornaria a sobrevivência da Ucrânia como país independente quase que inviável. Colocaria o país em um estado de pobreza absoluta e ele se veria obrigado a pedir ajuda/socorro para a Rússia, uma vez que faz parte do acordo de paz que a Ucrânia não se junte a nenhum grupo ou bloco. Assinar esse acordo é assinar sua dependência da Rússia.</p>
<p>Além disso se abre um precedente grotesco: quem a Rússia declara independente, tem que se render e se juntar à Grande Mãe Russa, se não vai apanhar até não aguentar mais. Essa não foi a primeira vez que a Rússia fez isso, e não será a última. Dar à Rússia o que ela quer é dizer “pode fazer isso novamente, dá certo pegar o país dos outros na mão grande”.</p>
<p>Não é razoável que um país se meta na soberania de outro país democrático, independente e soberano, declarando a quem pertence seu território. Não é assim que a banda toca. Tio Putin tá preso na década de 80 e eu acho muito saudável que o mundo não permita que essa estratégia funcione.</p>
<p>Infelizmente, vidas serão perdidas de qualquer forma, pois mesmo com um suposto “acordo de paz” os Russos vão matar todo aquele que não aceitar ser subjugado por outro país. Eu sinceramente acredito que a coisa digna a fazer é a Ucrânia resistir e não me parece que a recusa a esse acordo seja um sinal do presidente ser mimado ou teimoso.</p>
<hr />
<p><strong>O resto do mundo não deveria estar fazendo força pela paz?</strong></p>
<p>Na real, quem está pedindo paz na turma do “deixa disso” é a China, aliada da Rússia, pois sabe que o “deixa disso” favorece a Rússia. Quem entende o que está acontecendo não acha que tem que ter paz a qualquer preço não. Quem entende o que está acontecendo, sabe que esse tem já partiu: não vai ter paz, mesmo que se assine qualquer papel dizendo isso.</p>
<p>Existem várias formas de contar essa história, mas, basicamente, o que vemos é um país democrático, independente e soberano sendo invadido e destruído por não querer ceder parte de seus territórios a outro país.</p>
<p>Vamos jogar isso para a nossa realidade, para que todos entendam: como você se sentiria se a Argentina falasse “o Sul do Brasil não é brasileiro, é argentino, eles se identificam mais conosco do que com vocês e vocês não os tratam como nós achamos que deveriam”. Ato contínuo, a Argentina envia tanques, bombas e soldados para “libertar” Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.</p>
<p>O comentário mais leve seria “vocês estão malucos? Não pode fazer isso, somos um país soberano!”. Você realmente acharia razoável se uma quebra democrática como essa fosse encarada pelo mundo como “para com isso, estão morrendo civis, libera aí esses três estados para a Argentina, o que que custa?”. Não pode. Um ato assim não pode ser tolerado, pois se for, mais países vão se valer desse recurso.</p>
<p>“Mas tal país fez isso não sei onde”. Foda-se. Dois certos não fazem um errado. Tem 13 anos de Desfavor para você ler e ver que sempre que um país independente, democrático, e soberano foi invadido por outro em uma ofensiva militar sem ter executado qualquer ataque físico contra ele nós nos posicionamos de forma contrária. Isso que está acontecendo é grave, é sem precedentes (nessas proporções) e não pode ser recompensado.</p>
<p>O desfecho deste conflito vai mandar um recado a todos os demais que estão pensando em fazer o mesmo. Se Putin for bem-sucedido, isso será encorajado. Se Putin sangrar, sofrer, acabar desmoralizado e deixar o país pior do que estava, isso será desencorajado. A coisa escalou, não é mais sobre esse conflito específico, não é sobre ser contra ou a favor da guerra, é sobre a mensagem que o mundo quer passar e em qual dinâmica mundial se quer viver.</p>
<p>“Quer dizer que para passar uma mensagem você é a favor da guerra?”. QUEM INVADIU E BOMBARDEOU FOI A RÚSSIA, criatura! Quem é a favor da guerra é a Rússia. A Ucrânia não agrediu a Rússia de nenhuma forma, nem mesmo entrou para a OTAN.</p>
<p>Você aceitaria qualquer exigência injusta de terceiros para não apanhar? Não, pois você sabe que não resolve: quem percebe que ameaçando te bater consegue o que quer de você, fatalmente vai voltar várias outras vezes fazendo novas exigência. É uma forma de extorsão: me dá o que eu quero, se não, eu te bato. Se você aceita isso, vira escravo da pessoa.</p>
<p>Não dá para viver em um mundo que aceita que, do dia para a noite, um país diga que outro país democrático, independente e soberano não existe, que ele pertence à Rússia e vai pegar na mão grande, jogando exército para cima, matando inclusive civis inocentes. Não há argumento que justifique isso.</p>
<p>Não pode ser permitido que um país democrático seja tomado dessa forma, na violência. Isso não cabe no mundo atual, isso não é compatível com a realidade atual. Isso tem que ser repelido. Se não for, isso vai virar o modo de operar de alguns países e vamos ter um grande problema.</p>
<p>A Rússia quer ser grande, quer expandir, quer reunificar países? Nada contra. Mas adeque-se aos tempos. Faça como a União Europeia, crie um bloco atraente, com estabilidade econômica, ao qual os países tenham vontade de se juntar. Querer unificar na porrada não pode ser tolerado. Quem quiser se juntar, se junta. Quem não quiser, não se junta.</p>
<p>Vocês têm noção do quanto as fronteiras mundiais mudaram desde o começo da civilização até hoje? Imagina se um território que já foi de outro país fosse reivindicado por esse país hoje e retomado na porrada? O mundo todo estaria em guerra. Uma democracia pode se juntar ao seu país se ela quiser, querer anexá-la debaixo de porrada é injustificável e não pode ser tolerado.</p>
<p>Então, não, o resto do mundo deveria estar fazendo força para que quem violou a soberania de um país democrático sofra sérias consequências, de modo a desencorajar outros países a fazer o mesmo. Paz, não teremos, nem de um jeito, nem de outro. Mas, se desencorajarmos esse tipo de brutalidade, teremos menos guerras no futuro.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que eu estou fazendo apologia à guerra, para dizer que “é complexo” ou ainda para dizer que só no Brasil anti-comunista defende a Rússia: <a href="mailto:sally@desfavor.com">sally@desfavor.com</a></p>
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