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	<title>Arca &#8211; desfavor</title>
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	<description>REPÚBLICA IMPOPULAR</description>
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		<title>Direito de imagem.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Oct 2025 15:15:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arca]]></category>
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					<description><![CDATA[Nos últimos dias, estive testando o Grok Imagine, o serviço de IA do Elon Musk que transforma imagens em vídeos. A qualidade é bacana, não é o melhor do mercado, mas é extremamente rápido. E até agora, com uma postura bem leniente sobre nudez. Então, acho que precisamos conversar sobre uma coisa chata, especialmente se [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Nos últimos dias, estive testando o Grok Imagine, o serviço de IA do Elon Musk que transforma imagens em vídeos. A qualidade é bacana, não é o melhor do mercado, mas é extremamente rápido. E até agora, com uma postura bem leniente sobre nudez. Então, acho que precisamos conversar sobre uma coisa chata, especialmente se você for mulher&#8230;<span id="more-33981"></span></p>
<p>Sim, a maioria de vocês já sabe onde eu vou chegar, mas primeiro eu quero explicar a minha leitura sobre o negócio de geração de imagens e vídeos com inteligência artificial: assim que as tecnologias ficaram disponíveis fora das universidades e centros de pesquisa, começaram a fazer mulher pelada.</p>
<p>E honestamente? Não vejo problemas com isso. Arte tem uma relação intrínseca com beleza, e desde que o artista em questão ache o corpo da mulher bonito, é claro que ele vai querer trabalhar com essa imagem. Não se pode misturar uma pessoa que enxerga mulher como um objeto com uma pessoa que simplesmente acha elas bonitas. Nada deste texto é preocupação com objetificação. Isso tem a ver com a personalidade da pessoa, não com o que ela acha visualmente atraente.</p>
<p>A questão aqui é que tem um exército de pessoas aperfeiçoando os modelos de geração de imagem e vídeo com&#8230; mulher pelada e safadezas em geral. Basicamente todo mundo que não está sendo pago para trabalhar com esses modelos está treinando a IA para desenhar peitos e bundas com mais perfeição. E é claro que todos esses avanços oferecidos de graça ou por valores irrisórios no mercado paralelo acabam alimentados de volta nos modelos mantidos por grandes empresas.</p>
<p>É claro que eu pedi para a IA fazer uma mulher pelada logo no começo da tecnologia. Era algo&#8230; meio abstrato, por assim dizer. A máquina até sabia onde iam os peitos da moça virtual, mas não exatamente como eles deveriam se parecer. E se ela estivesse nua da cintura para baixo, eram seres saídos de um conto de terror entre as pernas. Era engraçado, pelo menos.</p>
<p>A comunidade não desanimou, continuou compilando, descrevendo e alimentando milhões de imagens de mulheres peladas nos modelos até chegarmos no que é possível hoje: basicamente perfeição na nudez sintética, inclusive para homens, porque é claro que tem comunidade focada nisso também. Em questão de pornografia, tudo parece ser possível com modelos de imagem de uso pessoal.</p>
<p>Digo uso pessoal porque sem censura nenhuma, só rodando o modelo de geração de imagem numa máquina dedicada. Os sistemas online que o povão conhece como o ChatGPT contam com censura pesada, um monte de travas para manter tudo “seguro para o trabalho”; claro, naquele jeitão americano de ser: peito é intolerável, metralhadoras tudo bem.</p>
<p>E por um tempo, a represa dos modelos de imagem produzindo conteúdos mais eróticos foi mantida por essa autocensura das Big Techs. Eles sabiam o que ia acontecer se liberassem essas coisas e queriam evitar o caos que se seguiria. Mas sabe quem gosta do caos? Elon Musk.</p>
<p>O Grok, modelo dele, sempre foi mais politicamente incorreto que a concorrência. Ele fala coisas que outros bloqueiam, e fez disso seu diferencial competitivo. Outros modelos como os da OpenAI e do Google até podem ser mais poderosos em tarefas diversas, mas se você quer algo com menos travas, o Grok é ideal.</p>
<p>E desde que começou a disponibilizar modelos de imagem, o Grok sempre esteve um passinho na frente dos outros em ousadia. Novamente, diferencial competitivo para quem não tem exatamente a mesma qualidade dos outros. E isso funcionou para mantê-lo relevante. E naquela linha Elon Musk de sempre empurrar a linha, começaram a deixar o Grok desenhar mulher pelada. Cheio de frescuras, cheio de limites, mas anos-luz na frente de qualquer outro concorrente do mesmo porte.</p>
<p>Será que isso funciona financeiramente? Liberar as comportas para pessoas querendo mais safadeza nas suas IAs? Bom, faz pouco tempo o ChatGPT disse que vai liberar um modo “erótico”, reduzindo as travas do seu modelo. Alguém precisava ser maluco o suficiente para começar, Elon Musk começou. Mas depois disso, o dinheiro vai estar batendo na porta, desesperado para entrar&#8230; e eu aposto que com algumas verificações de idade antes, o mercado vai atender essa demanda.</p>
<p>E aqui eu conecto os pontos: fora da visão da maioria das pessoas, estavam treinando as IAs para ficarem boas em conteúdo erótico, escrito, sonoro ou visual. Eu tenho certeza que essa pesquisa amadora foi alimentada nos modelos profissionais, porque já pipocam na internet muitos vídeos feitos no Grok com nudez praticamente perfeita. Se você não estivesse treinando com essas imagens esse tempo todo, não ia ficar assim.</p>
<p>Ia sair daquele jeito demoníaco dos meus primeiros testes anos atrás. Os modelos foram treinados com conteúdo sugestivo e pornográfico. E quem compilou isso foram os tarados anônimos. Isso quer dizer que a IA não só sabe como é o corpo humano em todos seus detalhes, mas também sabe como simular ações conectadas, como tirar a roupa.</p>
<p>Sabe como são vídeos de celular “naturais”, sabe como fazer a iluminação exata daqueles vídeos vazados, como é o ser humano no seu ambiente natural de safadeza. O ponto aqui é que até agora os sites capazes de fazer essas cenas realistas tinham muita censura que impedia o cidadão normal de sequer ver isso. Mas estava sendo gerado: os bloqueios são realizados enquanto a imagem ou vídeo são feitos, quando uma IA supervisora reconhecer nudez ou pornografia no material e aborta a geração completa.</p>
<p>Some-se a isso a sensação pervasiva da IA estar numa bolha, muito mais valorizada do que realmente é, existe um incentivo de liberar esse lado “proibido” dela para mais pessoas e ganhar dinheiro com as mensalidades. É muito mais fácil, rápido e barato do que rodar seu próprio modelo. Eles precisam demonstrar que conseguem fazer dinheiro antes que os investimentos sequem, e historicamente, nada vende melhor que sexo.</p>
<p>Se as grandes empresas tiverem medo de seguir nesse caminho, vão surgir empresas menores com capacidade de computação e sem travas. A porta está aberta e eu não acho que vá fechar mais. Alguém vai oferecer geração de pornografia de alta qualidade para as massas, e isso vai mexer com a forma como muita coisa funciona.</p>
<p>A tecnologia está pronta para pegar qualquer foto sua e fazer você tirar sua roupa, por exemplo. Não tem que treinar mais, isso já está basicamente perfeito, só falta tirarem as últimas travas de modelos rodando em servidores bilionários. E é possível que salvo a capacidade de fazer cenas com crianças, as outras barreiras vão cair, e qualquer um com um celular na mão e talvez alguns reais de mensalidade vai poder fazer o que bem entender com sua imagem.</p>
<p>Está na mão de algumas pessoas desse mundo segurar ou soltar essa tecnologia para o povão, uma delas é maluca de pedra, o Elon, e as outras vão ficar cada vez mais pressionadas para demonstrar viabilidade econômica. Como o Grok já deu um passinho nessa direção, nos resta saber quanto dinheiro isso realmente vai gerar. Porque esse povo se conversa, se souberem que o Grok começou a ficar no positivo por causa de pessoas tirando roupa de mulheres aleatórias com IA, o incentivo vai ser forte para permitir coisas parecidas.</p>
<p>Se você é mulher, vale a pena saber que isso existe, para não descobrir só quando a represa estourar. Se você vai tomar mais cuidado com o que posta ou se vai enfrentar de peito aberto (trocadilho mais ou menos intencional) só você pode decidir. Mas como nerd que presta atenção nessas coisas, eu acho justo te informar.</p>
<p>Não é que um dia vai ficar nesse nível de pegar qualquer foto sua e te fazer tirar a roupa e começar a rebolar, é que já está pronto. São só algumas linhas de código nas IAs atuais que evitam que esse conteúdo seja mostrado. Ele já é feito, ele só não aparece na tela de quem pediu por ele. O trabalho já foi feito, milhões de fotos e vídeos de mulheres tirando a roupa em casa na frente do celular (nenhum coletado legalmente) já foram usados para treinar a IA, ela sabe exatamente como simular a cena.</p>
<p>E como o que está dentro dos modelos usados é uma caixa-preta, eu não sei nem como a lei vai fazer para provar que esse tipo de conteúdo foi usado. Eles podem simplesmente mesclar coisas feitas na clandestinidade por amadores e fazer tudo se perder num mar de zeros e uns indecifrável.</p>
<p>Salvo banir nudez e pornografia da internet, não sei como evitar que essa tecnologia chegue de forma confortável na mão de bilhões de tarados e taradas dispostos a violar o direito de imagem de qualquer um. Você que sabe como vai agir com essa informação, mas que ela fique clara aqui.</p>
<p>Eu mantenho a teoria que em algumas décadas, o próprio conceito de pornografia com sua imagem vai ficar tão batido que as pessoas vão parar de se chocar. O que a gente cresceu achando uma ofensa terrível não vai nem distrair a pessoa do futuro do que está fazendo. Mas nesse meio tempo, há um risco considerável de você se chocar com o que conseguem fazer com qualquer imagem sua disponível na internet.</p>
<p>Já existe. É rápido, fácil e cada vez menos censurado. Boa sorte!</p>
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		<title>Jogando sozinho.</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2023/05/jogando-sozinho/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 May 2023 17:06:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arca]]></category>
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					<description><![CDATA[O assunto rendeu. Vinícius Jr. Recebeu ofensas racistas num jogo do campeonato espanhol e chegou no seu limite. A irritação do jogador brasileiro virou um movimento bem maior, envolvendo até o governo brasileiro. A gente nem deveria ter que dizer o óbvio aqui, mas o óbvio nunca é demais: evidente que é inaceitável um monte [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O assunto rendeu. Vinícius Jr. Recebeu ofensas racistas num jogo do campeonato espanhol e chegou no seu limite. A irritação do jogador brasileiro virou um movimento bem maior, envolvendo até o governo brasileiro. A gente nem deveria ter que dizer o óbvio aqui, mas o óbvio nunca é demais: evidente que é inaceitável um monte de torcedores berrando macaco para um homem negro. Mas&#8230; será que a reação da sociedade nesse caso é suficiente para lidar com o problema?<span id="more-21580"></span></p>
<p>Eu acompanho a NBA &#8211; a liga de basquete americana &#8211; há vários anos, e agora que vários canais e serviços online mostram os jogos, bem mais assiduamente. Quando vejo casos como o de Vini, a primeira coisa que vem na minha cabeça é como isso NUNCA ia acontecer na NBA (moderna).</p>
<p>O primeiro que abrisse a boca para chamar um jogador de macaco seria apontado pelo jogador na hora, seria expulso do jogo, retirado pelos seguranças, preso, processado e proibido de entrar em qualquer jogo da liga pelo resto da vida. E quem entende melhor a cultura deles sabe que a palavra não seria macaco, e sim “nigger”, mas para todos os efeitos deste texto é o mesmo conceito.</p>
<p>É impensável alguém fazer uma ofensa racista a um jogador negro no campeonato de basquete de lá. E sim, estou falando de um país muito racista, com um dos históricos mais horríveis de exploração, violência e segregação racial do mundo moderno. Nos EUA onde a Ku Klux Klan tem direito de existir protegido por lei, também existe um espaço bem seguro para negros numa das ligas esportivas mais populares do mundo.</p>
<p>Durante o auge do movimento Black Lives Matter, tivemos jogos cancelados na NBA, todos os jogadores apareceram com camisas com frases de efeito, inclusive no lugar dos nomes durante os jogos. Isso até deixou uma parcela dos fãs irritados com a panfletagem, mas não era negociável. Os jogadores iam simplesmente entrar em greve se não pudessem fazer bastante barulho sobre o movimento. Os dirigentes e donos de time sequer pensaram em ignorar aquele momento histórico.</p>
<p>Pudera: a maioria dos jogadores são negros, inclusive as grandes estrelas que ajudam a liga a faturar bilhões todos os anos. Nas últimas décadas, até mesmo o número de técnicos e dirigentes negros aumentou bastante. É parte da identidade da NBA. E com essa identidade, veio o grande diferencial: poder.</p>
<p>Na NBA, os jogadores entram em greve por melhores salários uma vez a cada 3 ou 4 anos. O campeonato para e o faturamento também. No último acordo de classe entre jogadores e liga, os jogadores conseguiram até tirar a maconha da lista de substâncias proibidas em exames antidoping. Sim, os donos de times e a liga em si ganham muito dinheiro em cima dos jogadores, mas eles não são meros peões.</p>
<p>Eu argumento que esse poder de barganha e a cultura que ela imprimiu na NBA são parte integrante da proteção que os jogadores negros têm de ataques racistas como os que acontecem no futebol. Sim, o movimento negro americano é muito mais forte e combativo do que em qualquer outro lugar do mundo, mas a NBA é uma bolha protegida do racismo ainda comum na sociedade americana.</p>
<p>Eu que acompanho vejo que temos até excessos na proteção dos negros. Nesta temporada, um sérvio branquelo chamado Nikola Jokic jogou de forma absurda o tempo todo, ele já tinha ganhado o título de melhor jogador do ano nos dois anos anteriores, tinha tudo para ganhar o terceiro. Um comentarista da ESPN americana, negro e ex-jogador da liga, resolveu polemizar dizendo que o sérvio só estava ganhando os prêmios porque era branco e a liga queria aparecer mais para o mercado fora dos EUA. O que, aliás, é um argumento idiota: a NBA virou fenômeno global por causa do negro Michael Jordan. Mas repercutiu bastante.</p>
<p>A votação para melhor jogador do ano de repente virou e um jogador camaronês, Joel Embiid, acabou levando o título. Vejam bem: Embiid é um excelente jogador, não foi nenhum absurdo ele ganhar o título de jogador mais valioso da temporada, mas aconteceu até de alguns dos jornalistas (negros) que votavam simplesmente deixarem de colocar Jokic entre os 3 melhores do ano para garantir a vitória de Embiid.</p>
<p>Talvez ele ganhasse por mérito próprio de qualquer jeito. Mas ficou estranho no final das contas. Eu não estou berrando injustiça aqui, estou apenas mencionando como na liga de basquete masculino americana, podemos ficar desconfiados até mesmo de vantagens indevidas para negros por serem negros. Não existe mundo ideal, sempre vamos ter coisas subjetivas como votações para melhores jogadores criando polêmicas, mas é um bom exemplo de como naquele campeonato onde os negros têm poder real, as coisas ficam bem mais&#8230; cinzas.</p>
<p>E esse é o ponto deste texto: poder real. No futebol, os jogadores não têm esse tipo de força, as estruturas de poder não precisam se preocupar com nada além de mensagens eventuais na rede social sobre racismo. E vimos até onde isso nos leva, não? Na NBA o fuckin’ campeonato para se algum jogador for vítima de racismo e não derem uma resposta muito dura. Um dos times da NBA precisou ser vendido porque pegaram o antigo dono falando coisas racistas num áudio antigo. Não tinha como continuar O TIME se não dessem conta disso.</p>
<p>Existe uma linha clara na NBA que não pode ser cruzada. E aqui talvez a parte mais controversa do texto: a linha se estende aos jogadores e seu comportamento fora de quadra. É mais do que serem respeitados como atletas, é serem respeitados como atletas exemplares. A NBA tem um código de conduta draconiano em relação a outros esportes. Um dos astros da atualidade, Ja Morant, está ameaçado de não voltar a jogar mais porque apareceu na rede social com uma arma na mão. Sim, nos EUA um jogador está sofrendo represálias enormes por mostrar uma arma (não atirou nem nada) num vídeo do Instagram.</p>
<p>Não é um Zé Ruela qualquer, é o jogador símbolo de um dos times, um que gera muito dinheiro para a franquia que o contratou e um que atrai muita gente para ver seus jogos. Mas o código de conduta da NBA não permite que jogadores sejam maus exemplos, de nada. Não tem muito espaço para individualidade para eles, eles querem jogadores com imagens maravilhosamente limpas e caretas para que ninguém ouse agir de forma irresponsável e ameaçar a lucratividade da liga.</p>
<p>E aqui, o que eu considero polêmico: essa preocupação (francamente, exagerada às vezes) com o politicamente correto na imagem dos jogadores da liga tem peso no respeito e na força que os jogadores recebem das arquibancadas no mundo todo. A NBA é um sucesso na China! Na mesma China que teve que pintar a nova pequena sereia de azul no pôster para o povo não perceber que ela era negra antes de comprar o ingresso. A China é racista até dizer chega e é fã de uma liga esportiva cuja imensa maioria dos jogadores são negros.</p>
<p>Isso é imagem também. E eu disse que isso seria polêmico porque alguém poderia imaginar que eu estou falando sobre o jogador da NBA não ter “imagem de bandido”. Atenção: não é sobre isso. É sobre a imagem de um grupo de pessoas bem cuidadas. Numa comparação meio maluca: quando você vê um lugar muito limpo, não joga lixo no chão. Quando vê que todo mundo está jogando lixo, não te incomoda jogar também.</p>
<p>O jogador da NBA está protegido por estruturas de poder que o representam e pela imagem projetada por décadas de esforço da liga para colocar esses jogadores em pedestais. Não é só o tamanho da pessoa, é o tamanho da imagem que ela projeta: o racista olha para um LeBron James, por exemplo, e vê um homem de 5 metros de altura (e olha que 2 ele já tem). É mais do que ele ter dinheiro, é o respeito que ele impõe pela sua imagem e pelo apoio que tem.</p>
<p>O racista olha para o Vini Jr. e vê um moleque com muito dinheiro, mas sem poder nenhum. O jogador de futebol, não importa a cor da pele, não tem essa aura ao seu redor. Muitas vezes, a imagem mental da pessoa é uma coisa meio Neymar, eterno adolescente reclamão. Aí, quando Vini Jr. reclama de uma coisa séria demais como ser chamado de macaco em coro num estádio de futebol em dois mil e fuckin’ vinte e três, fica um ranço de desimportância.</p>
<p>Claro, Vini Jr. não tem uma liga ao seu lado. Não tem gigantes atrás dele e uma estrutura de poder político e financeiro dando peso ao que diz e sente. A discussão sobre racismo ser errado já foi, e já foi faz décadas no mundo moderno. Ficar olhando só para um rapaz sendo atacado é perder o cerne da questão: poder não se constrói sozinho. Não adianta dar centenas de milhões para um jovem negro e achar que a missão está cumprida.</p>
<p>A NBA tem um monte de escândalos, os jogadores fazem besteiras sim, mas o respeito é construído em conjunto. Desde a escola esses rapazes, em sua maioria negros, vivem essa realidade de poder compartilhado. Ela só se torna num escudo poderoso contra o racismo no mercado bilionário do esporte profissional, mas é uma construção. A NBA não resolveu o racismo americano, mas mostrou como é essencial não deixar esses jovens sozinhos, e como isso acumula até o ponto de ser impensável um ato racista numa quadra de basquete profissional americano.</p>
<p>No futebol, é cada um por si. Na maioria dos esportes, é cada um por si. É no futebol que Neymar se diz negro ou branco de acordo com o momento, porque é o seu status pessoal que conta em qualquer interação. É no futebol que Vini Jr. é chamado de macaco dezenas de vezes pela torcida e precisa perder completamente a cabeça para ser visto pelo mundo. Isso é resultado de individualismo, os jogadores de futebol não se unem porque é esperado deles serem estrelas solitárias.</p>
<p>Claro que punir torcedor racista é parte da resolução do problema, mas isso mantém as coisas no mesmo status quo de jogadores negros sozinhos contra o preconceito. Quando acontece com gente menos famosa que literalmente o melhor jogador brasileiro em atividade, nem costuma gerar muita consequência. Eu quero que os torcedores racistas sejam punidos, mas eu olho para a NBA e vejo um passo além: um ambiente onde as pessoas não falem essas bobagens por respeito mesmo.</p>
<p>A pessoa não vai deixar de ser racista só por isso, mas a forma como ele é coibido gera impactos no longo prazo. Poder é muito melhor que pena.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que não gosta do Vini Jr. (muda alguma coisa?), para dizer que quem pode mais chora menos, ou mesmo para dizer que minha carteirinha de elitista está revogada por ver NBA: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
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		<title>Descontrole.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Dec 2022 19:21:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arca]]></category>
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					<description><![CDATA[Eu comecei a escrever este texto assim que a Croácia empatou na prorrogação. Sim, eu já sabia que o Brasil não ia fazer mais nenhum gol e não tinha nenhuma chance de ganhar nos pênaltis. E nem é questão de sabe jogar futebol, é 100% psicológico. Você vai ouvir muita gente falando que os jogadores [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Eu comecei a escrever este texto assim que a Croácia empatou na prorrogação. Sim, eu já sabia que o Brasil não ia fazer mais nenhum gol e não tinha nenhuma chance de ganhar nos pênaltis. E nem é questão de sabe jogar futebol, é 100% psicológico.<span id="more-20801"></span></p>
<p>Você vai ouvir muita gente falando que os jogadores do Brasil são ruins, que o Tite escalou o time errado&#8230; não é nada disso. Talvez só a França tenha tantos jogadores de altíssimo nível juntos, os jogadores do Brasil estão entre os melhores do mundo, e são vários em cada posição. Por mais que o Tite tenha trazido o fuckin’ Daniel Alves, quase toda a convocação foi bem coerente com o que tínhamos de melhor.</p>
<p>E sobre o esquema? Aquele seu tio bêbado vai falar que o time é retranqueiro, que não ataca&#8230; mas ele é um bêbado que não entende nada de futebol. O esquema tático da seleção canarinho estava pau a pau com os maiores adversários europeus. As ideias de futebol são modernas, testadas e aprovadas nos maiores campeonatos do mundo. O Brasil morreu um time ofensivo usando a maior parte dos bons jogadores que tinha.</p>
<p>Só quem entende pouco de futebol vai dizer que o Brasil fez a parte técnica do jogo errada. A derrota aconteceu porque a seleção não tem emocional. O Brasil é o time das dancinhas, dos mimimis do Neymar, do coleguismo, das frases de auto-ajuda na parede, do psicólogo deixado para trás porque “não precisa”.</p>
<p>Começaram os pênaltis. Eu até me divertiria mais se o Brasil passasse, mas não tem como um time de crianças vencer um time de adultos quando a pressão chega nesse nível. Por isso vou bancar a continuação deste texto mesmo enquanto decidem quem vai passar.</p>
<p>Os croatas estão com uma cara de quem vai para a guerra. Os brasileiros estão com cara de quem vai se cagar a qualquer momento. Cara de dor de barriga mesmo, a mente já está envenenando o corpo.</p>
<p>Marquinhos perdeu o último pênalti e eu não perdi o começo do texto. Psicológico, psicológico, psicológico. Neymar rezando desesperado. É isso que acontece quando você vive a vida na base do “na hora eu resolvo”. O time brasileiro era sim melhor que quase todos os outros na Copa, mas para mim estava claro que assim que lidassem com uma adversidade iam desmontar. Desmontaram.</p>
<p>A seleção foi treinada para ter várias alternativas táticas, os jogadores estão acostumados com os maiores torneios do mundo, aprendem com os melhores técnicos e treinam nas melhores estruturas imagináveis. Mas percebem que quando estão na seleção ele começam a tentar driblar toda vez que o adversário está mais bem organizado? Sim, Neymar, Vinícius e cia. são conhecidos pela habilidade, mas nos seus times europeus, eles têm gente para confiar ao seu redor.</p>
<p>Na seleção, não. Na seleção, o “homem” é o Neymar. Tite aceitou ficar em segundo plano, e por mais que não o culpe pela parte tática, ele se colocou nessa situação de paizão de adolescente de trinta anos e viu o time desmontar feito um saco de merda sem a menor chance de recuperação. O Brasil dependia de tudo seguir mais ou menos como previsto para conseguir avançar. Se o goleiro croata fosse um pouquinho pior, entravam uma ou duas bolas e o trem da alegria brasileiro avançaria mais uma rodada.</p>
<p>Sem adversidade, o time do Brasil podia ser campeão. Com adversidade, a Croácia já dá conta, assim como a Bélgica já tinha, a Alemanha tinha, a Holanda tinha&#8230; é uma aposta que a seleção brasileira está perdendo faz muito tempo. Talvez seja a Era Neymar, talvez seja mesmo o fim das seleções sul-americanas como candidatas reais ao título.</p>
<p>Seja como for, foda-se a seleção. Eu gosto de futebol, acho divertido, torço e tudo mais, mas é só um esporte. O que o esporte está revelando agora é o que me chama atenção de verdade: quanta gente vai perceber que a seleção está perdendo nas Copa porque o brasileiro é um desequilibrado emocional cada vez pior?</p>
<p>Porque o futebol poderia ter essa função. Ver o mundo todo rindo dos jogadores das dancinhas deveria ser um momento de prestar atenção nos defeitos. Mas algo me diz que vão continuar nessa vira-latice horrível de “deixa os meninos dançaram”, ofendidos porque os gringos não gostaram da ideia de que a seleção brasileira treinava dancinhas para fazer depois dos gols entre os jogos.</p>
<p>Estavam chamando os brasileiros de crianças que não estava se preocupando com a verdadeira missão, descompromissados que achavam que dava para ganhar no talento ao invés de no esforço. As crianças fizeram o quê? Beicinho. Procuraram gente querendo politizar isso como preconceito contra a cultura brasileira e esperaram passar pano.</p>
<p>Façam o Pombo agora, arrombados.</p>
<p>Foram expostos como os meninos que eram. Dentro de uma bolha de aceitação de fãs que não entendem porra nenhuma de futebol e auto-ajuda barata do Tite. Eu estou tirando a responsabilidade técnica do treinador e dos jogadores, mas estou colocando a psicológica com dez vezes mais peso. Não é assim que se ganha nada nessa vida.</p>
<p>Se você acha que convocar um jogador diferente ou jogar com outro esquema resolveria, vai ajudar o discurso furado de que foi só uma derrota futebolística. Não foi não, foi a comprovação de que essa mentalidade imediatista e supersticiosa do brasileiro não serve para nada. O talento pode até estar aqui, mas precisa de algum adulto controlando para funcionar.</p>
<p>Quando você não consegue um serviço de qualidade aqui, quando você percebe que a estrutura da empresa na qual trabalha é uma zona, quando o Estado simplesmente não funciona para os cidadãos, lembre-se que o fator psicológico conta muito: não ter responsabilidade, fazer tudo no jeitinho, ficar rezando e torcendo ao invés de se concentrar e pensar&#8230; é parte da cultura desse país.</p>
<p>Uma parte que muitos achavam que era essencial para as vitórias da seleção brasileira: o mítico talento do jogador tupiniquim. Todas as vitórias da seleção aconteceram quando jogador ainda não tinha o mesmo grau de mordomia e atenção que tem hoje. Em 2002, o Felipão ainda mandava nos jogadores. Antes disso, sempre tinham alguns adultos no time que davam suporte para os craques poderem fazer bobagem e serem malucos.</p>
<p>A Era Neymar não teve líderes, não teve adultos. Teve gente que topou entrar para o clubinho e teve gente que não topou. Estou chamando de Era Neymar porque ele é o mais famoso desse tempo, mas ele é só um exemplo dessa mentalidade horrível que os jogadores brasileiros desenvolveram quando estão na seleção.</p>
<p>E não adianta tirar o Tite, ele precisa sair porque acabou o ciclo, mas se colocarem outro “paizão” no lugar, a Era Neymar vai virar Era Vinícius, Era Rodrygo&#8230; todos seguindo os passos do Neymar, descompensados mentalmente e morrendo de orgulho disso.</p>
<p>A Croácia provou que os brasileiros têm mais medo dos gringos que os gringos dos brasileiros. Não deveriam, mas como estão cagando e andando para deixarem de ser bebezões mimados que ficam combinando a dancinha do próximo jogo, a fama do Brasil está mudando e não sei quanto tempo vai durar. Vai ser mais uma “seleção africana”, cheia de talento, mas incapaz de avançar por não ter organização.</p>
<p>Vai fazer o brasileiro parar de se preocupar com Copa e começar a se preocupar com Nobel? Não. Nem o 7&#215;1 deu conta disso. Mas se pelo menos mostrasse para esse povo COMO É RUIM ser descontrolado emocionalmente, como essa passionalidade latina é uma furada&#8230; o resultado é o de hoje, um time de chorões que não entende porque sempre perde na hora H.</p>
<p>Mas eu aposto que vão falar que jogou mal porque Zé Buceta da Silva não estava na ponta direita ou porque o técnico não colocou mais um zagueiro. É tão cansativo.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que nem live conseguimos fazer dessa vez, para dizer que estava de saco cheio de ver o país parar, ou mesmo para dizer que se trocar o Tite resolve tudo: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
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		<title>Resultado final.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Oct 2018 15:00:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arca]]></category>
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					<description><![CDATA[Já pedimos, já falamos, já conversamos, mas, ainda assim, senti a necessidade de reunir tudo em um único texto final. Vale para o resultado das eleições e vale para qualquer situação indesejada que se apresenta na sua vida, para que você possa lidar com ela da forma menos desgastante possível. Para ficar mais didático, dividi [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Já pedimos, já falamos, já conversamos, mas, ainda assim, senti a necessidade de reunir tudo em um único texto final. Vale para o resultado das eleições e vale para qualquer situação indesejada que se apresenta na sua vida, para que você possa lidar com ela da forma menos desgastante possível. <span id="more-14096"></span></p>
<p>Para ficar mais didático, dividi em três premissas que, se puderem, peço que carreguem sempre com vocês: 1) não sei 2) entrego 3) ressignifico.</p>
<p>Longe de mim querer impor o que vou escrever aqui como verdadeiro, é apenas um de muitos pontos de vista e sinta-se mais do que confortável para pegar apenas o que te serve e jogar o resto no lixo. Desfavor é Bufê, não pacote de adesão.</p>
<p>Antes de mais nada, este texto não é nada sobre nada mágico, místico ou religioso. São apenas algumas ferramentas que eu entendo que podem ser úteis para algumas pessoas, para se viver melhor e que vem a calhar neste momento. Dito isso, vamos ao texto.</p>
<p>A primeira premissa é que nós não sabemos nada.</p>
<p>Achamos que sabemos, mas a verdade é que por mais que gostemos de ter a sensação (falsa) que que somos muito especiais, importantes e sabemos muito, não sabemos nada. O (pouco) conhecimento que temos, <a href="https://www.desfavor.com/blog/2018/07/autoconhecimento/" target="_blank" rel="noopener">é contaminado por crenças</a>, por <a href="https://www.desfavor.com/blog/2018/07/efeito-pigmaleao/" target="_blank" rel="noopener">uma visão de mundo parcial</a> e por centenas de informações falsas que nos cercam. O que você sabe sobre a vida, a verdade e o universo? Nada. Não, não estou te chamando de burro, eu sei tanto quanto você: nada. O mais brilhante dos seres humanos teria esta limitação, seja pela nossa estrutura física, seja pela imensidão de informação (boa parte dela, ainda desconhecida) do universo.</p>
<p>Então, o que vemos são situações pontuais, fora de contexto, que, em um primeiro momento, achamos entender e julgamos rapidamente se são ou não boas para nós. Quem aqui nunca passou por um evento que julgou ser horrível, injusto e desnecessário e, mais para frente, percebeu que o fato daquilo ter acontecido foi crucial para sua vida? Seja por trazer um aprendizado muito útil mais para frente, seja por significar, no final das contas, uma coisa verdadeiramente boa, no quando acaba a gente vê que foi pra melhor. É aquele clássico clichê da pessoa que acorda atrasada, maldiz o azar, perde um voo e o avião cai. Quem nunca reclamou pra cacete de algo que, em um primeiro julgamento superficial parecia ruim mas no final das contas foi bom?</p>
<p>Mais: muitas vezes isso acontece sem que a gente sequer tome consciência. Uma coisa supostamente “ruim” acontece, a gente xinga e, nos efeitos borboletas da vida, ela é responsável por salvar a nossa vida, por nos colocar em um lugar melhor ou tantas outras coisas boas que não conseguimos sequer compreender ou relacionar. A meia-verdade é que o que nós achamos que é bom ou ruim está totalmente contaminado pelo nosso entorno, pelos condicionamentos do nosso cérebro e por nossa pouca percepção do quadro geral.</p>
<p>Eu disse “meia-verdade”, porque a verdade mesmo, senhoras e senhores, é que não existe “bom” ou “ruim”. Isso é uma construção social. Existem coisas que nos agradam ou nos desagradam, porque somos arrogantes de achar que sabemos categorizar o que é “bom” ou “ruim”. Mas se não sabemos nada, como podemos julgar? O julgamento será com base em crenças sociais, que bosta de critério, não? Cêjura que acha que sabe alguma coisa tomando por base esse critério cagado? <a href="https://www.desfavor.com/blog/2018/01/dualidade/" target="_blank" rel="noopener">A dualidade não existe</a>, é uma construção nossa, social, e um tremendo desfavor. Quem puder sair dela, vai viver melhor, muito melhor.</p>
<p>É utópico, eu sei. É praticamente impossível sair da dualidade, ainda mais em um momento de polarização máxima como esse: coxinha x petralha, país vai virar Venezuela x fascista e tantas outras versões toscas, medíocres e escrotas da dualidade que estamos experimentando. Mas, se você conseguir sair, ao menos um pouco, ao menos por um segundo desse pensamento dual, onde ou é uma coisa, ou é outra, ou é bom, ou é ruim, eu te prometo que sua vida vai melhorar. Olhar para as coisas com o olhar da neutralidade vai expandir sua consciência e te ajuda a sair dessa tsunami de infelicidade, ansiedade e estresse.</p>
<p>É que saindo da dualidade, não tomando lados, você passa a ser um mero observador, aberto para aquilo que o universo tenha a te oferecer. Quando você para de lutar contra o universo (adivinha quem vai levar a pior?) você sai do jogo. E quando o que quer que seja chegar, você não vai fazer julgamento, portanto, não vai sofrer.</p>
<p>Mas tudo isso depende do primeiro passo: Admitir que não sabe porra nenhuma, que te desqualifica para julgar, pois quem não tem os subsídios necessários não tem como formar uma opinião.  Se uma meia dúzia daqui aproveitar algo do que eu estou dizendo hoje, já terá valido o texto.</p>
<p>“Mas Sally, isso tudo é muito difícil, não consigo”. Nem eu, meu anjo. O que mão me impede de tentar, pois sei que vou viver melhor se conseguir. Como diria o Romário: só perde quem bate. Quando você tinha um ano não conseguia andar, hoje você anda. O fato de não conseguir algo HOJE, não quer dizer que você nunca vai conseguir. Por sinal, daqui há um ano, você vai desejar ter começado hoje.</p>
<p>Existem mil caminhos para chegar em cada objetivo, vai trilhando os seus, uma hora você chega lá. Não tenho como dizer o caminho de ninguém, mas, no que depender de mim, sempre que descobrir uma ferramenta nova para ajudar nesse caminho, venho aqui compartilhar. Pega quem sentir que ela pode ser útil, quem não, passa amanhã. Fazer uma trilha acompanhado é sempre mais fácil, não?</p>
<p>Bem, depois que a gente entende que não sabe nada, que não tem condições de saber por não ter todas as informações, os subsídios necessários e por não ter uma compreensão de mundo limpa de toneladas de lixo social que despejam na gente, o próximo passo é a entrega, talvez o mais difícil de todos.</p>
<p>Se você não sabe de nada, se você não entende nada, o que pode fazer a respeito? Muito pouco, pode trabalhar apenas naqueles pequenos pontos onde tem controle, que são poucos, muito poucos. Depois disso, o que parece mais razoável: ficar ansioso prevendo todos os cenários possíveis (spoiler: é impossível) e tentando se preparar ou viver sua vida com graça e dignidade, sem deixar que algo que não depende do seu controle te abale?</p>
<p>Dica de ouro para controlar a ansiedade: aprender a discernir aquilo que está no seu poder ser mudado e o que não está. Normalmente somos arrogantes e achamos que temos poder para muito além do que podemos fazer. Tem que botar o pé no freio antes. Fez tudo que estava ao seu alcance? Meu amor, missão cumprida, ENTREGA.</p>
<p>E, não se enganem, esta entrega é interna e meramente ficcional, você não abre mão de poder, ela acontece apenas em uma percepção interna sua. Na realidade, você nunca teve controle sobre o que é incontrolável, basta apenas que assuma isso para si mesmo. Pergunte-se: “eu fiz tudo que podia para tentar reverter isso?”. Se sim, entrega, caso contrário você estará fazendo um mal a você mesmo e prejudicando seu objetivo final. E quando eu digo “entrega”, não é dizer “pronto, entreguei” da boca pra fora. É um ato interno, é uma postura, é um mindset.</p>
<p>Entregar é não pensar mais no assunto de forma fixa, é não sentir medo, é não querer que a coisa se resolva “logo” ou no seu tempo ou do seu jeito. Entregar é abrir mão de qualquer coisa referente a aquele assunto e, acima de tudo, estar aberto para o que quer que aconteça. Se não depende de você, esperar por um resultado X é pedir para se frustrar. Mente em branco, aberta e disponível para o que quer que venha.</p>
<p>Fez tudo que podia? Zera tudo. Abstrai. Aceita que não tem mais controle, que você não sabe o que e quando vai acontecer e, na medida do possível, lembrar que, qualquer que seja o resultado, ele não é “bom” ou “ruim”, pois a dualidade é uma ficção da nossa cabeça, fruto do apego e de toda a titica de crenças que a sociedade nos passa. Entregar é uma espécie de resiliência antecipada, mesmo antes do resultado final, você desistiu de controlar o que não pode ser controlado e de julgar o resultado final. Você faz as pazes com o universo, com os acontecimentos e recebe de bom grado o que vier.</p>
<p>Porém, temos um pequeno obstáculo aqui. Para entregar, é preciso confiar. Confiar que, o que quer que aconteça, é o que tinha que acontecer e nós, pequenos micróbios do universo, não temos como fazer um juízo de valor sobre isso, pois não sabemos nada. E confiar é difícil para um ser humano que cresceu sendo educado para se defender, para competir, para ver o mundo como um lugar difícil e perigoso. Por isso, muita gente precisa de muletas e alegorias para conseguir essa confiança, através de religiões: um amigo imaginário está providenciando que aconteça o que é melhor para você. Tá joinha, se ajudar, vai fundo. Mas saiba é possível confiar sem acreditar em um amigo imaginário, se você entender que todo o poder está dentro de você.</p>
<p>Não me refiro a um poder mágico, a algo paranormal, a algo inexplicável e divino. É o poder de ter controle da sua mente, compreender e assimilar estas questões: eu não sei nada, não sou capaz de discernir o que é bom ou ruim e isso nem ao menos existe, a dualidade é uma criação social. Ciente disso, faço a minha parte e depois não me aborreço mais com isso, entrego e fico aberta para o resultado que acontecer, pois não há bom ou mau, há apenas oportunidades de onde posso tirar algum aprendizado e o curso natural das coisas, onde passarei por aquilo que for necessário, sem medo, sem espernear, sem fazer birra porque as coisas não saíram do meu jeito.</p>
<p>Difícil, eu sei. Porém possível. Tudo questão de fé. Não em Deus, em divindades, não em criaturas mágicas. Fé em você, que você tem a capacidade de operar essa transformação em você mesmo, que você consegue sair do jogo, da ansiedade, do medo, da angústia, todos inúteis, pois nenhum deles melhora sua situação ou te ajuda em nada. Fé nada mais é do que tentar, sem se deixar abalar por aquele impulso de “ah não, impossível, isso eu não consigo”. Com essa postura, não vai conseguir mesmo. Tenha fé em você.</p>
<p>Você consegue largar tudo isso e apertar este belíssimo botão de “foda-se” que todos nós temos dentro da gente. Faça o que estiver ao seu alcance, depois, botão de foda-se, para não atacar seu próprio organismo com hormônios do estresse e outras químicas nocivas que nosso corpo produz que, cedo ou tarde, debilitam nossa saúde. Primeiro passo é não bater o martelo que não consegue. “Não sei como fazer” é muuuuito diferente de “nunca vou conseguir fazer”. Tem centenas de ferramentas que podem te ajudar, procura que você acha. É como dizem, quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece.</p>
<p>Uma vez alcançado este patamar, qualquer que seja o resultado final, será tolerado com mais serenidade. Lembram daquela frase de Jung que eu sempre cito aqui? “Tudo aquilo a que você resiste, persiste”?. Lutando contra, você só alimenta, Bolsonaro tá aí para provar. Aceitando, a coisa se dilui. É o sua resistência, o seu ímpeto por controle que alimenta todo o sofrimento da sua vida. O sofrimento vem, basicamente, da não aceitação, ou, em termos populares, aceita que dói menos.</p>
<p>“Mas Sally, como posso aceitar coisas terríveis, como a morte de um filho?”. E eu te respondo: e como pode não aceitar? Não aceitar não traz a pessoa de volta, não resolve o problema e ainda te faz sofrer muito mais. Mas é o que a sociedade nos impele a fazer, se não, periga até de pensarem mal de você. Quando uma pessoa da minha família adoeceu e eu fiz um trabalho interno intensivo para ficar bem, ficar serena e conduzir a coisa com o máximo de graça e leveza que pudesse, escutei por várias vezes (não por mal, por falta de consciência da pessoa mesmo) que eu provavelmente nem gostava tanto dessa pessoa, se não, não conseguiria me manter assim.</p>
<p>Tudo é formatado e predefinido socialmente: SE você ama uma pessoa e ela adoece ou morre, você TEM QUE sofrer feito um filho da puta, chorar deitado no chão em posição fetal. Se não, tem algo “errado” com você”. Meus amores, queiram ser errados, porque se adequar às expectativas de uma sociedade doente, cheia de gente medicada, deprimida, com síndrome do pânico e de matando com cigarro, drogas, comida, bebidas e estresse não é uma boa opção. Saiam do jogo. Apesar do condicionamento que já tem no nosso cérebro, não TEM QUE ser assim, não TEM QUE nada. É um longo caminho, mas é possível e&#8230; porque não? podemos fazê-lo juntos.</p>
<p>Essa ideia da dor necessariamente vinculada ao sofrimento precisa ser extirpada da sua cabeça. A dor pode até ser inevitável, o sofrimento não. O sofrimento está dentro da sua mente, a qual você pode controlar. Já passei por poucas e boas nessa vida, sobretudo em matéria de saúde, e eu lhes asseguro: a dor pode ser inevitável, mas o sofrimento está ao seu alcance evitar.</p>
<p>Quando o resultado final aparece, se a pessoa conseguiu manter a mente neste lugar bom, lidará com ele da melhor forma possível, e terá um último recurso valioso: ressignificar. Lembram da história do atrasado que perdeu o voo do avião que caiu? No final das contas, o que foi aquilo? Um puta azar ou uma puta sorte? Meio copo cheio, meio copo vazio? Sempre dá para ver ambos, cabe a você escolher.</p>
<p>Mas, novamente, por condicionamento social, nossa mente, por já ter caminhos neurais formados nessa direção (é como uma ladeirinha que sempre faz uma bola cair pela inclinação), acaba caindo quase que no piloto automático para o meio copo vazio. Isso porque vivemos cada vez mais em uma cultura do medo, onde acreditamos que o mundo é um lugar horrível e precisamos nos defender dele. O “normal”, o “natural” é sofrer em determinadas situações. E lá vamos nós para o sofrimento, medo, angustia, ansiedade&#8230;</p>
<p>Só que, mais uma vez uma frase que eu já cansei de repetir aqui: sua mente cria realidade. Não no sentido de “vou materializar uma Ferrari aqui agora!”, mas no sentido do Efeito Rosenthal, <a href="https://www.desfavor.com/blog/2018/07/efeito-pigmaleao/" target="_blank" rel="noopener">algo cientificamente explicado e comprovado</a>.</p>
<p>Então, olha que combinação nefasta: se sua mente cria realidade e se sua mente está meio que pré-programada para ver sempre o meio copo vazio, sentir medo, sofrer e estar preparada para o pior. O que você acha que vai acontecer com você? Que tipo de realidade você vai criar para a sua vida?</p>
<p>Vai dar merda, e, verdade dolorosa: muita gente vai até ficar feliz com isso inconscientemente: “Não disse? Eeeeeuuuu não disse?”. Triste, mas hoje as pessoas preferem estar certas do que serem felizes, mesmo que para isso elas mesmas tenham que criar, inconscientemente, um cenário de danação para suas vidas. “Se eu não gosto do piloto, eu torço para que o avião onde eu estou caia”. Não sejam essa pessoa.</p>
<p>Ressignificar é lançar um olhar mais profundo sobre aquele acontecimento e ver que ele pode significar muito além do que a explicação imediata e contaminada pelo medo e sofrimento que seu cérebro encontrou. Nesse ponto, a evolução joga contra: nosso cérebro é uma máquina de sobrevivência. Aqueles homens das cavernas que aprenderam a ser “pessimistas” ou precavidos, são os que sobreviveram.</p>
<p>Aqueles que, ao ver um arbusto se mexendo pensaram “não vou passar ali, pode ser um tigre”, são os que não foram comidos e passaram seus genes adiante. Então, estamos inundados de uma genética medrosa, defensiva e estressada que, no contexto atual, em vez de nos proteger, hoje, representa o próprio perigo em si. É esse medo, estresse, defesa, que está nos adoecendo.</p>
<p>Resignificar é lutar contra seus caminhos neurais e contra sua própria genética. Difícil? Certamente, mas possível. A evolução se faz melhorando o que já existe. Tudo, absolutamente tudo pode ser ressignificado. Eu os desafio, nos comentários, a deixarem qualquer coisa que eu não possa ressignificar. Aliás, fazer diariamente um exercício de ressignificação é ótimo. Pensem em coisas que supostamente “deram errado” em uma interpretação rasa e tentem fazer uma interpretação mais profunda, onde estas mesmas coisas teriam que acontecer para servir a outro objetivo na “Big Picture”. Isso ajuda a colocar a mente em um lugar bom e criar novos caminhos neurais para destinos mais agradáveis.</p>
<p>“Mas Sally, isso é só especulação”. Sim, pode ser. Depende do quanto você esteja em contato com você mesmo, do quanto expanda sua consciência, do quanto escute sua intuição. Uma pessoa com a mente alinhada, em um bom lugar e conectada consigo mesma não vai especular racionalmente, ela vai desligar o racional e deixar que seu inconsciente (eu superior, alma, mente, Deus, Unicórnio do Cu rosa ou como queiram chamar) lhe mande essa informação. É um saber sutil, que só chega para quem está muito equilibrado, relaxado e disposto a escutar. Não é uma revelação trazida por uma entidade que flutua, é algo corriqueiro, do dia a dia: um insight, um sonho, uma lembrança repentina. Chega pra todo mundo, alguns conseguem perceber, outros não. Ótimo momento para isso: meditação. Fica a dica.</p>
<p>Você fez tudo que estava ao seu alcance. Você entregou. O resultado veio. Você pode fazer algo para mudar o resultado? Faça. Não pode? Ressignifica, pois tudo aquilo a que você resiste, persiste. O sofrimento vem da não aceitação. Resignifique, veja o meio copo cheio e, principalmente, SINTA o meio copo cheio, pois não adianta de nada fazer um discurso resiliente quando, por dentro, você está putaço. Aliás, tudo isso que estamos falando hoje não deve ser “feito”, deve ser sentido, caso contrário é só mais uma máscara que você veste para camuflar uma verdade que está presa dentro de você.</p>
<p>Bom, vou parar por aqui. Não importa o desfecho destas eleições, ou de qualquer situação que esteja te aborrecendo. Tenha sempre em mente que:</p>
<p>&#8211; Não sabemos NA-DA, não temos subsídios para julgar se algo é bom ou ruim, e, na realidade, o bom e ruim nem existe, dualidade é uma criação social, tente olhar as coisas desde a neutralidade.</p>
<p>&#8211; Fez tudo que estava ao seu alcance? Entregue. Tire a questão da sua cabeça, não se preocupe mais com isso, siga sua vida sendo o mais feliz e sereno que puder, se não a torrada não pula da torradeira.</p>
<p>&#8211; Veio um resultado final? Beleza, tendo em mente que não sabemos nada (nem mesmo para avaliar esse resultado final), que a dualidade não existe e que tudo aquilo a que você resiste, persiste, ressignifique o que veio, tente entender e sentir a razão daquilo e seja grato, pois para alguma coisa essa bosta vai servir.</p>
<p>“Mas Sally, e se nada disso for verdade?”. Foda-se, vive-se melhor. Você quer estar certo ou ser feliz?</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que eu não estou bem, para bater o martelo que você nunca vai conseguir nada disso e se auto-limitar ou ainda para me mandar ressignificar meu cu: <a href="mailto:sally@desfavor.com">sally@desfavor.com</a></p>
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		<title>Facada!</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2018/09/facada/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Desfavor]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Sep 2018 17:10:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arca]]></category>
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					<description><![CDATA[Jair Bolsonaro leva facada durante ato de campanha em Juiz de Fora. Candidato era carregado nos ombros por apoiadores quando homem se aproximou e o feriu na barriga. Bolsonaro foi levado para a Santa Casa da cidade, passou por uma cirurgia no intestino e ficará internado na UTI. Suspeito foi preso. LINK Se você simpatiza [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="uk-card uk-card-body uk-card-default">Jair Bolsonaro leva facada durante ato de campanha em Juiz de Fora. Candidato era carregado nos ombros por apoiadores quando homem se aproximou e o feriu na barriga. Bolsonaro foi levado para a Santa Casa da cidade, passou por uma cirurgia no intestino e ficará internado na UTI. Suspeito foi preso. <a class="uk-button uk-button-text" href="https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2018/09/06/ato-de-campanha-de-bolsonaro-em-juiz-de-fora-e-interrompido-apos-tumulto.ghtml" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LINK</a></p>
<hr />
<p>Se você simpatiza ou não com o Bolsonaro, o ataque é o <strong>desfavor da semana</strong>.</p>
</div>
<p><span id="more-13761"></span></p>
<h4 class="uk-heading-line"><span>SALLY</span></h4>
<p>O caso dispensa introdução, mas eu faço questão: esfaquearam Jair Bolsonaro durante um ato onde ele estava sendo carregado no colo por seus eleitores. A faca entrou 12cm em seu abdômen, passando a um milímetro da veia cava, de grosso calibre, que provavelmente o teria matado se fosse atingida. Ele perdeu a consciência e entrou em estado de choque. Metade do sangue do seu corpo se foi na hemorragia, se ele tivesse chegado alguns minutos depois no hospital, provavelmente não sobreviveria. As lesões foram graves, atingiram o intestino delgado, o intestino grosso (que teve um pedaço removido gerando a necessidade de uma bolsa de colostomia) e ainda lesões em outros órgãos, tudo isso combinado com vazamento de fezes na cavidade abdominal, um convite a uma infecção. Tudo isso em um homem com 63 anos.</p>
<p>Existem diferentes graus de consciência nos seres humanos. Alguns mais conscientes acham que nada justifica assassinato, tortura e violência. Outros menos conscientes acham que em alguns casos é necessário. Outros menos conscientes ainda acham que é a única solução. Tá tudo bem, eu mesma não sou das mais evoluídas e muitas vezes me pego aplaudindo violência. Minha questão não é de julgamento e sim de coerência.</p>
<p>Se você sustenta constantemente um discurso de não culpabilizar a vítima, de desarmamento, de não violência, o ideal seria agir conforme seu discurso. Isso é integridade: quando o que você sente equivale ao que você fala e ao que você faz. Minha crítica é a pessoas que atormentam as outras com um discurso politicamente correto, patrulham, censuram mas, quando acontece algo com alguém que elas não simpatizam, se contradizem e pregam tudo que elas criticavam. Sua piada mata, mas uma facada na barriga de um idoso, bem, isso foi culpa dele por seu discurso de ódio. Oi?</p>
<p>Supostos anjos pacifistas politicamente corretos comemoraram a facada em Bolsonaro, desejando que ele morra, que fique aleijado, desejando toda sorte de crueldade, apenas por discordar de suas ideias. Aí não. Aí fica feio demais. Ou você mantem o discurso de não culpabilizar a vítima, pois, não importa o que ela faça, não merece sofrer uma violência, ou você aceita que qualquer provocação (e provocação é muito subjetivo) pode ser usada como justificativa para violência.</p>
<p>Estas pessoas que estão comemorando e enviando mensagens para a família de Bolsonaro dizendo que foi bem feito, desejando sua morte, alegam que a facada foi merecida pois ele tinha um discurso de ódio e incitava a violência. Vamos usar um pouquinho e memória?</p>
<p>O Presidente da CUT disse que se Lula fosse preso, pegariam em armas. Gleisi Hoffmann disse que se prendessem o Lula morreria gente. O próprio Lula cansou de fazer discurso incitando a violência, dizendo, entre outras coisas, que iria colocar o “exército do Stédile nas ruas”. Boulos disse que ia “incendiar o Brasil” se Lula fosse preso. Ciro Gomes disse que a receber o juiz Sergio Moro “a bala”. Bem, eu poderia ficar aqui até amanhã citando frases&#8230; Meu ponto é: discurso de ódio, todo mundo faz hoje em dia. Só que se um deles levar uma facada no meio da rua, será uma atrocidade, um absurdo, uma barbárie. Só com Bolsonaro que é merecido, pelo discurso de ódio.</p>
<p>Só por esporte, imagina que, mesmo com todo esse discurso de ódio que o PT fez, se a cena se inverte: Lula, carregado pelos braços do povo, é esfaqueado por um militante do Bolsonaro. Qual vocês acham que seria o discurso do PT? “Foi merecido, afinal, Lula incitou a violência diversas vezes”? Não, obvio que não. Bolsonaro intolerante assassino ele e todos seus militantes seria hostilizados até o fim dos dias. Isso se chama hipocrisia.</p>
<p>A cereja no sundae é que o acusado, Adelio Bispo Oliveira, já andou distribuindo gentilezas antes. Em 2013 foi processado por lesão corporal. Não foi submetido a internação, ou seja, de acordo com perícia judicial, ele não é maluco. Outro dado curioso: assim que ele foi preso, um advogado que cobra honorários bastante caros se apresentou para defendê-lo, sem gratuidade. Logo depois surgiu uma página na internet, fazendo uma vaquinha para custear a defesa de Adelio.</p>
<p>Ainda tem gente que insiste em culpar a polarização por esta facada. Não. A polarização é uma realidade, como cada um reage a ela diz muito mais sobre a pessoa do que sobre a sociedade. E se tem alguém com poder realmente incitando a violência, é mídia, que vem batendo agressivamente em Bolsonaro, como por exemplo, a revista Veja, que nos últimos meses estampou duas capas com a cara dele com as seguintes manchetes: “PERIGO, ELE PODE SER PRESIDENTE” e “A AMEAÇA BOLSONARO”. A mídia vem vilanizando o sujeito de tal forma que não seria de se estranhar se alguém com um parafuso a menos tirasse daí o empurrão que precisa para agir.</p>
<p>Por fim, para fechar esse show de horrores, como sempre, é tudo mentira. O tríplex é de um amigo, prenderam o Lula sem provas, Moro é um agente da Cia. A teoria da conspiração continua e petistas estão fazendo uma campanha difamatória em todas as redes sociais dizendo que Bolsonaro não foi esfaqueado, que é uma farsa.</p>
<p>Olha, que farsa bem montada, hein? Contou com a participação da Santa Casa de Juiz de Fora, da polícia, do Hospital Albert Einstein, de toda a imprensa, das centenas de testemunhas que estavam no local e do próprio criminoso, que admitiu ter dado a facada.</p>
<p>Quando a pessoa só consegue ver o que quer, ela faz uma ginástica mental para se prender aos seus argumentos, à verdade que lhe convém. Pessoas que não sabem nem a tabuada do sete saíram dando parecer médico de que não havia sangue, por isso a facada foi uma farsa. O médico atestou que Bolsonaro perdeu dois litros e meio de sangue, mas é tudo mentira.</p>
<p>O gastrocirurgião Marcos Belotto, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, foi a público dizer que isso é normal e ocorre porque geralmente o sangramento se dá dentro da barriga, na forma de hemorragia interna: “Mesmo quando a perfuração atinge veia ou artéria, o sangue só jorra para fora quando a barriga fica muito cheia de sangue”. Ele perdeu sangue sim, estava todo em sua cavidade abdominal, mas não estava circulando pelo corpo como deveria. Mas, evidente, Ernesto, 41 anos, formado em Oboé, cria gatos, morador de Bauru, atestou que foi uma farsa, estão todos mentindo.</p>
<p>Também achei curioso que um objeto que está nas nossas cozinhas tenha sido a arma do crime. Vão fazer o que? Pedir Estatuto do Desfacamento? Proibir as facas? Pessoas matam pessoas, não armas. Por sinal, se todos pudessem ter armas, provavelmente Bolsonaro nem seria ferido, ou, se fosse, o agressor estaria morto. Enquanto o ser humano for essa merda que é, nos mataremos até com colher de sobremesa.</p>
<p>Agora eu coloco em dúvida a vitória de Bolsonaro. Por mais que a facada tenha gerado alguma simpatia para sua pessoa, ele vai ficar de molho por bastante tempo. Duvido que consiga fazer uma campanha efetiva no primeiro turno, no máximo vai ser exposto no alto de um carro segurado por barbantes, estilo “Um morto muito louco”. Estar presente em caravanas, visitar cidades, discursar e comer pastel na frente das câmeras são condições sine qua non para ser eleito no Brasil. Sem conseguir fazer campanha talvez ele não consiga se eleger. Além disso, vai rolar um certo constrangimento em bater nele, ele está intocável, e sabemos que ele brilha apenas quando batem nele.</p>
<p>Tudo muito lamentável. Mais do que a violência em si, praticada por uma pessoa sem nenhuma consciência, os aplausos que ela está recebendo. Isso mostra que temos uma massa de pessoas sem consciência alguma, perdidas na polaridade, na dualidade, na raiva. Estamos mal, estamos muito mal. Bem, se é para ficar do lado de alguém eu fico do lado de quem leva e não de quem dá a facada.</p>
<p>A esquerda se tornou aquilo que ela mais criticava, que tristeza.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que ele vai ganhar no primeiro turno, para soltar algum argumento imbecil e tentar me convencer que foi tudo uma grande armação e a facada não existiu ou ainda para dizer que o discurso é tão nefasto que te faz ficar do lado de uma pessoa que defende a tortura: <a href="mailto:sally@desfavor.com">sally@desfavor.com</a></p>
<h4 class="uk-heading-line"><span>SOMIR</span></h4>
<p>Vou ter que postar o meu mais tarde.</p>
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		<title>Incels.</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2018/05/incels/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 May 2018 11:00:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arca]]></category>
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					<description><![CDATA[Alguns devem se lembrar do atentado acontecido em Toronto, no final do mês passado. Um homem pegou uma van e arremessou contra uma multidão, matando dez pessoas. Como as autoridades ainda estavam na dúvida se era um ataque de muçulmanos, pareceu que a van tinha atacado sozinha… mas, ao perceberem que era um homem branco [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns devem se lembrar do atentado acontecido em Toronto, no final do mês passado. Um homem pegou uma van e arremessou contra uma multidão, matando dez pessoas. Como as autoridades ainda estavam na dúvida se era um ataque de muçulmanos, pareceu que a van tinha atacado sozinha… mas, ao perceberem que era um homem branco sem conexões com a “religião da paz”, as informações voltaram a fluir. E o descoberto consegue ser ainda mais bizarro que matar pessoas por um ser imaginário… cidadão fez o que fez porque ninguém queria fazer sexo com ele. Hoje falamos dos incels.<span id="more-13267"></span></p>
<p>Sim, muita informação no primeiro parágrafo… permitam-me estabelecer melhor: numa postagem do assassino no Facebook antes do atentado, ele mencionava de uma forma meio assustadora e meio debochada que iria se vingar dos Chads e das Stacies desse mundo, começando a “revolução incel” em homenagem ao “cavalheiro supremo”. Continua não entendendo nada? Então vamos explicar tudo com mais calma, eu acho que vai ser uma experiência merda para todos nós.</p>
<p>Pra começo de conversa… incel. O que é isso? Bom, imagine um homem que não consegue pegar mulher de jeito nenhum. Um verdadeiro fracasso com o sexo oposto. Imaginou? Bom, ainda não é isso. É a base da coisa, mas é bem pior. Por uma série de motivos que vão desde padrões irreais de beleza no sexo oposto até desleixo, desânimo ou falta de noções básicas de vida em sociedade, existem sim vários homens por aí que simplesmente não conseguem nem um caso eventual com uma mulher. O que é um problema, mas até aí, mais pra eles mesmos. Vários desses elementos continuam tentando até conseguir alguma coisa, seja por resolverem os problemas que os impedem de ter sucesso, seja por pura teimosia até uma mulher finalmente topar nos termos deles. Poderíamos passar um texto inteiro só falando sobre os problemas dessa raça, mas… como eu disse antes, é bem pior.</p>
<p>Imagine agora que alguns desses incompetentes com o sexo oposto &#8211; ao invés de tentarem achar alguma solução para o seu problema (ou mesmo se enfiar num canto longe dos outros) &#8211; resolve pegar toda essa frustração e colocá-la ao serviço da vitimização raivosa… chegamos aos incels. Incel é uma corruptela de “Involuntary Celibate”, ou, em português, Celibatários Involuntários. Pessoas que não fazem sexo mesmo querendo fazer sexo. Era mais fácil dizer que “não pegam ninguém”, mas a mente que se permite categorizar dessa forma tem dos seus atalhos: para o incel, não é que eles falham em conseguir sexo das mulheres, é que o mundo é muito injusto com eles apesar de seus melhores esforços.</p>
<p>Por isso que eu fiz todo esse caminho para chegar nesse termo. Quando você ler sobre isso em outro lugar, fique muito esperto(a) com a categorização fácil que os estagiários de jornalismo vão querer usar. O incel é muito mais do que um homem que não consegue fazer sexo, é uma pessoa que internalizou isso como regra universal da humanidade e se sente uma vítima da sociedade. Para esse cidadão, as mulheres não querem ele porque são muito fúteis, burras ou interesseiras. O problema para eles está pra fora. Eu torço para que você que está lendo já tenha sacado para onde eu vou, mas caso não tenha percebido ainda (ninguém é obrigado&#8230;), tenha em mente COMO é importante entender que o incel não é só o homem que não consegue sexo. Guardou a informação? Ótimo.</p>
<p>Vamos falar agora dos Chads e das Stacies citadas naquele manifesto de Facebook. Os incels começaram a se encontrar por causa da internet. Se tem uma coisa que a grande rede faz bem é dar pontos focais para as pessoas mais piradas possíveis. Recentemente o Reddit (o maior fórum público da internet) fechou a página dos incels, onde congregavam e destilavam sua vitimização raivosa por anos. Mas, esse era longe de ser o único lugar onde trocavam (falta de) experiências e ideias. Estão todos por aí ainda, só um pouco mais dispersos.</p>
<p>Com o senso de grupo, os incels foram criando suas próprias gírias. “Chad” é um homem que consegue fazer sexo, normalmente tratados como machos-alfa nas memes, mas pra efeitos práticos, qualquer homem que não seja um completo fracasso no campo amoroso já acabava com essa alcunha. “Stacy” é uma mulher normal. Novamente caracterizadas como ninfomaníacas sem cérebro nas memes, mas na prática qualquer uma que não fosse virgem poderia se encaixar ali. Basicamente, a forma com a qual se referem a não-incels, os “normies” (apelido para pessoas normais).</p>
<p>Na mitologia incel, as Stacies os rejeitam porque eles são feios demais, pobres demais, ou o clássico bonzinhos demais. Se as Stacies fossem menos fúteis, interesseiras ou malucas, estariam dando pra eles e não para os Chads. Que jogue a primeira pedra quem em um momento de desilusão amorosa não criticou o sexo oposto inteiro (“homem/mulher é tudo igual”), mas a maioria das pessoas acaba lidando com isso e partindo para outra. Os incels não fazem esse caminho, ficam presos num ciclo vicioso de desprezar as mulheres até algo finalmente quebrar e começarem a achar que a culpa é de metade da população mundial, mas nunca deles.</p>
<p>Muitos desses incels mais fanáticos começam a realmente achar que as mulheres DEVEM sexo para eles. Que tem que explodir a estrutura social vigente para fazê-las finalmente enxergarem seus atrativos. Se você acha isso bizarro, será que percebeu outra coisa pior ainda? Eu não estou falando de relacionamentos, eu estou falando de sexo esse tempo todo. O próprio nome do movimento sugere essa distorção: por que não se chamam de solitários involuntários? Ainda é loser, mas daria mais simpatia. Com o sentimento de solidão conseguimos nos identificar melhor. No fundo a maioria de nós acredita que é escroto alguém nunca conseguir uma companhia.</p>
<p>Mas o movimento chama celibatários involuntários. Ao invés de dizer para o mundo que só queriam ter uma namorada, estão dizendo que só queriam um buraco molhado. Claramente estamos lidando com homens sem o menor bom senso na hora de atrair uma parceira. Mesmo que muitos digam fantasiar apenas com uma mulher para ficar junto, toda a mentalidade e terminologia indicam o lado puramente sexual. Aí a coisa azeda de vez. Não só estão reclamando da falta de atenção das mulheres como estão focando justamente no que deixa a maioria puta da vida: não o sexo em si, mas a cara de pau de achar que elas devem alguma coisa para os homens nesse sentido. As coisas nessa vida dependem muito da troca entre as pessoas.</p>
<p>Ainda pior que as ideias distorcidas dessas pessoas é o caminho que trilham, um que os afasta ainda mais do seu suposto objetivo. Muitos incels não fazem nem o básico de tentar encantar alguma mulher. Aliás, pelas minhas andanças em lugares escuros da internet, sei que existem muitos deles que mal saem de casa ou fazem coisas óbvias como ter um trabalho. E aí, a ferida aberta fica infectada. A raiva só aumenta e as atitudes contrárias ao que diminuiria sua raiva ficam mais e mais comuns.</p>
<p>E agora chegamos ao “cavalheiro supremo”, um moleque escroto chamado Elliot Rodgers que matou várias pessoas num surto de raiva por ser virgem e não conseguir nem um encontro com uma mulher. E se você acha que Elliot era um gordo escroto perdedor, era um jovem bem apessoado e muito bem de vida, só que incapaz de ter contato humano decente. Na cabecinha distorcida dele, as mulheres eram culpadas. Ele foi incel antes de existir o grupo dos incels, por isso muitos o consideram um herói. Aqui eu deveria dizer que nesse mundo de comunidades online, ainda mais com homens desse tipo, a ironia come solta e a maioria absoluta das coisas bizarras que você vai ler pendem mais para humor autodepreciativo de mau gosto do que ideias verdadeiras, mas isso é uma peculiaridade muito difícil de reconhecer. Portanto, vamos ficar com o mais simples: a maioria late, mas pouquíssimos mordem.</p>
<p>Elliot mordeu. O maluco de Toronto também. A merda aqui é que quando o movimento tem nome e lugar para se encontrar, fatalmente os malucos que realmente estão dispostos a matar ou morrer por essa mentalidade podre acreditam estar em boa companhia. A questão mais complicada aqui é que homens tendem a ser mais agressivos fisicamente. Os incels, por serem um grupo avassaladoramente masculino, tendem a ter mais membros dispostos a fazer esse tipo de atentado. Até porque é difícil imaginar uma mulher tendo a mesma mentalidade incel. Mulher encalhada é encalhada em termos… normalmente está mais relacionado a namoro e casamento do que propriamente incapacidade de conseguir sexo.</p>
<p>Se tivéssemos um movimento parecido de mulheres incapazes de gerar e manter relacionamentos culpando os homens muito superficiais e as mulheres “traidoras” que ficam usando sua sexualidade para roubar esses homens delas, não chamaria incel. Talvez encalhadas involuntárias… e essas mulheres dificilmente cometeriam atentados. Não que mulheres sejam incapazes de violência, mas tendem a buscar outras vias ou quando vão para esse lado, costumam atacar mais dentro de casa ou num parceiro próximo. Na média, eu aposto que as incels femininas teriam a mesma tendência de culpar todo mundo menos elas por seus problemas amorosos. Seria um problema social! Não são elas, são os outros! Elas deveriam ter o direito de serem amadas como são e os homens seriam escrotos dignos de expulsão da sociedade (para um ser tão social como a mulher, isso é quase a morte), do trabalho e das suas relações. Sim, eu acredito que se as mulheres fossem tão perdedoras quanto os homens nessa coisa de acreditar que o sexo oposto DEVE alguma coisa para elas mesmo não dando nada em troca do que eles querem, teríamos um grupo de incels femininas causando diversos problemas na sociedade. Assustador.</p>
<p>Ah, lembra daquela informação que eu pedi pra você guardar na memória lá no meio do texto? É muito importante entender que incels não são só homens que não conseguem sexo. Incels surgem de uma mentalidade distorcida e mimada na relação com outros seres humanos. Todo mundo pode ser um fracasso em relações amorosas, mesmo que por alguns períodos de tempo, mas precisa de uma cabecinha bem torta para colocar toda sua identidade ao redor disso e punir as outras pessoas por não te darem o que você cismou que merece, perdendo completamente a noção do que fazem homens e mulheres se atraírem pra começo de conversa.</p>
<p>Bom, por sorte as mulheres ainda não caíram nessa de incel. Menos mal, certo?</p>
<p>Certo?</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que ainda não entendeu, para dizer que só vai rir dos virgens mesmo, ou mesmo para dizer que é incel, mas só para modelos: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
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		<title>Eutanásia.</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2018/02/eutanasia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Feb 2018 10:00:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arca]]></category>
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					<description><![CDATA[Lilith encomendou um texto sobre Eutanásia, e disse que tinha que vir dentro de uma coluna Flertando com o Desastre. O tema já passeou pelas nossas páginas algumas vezes e eu sempre deixei minha posição clara. Mas, talvez não com o carinho necessário… vamos estabelecer o ponto central do texto de hoje: eutanásia é uma [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Lilith encomendou um texto sobre Eutanásia, e disse que tinha que vir dentro de uma coluna Flertando com o Desastre. O tema já passeou pelas nossas páginas algumas vezes e eu sempre deixei minha posição clara. Mas, talvez não com o carinho necessário… vamos estabelecer o ponto central do texto de hoje: eutanásia é uma prática humanitária que defende a vida acima de tudo. Não deveria ser polêmica, nem um pouco.<span id="more-12869"></span></p>
<p>Em termos simples, eutanásia é o ato de terminar a vida de uma pessoa para evitar que ela sofra de forma continuada. Evidente que não falaremos sobre uma pessoa aleatória matando outra porque acha que vai ajudar, estamos falando sobre profissionais de saúde bem treinados realizando o procedimento de forma tranquila e indolor em pacientes em estado de sofrimento continuado comprovável e de acordo com a vontade da pessoa ou daqueles que podem tomar essa decisão por ela.</p>
<p>Mas mesmo dentro de regras bem definidas e um grau de confiabilidade razoável no processo, ainda existe um dilema moral poderoso. Não é objetivo deste texto fazer pouco desse dilema, afinal, decidir pela própria morte ou a de uma pessoa querida marca pontos em todas as escalas do que configura uma decisão complexa para uma pessoa: é definitiva, envolve diretamente as pessoas ao seu redor, gera um risco de arrependimento e querendo ou não, mata uma pessoa! Frequentemente nos vemos confusos sobre o restaurante que vamos, é o terror da escolha errada elevado ao cubo.</p>
<p>Totalmente compreensível que quem esteja dentro de uma situação dessas sinta-se terrível para tomar a decisão. Mas ser uma decisão terrível não deveria ser a base para uma polêmica. Vejam bem, algo polêmico, pelo menos da forma como eu enxergo, deveria ser algo sobre o qual existam pelo menos duas interpretações conflitantes bem fundamentadas. O debate entre esquerda e direita em política é uma polêmica, pessoas podem falar sobre isso com uma complexidade enorme se quiserem. Dados e mais dados sobre a vida real podem ser trazidos e analisados para gerar mais e mais discussões. Polêmicas só tem longevidade à medida que se transformam quanto mais pessoas participam dela.</p>
<p>A discussão sobre a eutanásia realmente muda quanto mais pessoas são forçadas a tomar um partido? Novas experiências trazidas de fora modificam significativamente o objeto argumentativo dessa suposta polêmica? Meu ponto aqui é que não. No caso da eutanásia, a polêmica não existe de fato. Os lados não tem a capacidade de evoluir a própria discussão, não importa quanta coisa joguem pra cima dela. Via de regra, quando um tema difícil pode ser reduzido a uma escolha pessoal cujo impacto acontece basicamente só dentro da vida dela, fica muito difícil polemizar.</p>
<p>O que um grupo de defensores e detratores da eutanásia faz realmente pela pessoa que tem que decidir se ela ou uma pessoa querida vai morrer? Como essas opiniões podem modificar a experiência no final das contas? Ou você termina uma vida, ou você permite o sofrimento continuado. Não tem muito para onde escapar, quando as coisas chegam nesse ponto, vai polemizar pra quê? Na hora de uma decisão pessoal dessas, a pessoa não tem que redefinir significados da vida, tem que ter um mínimo de segurança que está tomando a decisão com maior valor agregado.</p>
<p>Uma pessoa passando por sofrimento extremado ao ponto de não querer mais viver deve ser ouvida com muito cuidado. Porque tem algo muito sério ali. Tem uma decisão fundamental sobre a vida dela. Acredito que o maior engano sobre o tema seja acreditar que eutanásia seja sobre a morte… a morte é irrelevante nesse contexto. É tudo sobre a vida que aquela pessoa está vivendo e uma decisão pra lá de complicada sobre a viabilidade dela. Se você acredita que todos temos o direito de viver sem sofrimento exagerado, vai entender como eutanásia é sobre o direito de viver.</p>
<p>Não é humano fazer uma pessoa viver uma vida de torturas, de isolamento, de violências contra tudo o que acreditamos ser mais valioso na nossa existência. Isso não é polêmico. Não existem informações novas que vão subverter essa ideia de um mínimo de valor na nossa existência para ela ser tolerável. Vai polemizar que dor excruciante por anos a fio é algo aceitável para uma vida humana? Vai polemizar que um filho não pode querer poupar seu pai de um enclausuramento mental sem fim? Nem se você for fundamentalmente favorável à tortura vai tender a concordar com isso, afinal, mesmo quem acredita em causar extremo sofrimento em outras pessoas se defende acreditando que isso só deve ser feito com pessoas realmente horríveis, em retribuição por crimes já cometidos.</p>
<p>O corpo humano falha por doenças, acidentes e tantos outros motivos, ele falha de formas catastróficas para a possibilidade de uma vida minimamente decente. Isso também não deveria ser polemizado. Infelizmente é. O grau de sofrimento que algumas pessoas causam nas pessoas ao seu redor por ilusões de amor é assustador nesse mundo. Por exemplo: crianças terrivelmente deformadas são mantidas vivas pela força da negação dos pais, criando um ser humano que pelo curto tempo que ficará consciente, vai sofrer terrivelmente mais do que qualquer outra criança. Eu mal posso imaginar a tortura mental que é ter seu sonho de um filho desfigurado em sofrimento constante. Quando temos muito medo, tendemos a nos apegar a qualquer coisa. Inclusive a crianças que vão ser torturadas pela vida que tiverem.</p>
<p>Eu trago esse ponto porque existe sim uma conexão entre o que parece mover as pessoas que são contra a eutanásia, aborto e outras formas de valorizar a vida ao invés do sofrimento: a ideia que existe uma saída dolorosa para elas mas que salva uma pessoa querida não pode fincar raiz nessas cabeças. Porque aí elas tem que lidar com o mesmo dilema que mencionei no começo do texto, mas já sabendo que tomaram a decisão mais dolorida para quem acreditavam estar ajudando. O egoísmo de manter viva uma pessoa com o corpo e/ou a mente destroçados para não ter que ficar sem ela deve ser uma realização devastadora.</p>
<p>Somos seres sociais, está em cada fibra do nosso ser a necessidade de ter conexões com outras pessoas. É compreensível querer colocar essa necessidade de estar com outra pessoa acima do bem estar dessa pessoa. Uma coisa escrota de se fazer, mas muito humana, visceral. Não queremos ficar sozinhos, e quanto mais bate o desespero, mais forte queremos segurar nas outras pessoas que geram significado para nossas vidas. Mesmo que esse agarrão machuque. E outra, é basicamente impossível passar pela vida sem gerar dor em outras pessoas. De uma certa forma, estamos acostumados que isso vai acontecer, e que por vezes precisamos machucar até pessoas queridas para continuar vivendo.</p>
<p>Mas as coisas tem limites. Outra parte essencial do que é ser humano é controlar esses impulsos quando você os conhece. Eu não quero nem imaginar a dor de ter que se cortar fora da vida ou tirar alguém próximo dela diante de uma situação limite feito as relacionadas com eutanásia. Ninguém quer simplesmente largar as pessoas queridas, seja você ou elas que vão morrer nesse processo. O instinto é do agarrão mesmo: “Fica aqui! Fica comigo! A gente dá um jeito, a gente aguenta!”. Muita gente nunca consegue lidar com a necessidade de controlar esse instinto, porque francamente, é difícil. Mas, novamente, não é uma polêmica.</p>
<p>Saber deixar as pessoas irem embora da sua vida é uma necessidade. Não é algo que se possa argumentar por horas em tese. Ou você realiza que gostar de alguém também significa pagar preços pessoais altos para ver ela melhor, ou você fica preso em relações doentias onde o sofrimento continuado é aceitável. Tanto no caso da eutanásia quanto de aborto de crianças extremamente deformadas, não é complicado entender a necessidade de segurar essas conexões por perto custe o que custar. Mas é algo horrível de se fazer: é gerar sofrimento por egoísmo.</p>
<p>E quando essa ideia de ter que deixar ir da sua vida pessoas que estão sofrendo demais na configuração atual realmente assenta na cabeça, é hora de rever muitas de suas decisões e perceber como somos fracos nesse campo. Como em algum momento, agarramos com força numa pessoa que não deveria estar lá, ou fomos agarrados para o nosso sofrimento com pessoas que acreditávamos gostar da gente. Seres humanos fazem mal uns para os outros, é o subproduto de tudo o que podemos fazer, inclusive as coisas muito boas.</p>
<p>E reduzindo o tema ao que realmente importa, a vida das pessoas envolvidas na decisão da eutanásia, com todos esses sentimentos, necessidades e conflitos comuns do ser humano… não sobra o que polemizar. Pessoas vivem e morrem, fato. O que elas fazem nesse meio termo é o que conta, e se você ou uma pessoa muito querida perderam a capacidade de viver com um mínimo de conforto físico e dignidade mental, não existe mais vida. Decidir-se pela eutanásia é escolher vida sim. É não agarrar uma pessoa ou as pessoas ao seu redor com força pelo medo de ficar sem elas, ou para não ter que lidar com seu egoísmo (compreensível, mas doloroso do mesmo jeito), é pensar em como aquela pessoa vive e como você pode demonstrar alguma forma de amor por ela.</p>
<p>É uma decisão pessoal horrível. Mas, muitas das coisas mais nobres que podemos fazer também são.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que ficou chocado por eu não ter pego o caminho científico, para dizer que se for começar a contar o que mais não é polêmica vai ser difícil parar, ou mesmo para dizer que agora eu estou obrigado a definir polêmica num texto futuro: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
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		<title>MGTOW</title>
		<link>https://www.desfavor.com/blog/2017/12/mgtow/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Dec 2017 11:00:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arca]]></category>
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					<description><![CDATA[Men Going Their Own Way, ou em português “Homens seguindo seu próprio caminho” é um movimento que prega que homens cessem seus relacionamentos amorosos com mulheres. Você ainda não deve ter ouvido falar especificamente dele, afinal, ainda está muito restrito a comunidades online, mas eu acredito que valha muito a pena analisar o contexto que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><i>Men Going Their Own Way</i>, ou em português “Homens seguindo seu próprio caminho” é um movimento que prega que homens cessem seus relacionamentos amorosos com mulheres. Você ainda não deve ter ouvido falar especificamente dele, afinal, ainda está muito restrito a comunidades online, mas eu acredito que valha muito a pena analisar o contexto que permite a existência de algo assim. E, meio que adiantando o final: tem todo o jeito de algo que só vai crescer daqui pra frente.<span id="more-12584"></span></p>
<p>Se você quer provas de que isso realmente existe, tem um <a href="https://www.mgtow.com/" rel="noopener" target="_blank">site oficial</a> em inglês, e numa <a href="https://www.google.com.br/search?q=mgtow+brasil" rel="noopener" target="_blank">pesquisa rápida de Google</a> você vai ver que já está tomando algum corpo no Brasil. O G1 já até fez <a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/11/por-que-confraternizar-com-o-inimigo-os-homens-que-evitam-se-relacionar-com-mulheres.html" rel="noopener" target="_blank">uma matéria</a>. Então, que nenhuma mulher venha criticar meu texto com acusações infundadas de irrelevância! Ahem… isso é meio contagioso. Para os simpatizantes do movimento, as mulheres (em geral) estão fora de controle, acumulando vantagens excessivas na sociedade e perdendo o respeito pela figura masculina de forma irrecuperável. E com isso, os benefícios de ter uma namorada, mulher ou até mesmo um caso andam muito inferiores aos problemas gerados.</p>
<p>O ideal MGTOW sugere que o homem corte o mal pela raiz e elimine a chance das mulheres estragarem sua vida: através da solteirice permanente, pretendem aproveitar melhor a vida. Aquele grupo de homens chamados “herbívoros” &#8211; os que nunca sequer tentam contato sexual com mulheres, popularizados principalmente no Japão – com certeza entram como um subgrupo dessa categoria, mas em linhas gerais não é um movimento assexuado, e sim um que prega não se prender a mulher nenhuma para evitar lidar com a versão atual do gênero na sociedade.</p>
<p>Vamos ao óbvio: isso soa torto. Mal resolvido. A criança que não gosta do jogo e leva a bola (as bolas?) embora. Mas esse tipo de análise não seria novidade nenhuma aqui no desfavor, não? Faz muito tempo que falamos que o ser humano vai se afastando um do outro numa velocidade impressionante, criando “fantasmas” no outro e polarizando qualquer opinião até o limite de sua resistência. Que o ambiente online infelizmente contribuiu demais para esse efeito e que as coisas parecem mais inclinadas a piorar do que melhorar. Num texto sobre um <a href="https://www.desfavor.com/blog/2017/03/universo-25/" rel="noopener" target="_blank">experimento com ratos</a>, eu até mencionei uma certa inevitabilidade desses seres avessos ao contato com outro dada uma sociedade  grande e preguiçosa suficiente.</p>
<p>Com isso dito, vamos virar no sentido oposto: o MGTOW faz muito mais sentido do que deveria. É um tipo de pensamento perigoso que justamente por isso deve ser explorado. Talvez uma das maiores vantagens do homem na sociedade é ter diante de si um caminho muito viável de vida sem estar em um relacionamento amoroso. E aqui precisamos fazer uma distinção: eu disse viável, não agradável. Viável é um conceito muito mais universal do que agradável porque não precisa se adequar a gostos e desejos pessoais.</p>
<p>Considerando diferenças básicas entre os sexos, homens tendem a se realizar com mais facilidade na ausência do fator humano. Talvez você seja mulher e nada do que eu vá dizer te soe extremamente necessário, mas duvido que você vá dizer que essa é a norma: mulheres se realizam muito mais com vitórias no campo interpessoal. Raro ver homem sonhando com casamento, filhos, relações profundas… o que de forma alguma quer dizer que todos são avessos a isso, mas, esses objetivos de vida não ficam tão isolados no topo das prioridades deles quanto na maioria das mulheres.</p>
<p>Sem contar elementos bem mais práticos: é mais “seguro” ser homem, mesmo que homens morram muito mais em eventos violentos que mulheres quando mais jovens e muito mais por maus cuidados com a saúde na velhice. O corpo muito mais preparado para se impor pela força e lidar com violência te permite depender muito menos de outros para manter sua integridade física. O número maior de mortes masculinas tende a ser resultado de irresponsabilidade e agressividade desmedidas. Ter uma mulher por perto aumenta sua longevidade, mas não muda tanto assim seu senso de segurança diário.</p>
<p>E como vivemos num mundo capitalista, mais uma vantagem do homem que não depende tanto assim de companhia feminina: fazer dinheiro. Homens tendem a ganhar mais pelo menor foco na família e a já citada predisposição a assumir riscos (muitas vezes idiotas). Um homem sem mulher e sem filhos tem um potencial bem maior de gerar renda do que um com. Até porque o simples fato de ter uma mulher tomando as decisões com você (ou por você, porque homem morre de preguiça dessas coisas) já aponta seu orçamento numa direção mais “humana” e mais dispendiosa em geral. Homem caga muito mais para qualidade de vida que não seja imediata à sua percepção.</p>
<p>O que eu estou enrolando pra dizer, até por ser meio duro de engolir, é que mulheres dependem mais dos homens para se realizar do que o inverso. Não é uma medida de superioridade, é apenas como as prioridades se empilham em mentes tão díspares em empatia. Mulheres nascem mais empáticas que homens (por isso tantas feministas ficam em choque quando as filhas preferem bonecas naturalmente) e tendem a permanecer com essa característica mais desenvolvida em média em todos os grupos etários. O “outro” tem mais significado para elas. E novamente, nem estou considerando medida de superioridade. A combinação de focos tornou nossa espécie viável.</p>
<p>E se a ideia pode soar um pouco (ou muito) desalentadora para as mulheres, é nos homens que ela causa o maior estrago: quando essa ideia REALMENTE entra na cabeça de um homem, ela pode seguir por caminhos bem tortuosos, um deles usado como exemplo no texto de hoje. Pensando friamente, a qualidade de vida imediata de um homem que abdica de relacionamentos com mulheres tende a melhorar. Menos pressão no seu ponto fraco de empatia, liberdade de foco familiar em troca de trabalho ou hobbies, renda disponível para gastar com seus “brinquedos”… e como vimos anteriormente, ninguém colocou como condição o celibato. Ainda existe a possibilidade de sexo casual (mais eficiente para cobrir buracos emocionais nos homens), inclusive pagando por isso se quiser abdicar também de ser atraente para as mulheres em geral.</p>
<p>Talvez para você mulher seja muito mais difícil visualizar o que eu estou escrevendo como algo positivo, mas aposto que fez muito mais sentido do que deveria para nossos leitores do sexo masculino. Não é meu plano no texto de hoje argumentar sobre as benesses de se ter um relacionamento com uma mulher, até porque como eu disse na primeira ressalva sobre o que acho bizarro no movimento MGTOW, não vai ser um bom papo que vai apertar de volta o parafusinho que escapou na cabeça de quem quer abdicar totalmente de relacionamentos. Esse problema não é meu agora.</p>
<p>Mas disso: as regras sociais podem ser muito complexas, mas no fundo não deixam de seguir a física Newtoniana: toda ação gera uma reação. Era impensável que uma mudança de status das mulheres na sociedade não fosse lançar ondas de choque na relações entre os sexos. E apesar do movimento feminista ter pegado com mais força há uns 50 anos atrás, provavelmente estamos no epicentro desse abalo. Achei importante dispensar tanto deste argumento para a lógica que existe por trás de algo como o MGTOW porque daí vem o risco da nossa realidade atual dar o empurrão que faltava em muito homem. Quase faz todo o sentido mandar um “foda-se” para relacionamentos com mulheres e seguir o seu caminho. Quase.</p>
<p>E quando vivemos num mundo onde a forma de balancear a opressão é essencialmente vingativa nas relações entre os sexos, vivemos também num mundo onde os benefícios para o homem que não cai nesse buraco quase lógico começam a diminuir. A aproximação do sexo oposto já está no seu ponto máximo de perigo para o homem, a constância do relacionamento também oferece cada vez menos vantagens imediatas e cada vez mais riscos de acusações infundadas e injustiça na reação pública. De novo, joguem pedras, mas… com o fantasma do “quase” flutuando sobre a cabeça do homem, será que vale a pena pensar em igualdade absoluta? O valor intrínseco do relacionamento para o homem ainda é menor do que para a mulher. E talvez com um custo muito parecido para ambos, o benefício do lado masculino comece a não compensar para cada vez mais homens.</p>
<p>Num exemplo simples: imagine que você divida um apartamento com alguém, é muito perto do trabalho dessa pessoa, mais ou menos do seu. O aluguel gasta um quarto dos seus rendimentos mensais. Certo dia, o aluguel é reajustado e passa a consumir um terço do dinheiro dos dois. Pra outra pessoa ainda vale o esforço pela qualidade de vida que é estar perto do trabalho, mas pra você ficou meio caro pelo o que o lugar oferece. Não estou dizendo que a única alternativa é sair dali e deixar o outro se fodendo sozinho com o aluguel, estou só dizendo que é compreensível começar a fazer umas contas…</p>
<p>Eu mesmo sei usar o argumento contra o que eu escrevi acima: “na verdade, a outra pessoa que trabalhava mais perto passou séculos pagando metade da sua parte também e merece compensação”. E eu entendo de verdade a validade disso. Mas, desde quando as pessoas acham bacana pagar contas de antepassados? E outra, todos os argumentos pró MGTOW tendem ao egoísmo e ao imediatismo. As pessoas não vem em pacotes justos. Cada um que escolha como quer enxergar isso, mas os relacionamentos andam cada vez menos vantajosos para os homens. Acha bem feito? Direito seu.</p>
<p>Mas… tem consequências. Será que um dia o preço desse prazer do “bem feito” não vai ficar caro demais?</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para me chamar de machista, para me chamar de virgem misógino, ou mesmo para assumir que nem leu o texto para achar válido me chamar disso: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
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		<title>O que é Deus para você?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sally]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Dec 2017 11:14:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arca]]></category>
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					<description><![CDATA[“Eu não acredito em Deus”. Beleza, concordo com você. Eu também não acredito. Mas&#8230; uma perguntinha&#8230; O que é Deus para você? Se você não sabe essa resposta, talvez não tenha muita condição de continuar repetindo que não acredita em Deus. O conceito de Deus é muito relativo. Ele varia não apenas de religião para [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>“Eu não acredito em Deus”. Beleza, concordo com você. Eu também não acredito. Mas&#8230; uma perguntinha&#8230; O que é Deus para você? Se você não sabe essa resposta, talvez não tenha muita condição de continuar repetindo que não acredita em Deus.<span id="more-12548"></span></p>
<p>O conceito de Deus é muito relativo. Ele varia não apenas de religião para religião, como também leva em conta questões familiares, culturais e outra infinidade de fatores. Eu diria até que é possível que cada ser humano tenha seu conceito pessoal sobre o que é Deus.</p>
<p>Em uma linha mais tradicional/fantasiosa, temos Deus como uma entidade suprema que teria criado ao mundo e a todos nós. Aquele Deus que depois mandou seu filho para a Terra no ventre de uma moça casada, porém virgem, para que ele seja pregado na cruz, morra e volte três dias depois. Um Deus que funciona de forma mágica, como uma espécie de amigo imaginário dos adultos, que conversam com ele, desabafam e lhe pedem coisas. Um Deus que pune ou recompensa conforme um conjunto de regras predefinidas. Um Deus capaz de mandar suas criaturas para o inferno.</p>
<p>Porém, há outros conceitos mais sutis de Deus. Há quem veja Deus como uma força interna que todos nós temos e que podemos desenvolver e expandir através de autoconhecimento, preferencialmente através de práticas que nos tragam paz e evolução, que varia de pessoa para pessoa. Tem gente que entra em contato com essa força meditando e consegue atingir uma serenidade e compreensão maior com isso, por exemplo. Então, quando passam por qualquer adversidade na vida, não buscam amparo em algo externo e sim dentro delas mesmas, utilizando as técnicas que aprenderam para acessas essa força interior.</p>
<p>Para alguns, Deus é amor, ou seja, a ideia de que todos somos um só e que, enquanto todos não estivermos bem, ninguém estará. Pessoas que acreditam em energias vibracionais, que a vida nos devolve aquilo que emanamos e o conjunto da emanação coletiva, ou seja, a reunião de forças, configuraria uma energia una, maior, chamada Deus. Seriamos todos os seres humanos pecinhas de um grande quebra-cabeça chamado Deus, mas somos muito toscos para ter consciência disso ou comportamento condizente com esta realidade.</p>
<p>Existem os que fracionem Deus em várias formas, cada uma delas destinada a tutelar uma área da nossa vida: um Orixá, uma entidade, um espírito, um macarrão voador, não importa o nome que se dê. Não são uma divindade suprema com poderes absolutos, cada uma tem atuação limitada na sua área de competência, alguns demasiadamente humanos, até. Nem sempre regem por completo nossas vidas, há um livre arbítrio e recorremos a eles quando precisamos de alguma ajuda.</p>
<p>Há quem pregue que Deus é na verdade o universo. Quando você faz algo de bom ou de ruim gera um efeito borboleta que desdobra e volta para você, não por karma ou lei da atração, mas como mera consequência no estilo “quem planta merda come bosta”. O universo seria regido por leis que desconhecemos em sua integralidade e tudo que acontece é por algum motivo, mesmo que não saibamos ou não compreendamos. Mas não há nada de divino, é apenas um macro-universo que nós, pequenos vermes, não temos nem condições de começar a entender.</p>
<p>Na mesma linha, tem os que digam que Deus é o Planeta Terra, algo próximo da teoria de Gaia, onde todos os ecossistemas, a atmosfera, a biosfera, todos os seres do planeta em comunhão formam um único organismo vivo. Esta unidade entre homem e natureza seria a representação de Deus.</p>
<p>Muitos nem ao menos dão forma ou classificação. Deus seria algo superior ou fora do alcance de total compreensão, algo que não se entende ou se explica, apenas uma entidade superior que eventualmente interagem conosco e interfere em algumas coisas, que seriam coincidência demais para ser destino.</p>
<p>Alguns acham que Deus é uma energia, uma forma de matéria ou não-matéria inexplicável e que todos nós temos condições de absorver ou emanar essa energia de Deus, bem como outras energias ruins. Cabe a nós aprender a não absorver energias ruins e aprender a absorver energias boas, fazendo coisas que nos coloquem no mesmo estado vibratório das energias boas, como um dial que sintoniza um rádio.</p>
<p>Enfim, são muitas as opções, entendimentos e classificações. Exatamente em qual Deus você não acredita? </p>
<p>Bem, existem algumas coisas ditas neste texto que a ciência confere alguns indícios de veracidade, alguns mais robustos, outros mais leves, assim como existem coisas que foram totalmente desacreditadas. Mas você tem coragem de dizer que tudo, simplesmente tudo que está aqui vai para o mesmo saco e depois vai para a lata do lixo?</p>
<p>Em qual Deus você não acredita? Para não acreditar em algo, é preciso conhecer em profundidade. Para acreditar basta ter fé, e a fé não precisa de provas, basta uma convicção interior forte, uma sintonia com seu pensamento. Quem mais tem que estudar é quem se diz ateu, concordar por afinidade é fácil, o difícil é discordar e ter argumentos para embasar a discordância.</p>
<p>Vejo muitos ateus usando ateísmo como religião: se apegam à não-crença a ponto de discordar cegamente de tudo sem refletir. Não sejam essa pessoa. Estudem. Estudem física quântica, metafísica, estudem a religião que querem refutar e, só então, digam que não acreditam. A certeza é uma muleta para aqueles que tem medo de deixar respostas em aberto. </p>
<p>Um ateu radical e irracional tem tanta certeza sem embasamento quando um religioso, é apenas o outro lado da moeda. Por isso, se neste texto você não deixou nenhuma questão em aberto, reflita. Talvez você, assim como os religiosos, também esteja usando a muleta da certeza.</p>
<p>Partir da premissa que se não pode ser provado não existe é se apegar à muleta da certeza. Se não pode ser provado, não sabemos. O que não te impede de ser ateu, existem diversos graus de ateísmo. Temos esse pensamento formatado que só nos é válido acreditar ou desacreditar quando temos certeza absoluta de algo. Não. Podemos acreditar ou desacreditar com indícios parciais, não há problema algum nisso. O problema é outra: ter certeza absoluta apenas com indícios parciais.</p>
<p>Então, pergunto mais uma vez para que você reflita: o que é Deus para você? Em quais conceitos de Deus você não acredita?</p>
<p>Levando em conta o que eu sei, estudei e vi, até hoje, tudo me leva a crer que Deus não existe, em nenhuma das formas que me foram apresentadas até hoje. Muitas delas contém algumas verdades com as quais eu concordo e muitas vezes a ciência também, mas nenhum pacote inteiro me convenceu. Por hora, eu não acredito em Deus. </p>
<p>Mas digo isso ciente de que eu não sou a dona da verdade nem tenho todos os elementos para bater esse martelo. Eu não acredito, mas não posso pretender ter esta certeza absoluta muito menos querer que outras pessoas a tenham. Quem tem certeza do sim ou do não está andando de muletas. Certezas nos tranquilizam, mas também nos limitam. Seja a pessoa inquieta, que prefere crescimento à zona de conforto.</p>
<p>Venha você também para a dúvida, este lugar desconfortável, porém saudável. Em qual Deus você não acredita?</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para perguntar o que eu andei fumando, para dizer que não quer dar esse grau de demanda para o seu cérebro ou ainda para aguardar ansiosamente pela resposta do Somir: <a href="mailto:sally@desfavor.com">sally@desfavor.com</a> </p>
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		<title>It’s ok to be white?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Somir]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Nov 2017 16:56:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arca]]></category>
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					<description><![CDATA[Pouco mais de uma semana atrás, uma série de cartazes com os escritos “It’s ok to be white” começaram a surgir nos Estados Unidos. Principalmente nos arredores e dentro de grandes universidades. A frase, que pode ser traduzida (bem) livremente como “Não tem problema ser branco”, não deveria gerar nenhuma polêmica, não? Oras, é claro [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pouco mais de uma semana atrás, uma série de cartazes com os escritos “It’s ok to be white” começaram a surgir nos Estados Unidos. Principalmente nos arredores e dentro de grandes universidades. A frase, que pode ser traduzida (bem) livremente como “Não tem problema ser branco”, não deveria gerar nenhuma polêmica, não? Oras, é claro que gerou polêmica, é 2017!<span id="more-12305"></span></p>
<p>O assunto foi pouco comentado por aqui, talvez por preguiça dos estagiários dos grandes meios traduzirem o conteúdo, talvez por falta de conhecimento das peculiaridades das comunidades de internet dos EUA, ou provavelmente mesmo porque era muito cheio de nuances para o público brasileiro. Eu vou apostar nessa última… a ideia surge num fórum chamado /pol/, sobre o qual já falei antes aqui na época da eleição do Trump. Esse é mais um dos refúgios de uma boa parte da população americana que ficou tão de saco cheio do politicamente correto, mas tão de saco cheio que… elegeu o Trump.</p>
<p>Na minha opinião o fórum em questão foi instrumental para a vitória do Oompa Loompa platinado, mas essa análise já foi feita. Hoje estamos concentrados nessa jogada aparentemente simples, mas reveladora sobre os rumos preocupantes da sociedade moderna. A ideia surgiu nas vésperas do Halloween, e não podia ser mais básica: imprimir cartazes com os escritos “It’s ok to be white” e colar em lugares onde pessoas histéricas os veriam. A genialidade da ideia está justamente na presunção de reação exagerada dos “adversários”.</p>
<p>Num vácuo ideológico, dizer que não tem problema ser branco não quer dizer nada. Não tem problema ser de nenhuma cor, oras. Quem enxerga isso que tem algo de muito podre dentro da cabeça. Mas, como estamos longe de viver numa sociedade que se importa com o significado do que lê, era previsível que começariam os chiliques logo pela manhã seguinte. E eles vieram. Primeiro em posts de redes sociais com pessoas mencionando os cartazes “assustadores”, depois com reações mais dramáticas alimentadas pelo interesse da mídia.</p>
<p>Qual foi a reação padrão dos que deram de cara com os cartazes? Arrancá-los e acusar quem colou de nazista. Os artistas da vitimização já começaram a dar seus showzinhos, dizendo que não se sentiam mais seguros em suas universidades. Um aparte aqui: o que acontece nas universidades americanas atualmente é um dos processos mais insanos de “politicamente correto” da história. Claro que não com a mesma violência, mas qualquer discurso menos “pregressista” é atacado por uma massa de ofendidos que nos faz até imaginar agentes de um regime totalitário.</p>
<p>Neste contexto, fica clara a trollagem: através de um cartaz objetivamente inofensivo na mensagem, é possível expor reações raivosas e irracionais do adversário. Um clássico. Nada de novo no fronte, inclusive com várias pessoas respondendo que não, não estava tudo bem em SER branco. E, novamente, eu já passei por esse tema anteriormente, então fica a análise já feita: apontar dedos para grupos não costuma gerar resultados de igualdade em nenhuma sociedade. O máximo que se consegue é mudar o grupo dito opressor. Mas é exigir demais dessa gente entender o buraco que está se enfiando… vamos continuar por um bom tempo dentro de uma sociedade opressiva para um ou mais grupos, o ser humano ainda não parece preparado para lidar com seus problemas sem culpar exclusivamente o outro.</p>
<p>Com esse ponto em mente: quem leu esse cartaz e o conectou imediatamente a grupos que pregam a supremacia racial branca… estava certo. Locais como esse fórum não são como uma KKK, mas quem passa mais de dez minutos lendo o material produzido por eles sabe muito bem que ele está apinhado de gente muito racista. Muitas vezes daquela forma meio de brincadeira e meio séria ao mesmo tempo, mas mesmo assim, negar que o /pol/ tende ao racismo é mentir descaradamente.</p>
<p>Eu sei, eu sei, fica difícil tomar um lado claro quando a reação aos cartazes é ao mesmo tempo histérica e com um fundo de verdade, mas ninguém disse que as coisas seriam simples nessa vida. A verdade é que o nosso ideal de compreensão das mensagens alheias tem que ser baseado em mais fatores do que a mensagem pura ou a inclinação pura de quem a divulgou, existe um meio termo complicado aí. Tão complicado que me leva à verdadeira reflexão deste texto: será que o excesso de informação está dando contextos demais para qualquer coisa que comunicamos? Contextos que muitas vezes são desnecessários?</p>
<p>O cartaz era uma clara armadilha nesse contexto: quem mais colaria ele nas paredes de locais declaradamente hostis ao conceito de poder de homens brancos? É claro que tem contexto, é claro que dá para presumir muito mais do que a mensagem pura. Mas, duvido que todos os que reagiram dessa forma sabiam exatamente o que estavam presumindo. Estavam reagindo na verdade a um contexto divisivo de quem se presume em guerra. De quem está sempre olhando por cima do ombro para se defender de um ataque. E nesse renascimento da rixa entre esquerda e direita, ambos os lados parecem absolutamente paranoicos, enxergando “soldados” inimigos em todos os cantos.</p>
<p>Tirando os ativistas histéricos mais histéricos, nenhuma pessoa realmente tem o que argumentar contra o “é ok ser branco”, até porque é uma mensagem vazia em sua fundação, dependendo muito do que se presume a partir dela: seja uma mensagem do exército aliado ou inimigo. Mas, e quando não é? E quando quem solta a mensagem só quer dizer aquilo mesmo? Como ficam as verdades mais simples num universo comunicativo onde tudo pode e será usado como arma numa guerra ideológica (burra)?</p>
<p>De uma certa forma, o que eu quero dizer aqui é que estamos nos afogando em contextos, muitos deles preguiçosos, e tornando as mensagens que passamos quase que inconsequentes. Como se fossem apenas uma sequência de letras e números que precisassem ser decodificadas para achar uma mensagem necessariamente pró ou contra você. É uma nova forma de analfabetismo funcional até: ficar tão amarrado em contextos paranoicos que a mensagem na sua frente torna-se irrelevante.</p>
<p class="uk-background-muted uk-padding">Para dizer que é ok não entender, para dizer que estou repetitivo, ou mesmo para dizer que desistiu de pensar no que lê: <a href="mailto:somir@desfavor.com">somir@desfavor.com</a></p>
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