Mensagem de choque.

Nada parece convencer o brasileiro médio a levar a pandemia a sério, mas será que estamos pegando pesado o suficiente? Sally e Somir discutem uma tática de campanha para o Brasil, os impopulares dizem se estão impressionados.

Tema de hoje: Seria produtivo fazer campanhas de conscientização contra Covid com imagens fortes e chocantes do interior de hospitais e pessoas morrendo?

SOMIR

Não. Dizem que publicidade é um monte de mentiras, e embora em alguns casos realmente seja, na maioria das vezes é parte de uma estratégia necessária de causar uma boa primeira impressão. Uma propaganda é mais ou menos como um estranho te abordando na rua…

Se for um estranho fedido e desdentado, você provavelmente vai pensar numa forma de se desvencilhar daquela interação o mais rápido possível. Se for um belo estranho vestido impecavelmente, o senso de curiosidade pode muito bem vencer a confusão inicial. É natural: algumas coisas nos atraem, algumas coisas nos geram repulsa.

Beleza e sucesso são dois dos atributos mais atraentes, não só na publicidade, como na vida em geral. Gente bonita e/ou rica tem um magnetismo especial, algo que faz com que os outros queiram ficar por perto. E não estou falando só sobre ter interesse em usufruir diretamente da beleza ou da riqueza alheia, é algo inconsciente: você se sente parte de um grupo que deu certo. Beleza é atraente até para quem não sente atração sexual pela pessoa, sucesso é interessante até para quem não quer pegar o dinheiro de quem tem sucesso.

Essa ideia é uma das bases da construção do discurso publicitário: a atração através do exemplo. Você vende produtos de beleza com pessoas bonitas. Mesmo que seja lacração, ainda sim tentam escolher as gordinhas mais ajeitadas para a propaganda. Quando você vende um produto, vende também como a pessoa vai se sentir quando tiver o produto. Propaganda de margarina com família feliz já saiu de moda, mas funcionava tão bem que virou clichê: existe algo atraente na ideia de um café da manhã com gente bonita e feliz. É uma situação agradável que atrai a maioria das pessoas.

Vai vender um curso? Mostra gente que se deu bem na vida com aquelas informações aprendidas. Um carro de luxo? Coloca alguém que parece que está ganhando milhões por ano. E assim por diante. O ser humano médio não entende muito dos benefícios técnicos da maioria das coisas que consome, mas sabe muito bem como gostaria de se sentir. O público que entende o suficiente sobre cada produto para tomar decisões puramente racionais é sempre a minoria. Você pode entender tudo de carro, mas nada de computação; pode ser especialista em maquiagem, mas uma negação em celulares. Cada ser humano é um universo próprio de conhecimentos elevados em poucas áreas e ignorância em quase todo o resto.

Por isso, o sentimento é rei na publicidade. Especialmente quando falamos de produtos, serviços ou mesmo ideias para a grande massa. Quando você atinge um número muito grande de pessoas ao mesmo tempo, a única coisa que une todas elas é o sentimento.

Agora, vamos voltar o foco deste texto: adianta colocar imagens chocantes de sofrimento causado pela Covid para convencer o brasileiro médio a respeitar as medidas de proteção básicas? Infelizmente não. Uma campanha dessas projetaria uma imagem que ninguém quer ver associada à sua vida. Seria o estranho fedido te abordando aleatoriamente na rua. E por mais que a informação seja válida, o inconsciente coloca um escudo na frente daquela ideia.

É como se o fedor do estranho fosse pegar na pessoa. A única solução é se afastar. Eu falei de atração na explicação, mas agora temos que considerar o sentido oposto: ideias como doença e sofrimento geram repulsa. E essa repulsa é instintiva, acontece antes de qualquer processo racional da mente. A rejeição impede que a pessoa pense sobre o verdadeiro sentido da mensagem que está recebendo. Não adianta fazer propaganda dos Médicos sem Fronteiras com criança esquelética chorando, tem que colocar várias sorrindo, sendo alimentadas no seu vilarejo. Já tentaram dos dois jeitos, e adivinha só qual é utilizado atualmente?

Mas e as propagandas de cigarro? O número de fumantes caiu consideravelmente ao redor do mundo quando começaram a colocar imagens chocantes nas embalagens. Isso quer dizer que elas convenceram os fumantes, não? Sim, mas não do jeito que você acha. Aquelas imagens estão nas embalagens de cigarro para causar repulsa. Se você quer que as pessoas se afastem de uma ideia, você coloca algo horrível como pedágio. E não podemos esquecer que houve uma mudança considerável no tratamento social do fumante: é algo muito rejeitado por outras pessoas. Não foram só as embalagens, elas só estavam reforçando o senso de rejeição que as pessoas já sentiam das pessoas ao seu redor com o passar dos anos. Quem reduziu o número de fumantes foram as pessoas fazendo cara feia para fumantes e os afastando de seu convívio. As imagens só contribuíram para esse incômodo.

Se você quer que uma pessoa nem pense sobre um tema, coloque algo negativo na frente. Algo que faça a mente querer sair dali imediatamente. É quase como um truque mental. É muito difícil entrar na cabeça de alguém e mexer com as crenças dela, mas manipular seus sentimentos é bem mais fácil. O que nos leva a uma possível campanha de conscientização do povo com imagens chocantes sobre a pandemia: você estaria manipulando os sentimentos delas para NÃO pensar sobre a pandemia.

E isso seria um tiro pela culatra. O problema do brasileiro é a completa falta de noção sobre o que está fazendo ao ignorar os protocolos sanitários básicos, e muito disso pode ser ligado com o medo de olhar para a realidade e se sentir vulnerável. Rapidamente os negadores começariam uma campanha chamando de isso de sensacionalismo, reforçando a crença inicial de quem precisa ser convencido. Por mais paradoxal que pareça, ver cenas horríveis da doença reforça a ideia inicial que é tudo uma grande campanha terrorista da mídia.

Corta o caminho até o racional do cidadão, e permite que ele procure outra realidade onde estão as coisas que deseja: que a pandemia não seja algo tão sério e que ele vai ficar bem sem fazer nenhum esforço. Atração e repulsão na publicidade não é sobre passar uma mensagem racional, é sobre desativar essa parte do cérebro e se aproveitar de sentimentos muito mais previsíveis.

Na verdade, a campanha certa para essa situação deveria ser bem animada, com gente feliz porque se cuidou. Tem que mostrar que máscara deixa a pessoa segura e feliz, que ficar em casa é um ato heroico de gente que se preocupa com o próximo. De preferência com uma musiquinha agradável e mascote simpático. Sim, vivemos num país de crianças. Mas publicidade de massa nunca foi sobre respeitar a inteligência alheia.

Para dizer que nada adianta com esse povo, para dizer que negadores negarão, ou mesmo para dizer que ainda prefere fazer a campanha chocante só para gerar sofrimento nos malucos: somir@desfavor.com

SALLY

Seria produtivo fazer campanhas de conscientização contra covid com imagens fortes e chocantes do interior de hospitais e pessoas morrendo?

Seria produtivo sim, mas hoje eu entro aqui para apanhar, pois estou discutindo a eficácia de publicidade com um publicitário. Vamos lá, vou dar o meu melhor.

Quando se pega um determinado público, dentro dele existem diferentes tipos de pessoas: aquelas que não estão nem aí para nada, aquelas que estão abertas a pensar a respeito ou aquelas que são altamente influenciáveis ou sugestionáveis. Quando seu público são dez mil pessoas que clicam no seu blog, a quantidade de pessoas influenciáveis, sugestionáveis ou sensíveis a imagens fortes talvez não seja relevante, mas quando falamos de um público de mais de 200 milhões de pessoas, em proporção, esse número cresce e se torna significativo.

Eu sei que isso já foi tentado diversas vezes, desde acidentes de trânsito para conscientizar motoristas, até foto tenebrosa no verso do pacote de cigarro, e não surtiu efeito. Eu sei que o brasileiro é um povo brutalizado, quase que imune a algo que o assuste, pois sua realidade, seu dia a dia, são assustadores desde sempre. Mas, como eu disse no parágrafo anterior, quando o público é de mais de 200 milhões de pessoas, 1% desse público já faz uma baita diferença.

“Ah mas não seria suficiente para evitar o colapso hospitalar”. Não sabemos. Informação é uma coisa dinâmica. Às vezes algo pequeno liga um start não sei como e acaba crescendo muito mais do que se espera. Na história há centenas de exemplos de movimentos que começaram com uma pessoa só e se espalharam rapidamente sem que alguém saiba apontar exatamente o que causou essa adesão. Pode ser que funcione, pode ser que não. Custa tentar?

Francamente, o Brasil tentou coisas tão mais idiotas e ineficientes… Cloroquina, Ivermectina, Azitromicina, Ozônio no Cu, faísca de solda no corpo e muitos outros. Custa tentar algo que se sabe que vai ter alguma eficiência, por mais que não seja enorme? Mesmo que não seja uma eficiência monstruosa, alguma eficiência vai ter.

Além disso, para “chutar” se vai ter eficiência ou não, estamos trabalhando com o resultado de outras campanhas no estilo em um contexto de normalidade. Vai saber o quanto a situação anormal da pandemia afeitou o povo? Vai saber se o povo não está feito um copo prestes a transbordar, esperando só pingar a última gosta de água? A monarquia sambou bastante na cabeça dos franceses até um se emputecer e começar uma revolução que arrastou todo o resto do povo. Pode ser que esse tipo de conscientização hard seja o que falta para chutar o pau da barraca.

Uma coisa é falar, narrar, contar. Outra é ver. A imagem tem poder. Ver como é o interior de um CTI lotado, ver como uma pessoa morre, ver toda a dor e sofrimento que um doente pode passar não deve deixar todo mundo indiferente. Vai ter quem se assuste e, mesmo que seja apenas por medo, não por conscientização, é uma pessoa a menos nas ruas, uma pessoa a menos para lotar UTI.

Eu já comentei isso em outros textos: ver o momento em que uma vida se esvai de um corpo é chocante, desperta reações. Somos programados geneticamente para não ser indiferentes a isso. Por mais que, por fora, muitas pessoas se façam de duronas e digam que não se importam, isso pode sim virar uma chavinha por dentro

Acho que, em resumo, o que eu quero dizer é que nunca foi tentado algo assim em um contexto como esse. Não temos parâmetro para saber como funciona a cabeça do público em uma situação de pressão e estresse como essa, pois nada remotamente parecido com isso aconteceu antes. Então, vale a pena tentar antes de descartar a ideia. O Brasil não se furta nem de tentar coisas que pioram a saúde do doente, por qual motivo não tentar algo inofensivo?

Pode ser que esse tipo de “tapa na cara” reverta alguma parcela de negacionistas, de gente que acha que não é tão grave, que a Globo mente, que os hospitais não estão lotados, que as mortes não são reais por não ter CPF. Só vamos descobrir tentando. O brasileiro é o típico exemplo de comportamento de manada: se você conseguir fazer uma parcela de pessoas influenciadoras ou uma quantidade suficiente de pessoas mudarem de ideia, acontece um strike e todo mundo muda junto. Basta ver as abominações que o brasileiro usa e faz por “estarem na moda”.

Repito: não estou garantindo que daria certo, estou dizendo que seria produtivo. Em situações calamitosas como a que o Brasil se encontra, qualquer medida que possa ajudar a compreender e desfazer o comportamento imbecilóide é bem-vinda. Tem que tentar, tem que tentar de tudo até alguma coisa surtir efeito. Esfregar a realidade na cara das pessoas pode não se mostrar a solução definitiva, mas é um passo para chegar nela.

“Não dá tempo”. Você tem bola de cristal? Você sabe quanto essa pandemia vai durar para dizer o que dá tempo ou não de fazer? Se durar dez anos, uma campanha que comece este ano pode fazer a diferença. Vai pensando que por ter vacina isso está com data marcada para terminar… A qualquer momento surge uma variante que escapa da vacina e voltamos à estaca zero, meus amores, tendo que revacinar 8 bilhões de pessoas.

A situação é desesperadora. Quando a situação é desesperadora, eu sou a favor de tentar qualquer coisa, desde que não piore ainda mais a realidade. Pode ser que esse tipo de campanha não seja a solução, mas que algo que seja percebido durante essa campanha aponte para a solução ou para o melhor caminho. Eu tentaria, mesmo que não resolva totalmente o problema, pode ser produtivo.

Para dizer que não tem que fazer nada e tem que deixar esse povo morrer, para dizer que não se importa mais ou ainda para dizer que não quer mais falar em covid-19: sally@desfavor.com

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Comments (22)

  • Não acho que funcionaria em larga escala. A saúde daqui entrou em colapso (como no BR inteiro), a porta dos hospitais dá tristeza só de olhar e o que as pessoas comentam quando a prefeitura solta o boletim com as mortes do dia (e implora pra seguirmos esse projeto de lockdown) é que “ain é uma ditadura”, “nós vamos passar fome” e variações. Sei da história de uma família que perdeu o avô pra covid… e DEU UMA FESTA EM MEMÓRIA DELE, com bastante aglomeração.

  • Outro dia, postaram nas redes sociais um vídeo curto de um rapaz obeso numa rápida sucessão: (a) curtindo um churras com uma birita na mão, (b) na cama do hospital, tirando a máscara e falando com uma voz fraca “fica em casa…fica em casa…” e, por fim, (c) dentro do saco preto, com uma etiqueta com o nome, a data de nascimento e falecimento colada no peito.

    Ainda assim, li comentários do tipo: será que é verdade?

  • Minha avó perdeu uma irmã mais nova que ela pro covid, e não se cuidou. Faleceu de covid agora em março, e de quebra passou pra TODO MUNDO envolvido no cuidado dela e do meu avô: meu tio, a cuidadora, eu, minha mãe e meu avô (que faleceu no mesmo dia que ela). Ela foi até o fim dizendo que alguém tinha levado o covid pra ela, mas todo mundo ficou doente depois dela. Se perder a irmã não foi o suficiente pra fazer a cabeça dela, duvido que qualquer propaganda teria surtido efeito.

    O que resolve é a pessoa ficar doente, mesmo. Eu já tinha cagaço de covid, mesmo não tendo comorbidade e sendo nova, depois que fiquei doente multiplicou muito meu medo. Que doença desgraçada.

      • Sim, eu melhorei. Fiquei com sintomas leves tempo o suficiente pra cuidar do meu avô, depois que ele foi internado eu fiquei bem ruim, mas o médico auscultou meus pulmões e disse que estavam limpos, me passou xarope, antialérgico e antibiótico. Os médicos do meu avô já tinham falado que o covid tem um pico inflamatório do 6º ao 10º de infecção, nesses dias eu passei muito medo, mas quando foi no 11º eu melhorei muito e agora estou bem. Ainda não sinto muito cheiro de longe (Marido brinca que isso é bom, porque ele peida e eu não percebo), mas o paladar voltou.

        Minha mãe teve sintomas muito leves. Dor nos olhos, estômago ruim, perdeu olfato e paladar (mas voltaram bem rápido), um pouco de tosse. Estamos só trabalhando a dor da perda, agora. A cuidadora dos meus avós e meu tio também melhoraram.

    • Puxa vida, Lígia. Que história mais triste… Meus sentimentos. Nem consigo imaginar o que você e sua família devem estar passando agora. Realmente, essa é uma doença desgraçada e que dá medo. Mas eu também torço para que você se recupere logo.

  • Deveriam fazer campanhas começando pelas igrejas, cada cerimonia virtual ou presencial devia ter obrigação de ceder um momento pra informações sobre covid com fotos, vídeos, depoimentos de sobreviventes com sequelas e pessoas enlutadas. O negacionismo deve ser combatido na fonte.

  • Aqui fico com o Somir.

    Um bom exemplo de como tal apelo NÃO FUNCIONA é as imagens presentes nas embalagens de cigarro, sendo que o fumante típico ignora as imagens e vai direto tirando o cigarro da embalagem.

    O Brasileiro Médio está querendo passar longe das imagens do “caos” nos hospitais enquanto puder, tanto que chega ao ponto de acusar a Globo (uma bela prova de que quem tem c* tem medo) de usar o COVID pra fomentar um golpe de estado contra o Bolsonaro.

    • E os fatores que pesaram para queda no consumo de cigarros foram:
      1) Queda na propaganda dos cigarros.
      2) Restrições no uso de cigarros nos ambientes públicos.
      3) Aumento do preço médio dos cigarros.
      4) Redução na disponibilidade dos mesmos, mesmo quando contrabandeados.
      5) Informações difusas quanto aos males do cigarro, em especial no que diz respeito ao câncer de pulmão.

  • Não ia adiantar é nada! BR raiz só levanta os olhos pra TV se tiver BBB, novela e programa de fofoca. Nos intervalos eles viram pro smartphone ver videozinhos ridículos ou xingar muito nas redes sociais. Botaram imagens horríveis no cigarro e não adiantou nada, ia adiantar em pandemia? Não mesmo!

  • Complicado….
    O HIV tambem teve campanhas assim, mostrando gente de fralda, magrela…, mas mesmo assim o povo continuou transando sem camisinha ou sem criterio nenhum…..

  • Lembrei do filme Laranja Mecânica, com o Alex sendo obrigado a assistir as cenas ultra violentas.

    (ok, exagerei na comparação)

  • Se campanha amistosa funcionasse, o Zé Gotinha não teria uma legião de desconfiados e não teríamos o problema da Dengue há décadas.
    A única linguagem universalmente entendida é a dor no bolso.
    Exemplifico.
    A obrigatoriedade de uso do cinto de segurança passou a vigorar em 1997.
    Antes disso (E quem é antigo o suficiente pode lembrar), quem usava cinto de segurança era taxado de otário pra baixo.
    Tinha gente que sequer já havia usado um, mesmo os de dois pontos.
    Em coisa de duas décadas, uma sanha por arrecadar em multas e um trabalho de conscientização até bem feito em escolas, com os pequenos, fez com que hoje, quando alguém senta em um carro e não coloca o cinto de segurança imediatamente, seja imediatamente chamado atenção, seja pelo motorista (Que não quer ser multado) ou por algum dos passageiros.

  • Nessa eu fico com o Tomir. O sistema de alarme da cabeça do brasileiro já está escangalhado, ele não consegue lidar com a parte lógica da coisa, ele só vai assimilar a parte sentimental, e a parte sentimental é o mendigo intimidador e fedorento. Assim como ele fez quando os jornais começaram a estampar vídeos de gente sendo enterrada em pilhas, ele simplesmente vai procurar outra coisa pra ver na TV ou na internet.

    Acho que no máximo, vai ser pregar pro convertido: as pessoas que já estão levando a pandemia a sério vão ficar mais apavoradas ainda.

  • O meu julgamento nessa questão provavelmente deve estar bastante influenciado por toda a raiva da BMzada na qual estou imerso, mas mesmo assim – ou até justamente por isso – , vou ficar com a Sally nessa. Eu entendo o ponto de vista do Somir, e longe de mim querer ter mais razão do que um especialista na área, tanto que até concordo quando ele diz que “publicidade de massa nunca foi sobre respeitar a inteligência alheia”, mas discordo sobre o “vivemos num país de crianças”. Não. Nós vivemos é num país de ANIMAIS! Animais brutalizados que ainda precisam ser literalmente domesticados, nem que seja na base da porrada! Um bicho xucro como o Brasileiro Médio só respeita e teme quem “fale mais grosso” do que ele. Sem falar que estamos em uma situação excepcional, que requer medidas excepcionais. Essa porra de pandemia já está durando mais de um ano e sabe-se lá quantos mais ainda pode vir a durar se medidas mais enérgicas não forem tomadas o quanto antes! Num momento como este, não dá mais para tentar resolver as coisas com jeito, com diálogo. O trem do “aprender no amor” já passou faz muito tempo e não é possível argumentar com imbecis que não estão nem um pouco dispostos a ouvir e tampouco a entender, seja por devoção cega a uma ideologia ou por incapacidade intelectual. Normalmente, eu condenaria uma campanha de conscientização que fosse repleta de imagens horríveis, mas a atual situação é tudo, menos normal. Por isso, dadas as circunstâncias, talvez seja mesmo necessário fazer essa cambada perceber a gravidade do problema com um choque de realidade severo. Pena que não deve realmente acontecer, mas a veiculação maciça e exclusiva de cenas horripilantes de gente morrendo de Covid-19 em TODAS as formas de mídia por tempo indeterminado poderia seja justamente o que se precise para “virar a chavinha” na cabeça de algumas pessoas.

    E, no final de cada comercial, eu acrescentaria algo de que já falei em outro comentário meu recente aqui. A cena: um sujeito de ar desgastado em uma bancada, com uma expressão no rosto de quem há tempos já está muito mais do que muito puto da cara, encarando a câmera como se estivesse olhando diretamente no fundo dos olhos de cada telespectador e lhes queimando a alma. Aí entraria uma mensagem bem direta, curta e grossa: “Assim como eu e todo mundo, você também quer que esta merda de pandemia finalmente acabe?”(porretada violentíssima na mesa)ENTÃO COLABORA, PORRA!” É de se imaginar que um monte de mimizento que diz que “palavras machucam” e vê opressão em tudo iria reclamar, mas que eu quero mais é que se foda! BM é tão merda que precisa ser salvo até de si mesmo, ainda que não entenda ou não queira.

  • Sally escreve muito bem, mas esse é o lugar de fala do Somir, rs.
    A superexposição da brutalidade acaba brutalizando as pessoas, e se for muito jovem é pior, vide os child soldiers.

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