Varíola do macaco.

As autoridades de saúde de países da América do Norte e da Europa detectaram dezenas de casos suspeitos ou confirmados de varíola do macaco desde o início de maio. Com o avanço, cresce o temor de que a doença, endêmica em algumas regiões da África, esteja se espalhando pelo planeta. LINK


Vamos todos morrer? Não, não é esse o problema (aparentemente). O problema é que era a hora de provar que aprendemos algo com a Covid-19. Desfavor da Semana.

SALLY

A varíola original era um vírus extremamente contagioso e letal, que tinha potencial para matar mais de 30% das pessoas infectadas. Só no século XX, a varíola matou cerca de 500 milhões de pessoas. Felizmente, o ser humano descobriu uma vacina para a varíola e ela é um dos poucos vírus que conseguimos extinguir na base da vacina. E, depois que ela foi considerada erradicada, pararam de vacinar as pessoas para varíola. No Brasil, a vacina foi suspensa no ano de 1980.

É de se entender o susto que muita gente está levando ao ver “surgir” uma “nova varíola”, apelidada de “varíola de macacos”, cujos casos se alastraram rapidamente pelos EUA, Canadá e Europa. A mídia não ajuda. É um grande bait “vamos todos morrer” ou é uma notinha de rodapé como se não fosse nada. Então, nós, que nunca buscamos nem cliques nem dinheiro aqui, resolvemos falar sobre o assunto.

Por hora, não tem nada muito grave acontecendo. Ela não é o desfavor da semana. O desfavor da semana é como as pessoas reagem quando percebem isso: “ah, não vou morrer amanhã? Então tá tranquilo, foda-se”.

Não, não tá tranquilo. A hora de agir não é quando a casa está desmoronando, é quando você percebe uma pequena rachadura na parede. A varíola dos macacos pode não te matar amanhã, mas isso pode sim, se tivermos muito azar, desdobrar para algo complicado. Que tal não pagar para ver? Que tal se importar agora? Que tal fazer algo agora?

Essa varíola, também chamada de “monkeypox” é uma zoonose (uma doença de animais que passa para o ser humano) que, apesar do nome, não vem diretamente de macacos e sim de roedores. Isso quer dizer que ela provavelmente pode ser transmitida por roedores infectados, macacos infectados (quando o rato infecta o macaco e o macaco infecta as pessoas) e seres humanos infectados.

Por qual motivo não é preocupante agora: essa versão que está circulando tem baixa letalidade, geralmente não precisa de tratamento para a pessoa se curar e sua transmissão não é pelo ar, é pelo toque, portanto, ela é muito mais fácil de ser evitada. E a vacina contra a varíola, que já existe, protege contra ela, portanto, não seria necessário desenvolver uma vacina nova, já temos a receita do sucesso.

Os sintomas mais comuns são febre, dores musculares e inchaço dos gânglios linfáticos, antes de causar uma erupção semelhante à catapora no rosto e no corpo. Ainda não existe um protocolo de tratamento específico para ela, a maioria das pessoas está se recuperando por conta própria, depois de algumas semanas.

O problema não é a varíola, é o ser humano. O quanto não aprendemos nada. O quanto não estamos preparados para novas pandemia. O quanto vivemos em uma bolha desinformada e, quando as coisas explodem, nos pegam de surpresa e começamos a culpar o que não tem absolutamente nenhuma relação com o evento. Para você ver, já está sobrando para o Bill Gates e para a vacina contra covid novamente. Já já vai ter insano falando novamente a imbecilidade de “vírus fabricado”.

Pois não é nenhuma novidade. Talvez você só tenha conhecimento desse vírus agora, mas ele não é novidade. O primeiro caso em humanos foi detectado em 1970. Em 2020 ele circulava em números consideráveis por países africanos. Na República Democrática do Congo, por exemplo, a OMS registrou 4.594 casos suspeitos, com 171 mortes.

A novidade é que agora esse vírus parece ter se adaptado melhor ao ser humano, sendo transmitido com mais facilidade e tem país branquinho pegando. Assim como o coronavírus (havia aviso do risco de pandemia por vírus respiratório vindo de animais selvagens décadas antes), este vírus está há décadas aprendendo como pular para humanos.

Como já dissemos anteriormente, há vacinas e há tratamentos para a doença (duas vacinas: a ACAM2000 e a JYNNEOS). No Brasil a vacina foi aplicada oficialmente até 1980, quando a varíola foi considerada formalmente extinta. Mas pode voltar a ser fabricada, pois todo mundo tem a “receita”. Alguém está se mexendo nesse sentido? Não.

“Ah Sally, não pega nada, é leve”. Esse é o problema. Tudo indica que não vai causar maiores danos, mas, certezas não temos: é um vírus que apresentou a capacidade de mutar para se adaptar melhor ao ser humano. Hoje, como está, ele não parece ser capaz de causar grandes problemas, mas, quem pode dizer o dia de amanhã? Não aprendemos nada sobre o que mutação de vírus pode fazer? Covid poderia ter sido controlada se 70% da população tivesse sido vacinada lá no covidão raiz, agora não pode mais.

A hora de tomar providências é justamente essa: no começo, quando o vírus ainda está “controlável”, quanto ele não fez grandes estragos, quando ele ainda pode ser parado pelas vacinas que temos, ou, em brasileirês, quando “não tem perigo não pega nada”.

Mas, na mentalidade brasileira, se você se mexe antes de acontecer algo grande é “histeria” e, pior, se você ainda assim se mexe e evita o pior, em vez de provar seu ponto, reforça o argumento dos ignorantes, que passam a dizer: “viu? Tanto escândalo, tanta pressa em vacinar e acabou que não deu em nada”. Não deu em nada justamente por isso: por agir rápido e vacinar antes de dar problema.

Não estou dizendo de forma alguma que isso vá escalar e causar um grande problema mundial. Por sinal, eu apostaria que não. Mas pode acontecer, ninguém aqui sabe antever quando e como um vírus vai mutar. Se pode acontecer, se temos vacinas para prevenir, que tal evitar um incêndio em vez de tentar apagar o fogo quando ele já está queimando a casa?

“Mas Sally, você mesma disse que não dá para vacinar toda a população mundial de uma hora para a outra no FAQ Covid”. Primeiro que não é toda, tem gente já vacinada. Segundo que eu disse isso para uma vacina nova, que poucos países sabem fabricar, portanto, tem que passar por um grande processo de distribuição, o que não é o caso da varíola, cuja vacina todo mundo sabe fazer. Terceiro que, nesse caso, como ainda está cedo, dá para tentar outra estratégia sem vacinar o mundo todo.

A administração da vacina feita dentro de 4 dias a partir da data de exposição da pessoa ao vírus é capaz de prevenir o início da doença. Seria como uma “pílula do dia seguinte” da varíola.

Essa estratégia não é novidade, ela já existe e é chamada de “ring vaccination” (“cordão de vacinação”). Vacinando todos os que foram expostos ou vírus (ou acreditam terem sido expostos) se evita sua disseminação. Por sinal, foi uma estratégia usada com sucesso no período de erradicação da varíola humana. Mas para isso tem que ter vacina na mão antes do primeiro caso chegar.

E não dá nem para levantar uma hipótese dessa em voz alta. A regra é clara: só se mexer quando há uma verdadeira catástrofe instalada. E eu não falo apenas de vacinas. Falo de informação, de campanhas, de esclarecimento. Por exemplo, seria ótimo ver o Poder Público esclarecer mais sobre essa varíola, seus sintomas e a importância do cordão de vacinação. Você já tinha ouvido falar nisso tudo antes do Desfavor?

Além disso, fato de não ser letal, não impede que você queira se prevenir. Não deve ser agradável ter o corpo e o rosto coberto por erupções, principalmente quando algumas delas deixam cicatrizes para o resto da vida. Então, mesmo que não queiram fabricar vacinas, no mínimo, informação deveriam disponibilizar.

Não sei se alguma campanha informativa está sendo realizada no Brasil, mas vamos fazer a nossa parte: a transmissão é feita por contato, isso quer dizer que o vírus pode ser transmitido através do contato com fluidos corporais (saliva, lágrimas, suor, relações sexuais e outros), contato com feridas da varíola ou objetos compartilhados, usados por quem está com varíola, como roupas, toalha ou lençóis.

O ideal é evitar ter contato com quem está com a doença. Porém, pode acontecer de você ter contato com a pessoa antes que ela manifeste os sintomas da doença. Nesse caso, se você acha que teve contato com uma pessoa infectada, uma solução para impedir o contágio é tomar a vacina. Se ela não estiver disponível, se isole para não contaminar mais gente e torça para não ficar com muita cicatriz no rosto. Se os sintomas ficarem muito fortes, consulte um médico, tem bons remédios para atenuá-los.

“Mas Sally, ainda nem chegou no Brasil”. É justamente por isso que chamamos de medidas “preventivas”. Avisar depois que o troço está circulando e contaminando deixa de ser prevenção, né? Tomara que nunca chegue ao Brasil, mas o fato de não chegar não impede de se prevenir. A hora de pensar nisso e adotar uma estratégia preventiva é agora.

É isso, eu ainda não me conformei que o brasileiro seja tão bosta de esculachar quem fala em prevenção, chamando de “histeria” e ridicularizando. Enquanto isso, os EUA já estão adquirindo milhares de vacinas.

Para dizer que este texto é histeria, para dizer que mal pode esperar pelo Ei, Você Varíola ou ainda para dizer que brasileiro tem tanta pereba que nem vai fazer diferença: sally@desfavor.com

SOMIR

Com o texto da Sally explicando o nível razoável de preocupação com a doença, eu me sinto mais confortável para falar sobre o tema. A pandemia da qual nem saímos ainda deixou um clima problemático para lidar com novas doenças se espalhando pelo mundo. Fica fácil parecer alarmista só de mencionar a existência da varíola do macaco.

Não é nosso objetivo, assim como nunca foi com a Covid-19. Na verdade, estávamos pregando apenas o que praticávamos: todos os cuidados escritos aqui nós dois tomamos, estamos vacinados com todas as doses possíveis e nenhum dos dois pegou o coronavírus. Cada um faz o que quiser, mas por dois anos, explicamos o que fizemos e por que fizemos.

Novamente, tem uma doença no horizonte que pode ou não pode se espalhar perigosamente pelo mundo. Essa com menos potencial de espalhamento e com muito mais estrutura pré-instalada de vacinação, mas que vale a atenção, vale. Eu me lembro de escrever no começo de 2020 que provavelmente o coronavírus não iria muito longe, mas que não custava prestar atenção. Daquela vez, o provavelmente estava errado.

Dessa vez, provavelmente não. Mas existem fatores a se considerar, causados pela pandemia com a qual lidamos há mais de 2 anos: a máquina da desinformação se desenvolveu numa velocidade impressionante, tanto que até hoje muita gente acha que a doença que tirou a vida de mais de 600.000 brasileiros sequer existiu. Ou, que a vacina criada para nos salvar dela na verdade é um plano maligno para extinguir ou controlar a humanidade.

Essa máquina passou muito tempo trabalhando, e por mais que seu foco possa mudar de acordo com o tema de interesse do momento, não podemos ignorar que é sim uma máquina em plena capacidade de funcionamento. Já estou vendo gente dizendo que a varíola do macaco é efeito colateral da vacina contra a Covid-19, ou mesmo que ela foi usada para enfraquecer o sistema imunológico das pessoas contra a nova doença.

Se você tem informação confiável ao seu dispor, é claro que sabe que não é nem possível que alguma dessas afirmações seja verdade. O problema é que a pandemia conviveu com a desinformação esse tempo todo, e como já dissemos antes aqui, a baixa taxa de mortalidade natural do coronavírus foi um facilitador do negacionismo. Embora muita gente tenha finalmente entendido que doenças podem se espalhar pelo mundo, uma enorme quantidade está com a certeza absoluta que é tudo mentira da oposição.

E é aí que o que não deveria ser motivo de preocupação se torna motivo de preocupação: nunca duvide do nível de desinformação do brasileiro médio, atualmente eu temo que a chance de uma pessoa aleatória achar que a varíola do macaco é resultado da vacina do coronavírus seja de 50%. Uma moeda jogada pra cima. E não vai faltar notícia falsa para alimentar essa estupidez.

Os antivacinas passaram mais de um ano dizendo que “logo logo” todo mundo que tomou a vacina começaria a morrer. Num mundo mais ideal, eles já estariam totalmente desacreditados, mas no mundo real, as pessoas só se lembram de previsões que parecem ter dado certo. Os videntes da mídia vivem disso: fazem mil previsões erradas, mas quando acertam uma por pura sorte, as pessoas só se lembram disso e a tratam como mágicas. Os antivacinas inventaram milhões de efeitos colaterais para a vacina que simplesmente não surgiram, mas ao verem outra doença começando a chamar atenção do mundo, se empolgaram em dizer que essa sim era resultado da vacina.

E como as pessoas tendem a ter memória seletiva, eu temo que muitos comecem a entrar mais e mais nessa insanidade antivacina. Viver num mundo onde a maioria das pessoas tem dificuldade real de compreender o que leem ou escutam e ainda por cima não tem base de conhecimento científico algum dá nisso: ouvir que o planeta é redondo ou ouvir que o planeta é plano dá basicamente no mesmo. Quem falar com mais confiança tende a passar sua informação como verdadeira.

E vejam só, todo mundo está cansado da pandemia do coronavírus, cansado e desmotivado: imagina só passar dois anos tentando explicar ciência para um povo que não tem interesse ou capacidade de entender? Pra gente aqui do Desfavor foi bem mais fácil, a gente lida com leitores que aguentam encarar páginas e páginas de texto; mas como é que a mídia de massa vai lidar com isso? Porque ela tem que falar com um povo se saco muito cheio de se preocupar com doenças.

E no caso brasileiro, com um governo que estuda sobre ciência em postagens aleatórias do Facebook. Não só se corre o risco da imprensa e dos especialistas estarem fatigados demais para passar informações sobre a varíola dos macacos, como também temerem “incomodar” o povo com outra coisa preocupante tão cedo depois do brasileiro decidir por conta própria que a pandemia acabou.

O desfavor, como a Sally bem disse, não é que vamos todos morrer com a varíola, e sim que é muito possível que a “fadiga da Covid-19” e a incansável indústria da desinformação façam com que tenhamos de novo uma das piores respostas do mundo à uma doença, e que muito mais gente tenha que sofrer com a doença do que realmente necessário.

Espero que vocês não estejam cansados demais para desmentir as bobagens que vão vir por aí caso a doença comece a se espalhar.

Para dizer que esse era o plano do Bill Gates, para dizer que devemos estar milionários de tanto ajudar nos planos dos satanistas/judeus, ou mesmo para dizer que não é macaco: somir@desfavor.com

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Comments (10)

  • O povo cansou do covid, aí a mídia começou a focar em outro pra continuar a agenda do prende em casa e do veganismo. Não acredita? Vai vendo …

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  • Quem tem aquela marquinha no braço foi vacinado contra a varíola, (BCG?), e está imunizado contra a varíola do macaco ou estamos tratando de outro tipo de varíola e precisaremos tomar outro tipo de vacina, alguém sabe responder?
    É preocupante essa nova praga que está se espalhando mais rápido que o esperado. No Google tem diversas fotos tiradas há 2 dias, e são bem feias, enquanto que o sofrimento do paciente infectado não deve ser pouco.
    Ainda deve-se falar sobre as gestantes que entrarem em contato com infectados, correndo o risco de seus fetos nascerem com sérias complicações cerebrais, hidrocefalia e riscos do gênero.

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    • A vacina BCG (que deixa marquinha no braço) é contra a bactéria da tuberculose apenas, então não protege contra varíola, apenas contra tuberculose.

      Quem tomou vacina contra varíola (até a década de 80 ainda era dada, mas nem todos precisavam tomar) também tem marca no braço, então quem já tomou vacina contra a varíola deveria ter 2 marcas no braço – a da vacina contra a varíola e a da vacina BCG.

      Se vc nasceu após a década de 60 (época em que a varíola já estava em processo de erradicação), num grande centro (áreas rurais tinham mais risco de ter a doença), e só tem uma marca no braço, provavelmente é só a BCG e não está vacina contra varíola.

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      • revistapesquisa.fapesp.br
        A volta da vacina contra varíola
        Edição 73
        mar. 2002
        Os atentados terroristas contra os Estados Unidos continuam trazendo conseqüências para o Brasil. O governo brasileiro vai retomar a produção da vacina contra varíola este ano. A razão é o medo de que o bioterrorismo venha a provocar uma epidemia mundial da doença, erradicada desde 1980 em todo o mundo. A produção brasileira deverá ocorrer já neste começo de ano – Brasil e Estados Unidos serão os únicos países a fabricar o imunizante.

        O objetivo é ter em estoque cerca de 3 milhões de doses prontas para uso até meados do segundo semestre deste ano e 30 milhões de doses do concentrado viral, que pode ser transformado em vacina rapida- mente. De eficácia comprovada, o imunizante será o mesmo usado até a década de 1970. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) foi encarregada da produção. A varíola é uma doença infecto- contagiosa de fácil disseminação causada pelo Orthopoxvírus variolae, um vírus altamente resistente a variações de temperatura.

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  • Sou muito otimista em achar que as pessoas vão levar essa varíola mais a sério que o covid? Porque ela deixa um monte de perebas e aparência é um dos pontos fracos do ser humano.

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    • Acho que sim, você está sendo muito otimista. Parte das pessoas nem entra em contato com o problema pois “ainda nem chegou aqui”, outra parte nem acredita que seja real, outra parte acha que é efeito colateral da vacina e por isso não tem com que se preocupar, outra parte nem consegue entender o que está acontecendo e acha que só afeta macacos.

      Certamente essa semana tem Ei, Você sobre o assunto. Leia e você vai perceber seu otimismo.

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  • Fico imaginando uma nova epidemia de pólio. Os pró-vida que querem proteger as criancinhas e os fetinhos dos globalistas malvados com suas “vachinas du mau” abandonando geral com sequelas da doença por falta de vacina nos hospitais… (Antigamente, quando uma criança pegava pólio, não raramente a abandonavam quando permanentemente afetada).

    Na hora que tem sequelado pra cuidar e cadáver pra recolher devido imbecilidade alheia, ninguém dessa laia conspiracionista se apresenta.

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