
O ar doído que preenchia seus pulmões incendiava os arredores da vista, lançando fagulhas por sobre a paisagem. Os passos cada vez mais próximos, desconcertados pela relutância dos músculos de suas pernas. Não fosse pela adrenalina irrigando cada fibra do seu ser, ele se entregaria. A distância entre os dois parecia se manter, ele não era o único à beira de um colapso. E assim o solo tornava-se cada vez mais traiçoeiro…
O passo em falso, resultado de uma pedra solta, lança-o ao chão; os reflexos prejudicados pela exaustão não o impedem de plantar seu rosto na terra úmida. Ela estava prestes a escapar de vez. Por um breve momento, seus olhares se encontraram, o dela cada vez mais distante. Ao perceber o fim da caçada, seu coração desacelera, seu pulmão se contenta com menos ar, seus músculos relaxam e a dor dá lugar ao alívio. Para o azar dela, vê-lo caído parece desencadear a mesma reação em seu corpo. A breve sensação de alívio é suficiente para amolecer suas pernas, exauridas após horas de perseguição. Combalida, permite-se alguns segundos para retomar o fôlego.
Para dizer que me odeia, para se gabar de que sempre soube, ou mesmo para reclamar que nada faz sentido: somir@desfavor.com
Vai ser um ano interessante.
Uma frase por dia?
Até alguém morrer.
Será mesmo interessante…
Seguirei acompanhando. Você é assumidamente pretensioso, mas como também sou, continuo pensando que se tivesse sido somente o que foi publicado no primeiro dia, já teria sido bom o bastante.
Claro que tudo pode ser aprimorado quando se tem talento, o que é o seu caso…
Agora, vê se não fica mais metido com o reconhecimento!
acho que era só a narrativa de alguém querendo usar o sanitário com certa urgência!
Segunda vez que vejo Somir brincando de Rorschach test com os textos.
Primeira vez que o vejo tentando se safar de furar postagem criativamente :D
É UM DRAGÃO CUSPINDO FOGO PORRA!!!
Jeito MUITO BOM de mostrar que o ser humano vê o que quer ver. Hahaha. :)
Eu sabia que estávamos sendo trollados por um adolescente de 14 anos…
Pqp…
Ah, esqueci de mencionar que a imagem (ou seria a ausência dela?!) foi um excelente recurso para expressar a condição do(a) protagonista. Adoro gêneros híbridos. Mais uma vez: parabéns!
Somir,
Em 112 caracteres, incluindo espaços, você construiu um microconto com narrador em 3a pessoa, observador; contou com a presença de ao menos uma personagem [há possibilidade da existência de outra(s), não há certeza se o(a) protagonista estava só ou acompanhado(a)], narrou em tempo cronológico num espaço que dá a impressão de não ser urbano. Podemos extrair da narrativa diversos subtextos, em virtude do que não está dito, aí reside a beleza dos textos verdadeiramente literários, são lacunares, reservam aos leitores momentos de reflexão. O título, coerente com o enredo, complementa-o e contribui para sua coesão. Você respeitou as normas gramaticais e foi feliz nas escolhas lexicais.
Parabéns! Qualidade e quantidade não são sinônimos…
Nesse caso, são. Ele não disse nada.
Olá, Phill!
Discordo de você. Ele narrou a jornada exaustiva de uma criatura, seus pulmões estavam em brasa pelo esforço, a fumaça e as fagulhas que vinham dos pulmões alcançaram os olhos, prejudicando sua visão, daí a imagem preta. Com o pouco que ele escreveu, podemos refletir sobre que raios de jornada foi essa, o que ele buscava, se estava só ou acompanhado…Também podemos imaginar que a narrativa é uma metáfora para o velho paradoxo: quando chegamos lá, o lá não existe. Que muitas vezes nossas expectativas são frustradas quando finalmente alcançamos aquilo que imaginávamos desejar.
Então, quem sabe se você lançar um outro olhar e procurar imaginar mais subtextos possíveis, talvez até mude de opinião, vale a tentativa.
Abraço.
OU ele esqueceu de fazer o texto e postou twiteríticamente.
OU ele começou um texto.
OU se vc ler de ponta cabeça e bebendo água verá que está escrito “esqueci essa porra hoje”.
OU…
Isso aqui tá parecendo igreja. Cada um tá interpretando a “bíblia” do jeito que mais convém.
“A pequena Jornada.
O cérebro implodia sobre a noção de que ele devia morrer, antes mesmo de ter começado. Chorar era privilégio dos vivos.”
Para dizer que eu estou só posso estar brincando, para interpretar algo profundo no meu texto, ou mesmo para dizer que isso é uma crítica digna de Siago Tomir: philldesfavor@bullshit.com
Joinha pela criatividade
Umberto Eco pra vc!
A sua análise deixou-me tentado. Mas no final das contas, a pretensão é uma prisão sem grandes.
Mas tenha certeza que sua sutileza não passou despercebida.
Olha o Somir aderindo ao twitter e seus 140 caracteres!
Ah, que coisa sem graça Somir!
…e as árveres somos nozes.
Você ainda está vivo? A Sally não te encheu de porrada ainda?
Hahahahahahahahahahahaha!