Telecinese.

Sua mente pode ir além das tarefas rotineiras do seu dia a dia e, talvez, executar coisas que você e boa parte da humanidade julguem impossíveis. Algumas pessoas parecem nascer com um desbloqueio que permite que suas mentes realizem tarefas que, no geral, não são consideradas um atributo da mente humana.

Por isso, decidimos fazer uma série sobre o assunto, tentando dar uma perspectiva científica a esses chamados “fenômenos paranormais”. Como hoje é o primeiro texto, vamos fazer uma introdução um pouco maior, para situar o leitor da nossa premissa básica. Depois, passamos ao absurdo da vez, que é mover objetos com o “poder da mente”. Desfavor Explica: Telecinese.

Se você está esperando um texto místico, religioso, espírita ou sobre religiosidade, pode parar por aqui. Não tem nada de “mágico” na Telecinese. A ciência não sabe explicar seu mecanismo de funcionamento, mas não é por isso que vamos divinizar o processo, não é mesmo? Não somos mais homens das cavernas que, por não entender de onde vinham os raios, os atribuíam a deuses.

Graças a essa crença em uma mente muito mais limitada do que realmente é, o ser humano tende duvidar que ele seja capaz de algo que lhe foi ensinado não ser capaz, ficando sem explicação quando isso acontece. Aí parte para dois extremos, igualmente nocivos: divinizar o ocorrido por precisar de uma explicação a qualquer custo ou negar o ocorrido por presumir que se não há explicação conhecida a coisa não existe.

Ambos são reações ignorantes. A mente humana ainda é pouco conhecida e frequentemente prega uns sustos nos cientistas fazendo coisas que se julgavam ser impossíveis. Tá tudo bem que exista algo para o qual não se tem explicação, isso não o torna mágico ou divino mas também não o torna inexistente.

Digamos que nós nos limitamos por um erro de cálculo: partimos do princípio de que nossa mente tem certas limitações que ela pode não ter. E, justamente por pensar desta forma, não a exercitamos, não a estimulamos, não a exigimos para que ela vá além, pois acreditamos não ser possível.

Vamos pensar no seguinte exemplo: um bebê, em algum ponto do seu desenvolvimento, vai ter o instinto ou a curiosidade de tentar ficar de pé e andar. Pense em um bebê criado por uma família que acha muito natural e esperado que ele venha a caminhar e o estimula a isso de todas as formas possíveis: o segura, o encoraja, o ensina e lhe dá todas as ferramentas para que ele levante e ande. E quando ele o faz, ficam felizes, e não assustados dizendo que andar é coisa do demônio.

Agora pense em outra família que foi criada dentro de um sistema de pensamento onde sua verdade é que andar é algo impossível ou muito difícil e talvez algo ligado ao mal, ao demônio ou que gere medo. Esse bebê provavelmente não vai ser estimulado a andar e talvez nunca ande, pois não tem o exemplo e não se espera isso dele. Talvez ande sem muita habilidade. Mas certamente nunca andará em pleno potencial, como o bebê do exemplo anterior.

O mesmo vale para a sua mente. Se você cresceu em um sistema de pensamento onde te ensinaram que sua mente é limitada e que depois de uma linha X você (e ninguém, exceto certos iluminados) conseguem cruzar, é isso que você vai reproduzir na sua realidade. Você está se limitando em função daquilo que te contaram, que também foi contado aos seus pais, aos seus avós e a gerações. Não é culpa de ninguém, é apenas um sistema de pensamento que se propaga até virar uma verdade inquestionável.

Não posso dizer exatamente do que sua mente é capaz (ninguém pode), o que eu sei é: sua mente pode ir além do que vai hoje se você se livrar dessa ideia limitante de que só pode ir até um ponto X e se você não tiver medo do que possa vir a aparecer. Não é coisa do demônio, não é nada fantástico ou de outro mundo. É a mente humana levada além do básico.

Conhecemos muitas situações que a ciência não explica onde a mente humana performa coisas extraordinárias, inclusive alterando a matéria. Temos um texto sobre Transtorno Dissociativo de Personalidade que exemplifica muito bem isso.

Pessoas que têm múltiplas personalidades (lembra do filme “Fragmentado”?) modificam seus corpos conforme a personalidade que assume o comando no momento. Há casos estudados de pessoas que em uma de suas personalidades é diabética (e isso afeta a produção de insulina, fisicamente, obrigando-a a se medicar) e nas outras não. Há casos de mudança na cor dos olhos e até de cegueira reversível conforme a personalidade que está ativa no momento. Então, sim, a mente pode mais do que nós conhecemos.

Veja bem, não estou te dizendo que você vai poder voar, materializar um diamante na sua frente ou qualquer outro ato impensado. Estou te dizendo que sua mente pode ir além do que vai hoje. O que vai sair disso? Não tenho como prever. Ninguém tem como prever. Você vai ter que tentar para descobrir.

O que eu posso fazer é compartilhar o que algumas pessoas já conseguiram tentando expandir suas mentes, de forma verificada e documentada. Uma dessas manifestações em tese impossíveis é mover objetos com a sua mente, também conhecido como “Telecinese”.

É algo que te foi ensinado ser impossível? Provavelmente sim. Mas há muitos casos documentados pelo mundo de pessoas que conseguem fazê-lo e, adivinha só, geralmente elas vêm de famílias onde isso era tratado com naturalidade e não como algo impossível.

A Telecinese pode ter diferentes explicações científicas, mas, a mais aceita é que todos os corpos têm uma frequência de vibração própria (e isso é fato, tudo contém energia) e, algumas pessoas conseguem entrar na mesma frequência do objeto que movem (como quem sintoniza uma onda de rádio) e ter acesso à “energia” que cerca o objeto, interagindo com ela e deslocando-o.

Uma outra teoria muito similar diz que nós, humanos, também tempos um campo energético, uma frequência vibracional (onde tem calor, tem energia) e que, em alguns casos, conseguimos exteriorizar ou até transformar essa energia de uma forma que ela interaja com outros objetos

Pode ser isso? Pode. Pode ser outra coisa que ainda não conhecemos ou entendemos? Pode. O que não dá é negar que Telecinese exista só por não termos uma explicação para ela ou divinizar sua origem só por não termos uma explicação para ela. Não sabemos como acontece. Apenas sabemos que acontece. Tem muito charlatão? Demais. Uma infinidade. Mas isso não significa que todos sejam. Sinto muito se um Fulano carente de atenção entorta talher na frente das câmeras, isso não pode desmerecer quem realmente interessa.

Um dos casos mais famosos de Telecinese é de uma dona de casa russa, que movia objetos sem esforço. Em determinado momento da sua vida, isso começou a chamar a atenção, até que a informação chegou à comunidade científica, que a estudou exaustivamente por 20 anos para tentar entender o que estava acontecendo. Ela foi avaliada por muitos cientistas, inclusive por ganhadores do Prêmio Nobel.

Esta dona de casa, chamada Nina Kulagina, disse que isso era natural em sua vida, já que sua mãe, quando ficava zangada, sacudia objetos ao seu redor sem encostar neles. Nina cresceu com a mentalidade de que pessoas podiam mover objetos e assim, sem saber que era impossível, começou a fazê-lo.

A ciência nunca conseguiu refutar a veracidade da telecinese de Nina, ou seja, após 20 anos estudando-a, concluíram que não era um truque. Mas nunca conseguiram explicar como ela fazia aquilo. Sabemos que existe, mas não sabemos como acontece. Dá comichão no cérebro, mas faz parte do processo de abertura da mente conviver com coisas sem explicação.

Nina movia os mais diversos tipos de objeto. Na ânsia por descobrir o que era aquilo, cientistas quiseram testar se ela poderia também controlar os movimentos de matéria orgânica.

Um médico psiquiatra disse que queria ver se Nina podia interferir no seu coração. O experimento foi documentado, os batimentos cardíacos do médico foram monitorados antes e durante o experimento. Mas, não durou muito: em dois minutos os batimentos cardíacos dele aceleraram de tal forma que o experimento teve que ser interrompido para não causar danos ao organismo.

Daí teve quem diga que era sugestão, hipnose e várias outras teorias. Tentaram então um novo experimento, onde a matéria viva não seria sugestionável. Extraíram o coração de um sapo e deixaram que ela faça seu trabalho: ela conseguiu controlar os batimentos, acelerar a frequência dos batimentos e até fazê-lo parar e depois voltar a bater. Nina X-Men passou no teste.

E talvez não seja algo tão raro e especial como se imagina. Um experimento realizado na Universidade de Princeton resolveu testar o quanto pessoas podem interferir na matéria com diversos voluntários. Em uma caixa transparente cheia de pinos, colocada na vertical, eram jogadas 9 mil bolinhas, que caíam ziguezagueando através dos pinos. Pelas leis da física, as bolinhas tinham um trajeto básico a fazer.

Foi pedido a voluntários que se posicionem a dois metros da caixa e que, da forma que pudessem, tentassem desviar o curso das bolinhas com suas mentes para que elas caiam nas canaletas das extremidades.

O resultado foi publicado na revista científica “New Scientist”: dois terços dos voluntários conseguiram alterar o curso das bolinhas. Pessoas que provavelmente nunca teriam tentado nada nem parecido, não fosse essa experiência, e de fato conseguiram interferir. Em tempo: os cientistas não têm a menor ideia de como os voluntários conseguiram esse feito, só sabem que ele aconteceu.

Em uma escala ainda maior, onde praticamente toda a humanidade é a cobaia, um estudo da Universidade de Princeton buscou entender se emoções da mente humana podem interferir na matéria. Para isso, usaram uma rede mundial de geradores de números aleatórios (GNA), uma máquina que, como o próprio nome já diz, gera número aleatoriamente.

Se percebeu que quando um evento afeta emocionalmente uma boa parte da humanidade, a aleatoriedade dos números gerados pelo GNA cai. E, quanto maior o impacto emocional e maior o número de humanos envolvidos, menos aleatórios esses números ficam. Mais: quando um evento desencadeia sentimentos de compaixão coletiva, o resultado é ainda mais forte.

Um exemplo: em 11 de setembro de 2001, dia do ataque às Torres Gêmeas nos EUA, houve um enorme desvio nos números do GNA. Uma possível explicação é que esse sentimento de compaixão muda nosso estado fisiológico, mudando também a energia emanada pelo corpo, a frequência vibracional ou como se queira chamar, fazendo com que as pessoas emanem um tipo de onda magnética capaz de intervir na matéria.

Mas está é apenas uma de muitas explicações possíveis. Não se apegue a ela, não se apegue a nada, pois não sabemos. Se você quiser saber mais a respeito ou acompanhar o projeto, basta buscar por “Global Consciousness Project”, tem resultados bem interessantes por ali.

É uma realidade. É um fato. De alguma forma há manifestações da mente interferindo na matéria. Entendemos como? Não. Mas talvez esta pergunta nem seja tão importante. O valioso nessa história e neste texto é que você saiba que sim, a mente humana pode fazer coisas que sempre nos foram ensinadas que não podia.

Então, se desconstruirmos essa limitação de acreditar que só podemos fazer tal e tal coisas, pode ser que um dia nossas mentes consigam ir além. O boqueio está, literalmente, na nossa cabeça. Não há garantias de um determinado resultado, afinal, ainda não entendemos como funciona, mas certamente algo vai mudar.

Mas, para desconstruir isso não basta dizer palavras mágicas reafirmando que sua mente pode tudo, é um processo interno. Você realmente precisa internalizar, acreditar e sentir que não tem as limitações que te ensinaram. Não é do dia para a noite, são décadas acreditando nas limitações, mas com um pouco de dedicação, pode ser feito.

E se finalmente você conseguir se livrar dessas limitações, ninguém sabe o que pode ser destravado. Não é fascinante? Espero que você ache fascinante, se achar assustador, seu inconsciente vai te impedir de fazer esse destrave.

Se gostaram do texto, podemos dar continuidade, falando sobre outras “atividades” não explicadas na mente humana, como telepatia, psicometria, premonições e outros, à luz da ciência.

Para dizer que agora só quer textos sobre covid para tentar não morrer, para dizer que não vai dormir hoje à noite ou ainda para dizer que do jeito que está 2021 nem precisa de desconstrução da mente, tudo de mais estranho já está acontecendo: sally@desfavor.com

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Comments (14)

  • Eu acredito que em momentos de desespero, ou algo que nos leve ao limite do pensamento, a única coisa que pensamos pode mesmo virar realidade, acredito que a mente nos limita a muitas coisas, como o que foi dito, da mãe que levantou um caminhão pra salvar o filho, rompendo o limite da mente que nós temos conscientemente, nós nos alteramos ao ponte de ter uma força não humana, acreditar ou ter fé, é o que eu acho que a mãe sentiu no momento de levantar o caminhão, e ela provavelmente acreditou/teve fé, sem notar, ela só fez como se fosse algo normal pelo simples pensamento de salvar o filho, a mente é realmente incrível.

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    • A mente tanto pode nos limitar e aprisionar quanto nos possibilitar proezas incríveis e nos levar aonde jamais sonhamos.

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  • Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez (Jean Cocteau).

    Costumo chamar isso de “a audácia do inocente”, quando não nos deixamos contaminar pela dúvida somos capazes de feitos notáveis. Quem sabe também nesta seara?

    Ps: se eu pudesse ter uma habilidade seria a da invisibilidade (que acredito não se enquadrar na categoria de fenômenos paranormais).

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  • Adorei! Acho que até aqueles casos de reencarnação, da criança ”lembrar” de uma vida passada e realmente ser tudo como ela descreveu, entram nessa lista.

    Tentando mover objetos em 3…2…1…

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    • Estava na casa de uma amiga e esta tocando uma música da década de 60. O filho dela, de 5 anos disse: “eu gostava dessa música, mas depois que eu voltei esqueci dela”. Tenho pavor dessas crianças com alguma janela aberta no espaço-tempo.

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  • Sugiro um texto sobre premonições à luz da ciência. Eu realmente queria entender como a pessoa consegue prever algo que vai acontecer nos próximos minutos, ou horas ou dias com tanta exatidão.

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  • Eu nunca imaginei que a Sally um dia fosse escrever sobre esse tipo de coisa, mas isso que ele disse sobre algumas pessoas com a mente “destravada” conseguirem realizar façanhas consideradas impossíveis pela maioria me fez lembrar de uma frase com a qual eu me deparei há muito tempo: “Você nunca sabe do que é capaz até tentar.”.

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    • A mente e o corpo. Há relatos de pessoas que fizeram coisas extraordinárias com o corpo em situações limites, como por exemplo, o de uma mãe que levantou um caminhão para tirar seu filho de baixo. Temos um enorme potencial inexplorado.

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